O contrato social quebrado

 -CASTLE

Caros geonautas,

Comentários aos posts: O grande momento da cidadania e André Singer e o novo conflito da distribuição de renda. 

O mundo pegando carona na terra brazilis, até Barack Obama (foto abaixo), e o governo da terrinha?

O contrato social quebrado, vinte centavos ($0,20) é um pequeno passo, mas um novo recomeço, para os jovens e o Brasil como um todo, começar a entender que, simplesmente, necessitamos re-contruir um país para a maioria do povo, parafraseando Neil Armostrong, um pequeno passo para o povo, mas para uma gigante mudança na sociedade, de quem não tem uma história com "the founding fathers", como outras nações, temos sim os "stepfathers" (damn- malditos), como revelou Luiz Felipe de Alencastro, a "elite marginal- oligarquica" comprou a nossa independência pagando a divida de Portugal con a Inglaterra (enquanto A. Jackson no tio sam expulsava o Banco Rothschild, o Brasil fazia um empréstimo com os Rothschild de Londres, via U.K., o dinheiro só trocou de banco e de endereço, mas não do país), entre 1829-32, e D. Pedro I assumir a coroa em Portugal, divida que carregamos até o fim do império e nascimento da República, ainda "República Inacabada" (e inacreditavelmente, ainda ninguém fala, o Brasil não sabe e não é dito nas escolas). Esse gigante mudança da sociedade não vai ocorrer da noite para o dia, serão gerações para conquistar a soberania, se a luta continuar, simplesmente criar uma nova elite e uma nova sociedade, coisas que eu não creio, não acredito que vá ocorrer em meu tempo de vida, para meados do século XXI e segunda metade, mas quem viver verá, o que será, será!

O 'Brasil Nação' hoje é a Alemanha de Friedrich List em 1841 (04-04-13)

A 'bravata' do lulismo: “Temos um projeto político” (22-02-13)

A terceira alma do PT: o caminho para a centro-direita? (17-10-12)

Alea jacta est, quem viver verá!

Sds,

English:

The social contract broken, twenty cents ($ 0.20) is a small step, but a new beginning, for the young and Brazil as a whole, begin to understand that simply need to re-build a country for most of the people, paraphrasing Neil Armostrong, a small step for the people, but for a giant change in society, who does not have a history with "the founding fathers", like other nations, we do have the "stepfathers" (damn), as Luiz Felipe de Alencastro revealed, the "marginal-oligarchic elite" bought our independence by paying the debt of Portugal with England (as A. Jackson on uncle sam cast out the Rothschild Bank, Brazil had a loan with the Rothschilds of London via UK, the money just switched bank and address, but not the country), between 1829-32, and D. Pedro I take the crown in Portugal, divide that we carry to the end of empire and the birth of the Republic, yet "Republic Unfinished" (and incredibly, still nobody talks, Brazil does not know and are not told in schools). This giant societal change will not occur from night to day, will generations to gain sovereignty, if the struggle continues, simply create a new elite and a new society, things that I do not believe, do not believe in my lifetime, to mid-twenty-first century and the second half, but those'll live, what will be, will be!

Obama na carona da terrinha:

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Análise na medida: 

Os protestos e a natureza da crise, por Aldo Fornazieri

Enviado por luisnassif, sex, 21/06/2013 - 07:27

Os protestos e a natureza da crise

Por Aldo Fornazieri, especial para o Blog

A amplitude e a magnitude dos protestos indicam que há uma crise. Esta crise é menos de superfície e mais de profundidade, menos institucional e mais de governança, menos social e mais moral e de perspectiva. É também uma crise da alma, de necessidades, desejos e frustrações. O seu pano de fundo é a própria mudança social que ocorreu no Brasil nos últimos anos.

