EUA: índices sociais dos negros são os piores em 25 anos

Sugerido por Gunter Zibell - SP

Do Opera Mundi

Sem tempo para sonhar: EUA têm mais negros na prisão hoje do que escravos no século XIX

No dia histórico do discurso “eu tenho um sonho”, de Martin Luther King, panorama social é dramático aos afrodescendentes norte-americanos

O presidente norte-americano, Barack Obama, participa nesta quarta-feira (28/08) em Washington de evento comemorativo pelo aniversário de 50 anos do emblemático discurso “Eu tenho um Sonho”, de Martin Luther King Jr. - considerado um marco da igualdade de direitos civis aos afro-americanos. Enquanto isso, entre becos e vielas dos EUA, os negros não vão ter muitos motivos para celebrar ou "sonhar com a esperança", como bradou Luther King em 1963.

De acordo com sociólogos e especialistas em estudos das camadas populares na América do Norte, os índices sociais - que incluem emprego, saúde e educação - entre os afrodescendentes norte-americanos são os piores em 25 anos. Por exemplo, um homem negro que não concluiu os estudos tem mais chances de ir para prisão do que conseguir uma vaga no mercado de trabalho. Uma criança negra tem hoje menos chances de ser criada pelos seus pais que um filho de escravos no século XIX. E o dado mais assombroso: há mais negros na prisão atualmente do que escravos nos EUA em 1850, de acordo com estudo da socióloga da Universidade de Ohio, Michelle Alexander.

Mother Jones Twitter @bet

Há mais negros do que nunca nas penitenciárias dos EUA

“Negar a cidadania aos negros norte-americanos foi a marca da construção dos EUA. Centenas de anos mais tarde, ainda não temos uma democracia igualitária. Os argumentos e racionalizações que foram pregadas em apoio da exclusão racial e da discriminação em suas várias formas mudaram e evoluíram, mas o resultado se manteve praticamente o mesmo da época da escravidão”, argumenta Alexander em seu livro The New Jim Crow.

No dia em que médicos brasileiros chamaram médicos cubanos de “escravos”, a situação real, comprovada por estudos de institutos como o centro de pesquisas sociais da Universidade de Oxford e o African American Reference Sources, mostra que os EUA têm mais características que lembram uma senzala aos afrodescendentes que qualquer outro país do mundo.

Veja (em inglês) o estudo que fala sobre afrodescendentes nos EUA

Em entrevista a Opera Mundi, a professora da Universidade de Washington e autora do livro “Invisible Men: Mass Incarceration and the Myth of Black Progress”, Becky Pettit,argumenta que os progressos sociais alcançados pelos negros nas últimas décadas são muito pequenos quando comparados à sociedade norte-americana como um todo. É a “estagnação social” que acaba trazendo as comparações com a época da escravidão.

“Quando Obama assumiu a Presidência, alguns jornalistas falaram em “sociedade pós-racial” com a ascensão do primeiro presidente negro. Veja bem, eles falaram na ocasião do sucesso profissional do presidente como exemplo que existem hoje mais afrodescendentes nas universidades e em melhores condições sociais. No entanto, esqueceram de dizer que a maioria esmagadora da população carcerária dos EUA é negra. Quando se realizam pesquisas sobre o aumento do número de jovens negros em melhores condições de vida se esquece que mais que dobrou o número de presos e mortos diariamente. Esses não entram na conta dos centros de pesquisas governamentais, promovendo o “mito do progresso entre nos negros”, argumenta. 

Segundo Becky Pettit, não há desde o começo da década de 1990 aumento no índice de negros que conseguem concluir o ensino médio. Além disso, o padrão de vida também despencou. Além do aumento da pobreza, serviços básicos como alimentação, saúde, gasolina (utilidade considerada fundamental para os norte-americanos) e transportes público estão em preços inacessíveis para muitos negros de baixa renda. Mais de 70% dos moradores de rua são afrodescendentes.

