Jovens vão às ruas e nos mostram que desaprendemos a sonhar

Por Andre Borges Lopes

AOS QUE AINDA SABEM SONHAR

O fundamental não é lutar pelo direito de fumar maconha em paz na sala da sua casa. O fundamental não é o direito de andar vestida como uma vadia sem ser agredida por machos boçais que acham que têm esse direito porque você está "disponível". O fundamental não é garantir a opção de um aborto assistido para as mulheres que foram vítimas de estupro ou que correm risco de vida. O fundamental não é impedir que a internação compulsória de usuários de drogas se transforme em ferramenta de uma política de higienismo social e eliminação estética do que enfeia a cidade. O fundamental não é lutar contra a venda da pena de morte e da redução da maioridade penal como soluções finais para a violência. O fundamental não é esculachar os torturadores impunes da ditadura. O fundamental não é garantir aos indígenas remanescentes o direito à demarcação das suas reservas de terras. O fundamental não é o aumento de 20 centavos num transporte público que fica a cada dia mais lotado e precário.

O fundamental é que estamos vivendo uma brutal ofensiva do pensamento conservador, que coloca em risco muitas décadas de conquistas civilizatórias da sociedade brasileira.

O fundamental é que sob o manto protetor do "crescimento com redução das desigualdades" fermenta um modelo social que reproduz – agora em escala socialmente ampliada – o que há de pior na sociedade de consumo, individualista ao extremo, competitiva, ostentatória e sem nenhum espaço para a solidariedade.

O fundamental é que a modesta redução da nossa brutal desigualdade social ainda não veio acompanhada por uma esperada redução da violência e da criminalidade, muito pelo contrário. E não há projeto nacional de combate à violência que fuja do discurso meramente repressivo ou da elegia à truculência policial.

O fundamental é que a democratização do acesso ao ensino básico e à universidade por vezes deixam de ser um instrumento de iluminação e arejamento dos indivíduos e da própria sociedade, e são reduzidos a uma promessa de escada para a ascensão social via títulos e diplomas, ao som de sertanejo universitário.

O fundamental é que os políticos e grandes partidos antigamente ditos "libertários" e "de esquerda" hoje abriram mão de disputar ideologicamente os corações e mentes dos jovens e dos novos "incluídos sociais" e se contentam em garantir a fidelidade dos seus votos nas urnas, a cada dois anos.

O fundamental é que os políticos e grandes partidos antigamente ditos "sociais-democratas" já não tem nada a oferecer à juventude além de um neo-udenismo moralista que flerta desavergonhadamente com o autoritarismo e o fascismo mais desbragados.
O fundamental é que a promessa da militância verde e ecológica vai aos poucos rendendo-se aos balcões de negócio da velha política partidária ou ao marketing politicamente correto das grandes corporações.

O fundamental é que os sindicatos, movimentos populares e organizações estudantis estão entregues a um processo de burocratização, aparelhamento e defesa de interesses paroquiais que os torna refratários a uma participação dinâmica, entusiasmada e libertária.

O fundamental é que temos em São Paulo um governo estadual que é francamente conservador e repressivo, ao lado de um governo federal que é supostamente "progressista de coalizão". Mas entre a causa da liberação da maconha e defesa da internação compulsória, ambos escolhem a internação. Entre as prostitutas e a hipocrisia, ambos ficam com a hipocrisia. Entre os índios e os agronegócio, ambos aliam-se aos ruralistas. Entre a velha imprensa embolorada e a efervescência libertária da Internet, ambos namoram com a velha mídia. Entre o estado laico e os votos da bancada evangélica, ambos contemporizam com o Malafaia. Entre Jean Willys e Feliciano, ambos ficam em cima do muro, calculando quem pode lhes render mais votos.

O fundamental é que o temor covarde em expor à luz os crimes e julgar os aqueles agentes de estado que torturaram e mataram durante da ditadura acabou conferindo legitimidade a auto-anistia imposta pelos militares, muitos dos quais hoje se orgulham publicamente dos seus crimes bárbaros – o que nos leva a crer que voltarão a cometê-los se lhes for dada nova oportunidade.

