Vice de Salvador contra o modelo de carnaval

Por Patricia R

Coloco aqui texto retirado do blog da Maria Fro, é reportagem do Terra Magazine. Segue o link e o texto. Mostra um lado nada agradável do que se tornou o carnaval no Brasil.

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4199139-EI6578,00-Vice+de+Salvador+ataca+exploracao+de+cordeiros+no+Carnaval.html

Vice de Salvador ataca exploração de cordeiros no CarnavalTerça, 12 de janeiro de 2010, 21h38 Querem o dinheiro da ...Ex-prefeito e atual vice de Salvador, Edvaldo Brito ataca ganância dos donos de grandes blocos carnavalescos em Salvador: "Querem o dinheiro da Prefeitura, querem tudo o que você possa imaginar"11 de janeiro de 2010Secom/Divulgação

Claudio Leal

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Baba Egbé do Terreiro do Gantois, uma espécie de protetor da comunidade do Candomblé, o vice-prefeito de Salvador, Edvaldo Brito (PTB), precisará de auxílio dos ancestrais para impor mudanças nas relações de trabalho no carnaval baiano. Em especial, no cabresto dos cordeiros, os subempregados da indústria carnavalesca que cuidam das cordas de segurança nos desfiles dos blocos (a etnia predominante é a negra).

Divulgado na semana passada, o novo estatuto das festas populares determina que os cordeiros devem ganhar três litros de água, protetores solar e auricular, sapatos antiderrapantes e camisa de algodão. Para superar as condições precárias dentro dos blocos, houve a participação do Ministério Público do Trabalho, mas, ainda assim, os empresários reagiram às medidas humanitárias da Prefeitura.

- Eu vi reagir o chamado presidente do Conselho Municipal do Carnaval. E, considerando ser alguém vinculado a um bloco do carnaval, é evidente que não tem isenção para ser presidente de um órgão que congrega diversos segmentos - diz o vice-prefeito, Edvaldo Brito, responsável pela coordenação da folia baiana, em entrevista a Terra Magazine.

Veja também:
» Entrevista: Gilberto Gil discute o Carnaval de Salvador
» Siga Bob Fernandes no twitter

Entre outras medidas, a Prefeitura obriga os blocos a pagarem também pela exposição de patrocinadores. Em conversa com o jornal baiano Correio, o dublê de presidente da Associação de Blocos de Trio de Carnaval de Salvador (ABT) e do Conselho Municipal do Carnaval, Fernando Boulhosa, afirmou: "Vamos ingressar na Justiça para cancelar as regras, pois elas foram divulgadas a 35 dias do Carnaval. Nós não fomos consultados e nem temos condições de arcar com os custos para equipar os cordeiros com tantos itens".

Numa festa milionária, os cordeiros chegam a receber pela diária menos de R$ 10. A concentração para a escolha dos braços negros, em frente ao Farol da Barra, chega a lembrar os procedimentos dos mercados de escravos, séculos atrás. Edvaldo Brito responde ao choro financeiro dos empresários:

- O vice-prefeito de Salvador está propondo oferecer três litros d'água aos cordeiros, proteger os ouvidos dos cordeiros, a integridade dos cordeiros... E eles declaram, safadamente, que não têm dinheiro.

 


"Gigi, eu chego lá" - "O 1o voo do Chiclete Voador" (sic!) destacado por jornal baiano: Chiclete com Banana investiu R$ 17 milhões em jatinho

No dia 8 de janeiro, o jornal A Tarde estampou louvaminheira metade de primeira página para informar aos leitores "chicleteiros", em foto sinérgica: a banda Chiclete com Banana (Bell Marques à frente) realizara o "voo inaugural" de um avião particular avaliado em R$ 17 milhões. Edvaldo Brito não citou diretamente o esbajamento do jet set, mas critica os plutocratas da música baiana:

- Estão trocando a dignidade por dinheiro, pra ficarem mais ricas, terem mais condições de comprar seus bens materiais com valores estratosféricos.