Agência Efe

Negros na administração Obama têm indíces sociais mais baixos que na época de George W. Bush

Michelle Alexander, por sua vez, critica o sistema judiciário do país e a truculência que envia em massa às prisões os negros. “Em 2013, vimos o fechamento de centenas de escolas de ensino fundamental em bairros majoritariamente negros. Onde essas crianças vão estudar? É um círculo vicioso que promove a pobreza, distribui leis que criminalizam a pobreza e levam as comunidades de cor para prisão”, critica em entrevista ao jornal LA Progresive.

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34 comentários
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Bran Mak Morn

Sem tempo para sonhar: EUA têm mais negros na prisão hoje do que escravos no século XIX

Já vi inúmeras frases tolas que se pretendem de uma profundidade oceânica, mas o título desta matéria ganhou de todas!

 
 
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Leonardo Melo

Desafio a alguém a apontar um liugar onde os negros vivam melhor que nos EUA, na quantidade que lá existem.

Lembrando que se isolassem a comunidade negra norte-americana do resto do país, ela seria a 15ª economia do mundo.

 

 
 
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J.Roberto Militão

        Meu caro,

      se você considerar o IDH e a ausência da intolerância racial mais a auto-estima, posso indicar um país, o de melhor IDH da América Latina: em CUBA os afrodescendentes desfrutam das melhores condições de vida, em média.

         Por outro lado é muito relevante dizer que mesmo se possuissem a mesma renda média os afro-americanos não desfrutariam da mesma auto-estima que os afrocubanos. Ninguém, a não ser a própria vítima consegue aquilatar a carga de viver em uma sociedade tão escandalosamente racista como a norte-americana. Não há dinheiro que pague.

 

José Roberto F. Militão, ativista contra o racismo e contra a ´raça estatal´. "Numa sociedade com a cultura de raças a presença do racista será, pois, natural." (Frantz Fanon, 1956).

 
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JC

Racismo escancarado.

 

‘Los partidos políticos institucionales son el bioshacker de la lucha por la libertad’

 
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J.Roberto Militão

   GUNTER,

para não dizerem da minha omissão por absoluta falta de tempo nessa temática da triste realidade dos afro-americanos, vítimas das políticas de cotas raciais, reproduzo aqui meu comentário a respeito do ´Sonho´ não realizado do Dr. LUTHER KING que publiquei no Portal.

RACISMO e DISCRIMINAÇÕES RACIAIS: EUA x Brasil.

http://blogln.ning.com/forum/topics/o-sonho-do-doutor-luther-king-eua-x-brasil 

        Volto a falar do ´Sonho´ do Dr. KING e da realidade brasileira. Em 1988, talvez tenha sido o primeiro ativista contra o racismo a escrever uma homenagem ao Doutor MARTIN LUTHER KING quando às vésperas da celebração ao ´Centenário da Abolição´ numa ediçao especial com mais de 200 mil exemplares distribuído em todo o Brasil do ´Jornal do Conselho da Comunidade Negra do governo do estado de São Paulo´ publicada em abril/1988, na condição de conselheiro e Secretário-Geral do órgão, escrevi um  longo artigo de página dupla alusivo ao 20º aniversário da morte do lider da luta por Direitos Civis.

        Naquele artigo saudava  a exemplar luta anti-racista pela qual o Dr. KING deu a vida e as conquistas já então solidificadas com as políticas públicas de Ações Afirmativas que em 1988 começava a produzir bons frutos na visibilidade dos afro-americanos. Então – e hoje continuo afirmando – já compreendia que Ações Afirmativas não se confunde com a estatal segregação de direitos raciais - as cotas raciais compulsórias -impostas pelo estado e apontava então o dever do estado fazer políticas públicas que façam a promoção da igualdade de tratamento e de oportunidades e ao mesmo tempo neutralize as discriminações. Aliás, é bom ressaltar: o Conselho Estadual da Comunidade Negra junto ao governo do estado de São Paulo, foi o primeiro órgão institucional, criado por lei de 1984, conquistado com o firme apoio do saudoso governador FRANCO MONTORO, meu professor de filosofia do Direito no 1º ano da faculdade em 1977.

