Vige, na mídia, a ignorância linguística

Por Weden

O caso da condenação do livro didático (col. Por uma vida melhor, da coleção Viver, aprender, de Heloísa Ramos et alii) pelo populismo midiático não é expressão somente de tomada de partido numa suposta querela entre linguistas e gramáticos. 

Para esclarecer, chamo de "populismo jornalístico" o hábito próprio a alguns veículos e jornalistas de se acreditarem "justiceiros do povo", autorizando-se a cometerem assassinatos de reputação, a partir de condenações precipitadas sem base legal e/ou científica.

O caso é, sim, a expressão da ignorância linguística em sua versão mais perigosa: a de defesa consciente do preconceito.

Reverberada, acriticamente, por diversos veículos impressos, meios eletrônicos, e mídias de rede – entre portais, e blogs agressivos e leigos – a condenação ao livro, aos autores e ao próprio MEC, partiu de uma leitura pouco atenta e informada do texto da obra, chegando à prática perversa da boataria de difamação.

No Brasil, lidamos com a resistência de uma "prática tradicional e normativa" em ceder, na escola,  espaço para a ciência. O que é gravíssimo.

Entre todas as disciplinas escolares com base científica (biologia, física, matemática, história etc.), os estudos de língua materna são os mais atrasados no país. Contribui para isso o fato de que a base científica destes estudos constantemente é alvo de ataques não somente de normativistas, como também e muitas vezes de personagens da mídia. Isso quando não se confundem.

À linguística, cabe trazer conhecimentos sobre a língua.

A gramática não é científica e não tem condições de trazer conhecimentos sobre a língua. Ela traz apenas normas, ou "etiquetas", como já designou o linguista Sírio Possenti.

Ora, não se pode esperar de especialistas em etiqueta social que tragam esclarecimentos sobre fenômenos antropológicos. Seria como esperar um debate sério entre Glória Kalil e Clifford Geertz.

Emparelhar gramática e linguística numa mesma discussão sobre a língua é tão absurdo quanto  construir críticas a "teorias antropológicas" a partir de "dicas de etiqueta social".

A gramática deve cumprir seu papel: informar os alunos sobre "aquilo que é norma gramatical". Só isso. Nada a dizer sobre a língua em sua complexidade. Mas a gramática é parte (com alguma importância) e não o todo do saber sobre a língua.

Assim como antropólogos costumam dar algum valor à etiqueta social quando estão em jantares ou apresentações acadêmicas, mas sabem que a cultura não é somente isso; linguistas não desprezam a gramática, mas sua função, entre tantas outras, é alertar que a língua também não é somente isso.

Tudo bem: há quem acredite que indígenas são mal educados por andarem seminus. Mas não podemos levar estes juízos a sério.

O que linguistas tentam esclarecer à sociedade, com base em estudos científicos, aliás, bastante antigos, é que a língua é maior que uma lista de "acertos/erros". Ela é um sistema complexo, atravessado pela história, e por práticas extremamente complexas no corpo social.

Em pleno século XXI, o que alguns gramáticos e alguma mídia tentam dizer é que a língua não é um sistema complexo, não é atravessada pela história, e não é múltipla e maior que regras gramaticais. Convicções do século XVII, diga-se de passagem. Ou, de forma análoga,  é como se tentassem convencer-nos de que indígenas são "mal educados" por andarem seminus, condenando e difamando os antropólogos por não concordarem com esta estupidez.

Em síntese: o que os autores do livro fizeram foi alertar aos alunos que o modo como  alguns deles falam não é "incorreto linguisticamente", mas apenas "não autorizado gramaticalmente", pois que não existe propriamente língua portuguesa (francesa, espanhola, alemã etc.) certa ou errada.

O que a mídia está fazendo neste momento, em contrapartida, é defender "ardentemente" o preconceito - ato tão grave quanto alguém defender o racismo e o sexismo em nome de "normas de etiqueta".

