Nossa página está em teste e sua contribuição será valiosa.
Participe com sugestões e auxilie na construção.
Relacione aqui sugestões e problemas que tenha encontrado. Esse espaço também é seu!
Nossa página está em teste e sua contribuição será valiosa.
Participe com sugestões e auxilie na construção.
Relacione aqui sugestões e problemas que tenha encontrado. Esse espaço também é seu!
|
|
|
Brasilianas.Org |
|
Violência na escola e suas consequênciasEnviado por luisnassif, dom, 26/02/2012 - 23:05
Autor:
Luiz Claudio Tonchis
Na última década a violência nas escolas tem preocupado o poder público e toda sociedade, principalmente, pela forma como esta tem se configurado. O conflito e violência sempre existiram e sempre existirão, principalmente, na escola, que é um ambiente social em que os jovens estão experimentando, isto é, estão aprendendo a conviver com as diferenças, a viver em sociedade. O grande problema é que a violência tem se tornado em proporções inaceitáveis. Os menos jovens, como eu, estão assustados. Os professores estão angustiados, com medo, nunca se sabe o que pode acontecer no cotidiano escolar; os pais, preocupados. Não é raro os jornais noticiarem situações de violência nas escolas, as mais perversas. Não quero dizer com isso que antes não existia violência. Existia sim, e muita. “Desde que o mundo é mundo, há violência entre os jovens”. Todos os diferentes, para o bem ou para o mal, são vítimas em potencial na escola, há muito tempo. Brigas, agressões físicas, enfim, sempre existiram. O que não existia antes e, que hoje tornou comum é que os jovens depredam a escola, quebram os ventiladores, portas, vidros, enfim, tudo que é possível destruir, eles destroem. Antes, não se riscava, não murchava ou cortava o pneu do carro do professor. Agredir fisicamente ou fazer ameaças ao mestre, nem pensar. Não se levava revolver e faca e não se consumia drogas e álcool no interior das escolas. No meu tempo, por exemplo, nunca se ouviu falar que um colega tinha assassinado um amiguinho na sala de aula ou que alguém tinha jogado álcool no colega e ateado fogo. Enfim, são muitos os relatos de violência extrema no interior das escolas. Muitas de nossas crianças e adolescente passam por violências, e ficam calados – algumas delas não têm coragem de revelar, outras, por medo da retaliação do agressor. Essa violência entre colegas não é a única. A violência entre professores e alunos também tem crescido. Assustadoramente, a violência de alunos contra professores é a regra agora, e não mais o oposto. A violência não contra um ou outro, mas contra a escola mesmo, em todos os sentidos e modos, também tem aumentado. O que tem intrigado a todos é que esse aumento da violência veio junto com a ampliação dos direitos dos cidadãos e com o Estatuto da Criança e Adolescente. Essa é uma questão que não devemos desprezar. No meu ponto de vista, o Estatuto prioriza os direitos em detrimento dos deveres. Após a promulgação do Estatuto as ações contra a violência nas escolas tem se realizado a partir da mediação, conselhos, etc. O que, também, é muito bom. A mediação de conflitos é importante, necessária, e muitos problemas são resolvidos, mas, muitas vezes, não basta. Junto com a mediação, infelizmente, tem que haver a punição. Vou citar um exemplo que não é do ambiente escolar, mas por analogia podemos refletir sobre essa questão. Por exemplo, o problema de dirigir um veículo embriagado. A conscientização é importante? Sim. Resolve? Não. É necessário fiscalização, multa, prisão, etc. Não estamos conseguindo resolver o problema da violência nas escolas e, isto é grave. Por quê? Falta, para isso, entendimento, lucidez. Ou seja, falta pensamento crítico, entender o “porque” agir e “como” se deve agir. Com tais perguntas é que os problemas podem ser amenizados. Para resolver, de fato, é preciso sair da mera indignação moral baseada em emoções passageiras, que tantos acham magnífico expor. Aqueles que expõem suas emoções se mostram como pessoas sensíveis, bondosas, creem-se como antecipadamente capacitados porque emotivos. Porém, não basta. As emoções em relação à violência na escola passam e tudo continua como antes. Para isso, não podemos ver o problema da violência sob um só viés. É preciso dialética, racionalidade, determinação e, sobretudo, a união de todos. Podemos classificar inúmeras questões que levam a violência para o ambiente escolar. Por exemplo, os mais gerais: diferenças sociais, culturais, psicológicas, etc. e tantas outras como: experiências de frustrações, diferenças de personalidades, competição, etc. Também, podemos enumerar vários tipos, áreas, níveis de violência. Cada área do saber tem o seu método próprio de análise, a Filosofia, Sociologia, Psicologia e o Direito. Hoje, sabemos que a tendência da desfragmentação do saber é o melhor caminho a trilhar. Amultidisciplinaridade e a interdisciplinaridade é a proposta em voga de superação da fragmentação do saber. Somente através do dialogo aliado a práxis efetiva é que poderemos amenizar o grau de violência no interior das escolas. Esse círculo de violência deve ter um olhar mais universal, principalmente, por aqueles que pensam sobre a educação. É necessário ver que a violência contra a instituição escolar, contra colegas e professores e, de certo modo, a violência dos adultos contra as crianças, também, contém elementos de caracterização bem comuns. A não aceitação das diferenças em toda a sua amplitude – se é diferente, é hostilizado, desprezado, humilhado. E quando a vítima reage é violentada. A não aceitação das diferenças, também, perpassa pela escola como instituição, com seus próprios professores, funcionários e com os próprios alunos. Essa uniformização, isto é, uniformizar o diferente, é feita com violência – em todos os casos. E esse comportamento institucional, gera violência. Não são raros os casos em que o professor que faz a aula diferente, ainda que seja boa, é admoestado pelo diretor. O diretor que pensa diferente é castrado pelos supervisores ou pelo dirigente regional de ensino e, assim, sucessivamente. O aluno que é diferente, que pergunta demais é admoestado pelo professor e, aquele que pergunta na hora que a aula está acabando é vaiado pelos colegas. Essas são pequenas violências que alimentam as grandes violências. Não reconhecer nesse processo é o nosso grande problema. Atualmente, vivemos um problema ético de não reconhecimento da nossa incompetência, o problema sempre são os outros, eu não. A escola é o primeiro ambiente social que a criança experimenta, antes disso, ou seja, na socialização primária se restringe a família, igrejas, vizinhos, enfim, um circuito bastante restrito. É na escola, aonde ele vai, realmente, experimentar um ambiente social – lá ele vai aprender a conviver com as diferenças e constituir um ser para si. Esse ser é para a sociedade. Por isso, a urgência que se tornou essencial hoje – e que muitos não percebem, é tratar a violência na escola como um trabalho de lucidez quanto ao que estamos fazendo com nosso presente, mas, sobretudo, com o que nele se planta e define o rumo futuro. Para isso, é preciso renovar nossa capacidade de diálogo e propor um novo projeto de sociedade no qual o bem de todos esteja realmente em vista.