        Decorridos mais 25 anos desde 1988, o problema dos EUA é que do ´sonho´ do Dr. KING não se realizou. Somente foi efetivado com a derrogação das leis de segregação racial - as odiosas leis de apartação pela raça que inspiraram o ´Aphartheid´ na África do Sul - porém, o racismo latente persiste e também seus efeitos imediatos: a discriminação racial e a negação da igualdade de tratamento e de oportunidades parcialmente alcançadas com as ações afirmativas.

A toda vista não ser realizou ainda a parte mais substancial do discurso e dos sonhos em que o Doutor KING descreve como sendo o dia em que, nos Estados Unidos então profundamente dividido pelo ódio racial, as crianças de todas as cores e origens (ele não disse de todas as raças) andariam de mãos dadas e sentariam à mesa da fraternidade.

        No Brasil esse sonho é uma realidade quase completa. Não podemos abandonar essa vantagem competitiva, me dizia o saudoso professor MILTON SANTOS. A despeito da retórica de setores do movimento negro, essa realidade da ausência de ódios raciais que era o sonho americano do Dr.KING nós vivemos no Brasil, no cotidiano. Salvo as exceções confirmadoras, dentro da mesma classe social, nossas crianças convivem nos mesmos espaços públicos, escolas, creches e na rua, juntas, fraternalmente juntas:  "Eu tenho um sonho de que, um dia, meus quatro filhos vivam numa nação onde elas não serão julgadas em função da cor de sua pele, mas em função de seu caráter. [...] Eu tenho um sonho de que um dia [...] os filhos de antigos escravos e os filhos de antigos proprietários de escravos sentem juntos à mesa da fraternidade", assim Luther King descrevia sua visão de futuro.

      Diz as matérias de jornais de 2013: “50 anos depois, famílias negras e brancas sentam juntas na escadaria do Lincoln Memorial, tiram fotos e sorriem. Com Barack Obama, um afroamericano está à frente do governo americano. O sonho parece ter se tornado realidade.”  Infelizmente uma parcial realidade. A segregação social veio substituir a segregação de direitos estatais. Em bairros ricos quando recebe a mudança de uma bem sucedida família afro-americana, os imóveis do entorno se desvalorizam e a maioria se encontram à venda. O mesmo sucede onde reside a classe média. E nos bairros pobres a guetização - afro, latinos, árabes e asiáticos - é outra face da apartação social nos Estados Unidos.

       O racismo continua evidente e as Ações Afirmativas ficaram profundamente demarcadas pelo período em que se adotaram ´cotas raciais´ com incentivo do estado, embora nos EUA nunca tenha havido uma lei de cotas raciais como ora estamos adotando no Brasil. A antiga doutrina de "iguais, mas separados", persiste íntegra na psicologia social norte-americana. Para o racista significava apenas: está bem fiquem com essa vagas; desfrutem dessa oportunidade, porém, que continuem distante de minha família, de meus amigos, de meu ambiente social. Uma tristeza.

          Um efeito colateral disso - das cotas raciais e da apartação social – afeta o desenvolvimento dos afro-americanos desde os anos 1990. Ela tem se revelado na extrema falta de auto-estima das novas gerações de afro-americanos e que se refletem em índices sociais perversos. Na criminalidade assustadora. No abusivo uso de drogas. No abandono dos estudos. Na elevada taxa de natalidade irresponsável. Na desestruturação do núcleo familiar. No enfraquecimento da vida comunitária. Na abstinência eleitoral e na omissão de embates políticos. Na primeira campanha eleitoral, forçado a se pronunciar o candidato OBAMA classificou essa desesperança: “o niilismo social que afeta os afro-americanos é uma tragédia sem precedentes”.