Ele denuncia a ganância privatista do setor carnavalesco:

- Querem o dinheiro da Prefeitura, querem tudo o que você possa imaginar desde que privatizem mais, mais, mais e mais o Carnaval da Bahia, sob o sacrifício da dignidade da pessoa humana.

Nos últimos meses, Brito tem sido mais atuante do que o próprio prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro (PMDB), apontado pelo Datafolha como o pior administrador entre as capitais brasileiras. Há articulações para Carneiro abandonar o cargo no mês de abril. O alcaide tenta se aproximar do governador Jaques Wagner (PT), apesar de ser liderado do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima. Prefeito da cidade em 1978 e 1979, o atual vice desfaz a especulação de que poderá assumir o cargo este ano.

Leia a entrevista.

Terra Magazine - Como o senhor vê as críticas dos donos de blocos de Carnaval ao estatuto que os obriga a dar coisas básicas aos cordeiros, como água e protetor solar?
Edvaldo Brito - Você colocou duas premissas. Blocos de carnaval, não. Eu diria que alguns reagiram, não todos. Eu vi reagir o chamado presidente do Conselho Municipal do Carnaval. E, considerando ser alguém vinculado a um bloco do carnaval, é evidente que não tem isenção para ser presidente de um órgão que congrega diversos segmentos. Perde a legitimidade quando fala a favor ou contra a medida.

Se refere a Fernando Bulhosa (ligado ao bloco Internacionais)?
Esse senhor. Em segundo lugar, vale a pena repetir sua expressão: as coisas básicas estão na Declaração dos Direitos do Homem, estabelecendo os princípios da dignidade da pessoa humana. A primeira a colocar isso foi a Constituição Alemã, exatamente depois da Segunda Guerra Mundial. Não se pode brincar com a dignidade da pessoa humana. Tudo isso que estou lhe dizendo é pra falar que os cordeiros, em favor dos quais a Prefeitura de Salvador veio agora, são portanto titulares da dignidade da pessoa humana. E aí essas pessoas estão reclamando. Poucas pessoas, pois vários segmentos aplaudiram... Essas pessoas estão trocando a dignidade por dinheiro, pra ficarem mais ricas, terem mais condições de comprar seus bens materiais com valores estratosféricos. O vice-prefeito de Salvador está propondo oferecer três litros d'água aos cordeiros, proteger os ouvidos dos cordeiros, a integridade dos cordeiros... E eles declaram, safadamente, que não têm dinheiro.

Querem o dinheiro da Prefeitura?
Querem o dinheiro da Prefeitura, querem tudo o que você possa imaginar desde que privatizem mais, mais, mais e mais o Carnaval da Bahia, sob o sacrifício da dignidade da pessoa humana.

O senhor disse que somente uma pessoa, o presidente da entidade dos blocos do canaval, se pronunciou contra a medida da Prefeitura. Mas a verdade é que se trata de uma prática tão forte que até hoje os empresários submetem os cordeiros a esse tipo de regime de trabalho.
Com certeza. Estou aqui na minha fente com a enquete promovida por um site, indagando o que as pessoas acham das medidas do Estatuto. Até as 15h e 24 minutos, 53,8% das pessoas achavam ótimo. Mas alguns acham que vai prejudicar muita gente.

Como vai ser feita a fiscalização?
Será feita por diversos órgãos integrados: Polícia Militar, Civil, Defesa Sanitária, órgãos de combate à violência... Será um batalhão de fiscalização.

Há uma questão racial no tratamento dado aos cordeiros?
Não diria que é uma questão racial, mas é um desrespeito à igualdade racial. Não no sentido de segregar, mas da igualdade. Se mais de 90% dos cordeiros são negros, precisamos ter a ideia logo de saída de que é um desrespeito à igualdade racial. Você pode imaginar o que é o dia de pagar esse dinheiro?

