Eduardo Campos e o canto da sereia

O drama épico de Ulisses: "o homem amarrado a estrutura da civilização que segue seu rumo inexorável".

A narrativa homérica da história de três mil anos atrás, a poesia épica, história oral passada de geração à geração, por mais de meio milênio, até se tornar uma história escrita: A ODISSEIA DE HOMERO. No Canto XII da Odisséia, Homero diz que Ulisses não cedeu ao canto e encantos das sereias, alertado pela deusa e conhecedor da natureza frágil do homem, perante as provocações e ameaças, antecipou-se ao futuro, tapou os ouvidos de seus companheiros marinheiros e amarrou-se a estrutura do barco, quando da passagem pela perigosa região do mar, para não ceder ao canto e encantos das sereias.

Eduardo Campos, bem diferente de Ulisses, o herói homérico, o nosso herói pernambucano, vive seu próprio momento épico de distopia, ouviu o canto e encantos das sereias, os analistas políticos de plantão sobre o cenário político futuro, “Marcos Nobre e a aposta na candidatura de Eduardo Campos em 2014” (Brasilianas, Outubro de 2012):

O lulismo e a desafiante do poder, Marina Silva  (post de 13-02-13)

Uma aposta na ruptura da polarização entre PT e PSDB (post de 15-01-13),

Ele sinalizou pular do barco, mas não sabe se pula ou não, num morde e assopra, num faz que vai e não vai, numa encenação que remete-nos a história recente do imaginário mundo da política, o próprio espírito tucano, o pássaro político que adora ficar em cima do muro, ele ameaça pular do barco e abandonar os companheiros do governo, mas ao mesmo tempo, não quer largar o osso, como se existisse a figura de uma fêmea meio grávida.

A essa altura do campeonato nacional, será que se voltar atrás nesse ponto em que se encontra (algum lugar no meio do caminho), ele ainda vai alimentar esperanças de ter o apoio do governo em 2018?

Como se diz lá no interior, “a porca vai torceu o rabo”, já estão chamando “urubu de meu loro”, o caminho sem volta: a emenda pode ficar, ou já está pior do que o soneto?

Ele já está na mão da oposição?

“Agora Inês é morta”, dizia o cancioneiro medieval, Ulisses sabia para onde ia e o que queria, voltar para Ítaca.

Desde o tempo pré-humano, da idade da pedra lascada, o mundo muda, mas os problemas humanos permanecem os mesmos: poder, dinheiro, amor, ódio e o ego.

Bem diferente de Ulisses, a sereia venceu.

Alea jacta est”, quem viver verá!


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