Uma proposta para o uso do lixo

Autor: 
Por Castagna Maia

Dificilmente nos damos conta da quantidade de lixo que produzimos. Pior do que isso: não nos damos conta da qualidade, do tipo de lixo de produzimos.

II
Há poucos dias publiquei aqui um atalho para um vídeo sobre a história das águas minerais vendidas em garrafinhas plásticas. São absolutamente poluentes, embora as campanhas sejam feitas mostrando paisagens maravilhosas da natureza, associando a água à pureza. Além disso, há os copinhos plásticos de água e cafezinho. E isso só para começar a conversa.

III
Esse tema não vem merecendo a atenção necessária do Congresso. Pior do que isso, as companhias terceirizadas de lixo nos municípios são frequentemente citadas em escândalos. Há várias maneiras de abordar o tema. Já publiquei, aqui, uma proposta de simplesmente proibir a terceirização da coleta de lixo em cidades com mais de 50.000 habitantes, obrigando à constituição de companhias municipais de lixo. Mas essa questão diz respeito à corrupção e propinagem. A questão, hoje, não é essa.

IV
Quanto ao lixo propriamente dito, há uma possibilidade de abordagem tributária. É muito barato produzir e vender aquilo que é absolutamente poluente, particularmente as garrafas chamadas "pet", além de tudo que é quinquilharia descartável feita de plástico. Significa dizer que o prejuízo relativo à coleta e ao "sumiço" desse lixo serão passados adiante, serão passados ao Estado. Ou seja, o poder público é que dará fim ao que foi produzido a baixo custo pelas indústrias. E baixo custo, também, porque não foi computado o custo de descarte dos restos, do lixo.

V
Veja mais: veja o caso das baterias de celulares, até mesmo das pilhas. Também não se tem como dar sumiço. E acabam indo para o lixo.

VI
É preciso que fique claro: boa parte do que compramos é barato - uma garrafa pet de refrigerante, por exemplo - porque o custo de descarte foi simplesmente repassado para o Poder Público. Não é problema das empresas. E também acaba não sendo problema dos consumidores. Seria possível criar taxas especificas sobre produtos de embalagens absolutamente poluentes. Não sei de proposta nesse sentido caminhando no congresso. Mas o ponto ainda é outro.

VII
A proposta que lanço a debate é a seguinte: a obrigação do município, do Poder Público, da companhia de lixo, passaria a ser exclusivamente a de coletar o lixo ORGÂNICO. O lixo seco não mais seria coletado.

VIII
Surgirão serviços novos, até mesmo cooperativas de catadores. E eles cobrarão por isso. Terão, no entanto, a obrigação de RECICLAR, e não de ESCONDER O LIXO. Regras serão estabelecidas para isso, para que seja feita a reciclagem ao máximo possível. Tudo terá que ser amplamente fiscalizado.

IX
Ou seja, teríamos que pagar por isso. Isso mesmo. Ou teríamos que selecionar o que levaríamos para casa. Entre uma garrafa pet e um filtro para a parede, você provavelmente escolherá o filtro. Entre garrafinha de refrigerante e embalagens maiores, você provavelmente venha a optar pela embalagem maior. As indústrias passarão a contar com isso: para que seu produto seja vendido, terão que propor alternativas diferentes, menos poluidoras. Ou terão que propor recolher os restos do que ela mesma fabricou. E serão obrigadas a reciclar.

X
Claro que isso não é indolor, que isso envolve gastos. Mas não é mais possível fazer de conta que nada está acontecendo. Todos os dias milhões de garrafinhas são vendidas, de baterias, de pilhas, tudo isso sem destino. O que acontece é simplesmente esconder o lixo, e isso é feito pelas companhias de lixo atuais.

XI
No caso dos celulares e outros equipamentos, simplesmente são jogados fora metais que estão acabando na natureza. Há metais que em 3 anos não mais existirão. E simplesmente retiramos da natureza e, depois, jogamos fora. Não é apenas o lixo propriamente dito, mas riquezas que estão acabando, que sequer serão conhecidas pelas novas gerações.