Filas enormes, sob o sol...
Mulheres grávidas, menores que pelo Estatuto da Criança e do Adolescente não podem trabalhar... O menor de 18 anos só pode trabalhar como estagiário. Como é que ele já vai puxar cordas? Essas regras valem para quê? Um grande escritor político do século XX, Norberto Bobbio, escreveu um livro chamado "A Era dos Direitos". Ele diz que todos nós temos direitos inscritos nos documentos normativos, mas faltam órgãos públicos para aplicar esses direitos. Não renego minha origem. Sou filho de uma lavadeira de roupas com um pedreiro. O povo vem e me dá 800 mil votos, me dá essa cadeira, me dá uma caneta para legitimar o exercício do poder. Não me abato com nada disso.

Por que o vice-prefeito tomou a frente disso e não o prefeito João Henrique? 
Ele me delegou. Existe um artigo da Lei Orgânica, o artigo 52, que estabelece que o prefeito pode me convocar para algumas tarefas especiais. Na quinta-feira "de cinzas", posterior ao carnaval de 2009, o prefeito deu um café da manhã para apurar como foi o carnaval. Neste momento, ele olhou para mim e deu a coordenação do carnaval de 2010, assim como me deu a revitalização do Pelourinho (no centro histórico de Salvador) e a reforma administrativa. Enfim, foi por isso. Significa que ele está de corpo e alma.

O que se comenta é que o senhor o sucederá em breve, na Prefeitura. Por isso tomou a frente? O prefeito vai se licenciar em abril?
(gargalhadas) Meu sorriso já mostra que eu não acredito em nada disso. Eu acho que isso não tem procedência. Você está me entrevistando lindamente e eu estou lhe respondendo lindamente.

Em relação aos cordeiros, numa análise mais sociológica, como o senhor avalia essas práticas da elite baiana?
Não quero generalizar em termos de elite. Prefiro dizer: capitalismo à baiana. Uma determinada faixa capitalista da Bahia, voltada para a exploração da cultura baiana e da fonte da cultura, o negro, essa sim, no plano sociológico e histórico, não se compadece.

Entra naquilo que disse Joaquim Nabuco? De que a escravidão permaneceria como uma característica nacional? 
Uma pessoa, o vereador Alcindo Anunciação, exatamente no dia de hoje, falou de quando os negros puxavam os navios negreiros com as cordas. Ele vê uma reedição com os cordeiros puxando a corda no carnaval. Você pode dizer que eu assino embaixo disso. Cada vez que vejo essa cena, me lembro da miséria do meu povo, me lembro da minha avó, que para poder sobreviver dependeu da minha ajuda. E me lembro de mim mesmo, tomando café com farinha. Digo isso sem nenhum complexo de inferioridade. Porque um filho de lavadeira que chegou aonde chegou não pode ter complexo de inferioridade, mas somente a gratidão a Deus, Nosso Senhor.

Terra Magazine

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36 comentários
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Tatu Bola

Ópera a céu aberto, os carnavais nos sambódromos

O pula-pula dos axés nas ruas

Maracatus, banhos de lama, mascarados, marcinhas(quando o ECAD permite, ,,,estou me referindo aos 800 milhões cobrados ao Bola Preta), alegria e prantos diante da belísismo carnaval da Portela(sobre o cinema), personagens e mais personagens, a história contada Brasil afora, antropofogia cultura, etc

Mistura de classe e divisão(entre elas), todas as idades, de 8 a 80

Marxismo, capitalismo, arte e mercado...

O carnaval, como grande diversidade que é, nos remee a tudo isso

Quanto a divisão da sociedade em classes, os cordeiros do carnaval de Salvador (e das micaretas, os carnavais fora de época) são um exemplo bem clarro

Já presenciei no CarnaGoiânia, os cordeiros(classe D e E) para impedir a aproximação dos pipoqueiros(pobres)

Acompanhando o trio elétrico ora com Claudinha Leite em cima, ora com Ivente Sangalo ou Chiclete com  Banana, aclasse média com seus abadás

Nos camaratoes a burguesia

Não estou entendo o susto se a Casa Grande e Senzala é uma realidade, o formato das micaretas e seus cordeiros apenas tornou isso mais visível

Boas festas de Baco, sem perdermos de vista a divisão da sociedade em classes

 

 

 
 
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Cassia Andrade

Sempre achei ridículo, num carnaval chamado popular, alguém cercar um caminhão com cordas e cobrar caro para que outros usem vias públicas de maneira paga. Só mesmo sob efeito alucinógeno chamam a isto de festa popular e de alegria. Alegoria para disfarçar a tristeza do ano inteiro. Este é um modelo de negócio que não prosperará. Assim como duvido que a copa de 2014 não aconteça (ao menos no Brasil), em no máximo 5 anos, este tipo de caro pedágio que os incautos pagam para andar em vias públicas - estas sim, populares -, decairá.