Faça seu login e aproveite as funções multímidia!
|
Comentários + votados
1
-
Ivan Moraes
26/02/2012 - 23:13
"Na última década a violência nas escolas tem preocupado o poder público e toda sociedade, principalmente, pela forma como esta tem se configurado":
Correcao: "Nas últimas DUAS décadas a...
5
2
-
wannabe
26/02/2012 - 23:57
O problema é que a grande maioria (mais de 90%) dos pais não deveriam ser pais. Ter filho, nos dias de hoje, virou uma questão profissional, social, de status, tudo menos amor. Pessoas têm filhos...
5
3
-
Andre Araujo
27/02/2012 - 00:12
A desestruturação das escolas não é um fenomeno mundial ou se existe é com niveis muito diferentes em cada Pais. Tampouco no Brasil se dá no mesmo nivel em todos os Estados.
A pior situação é na...
5
4
-
wannabe
27/02/2012 - 00:22
Considera mesmo "ladainha" as famílias desestruturadas? Acha que os pais estão realmente interessados nos seus filhos? Acha que os pais de hoje acompanham o desempenho de seus filhos, os ajudam em...
5
5
-
leonidas
27/02/2012 - 00:49
Isso tudo é culpa de coisas como o ECa que é a cara da Alda Marco Antonio
Que sempre fez questao de confundir menor carente com menor delinquente.
Essa escoria que se auto intitula humanistas são um...
5
6
-
Morales
27/02/2012 - 02:48
Ai que saudades do tempo que esse pobrerio estava fora da escola!
Foi só botar essa gentalha na escola que o nível caiu! Eles não se submetem a um padrão digno de família burguesa, católica,...
5
7
-
Avelino
27/02/2012 - 03:43
Caro Nassif
É só estar dentro de uma sala de aula para saber que o que muitos comentam e ficam horrorizados, é fichinha.É muito pior do que tudo isso.
Apesar de todo esse caos programado, ainda tem...
5
8
-
AlvaroTadeu
27/02/2012 - 06:49
A discussão política sobre a violência nas escolas (públicas, no Brasil) não pode ficar ao sabor de palpiteiros francamente fascistas, que fazem um discurso supostamente modernizante, mas que está...
5
9
-
alfredo machado
27/02/2012 - 07:00
Caro wannabe:
Temos o mesmo modo de pensar.
Os ensinos médio e fundamental vão muito mal no país, produzindo resultados pífios em função da quase indiferença de sucessivos governos em relação ao...
5
10
-
Maria Luisa
27/02/2012 - 07:14
O que tenho observado também, para complementar a questão da responsabilidade paterna/materna, é que nos estamos vivendo um momento social muito agressivo, de muita competição, de valores...
5
11
-
Ritinha
27/02/2012 - 07:24
Vou transcrever aqui algumas situações que vivi em uma escola da periferia da cidade de São Paulo, mais precisamente no bairro do Imirim. Era 1963 e eu cursava o 1º ano Primário em uma escola de...
5
12
-
alexis
27/02/2012 - 07:43
Muito boa análise Maria Luiza
Ontem na TV mostraram a tía do rapaz que gerou o acidente do JetSky que acabou matando uma criança: "Falei para não pegar o JetSky, mas...o menino tem 13 anos e é tão...
5
13
-
Marcos Ribeiro
27/02/2012 - 08:02
Em um País onde a violência é tratada com mais e mais impunidade, onde se edita uma lei onde se permite escapar da prisão temporária para quase todos os criminosos, desde que tenham dinheiro p/ pagar...
5
14
-
viviane legnani
27/02/2012 - 08:27
Wannabe, acho que você se referiu a uma realidade das mães de classe média. As cenas que listei ocorreram em escolas públicas. A realidade dessas mães é a seguinte:
Acordam às cinco horas,...
5
15
-
Daniel Campos
27/02/2012 - 08:33
Ando concluindo que a escola é um reflexo sem filtros da sociedade. Quando a sociedade é violenta, a escola é violenta e aparenta ser mais violenta por não ter os "filtros" das aparências que são...