O fundamental é que vivemos numa sociedade que (para usar dois termos anacrônicos) vai ficando cada vez mais bunda-mole e careta. Assustadoramente careta na política, nos costumes e nas liberdades individuais se comparada com os sonhos libertários dos anos 1960, ou mesmo com as esperanças democráticas dos anos 1980. Vivemos uma grande ofensiva do coxismo: conservador nas ideias, conformado no dia-a-dia, revoltadinho no trânsito engarrafado e no teclado do Facebook.

O fundamental é que nenhum grupo político no poder ou fora dele tem hoje qualquer nível mínimo de interlocução com uma parte enorme da molecada – seja nas universidades ou nas periferias – que não se conforma com a falta de perspectivas minimamente interessantes dentro dessa sociedade cada vez mais bundona, careta e medíocre.

Os mesmos indignados que se esgoelam no mundo virtual clamando que a juventude e os estudantes "se levantem" contra o governo e a inação da sociedade, são os primeiros a pedir que a tropa de choque baixe a borracha nos "vagabundos" quando eles fecham a 23 de Maio e atrapalham o deslocamento dos seus SUVs rumo à happy-hour nos Jardins.

Acuados, os políticos "de esquerda" se horrorizam com as cenas de sacos de lixo pegando fogo no meio da rua e se apressam a condenar na TV os atos de "vandalismo", pois morrem de medo que essas fogueiras causem pavor em uma classe média cada vez mais conservadora e isso possa lhes custar preciosos votos na próxima eleição.

Enquanto isso a molecada, no seu saudável inconformismo, vai para as ruas defender – FUNDAMENTALMENTE – o seu direito de sonhar com um mundo diferente. Um mundo onde o ensino, os trens e os ônibus sejam de qualidade e gratuitos para quem deles precisa. Onde os cidadãos tenham autonomia de decidir sobre o que devem e o que não devem fumar ou beber. Onde os índios possam nos mostrar que existem outros modos de vida possíveis nesse planeta, fora da lógica do agribusiness e das safras recordes. Onde crenças e religião sejam assunto de foro íntimo, e não políticas de Estado. Onde cada um possa decidir livremente com quem prefere trepar, casar e compartilhar (ou não) a criação dos filhos. Onde o conceito de Democracia não se resuma à obrigação de digitar meia dúzia de números nas urnas eletrônicas a cada dois anos.

Sempre vai haver quem prefira como modelo de estudante exemplar aquele sujeito valoroso que trabalha na firma das 8 da manhã às 6 da tarde, pega sem reclamar o metrô lotado, encara mais quatro horas de aulas meia-boca numa sala cheia de alunos sonolentos em busca de um canudo de papel, volta para casa dos pais tarde da noite para jantar, dormir e sonhar com um cargo de gerente e um apartamento com varanda gourmet.

Não é meu caso. Não tenho nem sombra de dúvida de que prefiro esses inconformados que atrapalham o trânsito e jogam pedra na polícia. Ainda que eles nos pareçam filhinhos-de-papai, ingênuos em seus sonhos, utópicos em suas propostas, politicamente manobráveis em suas reivindicações, irresponsavelmente seduzidos pelos provocadores de sempre.

Desde a Antiguidade, esses jovens ingênuos e irresponsáveis são o sal da terra, a luz do sol que impede que a humanidade apodreça no bolor da mediocridade, na inércia do conformismo, na falta de sentido do consumismo ostentatório, nas milenares pilantragens travestidas de iluminação espiritual.

Esses moleques que tomam as ruas e dão a cara para bater incomodam porque quebram vidros, depredam ônibus e paralisam o trânsito. Mas incomodam muito mais porque nos obrigam a olhar para dentro das nossas próprias vidas e, nessa hora, descobrimos que desaprendemos a sonhar.

