Belo Monte e o futuro da Amazônia

Por Miriam

Envolverde Revista Digital

03/02/2010 – 01h02

Belo Monte: solução burra para a geração de energia no Brasil

“Belo Monte é uma resposta medíocre para o desafio de gerar energia para o país”, diz Marcelo Furtado, diretor executivo do Greenpeace no Brasil.

Do ponto de vista ambiental, ela repete erros que o país cometeu no passado, alagando áreas de floresta relevantes para construir mega hidrelétricas. Itaipu afogou o Parque Nacional de Sete Quedas na década de 1970. Quarenta anos depois, Belo Monte vai provocar um desmatamento de 50 mil hectares em zona de mata, ainda razoavelmente conservada, em pleno coração da Amazônia.

O processo de liberação da obra mostra também como o licenciamento ambiental no Brasil andou para trás. Danem-se as necessidades técnicas e científicas do pessoal do Ibama que analisa os impactos de grandes obras no Brasil. Os recentes governos brasileiros fizeram muito para desacreditar o trabalho que envolve o licenciamento de grandes obras. Lula levou esse comportamento ao extremo e o transformou em refém dos seus desejos.

É Lula, e não a lei, quem agora define seus prazos. Qualquer resistência é recebida pelo presidente e seus ministros com uma ironia burra acerca da complexidade do trabalho dos técnicos. O argumento central é que a conservação da natureza atravanca o desenvolvimento. As 40 condicionantes impostas pelo Ibama para mitigar os efeitos ambientais da obra apenas aliviam os imensos impactos sociais e ambientais da obra. E seriam dispensáveis se o governo recobrasse os sentidos e percebesse que Belo Monte é uma obra desnecessária. Leia mais »

A Europa amiga

Por Diego

Olá Nassif,

Eu moro na Alemanha, em Aachen (divisa com Holanda e Bélgica). Trabalho na Universidade aqui (www.rwth-aachen.de).

Todos os alemaes que eu conheço são extremamente simpáticos comigo e com outros brasileiros aqui, são super interessados na cultura brasileira, aqui tem roda de capoeira, aula de forró e portugues. Me assustei com esse interesse todo quando cheguei aqui. me assutei de uma forma positiva.

Mas infelizmente ainda existem pequenos grupos de pessoas aqui que são extremamente xenofóbicos. Não gostam de imigrantes e poem sobre eles toda a culpa sobre os problemas alemaes. Mas essa é uma parcela muito pequena da população e ainda por cima existe um grande grupo que combate esses xenofóbicos. Leia mais »

Antes da luz, as trevas

Não adianta. Por mais que se decrete o fim da história, os ciclos econômicos e políticos se repetem.

Nos anos 20, o fim do sonho do liberalismo exacerbado levou, ainda durante a Segunda Guerra, à formação da estrutura de governança mundial que, com todos seus defeitos, conduziu o mundo por caminhos mais justos nos trinta anos seguintes. Mas, antes, houve o nacionalismo exacerbado, o nazismo, o fascismo.

O novo mundo que emergirá da crise será melhor. Haverá a volta do trabalho solidário, a afirmação da defesa do meio ambiente, o combate ao consumismo desvariado, o controle das grandes jogadas financeiras.

Mas antes, agora, estamos no meio do terremoto e das sombras. Ataques xenófobos contra a brasileira na Suiça, manifestações contra imigrantes na Europa, manobras protecionistas se disseminando.

Um dos desafios será impedir que essa loucura coletiva contamine as próximas eleições presidenciais. Se bem que há muito esgoto apostando na barbárie.

Raridades de João Gilberto

Ai vai o player com mais faixas do LP de João Gilberto que caiu na rede

Quem não estiver vendo o player, clique aqui.

Fora de Pauta

Para um domingo encharcado, pelo menos em São Paulo.

Os neocon em queda

Da Folha

Obama desaparelha escritório religioso criado por Bush

http://www.google.com/notebook/public/03904464067865211657/BDQbgSgoQtd2u...