5
16
-
DanielQuireza
27/02/2012 - 09:09
Ai teríamos sérios problemas de taxas de natalidade se sua tese fosse aplicada.
Eu discordo. Acho que ninguem nasce sabendo nada e pode-se aprender quase tudo na vida, e também como ser pai,...
5
17
-
Klaus
27/02/2012 - 09:17
É isso! Na mosca! Os pais jogam para a escola ou terceiros a responsabilidade de educar. Não têm "saco" para investir parte do tempo em acompanhar os filhos.
5
18
-
Paulo Celso
27/02/2012 - 09:18
Ilustríssimo missivista,
Ainda recordo quando neste país havia respeito. Eu era professor no colégio estadual e lá só recebiamos alunos filhos de respeitáveis famílias. Como era bom ter na primeira...
5
20
-
Marcos Luiz
27/02/2012 - 09:50
Wannabe você está coberto de razão, pois principalmente nas últimas duas décadas a geração de filhos de forma irresponsável e não planejada tomou conta do país. Garanto que todos aqui...
5 Carregando
Posts de hoje
Mais Lidos da SemanaTagsBanco do Brasil
bancos
banda larga
Bolsa Família
Bresser-Pereira
capitalismo
Casa Civil
Cidades
Crise
crise mundial
desemprego
Dilma Rousseff
Economia
Educação
Educação
Folha
Gestão
Gestão Pública
Habitação
impostos
investimentos
IPEA
moradores de rua
municípios
Mídia
oposição
PAC
Política
Políticas Sociais
Software
São Paulo
Tecnologia
telebras
Universidade
Universidades
|
"Na última década a violência nas escolas tem preocupado o poder público e toda sociedade, principalmente, pela forma como esta tem se configurado":
Correcao: "Nas últimas DUAS décadas a violência nas escolas DO MUNDO INTEIRO teem preocupado o poder público e toda sociedade, principalmente, pela forma como esta tem se configurado".
Nao eh problema "brasileiro", mas sim de adocao cega de standards internacionais que estavam fadados a falhar em seus proprios paises de origem. E falharam no Brasil como falharam no mundo inteiro.
Foi falta de governo mesmo.
Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.
Ivan você tem razão, vou alterar o paragrafo de acordo com a sua sugestão. Abs
Luiz Cláudio Tonchis Filósofo, Professor e Especialista em Educação
O conflito e a violência sempre existiram, porém dificilmente dentro das dependências escolares e com muito menos gravidade. As inúmeras pedagogias e a libertinagem, estabelecida no Brasil ao confundir autoridade com autoritarismo pelos sucessores da ditadura militar, principalmente os PROSTITUINTES de 1988, ajudaram a criar o caldo de cultura onde proliferam os facínoras adolescentes.
Outro fator responsável foi a quebra da hierarquia existente entre os adultos, sejam os pais ou os professores, e os mais jovens. A sensação de onipotência das pessoas nesta faixa etária aliada a ausência de limitadores incentivam as práticas mais violentas. O que se iniciou no antigo ensino médio e já está disseminado pelo fundamental em breve chegará aos jardins da infância. Aberrações como o eca e as novas leis xuxianas, como a da palmada, vão levar para as faixas etárias cada vez mais baixas o descalabro.
O que ocorre na educação é a concretização da sociedade sonhada pelos engenheiros sociais. A cambada das humanas e as suas teorias cientificamente socialistas. Estabelecer o caos para depois forçar que todo o relacionamento interpessoal seja regulamentado pelo Estado. O poder público suprimindo as formas tradicionais de organização social.
A desestruturação das escolas não é um fenomeno mundial ou se existe é com niveis muito diferentes em cada Pais. Tampouco no Brasil se dá no mesmo nivel em todos os Estados.
A pior situação é na periferia de São Paulo e a desestruturação começou no governo Mario Covas, com a aprovação automatica nas escolas publicas e a extinsão do Baneser, que tinha 20.000 guardas nas escolas publicas do Estado.
A educação fundamental e o ensino medio no Brasil estão em crise profunda, o sistema precisa ser reformado de alto a baixo, estamos destruindo gerações de crianças por falta de uma educação minimamente eficiente. A falencia do sistema não se iniciou em 2003 mas o atual Governo não deu a devida importancia e atenção è educação, seguiu a linha desastrosa do Governo FHC, só objetivos quantitativos, milhões de matriculas e qualidade abaixo de zero. A educação no Brasil hoje é só uma estatistica.
A discussão política sobre a violência nas escolas (públicas, no Brasil) não pode ficar ao sabor de palpiteiros francamente fascistas, que fazem um discurso supostamente modernizante, mas que está intelectualmente cheio de teias de aranha. Esse sujeitinho fica rebollando e agredindo a paciência dos leitoreds desta coluna, que não são imbecis. Essas opiniões rebollativas são sob medida para a Veja, Estadão e Folha de São Paulo. Essa figura sinistra não enriquece o debate, enoja as pessoas de bem e as afastam do debate legítimo, onde as opiniões não deveriam vir prenhes de preconceito. Mas têm todo o espaço do mundo. Nessas horas fico na dúvida se devo continuar a frequentar a coluna, pois aqui procuro informação não alinhada com a filosofia da Direita brasileira, cuja ideologia fracassada levou o Brasil para o abismo.