Esperneim, se indiginem, me xinguem e então aguardem. 

 
 
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Horridus Bendegó

Ah... cordeiro! sm 1 - aquele que segura a corda.

E eu pensando que era o sm 2 - aquele que tira do pecado do mundo.

Esse cordeiro aí (de Salvador) ajuda a pôr o pecado no mundo!

 

 

 

FUI

 
 
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Ivan Moraes

"Ah... cordeiro! sm 1 - aquele que segura a corda":

Que corda?!?!  O que eh um cordeiro?!

 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 
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Sergio SS

Ivan, os blocos são festas privadas, mediante a compra de abadás, vestimenta que serve como convite. Algumas chegam a custar R$ 500 ou mais.

Para seguir os trios elétricos tem que estar com os abadás. Os cordeiros então acompanham os trios elétricos pela beira da rua, de cada lado, isolando os foliões pagantes dos não pagantes. Este isolamento é feito por centenas de metros, dependendo do volume de pessoas no bloco.

A história então é que os cordeiros são explorados pelos empresários.

Sacô?

:)

 

Viver é afinar um instrumento...

 
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Ivan Moraes

Isso eh bizarro alem da minha imaginacao!

Obrigado, Sergio.  Estou atonito!

Mais atonito ainda de todo mundo achar isso normal.

 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 
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Sergio SS

Bizarro, tosco, medieval... é isto mesmo. Não é só na Bahia. Ao longo do ano as micaretas (carnavais fora de época) rolam no Brasil todo, jorrando milhões aos cofres dos músicos-empresários baianos e similares, no mesmo esquema abadás-cordas. Show de horror !!

As mesmas palavras podem ser usadas para o fato de a população de Salvador, 90% composta por negros/as, nunca terem elegido um negro ou uma negra para Prefeito/a.

 

Viver é afinar um instrumento...

 
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Tatu Bola

 

O carnaval nos sambódromos é um teatro a céu aberto, estes teatros abertos construidos por governos progressistas, o governador Leonel Brizola (RJ) e a prefeita Luiza Erundina (SP)

Me chama a atenção ver as celebridades nos carros alegóricos, enquanto os que carregam o piano, os que sabem sambar, não têm vez, estamos falando de e mercado, tudo bem, a indústria cultura explica, arte e mercado

 
 
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maria nadiê rodrigues

 

Para mim, o Sr. Edvaldo Brito está coberto de razão.

Nesses dias, ouvi de uma jornalista da CBN, perguntada se participaria de algum bloco de Salvador, ela disse que não; que não tinha abadá, e que pra ser 'pipoca', jamais. Explicou que pipoca é o que fica fora das cordas. Terminou por fazer uma crítica semelhante a do vice-Prefeito. Disse que após o Carnaval passado, soube que esses cordeiros ganham, no máximo, R$ 20,00, e mesmo assim eles reclamam pelo não pagamento muitas vezes.

Vejo a imprensa igualar os carnavais de Recife e do Rio com o de Salvador, mas não há comparação alguma. O carnaval de Salvador não é democrático, pois exige muita grana de quem dele quer participar com segurança, e quem ficar de fora das cordas tem que ver muita violência, como as demonstradas pelas televisões, quando não são furtados pelos ladrões. Vale dizer que para uma multidão daquelas não há polícia suficiente para estancar a criminalidade das ruas.

Para o que sabemos, esses bloqueiros ficaram ricos, e até milionáros com o comércio carnavalesco, que não se restringe aos dias de Carnaval propriamente dito. Eles ganham demais com os carnavais fora de época. Um pouquinho de tempo dos mais famosos num carro sai por uma fortuna, eu tenho certeza. Não era para o Governo - Prefeitura - arcar com nenhum centavo de real. Um abadá de Ivete Sangalo custou agora em torno de R$ 800,00. É mole?

