Re: Fora de Pauta

imagem de jns
jns

O VOO VASP 375

Raimundo Nonato, o Precursor de Bin Laden, sequestrou o avião que seria atirado no Palácio do Planalto

O lançamento de aeronaves comerciais contra edificações em terra não constituiu-se em novidade em 2001, pois, em 1988, Raimundo Nonato Alves da Conceição, de 28 anos de idade, planejou o mesmo tipo de operação suicida.

Nonato quase conseguiu executar um atentado contra o presidente brasileiro, utilizando para isso um Boeing 737-300 da Vasp.


O país, naquela época, passava por sucessivas crises econômicas, hiperinflação e desemprego.

Raimundo Nonato trabalhava em Minas Gerais em uma grande construtora que dispensara parte dos empregados, devido à situação de estagflação (recessão com inflação) da economia.

Desesperado e sem expectativas, Raimundo Nonato arquitetou um plano de vingança para sequestrar e atirar um avião comercial contra o Palácio do Planalto, em Brasília, e matar o Presidente José Sarney, quem considerava como o responsável pela caótica situação do país.

Raimundo comprou uma passagem no Aeroporto de Confins, em Belo Horizonte, para o Rio de Janeiro em voo da Vasp.

Seu voo era o VP 375, que partia de Porto Velho, Rondônia, fazia escalas em Brasília, Goiânia, Belo Horizonte e terminava no Rio.


O voo era operado, naquele dia, 29 de setembro de 1988, pelo Boeing 737-300 matrícula PP-SNT.

Armado com um revólver calibre 32, Raimundo embarcou sem ser incomodado pela segurança do Aeroporto de Confins, em BH.

Naquela época não existia a inspeção de passageiros e bagagens por raios-X.

O avião decolou de Confins às 10h 42min.

Pouco depois das 11 horas, Raimundo levantou-se da sua poltrona, sacou a arma e foi direto para o 'cockpit' do avião lotado com 105 passageiros e oito tripulantes.

Um desses tripulantes, o copiloto Ronaldo Dias, tentou impedi-lo e foi alvejado na orelha.

Em seguida, ele arrombou a porta do 'cockpit' com 5 tiros, remuniciou a arma e anunciou o sequestro.

Um dos tiros, dados contra a porta, feriu na perna do tripulante extra, o copiloto Gilberto Renher, que voava 'nojump-seat'.

O sequestro foi anunciado e a confusão estabelecida pela invasão do sequestrador e pelo ferimento no copiloto Renher.

O Comandante Fernando Murilo Lima e Silva, de 41 anos de idade, conseguiu colocar o código 7700 no 'transponder' do avião, informando para os controladores e autoridades de tráfego aéreo que o avião tinha sido sequestrado.

O relógio marcava 11h 15 min.

O Cindacta I, em Brasília, ao verificar o código 7700 no radar secundário entrou,  imediatamente, em contato com a aeronave.

O copiloto Salvador Evangelista abaixou-se para apanhar o microfone para responder ao Cindacta e, foi, friamente, fuzilado com um tiro na nuca.

A situação a bordo tornava-se cada vez mais dramática.

Nonato apontou a arma para o comandante Murilo e ordenou que desviasse o voo para Brasília.

A Força Aérea ordenou imediatamente que um caça Mirage III decolasse da Base de Anápolis e acompanhasse o voo, ao mesmo tempo em que o Presidente José Sarney cancelava todos os seus compromissos naquele dia.

O comandante Murilo, ao ser comunicado dos objetivos da ação terrorista, manteve a calma e jamais pronunciou a palavra 'sequestrador' pelo rádio, preferindo nominar apenas 'passageiro' e tentou ganhar tempo.

Informou que não teria condições de mirar o avião no Palácio, que estaria, supostamente, encoberto por uma camada de nuvens.

Em seguida, chamou a atenção do sequestrador para o baixo nível de combustível nos tanques, que poderia acabar a qualquer momento, derrubando o avião.

