Não escrevo esse artigo para defender as atrocidades comedidas por mais uma obra alá "Brasil, Um País de Tolos", que é a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, pois a insustentabilidade dessa porcaria "faraônica"  nos diversos pilares do Desenvolvimento Sustentável já está mais que evidente. E quem aqui ainda não se deu conta que nos encontramos em pleno século XXI, por favor, também não perca tempo dirigindo críticas xiitas a favor desse desenvolvimento a qualquer custo pregado pelo Governo.

Políticas públicas e diversificação da Matriz. Ao meu ponto de vista estas são as alternativas, estas são a soluções mais sensatas, bem como as soluções mais justas.

Não vamos ficar aqui perdendo nosso tempo puxando sardinha para as eólicas ou para usinas hidrelétricas. Há que se promover políticas públicas no sentido de melhorar o aproveitamento energético atual e, a partir do Balanço Energético Nacional, traçar estratégias que contribuam para a diversificação da Matriz. Incentivar a pesquisa e inovação tecnológica a favor de bens de baixo consumo energético. Promover incentivos fiscais aos produtos que possuam certificação de melhor desempenho energético ou façam uso de energias menos “sujas”. A arquitetura pode contribuir promovendo técnicas de melhor aproveitamento da luz natural nas edificações e o governo novamente pode contrbuir com subsídios para as edificações certificadas. Conscientização. Campanhas que conscientizem os usuários e os incentivem à adotar boas práticas no uso domiciliar. Diversificação das fontes de geração de energia. Vamos estudar os ventos, mapea-los nas regiões com potencial para viabilizar a  instalação de turbinas eolícas menores e de baixo impacto, que possa atendemder as comunidades mais distantes, onde há o difícil e dispendioso acesso pelas linhas de alta tensão. Pequenas turbinas também poderiam ter sua aplicação avaliada nas calhas de rios com melhor potencial, causando um menor impacto, sem a necessidade de inundar florestas. Expandir a utilização do LED nos sistemas de  iluminação pública e nas edificações. O sol. O sol é capaz de fornecer em um dia toda a enrgia consumida no planeta em um ano. Cadê os incentivos à utilização das placas fotovoltáicas? Já ouviram falar em sistemas termosolares? Há vídeos no youtube ensinando a construir pequenos aquecedores solares de baixo custo, muitas vezes com materiais reutilizados. Energia oriunda das marés. Como é que numa costa como a nossa, gigante por natureza, não há incentivo às pesquisas para avaliar o potencial da técnica? Há tantas outras alternativas que nem mesmo menciono aqui e que poderiam ter sua aplicação avaliada em favor do melhor aproveitamento energético e à favor do bolso do consumidor. Pra quê priorizar apenas as grandes corporações produtoras de energia?

Enfim, não se atenha aos pêlos na casca do ovo. O ponto onde aqui quero chegar exige apenas um pouco de visão holística. Diversificação da Matriz e Políticas Públicas, é isso que defendo aqui. Uma Usina no Pará ou uma fazenda de “cataventos” no norte/nordeste está longe de ser a salvação do Brasil no combate ao fantasma do apagão energético.

Falando nisso, aos que ainda defendem a idéia irracional da mega usina, sugiro que procurem saber mais sobre os possíveis impactos - e os ciêntistas tem alarmar bastante sobre isso - que podem ser causados com a aprovação daquela proposta nojenta de alteração do Código Florestal.

90% dos rios brasileiros são de pequeno porte e cortam áreas rurais. Rios frágeis que ao longo de seu percurso vão se confluindo em rios maiores até alimentar o reservatorio de alguma usina. Agora vá lá e pesquise na proposta do Ilustríssimo Dep. Aldo Rebelo o que acontecerá com as matas ciliares dos pequenos rios, caso aprovem esse retrocesso. Procure saber também, o quanto é gasto com a manutenção e limpeza das turbinas nas usinas hidrelétricas que tem recebido cada vez mais sedimentos oriundos dos processos erosivos. Não é preciso ser um gênio pra prever um possível apagão hídrico se continuarmos caminhando neste rumo.

Quer mais? Procure saber sobre a Usina Assis Chateaubriand e conheça a usina hidrelétrica do Mato Grosso do Sul, que viu seu reservatório desaparecer por causa dos impactos sentidos nos pequenos rios que o abastenciam.

Espero que esse texto contribua para o debate acerca do modelo de desenvolvimento que nós brasileiros queremos para o país.

Daniel Carlos Leite

2 comentários
imagem de Anônimo

Caro Daniel, eu concordo com você, em parte.

Realmente, a diversificação da matriz energética do Brasil pode ser sim uma ótima solução para o problema. Contudo, a parte de políticas públicas não me parece tão interessante. Essas políticas demandariam tempo para serem estudadas, desenvolvidas, aplicadas e produzir os resultados desejados. Claro que elas devem existir. Mas o que me incomoda é que a região Norte do país precisa de energia HOJE. E não pode ficar esperando pelo produto dessas políticas públicas.

Ainda não formei minha opinião sobre a construção de Belo Monte. Mas sou da torcida favorável aos menores impactos, sobretudo ambientais.

 
imagem de Anônimo

Esse artigo é corretissimo. Um dos caminhos mais logicos é o do fim do desperdicio! Infelizmente o que prevalece são os interesses das corporaçōes e a estupidez embalsamada dOs ruralistas.