SÉRGIO DÁVILA
DE WASHINGTON

Em dia dedicado à religião, o presidente dos EUA, Barack Obama, assinou ordem executiva que modifica o polêmico Escritório da Casa Branca de Iniciativas Comunitárias e Baseadas na Fé, criado em 2001 por George W. Bush, agora rebatizado de Escritório da Casa Branca de Parcerias de Vizinhança e Baseadas na Fé.

A mudança vai além do título, embora este seja importante, ao reforçar a ideia de Obama de fortalecer os grupos de base que o ajudaram a chegar ao poder. O principal, no entanto, é que o presidente inseriu no estatuto do escritório uma cláusula que determina que todo uso de verba federal por organizações religiosas seja "compatível com a Constituição" e "as leis e valores" dos EUA. Leia mais »

Até os conservadores mudam

A grande mentora do chamado neoliberalismo foi Margareth Thatcher e o partido conservador inglês,

A crise está provocando uma rapidíssima mudança nas idéias dos conservadores, como se verá abaixo.

No meu livro "Os Cabeças de Planilha" procurei explorar os novos caminhos do pós-crise. E eles passavam pelo fim da dicotomia esquerda estatista-direita monopolista, pelo fortalecimento dos arranjos produtivos locais, das pequenas e micro empresas, pela inovação tecnológica se disseminando e não sendo controlada apenas pelas grandes corporações.

O fecho do livro é uma entrevista com Fernando Henrique Cardoso onde esses temas eram abordados. É interessante rever a entrevista. Apesar de sua formação sociológica, de sua experiência como presidente da República, de sua convivência com a elite intelectual e política do mundo, FHC continuava preso aos mesmos paradigmas de um modelo que já fazia água desde 2002. Insistia que o desenvolvimento só poderia ser comandado pela grande corporação.

Leia com atenção as dicas do leitor Marcos Banik, pois são preciosas para entender os novos tempos e comprovar como os conservadores de lá são muito melhores do que os nossos conservadores.

Para quem não entender as citações em inglês, faço um pequeno resumo dos artigos no final. Leia mais »

O Fórum Social

Por Edmar Roberto Prandini

Nassif, como você disse, caso houvessem notícias sobre o Fórum Social Mundial você estaria aberto a divulgá-las. Por essa razão, sem poder este ano comparecer, tenho procurado acompanhar à distância e ver como posso replicar informações. Leia mais »

Sobre esquerda e direita

Reproduzo um comentário do Carlinhos CHATO (é o nick dele) e minha resposta, que pode dar uma  boa idéia dos exageros de tentar reduzir todas as discussões à divisão esquerda-direita, Lula-anti-Lula.

Do Chato

Nassif, o macarthismo direitista investiu contra os valores fundamentais da cultura americana, também direitistas. O problema é que muitos comentaristas por aqui acham que direita é apenas "macarthismo" e "fascismo", por isso acham que o mundo seria muito melhor sem ela.

São o equivalente à parcela da direita que acha que todo esquerdista é "comunista".

O fato é que a criação da democracia moderna foi uma idéia, sim, "de direita". A esquerda só foi aceitar a democracia com a consolidação dos partidos social-democratas na Europa.

Comentário

Washington, Jefferson e outros eram direita, antes mesmo da invenção das ideologias. Não exagere, né? É o mesmo que dizer que Keynes era esquerda, por propor papel mais ativo ao Estado. O racismo é direita ou esquerda? Os direitos humanos são de direita ou de esquerda? A Revolução Francesa era de esquerda ou de direita? Não dá. Há valores que estão acima dessas divisões - que, admito, são recorrentes nos comentários. Outro dia almocei com o Marcos Lisboa, que acaba de descobrir os programas de qualidade (que existem no Brasil desde os anos 80). E tentou associá-los ao ideário neoliberal. É por isso que as grandes mudanças se passam ao largo dessa compartimentalização de lado a lado.

A Ambev e o Bolsa Família recorrem aos métodos de gestão pela qualidade.