A prática e suas "sutis" violências:
Cena 1: uma professora diz ao aluno - "fique quieto, senão vou me sentar em cima de você".
Cena 2: uma professora amarra com barbantes um aluno com diagnóstico de TDA/H
Cena 3: uma professora refere-se aos seus alunos como "encardidos".
Locais e tempo. Distrito Federal, nos últimos três anos.
Soluções possíveis: Uma remuneração digna ( que atraia bons quadros), uma boa gestão na escola ( participativa e colaborativa) e uma formação de professor que ressalte o papel social do educador na sociedade brasileira.
O que tem sido feito em termos de políticas públicas? pouco, muito pouco!
E o que se escuta nas escolas é sempre a mesma ladainha: a culpa é das famílias destruturadas ...
Posto aqui um artigo resultante de uma pesquisa e intervenção junto a uma criança considerada pela escola como "violenta ".
http://www.proceedings.scielo.br/scielo.php?pid=MSC0000000032004000100058&script=sci_arttext
Considera mesmo "ladainha" as famílias desestruturadas? Acha que os pais estão realmente interessados nos seus filhos? Acha que os pais de hoje acompanham o desempenho de seus filhos, os ajudam em seus deveres, dão orientações? A única orientação de hoje é "mamãe volta logo."
Situação estarrecedora: em plena noite do dia das mães, fui numa balada onde METADE das mulheres eram mães. Eu te pergunto: o que raios uma mãe faz numa balada às duas da manhã do dia das mães? E quanto aos pais que só querem ter filhos para mostrar para seus colegas de trabalho o quão viril é? Jogar toda a culpa no professor e em "políticas públicas" é muito fácil. Mais fácil do que amamentar um filho, criá-lo, educá-lo, largar os compromissos pessoais pelo filho; enfim, sacrifícios que mãe e pai fazem! Se não quer abrir mão de seus compromissos, então não tenha filhos. Mas não venha jogar para a escola a "batata quente".
O fantasioso não é uma alternativa ao racional, pois baseia-se no delírio de uns e na ingenuidade de muitos.
Caro wannabe:
Temos o mesmo modo de pensar.
Os ensinos médio e fundamental vão muito mal no país, produzindo resultados pífios em função da quase indiferença de sucessivos governos em relação ao assunto, com cerca de 80% dos jovens, neste momento, tendo concluído aquela fase sem saber nada de matemática, um caminho inverso ao resultado obtido pelos países que mais avançam no setor que faz toda a diferença, Educação.
A maioria dos professores não tem consciência sobre a necessidade de capacitação permanente, é mal remunerada (um dos motivos é a indiferença da sociedade para a importância daquele trabalho, a orientação de seus filhos para vida futura – se a classe faz greve, a sociedade fica inteiramente indiferente àquela situação) e trabalha em condições que estão longe do ideal. Existe uma parcela da classe que é satisfatoriamente remunerada, mas nas universidades públicas, fase em que o mal já está feito.
A sociedade, por sua vez, tem que fazer a sua parte, orientar os seus filhos sobre a importância da escola, do conhecimento que o professor irá transmitir, e isto não ocorre. A sociedade (os pais) adora cobrar do governo, qualquer um deles, mas nenhum governo será capaz de fazer tudo sozinho, isto é piada de mau gosto, e justamente por este motivo é que digo que o país é um copo pela metade.
Como já comentei por mais de uma vez aqui no blog, um jovem passa 5 das 24 horas do dia sob a orientação do professor, o resto do tempo com os amigos e a família, ou seja, pretender que o as idéias do professor prevaleçam, ainda mais quando são diferentes das outras influências (estas não cobram nada, não exigem nada, são só vida folgada) é sonho de noite de verão.
Um abraço
É isso! Na mosca! Os pais jogam para a escola ou terceiros a responsabilidade de educar. Não têm "saco" para investir parte do tempo em acompanhar os filhos.
Wannabe você está coberto de razão, pois principalmente nas últimas duas décadas a geração de filhos de forma irresponsável e não planejada tomou conta do país. Garanto que todos aqui conhecem vários casos em que os pais não tem as mínimas condições (morais e financeiras) de criar um filho. O resultado está aí pelas escolas do Brasil, alunos que ameaçam e agridem professores, destroem a escola, dão tiros na sala de aulas, machucam e matam seus colegas em brigas fúteis e praticam o bullyng em larga escala. Agora antes do carnaval tivemos um caso aqui em Curitiba de dois meninos de nove anos de idade, atenção apenas nove anos de idade, que entraram numa escola pública durante a noite e a destruíram. Onde estavam os seus pais nesse momento ? O que eles faziam na rua a uma hora dessas ? Qual seriam as suas motivações para fazer tamanha barbaridade ? Como eles planejaram um ato como esse ?
O problema é que a grande maioria (mais de 90%) dos pais não deveriam ser pais. Ter filho, nos dias de hoje, virou uma questão profissional, social, de status, tudo menos amor. Pessoas têm filhos para depois dizerem que "não aguentam mais." Então por que tiveram? Eu sou a favor de que TODA punição que recaia sobre os jovens recaia também sobre os pais. Os pais são sim responsáveis por TODA a vida do menor de idade. Por TUDO que ele faz. Portanto, se um jovem mata, quem deve ser preso são os pais. Se o jovem rouba, quem deve ser preso são os pais. Talvez assim as pessoas pensei um milhão de vezes antes de ter filhos. É óbvio que devemos repensar o modelo de "fundações casa" que temos, mas o problema de rebeldia e descaso dos jovens é fundamentalmente causado por falta de autoridade. Por isso a culpa é 100% dos pais.