        Os dados oficiais a partir de 1990 comprovam que após a primeira geração beneficiária das cotas raciais a situação dos afro-americanos sofreram com a imensa perda da auto-estima. As crianças, os jovens e adolescentes deixaram de ver em seus pais exemplos de luta dignificante: os que foram bem sucedidos tinham sido privilegiados pelas cotas raciais. Os que não não tinham obtido sucesso eram vistos com fracassados. Com isso os índices atuais são alarmantes comparados com os anteriores às cotas raciais. Em 1960 com 12% da população tinha 30.000 nas prisões, cerca de 25% do total da população carcerária e representavam 0,1% dos afro-americanos. Em 2011, com 40 milhões, cerca de 13% da população, mais de 2 milhões, cerca de 6% dos afro-americanos, quase todos jovens, estavam sob custódia da justiça e representavam 60% da  população carcerária. Em alguns estados mais de 50% dos jovens de 16-29 anos estão cumprindo penas. O desemprego e o sub-emprego supera 50% entre os jovens. Em 1960, 13% das crianças afro-americanas eram filhas de mães-solteiras. Em 2012 mais de 70% das crianças vivem sem a figura paterna o que indica um futuro ainda mais sombrio. A criminalidade atinge toda a juventude mais pobre e também os filhos de executivos milionários, médicos, jornalistas, atletas profissionais e outros profissionais bem remunerados perderam a auto-estima e se tornam frágil presa do crime organizado.

        Em termos comparativos, no Brasil com mais de 100 milhões de afro-brasileiros, que representam 51% e 70% dos mais pobres na população conforme o IBGE, temos 300.000 cumprindo penas, 0,3% do total, cerca de 60% da população carcerária, ou seja, o mesmo índice que os 13% de afro-americanos representam nas prisões.

        Nos EUA os jovens afro-americanos estão na criminalidade pelo fato de serem pretos e as cotas raciais lhes retiraram a auto-estima. No Brasil a única razão da criminalidade é o fato de serem 70% dos pobres, pois brancos e pretos/pardos pobres estão delinqüindo na mesma proporção.

        Por isso nos debates sobre o racismo no Brasil e das políticas estatais de cotas raciais cabe a crítica sociológica a respeito de seus efeitos colaterais: a primeira é o estado fazer a indução a pertencimentos raciais; a segunda é o estado afirmando uma presumida inferioridade da ´raça negra´, exatamente conforme diz a ideologia do racismo e a terceira evidente pela realidade dos afro-americanos é que a produção de sociedades em que as pessoas sejam consideradas pela cor da pele e não apenas, exclusivamente, pelo seu caráter retira da criança e do jovem a auto-estima e o ânimo de lutar por dias melhores.

        A identidade racial que tantos males produziram nos EUA começa a ser imposta no Brasil em maior parte por um já denunciado esforço das Foundacion´s norte americanas que tem investido todos os anos milhões e milhões de dólares em ONGS, universidades e atividades políticas partidárias visando a doutrinação e a formação de lideranças defensoras de políticas públicas em bases raciais. O objetivo declarado e assumido é nos impor o que nunca tivemos: convicções de pertencimentos a categorias raciais, o velho e dourado sonho do racismo desde seu início no século 18. Tais identidades e pertencimentos raciais, como mecanismo de políticas públicas raciais, são geradoras de ódios e inibidoras de harmonia social. Não há no mundo nenhuma boa experiência de políticas públicas raciais com resultados positivos. Há somente tragédias.

        MALCOLM X, o mais radical ativista afro-americano, sempre citado por suas manifestações a favor de embates raciais, compreendeu isso e no final de sua vida havia abandonado a luta racial para fazer a pregação politizada contra o racismo. Num de seus últimos discursos, após sua peregrinação a Meca, reviu seus conceitos e confessou seus erros de avaliação e ponderava: a estratégia do racismo foi nos retirar a inteira humanidade. “Agora...” dizia ele no verdadeiro contexto de uma nova visão: "... Não lutamos por integração ou por separação. Lutamos para sermos reconhecidos como seres humanos." Ou seja, a luta devia ser pela reconstrução da nossa dignidade de humanos que a estratégia do racismo sonega. Após a visita a Meca, MALCOLM escreveu sua famosa ´Carta de Meca´ renunciando à pregação da luta racial afirmando que, doravante, a luta seria contra a miséria e não a luta racial: "Eu estarei com qualquer um, não me importa a sua cor, desde que você queira mudar a condição miserável que existe nessa terra".  Ele foi executado por PRETOS que acreditavam na luta racial. Já o doutor MARTIN LUTHER KING, reverenciado prêmio Nobel da Paz pregando a derrubada das leis de segregação de direitos raciais e sonhando que seus filhos fossem respeitados pelo caráter e não pela cor da pele tinha por fundamento um princípio ético fundamental contra o estado racialista, baseado na doutrina cristã do Direito Natural de Santo Agostinho. E em sua extraordinária ´Carta da Prisão´ que antecedeu o discurso histórico do ´Sonho´ ele nos legou a lição magistral contra qualquer lei que faça segregação: "Uma lei injusta é uma lei humana sem raízes na lei natural e eterna. Toda lei que eleva a personalidade humana é justa. Toda lei que impõe a segregação é injusta porque a segregação deforma a alma e prejudica a personalidade." (1963, Carta da Prisão de Birminghan). O Doutor KING era odiado por brancos racistas e por pretos radicais e foi executado por um BRANCO – o ódio é a características de quem acredita em raças e em direitos raciais segregados.

