O movimento Fortaleza Apavorada e a censura na internet

Por Ygor C.S

Trago novidades importantes sobre o caso do movimento civil "Fortaleza Apavorada", que vem juntando dezenas de milhares de fortalezenses para um protesto no dia 13 de junho e já enfrentou, nesta semana, 2 censuras "online" pela exclusão dos grupos do movimento no Facebook e um injustificável bloqueio das contas pessoais dos criadores e moderadores do movimento. Trata-se sem dúvidas de um alerta tremendo para as dificuldades enfrentadas por mobilizações legítimas de cidadãos (tema atualíssimo com os protestos em São Paulo e o alastramento de protestos na Turquia). Alerta também para a terrível constatação de que, seja quem for o autor, ainda há censura nos meios de comunicação do Brasil, sobretudo na "internet".

O Ministério Público Federal (MPF) anunciou que vai iniciar um procedimento administrativo para investigar a dupla exclusão do grupo "Fortaleza Apavorada" - na última ação com perseguição às próprias pessoas organizadoras do movimento - e tentar identificar o responsável. Veremos no que vai dar. Pode parecer pouco a "mera" exclusão de grupos online e contas de usuários, mas, comparando com os meios de comunicação à disposição nos "anos de chumbo" dos anos 1960 e 1970, essa atitude persecutória e de censura - ainda por cima reiterada - não é muito diferente da vergonhosa censura e tentativa de supressão de jornais, revistas e panfletos no Brasil ditatorial. Leia mais »

Projeto de lei prevê indenização para policiais em fronteira

Por Marco Antonio L.

Da Agência Brasil

Câmara aprova urgência para gratificação de policiais em fronteira

Por Iolando Lourenço

O plenário da Câmara aprovou hoje (5) o regime de urgência para votação do projeto de lei do Executivo, que institui indenização para policiais federais, policiais rodoviários federais e auditores da Receita Federal em exercício nas unidades situadas em localidades estratégicas vinculadas à prevenção, controle, fiscalização e repressão dos delitos transfronteiriços.

Pelo texto, a indenização será R$ 91 por dia de trabalho de 8h e devida enquanto durar o exercício ou a atividade do servidor na localidade. Com a aprovação da urgência, o presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), marcou para a próxima semana a votação do mérito da matéria. Leia mais »

O movimento contra o aumento da criminalidade em Fortaleza

Por Ygor C.S

LN, não costumo fazer "proselitismo" de forma alguma por aqui, mas como a causa é justa e não costuma ser vista todo dia no Brasil resolvi sugerir isto como post.

Em Fortaleza, um grupo de mulheres "comuns" decidiu, enfim, reunir forças, organizar um movimento, planejar uma grande manifestação e juntar-se a outros cidadãos para concretizar uma inédita demonstração de pressão popular pela priorização da segurança pública e por imediata resposta - perante o povo e por vias práticas - dos governos à desenfreada expansão da criminalidade em Fortaleza nos últimos 10 anos, sem que tenha havido um debate grande e sério nos círculos políticos do Ceará, nem propostas firmes de mudanças.

Fortaleza está passando por um momento difícil de explosão inédita da violência, mas o povo fortalezense não pretende deixar que isso seja a única coisa inédita aqui na Terra da Luz. Por isso, foi criado o Movimento Fortaleza Apavorada, que já conta no Facebook com 20 mil membros e está organizando uma grande manifestação, em 13 de junho, pela priorização e efetivação de políticas de segurança pública há muito negligenciadas no Estado do Ceará e no Brasil inteiro. Leia mais »

Sete anos do maior massacre da história de São Paulo

Programa faz retrospectiva dos atos de violência de maio de 2006

Do Brasilianas.org

Brasilianas.org desta segunda-feira (3), às 20h, na TV Brasil relembrará os atos de violência de maio de 2006, que resultaram na morte de 564 pessoas, quando o Primeiro Comando da Capital iniciou uma série de ataques ao patrimônio público e as policiais no Estado de São Paulo.

Os inquéritos das mais de 500 mortes foram fechados, sem conclusão satisfatória nos tribunais do estado o que levou grupos de direitos humanos e de mães das vítimas a pedirem a federalização das investigações, ou seja, a reabertura dos inquéritos pelo Ministério Público Federal, para que investigue os responsáveis pelo maior massacre da história do Estado de São Paulo.


