"FABRICS"

A conjuntura está muito difícil, aqui e lá fora. O cenário nacional e internacional estão tensos. Não vou ficar me estendendo em avaliações e previsões. Não sou analista e muito menos profeta. O que tenho em mente é mera leitura da realidade que estou experienciando. Há uma disputa acirrada entre os EUA e a Rússia, uma busca pela hegemonia da Alemanha sobre a União Européia, uma tentativa de fragilização da França por ser um país historicamente humanista e dado a causas que remetem a princípios, para os franceses pétreos, de igualdade, fraternidade e liberdade. Os atentados que Paris vem sofrendo são duras demonstrações de tentativas para desestabilizar esses princípios. O Oriente Médio, e não apenas pelo petróleo, mas, sobretudo, pela geopolítica transversa, afinal é a ponte entre a Europa e a Ásia, é um paiol e não é coincidência, e muito menos apenas uma questão de exacerbação do fundamentalismo religioso, islâmico-judaico, sim porque o sionismo é flor menos cheirável que o pior dos odores que emanam das vielas destruídas das cidadelas árabes. Dos escombros de uma Palestina invadida e estreitada, entre Faixa de Gaza e Cisjordânia ocupada, aos destroços da Síria, Líbano, Iraque e Afeganistão, não se pode descartar a mão insolente do Tio Sam a manobrar drones e treinar milícias, que logo se transformam em terroristas sangrentos a espalhar ódio e mortes. ISIS, Boko Haram, Al Kaeda, e paramilitares israelenses são os espinhos dos caules de uma mesma flor, que espetam e espantam o mundo. A África sofre nova investida de destruição e recolonização. A nossa 'Mãe' não tem sossego da fronteira mediterrânea ao Cabo das Tormentas. Do Atlântico ao Mar Vermelho e Índico. A África, diferente da geopolítica do Oriente Médio, padece da espoliação de seus infinitos recursos térreos e marinhos e de bravos e resilientes povos, que ainda hoje são boa parte dos construtores e mantenedores do capital imperialista global. A África, o Sudeste Asiático e a América Latina. Bem, chegamos a nossa América. Aqui o "inimigo" mora ao lado e não consegue nos enxergar nada mais ou nada a menos que seu quintal, com a agravante do beneplácito de nossas elites latinas que se julgam administradoras, feitoras, do "Quintal do Titio". Assim, Colômbia, Peru, Chile, Paraguai, as 'três Guianas', uma denominada Suriname, são hoje alinhados, talvez mais que sempre, dos EUA, mas não se pode contar com o Canadá, lá no gelado norte da América, com o México, feito cartel abastecedor do entorpecimento do "pobre" povo estadunidense, e com a sitiada América Central. Do Caribe, exceto Cuba, não se sabe até quando, os EUA fizeram um 'puteiro' disfarçado de paraíso turístico e fiscal. O Equador, de Correa, a Bolívia, do índio Evo Morales, a Venezuela, de Chaves a Maduro, e até então a Argentina, que agora caiu nas garras do Macri, eram o contra-ponto junto com o nosso Gigante Brasil. Diga-se de passagem que mesmo nesses países sempre persistiu a fragilidade social, política e econômica, e são incessantes os ataques especulativos, de todas as matrizes, do capitalismo colonial, seja norte-americano, a 'Cabeça', seja da União Europeia, 'Braços e Calda'. O que vem ocorrendo com o Brasil, de Lula a Dilma, é a mais contundente demonstração da intolerância desse capital com o que seja feito em prol do social. Chega a ser sórdido, nem o atual Papa Francisco, da poderosa Igreja Católica, se esquivou de denunciar, o modus operandi dos "donos do capital" e seus lacaios, num cínico conluio com todas as espécies de hipocrisias, que remontam ao todo sempre, que engendram sempre o mesmo objetivo de nos subjugar, dominar, explorar, e sucumbir-nos às determinações político-econômicas liberais e imperialistas, que nossas elites aplaudem e aderem sem pestanejar. Parece que recapturaram a Argentina. A Venezuela resiste não sem um profundo sofrimento de seu bravo povo. Correa e Morales resistem no Equador e Bolívia. E o Brasil? Até quando resistirá Dilma? O Gigante, que se diz finalmente acordado, está mesmo de pé, tem condições de defender sua autonomia e democracia, derrotar suas elites entreguistas, a avassaladora corrupção, a fraqueza ideológica e de caráter de setores e determinados membros das nossas esquerdas, enfim tem condições o nosso povo de manter suas conquistas recentes, seguir avançando e derrotar todas as manobras pelo retrocesso e re-dominação do rentismo e neoliberalismo, que vem emoldurado de fascismo, nazismo, racismo, autoritarismo, xenofobia, e toda a orde de preconceitos? Não sei dizer, companheiros. Pela primeira vez me encontro apreensivo, não pessimista, mas preocupado com o desenrolar dos fatos. Que falta mais acontecer neste país para que nos deem um golpe? E não nos iludamos, se desencadeado for, que dessa vez teremos condições de resistir e vencer. Não creio que sozinhos venceremos, e muito menos que a América Latina se unirá para nos ajudar nessa defesa. Não creio. Creio sim que devemos transcender para uma lógica mais factível e uma ousadia geopolítica que nunca dantes engendramos construir. Creio nos BRICS, e penso que são o único bloco político-econômico que o capitalismo central se atemoriza hoje caso de fato dê certo. EUA e UE trabalham noite e dia para que não dê. Nós temos que enfrentar esse paradigma e demonstrar que é possível uma nova ordem mundial. Daí finalizo com uma convicção. Os BRICS têm que ir além de um bloco econômico, que se contrapõe a "velhacaria" capitalista de sempre, e constituir bases mais sólidas na engenharia político-social globalizada, que passa pela construção, também, de uma poderosa força militar que dê um choque de realidade no "velho" poder mundial. Se o que eles sempre entenderam foi o grito dos canhões e o estrondo dos mísseis, que façamos nós o mesmo, essa é a diplomacia que sempre respeitaram, a da força, que preparada para a guerra mantém a "paz", difícil para um humanista ter que constatar isso, mas se o Brasil de fato quer ser um dos protagonistas na complexa arquitetura mundial, ter assento na ONU, como conselheiro permanente de segurança, fazer jus ao seu status de 7ª economia mundial e exercer parte da liderança globalizada ajudando, inclusive, a despolarizar o planeta, terá que sair da zona de conforto, e buscar a ousadia de uma nação de fato gigantesca, e reside nos BRICS essa oportunidade, que talvez ainda não nos apercebemos, de criarmos uma poderosa força armada multinacional, em parceria com Rússia, China, Índia e África do Sul. Camaradas eu estou convencido que não temos outras saídas se quisermos manter os nossos domínios, no nosso mar continental, sobre o pré-sal, nossas riquezas de toda ordem, nossa água, a amazônia, etc..., mas, sobretudo, defender nosso território, nosso povo, nossa nação e o prodigioso desenvolvimento, que temos condições de construir hoje e à frente. Estou convencido que temos que instituir a "FABRICS" - Forças Armadas dos Brics, pois não percebo outra forma de nos respeitarem, preservarmos nossa democracia, nossa liberdade, igualdade e fraternidade, podermos proporcionar ao nosso povo a autonomia, integridade territorial, soberania e a paz perene que toda nação necessita para avançar em seu brilhante destino.

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