Sem dúvida, a visão que se tem dos cordeiros é que a maioria é mesmo negra. Mas, independente da cor, a gente percebe ali uma baita exploração humana, de pessoas escravizadas, quando gostariam também de curtir. E como se nada disso bastasse, saem da Festa sem receber o devido. Se as autoridades não tomam medidas em favor dessa gente, e que já está sendo tarde demais pra isso, quem o fará?

Por fim, carnaval democrático, bonito, bacana sob todos os aspectos, são aqueles em que o povo entra na dança com a cara limpa, ou mascarada, não carecendo tirar do bolso qualquer dinheiro pra isso. Viva, então, os carnavais do Rio, de Recife, de Ouro Preto,etc. Isso, sim, dá gosto de se ver. Até Brasília tem um carnaval muito bacana, com blocos fazendo críticas políticas em suas músicas, se reinvantando a cada ano.

Quem vai mudar essas história é o próprio povão, que já mostrou neste ano estar animado para voltar a fazer o carnaval de antes. O cordão da Bola Preta, por exemplo, saiu com mais de dois milhões de pessoas, e as bandas dos bairros do Rio se multiplicaram. do mesmo modo, o Carnaval de Recife está sendo mil vezes melhor que nos anos anteriores. Que as empresas de carnaval baiano pensem melhor sobre o povo de sua terra, que não é formada somente por uma elite empresarial, mas por muita gente pobre e até miserável, que tambémgosta de brincar o carnaval.

 
 
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Tatu Bola

kkkkkkkkkkk

http://lh6.ggpht.com/_ZLwBhf6S0UI/S3oaewtoc8I/AAAAAAAABLk/7wdgt6IN3FY/Casoy%20no%20carnaval.jpg

 
 
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..já era  ..tipo futebol  ..tá dominado

BBB na cabeça  ..folha, Estado, terra, toda mídia "dita ética" critica  ..mas divulga  e ganha  ..quando não é isso é Casa dos Artistas ou Fazenda do Bispo  ..dá na mesma

tudo tem seu preço  ..até a consciência

ahhh sim  ..e não vamos esquecer a falta de modos civilizados, a MIJADA na calçada , a trepada  em local publico e a luz do dia ..o preço do ABADA  ..a passada de mão e o abuso  ..o ESPANCAMENTO  de pessoas inocentes por grupos de BANDIDOS que continua

axé prucê meu rei ..

a propóstio  ..SAMBÓDRAMO neles !!!!!  tal qual pra parada gay e evangélicos aqui em SP, tb  faria  muuuito bem...

 
 
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Tatu Bola

Engraçado, eu não sabia o signifiado a palavra GARI

Trata-se de um sobrenome, não do primeiro gari mas do empresário, o Aleixo Gari, que contratou o primeiro gari, deste ninguém sabe do nome, nem dos cordeiros de Salvador

Este texto é de "Rio", aproveitem e visitem este blog,

http://rioquemoranomar.blogspot.com/

sábado, 16 de maio de 2009

Dia do gari no Rio de Janeiro Hoje é dia do Gari!Esses amigos da cidade, de uniforme laranja.

  Eles teimam em deixar limpa a cidade - que tantos a todo momento insistem em sujar - com simpatia, bom humor e talento.E pra quem não acha que precisa talento, pense quantas vezes você varre sua sala, seu quarto, sua casa, e como, o que é principal.

 Infelizmente, em contrapartida, muitos descartam o papel de bala , o cigarro , a nota fiscal amassada da loja , a latinha de refrigerante ou cerveja, o chiclete, o folheto do ambulante e tanto mais, sem pestanejar, na primeira esquina, no jardim da praça, pela janela do carro ou ônibus. Muito triste. O nome GARI ?  Vem do empresário francês Aleixo Gari, que assinou contrato em 11 de outubro de 1876, com o Ministério Imperial, para o serviço de limpeza pública da cidade do Rio de Janeiro. De lá pra cá são 133 anos em que a história da limpeza na cidade evoluiu em técnicas e equipamentos. A eles, nossos parabéns!

