As mudanças na mídia

Coluna Econômica

O anúncio da visita de Rupert Murdoch ao presidente Lula traz à tona as profundas mudanças que deverão ocorrer proximamente na mídia.

Murdoch é um empresário australiano que inaugurou a era da globalização na mídia. Com apoio do mercado de capitais avançou sobre o mercado britânico, depois sobre o norte-americano e suas empresas – Fox News à frente – se tornou ator político relevante nas eleições locais.

Essa mesma estratégia político-partidária foi adotada pelo grupo sul-africana Naspers – sócio da Editora Abril.

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TratTrata-se de uma mudança de enfoque no papel convencional da mídia ao longo da história. Historicamente jornais sempre se aliaram a partidos políticos, na oposição ou na situação, mas como papel auxiliar.

Em geral, esses grupos tinham posição consolidada em seus respectivos mercados. A convergência digital derrubou as barreiras de entrada (necessidade de investimento em máquinas, capital de giro, papéis etc), permitiu a entrada de novos atores no mercado, como as teles e os grupos de entretenimento.

O caminho escolhido por alguns grupos – especialmente donos de TV aberta (que têm maior abrangência) – foi o de utilizar o espaço preservado para passar a atuar politicamente, não mais como coadjuvante, mas como protagonista.

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Murdoch abriu o caminho ao empregar vários candidatos republicanos e liderar um pesado movimento conservador – que acabou influenciando a mídia em geral.

No Brasil, esse movimento foi imitado pelo pacto entre quatro grandes grupos de mídia – Globo, Abril, Estadão e Folha – que, de 2005 até agora comandaram a oposição política, inclusive tendo papel decisivo na indicação de José Serra à presidência, em detrimento de Aécio Neves – que teria mais possibilidade de vitória.

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O reverso desse movimento é o desabrochar da sociedade civil na Internet: blogs, ONGs, OSCIPs, sindicatos, movimentos sociais, todo esse conjunto disputando dentro da mesma plataforma tecnológica dos grandes grupos.

Nos dois casos, haverá a disputa pela audiência e pelas opiniões políticas – os grandes grupos dispondo de estrutura profissional, as organizações sociais somando esforços com o chamado trabalho em rede. Os demais grupos dedicando-se ao entretenimento, a atender às demandas de seus leitores/ouvintes, ora pendendo para uma ideia ou outra.

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É em cima desse movimento global que se darão as mudanças na radiodifusão brasileira, inclusive a proposta de mudança na legislação prometida por Lula antes de deixar o poder.

A ideia central será, de um lado, defender os atuais grupos de mídia da competição com as teles – muito mais poderosas financeiramente. De outro lado, abrir espaço para uma melhor competição no setor.

Em breve deverão ocorrer transformação de monta no setor. Nas TVs abertas, o aparecimento de novas redes, provavelmente com capital externo. A crise do Banco Panamericano deverá precipitar a venda do SBT. A rede Mais TV está sendo assediada por grupos portugueses. No cabo, as teles começam a competir com a Net. E na Internet, blogs e sites ganharam a maioridade. 

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12 comentários
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antonio rodrigues

Tive a sorte de conhecer de perto o melhor momento do jornalismo brasileiro promovido pela atuação de Ultima Hora. Grandes avanços alcançados pelo pais nos campos políticos, sociais, econômicos e culturais não teriam acontecidos, sem a existência daquele dinâmico jornal.Não foi por nada que a ditadura para se instalar investiu tão fortemente na sua destruição. No meu ponto de vista, o novo marco regulatório para as comunicações poucas mudanças trara a sociedade, se ela continuar a ser informada apenas pelos veículos que existem atualmente. Cabe ao novo governo criar as condições para que novos canais de informação se multipliquem pelo pais. Não haverá estabilidade politica, desenvolvimento da cultura sem um sopro de modernização de nossa midia informativa.

 
 
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Ivan Moraes

Eu queria saber se eh verdade que ele JA ENTROU no mercado brasileiro.

Murdoch nao eh "concorrente" da media brasileira nem do Naspers. Murdoch eh a cavalaria.

O GOVERNO BRASILEIRO PODE CONFIRMAR DE UMA VEZ A ENTRADA DESSE LUNATICO NO BRASIL?

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

 
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jura

Intervozes publica pesquisa sobre órgãos reguladores de rádio e televisão em 10 países

Coletivo lança estudo sobre o funcionamento de órgãos reguladores de países da América do Sul, Norte e Europa para contribuir com o debate sobre o novo marco regulatório da comunicação.

