PORÇAO INDIVIDUAL
Enviado por Mathilde D'Antanho, sex, 30/12/2011 - 18:00PORÇAO INDIVIDUAL
12/04
E se por fim eu reconhecesse que você não virá?
E se, então, eu não saísse às ruas nessa procura
Desnecessária,
Que ao final só me conduzirá ao mesmo de ontem?
Se eu não contasse com seu lugar à mesa,
Se não houvesse, como não há, razão para contigo
Ou teu, ou nosso,
Conosco, nós ou você?
E se eu, finalmente, eu, desse razão ao espelho,
Olhasse em volta e
Enxergasse que não há motivo ou porquê;
Que tudo está bom como está,
Que, para um, o que existe já dá,
Que não há pretexto para uma mesa,
nem toalha de mesa, nem copo, nem taça;
E que, logo, são dispensáveis a meia-noite,
O bom natal ou o ano bom,
Já que tudo é simples, único, individual?
Se no término da mão pendente só restasse a madrugada de amanhã
Com o sol já nascente,
Não haveria véspera de nada,
E, portanto, não haveria a espera por algo,
que, afinal, não existe, nem existirá.
Só mais um dia, outro dia,
Nenhum significado especial
Que o somar inútil do tempo
Em inexorável contagem regressiva.
E se ao fim e ao cabo, eu, sempre eu, decidisse
Reservar lugar para um,
Para então descobrir,
Que tudo é assim mesmo,
Que vida não é substantivo coletivo?



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