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260 comentários
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Cristiano Torres

Fiqeui emocionado. Pena que o mundo seja ainda tão cheio de preconceito.

 
 
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Anarquista Lúcida

Me desculpe, Cristiano, o oportunismo, mas é que queria falar com a Márcia, e quis que o comentário aparecesse logo.

Márcia, se você estiver lendo (nao consegui descobrir você nas várias Márcias do Portal agora), por favor, anexe a um comentário na minha página aquele texto do Nakamura sobre "Nós Mudemo". Aquele texto ajudaria muito essa discussao.

 
 
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GUSTAVO perez

curioso que a mídia se comporta de maneira inversa no caso do combate aos estrangeirismos

 
 
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allegro82

Talvez seja a explicação mais didática que se pode dar nesse momento. Mas é realmente vergonhoso o espaço dado aos gramatiqueiros em nossa mídia, em detrimento daqueles que se dedicam a uma pesquisa científica mais séria.

 
 
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Edson Joanni

Hehehehe...

Fala a verdade Nassif, esse vige é provocação...

 

Milicos de pijamas não terão mais sossego em suas camas! Comissão da Verdade já!

 
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Tarkus

“Fala a verdade Nassif, esse vige é provocação...”

Vige Maria! heheheh...  

Falar errado todo mundo fala. É a tal da forma coloquial.

Não é preciso ensinar a falar errado! Os livros em questão são DIDÁTICOS e não faz o menor sentido autorizar as crianças e adolescentes a falar errado!

O que vige na realidade é a velha mania de defender o que está errado, apenas porque foi um erro cometido, no caso, pelo MC do governo que elegemos.

Quando os tucanos distribuíram livros com erros e até palavrões, eu critiquei veementemente. E agora critico esses livros também! Oras!!

 
 
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Edson Joanni

E eu estou de acordo com vc!

É só conferir os comentários de ontem pra ver como me espinafraram porque eu defendi que não concordo com o livro.

 

Milicos de pijamas não terão mais sossego em suas camas! Comissão da Verdade já!

 
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Tarkus

É o espírito de torcida que leva muitos a fazer avaliações passionais e pouco refletidas.

Tem um cidadão  mais abaixo que atribui a crítica ao livro, ao “racismo” da Globo...   

Isso é misturar demais as coisas! O que mostra que o cidadão não está usando de razão na avaliação do fato em si,  e sim apenas considerando a reprovação, muitas vezes sistemática, que a Globo faz ao atual governo.

O que em minha opinião, não é o caso.

 
 
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Edson Joanni

Tem toda razão.

Tem patrulheiro que engata o discurso verborrágico pronto pegando "gancho" em qualquer assunto.

 

Milicos de pijamas não terão mais sossego em suas camas! Comissão da Verdade já!

 
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Weden

 

Tarkus e Edson,

De onde vocês tiraram que o livro "ensinou a falar errado". Esta afirmação insiste na estupidez denunciada no artigo.

As autoras afirmaram apenas que são muitos os falares, e que nenhum pode ser condenado, e que ainda é possível que alguns deles sejam discriminados por isso.

Isso não é uma opinião das autoras. Hoje isso é uma certeza linguística.

A noção de "falar errado" vem de quem não tem qualquer conhecimento linguístico.

É algo como dizer que, no sistema biológico, os cães são errados e os gatos, corretos.

Leia o que a autora disse primeiro - e não pense através do que "a mídia disse que ela disse".

Abs.

 

 
 
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Edson Joanni

Weden, se vc também ler primeiro vai ver que eu não disse o que você diz que eu disse.