Por ora em relação aos EUA continuamos em vantagem – ainda – pois, a despeito da nefasta apartação econômica e social que divide e impõe barreiras entre ricos e pobres, as nossas crianças dentro de sua classe social, salvo raras exceções induzidas por adultos deformados, convivem em espaços públicos sem grandes constrangimentos, em razão da cor ou da ´raça´. Infelizmente as atuais políticas públicas do estado produzindo segregação de direitos raciais – cotas raciais – em nome de uma impossível igualdade ´racial´ - se não há raças humanas não há possibilidade de igualdade racial - tende a destruir essa harmonia exitosa. Porém, já é notável nas escolas de ensino médio que se encontra latente o inconformismo de brancos pobres que estarão perdendo vagas para pretos e pardos da mesma classe social, do mesmo bairro, da mesma escola. É uma perversidade que o estado passou a fazer: manipular a escassez e a deficiência do ensino público a custa de inclusão e exclusão de jovens com o mesmo perfil em nome de direitos ´raciais´.

 

 

 

José Roberto F. Militão, ativista contra o racismo e contra a ´raça estatal´. "Numa sociedade com a cultura de raças a presença do racista será, pois, natural." (Frantz Fanon, 1956).

 
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JC
 

‘Los partidos políticos institucionales son el bioshacker de la lucha por la libertad’

 
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Óbvio. Malcom X estava certo, por isso os branquelos optaram por Martin Luther King Jr, o vendedor de sonhos.

 

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J.Roberto Militão

     Meus prezados, desculpem, mas esse MALCOLN X do discurso radical que é sempre citado como exemplo tinha apenas discursos e propósitos de líder racial. Esse estava errado. No Brasil vimos nos últimos dez anos vários discursos parecidos: são candidatos a uma presunçosa liderança racial.

        O MALCOLN certo e que entrou para a história é outro MALCOLN, já com o nome de Al Hajj Malik Al-Shabazz e que foi assassinado por racistas em 21 de fevereiro de 1965. Esse repudiava qualquer discurso de ódio racial. Ele se revelou apenas após sua peregrinação à Meca e está contido em sua ´Carta de Meca´ em que passou a repudiar a luta racial e deixou de considerar a todo branco como um inimigo racial. Então, ele assumiu a posição de uma liderança política, de combatente à pobreza e à miséria passando a compreender o racismo como uma estratégia de opressão e não como uma estratégia racial. Em razão disso foi assassinado por pretos que por temerem a perda da representação ´racial´ o consideraram um traidor da causa racial.

      Esse AL-SHABAZZ (ex-MALCOLN X) quando foi assassinado por pretos racistas, tinha propósitos políticos, socialista e humanissta e por não reiterar discursos de ódio racial não tem recebido a devida reverência embora tenha sido morto por isso. Em maio de 1964 após sair do grupo radical ´Nação do Islã´ ele inicia a Organização dos Afro-Americanos Unity (OAAU), um projeto político secular. 