 
Um grupo de garis, no Carnaval, tendo à frente o o gari Renato Sorriso.
Foto - Prefeitura - reprodução

 
 
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Tatu Bola

Tive a oportunidade de presenciar a humilhação dos cordeiros, se bem que talvez eu tenha sofrido mais do que eles(cordeiros), geralmente jovens pobres, perguntei a um deles quanto era que eles ganhavam para ficar a noite toda trabalhando e eles me informaram que era 10 reais, estou me referindo ao carnaval de fora de época de Goiânia, acaba a festa eles tinham que esperar em longas filas e chá de cadeira para receber os 10 reais, deve ter aumentado prá 20,00

Segue impasse sobre diária de cordeiros 07:17:41 imprimir  

Como acontece todos os anos, os donos de blocos de carnaval e os cordeiros não entraram em um acordo quanto ao valor da diária a ser paga aos profissionais que não deixam a corda cair. Os cordeiros, que pediam R$ 50, baixaram radicalmente a proposta para R$ 32, mas ainda assim a associação dos blocos diz que só pode pagar R$ 28. Em reunião nesta quinta-feira (10), com o Ministério Público do Trabalho, outros detalhes foram acertados, como a suspensão da obrigatoriedade do fornecimento de calçados para os cordeiros. Ficaram assegurados, entretanto, protetor solar, água e o seguro (que aumentou de R$ 10 mil para R$ 20 mil). O Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para o carnaval deste ano, entretanto, só será assinado no dia 15, quando espera-se que esteja resolvido o impasse das diárias. Informações do Correio.

http://www.bahianoticias.com.br/

 
 
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Ivan Moraes

Avatar, o que eh um "cordeiro"?  O que eles estao fazendo na foto?

 

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Tatu Bola

Ivan, pense no muro de Berlim separando ricos e pobres

Já experimentei dar uma de cordeiro e quase me arrebentei,  não sei porque o peso destas cordas é enorme, uma grande pressão, não sei porque, deve ser por causa do tambanho, pois forma-se um cercado do tamanho de um quarteirão, imagina só a força que um cordeiro tem que depreender para manter a corda numa posição correta, e além disso tem que ficar impedindo que os "pipoqueiros"(pobres que se aproximam das cordas) entrem no cercado

Dentro do cercado somente os uniformizados, estes que usam abadás

Na verdade em muitos lugares não existe esta coisa de não pagantes, eu mesmo entrei na micareta(carnaval fora de época) de Goiânia, dentro do autódromo, e paguei sim

Foi quando experimentei o que é ser um cordeiro, quando raia o dia eles correm o risco de não receber seus 10 ou 20, no máximo 30 reais, por uma noite inteira de sofrimento para garantir a festa

Alguns cordeiros ensaiam alguns passos tipo "eu trabalho mas me divirto" mas a diferença de classe, visivel de forma constrangedora, torna tudo muito triste

Talvez por isso nunca mais eu tenha perdido vontade de ir à micaretas mas, dizem, é o mercado!

Então tá...

 
 
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Ivan Moraes

A coisa do "cordeiro" eh de uma obscenidade que ate tira o folego...

Obrigado pela explicacao, JCL.  Nunca pensei que isso fosse possivel em pais algum, e muito menos no Brasil.

 

(Tambem adorei a foto do "gatinho em apuros" outro dia!  KKKKKKKK...  O Fulano voltou 5 dias depois, sangrando na perna.  Ele eh tao selvagem que nao da pra sequer pensar em colocar lo dentro de casa, ele tem que ficar na garagem mesmo.  Que pena!)

 

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Tatu Bola

Quais os direitos dos cordeiros?  