PS - No fim, estamos falando a mesma coisa. O Chato criou uma caricatura para demonstrar outra. Como deixei minha resposta por último aqui na nota, está aberto para a réplica dele. Leia mais »

O Fórum Social Mundial

Por Edmar Roberto Prandini

Acho que valeria alguma matéria sobre o Fórum Social Mundial. Estou achando que vão tentar uma operação abafa no noticiário, dada a relevância e a oportunidade da crítica. Pelo que estou sabendo, participarão em eventos, em Belém, o Lula, o Chaves, o Morales, o Lugo e o Correa. Mais de 8 mil jornalistas e mais de 80 mil inscritos.

Estive em todas as edições em Porto Alegre e reputo ao Forum Social Mundial um poder de disseminação extraordinário.

É uma das mais inovadoras criações dos movimentos sociais, mundialmente falando, tendo tido valiosa contribuição de dois brasileiros no seu pontapé inicial: Francisco Whitacker - extraordinário! e Oded Grajew, além do apoio de Bernard Cansin, do Le Monde Diplomatique.

Destaco também a intensa participação do sociólogo português Boaventura de Souza Santos, que tem produzido, na interlocução com estes movimentos, uma inovadora epistemologia da sociologia das emergências. Alguns dos temas são “democratizar a democracia”, a rejeição ao “desperdício da experiência”, dentre outros.

Comentário Leia mais »

A nova era nos EUA

Um bom levantamento das mudanças em curso nos Estados Unidos, em artigo de Conor Dougherty, The Wall Street Journal, publicado pelo Valor:

• Os EUA estão bem avançados em tornar-se um país com uma "maioria de minorias", onde menos de metade dos habitantes será de brancos de ascendência européia , o que despertará questões de identidade e coesão nacionais.

• Empregos de boa remuneração na indústria de transformação continuarão a desaparecer, como vem acontecendo há décadas, mas agora empregos bem pagos no setor financeiro provavelmente também desaparecerão.

• Entre as faixas etárias de maior crescimento está a de americanos entre 55 e 64 anos; esse aumento ressalta o crescente ônus do sistema de saúde e de aposentadoria.

• Os americanos estão mais apreensivos do que em décadas sobre seu futuro econômico.

• A cultura também está em fase de mudança. Mais americanos buscam suas notícias e entretenimento na internet, uma mudança que transformou setores da mídia influenciadores de opiniões e cultura.

• Embora um porcentual maior de americanos gradue-se em universidades, o diploma não assegura salários crescentes. Leia mais »

Os mitos fundadores

Atualizado

Por Helô

Vejam que beleza Saramago escreveu sobre Obama:

Donde?

por José Samarago

Donde saiu este homem? Não peço que me digam onde nasceu, quem foram os seus pais, que estudos fez, que projecto de vida desenhou para si e para a sua família. Tudo isso mais ou menos o sabemos, tenho aí a sua autobiografia, livro sério e sincero, além de inteligentemente escrito. Quando pergunto donde saiu Barack Obama estou a manifestar a minha perplexidade por este tempo que vivemos, cínico, desesperançado, sombrio, terrível em mil dos seus aspectos, ter gerado uma pessoa (é um homem, podia ser uma mulher) que levanta a voz para falar de valores, de responsabilidade pessoal e colectiva, de respeito pelo trabalho, também pela memória daqueles que nos antecederam na vida. Estes conceitos que alguma vez foram o cimento da melhor convivência humana sofreram por muito tempo o desprezo dos poderosos, esses mesmos que, a partir de hoje (tenham-no por certo), vão vestir à pressa o novo figurino e clamar em todos os tons: “Eu também, eu também.” Barack Obama, no seu discurso, deu-nos razões (as razões) para que não nos deixemos enganar. O mundo pode ser melhor do que isto a que parecemos ter sido condenados. No fundo, o que Obama nos veio dizer é que outro mundo é possível. Muitos de nós já o vinhamos dizendo há muito. Talvez a ocasião seja boa para que tentemos pôr-nos de acordo sobre o modo e a maneira. Para começar.

http://caderno.josesaramago.org/2009/01/20/donde/

Por Renato

Sobre “recuperar velhos valores ancestrais”… Eu acho que isso é um dos principais componentes que explica o sucesso norte-americano como nação: a existência de um mito fundador. Os “founding fathers” representam homens feitos apenas de virtudes, com valores a serem venerados e seguidos independentemente dos tempos. Sempre que a sociedade norte-americana se desvia, há alguém para invocar essa memória mítica em nome da democracia, da liberdade e da justiça.