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389 comentários
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Oswaldo Alves

Dez pesos para a balança política brasileira


Agora que a Caixa de Pandora está aberta, cabem algumas questões e diferenças que pesam na balança da Reforma Política:

 

1) As vozes da oposição (seja a dos políticos ou os "especialistas" que os representam: tratam de desqualificar a iniciativa da Reforma Política. Gostariam que o Executivo Federal tivesse caído na armadilha de aceitar essa crise como uma crise exclusiva do governo. Seria um erro: a crise não é uma crise localizada a um projeto de governo: não é crise do bolsa família, não é crise do PAC, não é uma crise que se isole num setor de governo. É crise do sistema político. O que essa crise impacta no ritmo da redução da desigualdade, na corrupção, nos investimentos em infraestrutura, na educação, na saúde é importante, mas como está dito: já é o impacto. Os problemas localizados são consequência e não causa da crise. A crise do sistema político é a matriz. Por isso, as tais vozes da oposição, tendem a desqualificar a iniciativa da Reforma: visavam o emparedamento de um governo e não a busca de soluções reformadoras e republicanas.

 

2) As vozes do governo federal: decidiram avançar sobre o problema central que é uma crise da República. Com o esgarçamento político da aliança governista, porém, avança às cegas sem uma dimensão exata da força política com que conta para dar início à reforma. Busca forças junto à sociedade civil organizada para capitalizar a iniciativa (a mudança radical da agenda de Dilma Rousseff na última semana de Junho é prova disso). Diferente da oposição, não conta com uma ressonância de sua posição na imprensa nacional.

 

3) A imprensa nacional: faz eco às vozes da oposição com a afirmação de que a Reforma Política foi a forma que o governo Dilma encontrou para fugir do problema e "jogá-lo para o Congresso".  Os efeitos dessa ressonância são imprevistos. Para uma parte da população o argumento parecerá justo. Para outra parte, haverá a consideração, no mínimo, sobre a necessidade de iniciar uma discussão sobre a Reforma Política. Mas por parte da imprensa, cada passo de Dilma será noticiado como tentativa de fugir da crise. A imprensa quer manchetes: um exemplo disso foi a abordagem dos jornalistas na coletiva de imprensa com as diversas representações da sociedade civil que Dilma recebeu ao longo da semana: fizeram longas explanações sobre suas demandas e sobre a conversa com a presidente, enquanto as perguntas dos jornalistas era uma só: "ela estava despreparada para o encontro?". O Movimento Passe Livre (primeiro movimento a ser recebido), num gesto arrogante, caiu no erro de dar a manchete que os jornais queriam: disseram que Dilma estava despreparada para a tarifa zero. Nada mais do que eles disseram mereceu atenção, apenas a manchete "MPL diz que Dilma é despreparada". As pesquisas sobre a avaliação do governo passarão a servir, mais do que antes, como confirmação de que a crise é do governo Dilma. 

 

4) As vozes dos Movimentos Sociais e da Sociedade Civil organizada: poderá ganhar consistência após esse movimento inicial que colocou a Reforma Política na pauta da sociedade brasileira. As primeiras reações foram diversas. Da parte dos sindicatos e centrais, alguns já defendem a Reforma Política, ao mesmo tempo que continuam com suas demandas específicas. Outros, menosprezaram a Reforma e querem ver a discussão imediata de suas demandas. Estes últimos colocam uma perspectiva economicista meramente (ganhos para os trabalhadores) e interessada na manutenção do atual jogo político (já que as centrais expressam ligações diversas com os partidos e, não necessariamente, à esquerda ou alinhadas ao petismo). Os movimentos da juventude, por paradoxal que pareça, tiveram reação muito mais madura do que certos líderes sindicais. O movimento LGBT tem motivos para considerar tardio esse diálogo direto com a presidenta (mesmo sabendo que o centro dos problemas de suas pautas encontra-se no Legislativo), mas sinalizaram positivamente ao encontro com Dilma.

 

