POR QUE INDIGNAÇÃO OU SURPRESA COM O CONSERVADORISMO MÉDICO?

Ora se esqueceram que haviam médicos importantes no nazifascismo? Que durante a escravidão negra no Brasil, e em toda a América, médicos silenciaram ou aprovaram o genocídio dos africanos? Que durante o apartheid sul-africano a medicina omitiu-se, e há inclusive relatos de experiências com "cobaias" humanas, como já havia sido feito na Alemanha de Hitler? Que durante a ditadura militar brasileira médicos, militares e civis, conviveram com o horror das torturas, e alguns torturaram diretamente ou indiretamente espedindo atestados que permitiam que a violência prosseguisse? Por que será tamanha displicência com o vírus Ebola? Pois bem, não é de se espantar que uma boa parte, de uma classe que vem das elites, desprezasse os mais pobres, negros, indígenas, favelados, nordestinos, se não não teríamos dificuldades com a atenção à saúde nessas faixas da população. A reforma sanitária brasileira não avança por que? Sabe-se bem que não é tão somente por questões relacionadas a gestão, a qualificação ou financiamento do SUS. O buraco é muito mais embaixo, e estamos visualizando o fosso desde a concepção do 'MAIS MÉDICOS', e tem vínculos com esse preconceito, com esse desprezo pelas classes trabalhadoras, com racismo aos negros e indígenas e até com xenofobia, agora flagrantemente revelada aos nordestinos, aos do norte, àqueles que não se enquadram dentre os "bem-nascidos" no sudeste ou sul deste país continente. A manifestação desses setores mantenedores e/ou servis ao 'Capital Médico' contra um governo democrático-popular é só uma parte da questão social que o Brasil ainda tem muito a enfrentar e avançar, e demonstra factualmente uma das raízes do nosso 'vazio sanitário' e civilizatório.

Média: 1 (1 vote)

Postar novo Comentário

O conteúdo deste campo é privado não será exibido ao público.
CAPTCHA
Esta questão é para testar se você é um visitante humano e impedir submissões automatizadas por spam.
CAPTCHA de imagem
Digite os caracteres exibidos na imagem acima.