Dos assassinatos por arma de fogo naquele mês, apenas 59 eram agentes públicos. Os demais foram executados, segundo a polícia, em confronto. Entretanto, muitas das vítimas apresentam marcas de terem sido executadas sumariamente, com tiros no peito e na cabeça.

CLIQUE AQUI PARA ENVIAR SUAS PERGUNTAS, que poderão ser lidas ao vivo, durante o programa.

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A retórica do debate sobre a punição da violência

Por Assis Ribeiro

Comentário ao post "A inacreditável proposta de Clóvis Rossi para a segurança"

A discussão acerca do sistema de justiça criminal entra definitivamente na agenda política, repercutida exaustivamente nos meios de comunicação.

O aumento da criminalidade e da violência pode ser explicado pela desagregação do sentido coletivo e familiar da sociedade moderna e pelo impacto da televisão na criação de padrões de consumo que trazem consequências na vida política e sociocultural.

As leis, a Polícia, o Ministério Público, o Judiciário e o sistema carcerário passam a ser cenário de discussão. As acusações de ineficácia proliferam e atingem a todos.

A retórica do debate sobre a punição invoca a figura da vítima tipicamente uma criança, mulher ou idoso, sempre um cidadão correto e íntegro que deve expressar toda a sua angústia e sofrimento e que deve ser absolutamente protegida e ter seus direitos garantidos. A vítima é tomada como uma figura que representa uma experiência comum e coletiva e não uma experiência individual e atípica. A grande mídia dramatiza e reforça a criminalidade, que além de criar o medo como forma de dominação obteve como efeito colateral o aumento das taxas de criminalidade.

Com a insatisfação aumenta a cobrança ao Estado constituindo um complicado e recorrente problema político.

As soluções normalmente apontadas para a diminuição dos crimes se limita a concentrar nos efeitos do crime muito mais do que nas causas. Os resultados são modos mais intensivos e expressivos de policiamento e de punição cujo objetivo é convencer a população de que o Estado ainda mantém sua autoridade. Leia mais »

A inacreditável proposta de Clóvis Rossi para a segurança

Autor: 

A proposta abaixo - de tratar a criminalidade paulistana como ato de terrorismo - não tem nenhuma relevância do ponto de vista de políticas de segurança. Estaria bem na boca de Ricardo Salles - o assessor do governador Geraldo Alckmin, do movimento "Endireita Brasil"- ou de qualquer blogueiro da ultradireita. E será ironizada por qualquer especialista em segurança, do mais empedernido direitista ao mais fanático esquerdista.

Mas é relevante do ponto de vista jornalístico, para mostrar como a linha política de ultradireita, adotada pelos jornais, reflete-se no colunismo.

Seu autor é Clóvis Rossi.

Não se exija dele ir às raízes maiores da violência recente de São Paulo. No jornalismo, o populismo requer apenas que o populista atenda aos anseios do leitor médio. E o estilo neocon adotado pelos jornais criou um leitor médio que quer sangue, vingança.

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O comportamento de Ronaldo Laranjeira no Roda Viva

A droga de cada um

Denis Russo Burgierman - Super Interessante

Todo mundo tem a sua droga. A da minha mãe, por exemplo, é a endorfina, nome que é uma abreviação de “endo-morfina”, ou “morfina interior”. A endorfina é um opióide, ou seja, uma droga da mesma classe do ópio e da heroína. Os opióides agem como desentupidores nas sinapses do cérebro: eles abrem os caminhos pelos quais a dopamina flui. E a dopamina é a mãe de todas as recompensas: aquela sensação gostosa, aconchegante, de bem estar, que chamamos de prazer. É a dopamina que nos dá aquele gosto doce que acaba formando hábitos. É ela, também, que, quando algo sai do controle, causa a dependência.

Minha mãe busca a dopamina dela de maneira saudável, correndo pelas ruas e pelos parques de São Paulo, subindo em pódios com medalhas douradas no pescoço – exercício físico faz o corpo produzir endorfina. Há quem busque o prazer em outras coisas.

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OEA exige explicações sobre chacina na Favela Nova Brasília

Por alfeu

Da Agência Brasil

Brasil terá que explicar à OEA investigações sobre a chacina na Favela Nova Brasília

Cristina Indio do Brasil*
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - O Estado brasileiro tem até o dia 19 de junho para apresentar à Comissão Interamericana dos Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) as alegações finais sobre as investigações da chacina, com 13 mortos, ocorrida em 18 de outubro de 1994, na Favela Nova Brasília, zona norte do Rio de Janeiro.