5) Os setores que não tem tradição de mobilização popular, mas foram às ruas: não há conhecimento suficiente ainda. Há tentativas de categorizá-lo. Afirmar que é a classe média antipetista não é falso, mas não é toda a verdade. Há uma juventude despolitizada que pode ter participado pelos mais variados motivos: canalizaram no grito das ruas seu desencanto; foram atraídos pelo apelo acrítico à manifestação-espetáculo; aderiram às posições de direita apartidária (e muitas vezes fascistóide) que defenderam a hostilização de bandeiras e um apelo irracional à um sentimento de união nacional que elimina diferenças de classe, desigualdades sociais e a necessidade de democracia representativa. Essas diversas adesões deram-se paralelamente. E possivelmente há ainda outras mais. Soma-se aqui também setores mais tradicionais cujas posições não vinham sendo suficientes para gerar mobilizações massivas: Clube Militar, a antiga defesa à lá Tradição, Família e Propriedade. Até monarquistas parecem ter sentido um sopro de vitalidade. Os setores evangélicos não se confundem com a perspectiva TFP, mas sua mobilização tende a pender mais ao apelo de uma moral conservadora do que ao pertencimento de classe ou situação econômica (já que o discurso religioso se oferece como englobante destes dois últimos). Em suma, são setores que podem balançar para lados diversos, mas com uma pendência maior ao conservadorismo (o que prejudicaria uma avaliação da real dimensão de uma Reforma Política frente a esse contexto).

 

Balança estilizada do ceramista Luiz Olinto

 

6) Os partidos fisiológicos. Há que se fazer uma análise mais qualificada, mas percebo a possibilidade de fortes divisões internas. O exemplo maior é o PMDB, onde há posições à favor da Reforma Política, mas também há setores insatisfeitos com a aliança junto ao petismo e, há tempos, manifestam um alinhamento maior junto à oposição. Nos casos das legendas menores, as divisões podem ser menos numerosas do que no PMDB, mas provavelmente também ocorrerão. 

 

7) Os partidos à esquerda do PT: com maior representação, o PSOL, mas também o PSTU, PCO, PCB. Há também tendência a divisões ainda sem clareza de posição sobre a Reforma Política. O PSOL, que tem uma trajetória mais consistente de institucionalização (inclusive repetindo os erros aponta no petismo), poderá defender a necessidade de uma Reforma Política. Isso apenas acontecerá se os ressentimentos políticos (que não são poucos nem injustificados) em relação ao próprio PT não colocarem-se acima de qualquer avaliação. Outros partidos podem ir no sentido de uma avaliação da esquerda marxista: de que chegou a hora de derrubar a democracia burguesa. Velho erro, velho conhecido, mas com chance de se repetir. Não se trata da oportunidade de ruptura radical como quer um certo marxismo. O que se apresenta aqui é a oportunidade de uma Reforma Fundamental para o sistema político brasileiro.

 

8) O jornalismo independente, a blogosfera, as redes sociais: podem fazer diferença no sentido de um esclarecimento que, sem ser de oposição ou situação, aponte para a necessidade de uma Reforma Política. Porém, nada que ainda se compare à força da imprensa nacional.

 

9) As redes sociais: não são anônimas e espontâneas como aparentam. A participação do #changebrazil e do Anonymous apela para a espontaneidade e para o anonimato em defesa própria, mas é algo que não se sustenta na realidade. Suas mensagens tem forte apelo político-partidário. O argumento nem de longe apresenta a espontaneidade de jovens secundaristas: há, ali, a presença contundente de uma análise política instrumentalizada, de um marketing político profissional. Caso mostrassem sua face partidária, seriam caso para Justiça Eleitoral. A retórica do anonimato pode ser a grande farsa dessa história. O TSE não deve ser omisso diante dessa hipótese. 

 

10) Lideranças políticas capazes de se colocar acima de suas posições partidárias: são suficientes para constituir uma força à parte das nove anteriores? Fernando Henrique Cardoso (defensor da Reforma no passado) seria o caso? Poderia ser, mas tem se manifestado de forma tão incisiva na construção da candidatura de Aécio Neves, na retomada da agenda interrompida com o final de seu mandato, no emparedamento do governo petista, que, até agora, tem titubeado em demonstrar a tal "grandeza política" que ele próprio cobra de outros. Lula? Talvez. Sua posição já aponta para a necessidade da Reforma Política. Mas não contará com a mesma visibilidade de FHC. De quem mais poderia vir posições referencias acima de diferenças partidárias? Se houver, precisam ser instados a se manifestar.

 

 

 http://blogumlugar.blogspot.com.br/2013/06/dez-pesos-para-balanca-politica.html

 

 
 
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Fátima Moraes

Eu fui uma jovem que estudou a noite e militei no movimento estudantil dos anos 90.

