Emprego do Exército na segurança das seleções é temerário

A anunciada decisão do governo federal de fazer uso de tropas do Exército Brasileiro para garantir a segurança dos integrantes das seleções que participarão da Copa do Mundo, inclusive nos deslocamentos por ruas e avenidas, especialmente após a situação de vulnerabilidade e constrangimento, durante o episódio do cerco ao ônibus da delegação brasileira por manifestantes, na saída para Granja Comari, no Rio, na última segunda-feira, precisa ser reavaliada em todos os seus possíveis desdobramentos, onde o remédio tomado pode ter um grave efeito colateral.

   Talvez seja uma decisão estratégica, tão temerária, que pode municiar oportunistas políticos, colocando-se uma tropa federal, numa situação ainda de normalidade da ordem pública, para executar uma função que não lhe cabe, expondo-a desnecessariamente ante a possibilidade, real, de ter que enfrentar controle de distúrbios civis, uma das mais difíceis missões da polícia ostensiva, sem que tal força esteja devidamente acostumada para enfrentar tais situações, mormente sob a égide de um estado democrático de direito, onde direitos e garantias individuais estão em plena vigência e onde há limites para o uso da força legal. Esta não é uma situação de ter que manter a lei e ordem para enfrentar traficantes dispondo de fuzis de guerra oprimindo moradores de uma comunidade, onde o apoio da força federal muitas vezes é inevitável  O cenário da Copa é totalmente diferente.   Há que se entender que manifestantes radicias, movimentos sociais( estes fazem uso de crianças e mulheres nas manifestações), integrantes dos black blocs, etc..., não se intimidam com forças de repressão, sejam elas estaduais ou federais. Os episódios de vandalismo e anarquismo, do ano passado, em território nacional, jamais vistos no país, inclusive no dia 7 de setembro, mostraram nitidamente o grau de ousadia de terroristas urbanos, que apenas se retraíram mais recentemente, não se sabendo o que realmente poderá ocorrer durante o período da Copa do Mundo, quanto às manifestações mais radicias em vias públicas.   O simples anúncio da presente medida de segurança certamente não será suficiente para arrefecer o ânimo de anarquistas e oportunistas radicais. Imaginem o Exército tendo que enfrentar um grupo radical que tente fechar uma via para impedir, e em ação de resistência agressiva, o deslocamento de um ônibus da seleção brasileira ? O que fazer? E se índios, como como o recente episódio (inusitado) na capital federal, resolverem atacar a tropa do Exército, com flechadas?  A tropa terrestre fará uso do monopólio da força legal e partirá para o confronto? Ou solicitará a presença de tropa da Polícia Militar, mais preparada para tal fim, para restaurar a ordem no local?   É preciso, pois, antes de se consolidar tal medida, de caráter extremamente temerário, que pode expor e desgastar, desnecessariamente,  a Força Terrestre, analisar  todas as possíveis consequências de tal determinação, onde a emenda pode ser pior que o soneto e onde as imagens que seriam passadas ao mundo repercutiriam de forma altamente negativa para o país, .A aprovação do projeto de lei que pune com mais rigor atos de vandalismo, com destruição do patrimônio público e privado, e os que atacam os integrantes da polícia, talvez fosse mais eficiente e intimidatório.    Expor o Exército Brasileiro, em  missões de escoltas de segurança durante a Copa do Mundo, é sem dúvida temerário. O Brasil vive um período preocupante de constante tensão social e o bom senso recomenda reavaliar tal decisão antes que o constrangimento e uma tragédia envolvendo integrantes da conceituada instituição militar ocorra. Aí o tiro terá saído pela culatra.   Milton Corrêa da Costa é tenente coronel da reserva da PM do Rio de Janeiro

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