Minha crítica é pela forma como isso foi colocado. Pra ser bastante exato: no livro está escrito que quem falar de maneira não formal poderá sofrer preconceito linguístico. Isso é que eu acho exagero. E para quem está aprendendo na escola, que deve ensinar em primeiro lugar o português formal, acho que é anti-produtivo. Se, por exemplo, a professora corrigir um aluno porque ele falou "nóis vai" ela será automaticamente preconceituosa ou estará exercendo sua profissão? Acho que é como o Luiz Horácio disse:

 

"Parece uma capitulação, do tipo, bom, já que ninguém aprende mesmo, já que ninguém está interessado em saber falar ou escrever o português segundos as normas da língua formal, a norma culta, vamos "franquear" para todos a língua popular, a coloquialidade passa a ser a variante culta. Está soando como mais um "barateamento" da educação nacional".

 

É justamente essa a impressão que ficou em mim quando li a tal página do livro. 

Um abraço

 

Milicos de pijamas não terão mais sossego em suas camas! Comissão da Verdade já!

 
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Weden

 

Edson,

De novo. Cabe ao professor de português dizer que há uma tendência, por exemplo, no falar carioca de conjugar a segunda pessoa com verbo na terceira ("Tu não vai hoje não?").

E que há ditongação em formações "vogais + s final" neste mesmo falar.

Vou ser bem didático neste momento: "ensinar que há este fenômeno não é o mesmo que ensinar a assim falar".

Entendeu?

Ela deve saber explicar, como especialista em língua portuguesa, todos estes fenômenos. E alertar que isto não pode ser reproduzido em certas situações de enunciação, nem na língua escrita em registros mais formais.

Mas se ela quiser proibir o aluno a escrever assim entre amigos, ou num chat de bate papo informal, ela estará fazendo um grande mal ao ensino da língua portuguesa, visto que se sabe hoje há enorme rejeição dos alunos à distância da disciplina em relação às práticas sociais da língua.

Ensino de língua materna não pode ser somente uma disciplina "normativa", mas uma disciplina com base científica. Assim como a biologia, a matemática e a história.

 

 
 
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Tarkus

“Vou ser bem didático neste momento: "ensinar que há este fenômeno não é o mesmo que ensinar a assim falar".

Entendeu?”

 

Não! E lhe pergunto qual é a finalidade? Pois se é um fenômeno, não há o que se ensinar! Ele já se manifesta naturalmente! O que há de se ensinar é o Português correto! E não é minimizando a importância dos erros de concordância verbal, que vamos ensinar o Português correto.

 
 
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Flavio F.

"Pois se é um fenômeno, não há o que se ensinar! Ele já se manifesta naturalmente!"

Claro! A gravidade é um fênomeno, não há o que ensinar! Ela já se manifesta naturalmente!

 
 
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cariry

Essa foi ferina!

 

"Seja realista: exija o impossível"

 
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Tarkus

Na verdade essa foi muito ignorante! 

Há que se explicar que há o fenômeno! O quer NÃO há que se fazer é MINIMIZAR a importância do erro de concordância verbal !!

Quando se diz que pode-se sofrer “preconceito linguístico”, se está ACEITANDO o erro!

E a língua é uma convenção de regras que se aprimora dia a dia!  Portanto, criar neologismos é natural, é sadio, já AUTORIZAR o erro nas regras gramaticais dizendo que o errante pode sofrer “preconceito linguístico” ao errar, é totalmente inapropriado, uma vez que o fenômeno da forma coloquial ao falar, já se manifesta naturalmente e tem, obviamente, UM LIMITE NO NÍVEL DE ERROS. O que não pode ser ignorado, principalmente num livro didático que minimiza o referido erro.

Há um limite no NÍVEL de erros de concordância verbal! E o livro nada diz sobre isto. Simplesmente diz “você pode dizer  ‘os peixe’ ”.  Ora, faça-me o favor!

Registrar que há o fenômeno não significa autorizá-lo indefinidamente, dizendo que pode-se sofrer preconceito ao errar. Isso é um desserviço ao ensino de Português.

 
 
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Weden

 

Não! E lhe pergunto qual é a finalidade? Pois se é um fenômeno, não há o que se ensinar! Ele já se manifesta naturalmente! O que há de se ensinar é o Português correto! E não é minimizando a importância dos erros de concordância verbal, que vamos ensinar o Português correto.