Eu não via a muito tempo tanta mobilização

A diferença dos anos noventa é que ainda dava para acreditar em algum partido político.

Assim fica mais fácil se organizar.

Pena que eu também ajudei a fazer o PT crescer  e deu no que deu...

 

 
 
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Tássia

PERFEITO!!!

 
 
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Nivaldo Rezende da Fonseca Júnior

Em Itaúna MG será amanhã, quinta-feira às 17h na Praça Celi (avenida Jove Soares Bairro Nogueirinha). Bora lá, cidadão itaunense. Chega de corrupção!

 
 
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Mineira

Jogaram Mentos na geração Coca Cola ... Sai da tv e da aquibancada geração "Diretas já" !!! Cadê a sua cara? Vem pra rua Vem !!! Com V de Vinagre!!! Levanta a B.. BH pra gente não ficar com cara de B...ão. 

 
 
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Mineira

arquibancada*

 

 
 
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Nivaldo Rezende da Fonseca Júnior

Em minha cidade, Itaúna MG, será iremos às ruas nesta semana! Pra rua, lugar que os grandes algozes  da nação não tem coragem de enfiar a cara! Abaixo à hipocrisia governamental! Hoje temos meios tecnológicos e conscienciais para viver de maneira melhor e menos covarde!

 
 
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souza silva

Sinceramente, nunca li algo na realidade de hoje tão significativo pra mim!!!

 
 
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Anna Paula Ferrão

Muito obrigada.

 
 
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betodan

concordo em genero número e grau com sua análise andré. Estes meninos estão mostrando a indignação que muitos de nós não estão conseguindo externalizar. Esta involução do processo civilizatório recente, este avanço do conservadorismo é muito ruim e desestimulante, mas quem sabe? será que essa desmontagem das conquistas sociais que estão fazendo sofregamente, arrogantemente não seja exatamente o calcanhar de aquiles desta gente e deste pensamento que se pensa hegemonico???

toda a força aos nossos meninos

o Facismo não passará

 
 
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Gleyce

Bacana demais, tudo isso que li.

 
 
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SLuchesi

Eu fico vendo os comentários das pessoas e me impressiono com como o brasileiro médio é cego. E daí que estamos reclamando do governo do PT? Estamos reclamando do PSDB TAMBÉM. Partido NENHUM nos representa, porque o sistema eleitoral não permite que gente limpa se eleja.

Parem com essa dicotomia, faz favor, enxerguem que NÓS NÃO AGUENTAMOS MAIS TANTA ROUBALHEIRA, simples assim.

É o fim da picada ver gente endeusando o PT por causa da situação de pleno emprego, oh todo mundo tem TV LCD de 32'. Tem, MAS CONTINUA MORANDO NA FAVELA, não tendo saneamento básico, nem água tratada, nem transporte público decente, nem médico, nem dentista, nem sabendo ler e escrever. Aliás, SABE POR QUÊ A BRIGA DA PASSAGEM DE ÔNIBUS? Porque é MAIS CARO andar de condução coletiva em SP que de carro! Se o transporte for gratuito pra todos e cobrada uma taxa pra custear no ICMS, sai METADE do preço que cada um paga hoje! É um ABSURDO o sistema de transporte SUBSIDIADO pelo governo sair mais caro que andar de veículo particular, e ser ruim do jeito que é, isso é tripudiar em cima do povo, não é possível aguentar uma cleptocracia como a que vivemos hoje, estamos PIOR que no tempo do Collor, em termos de roubalheira, gente.

 
 
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Carlos Pedroso

No dia em que a população brasileira tiver saude, educação, saneamento,  de qualidade, desempregaremos 518 politicos e mais os estaduais

 

 
 
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Francisco J. S. Ribeiro

Brilhante texto , construído do recôndito de uma alma inconformada e de um cérebto privilegiado.....