        Até então, na condição de membro e porta-voz da Nação do Islã, um movimento racial, espiritual e nacionalista, ele acreditava que o homem branco era o mal e que o homem negro era superior. Após deixar a seita, em março de 1964, ele fez o Hajj - a iniciação muçulmana - que o ajudou a mudar completamente sua perspectiva sobre os brancos e sobre o racismo.

     Nos últimos discursos abandonando o belicismo racial passou a afirmar a igualdade humana: "Eu acredito em seres humanos, e que todos os seres humanos devem ser respeitados como tal, independente de sua cor."E, sem abandonar a luta contra o racismo, afirmava ter compreendido a sua perversa estratégia: " O racismo sonega a nossa condição humana. Já não  lutamos por separação nem por segregação. Lutemos pela reconstrução de nossa humanidade. Por nossa condição de humanos. Por nossos direitos humanos."

         Na aludida Carta de Meca, num dos principais trechos ele expressamente faz a mea culpa renegando o passado e reconhecendo seus erros, afirmava: “Eu não sou um racista... No passado eu me permiti ser usado...fazer acusações generalizadas a todas as pessoas brancas, à raça branca inteira, e essas generalizações causaram muitas injúrias a alguns brancos que talvez não merecessem ser magoados.  Por causa da iluminação espiritual que eu tive a bênção de receber como resultado de minha recente peregrinação à cidade sagrada de Meca, eu não aprovo mais acusações generalizadas à nenhuma raça.   Eu estou agora me empenhando em viver a vida de um verdadeiro muçulmano sunita.  Eu devo repetir que eu não sou um racista e nem aprovo os princípios do racismo.  Eu posso declarar com toda a sinceridade que eu não desejo nada além de liberdade, justiça e igualdade, vida, liberdade e busca da felicidade para todas as pessoas.

         A longa carta de Meca consta editada na biografia oficial de MALCOLN X, de Alex Haley: - The Autobiography of Malcolm X with assistance from Alex Haley, the author of Roots -  http://www.islamreligion.com/pt/articles/471/ .

      Em 1998, a influente revista ´Time´ nomeou essa ´Autobiografia de Malcolm X´ publicado logo após a morte do líder, em 1965, um dos dez livros não fictícios mais importantes do século 20. ( Autobiografia de Malcom X, "Haley, Alex" - Editora Record). 

 

José Roberto F. Militão, ativista contra o racismo e contra a ´raça estatal´. "Numa sociedade com a cultura de raças a presença do racista será, pois, natural." (Frantz Fanon, 1956).

 
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iron

Depois de tantas ações afirmativas a situação piorou? E os imigrantes, coreanos, vitnamitas,brasileiros, russos,....? Parece que a coisa para eles melhorou, mesmo sem as chamadas ações afirmativas.

Seria um problema cultural ?

 
 
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Gilberto .

Pois é, temos que avançar nosso modelo. 

Preconceito e racismo não terminam somente por decreto. 

Talvez uma boa dose de Darcy Ribeiro, aplicada nas nossas escolas, viesse a callhar.

Não se constroe o futuro sem sonhar. Não se muda a realidade burocraticamente.

 

Gilberto .

 
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mucio

Muitos líderes do chamado movimento negro brasileiro ainda estufam o peito pra apontar os USA como exemplo a seguir seguido pelo Brasil no que tange a relação entre etnias. Negando inclusive a miscigenação brasileira.

Qual a cor de um negro?

Viva o BRASIL miscigenado.

 
 
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raf

O elogio da miscigenação brasileira é o elogio de se tornar mais branco e menos negro. Não tem nada a ver com a aceitação do negro. O Brasil está muito atrás dos EUA. Quando o negro brasileiro ascender socialmente é que nós teremos o exato tamanho da "cordialidade" nacional (em todos os sentidos, buarquiano inclusive).

 
 
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Rcdo

Mas é isso mesmo o que o movimento negro brasileiro quer, ao macaquear os Esatdos Unidos com a ajuda dos financiamentos bilhonários da Fundação Ford: criar, por meio de cotas raciais variadas, uma elite negra, para "afirmar" a raça, dizendo que "a raça pode", enquanto milhões de pretos pobres (por serem pobres antes de serem pretos) continuarão jogados na fossa da mesma miséria que quaisquer outros encardidos.

