O 'Brasil Nação' hoje é a Alemanha de Friedrich List em 1841

Caros geonautas,

Alfredo Bosi lembra-nos, “nada se aprende fora da história”, quando o alemão Friedrich List lançou seu livro em 1841, “Sistema Nacional de Política Econômica”, ele foi simplesmente massacrado pela elite alemã de sua época, a elite e a economia alemã era fortemente vinculada e dependente no comércio do império britânico, e a Alemanha não era ainda um país unificado, o que ocorreu em 1871 com Bismarck e só se consolidou como nação no fim do século XIX e início do século XX.

O primeiro país a entender e traduzir o livro de List, poucos anos depois, foi os EUA, pois tinha tudo a ver com a experiência de Friedrich List nos EUA, as assimilações das ideias de Alexander Hamilton como primeiro secretário do tesouro dos EUA no final do século XVIII (Report on Manufactures: Communicated to the House of Representatives, December 5, 1791)  e principalmente o livro de Henry Clay, “American System” (1827), que na mesma linha de Hamilton, defendia uma doutrina de proteção contra o liberalismo inglês.

No período de 1829 a 1832, o Presidente Americano Andrew Jackson, em defesa dos bancos nacionais americanos, não renovou a carta de crédito do Banco Rotshchild, o banco quebrou nos EUA em 1932, enquanto no Brasil, no mesmo período, Dom Pedro I negociou com o império britânico, para o Brasil assumir a enorme divida de Portugal, e ele assumiu o trono português (1831), deixando seu filho no império ao sul do equador. Dívida essa financiada pelo Banco Rotshchild de Londres, ou seja, o dinheiro nem saiu da Inglaterra, como revelou o historiador, Luiz Felipe de Alencastro, “o Brasil na prática, foi um dos poucos países do mundo que comprou sua independência, divida que levamos até o fim do império e início da República”.

O final do século XIX, do fim do império e início da República, o Brasil tinha uma característica peculiar como imagem no mundo europeu, conforme demonstra em seu livro, “Os Cabeças de Planilhas’ (Luis Nassif), existia nas comédias encenadas em Paris, a figura do personagem brasileiro que dava o golpe financeiro em seu suposto país, Brazil zil zil (sic,sic!), e viajava para a Europa, para gastar seu dinheiro na França.

O Brasil de hoje, do lulismo que não tem um projeto de país, A 'bravata' do lulismo: “Temos um projeto político” (22-02-2013),  e o Brasil dos falsos liberais, que no fundo são os mesmos entreguistas desde o Brasil colônia. “O velho entreguismo revestido de modernidade”: A ideologia neoliberal da Casa das Garças (02-04-2013), que tem como projeto, primeiro a defeso dos interesses internacionais, e depois, se possível, os interesses e as sobras para o Brasil.

O Brasil ter negros na Diplomacia é um sonho a perder de vista, o “bolsa diplomacia” em tese já começou. Os EUA ativou a IV Frota Marítima após o “Pré-sal”, e colocou um almirante negro no comando, Luiz Felipe de Alencastro perguntou: cadê os nossos negros nas forças armadas? Está tal qual os negro na diplomacia ou no alto escalão da funcionalismo público.

O Brasil que tive a prepotência, a arrogância e a infantil inocência-estúpida de sonhar, como muitos, como as ideias de 2009 e 2010 no retorno a terra brasilis, “Desenvolver um século numa geração - Dobrar a aposta de JK”, ou no ano seguinte, inspirado em John Kenneth Galbraith, “Brasil, a primeira sociedade afluente dos trópicos?

Creio ter caído na real, a colheita não é anual e nem em década, são décadas, é secular, de nossa história patrimonialista. Confesso, com meus limitados conhecimentos e certa consciência, e sob os efeitos de anos em estudos de cenários prospectivos (como os textos: O lulismo e a desafiante do poder, Marina Silva, são fruto desse linha de pensamento), na qual um deles diz na imaginação do futuro incerto e não sabido, que a luz no fim do túnel está longe, essa é uma possibilidade que creio hoje, jamais verei em vida, mesmo que viva mais algumas décadas. Essa é uma construção, uma pequena possibilidade que nos leva para meados do século e a sua segunda metade. “O rei está nu”, e o patrimonialismo mais forte ainda (a condenação do jornalista L. C. Azenha é só a ponta do iceberg, "efeito colateral"), tudo como Dantes no quartel de Abrantes.

Pano rápido, trocando em miúdos, o estágio do “Brasil Nação” de hoje, guardada as devidas proporções e histórias, pode-se dizer, é o mesmo da Alemanha de Friedrich List de 1841. Estamos em algum ponto entre Friedrich List e a unificação alemã de Bismarck, pois estamos a quase dois século desde a independência - a inacreditável independência comprada,  história ainda não contada nos livros de história nas escolas, e ainda estamos entre as sociedades mais desiguais do planeta, e deste estágio para tornar-se uma nação soberana, tem chão, muito chão ‘mermão’. Será com um tremendo orgulho, admitir no logínquo amanhã, que estava errado.

Minha esperança, meu desejo num cenário possível para as próximas gerações construir uma sociedade brasileira diferente de sua história passada, seculares, que se tem pontos positivos, temos também muitos pontos negativos, herança do "positivismo" da "ordem e progresso", secularmente vergonhoso, somos uma sociedade que a quase dois séculos, não atingimos o bem estar da maioria da população, e o erro não é a falta de cultura ou de educação da população, mas de sua elite.

Em relatório recente da ONU o Brasil possui 11% de sua população com curso superior, a Argentina e o Chile têm índices acima 30%, os países da OCDE, acima de 50%, em cursos técnicos, segundo o SENAI (2012), temos apenas 6% da população formados com cursos técnicos, os países da OCDE é acima de 40% e o Japão atinge a marca de 56%. Os dados mostram que temos muito, mas muito mesmo a caminhar.

O desenvolvimento da sociedade brasileira que inclua o povo, não pode e não deve ser apenas medidos com números quantitativos de cursos superiores ou cursos técnicos comparados com os países da OCDE, faz-se necessário, o fator qualitativo na equação, além dos números, criar uma nova sociedade com "vida qualificável" para a maioria do povo, esse é o desafio maior, para deixarmos de ser uma sociedade secular primária, passar de uma "elite marginal", para lembrar Raymundo Faoro, para uma nova elite que represente a maioria do povo. Certamente não será fácil, mas é um sonho possível.

Quem viver verá!

Oswaldo Conti-Bosso

Engenharia de ideia e laços sociais: Quem sou e de onde vim?

P.S.: O nome do Jornal que entrevistou List em 1841 (arquivo abaixo), chamava-se, "Nação Soberana", qualquer semelhança com a realidade da Alemanha do período, deveria ser mera coincidência. "Rapadura é doce, mas não é mole não".

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