Com o objetivo de contribuir para o debate sobre o novo marco regulatório para as comunicações no Brasil, o Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social apresenta um levantamento sobre o funcionamento de órgãos reguladores que atuam sobre sobre a radiodifusão em 10 países. O estudo revela a tendência de os países adotarem órgãos independentes para regulação do setor, com ênfase nas questões de garantia de competição, gestão do espectro e de regulação de conteúdo.

Foram pesquisadas as estruturas reguladoras de Reino Unido, França, Canadá, Estados Unidos, Bósnia e Herzegovina, Argentina, Uruguai, Alemanha, Espanha (incluíndo um capítulo especial sobre a Catalunha) e Portugal. Sem a pretensão de ser um estudo aprofundado sobre a dinâmica dos conselhos e agências, a pesquisa do Intervozes tem como objetivo compreender, para cada país observado, as características gerais e atribuições do ente regulador, as estruturas organizativas (incluindo composição e forma de escolha), a descrição dos poderes fiscalizadores, punitivos e mecanismos de enforcement, as dinâmicas de transparência, controle público e accountability, os espaços de participação civil e fazer um breve mapeamento dos organismos de fomento. Foram utilizadas fontes primárias e secundárias, especialmente estudos prévios de organismos do governo brasileiro e de pesquisadores dedicados ao tema.

O foco na radiodifusão se justifica pelo momento de debates sobre um novo marco regulatório para o setor no país. Diferentemente dos países pesquisados, o Brasil não tem um órgão regulador independente para a radiodifusão. A responsabilidade pela aplicação das regras está no Ministério das Comunicações, que praticamente não tem atribuições de regulação, apenas de fiscalização e sanção. Por conta dessa ênfase, ficaram de fora do escopo da pesquisa os processos de regulação da imprensa e aqueles específicos de telecomunicações, assim como as questões ligadas a fomento das atividades.

Confira as principais conclusões do estudo e os relatos de cada país:

- Conclusões do estudo

- Alemanha

- Argentina

- Bósnia e Herzegovina

- Canadá

- Catalunha

- Espanha

- Estados Unidos

- França

- Portugal (em breve)

- Reino Unido

- Uruguai http://www.intervozes.org.br/noticias/intervozes-publica-pesquisa-sobre-...

 
 
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jura

Debate e lançamento de livro marcam 5 anos do caso "Direitos de Resposta"

No dia 12 de novembro, em São Paulo, o Intervozes lança livro que resgata a história da ação que garantiu a resposta da sociedade à violações de direitos humanos na mídia.

Em 2005, uma ação civil pública movida contra a Rede TV! e o programa Tardes Quentes, do apresentador João Kléber, por violações de direitos humanos na mídia obteve um resultado inédito na Justiça brasileira. Durante 30 dias, a emissora foi obrigada a exibir um direito de resposta coletivo dos grupos ofendidos pela programação. Assim nasceu o programa "Direitos de Resposta", produzido por organizações da sociedade civil e que exibiu inúmeras produções independentes em torno da defesa dos direitos humanos.

O resultado foi considerado uma vitória para aqueles que reivindicam melhorias na programação na TV aberta brasileira e seu aniversário de 5 anos será celebrado no dia 12 de novembro, em São Paulo, com o lançamento do livro "A Sociedade Ocupa a TV", produzido pelo Intervozes, que resgata a memória do episódio, e com um debate sobre liberdade de expressão, que contará com a presença do Procurador da República Sergio Suiama, autor da ação contra a Rede TV!.

De acordo com o procurador, programas como os então apresentados por João Kléber legitimam preconceitos. “A emissora de TV é uma concessão pública e como tal deve obedecer a preceitos estabelecidos pela Constituição Federal”, diz ele. Entre eles, os previstos no artigo 221, que determina que a programação das emissoras deve respeitar os valores éticos e sociais da pessoa humana. “No caso dos homossexuais, principal grupo atingido pelo programa, esse tipo de veiculação reforça uma conduta homofóbica”, completa o procurador.

Na época, a Justiça Federal concedeu liminar exigindo a suspensão do programa por 60 dias e a exibição de um direito de resposta. A Rede TV! descumpriu a ordem judicial e teve seu sinal cortado por 25 horas. Pressionada principalmente por anunciantes, a emissora aceitou assinar um termo de ajustamento de conduta com o Ministério Público Federal e as organizações da sociedade civil co-autoras da ação. Assim, financiou a produção e exibiu os 30 programas, além de pagar uma multa de R$ 400 mil para o Fundo de Defesa de Direitos Difusos pelos danos causados à sociedade.