Segundo o assessor criminal do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ), Antônio Biscaia, que representou o MP-RJ na OEA, a comissão vai se reunir no dia 19 de julho para analisar o processo. Se entender que o Brasil não atendeu às recomendações da OEA para apuração dos fatos e desrespeitou os direitos humanos, o caso será encaminhado à Corte Interamericana de Direitos Humanos e, pela primeira vez, o país responderá ao organismo por violência policial.

“O encaminhamento à corte é um fato complicado, por que se trata de um julgamento. Sei que o governo está preocupadíssimo. Este seria o sexto caso e o primeiro relacionado à violência policial”, disse. Leia mais »

As UPPs e a criação de uma nova cultura da polícia

Por alfeu

IHU Unisinos

UPP: “a criação de uma nova ‘cultura da polícia’”. Entrevista especial com Felipe Brito e Pedro Rocha de Oliveira

“As UPPs, com uma ou duas exceções, estão todas localizadas nas áreas cruciais à mercadificação da cidade – o que, no atual contexto, significa que ou bem sediarão os megaeventos esportivos e abrigarão turistas e atletas, ou bem constituem importantes vias de circulação de e para as sedes dos jogos”, afirmam os pesquisadores.

Confira a entrevista.

Avaliar os efeitos das Unidades de Polícia Pacificadoras – UPPs, cinco anos após sua implementação nas favelas cariocas, “esbarra em dificuldades intransponíveis”, apontam os pesquisadores Felipe Brito e Pedro Rocha de Oliveira, organizadores do livro Até o último homem: visões cariocas sobre a administração armada da vida social (São Paulo: Boitempo Editorial, 2013). A primeira delas, enfatizam, segue da questão: “Qual é realmente o objetivo das UPPs? Quando perguntamos isso, vemos que os objetivos comumente ou oficialmente atribuídos elas são absurdos e irrealizáveis. É impossível, por exemplo, levar a sério o discurso sobre a tentativa de recuperar, para o ‘Estado de Direito’, territórios que estavam sob o controle do ‘crime organizado’”. Leia mais »

Sobre a violência na Virada Cultural

Por Ricardo Queiroz Pinheiro

Do Klaxon SBC

"A Virada da Violência"

“O mais perigoso, na violência, é sua racionalidade.”

Michel Foucault

Uma das doenças da contemporaneidade é a obsessão em criar falsas proteções. Muros altos e seguros com coberturas astronômicas, mudanças e recrudescimento de leis, tudo se insere na mesma cesta de abrigos esburacados e precários. A violência é a gema do ovo.

A Virada Cultural acontece em São Paulo desde 2005, não quero entrar aqui na pendenga partidária. Foi criada na administração Serra (PSDB), continuou com Kassab (DEM/PSD) e teve sua primeira edição no último final de semana com Haddad (PT).

Durante esses oito anos foram  poucos os momentos, do ponto de vista do poder público,  em que se considerou suspender o evento, na última semana foi votada uma lei que a insere nos eventos “permanentes’ da cidade. A Virada virou lei, apesar de não agradar a todos. Leia mais »

As falhas nas abordagens contra o crime

Por Assis Ribeiro

Do blog A Procura

A guerra contra o crime. Falhas nas abordagens.

 
A discussão acerca do sistema de justiça criminal entra definitivamente na agenda política, repercutida exaustivamente nos meios de comunicação.


O aumento da criminalidade e da violência pode ser explicado pela desagregação do sentido coletivo e familiar da sociedade moderna e pelo impacto da televisão na criação de padrões de consumo que trazem consequências na vida política e sociocultural.


As leis, a Polícia, o Ministério Público, o Judiciário e o sistema carcerário passam a ser cenário de discussão. As acusações de ineficácia proliferam e atingem a todos.


A retórica do debate sobre a punição invoca a figura da vítima tipicamente uma criança, mulher ou idoso, sempre um cidadão correto e íntegro que deve expressar toda a sua angústia e sofrimento e que deve ser absolutamente protegida e ter seus direitos garantidos. A vítima é tomada como uma figura que representa uma experiência comum e coletiva e não uma experiência individual e atípica. A grande mídia dramatiza e reforça a criminalidade, que além de criar o medo como forma de dominação obteve como efeito colateral o aumento das taxas de criminalidade.
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Secretário admite que PM paulista executava feridos

Do Estadão

Homicídio cai pela 1ª vez em 9 meses e governo atribui a fim de resgate da PM

Bruno Paes Manso

Depois de oito meses de alta ininterrupta, os homicídios caíram 7,8% na capital paulista no mês passado. Os assassinatos passaram de 103 casos em abril de 2012 para 95 em abril deste ano. O Estado obteve os dados com exclusividade da Coordenadoria de Análise e Planejamento, que publicará os dados oficiais no dia 25.

