Wandula ressoa o que foi e o que virá

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 Conheci o grupo Wandula no Festival de Inverno de Antonina em 2000. E a impressão que me causou era a de estar assistindo a um belo filme com uma trilha sonora carregada de sentimentos e revelações. A música do Wandula é assim. Tem cheiro de música de cabaré dos anos 30 na velha Paris, mas tem cor e sabor de música que nunca foi ouvida. Evoca milhares de velhas imagens e de emoções novas, mas tem algo que vai um pouco além. Talvez seja por causa dos múltiplos sotaques instrumentais e idiomáticos. Talvez seja por causa de uma bagagem universal que o grupo carrega misturando uma velha cultura européia com um Brasil erudito e popular novíssimo.

Eis o que diz seus próprios integrantes: Wandula é o resultado da união de músicos e compositores vindos de diferentes formações e experiências.

Edith de Camargo (suíça radicada no Brasil), vocalista e acordeonista do grupo, tem influências de cantoras como Barbara, Edith Piaf e do Lied alemão, trazendo o ambiente dos shows de cabaret para os palcos. Marcelo Torrone, pianista e tecladista, agrega elementos da música popular brasileira à sua formação erudita, mesclando principalmente o chorinho à música impressionista e minimal, com influências de Erik Satie, Ernesto Nazareth e Michael Nyman. Claudio Pimentel (violonista), Rafael Martins (guitarrista) e J.C.Branco (percussionista), trazem a referência do pop e do rock para o grupo e Raphael Buratto (violoncelista clássico), Felipe Ayres (harpista) e Denis Nunes (baixista) completam a formação atual do grupo.

A sonoridade tão particular que nasce dessa fusão baseia-se numa estrutura musical elaborada com cuidado especial nos arranjos, timbres e texturas sonoras. O resultado de tudo isso é uma música sofisticada, porém, extremamente acessível. Conduzidas pelo piano, violão, acordeon, guitarra ou teclados, as bases harmônicas e melódicas dialogam com atmosferas criadas pelo grupo através de seus instrumentos. No repertório, músicas cantadas por Edith de Camargo, que compõe em francês, alemão, inglês e português. A inovação da linguagem se dá nas inusitadas misturas dos instrumentos, e na sintonia proposta pelo grupo nos shows, que conduzem o público por momentos festivos, poéticos e cinematográficos. Um gênero de música atemporal que ainda aguarda classificação, que evoca imagens para filmes imaginários, que soa fresco para os ouvidos vanguardistas e ao mesmo tempo é acessível a ouvidos populares.

O grupo Wandula é considerado pela crítica e público, como um dos expoentes da música contemporânea independente do sul do Brasil. O concerto de estréia do grupo (música desconhecida para pensamentos nem tanto) em agosto de 1999, no auditório Antônio Carlos Kraide, foi logo reconhecido como um marco no circuito cultural de Curitiba.

Um ano mais tarde, em 2000, o Wandula foi convidado a se apresentar na igreja matriz de Antonina, dentro da programação do X Festival de Inverno da UFPR. Com esta apresentação, o grupo foi reconhecido oficialmente como uma nova revelação da música local.

Em 2001, o Wandula  foi  selecionado para figurar entre os 30 melhores grupos da região sul do país, dentro do projeto Itaú Cultural - Rumos Musicais.

O primeiro CD, também intitulado Wandula, fez seu lançamento oficial em 18 de março de 2002, no Espaço Arte e Cultura Brasil Telecom. Este trabalho ganhou em 2003 o prêmio Saul Trumpet, na categoria revelação.

Em junho de 2002, Wandula foi uma das bandas curitibanas convidadas a participar do Free Zone, evento cultural de grande porte que teve a curadoria do poeta carioca Chacal.

A primeira turnê independente do Wandula pela europa ocorreu em 2003, na Suíça, com concertos em St. Gallen, Zürich e Gossau.

Em 2004, o Wandula realizou seu primeiro show  do ano em União da Vitória (PR) e realizou diversos outros em Curitiba, (Teatro do Paiol, Teatro HSBC, Guairinha, F/Nac). Foi apontado como favorito pela crítica e público no festival  independente Rock de Inverno 5, realizado no Cine Música Bar em agosto, e convidado pela Fundação Cultural de Curitiba para apresentar-se no memorial da cidade compondo a programação oficial do evento Perhapiness 2004. O grupo gravou em fevereiro de 2006 um CD ao vivo como banda convidada do projeto da Grande Garagem que Grava, em Curitiba. O novo CD (duplo) 'la récréation' foi gravado em estúdio e lançado no teatro SESC da Esquina em novembro do ano 2007.

Imagens: 
Edith de Camargo (suíça radicada no Brasil), vocalista e acordeonista do grupo
Vídeos: 
Veja o vídeo

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5 comentários
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Ivan Moraes

Bizarro! Nos acordes da primeira musica, um dos "quadrados" de milhares e milhares de musicas exceto que comeca em menor (nao deu pra tirar e nao tenho o violao); na segunda mistura de claves muito inesperada. Adorei! Muito interessante.

Banda curitibana que eu conheco eh a unica e de sempre abaixo.

 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 
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Erly Ricci

As músicas são simples mesmo, Ivan. Como eu escrevi, lembra coisas antigas, mas inova alterando a regra harmônica e com arranjos também simples mas inesperados, expressivos, cheio de imagens e soando como trilhas cinematográficas. Além disso é muito, mas muito mais poético do que a Banda Mais Bonita da Cidade, inclusive na universalidade da proposta do grupo. Segue outro áudio do Wandula

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"pelos caminhos que ando um dia vai ser, só não sei quando" - Paulo Leminski

 
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Erly Ricci
 

"pelos caminhos que ando um dia vai ser, só não sei quando" - Paulo Leminski

 
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Vicente Antonio

O Wandula faz musica num nível de erudição escolada onde a diversidade da formação de seus membros agrega um som presumível dentre as possibilidades. Pode evocar tudo o que Ricci fala, tudo isto está dentro dele, do Ricci. É uma música acética, de pouca emoção, universal sem sotaque, sem identidade, esterilizada. Claro que se percebe uma gama variada de estilos. A Edith tem todo o charme de uma cantora francesa, falta-lhe a dor interior, não vivida, para lhe acrescentar uma alma encantadora, humana, torná-la intérprete de algo ou de alguém coletivamente. Música não é só som, é muito mais, é arte.

 
 
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Erly Ricci

É, você tem razão. Realmente não fala a você, mas fala a mim. As músicas do Wandula são simples e a arte, alem de uma melodia minimalista e a sua imprevisibilidade, é justamente o que ela faz despertar no ouvinte: imagens de mil filmes e cenas como num sonho. Alguém já disse, não sei onde, que é "música pra se ouvir de joelhos", o que acho exagero, embora tenha mais forma espiritualizada e intuitiva do que materialista intelectualizada como a maioria dos experimentalismos que vemos em concertos frequentes na cidade de Curitiba, onde muitos da nova turma que toca chorinho faz um improviso vertical ou horizontel (em cima da harmonia ou da melodia), mas puramente técnico, usando modos jazzisticos, um pouco sem a sinuosidade e o tempero dos chorões tradicionais. O Wandula não faz questão do virtuosismo, mas das simplicidade e da acessibilidade. Tenho visto e ouvido muita coisa por aí. O que me chamou a atenção no Wandula foi justamente o fato de causar imaginação cinematográfica. 

 

"pelos caminhos que ando um dia vai ser, só não sei quando" - Paulo Leminski

 

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