 
 
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Marcelo F. Campos

"Obama asks public schools to ignore bad behavior by black students "


July 30, 2012

Barack Obama's "African American Education Initiative" creates a new Federal bureaucracy. One of its goals will be to stop disciplinary action against black public school students who misbehave.

"Back in 2007 I had two white female public school teachers tell me why Barack Obama was desperately needed as president. They said that black male students have no male role models. If only Obama was elected, black male students would improve their behavior and academic performance, they claimed.

In many major cities, black academic performance has actually gotten worse since Obama took office. We have also seen the dramatic nationwide rise of black teen mob violence under the Obama administration.

On July 26th Obama signed an executive order titled the "African American Education Initiative." The order essentially gives a green light for black students to misbehave in public schools. In two places, Obama's executive order calls on schools to reduce the number disciplinary actions taken against blacks students. The order specifically calls on schools too "not rely on methods that result in disparate use of disciplinary tools."

To comply, public schools would have to engage in a racial quota system of discipline. The executive order will create a new Federal bureaucracy to pressure school systems to comply with the president's demands. The executive order makes no mention of any effort to get black students to improve behavior.

There is a reason why blacks are more likely to be disciplined in school. Black students are more likely to misbehave. The U.S. Department of Justice’s Bureau of Justice Statistics reports that there is a huge crime rate disparity between blacks and other racial groups.

Based on those disparities, one should expect that there would be a disparity in frequency of bad behavior between black and white school students in the public schools.

The DOJ reports that the homicide rate in the black community is nine times greater than in the white community. Between 1976 and 2005, the DOJ reported that blacks averaged 13 percent of the population, but accounted for 59 percent of felony homicide charges and 53 percent of non-felony manslaughter charges. It also might come as no surprise that 93-95 percent of black homicides victims are killed by a black perpetrator. Most of the rest are killed by a Latino perpetrator.

In reality, blacks are already less likely to be suspended for bad behavior than whites. Often, white teachers and administrators are afraid to discipline black students for fear of being called “racists.” Even some black school officials are afraid of being labeled a “sell-out” by black students.

The executive order also states that black students "lack equal access" to education. This statement, by the White House, is outrageous and easily disproved. Across the nation, majority black public schools routinely receive more funding per pupil than majority white public schools.

Washington DC is the perfect example. It has the highest average per pupil funding of any public schools in the nation. It also has the blackest public schools in the nation. Yet, this over-funding of black students yields no results in terms of academic improvement. DC public schools are widely touted as the worst performing schools in the entire industrialized world.

If DC was a state, it would be the state with the highest average per pupil expenditure and the lowest average performance. More money does not equal better test scores.

Missouri leads the nation in its black/white state funding gap. The state has spent billions of dollars in a failed effort to improve the academic performance of black students. Majority black schools in St. Louis and Kansas City have Olympic sized swimming pools, lavish theater and music departments, and state of the art computer labs. Per pupil spending is over double that of poor majority white public schools in the Ozark Mountain region of Missouri.

Once again, we see that the over-funding of black students yields no benefits. The very poor white students in the Ozarks have none of the lavish amenities enjoyed by the black students. However, the poor whites in the Ozarks outperform the better funded black students in the big cities.

Ohio has some pretty outrageous examples. Cincinnati's majority black public schools are lavished with state funding that far exceeds what goes to schools with a poor white student body. Yet last February, the state launched a program to give Cincinnati schools even more money to pay students not to drop out.

In Chicago, majority black public schools have so much extra money they are hiring speakers from militant Black Power groups to give "motivational speeches." (see video)

The reality is that there is a massive transfer of wealth from white taxpayers to black public school students.Obama's blatantly false claims are an insult to all white people who pay taxes.

Obama's excuse making will only continue to make things worse."

http://www.examiner.com/article/obama-asks-public-schools-to-ingore-bad-behavoir-by-black-students

XXXX

Será que coisas como esssa nao ajudam a explicar porque as cadeiras norte-americanas estao cheias de negros? 