 
 
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Felipe Barbosa

Sensacional !!!! Voce abordou varios temas em um  e eu, que nunca comento as coisas que leio, precisei vir aqui para elogia-lo!! Alem de achar seu texto exemplar em todos os aspcetos (desde a democracia que deveria estar vingando, ate a hipcresia que esta ocorrendo - de politicos e "adultos"). Tenho 23 anos e moro em Sao Paulo. Voce acaba de descrever o que muitos "adultos" inclusive meus pais, pensam ser um mundo perfeito. Meus pais enaltecem exatamente o que voce descreveu a baixo. Trabalho em uma empresa de grande porte, assistia a 4 horas de aula meia-boca pelo canudo, e voltava para a casa de meus pais para jantar, dormir, e sonhar com um cargo maior! E e isso que muitos "engomadinhos" (inclusive amigos meus) vive e pensa assim (tanto pais quanto filhos): "estou em uma situacao boa, com um futuro encaminhado, entao para mim esta tudo ok, e essas manifestacoes sao ridiculas, e tem que dar borraachada nesses criminosos". Quero enaltecer todo o seu texto, vou citar apenas esses trechos abaixo (principalmenTe o que fala da sociedade bunda-mole e dos revoltadinhos do facebook hahaha) mas todos sao purificantes (ate porque tenho lido e ouvido muita besteira desde que as manifestacoes comecaram). Estou cada vez mais a favor dessas manifestacoes em todo o Brasil, e ate tirei duas semanas de ferias para poder participar das que estao por vir! Obs: desculpe a falta de pontuacao, culpa do meu teclado que nao me da essa opcao.

 

 

 

PARABENS PELA CORAGEM, PELO MODO DE EXPRESSA-LA E PRINCIPALMENTE, PELO BOM SENSO! (Por incrivel que pareca esta cada vez mais dificil de encontra-lo nos dias de hoje)

 

 

 

"Sempre vai haver quem prefira como modelo de estudante exemplar aquele sujeito valoroso que trabalha na firma das 8 da manhã às 6 da tarde, pega sem reclamar o metrô lotado, encara mais quatro horas de aulas meia-boca numa sala cheia de alunos sonolentos em busca de um canudo de papel, volta para casa dos pais tarde da noite para jantar, dormir e sonhar com um cargo de gerente e um apartamento com varanda gourmet."  

 

"O fundamental é que vivemos numa sociedade que (para usar dois termos anacrônicos) vai ficando cada vez mais bunda-mole e careta. Assustadoramente careta na política, nos costumes e nas liberdades individuais se comparada com os sonhos libertários dos anos 1960, ou mesmo com as esperanças democráticas dos anos 1980. Vivemos uma grande ofensiva do coxismo: conservador nas ideias, conformado no dia-a-dia, revoltadinho no trânsito engarrafado e no teclado do Facebook.

 

O fundamental é que nenhum grupo político no poder ou fora dele tem hoje qualquer nível mínimo de interlocução com uma parte enorme da molecada – seja nas universidades ou nas periferias – que não se conforma com a falta de perspectivas minimamente interessantes dentro dessa sociedade cada vez mais bundona, careta e medíocre.

 

Os mesmos indignados que se esgoelam no mundo virtual clamando que a juventude e os estudantes "se levantem" contra o governo e a inação da sociedade, são os primeiros a pedir que a tropa de choque baixe a borracha nos "vagabundos" quando eles fecham a 23 de Maio e atrapalham o deslocamento dos seus SUVs rumo à happy-hour nos Jardins."

 
 
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Sergio Ruz

Concordo que muitos deixaram de sonhar e os jovens e não tão jovens, adultos, e até idosos sairam às ruas, mas ele só protestaram, os bandidos contratados foram os que depredaram o patrimônio como outros fizeram autodestrução para culpar os manifestantes e justificar a repressão. Enquanto a os militares torturadores anunciados por você, realmente são vitimas também de um bando de revoluciónarios que hoje usufruem do poder...