Criar um ser humano é uma vocação. Não se aprende, não se ensina.
O fantasioso não é uma alternativa ao racional, pois baseia-se no delírio de uns e na ingenuidade de muitos.
Ai teríamos sérios problemas de taxas de natalidade se sua tese fosse aplicada.
Eu discordo. Acho que ninguem nasce sabendo nada e pode-se aprender quase tudo na vida, e também como ser pai, evidentemente. Ademais, como um pai saberia a priori, se ele tem ou não condições de ser pai ? Difícil né, tem que testar...
@DanielQuireza
Diveros estudos científicos provam que quanto mais hostil foi esse ambiente mais bem preparado estará para fazer curso superior em universidade pública. Posto que, essa não é ambiente para quem nunca teve que defender os seus direitos até no braço.
===========
[O estudo mostra que para os estudantes que entraram na Unicamp entre 1994 e 1997 aqueles oriundos de escolas públicas tiveram desempenho acadêmico superior aos egressos de colégios privados, considerando-se para ambos os grupos jovens que entraram na universidade com notas no vestibular na mesma faixa. O fenômeno, chamado de “resiliência educacional”, é conhecido dos educadores e indica a capacidade do aluno de obter sucesso acadêmico e social apesar da exposição a adversidades pessoais e sociais. Entre as explicações possíveis destaca-se o traquejo especial dos alunos pobres, porém bem formados, para enfrentar situações desfavoráveis, uma qualidade valiosa no ambiente competitivo de uma universidade de pesquisa que nem sempre é compartilhada com os colegas de classe média, em geral poupados das adversidades por suas famílias. ]
Limites desafiados
http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=3502&bd=1&pg=1
Boa. Vamos sucatear mais e deixar o pau quebrar nas escolas para as crianças ficarem calejadas e se darem melhor na vida depois né...
@DanielQuireza
Por supor que se trata até de preguiça da criança, violentam-na de tudo quanto jeito, desde de enfiar remédio goela abaixo até tirar-lhe sangue e inventar inúmeras doenças para satisfazer à indústria farmacológica.
=============
http://www.espaciologopedico.com/noticias/detalle?Id=4134
Una anomalía auditiva está detrás de la dislexia
Isso tudo é culpa de coisas como o ECa que é a cara da Alda Marco Antonio
Que sempre fez questao de confundir menor carente com menor delinquente.
Essa escoria que se auto intitula humanistas são um bando de puritanos safados.
Até onde sei dona Alda nao adotou nenhum dos marginais que ela e os de suas laias chamam de crianças.
É facil ser humanista assim pois quem tem que aquentar as " crianças " deles é a periferia e o corpo docente das escolas que estao literalmente falando abandonados a sua propria sorte.
Hoje tem medo de policia quem nao deve nada, vagabundo nao tem medo de policia, ser enquadrado ou conduzido ao DP para marginal " criança " dá ibope no grupo.
Se um animal desses resolver estuprar e esquartejar um docente no patio da escola INACREDITAVELMENTE recebera pena socioeducativa.
Pois a culpa não é dele e sim dos professores, da policia, enfim de todos menos dele.
E ainda estamos com sorte , no dia ( muito provavel com essa onda imigratoria latina ) que alguns integrantes das conhecidas gangues MARA SALVATRUCHA trouxerem seu " know How " , eles terao no ECA o passaporte para incendiar as periferias desse pais e transforma-las em uma verdadeira Cildad Juarez .
Tudo pq nossa sociedade ficou refem de um bando de sem vergonhas que nao entendem que democracia é sinonimo de estado de direito, e isso garante direitos e tambem DEVERES
É inconcebivel que se crie uma casta absolutamente imune ao alcance da lei , isso só pode reverter mesmo em prejuizo inclusive dos proprios menores que ficam nas maos de verdadeiros Predadores dispostos a agredir, estuprar, matar e sabe deus o que mais ...
leonidas
Excelentíssimo Ouvidor da Secretaria de Políticas de Promoção da
Igualdade Racial,
Dr. Carlos Alberto Junior
E Demais
A escola é por construção representação de mundo, portanto, condensa e
pode expressar tudo que estiver socialmente posto. E no caso Brasileiro,
escola pública transcende de importância por ser uma das poucas
oportunidades de ascensão social, tornando qualquer intervenção nesta
passiva de ampliar as inúmeras mazelas que já funcionam até como
verdadeiras barreiras de contenção social.
Por isso, o tema aqui em questão, fazer pesquisa genética que até tira
sangue de estudante da rede pública, merece mais do que cuidado, pesquisas
das mais profundas. E por isso, anexo, encaminho o INFORME SEPPIR no qual
delineio alguns fatos e sugestões que não estão ao alcance da minha
especialidade, bem como o encaminhamento que fiz ao MPF/MG no que diz
respeito ao ensino da matemática, ofício para Secretária de Educação
de Minas, Dossiê Simave/Minas, Recurso em Procedimento no MPF/DF e
documentação da pesquisa obtida pela SEPPIR
Ai que saudades do tempo que esse pobrerio estava fora da escola!
Foi só botar essa gentalha na escola que o nível caiu! Eles não se submetem a um padrão digno de família burguesa, católica, estruturada, pai, mãe e filho, estilo propaganda de leite em pó Ninho dos anos 60. Imagina essas vagabundas nem sentam com os filhos para auxiliá-los na lição de casa. Um horror! Só pensam em funk, roda de samba e feijoada na laje.
