Antonio Candido, o pequeno grande homem

Prezados geonautas,

Uma história bonita, bela, belíssima, uma história de "Parceiros do Rio Bonito", uma história da "Formação da literatura brasileira", uma história da "Dialética da Malandragem". Uma história de dar inveja, das boas, uma história de uma figura ímpar de nossa história, o último dos moicanos da geração de 1930, que conviveu com Mário de Andrade, Oswald de Andrade, ....

Antonio Candido, certa vez nomeou Gilberte Freyre, Sérgio Buarque de Hollanda e Caio Prado, como os demiurgos do Brasil, há tempos podemos dizer que nessa lista de demiurgos do Brasil entram muitos outros, desde Euclides da Cunha, inclusive o próprio Antonio Candido, um interprete do Brasil.

Antonio Abujamra costuma perguntar aos seus intrevistados, "O que é a vida?"

Programa Provocações (614): Antonio Abujamra entrevista o pesquisador Vladimir Sacchetta. Como ele se define, foi do "exército de Brancaleones" do sociólogo Florestan Fernandes na constituinte de 1987.

Abujamra: A campanha de Florestan teve o apoio decisivo do Professor Antonio Candido, é verdade?

Vladimir: Com relação a Antonio Candido tem um história muito bonita, assim acho que hoje eu posso divulgar, quando fechou o ciclo para primeira campanha dessa constituinte (1986), ele não queria que isso fosse público, acabou a campanha, Florestan foi proclamado eleito, Antonio Candido me telefona e me diz o seguinte: quanto é que vocês estão devendo?

Vladimir: Professor, um pouquinho, porque a gente nunca teve dinheiro, a gente sempre deu passo menor que a perna, né, então é pouca coisa.

Candido: mas quanto?

Vladimir: Eu não tenho esse número na ponta da língua, mas eu vou me formar e lhe digo. E apurei e no dia seguinte ou dali a dois dias, falei com o professor e disse, estamos devendo em torno de dez mil reais ou quinze mil reais (em valores da época, que a moeda ainda não era real).

Candido: Você pode passar aqui?

Vladimir: ele me chamou na casa dele, e me deu um cheque exatamente naquele valor, eu falei, mas professor, o senhor é um intelectual, não é um empresário, não é um banqueiro,...

Candido: Fica tranquilo Vladimir, porque esse dinheiro é fruto de um prêmio de literatura que eu ganhei, eu faço isso com muita alegria, para que vocês zerem essa conta e comecem a pensar no mandato.

Caros e nobres geonautas, pano rápido, é esse Brasil que precisa e vai dar certo, mesmo eu não vendo em vida, é o que acredito.

Vídeos: 
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Provocações 614 com o pesquisador Vladimir Sacchetta - bloco 3 - 21/05/2013
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