Nonato hesitou, desistiu de jogar o avião no Palácio do Planalto e começou a dar ordens conflitantes.

Ele não aceitou a proposta do comandante de pousar no Aeroporto de Brasília ou na Base Aérea de Anápolis, pois sabia que não teria condições de escapar de nenhum desses lugares.

O nível de combustível tornou-se crítico, as ordens dadas pelo sequestrador tornaram-se mais confusas e contraditórias e a ideia de jogar o avião no Palácio voltou a ser cogitada por ele.

O comandante apelou para uma medida ousada e deseperada para tentar dominar o sequestrador.

Próximo de sobrevoar Goiânia, resolveu executar um tounneau barril’, uma manobra na qual o avião executa um giro longitudinal ao redor de um eixo imaginário.

Nunca, na história da navegação aérea, um Boeing 737 executara tal manobra.

Como a tentativa não surtiu efeito, Murilo, ousou mais uma vez e estolou o avião ao comandar um parafuso arriscado.


Dessa vez, o sequestrador caiu mas os tripulantes, também afetados pela manobra, não conseguiram dominá-lo.

O relógio marcava 13h 45min e o combustível, praticamente, esgotado tornou a situação tão crítica que as autoridades, em terra, não consideravam alternativas para salvar os passageiros e o avião.

Uma nota oficial, lamentando a tragédia, foi redigida pelo Ministério da Aeronáutica.

As manobras radicais do comandante Murilo, no entanto, provocaram uma desorientação momentânea, permitindo que, na sequência, ele executasse um pouso rápido na pista de Goiânia.

A bordo, o sequestrador continuava ameaçando a tripulação e os passageiros.

Sem combustível e sem possibilidades de decolar, ele passou a fazer exigências para tentar escapar.

Começou a negociar, exigindo, a princípio, mais combustível e, depois, um caça Mirage para fugir. Terminou por aceitar um Bandeirante que foi, então, colocado ao lado do Boeing.

As negociações, no entanto, eram conduzidas pelas autoridades apenas para ganhar tempo.

Não seria permitido que o sequestrador escapasse daquela ação tresloucada.

O único objetivo era tirá-lo do avião e prendê-lo ou matá-lo, sem concessões.

Após algum tempo de negociações, Raimundo desceu da aeronave, conduzindo o comandante Murilo como escudo, mas terminou alvejado, com três tiros no quadril, por atiradores de elite.

O comandante foi ferido na perna por um tiro dado por Raimundo e a ação foi criticada pelos riscos envolvidos.

Raimundo Nonato e o Comandante Murilo, ferido após o sequestro, na foto abaixo.


   José Paulo/AE)

O relógio marcava 19 horas.

Estava terminado o sequestro, oito horas depois de iniciado, sem nenhum passageiro ferido, assim como os comissários, apesar da violência das manobras realizadas pelo comandante Murilo e dos tiros dados a bordo.

O sequestrador e os três tripulantes feridos foram conduzidos para o hospital e o corpo do copiloto Evangelista foi encaminhado ao necrotério.

Constatou-se que o único responsável pela ação de sequestro foi Raimundo Nonato, sem a aprticipação de nenhum cúmplice.

Mantido sob severa vigilância da Polícia Federal, ele recuperava-se dos seus ferimentos, quando morreu misteriosamente, alguns dias depois.

No hospital, correram rumores de que foi tinham executado com uma injeção letal.

 O caça Mirage III acompanhando o Boeing e o sequestrador ferido


 

Segundo o renomado (?) legista Fortunato Badan Palhares, Raimundo foi vítima de infecção por anemia falciforme, sem relação com os tiros.

Blog Fontes: resumo do texto do dudelamonica com imagens do supersogra

Vídeo da retirada das vítimas do avião estacionado na pista do Aeroporto de Goiânia

http://www.youtube.com/watch?v=0KAxSLqotVs