Participaram da ação e da posterior direção do programa Direitos de Resposta as seguintes organizações: Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação; Centro de Direitos Humanos (CDH); Identidade – Grupo de Luta pela Diversidade Sexual; Ação Brotar Pela Cidadania e Diversidade Sexual (ABCDS); Associação da Parada do Orgulho dos Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros de São Paulo; e Associação de Incentivo à Educação e Saúde de São Paulo (AIESSP).

Em 2009, na I Conferência Nacional de Comunicação, poder público, empresários e sociedade civil aprovaram a criação de mecanismos para normatização e regulação dos conteúdos veiculados pelos meios de comunicação e sua responsabilização na perspectiva de evitar as práticas discriminatórias e a violação dos direitos humanos na mídia.

http://www.intervozes.org.br/noticias/debate-e-lancamento-de-livro-marca...

 
 
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lmstefanini

Acho que aqui vale uma reflexão (ovo e a galinha). O reverso do movimento é o desabrochar da sociedade civil na Internet ou o movimento da mídia é uma reação a este desabrochar?

 
 
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Bernardo

Obviamente, ele está de olho no SBT. Silvio Santos já disse que se alguém aparecer com o dinheiro, elva a rede de TV. Acho o Murdoch algo do nível do Civita para pior. Basta ver que ele praticamente fez o Tea Party nos EUA ser o que são hoje - o principal grupo político em ascensão lá. Se Lula permitir a entrada desse escroque aqui, o nosso país correrá sérios riscos de uma guerra civil ou golpe militar.

 
 
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Antônio CDS

Imagine o cast da Fox News Brasil: Marcelo Madureira, Marcelo Tas e CQC, Reinaldo Azevedo, Mainardi ( via satélite, por motivos óbvios), Augusto Nunes, Lauro Jardim, Merval Pereira, Lúcia Hipólito, Toda a galera do Inst. Milênium, Todos os zumbis eleitorais do DEM e PSDB.

 
 
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foo

Agora só falta o Rupert Murdoch abrir a Fox News Brasil.

Não, obrigado -- prefiro continuar com a Veja, Folha, e Globo.

Sério.

 
 
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gestorweb

A globalização implica em retirada das amarras legais de forma a que todos os acertos devam estar claros. Hoje é uma ficção pensar que já não existe a integração entre grupos de comunicação social. Mesmo que a pretexto de convênios, há a troca de conteúdos entre empresas, somente impedidas de formalizar os acordos comerciais. É uma oportunidade de regular e fiscalizar efetivamente os conglomerados de comunicação social do País. Isto implica também em acabar com a entrega de concessões a políticos ou a testas-de-ferro destes, abrindo concorrência pública para estas concessões a grupos empresariais sólidos.

 

Gestor Web

 
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S Rod

Acho que o poder de Murdoch e' capaz de promover atores mediocres como Russell Crowe (Oscar Winner), manter a Australia, com apenas 20 milhoes de pessoas, evidente na midia anglo-saxonica. Conseguir a Olimpiada pra Sydney e ate mesmo indicar Primeiro Ministro pra Australia, aqui tanto faz, neo-liberal ou labor-party (os dois como o Republicano e Democratico no US) sao hoje escravos do Neo-liberalismo. Observando literalmente do outro lado do planeta, acho que Murdoch comanda o "PIG" internacional. A Imprensa Australian adora ignorar o LULA quando ele e' noticia na Europa e US. Ainda nao entendo o porque. As vezes acho que mesmo aqui sendo mais seguro e desenvolvido a Australia compete com o Brasil, em graos, minerios e turismo. E o Murdoch nao vai ajudar o Brasil.

Cheers,

SR

 
 
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NeyLima

Esta Veja incomoda tanto o Nassif que até se confuniu: onde está "entre quatro grandes grupos de mídia – Globo, Abril, Estadão e Veja" não seria, "entre quatro grandes grupos de mídia – Globo, Abril, Estadão e Folha"?

 
 
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Nadraas

Existe confirmação por parte do palacio do planalto? Ou Lula foi muito literal e não janta mas recebe os todo poderosos de qualquer PIG?

E receber justamente o craupula Murdoch!! Torço para que a noticia seja um erro jornalistico.

 
 

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