Tem que esterilizar todo essa chusma e adota pena de morte pra moleque infrator desde os sete anos. São tudo marginal mesmo. Pra que escola?
É assim que as ideias da fascistada "classe mérdia" se disseminam e se tornam lugar comum.
Ilustríssimo missivista,
Ainda recordo quando neste país havia respeito. Eu era professor no colégio estadual e lá só recebiamos alunos filhos de respeitáveis famílias. Como era bom ter na primeira fileira a filha do digníssimo juiz de direito da comarca, na segunda o brilhante filho do doutor Epaminondas, médico respeitadíssimo. Na outra fileira, estavam os filhos dos mais importantes fazendeiros, do promotor de justiça, do prefeito municipal. Iniciávamos o ano escolar com um missa celebrada pelo monsenhor Alvarenga e, por vezes, pelo próprio bispo diocesano. A escola limpa, tudo funcionava com regularidade. Que bons tempos aqueles. Tínhamos boas empregadas domésticas, meninos que carregavam as nossas sacolas quando voltávamos da feira - os quais sempre retribuímos com algum tostãozinho. Meninos que sabiam o seu devido lugar. Que se transformavam em ordeiros trabalhadores. Mas, infelizmente, vieram as tais "leis trabalhistas" e com elas aqueles sindicatos que plantaram a discórdia com os patrões (oh, foi aí que a desordem começou). Bem que ainda tentamos manter os pilares da sociedade com a redentora revolução de 31 de março de 1964. Confiamos em nossos grandes generais para enfrentar aquela banda apodrecida da sociedade, a escória que queria a baderna. Quanto heroísmo vimos de nossos abnegados guardiães. Lamentavelmente nosso bravos acabaram sucumbindo e hoje estamos entregues a esses demagogos corruptos que não merecem nossa confiança. O desrespeito impera. A escola foi invadida por meliantes, crias de gente de conduta duvidosa e por toda a sorte de retardados, maltrapilhos e desqualificados.
Pobres mestres. Foram embora aqueles bons alunos, provenientes de famílias estruturadas. Aquelas em que o pai é chefe, que provê e mostra com rigor o que é respeito e que tem na mãe a ternura e o exemplo da caridade.
Por isso nós defendemos que qualidade de educação é educação para gente de qualidade. Precisamos voltar a ser como éramos no passado. Só assim poderemos formar uma geração sadia de condutores da pátria que vai salvar nosso país dessa bagunça.
Bons tempos aqueles...
PS: Só faltava dizer "alvissaras", mas aí o blog era outro. Toda a vez que o tema escola aparece é essa mesma história: uma escola ideal, um passado glorioso, professores oprimidos e soluções para lá de fascistas. Não é a toa que os que se acham mais se escondem em condomínios fechados, blindam seus carros e escondem seus filhos em escolas privadas. O problema está no fato de que todo acabam optando por alguma classe social.
A violencia também atinge escolas particulares, não só as públicas, o problema é geral.
@DanielQuireza
Daniel,
Agora, falando sério. Antes de iniciar qualquer discussão, eu gostaria de ver as estatísticas sobre a violência nas escolas (não a histeria promovida pelos meios de comunicação fascistas) e em que medida elas são superiores aos índices da sociedade em geral.
Com base nesses dados, a gente poderia fazer alguma discussão proveitosa. Na ausência deles, é dar palco para o teatrinho de horrores da fascistada saudosa da gorilada de 64.
Caro Nassif
É só estar dentro de uma sala de aula para saber que o que muitos comentam e ficam horrorizados, é fichinha.É muito pior do que tudo isso.
Apesar de todo esse caos programado, ainda tem alunos, professores e funcionários rebeldes, que conseguem aprender, ensinar e fazer funcionar, dentro do possível, essa máquina trituradora. São esses que seguram o pouco do que se pode trabalhar.
Aguardava ansiosamente, que quando Lula fosse eleito, o Ministro da Educação, chamaria todos Secretários e faria um arrastrão Educacional. Valeu pelo sonho.
O pior é não ver perspectivas de melhora.Tablets?! Tá brincando.
Saudações
Avelino,
A minha esposa é professora na rede estadual e na rede municipal. Tem muitas queixas dos alunos, mas relatos de violência fora do esperado em aglomerados humanos são, praticamente, inexistentes. Nas escolas em que minha esposa trabalha, bairros de Pelotas, RS, não se tem mais conflitos, por exemplo, do que ocorrem em famílias.
O único caso que eu me lembre da imprensa local reportar, em 19 anos que moro nesta cidade, a terceira maior do Estado, foi o de uma professora que perdeu a visão de um olho pela agressão de um aluno que a agrediu com uma cadeira. O fato teve repercussão, precisamente, porque era inusitado.
No Estado como um todo, e olha que a RBS espreme até as pedras para ver se corre sangue, os casos de violência escolar extrema são raríssimos, se comparados com os diuturnos relatos de violência na sociedade gaúcha em geral.
Bagunça em sala de aula e problemas de aprendizagem NÃO são manifestações de violência e NÃO requerem medidas repressivas, mas pedagógicas.
A vida agitada de hoje; o consumismo exagerado; a inversão de valores; a falta de exemplo em muitas autoridades, em todos os poderes; as drogas; etc. são situações que enfraquecem as instituições que lidam com moral e boas costumes, começando pela própria família e, naturalmente: a escola.