XII
A proposta, portanto, é a de que a coleta de lixo que existe seja modificada, em todo o Brasil. E seja autorizada a coleta exclusivamente do lixo orgânico. Quanto ao chamado lixo seco, passaria a ser problema nosso. De um lado, surgirão cooperativas de catadores e reciclagem, ou mesmo empresas especializadas nisso. De outro, as próprias companhias que fabricam os produtos altamente poluidores passariam a pesar o quanto isso influenciaria o consumidor de seus produtos. Teríamos, portanto, que nos dar conta da quantidade de lixo que produzimos e que simplesmente pedimos para o Estado dar sumiço.

XIII
O lixo seco passaria a ser problema nosso. É essa proposta. Aumentaria os custos para cada um de nós. Criaria um problema imenso para cada um de nós. Só que esse problema já existe, e vem sendo tão somente escondido. Mas acho que talvez seja mais fácil propor a criação de um fã-clube do Felipe Melo.  (www.castagnamaia.com.br/blog2)

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30 comentários
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Jurgen

Show! Apoio esta proposta integralmente. No meu prédio instalei coleta de pilhas e baterias. Como o posto de coleta é perto, o funcionario do condomínio descarta de três em três meses o conteúdo. Existe um sistema de queima de lixo por plasma. Isto resolveria em parte o problema dos dejetos não reciclaveis. O produto final é utilizado para estradas e ou construções (concreto).

 
 
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Nilva de Souza

Concordo com estas propostas e tenho tentado fazer minha parte.

Cheguei a guardar durante meses pilhas, baterias de telefone, aparelho celular antigo, teclado de computador e mais alguns recicláveis porque não consegui entregar nos mercados, nas lojas de celulares, liguei para SAC das empresas e nada. Os locais que elas indicavam para entrega, simplesmente não aceitavam. Diziam que não estão mais recolhendo. Desisti.

Há pouco tempo meu condomínio contratou uma empresa de coleta de recicláveis e eu tentei entregar. A resposta, como não podia deixar de ser, foi a mesma. Não trabalhamos com este tipo de material. Insisti muito e eles levaram.

Quanto a plásticos, uso o mínimo possível, até porque não gosto, prefiro vidros e louças. Substituo o que dá pra ser substituído.

Aqui é muito difícil, não há conscientização.

Não seria o caso de propor Ação Civil Pública ou exigir dos parlamentares uma posição para que apresentem PL às Câmaras, AL e Congresso? Podemos propor abaixo-assinados e, juntos com alguma entidade, entregá-los aos parlamentares.

Como dizia o personagem da música do Adoniran : "A situação está cínica..."

 
 
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Renato Batisteli Pinto

Acho que as pessoas que realmente têm consciência ecológica - eu tento ao máximo ter praticas ecologicamente correctas - não se importarão de pagar por suas escolhas. Ainda que pela sua própria consciência procurem praticar um consumo ecologicamente melhor ou seja, não necessitam de coerção financeira, para evitar os danos ambientais, estas pessoas, por diversos motivos, em alguns momentos se vêm sem hipótese de evitar estes consumos mais poluentes pelo que não se recusariam a pagar.

Acho que a questão, para além dos aspectos levantados, passa por um forte campanha constante de consciencialização já que os efeitos que se buscam nesta situações é a adopção de práticas permanentes que diminuam os prejuízos ao meio ambiente. A este propósito temos o exemplo da Radio Eldorado que há uns bons dez anos desenvolve uma campanha desta natureza. Lembro-me também da campanha do Sugismundo que era veiculada há muitos anos atrás e me pergunto por que é que não teve continuidade. 