Explico de novo, talvez ainda mais didaticamente.

Não basta dizer que "não se escreve mêis" aos alunos das escolas do Rio. Eles saberão porque erram na escrita, quando compreenderem que:

1. A ditongação neste caso é uma realidade de todo falante, seja considerado culto ou não. Todos os cariocas, sem exceção, praticam isso seja nos registros formais ou informais da língua.

2. Que a escrita formal não registra este "espelhamento fonológico". Ou seja, embora todos falem, não é recomendável que assim se escreva.

3. Que eles devem tomar cuidado, não quando falam, mas quando escrevem, visto que é uma tendência do dialeto carioca a forçá-los a escrever assim. Se o aluno tem pouco contato com a atividade escrita, ele será ainda mais "vítima" desta tendência.

Não é por lista de certo/errado que conheço melhor o idioma. Preciso saber porque, no Rio, "Leis" rima com "mês", com "vez" e com "vocês".

É estranha a pregação de "que nós não precisamos conhecer a língua". Será que agora precisamos "ocultar" conhecimentos em pleno ambiente escolar?

Se este ensino fosse assim efetuado há tempos, não teríamos Mervais e Sardembergs falando tanta asneira (e o pior, longe das normas gramaticais, que pregam, mas não praticam).

______

Conhecendo as linhas de força de um sistema qualquer, saberei como lidar com isso sem me sentir "um idiota", "um ignorante", "um burro" - auto-desmerecimento que é uma das maiores causas de desidentificação do aluno com a escola e,consequentemente, sua evasão

Este conhecimento da língua, por ciência e não por dogma, é tão importante quanto é importante para cada um de nós conhecer o ecossistema para que não lhe causemos prejuízos.

_________

O que o livro didático faz é isso: conheça a língua e saiba como usá-la em situações as mais variadas.

__________

Ou seja, ele não ensina, apenas registra as diferenças para melhor compreensão dos alunos.

 
 
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Tarkus

“Não basta dizer que "não se escreve mêis" aos alunos das escolas do Rio. Eles saberão porque erram na escrita, quando compreenderem que:

1. A ditongação neste caso é uma realidade de todo falante, seja considerado culto ou não. Todos os cariocas, sem exceção, praticam isso seja nos registros formais ou informais da língua.”

Nos registros formais???? Eu não posso crer que aí no Rio se escreve “meis” no lugar de “mês” nos contratos, registros e documentos diversos, desculpe.

 

“a escrita formal não registra este "espelhamento fonológico". Ou seja, embora todos falem, não é recomendável que assim se escreva.”

Sim amigo, aí concordamos plenamente! Isso se chama forma ou padrão coloquial. Mas mesmo no padrão coloquial existe um limite no nível de erros de concordância verbal, que é exatamente ao que o livro se refere na página citada: Erros de concordância verbal.  O livro nada diz sobre os limites, ao contrário, diz que pode-se sofrer preconceito. 

E é exatamente esse nível o que determina quais erros são aceitos no padrão coloquial e quais não são.  É quando se extrapola esse limite dizendo coisas como: "nós foi" ou "eu ponhei" ou "nós vem",  que o "preconceito" se manifesta.  Eu não chamo isso de preconceito e sim de ÚLTRAPASSAR O  LIMITE TOLERÁVEL.

 

 
 
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Anarquista Lúcida

Pior do que estar sendo preconceituosa. Está calando o aluno. Levando a que ele odeie a escola, e possa inclusive evadir dela. NINGUÉM MUDA A FALA DE NINGUÉM! Pode-se ensinar, aos poucos e parcialmente, a (mal)dita norma culta na escrita, e ao longo de um processo lento. Mudar a fala é impossível e VIOLENTO!

Vou procurar a história do "Nóis Mudemo". Um caso real para vocês pensarem.

 

 
 
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Morales

"Se, por exemplo, a professora corrigir um aluno porque ele FALOU "nóis vai" ela será automaticamente preconceituosa ou estará exercendo sua profissão?"