A Crise de Governança

A crise atual não é uma crise institucional clássica, de confronto entre poderes ou de risco de ruptura da ordem democrática e de golpe militar. Ao menos, até agora, esta questão não está posta. A fúria dos manifestantes se dirige contra os governos, todos os governos, mas não necessariamente contra o Estado. Pelo contrário: querem que o Estado resolva seus problemas. É exatamente aí que está o problema. O Brasil vem se caracterizando por ter governos, de todos os partidos, que não são capazes de resolver os problemas sociais – nomeadamente os do transporte público, os da saúde, os da educação e os problemas ambientais  e de cultura e lazer das grandes cidades. A lista é longa. Depois das políticas de inclusão e de renda houve uma espécie de falência da capacidade de inovação em políticas sociais. O Estado vem se revelando uma máquina pesada e ineficiente, que custa caro ao contribuinte e sem capacidade operacional.

Os governos não são capazes de produzir uma sociedade equilibrada, com uma distribuição adequada dos recursos públicos, de renda e riqueza. As classes médias baixas e a classe média percebem que tem dinheiro para os estádios da Copa, para as empreiteiras que superfaturam obras, para a isenção do IPI dos carros, para a isenção de taxação das grandes fortunas e dos bancos, para a farra do BNDES que financia empresas que nunca pagarão os empréstimos etc. Só não tem dinheiro para garantir os direitos básicos de milhões de pessoas, que vivem o inferno do trânsito e do transporte público das grandes cidades e a tragédia da saúde pública. Essas classes percebem aquilo que muitos estrangeiros já perceberam: “O Brasil é um país fantástico. É um dos poucos países do mundo que tira dos pobres para dar aos ricos”. O sistema tributário e a destinação dos recursos públicos são provas disso.

Os Representados e os Não Representados

As mudanças sociais ocorridas no final do século XX e no início deste século XXI criaram uma nova morfologia da sociedade. Com a ascensão dos serviços e com a revolução tecnológica a formação social da era industrial, com a tradicional divisão de classes, existe apenas residualmente. O que surgiu foi uma sociedade muito mais complexa, com uma variedade de subdivisões sociais relacionadas às tipologias do trabalho e renda.

Se somarmos os processos de luta pela redemocratização do Brasil, com conquistas sociais, de renda e de inclusão social após o período de redemocratização com a complexificação da sociedade, percebemos que, na sua forma empírica, a sociedade brasileira foi se dividindo em duas: 1) a sociedade representada pelos partidos, pelas corporações, pelos sindicatos, pelo Estado e pelos programas sociais e, 2) a sociedade não representada por essas instituições. A sociedade não representada também teve ganhos nos últimos anos, mas agora parece ter chegado ao limite. A sociedade não representada é composta pelas inúmeras subdivisões das classes médias baixas e classes médias médias. Foram os que ganharam menos. São os que têm uma seguridade social pública precária e aqueles que têm que comprar uma seguridade social cara no mercado. São os filhos dessas classes que estão engrossando as fileiras dos protestos nas ruas.

A sociedade representada teve nos partidos, nas políticas governamentais, nos sindicatos, a organização de suas necessidades, de suas demandas e de suas conquistas. A sociedade representada está relativamente satisfeita. De modo geral apoia o governo e olha os acontecimentos atuais com uma certa perplexidade. A existência dessas duas sociedades mostra que a Pax Petista e ambígua: em parte ela é real e em parte é enganosa.

O PT Perdeu o Rumo da História

O PT é responsável pelas principais conquistas sociais das últimas décadas, seja na sua virtuosa luta na oposição, seja com as políticas sociais no governo. Mas o PT caiu na mais elementar armadilha dos partidos e Estados (e até indivíduos) que conquistam o poder e adquirem nele uma certa estabilidade: perdeu a virtude da luta, assumiu várias práticas corruptas, perdeu a perspectiva da diferença etc. Ninguém, impunemente, aperta a mão de Maluf, apoia Renan Calheiros e aceita Marcos Feliciano. A lista seria longa.

O que ocorreu foi o seguinte: ao conquistar sindicatos, entidades, prefeituras, mandatos legislativos, governos estaduais e o governo federal, a militância ascendeu socialmente, melhorando a renda e o status social. Na medida em que a velha ideologia marxista faliu, o PT ascendeu sem uma ideologia republicana e estoica, da preeminência do bem público, da virtude da luta etc. Quanto isto acontece, normamente, aquilo que era virtude ontem, torna-se corrupção hoje. O PT não tinha em sua liderança um Péricles, um Cipião, um Cincinato, um Camilo ou mesmo um Washinton, um Thomas Jefferson ou um Lincoln – lideres que souberam temperar as vitórias e conquistas com as virtudes republicanas.

