Eólica mais barata que biomassa e PCH
Os resultados dos leilões de reserva e de fontes alternativas de energia, realizados nos dias 25 e 26, surpreenderam o setor elétrico e aumentaram o otimismo em relação a participação da energia eólica na matriz. Nos dois certames foram comercializados 1.159 megawatts médios de 89 usinas, entre eólicas, pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e biomassa. Sendo que somente a energia eólica foi comercializada a um preço médio de R$130 /MWh, valor mais baixo que as demais fontes.
O presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Ricardo de Maya Simões, vê com satisfação o resultado dos leilões, que sinalizaram a possibilidade de suprir parte do crescimento da demanda por energia através de fontes limpas e renováveis. O otimismo é justificado pelo fato de o leilão de A-3, constituído para a contratação de energia térmica, ter sido totalmente suprido por energia renovável, e a preços competitivos.
A energia eólica foi a surpresa em valores. A título de comparação, no leilão de energia eólica realizado no começo deste ano, considerado um teste de viabilidade comercial da fonte, o valor médio praticado foi de R$ 148,39/MWh, ante um teto inicial de R$ 189/MWh. Nos leilões de ontem a energia eólica chegou a ser contratada por R$ 122/MWh.
O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, ressaltou que os resultados dos certames propiciaram uma quebra de paradigmas no setor elétrico brasileiro. Primeiro, em função de a fonte eólica ter se constituído na mais barata entre as negociadas. Segundo, pelo preço competitivo da grande quantidade de energia contratada proveniente de fontes alternativas.
Incentivos ao deságio
Simões avalia que vários fatores contribuíram para os resultados animadores da energia eólica. Em primeiro lugar, toda a cadeia reduziu suas margens de lucro para melhores resultados. Além disso, como a maior parte dos equipamentos eólicos é importada, o real valorizado ajudou na derrubada dos preços. Projetos melhor elaborados e segurança da modalidade de geração e, principalmente segurança jurídica, atraíram os investidores.
Em termos de crédito, a decisão do BNDES em flexibilizar as condições de amortização de empréstimos, no início deste mês, ajudou na alavancagem das empresas. O banco de fomento ampliou de 14 anos para 16 anos o prazo máximo para a quitação de financiamentos para projetos de energia eólica, biomassa e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). Com a mudança, as condições de financiamento desses empreendimentos ficam equiparadas às oferecidas a usinas hidrelétricas entre 30 MW e 1.000 MW.
Embora considere importante a decisão do banco, Simões defende um prazo de amortização de 20 anos, o mesmo de entrega de energia dos projetos eólicos. A prorrogação dos benefícios fiscais para o setor eólico pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (CONFAZ) até 2012, também impusionou os resultados.
Tolmasquim afirmou ainda que o Leilão de Energia Nova A-5, previsto para o final do ano, poderá resultar na contratação apenas de fontes renováveis, incluindo aí grandes usinas hidrelétricas. Caso isso ocorra, o volume total de energia elétrica negociado em 2010 seria apenas de origem renovável.
Leilões
O investimento total dos dois leilões é da ordem de R$ 9,7 bilhões. A potência das 89 usinas soma 2.892,2 megawatts. O deságio médio total dos leilões foi de 18,6%.
No leilão de fontes alternativas o preço médio de venda de energia das pequenas centrais hidrelétricas foi de R$ 146,99/MWh, um deságio de 5,17% do preço inicial. Na biomassa o preço médio foi de R$ 137,92/MWh, com deságio de 17,41%, já na energia eólica o preço médio foi de R$134,1/MWh com deságio de 19,7%, mais baixo do que as outras duas modalidades.
Das 56 usinas que negociaram nessa concorrência, 50 são eólicas, uma é usina de biomassa e cinco são PCHs. A duração dos contratos para a energia negociada pelas PCHs é de 30 anos, para as usinas de biomassa e eólicas a duração é de 20 anos, e para as PCHs, 15 anos, com início de suprimento em 2013.
Já no leilão de reserva (A-3) a energia eólica contou com 20 usinas comercializando energia, de um total de 25 participantes, das quais três são usinas de biomassa, e duas, PCHs. O preço médio praticado foi de R$ 125,07/MWh com deságio médio de 23,5%..
O leilão de reserva foi iniciado na quarta-feira, com duas fases. Na primeira com início de suprimento em 2011, seis usinas de biomassa venderam energia ao preço médio de R$154,18/MWh (reais por megawatt-hora. Na segunda fase, duas usinas de fonte biomassa venderam energia ao preço médio de R$ 145,37/MWh. A duração dos contratos para a energia vendida pelas PCHs é de 30 anos, para as eólicas é de 20 anos e para as usinas de biomassa é de 15 anos.