Ela será automaticamente preconceituosa (reproduzindo um preconceito disseminado baseado em uma imensa IGNORÂNCIA linguística intolerável em alguém que tenha ser formado em um curso de Letras). É o mesmo que um psicólogo tentar curar um paciente homossexual!

O máximo que ela pode fazer é deixar claro que, em nossa sociedade, existe um enorme preconceito linguístico CONTRA AS FORMAS GRAMATICAIS DOS FALARES POPULARES, que existe uma norma culta baseada, ARBITRARIAMENTE, em formas de expressão arcaicas da classe dominante, que essa forma de falar e escrever é a única codificada e descrita com detalhes e que, portanto, tem prestígio e recomenda-se que seja aprendida e utilizada NA ESCRITA e EM SITUAÇÕES FORMAIS, se se deseja avançar social e economicamente (pelo menos até a revolução!). É o que ela ensinará em sala de aula e exigirá em provas e trabalhos. Sua função é ampliar a capacidade de expressão dos alunos com ênfase na chamada língua culta. Por uma necessidade, não porque seja "correto".

 
 
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Tarkus

“As autoras afirmaram apenas que são muitos os falares, e que nenhum pode ser condenado, e que ainda é possível que alguns deles sejam discriminados por isso.”

Meu caro, o fato de existir uma forma coloquial da linguagem, algo inerente a praticamente todas as línguas, não indica que esta forma deve ser aceita formalmente. Portanto, sendo reconhecido que o padrão coloquial está ERRADO, não há que se minimizar o erro dizendo que há “preconceito linguístico”.  Essa foi uma das a maiores  pataquadas da Educação brasileira!  

Pois, mesmo no padrão coloquial há um nível de tolerância de erros, antes de alguém rir do erro e “manifestar preconceito linguístico”.   

Sendo assim, não há que se minimizar a importância do erro seja ele qual for.

Por fim, digo que a finalidade de um livro didático é ensinar corretamente e não minimizar erros de concordância verbal, como vimos no referido livro.

 

 

 
 
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Morales

O padrão coloquial NÃO ESTÁ ERRADO. Isso fica por conta da sua ignorância linguística (disseminada pela sociedade, por isso você reproduz o preconceito).

 
 
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Tarkus

“O padrão coloquial NÃO ESTÁ ERRADO. Isso fica por conta da sua ignorância linguística (disseminada pela sociedade, por isso você reproduz o preconceito).”

O padrão coloquial “não está errado” ao FALAR.  Ao escrever está!

E mesmo na forma coloquial HÁ UM LIMITE que a sua ignorância não lhe permitiu refletir:

Se dissermos  “os  peixe”, isso é comumente aceitável, mas se dissermos “nós vem”, não é.

Percebe que há um limite e que isso não é preconceito e sim um limite de tolerância?

 

 

“Ela será automaticamente preconceituosa (reproduzindo um preconceito disseminado baseado em uma imensa IGNORÂNCIA linguística intolerável em alguém que tenha ser formado em um curso de Letras).”

Mas que ignorância liguística, meu amigo? Qual é a função de um professor de Português afinal?

Seria sua função MINIMIZAR a importância de se falar o Português corretamente?

Seria sua função IGNORAR os LIMITES DO ACEITÁVEL na forma coloquial da língua?

Ora, mas que batatada! Pelamordedeus!

 

 
 
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luisnassif

Tarkus, não dá para ser menos agressivo nos comentários? Cada comentário seu é uma paulada. Não precisa tanto assim.

 
 
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Tarkus

 A que parte se refere, Nassif?

Nos comentários acima me foi atribuído ignorância e eu também atribuí ignorância à pessoa...

Não foi uma iniciativa minha...

De qualquer forma, tentarei atendê-lo.