Os líderes do PT deixaram de tomar Conhaque de Alcatrão de São João da Barra no boteco da esquina e passaram a bebericar os melhores Whiskys, vinhos franceses e a frequentar restaurantes finos e hotéis luxuosos. Os convivas dos jantares das lideranças petistas são banqueiros, empreiteiros, grandes industriais, financiadores de campanhas etc. Líderes e partidos que corrompem seus princípios e seu modo frugal de vida, mudam de lado e perdem a perspectiva da história. O debate político e estratégico minguou e o governo está sem rumo. Dilma não consegue dar um rumo programático e moral ao país. É um governo sem um discurso coesionador, condutor e dirigente. A oposição está moribunda. O PT poderá se regenerar? Eis a dúvida! Não existe a luz da esperança na política brasileira.

Os Jovens e a Crise da Alma

Vivemos num mundo marcado pela falta de sentido e significação pessoais. A vida parece fútil e muitos se sentem desnecessários. Se cada um se perguntar “quem precisa de mim”, a reposta será difícil, pois as relações são marcadas pela indiferença, pela impermanência e pela volatilidade. O hedonismo efêmero tomou conta das pessoas, seja nas relações interpessoais ou no consumo. A presente revolta dos jovens é também uma revolta contra esta angústia de uma existência inútil, da indiferença humana. Por isto decidiram, através da Internet, trocar a frieza e a solidão angustiante da própria Internet pelo calor e barulho das ruas e praças. Ali há contanto humano, solidariedade, coragem, luta e orgulho.

Sentir-se útil e reconhecido, eis uma das principais motivações dos protestos dos jovens! “Orgulho de ter participado desse momento histórico para o Brasil !! Orgulho de ter lutado junto ao povo contra esse sistema de opressão da policia e da mídia manipuladora !! Orgulho de ter sido atingido por bombas de gás com os parceiros de luta!!! Orgulho de ver o povo na rua!!! Hoje me deu orgulho de ser Brasileiro !!”. Estas palavras, escritas pelo meu filho Federico no Facebook, são a expressão do sentimento de milhares de jovens que querem ser reconhecidos. Reconhecimento que lhes é negado pelos governos, pelos partidos, pelos sindicatos, pelas entidades estudantis, pelas ONGs, pela mídia manipuladora e pelo modo de vida hostil das grandes cidades.

Os Rumos do Movimento

Até agora o movimento tem um sentido altamente progressista, é um acontecimento histórico e marcará o futuro próximo. Embora existam reivindicações definidas, é também uma espécie de movimento de todos contra tudo. É uma fúria desesperada pela esperança. É um movimento multissocial e multitemático. Para ser um movimento pelo Brasil precisa ser um movimento por mais justiça e igualdade. É uma luta pelo reconhecimento dos não reconhecidos e de representação dos não representados.

Mas se o movimento não definir sua fisionomia, seu programa, seus objetivos, poderá se tornar um movimento do nada contra o nada. O que preocupa é que existem grupos neofascistas violentos no seu interior. Existem também grupos conservadores que querem viabilizar uma pauta de direita e de retrocessos sociais. Se a luta é por liberdade, direitos, contra a corrupção e por um Brasil melhor e mais justo, essas perspectivas conservadoras e neofascistas precisam ser barradas.

Todos têm direito de se manifestar. Quando só alguns querem esta exclusividade, a situação fica perigosa. Esta é uma advertência que paira sobre o próprio movimento. Ele terá que decidir se quer tirar um saldo político e organizativo dessa energia toda ou ser quer auto-exaurir-se em desperdício e frustração. Nos nossos corações e nos nossos conselhos devemos querer que ele seja partícipe da construção de um país mais justo e humano.

Aldo Fornazieri – Diretor Acadêmico da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP).

 

Menino de Engenho - engenharia de idéias e laços sociais. “A leitura do mundo antecede a leitura da palavra”. Quem sou e de onde vim?: http://www.advivo.com.br/blog/oswaldo-conti-bosso/quem-sou-e-de-onde-vim

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