Inmetro assina convênio com Coréia do Sul
O convênio firmado entre o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) e o governo da Coréia do Sul, na última semana, terá como missão estreitar as instituições de metrologia dos países e qualificar o processo de transferência de tecnologia. A parceria com o Korea Research Institute of Standards and Science (KRISS), instituto de metrologia do país asiático, permitirá a troca de conhecimentos específicos exatamente no momento em que a Coréia começa a pensar em colocar plantas industriais no Brasil, com produção de alta tecnologia. Entre as intenções do acordo, está a criação de um marco para a cooperação internacional nas áreas de nanotecnologia, metrologia e ciências correlatas.
“Como a metrologia do instituto coreano é importante para indústria de alta tecnologia de lá, é óbvio que aqui precisamos de um entrosamento muito grande”, explicou o presidente do Inmetro, João Jornada, à reportagem do Brasilianas.org, após participar, ontem, do 12º Fórum de Debates Brasilianas.org em São Paulo.
Além de facilitar a venda de produtos e adequar as normas de certificação da produção em solo brasileiro, a perspectiva é de que a experiência coreana seja referência para o Inmetro. Considerada por Jornada a nação mais dinâmica do ponto de vista de apoio à inovação, a Coréia do Sul possui um instituto de metrologia (o KRISS) que, ao longo dos anos, se colocou como importante elemento do processo inovativo do país.
Outras instituições, como a Korean Agency for Technology and Standards (KATS), agência que lida com avaliação da conformidade, segurança de produtos de consumo e metrologia legal; e a Korean Association for Industrial Technology Security (KAIST), instituto de excelência em pesquisa em ciência e tecnologia no país, também estiveram no roteiro da viagem de Jornada a Coréia, e podem endossar a relação entre os países.
Um dos programas coreanos citados por Jornada consiste numa espécie de clínica médica de medições. “Os especialistas vão até as empresas ver o que está acontecendo, in loco, de maneira informal, como um médico que vai até a casa do paciente resolver um problema”, afirma.
Outra iniciativa lembrada é o Clube de Metrologia. São criados vários clubes virtuais, cada qual com seu grupo de empresas discutindo metrologia de temperatura ou de força, por exemplo. Elas discutem, por meio da Internet, e fazem reuniões presenciais a cada seis meses. Isso, explica Jornada, permite uma difusão de conhecimento, o contato entre as empresas e um entrosamento muito grande, fundamental para o desenvolvimento da inovação.
Jornada também destaca a capacidade dos coreanos para gerenciar problemas com base na métrica. “Queremos ver como eles medem a produtividade, os programas de trabalho, e isso nos interessa, pois são questões práticas”, conclui.
Rede de laboratórios
O Inmetro deverá consolidar, ainda este ano, parcerias com algumas instituições do país, com alto nível científico, que vão trabalhar em conjunto com empresas. A instituição parceira terá que ter pesquisadores tipo 1 do CNPq e, ao mesmo tempo, os projetos terão que receber financiamento direto de empresas. A iniciativa está dentro do Plano Brasil Maior, lançado pelo governo federal no início do mês.
Aproximadamente 30% do financiamento serão do Sistema Inmetro, em parceria com outras instituições, como CAPES e FINEP, e o restante terá que ser capitado das agências de fomento. Segundo o presidente do Inmetro, João Jornada, isso cria uma tensão dinâmica muito interessante para o processo inovativo.
“Não pode ser nem um prestador de serviço, e nem uma entidade acadêmica, porque a idéia é fazer a indústria botar dinheiro, e não apenas uma carta de interesse. Então, se ela vai botar dinheiro, mesmo que sejam 30% ou 20%, ela vai ter que achar que realmente aquele projeto é importante para ela, para se criar um vínculo criativo forte”, disse.