Não creio que em qualquer lugar do mundo exista um mito fundador tão forte, capaz de agregar a nação em torno de ideais comuns. Veja a reverência com que os norte-americanos tratam os seus fundadores e a chacota que nós brasileiros fazemos de D. João VI, Carlota Joaquina, D. Pedro I, Marechal Deodoro… Leia mais »

Lula, Obama e Sarkozy

Por paulo frança

Lula, Obama e Sarkozy são modelos do século XXI, diz especialista

Nova York - Vice-Presidente do think-thank Public Agenda e autor de Forgive Us Our Debts: The Intergenerational Dangers of Fiscal Irresponsibility, publicado nos Estados Unidos pela editora da Universidade de Yale, Andrew L. Yarrow defendeu, em artigo publicado na página de opinião do The Baltimore Sun, que a apologia da impossibilidade funcional dos governos está com os dias contados. E que um trio de líderes - formado pelo recém-eleito Barack Obama, o presidente francês Nicolas Sarkozy e o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva - representam a ascendência, no mundo ocidental, do idealismo, do ativismo e da cooperação supra-partidária sobre o unilateralismo, a política mais convencional e o apadrinhamento de aliados característico da administração Bush.

Professor da American University e consultor do centrista Brookings Institution, Yarrow vai além e propõe o estabelecimento de uma nova era, calcada na imagem dos presidentes de Brasil, França e EUA. “Prestando atenção no simbolismo político dos três estadistas, vê-se que o mundo democrático está entrando em um novo período, tão definitivo e transformador quanto o pacto social-democrático de Franklin Delano Roosevelt após a Segunda Guerra Mundial, o chamado Consenso Liberal, ou a Ascensão Conservadora das últimas três décadas, marcadas pelas políticas de Ronald Reagan e Maragareth Thatcher”, escreve. (continua)

Por Martin

Putz! O Obama ainda nem tomou posse e já se tornou modelo do século 21? Deve estar escrito nas estrelas.
Sarkozy: um link contido no próprio artigo mostra o desacordo de alguns franceses com esta tese.

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O "poder brando" da China

Quais serão os elementos de "poder brando" da nova potência que emerge, a China?

Os filmes épicos chineses, como "O Herói" desenham alguns desses elementos. Há valores típicos do faroeste - o herói solitário, lutando contra o opressor -, mensagens sobre a importância da solidariedade para vencer os desafios, a fantasia extraordinária, retirada das lendas chinesas - as lutas, os movimentos de objetos - atores bonitos para o gosto ocidental.

O que mais a China tem produzido de poder brando, nesses seus primeiros passos rumo à hegemonia?

PS - Estava lendo outro dia meu "Thesouro da Juventude", edição de 1925. No capítulo sobre a China dizia-se que, depois de séculos e séculos, ela começava a sair da toca e caminhava para ser uma grande nação mundial.

O admirável mundo novo

Não consegui encontrar o link do artigo "E venceu a frugalidade", do Sérgio Augusto, no caderno Aliás do Estadão. Clique aqui (com a ajuda de vocês, achei).

O Sérgio é um craque que junta experiência de vida, leitura eclética, pesquisa, anti-pedantismo (que acomete todos os candidatos a Paulo Francis) e sensibilidade social e política.

O artig analisa um dos aspectos mais relevantes da atual crise mundial: a frugalidade, imposta pela crise econômica.

O artigo ainda se concentra muito nas consequências imediatas da crise sobre diversos setores das artes - arquitetura, revistas, cinema.

Mas um tema recorrente, nos próximos anos, será a mudança radical nos hábitos, costumes, valores, onde a tônica será, justamente, a frugalidade, a solidariedade, o fim do consumismo desvairado, da busca do sucesso a qualquer preço, da possibilidade das grandes tacadas financeiras - com profundas implicações sobre a formação dos jovens.

Vem aí um mundo novo, cujo profeta é meu amigo e guru Ignacy Sachs.