Deve-se cobrar maior participação e responsabilidade da família, pois nos tempos de hoje, com a libertação da mulher, ninguém quer tomar conta dos filhos, de cobrar o dever de casa nem muito menos assistir a reuniões de pais e apoderados.
Escola integral (do tipo CIEP – Brizolão); professores mais bem pagos e definir a educação como a prioridade das prioridades. Um país desenvolvido é onde moram pessoas desenvolvidas.
A questão da violência não se dá apenas nas escolas, mais em toda a sociedade.
Este fim de semana um promotor de justiça agrediu uma juiza de direito.
A agressão se dá de forma direta e indireta.
Veja o caso de Pinheirinhos, exaustivamente abordado aqui no blog.
Veja os casos das agressões de índios e ribeirinhos no caso de Belo Monte.
A perseguição e muitas vezes a matança, também vastamente documentada aqui no blog, de jornalistas e demais defensores dos direitos das minorias.
A violência da polícia baiana no seu movimento de greve.
Portanto, não se deve analizar pontualmente como no Post em tela a violência da sociedade.
O problema ocorre em todo o mundo e se deve ao fato da falência do modelo que põe o homem como uma máquina, um ser individualizado que despreza o coletivo na sua busca por excelência, do individualismo agregado ao seu consequente egoísmo.
Esse individualismo paradigmático levou a a sociedade à frustração e a sua concepção de afastamento do coletivo, dos seus semelhantes na predatória caça ao sucesso leva o homem a acreditar exclusivamente em si desrespeitando tudo o que concerne ao grupo, ao seu semelhante e ao seu entorno.
Mas, há luz neste fim de poço.
A sociedade muda quando se encontra sufocada.
Assis Ribeiro
Mandou bem amigo. É isso mesmo.
Luiz Cláudio Tonchis Filósofo, Professor e Especialista em Educação
O que tenho observado também, para complementar a questão da responsabilidade paterna/materna, é que nos estamos vivendo um momento social muito agressivo, de muita competição, de valores ligado basicamente à dinheiro e status, sem nenhuma ou pouca preocupação com a ética, com a moral ou com o bem-estar do proximo.
Tenho um filho de três anos e o levo para brincar e passear nos parquinhos e jardins desde que era bebê, e o que me deixou surpresa foi ver o quanto mães e pais, desde que a criança começa a andar, começam a incentiva-las a passar o outro, a não ceder a vez, muitos não ensinam as palavras "com licença", "por favor" ou "desculpe", que deveriam ser ensinadas às crianças desde pequenininhas. Ja presenciei duas vezes em parquinhos brigas de mães, com tapas, puxões de cabelos e ofensas, cada uma "defendendo" a seu filho da forma mais agressiva possivel em relação ao outro. E isso na presença de crianças !
O mal-estar na escola, ao meu ver, é um sintoma do que acontece la fora. Do que tem acontecido nos ambientes sociais, nas filas de cinema, nos restaurantes, na praia e, sobretudo, no ambiente de trabalho. Se nos não tivermos essa consciência de que estamos agindo de forma muito individualista, numa agressividade e competitividade quase constantes, não vamos poder resolver a violência de nossos filhos, pois somos nos mesmos os primeiros a incentiva-la.
Alias, ainda sobre educação, meu marido e eu tomamos a decisão de banir a televisão de vez aqui de casa. Por hora, meu filho não viu praticamente nada de televisão nem desenhos infantis. Acho que ai também é outra analise que cabe ser feita: quando colocamos bebês em frente à televisão (e qual a televisão que temos mesmo ?) para assistir o que nos, adultos, assistimos ou para ver desenhos, muitas vezes ultra-violentos, e não temos dialago com a criança sobre as imagens violentas e agressivas que invadem às nossas casas e a cebecinha delas, como esperar outro comportamento das crianças e jovens nos ambientes externos, super estimuladas que foram de que o mundo é um lugar de combate ?
Muito boa análise Maria Luiza
Ontem na TV mostraram a tía do rapaz que gerou o acidente do JetSky que acabou matando uma criança: "Falei para não pegar o JetSky, mas...o menino tem 13 anos e é tão levado, não obedece a ninguém e faz sempre o que ele quer..." (foi algo assim)
Vou transcrever aqui algumas situações que vivi em uma escola da periferia da cidade de São Paulo, mais precisamente no bairro do Imirim. Era 1963 e eu cursava o 1º ano Primário em uma escola de feita de madeiras. Não era difícil encontrar por ali até escorpião. Então estudávamos olhando para todo o canto com medo.
A maioria das crianças não tinha sapatos e suas roupas eram bem simples. Até por isso, não existiam uniformes, pois sabiam que a maioria dos pais não poderia comprar. Só havia dois tipos de merenda: um copo de leite de soja ou copa com sopa de trigo. Na época ouvíamos que a diretora (que hoje tem o seu nome em uma rua do bairro) desviava a merenda para o seu estabelecimento comercial.
Assisti várias vezes a minha professora espancar e humilhar as crianças. Certa vez a professora pegou o cabelo de uma menina e bateu várias vezes a sua cabeça contra um caiabro que sustentava a janela. Ela só não chegou bater em mim porque a minha mãe foi até a escola e a ameçou. Ao contrário de minha mãe, algumas iam na escola pedir para que os filhos fossem "corrigidos" quando necessário.