 
 
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Ivan de Union

Como eh que eh?  "Massiva infusao de dinheiro publico nos negros das escolas publicas"???????  NOS ESTADOS UNIDOS????

Esse item eh lunatiquinho da silva.  Vou colocar uma praga em quem apertou 5 estrelas.

 
 
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Leonardo Melo

E sobre a recomendação do Obama para que o comportamento negativos dos "black" nas escolas nao sejam reprimidos, o que voce tem a dizer.

Isso ajuda os negros em que?  

 
 
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Ivan de Union

Repetindo:  o item eh lunatiquinho da silva.  Do comeco ao fim.  Da primeira letra aa ultima.

Se voce acha que aconteceu apresente os links pois "porque ta escrito em algum artigo lunatico da extrema direita dos EUA" nao eh suficiente.

Pensando bem...  se voce realmente acha que isso aconteceu voce tem problemas um pouco mais numerosos que falta de links.  Esquece...

 
 
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Nelson Quintanilha

Salve Obama!

 
 
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Filipe Rodrigues

O momento mais produtivo para os negros americanos foi na década de 70, em que a escolaridade, renda, melhoria social dos afro-americanos avançava bastante. Logo após um pequeno Welfare State implementado por Kennedy/Lyndon Johnson em sintonia com o discurso de Luther King.

Os anos 70 são para os negros americanos o que os anos 2000  em diante são para os negros brasileiros, mas os avanços foram interrompidos pelo neoliberalismo de Reagan (um alerta para o que vier depois do PT) com os cortes em: programas sociais, gastos com escolas e prevenção de doenças enquanto os gastos com segurança (defesa) eram elevados e os impostos aos mais ricos reduzidos.

 
 
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Quintela

Infelizmente o governo de Obama é apenas uma continuídade da era Bush...

 
 
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Marcel Santo

mas o pior foi o governo Dilma ser continuidade do governo FHC!

 
 
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Klaus BF

É mesmo, inclusive com a privatização da Petrobras, BB e Caixa!

 
 
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Marco Vitis

Obama (prêmio Nobel da Paz) está muito ocupado promovendo o futuro bombardeio na Síria.

 
 
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Marcel Santo

que sub-titulo bobo!  poderia dizer também que os EUA tem mais tablets hoje que no seculo retrasado!

mas a materia tem seu interesse, mas não falou de como estão os brancos, se estão melhores que a 25 anos atras,  pois a 25 anos atras, os EUA estavam no auge da economia, e agora esta saindo de uma catastrofe economica .

 
 
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Almeida

'...  poderia dizer também que os EUA tem mais tablets hoje que no seculo retrasado!"

 

Você deve se achar muito 'esperto', o resto são todos bobos.  Você é o próprio malandro agulha, acha ótimo entrar em cana, porque agora se pode ir em cana com um tablete, "uma glória"!

 

Almeida

 
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Marcel Santo

meu Deus, debater com vc é uma covardia!  perto de ser considerado ataque a incapaz!!!

vejamos, eu disse que afirmar que tem mais negros nas prisões que escravos no passado e uma tola frase de efeito! porque a população e maior, o numero de escravos nos EUA nunca chegou perto do que foi no Brasil, e a obvia e cristalina constatação do crescimento populacional.  Pois se considerarmos que existiam X negros escravos nos EUA ao inicio da guerra civil na decada de 60 do seculo retrasado, hoje 150 anos depois, o numero de negros so deve ter aumentado, e pelo menos 10 vezes, pois foi o que aumentou a população americana desde então!

espero que tenha entendido!

 
 
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hc.coelho

Você é santo, marcel.

 
 
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Gilberto .

Coelho,

Tudo que não seja ele, é bobo (aqui)...

 

Gilberto .

 
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Marcel Santo

ainda está lambendo as feridas do nosso ultimo embate!!!  veja bem, não ese sinta inferior, vc fez o melhor que podia!  no inicio não tinha percebido, mas agora sei que foi o seu maximo!!!  

 
 
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Lionel Rupaud

Que tal ir nos sites da veja ver se estamos por lá. Desde que apareceu por aqui só acrescentou vulgaridade.

 
 

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