 
 
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Breno dos Santos-Gravatá

Não é bem por aí, mais ou menos! O sonho acabou,("Dream is over"!)  como dizia "John Lennon", ex-Beatles, assassinado em 8 de dezembro de 1980, por uma vítima desse "quadro social" construído ao longo dos anos 80, que se achavam seguros de si, e sem qualquer "estruturação" social ou familiar. E quem vai dar um jeito de melhorar, ou pelo menos controlar essa "ecatombe social"? Ninguém, por enquanto, é claro, mas nossa sociedade já enfrentou "crises" piores, e se saiu bem, de alguma forma! Qualquer religioso vai dizer que a falta de crença em Deus seria a causa maior, mas o "Gandhi" dizia que temos que passar por isso, para melhor entender o porque do nosso sofrimento. E que porquê é esse? Que nos digam, ainda os que acreditam no que alguém disse, há dois mil anos atrás: "basta aprender a amar uns aos outros", esta será a nova regra social(?) Só que poucos entenderam, e enquanto isso, pouco irá mudar, concordam?

Breno dos Santos-Gravatá-PE

 
 
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Iana Pereira

Belíssimo texto. Nos faz refletir e repensar os nosso atos (ou a falta deles). Sinto me indignada quando vejo comentários imbecis com ofensas àqueles que estão ali, dando seus próprios sangues por nós, que, confortavelmente, estamos no sofá de nossa sala, ouvindo as influências midiáticas e muitos, influenciados por elas. Quem deixa morrer os sonhos não merecia sequer ter vivido. Mas, são essas divergências que dificultam o crescimento do nosso menino (País), que, um dia, quem sabe se tornará um GRANDE homem e , com certeza, esses jovens terão contribuido para tanto.

 
 
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maria jose

quero ir para as passeatas, porém tenho medo, tenho 55 anos e posso me machucar seriamente, mas militei por nossos direitos na juventude, agora chegou a vez dos jovens.

não lutamos por 0,20..só o governo não entendeu que esse aumento foi a gota d'agua.

 
 
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Marcos W.

Textículo conservador travestido de moderninho. Lobo em pele de cordeiro. Qualquer coisa do tipo "se quase todos tiverem carro, se todos passarem a ingerir 2000 calorias/dia, se todos resolverem viajar de avião...aonde nós vamos parar?! Antes mesmo de o povo poder pagar passagem de ônibus, ou comprar uma lambreta, estão a pregar o retorno ao lombo de burro. Para não poluir é claro, afinal, a causa é mais do que justa!

 
 
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felipe am neto

''Prefiro viver tal como os utópicos,que sonham;a viver como os burocratas,que engavetam sonhos''

H.S. NIETO

 
 
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daniel m. fernandes

Obrigado. Continuarei firme com minhas pedras na mão.

 
 
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Diego Hosiasson Kapaz

Caro André Borges Lopes (e Luiz Nassif), O TEXTO ESTÁ IMPECÁVEL!

 

Sou brasileiro, minha mãe é chilena e gostaria de oferecer traduzir o texto ao castellano (espanhol).

Já pensaram em algo assim?

PARABÉNS!

 
 
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Luiz Gomes

O EJCS que comentou antes tem muita razão. O caminho infelizmente é outro. Sonhar é preciso, mas as mudanças só vão de dentro do sistema, com trabalho, acordos, conseguindo a cada vez o maximo possivel, mas bem claro: o possivel. O movimento jovem estudantil ou será vencido ou será utilizado por uma das forças atuais. O risco, e grande, é que acabe sendo utilizado contra os que justamente mais se preocuparam pelos pobres, minorias, liberdades e bem estar social. O risco da moçada é virar massa de manobra da direita, até onde vejo, a juventude hoje é muito de direita e conservadora.

 
 
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Eduardo Klinchest

Ora, ora... texto reacionário travestido de "terceira via", falaciosamente contra o conservadorismo, mas, na verdade, atacando o governo do PT! Original, é verdade, pois náo fica apenas nos clichës do cartel midiático existente no Brasil... mas, em uma leitura mais atenta, transborda sua verdadeira intençáo: atacar o PT - que está mudando o país de verdade! A mim náo enganam. Te enganaram Nassif. E enganam a minoria, graças a Deus..!

 
 
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Mário Mota

 

Prezados e Prezadas,

 

O texto acima soa como uma provocação de muito bom tom. Vinha há tempos me queixando da apatia dos nossos jovens. Não concordo com tudo o que foi dito no texto, porém vale uma profunda reflexão sobre o momento e as possibilidades de avanços, para além do que as conquistas das nossas gerações conseguiram e ficaram depois restringidas pelos próprios mecanismos legais que legitimaram essas conquistas, inclusive a própria constituição de 88. Ora, a geração que conseguiu os avanços nela fundamentados, com muita luta, negociações e concessões ficou limitada pelo amor filial, que a impede de questionar e mudar o que precisa ser mudado para que a sociedade continue se aperfeiçoando.