Esta minha breve história é para dizer que a violência sempre existiu. Nas décadas passadas ela partia mais dos professores. A minha mãe foi na escola não só para que eu não apanhasse como as minha colegas, mas também para que eu não sofresse o mesmo que ela sofreu quando foi aluna na década de 30/40. Segundo a minha mãe, a professora humilhava os alunos mais pobres, eles deveríam entrar por último na sala, sentar no fundo da sala e outras coisas assim. Então se a violência não era física era psicológica. Nada era feito, pois o professor tinha o respeito que hoje perdeu.
A violência nas escolas não se resolverá de forma simplista. A escola é um espaço bastante complexo, pois assim são os relacionamentos e as pessoas. Apesar desta professora do 1º ano, conheci outros professores maravilhosos, gente digna que honra o nome do magistério.
Talvez este modelo escolar que existe por década deva estar falido. Por outro lado, é fundamental que a sociedade esteja voltada para a valorização do ensino e da própria escola. Não me parece que isso esteja acontecendo, pelo contrário.
Há 6 anos, mais ou menos, fui até uma escola estadual gravar um vídeo e fiquei impressionada com o número de grades na edificação e como a maioria dos alunos se comportavam feitos patetas, a comunicação entre eles se dava entre risadas desconcertadas e piadas estúpidas. Detalhe: eram enorme adolecentes. Num canto um aluno brincava de dar tapinhas na cabeça de uma "aluna" um pouco mais velha. Depois descobri que não era uma aluna, mas sim a sua professora. Saí de lá quase em estado de choque. As diferenças entre a minha escola primária de 1963 e aquela de 2005 eram muitas, mas ao mesmo tempo o horror que eu senti era o mesmo. Como pode a violência ficar fora de espaços e pessoas como estas?
Isso tudo são os efeitos colaterais , que se intensificam cada vez mais , das idéias de liberalização dos costumes , iniciadas nos anos 60. É o lixo originado no processo de fabricação com o qual temos que conviver.
Quando se diz : o fenômeno da violência ocorre no mundo inteiro , provavelmente isso não é inteiramente verdade nas sociedades orientais que não sucumbiram totalmente a esses movimentos de liberalização.
No Brasil isso adquiri contornos ainda mais graves , dada a fraqueza das instituições em inibir a criminalidade e a delinquencia. Cada vez mais as gerações anteriores se espantam com as gerações atuais. Crimes hediondos cometidos por pessoas cada vez mais jovens .
O ECA contribuiu muito para isso. São inesquecíveis as declarações do então ministro da justiça Marcio Thomaz Bastos de que considerava um absurdo a idéia de se colocar pessoas em formação em penitenciárias junto com criminosos avançados. Concordo com ele. Bastava apenas construir presidios específicos para esses jovens cumprirem suas penas. Simples assim. Mas a legislação brasileira considera que uma pessoa que cometeu um homicidio e tem menos de 18 anos , merece apenas uma "medida correcional " .
O que acontece hoje é que as barreiras psicológicas impostas pelas noções de hierarquia, precedência e disciplina são dissolvidas.
Se antes havia abuso por parte dos mestres no trato com os alunos , hoje os alunos não tem mais incutido no seu consciente aquela noção de distância entre sua condição de aluno e a condição de mestre.
Eu fui aluno ginasial na década de 80. Presenciei professores arracarem as orelhas de alunos. Na época me choquei ; hoje acho que estavam certos .
Já naquele tempo se discutia a indisciplina e a delinquencia em sala de aula. Mas olhando para a situação de hoje , a gravidade da situação daquele época fica totalmente pálida. Ainda havia esse sentimento de distância entre você aluno e o seu mestre. Eu mesmo não me sentia a vontade para me dirigir quando e como quisesse aos meus professores. Havia certa deferência no trato.
Hoje isso acabou. Os jovens já são deformados na educação paterna. Não conhecem limites. Não admitem serem contrariados. Ai de quem lhes nega o tenis novo , o celular , o videogame , o relacionamento com o novo namoradinho. Quem se coloca em seu caminho , se puderem passam por cima. Assim são educados.
E a coisa só piora , pois a geração deformada do passado alimentou a geração de hoje , que passará seu legado para a de amanhã , e assim a cada ciclo de uma forma pior.
Me chamou a atenção outro dia uma entrevista do FREJAT , do Barão Vermelho e companheiro de banda do Cazuza . Ao relatar que seu filho de 13 anos lhe questionou sobre uma entrevista dele nos anos 80 na qual ele afirmava que já tinha experimentado todo tipo de droga. Encurralado pelo filho de 13 anos , se saiu com essa : "naquela época era diferente. As drogas eram uma expressão de libertação. Uma experiência. Hoje é diferente. Droga é só vício " .
Mentira, né ! Nos anos 60 ainda vá lá. Droga era rebeldia. Nos anos 80 já não eram mais. Eram apenas coisa de drogado mesmo. Mas tudo bem , se é pra enrolar o filho pra se manter longe das drogas tá valendo.
E todos esses casos assombrosos com que somos bombardeados diariamente : jovens que assassinam os pais , menores dirigindo carros e matando pessoas , adolescentes de 12 anos já completamente dominados pelas drogas , ..... tudo isso é o resultado direto da falência da educação , foi a grande conquista da geração dos 60 , que mandava não confiar em ninguém com mais de 30 !
Em 2012 completam-se 10 anos de um dos casos criminais de maior repercussão na imprensa em todos os tempos :
Suzane Richtofen , com a ajuda do namorado , matava seus pais à pauladas enquanto dormiam . Vale como simbolo emblemático da situação de toda essa geração !
Postar novo Comentário