 
 
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Creio que você precisa arejar a cabeça... e analisar o tema com mais profundidade:

 

"A Gramática Tradicional permanece viva e forte porque, ao longo da história, ela deixou de ser apenas uma tentativa de explicação filosófica para os fenômenos da linguagem humana e foi transformada em mais um dos muitos elementos de dominação de uma parcela da sociedade sobre as demais. Assim como, no curso do tempo, tem se falado da Família, da Pátria, da Lei, da Fé etc. como entidades sacrossantas, como valores perenes e imutáveis, também a Língua foi elevada a essa categoria abstrata, devendo, portanto, ser “preservada” em sua “pureza”, “defendida” dos ataques dos “barbarismos”, “conservada” como um “patrimônio” que não pode sofrer “ruína” e “corrupção”. Assim, língua não é toda e qualquer manifestação oral e/ou escrita de qualquer ser humano, de qualquer falante nativo do idioma: “a Língua”, com artigo definido e inicial maiúscula, é somente aquele ideal de pureza e virtude. A língua deixou de ser fato para se transformar em valor.Querer cobrar, hoje em dia, a observância dos mesmos padrões lingüísticos do passado é querer preservar, ao mesmo tempo, idéias, mentalidades e estruturas sociais do passado."

Marcos Bagno - professor da Universidade de Brasília

 

Preconceito contra a lingüística e os lingüistas

http://marcosbagno.com.br/site/?page_id=59

 
 
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cariry

O Bagno não é melhor que a mídia. Tal mídia pode se agarrar ao preconceito mas o Bagno se fixa em uma forma tosca de encarar a língua e a norma culta. É como se não houvesse valor de mercadoria por ele ser variável. Existe a norma culta (ou deveria existir) respeitando os dialetos e as mudanças que vão ocorrendo. A proposta do Bagno e do MEC apenas aumenta o preconceito e o elitismo: fica uma língua para os cultos (elite então) e outra para os povos. Temos sempre que sair do Cotidiano quando estamos na escola. O dia a dia, a comunidade, já ensinam o falar popular. Se for para ensinar (ensinar?) com esse relativismo populista do Bagno e do MEC melhor fechar as escolas e montar bibliotecas em parquinhos...

 

"Seja realista: exija o impossível"

 
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Que tolice. O "erro" foi identificado, não só pelo Marcos Bagno, como por outros comentaristas do blog do Nassif, nas palavras usadas pelos preconceituosos da mídia ao atacar o livro.

Ou seja, aqueles que defendem a norma sequer fazem uso dela.

Isto significa que não só a massa da população, mas também a "elite" pratica o portugues identificado como "errado". É uma situação ridícula.

Quanto a tentar diminuir Marcos Bagno ao nível de merval, sardemberg, monfort... aí você só pode estar brincando.

 

 
 
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cariry

Eu errei ao diminuir o Bagno. A mídia faz assassinato de reputação e não faz crítica alguma. Além disso procura um gancho para atacar Lula e todo o povaréu que se apresenta diferenciado. Nada a ver com Bagno. Não sei agora como corrigir o erro meu.

O que tentei dizer foi: se não houver o ensino de norma culta haverá preconceito pois a elite sempre terá acesso a tal (em verdade, tais) norma culta. (E ele procura fixar o falar popular que não pode ter norma, é zuêra mesmo.) No final ele dá margem a preconceitos e discriminações, deixando a escola a ensinar tanto a "norma culta" quanto ALGUNS "falar popular" (só alguns). No final a escola não poderá ensinar nada pois não havendo norma não há como ensinar todos os falares.  Dos falares populares a gente dá conta.

(Não precisa corrigir meus erros em relação a normas populares...)

 

"Seja realista: exija o impossível"

 
imagem de Anônimo

Cara, o livro ensina a norma culta... só que faz mais do que apenas isso.

O livro explica que esta norma específica é ultrapassada, mas alerta que, eventualmente, quem não usar a norma pode ser vítima de preconceito.

Isto é um problema para você? Tente ao menos explicar a razão.

 
 

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