Todo ano os cordeiros sofrem com as péssimas condições de trabalho no Carnaval de Salvador. O problema é clássico na história das lutas de classe: o trabalhador quer que seus direitos trabalhistas sejam cumpridos enquanto os donos das empresas querem economizar dinheiro nessa área. Mas quais são os direitos dos cordeiros? Clique aqui e conheça os direitos dessa classe na Coluna Justiça.

http://www.bahianoticias.com.br/noticias/noticia/2011/02/10/85880,quais-os-direitos-dos-cordeiros.html

 
 
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Ivonildo Dourado

Concordo com as afirmações do vice prefeito Edvaldo Brito, há anos o carnaval de Salvador é a mesmice de sempre, a cada ano as ruas são transformadas em espaços privados com a ocupação do solo urbano pelos empresários que exploram o carnaval, retirando  do cidadão/folião a liberdade de ir e vir, por incrível que pareça até a área da aeronáutica foi utilizada para sediar mais um camarote.

O Carnaval da Bahia mesmo com todas as propagandas de que é uma festa popular, está a cada dia mais elitista, separatista com a grande massa sendo espremida pelos blocos e suas cordas e pelos camarotes que a cada ano se proliferam.

Quanto aos cordeiros a situação é de escravidão mesmo, e por incrível que pareça e mesmo que esse não seja o intuito, a imprensa tem colaborado para esconder essa situação, produzindo matérias onde o foco não é a situação degradante do trabalho dos mesmos, mas sim o fato deles ficarem próximo aos ídolos e brincar o carnaval no bloco e ainda receber por isso, parece piada mas é verdade. Poderia postar vídeos mostrando a postura da imprensa, mas faço o contrário, mostro um vídeo onde é retratada a história de uma entre milhares de história de vida que certamente são semelhantes.

Vídeo Produzido no carnaval de 2008 por Pablo Reis e Ramon Margiolle mostrando que essa situação não é nova.

 

Ivonildo Dourado

 
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Patricia R

Obrigada, Ivonildo, pelo pequeno documentário. Que bom que virou post, já que ajuda outros colegas a conhecerem essa situação. Eu mesma não imaginava, não sabia, que todo esse pessoal ganhava tão pouco, eram tão explorados... É um trabalho escravo express... que absurdo !!

Espero que as autoridades e os grupos de direitos humanos apresentem propostas para processar esses senhores que não cumprem as leis trabalhistas, mudando essa triste situação.

 
 
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Ivan Moraes

A ultima coisa que eu precisava era outra razao pra detestar carnaval.  Ai esta ela.

Perfeitamente horripilante, Ivonildo...

 

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Mario Blaya

as medidas da prefeitura de Salvador são perfeitas, o tal presidente dizer que 35 dias e pouco para conseguir os itens e ofender a inteligencia das pessoas,

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." Max Frich

 
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Egler

Podem me contestar quantos quiserem, mas, para mim, o único lugar em que não houve abolição da escravatura foi na Bahia.

 
 
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Odonir Oliveira

Morei em Salvador no final da década de 70 quando só havia trios elétricos no Campo Grande. O boom do carnaval se deu com ACM querendo tirar do RJ a centralização da festa. A Praça Castro Alves , naquela época, ainda era do povo como o céu é do avião e Caetano e Gil entre outros, andavam pela praça conversando com uns e outros. Ali conheci José Celso que acabava de voltar ao Brasil...

Os paulistas alimentaram com seu dinheiro a cobiça incontível dos empresários da Bahia. Havia uma campanha da Bahiatursa (a secretaria de turismo da época- não sei se se chama assim hoje) que dizia "Baiano, mete saudade nele", conclamando os soteropolitanos a seduzirem os "turistas". Já naqueles tempos, os ditos cordeiros sofriam grande exploração e só restava aos foliões nativos serem chamados de "pipoca"- o que pula por fora, sem a proteção das cordas, portanto, sem pagar. As condições dos pouquíssimos banheiros era infrequentável e a cidade cheirava/cheira à urina.

ACM, não descanse em paz por muitos motivos, inclusive por ter transformado o que era Salvador e seu carnaval democrático nisso que se vê hoje.

Ainda bem que o vejo de longe com a exploração e o enriquecimento ilícito desses cantores e grupos de axé- pouco ou nada representativos dos baianos de verdade. Tenho filha baiana e gosto MUITO da gente baiana e de seu jeito de ser.