Houve também redução dos casos no Estado e na Grande São Paulo. No primeiro caso, foram 363 homicídios em abril, 4,2% menos do que os 379 casos de abril de 2012. A redução na Grande São Paulo foi de 2,3% - ocorrências passaram de 87 para 85 homicídios.

Para o secretário de Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, a resolução que limitou o socorro de vítimas de bala de fogo por policiais foi determinante para a reversão dos números. "Creio que melhorou porque, preservando o local para perícia, você aumenta o número de casos esclarecidos. Aumentando o número de casos esclarecidos, há um efeito pedagógico, que faz crescer a punição efetiva e a sensação de que há consequências para os crimes. Medidas que vão esclarecendo e elucidando mostram que o Estado está atuando", disse Grella. Leia mais »

Restrição a socorro de vítimas pela Polícia de SP é mantida

Do Estadão

TJ de São Paulo mantém restrição a socorro de vítimas pela PM

Volta a valer resolução que prevê que policiais devem apenas isolar o local do crime e esperar o atendimento médico

Rodrigo Burgarelli

O presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), Ivan Sartori, cassou nesta quarta-feira, 15, a liminar que determinava que os PMs devem prestar socorros a vítimas de violência. Dessa maneira, volta a valer a resolução publicada pela Secretaria de Segurança Pública em janeiro deste ano, que prevê que PMs devem apenas isolar o local do crime e esperar a chegada de atendimento médico.

Na terça, o juiz Marcos Pimentel Tamassia, da 4.ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, havia suspendido a validade dessa resolução por meio de liminar. O magistrado havia acatado os argumentos de que a resolução – cujo objetivo oficial era coibir a ação de PMs que adulteram a cena do crime com argumento de que estavam o socorrendo feridos – estava na verdade fazendo com que os policiais deixassem de prestar primeiros socorros. Leia mais »

As disputas internas na Polícia Civil do Rio de Janeiro

Por magsoa

Do blog de Roberta Trindade

Vazamento de imagens de operação revela disputa interna por cargo na PCERJ

Roberta Trindade

As imagens da operação que resultou na morte do traficante Márcio José Sabino Pereira, o Matemático ou Batgol, 36 anos – que até ontem eram definidas como sigilosas pela cúpula da Secretaria de Estado de Segurança Pública e da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro – trazem à tona a disputa pelo cargo de coordenador do Serviço Aeropolicial (Saer) da PCERJ. A divulgação ocorre um ano depois da ação e nove dias após o piloto Adonis Lopes de Oliveira, 49, entregar seu pedido de exoneração do cargo.

Nos bastidores da unidade especializada – considerada elite da instituição e referência nacional – comenta-se que o responsável pelo vazamento do vídeo foi o piloto Ronaldo Ney Barboza Mendes, 60 – denunciado pelo Ministério Público por fraude ao receber cerca de R$ 130 mil de interessados em um curso de aviação e sumir com o dinheiro sem ministrar as aulas. Leia mais »

Os perigos de se governar em função da violência

Por Assis Ribeiro

Do Terra Magazine

Governar em função do crime é perigo para a democracia

Por Marcelo Semer

Na semana que passou o DataFolha reproduziu uma pesquisa que fez quando da criação do instituto, trinta anos atrás, sobre o medo dos paulistanos.

Concluiu que, diferentemente dos anos 80, o cidadão não teme o crescimento da inflação ou a perda do emprego. Mas que o filho se envolva com drogas ou que familiares sejam vítimas de roubos.

O impacto do noticiário sobre crimes, que vem crescendo nas últimas décadas, tem estimulado enormemente esse temor. É difícil não se sentir a próxima vítima ao ver e rever crimes na TV todos os dias.

Nas últimas edições, com campanhas frenéticas pela redução da maioridade penal, a mídia diminuiu o alarido sobre o preço do tomate e o catastrofismo na economia, para se dedicar quase integralmente à violência urbana. Leia mais »