 

Aguardo ansioso por muitos desdobramentos e, principalmente, pelo surgimento, enfim, de ideias, estudos,  lideranças, propostas e ações consequentes para que possamos sepultar de vez o conservadorismo mesquinho e entreguista, a mediocridade do preconceito e o sentimento anti-brasileiro da elite quatrocentona que se julga dona do Brasil e de nossos destinos.

 

Sds Soteropolitanas,

 

Mário

 
 
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Gabriela V.

Nessa semana, estava conversando com o meu pai e ele comentou que haveriam novos protestos na paulista na terça-feira e como isso atrapalharia o trânsito e geraria um congestionamento enorme na cidade, tudo só por conta de 20 centavos. Não pude acreditar no que estava ouvindo vindo da boca dele. Ainda por cima, depois disso ele ainda classificou os protestantes como "vândalos". Foi a gota d'água para mim. Estou cansada de ouvir as pessoas reproduzindo o discurso da velha mídia, pois acham que essa , só por ser a mais lida no país, é a detentora da verdade.

Perguntei para o meu pai se existe outra forma de chamar a atenção dos governantes se não com protestos que "atrapalhem" a vida daqueles de quem eles dependem para serem eleitos. Ele mudou de assunto, sem me dar uma resposta.

No mesmo dia, durante a aula, um dos meus professores sugeriu que lêssemos o texto do André quando chegássemos em casa. Fiz o que o meu professor sugeriu e me encontrei nesse texto, pois ele expressa exatamente aquilo que eu queria que o meu pai enxergasse.

Li o texto para o meu pai, mas vejo que não surtiu efeito, já que ele continua com o discurso dele anterior, parecendo um papagaio da velha imprensa. Isso me entristece, porque mostra o quão fundo a velha mídia consegue inserir as suas ideias nas pessoas, fazendo delas meros papagaios alienados.

 
 
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Moyses Nunes

Carissima Gabriela, não sou mais tão jovem em idade mas creio o ser em pensamentos. Meu filho mais velho não tem o minimo interesse em política, assunto que sou obrigado a esbrajevar ao nada quando vejo os telejornais... não faço uma crítica, mas sim uma pergunta que também deve ser respondida: Como o movimento foi iniciado? Por que São Paulo e Rio somente? Inflação dos tomates??

A proporção que o evento tomou fugiu ao controle inclusive da finalidade, que humildemente acredito, de quem o iniciou. De fato o que o País precisa é isso, os caras pintadas nas ruas, mas pelas causas certas.

Não fique chateada por seu pai, nunca, ainda que não concorde com ele. Siga o seu coração e sempre acredite que é melhar errar tentando acertar do que se frustrar por nunca ter tentado!

 
 
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Ingrid S.

Senhor Moysés, estive numa manifestação aqui no Rio, e tínhamos objetivo claro de ir contra o aumento das passagens. A questão é que o aumento das passagens é o estopim de uma série de situações ilegais por trás do aumento, e (resumidamente) prejudica serviços básicos como educação e saúde. Então, o que parecia um objetivo simples, tomou uma dimensão maior. Talvez seja por isso que o senhor ache que está sem objetivo. 
E de uma coisa é certa: independente do objetivo, a ação que as forças policiais tiveram hoje, e por várias vezes em São Paulo, é de covardia pura. E isso me indigna tanto quanto o resto dos objetivos. 

 
 
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augusto ferreira

A "velha mídia", na verdade, hiócrita e cinicamente,está gostando da "brincadeira". Veja o que diz a Veja desta semana, por exemplo:
"A história recente mostra que quando jovens vão às ruas para protestar, eles precisam ser ouvidos. E o que será que eles querem dizer com as manifestações recentes? Que faltam partidos e programas que os representem legitimamente? Sim. Essa é uma das mazelas brasileiras que se expressam através dos movimentos atuais."

 
 

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