Exploração da força dos baianos , de sua religiosidade, de suas comidas, de seu jeito de ser. A preços muito baixos, quase de graça.

 
 
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Arthemísia

Nos anos 80, em Recife, um grupo de políticos liderados por Jarbas Vasconcelos resolveu imitar a Bahia e investir nesse tipo de atração, os trios elétricos. Era o finado Recifolia. Mas, felizmente, essa época acabou sem deixar saudades. Considerando os políticos envolvidos tanto na Bahia quanto em Pernambuco com esse modelo de festa, imagino que o montante de dinheiro que ele gera deva ser estratosférico. Mas vai parar todo no bolse deles e dos donos dos trios.

 
 
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João Mac-Cormick

Ótimo que existam pessoas assim preocupadas com a dignidade humana. Já temos a Lei de Responsabilidade Fiscal. Quando faremos o debate da Lei de Responsabilidade Social?

Discordo apenas do seguinte fragmento:

"Porque um filho de lavadeira que chegou aonde chegou não pode ter complexo de inferioridade, mas somente a gratidão a Deus, Nosso Senhor."

O "nosso senhor deus" é matéria religiosa, em nada influencia aqui; nada tem a ver com os direitos trabalhistas. Se o vice-prefeito chegou onde está é porque trabalhadores, ao se organizarem, morreram pela dignidade no trabalho, isso já no primado do capitalismo.

Se existe alguma democracia neste, foi porque os cidadãos, ao se organizarem, morreram na luta contra as ditaduras nazifascistas e contra os militares golpistas entreguistas.

 
 
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Porque será que não criam um blocódromo? 

 
 
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mello

Tô  chegando  à  conclusão  que  o  carnaval  baiano  está  ficando  bom....para  os  cariocas,  pernambucanos,  paulistas,  mineiros.....os   desses  é  bem  mais  barato  e   acessível.

 
 
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Rafael Santana

O pior de tudo é saber que a maioria desses bloco, além dos lucros com a vendas de abadá, comercialização de anuncio/propaganda e cia, eles ainda recebem um grana violenta do tal "lei rouanet". Ou seja.. GRANA PÚBLICA.

E ainda pagam uma miséria para seus trabalhadores, onde quando se fornecer alimentação, não passa de um pacote de biscoitos recheado/ou uma unidade desses biscoitos cream cracker e uma caixinha de suco, do mais baratos possíveis do mercado, diferente de uma alimentação digna que um trabalhador merece.

Por isso morro de raiva quando vejo Ivete Sangalo e cia, se dizendo que é " POVÃO", que é " Do Guetto"... e não tem a menor sensibilidade de ver uma situação que ocorre literalmente na sua cara.

 
 
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Aroldo

Grande Edvaldo Brito!

Edvaldo Brito, filho de dona Edite, foi meu professor no Mackenzie, uma das pessoas mais geniais que já conheci.

Caro Nassif, vale a pena contar a história desse homem que de engraxate passou a discípulo de Orlando Gomes e se tornou um dos maiores juristas deste país.

 

 
 
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Carlos Alberto Passos

Tornaram-se milionários meia dúzia de vivaldinos empresários de blocos (muitos inclusive são os próprios cantores (as)) que também constroem os camarotes, ocupando os espaços públicos, que deveriam pertencer ao povão. Os moradores do bairro da Barra já não aguentam mais. Na cidade baixa, existe uma longa avenida - Terminal da França - que não é moradia e poderia tranferir o desfile para lá. Revalorizaria a área, completamente abandonada. Se discute a idéia. Mas a oposição é forte entre os que faturam. Procurem no youtube vídeos de cordeiros levando porrada na cara da massa ignara que se sentem excluidos e 'amassados' na festa dita popular. As autoridades estão esperando o pior para tomar providências. Enquanto isso, leiam a letra dessa música (sic) do Psirico que está sendo cantada nas ruas de Salvador:"Toma negona, toma chupeta/toma negona, na boca e na bucheca.../e por aí vai!

 
 

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