É fundamental que o poder público possa tirar partido do seu poder para obrigar a veiculação destas campanhas. Neste sentido tenho a seguinte proposta:

Sendo o radio e a televisão concessões públicas porque não estabelecer, nos termos destas concessões, a obrigatoriedade de as concessionárias dedicarem um tempo minimo para veiculação de campanhas de interesse da sociedade em geral. Por exemplo campanhas para o consumo ecologicamente mais responsável, respeito ao espaço público, etc. Haveria que se cuidar de determinar que estas campanhas fossem veiculadas em horários nobres, consoante o tipo de campanha, uma vez que se deixar por conta das concessionarias é capaz de elas veicularem nos horários "mortos" ou de pouquíssima audiência. 

Penso que o momento é oportuno uma vez que o ambiente vem ganhando relevância nas diversas esferas das sociedades. As empresas que demonstram alguma preocupação sócio-ambiental enxergam na disseminação destas práticas vantagens mercadológicas que ao fim ao cabo acabam por beneficiar o seu negócio. Pelo menos aqui na Europa são cada vez mais comuns campanhas desta natureza apoiadas por este tipo de empresas. 

De qualquer das formas o tema é complexo e as acções têm de ser concertadas, abrangentes e continuadas para que hábitos de consumo responsável sejam adoptados por um numero cada vez maior de pessoas. 

 
 
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Gustavo Belic Cherubine

Maia, será preciso uma revolução no tocante aos marcos legais na área administrativa e técnica.

Por exemplo, caro Maia, vc sabe por quais motivos não temos usinas de compostagem em São Paulo?

Por quais motivos a CETESB e a SABESP sequer pesquisam essa tecnologia?

Por quais motivos eles aprovam aterros "sanitários" e não Usinas de Compostagem e Biorreatores?

Você, que é advogado, sabe explicar por quais motivos as ações civis públicas, sejam elas originadas de um cidadão ou de um promotor (que muitas vezes é um péssimo cidadão...), estão cada vez menos sendo propostas? Com um passivo ambiental violento em SP, por quais motivos temos tão poucas ações civis públicas contra gestores, empresas e administradores no tocante aos problemas relacionados ao lixo?

Precisamos mudar a cabeça, a formação, as técnicas, a administração, a educação de muitos engenheiros, arquitetos, administradores que estão hoje "comandando" o que reputo como política do fracasso ambiental do lixo.

Abraços, Gustavo Cherubine.

 
 
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Alexandre Platon

Caro Gustavo, avalizo suas opiniões, assim como a do autor do tópico. O problema do lixo aqui em São Paulo é escandaloso, levando em consideração o volume que é produzido e o que é reciclado, bem como a separação dos diversos tipos de lixo. O descaso e a omissão são tão grandes que em minha visão configuram crime ambiental. Há dificuldade até para a disponibilização de conteinêrs para condomínios, as cooperativas de catadores não tem o mínimo incentivo para serem ampliadas, e há denúncias de que em certos bairros o lixo reciclável está sendo misturado ao comum e levado direto para os aterros. Enfim, o quadro é causa indignação, mas não surpresa, considerando-se os que estão no comando da prefeitura.

 
 
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maria nadie rodrigues

O problema do lixo é imenso, é do conhecimento de autoridades e da sociedade mundial, mas aqui no Brasil, não sei por que, nada é efetivamente feito para se chegar a uma solução. Onde resido, e já residi em três estados, jamais misturo lixo orgânico com lixo seco. Quanto aos meus vizinhos, a maioria reclama muito e sequer faz essa separação. Uma separação que também não conta muito se o carro de lixo vai, por fim, juntar tudo: seco e orgãnico na mesma caçamba.

Na Suíça, a população compra sacos grandes na Prefeitura, sendo obrigada a usar dois em suas rsidências, separando o lixo. Tais sacos são reciclados, limpos, para em seguida serem revendidos. Ou seja, já começa que ninguém traz do supermercado as sacolas plásticas. E tem mais: não são transportado os dois tipos de lixo no mesmo carro. Não sei como é feita a coisa no final.

O fato é que o Brasil precisa se espelhar em países onde lixo deixou de ser problema. Penso que qualquer medida que vá no sentido de se reciclar todo o lixo, será bem vinda. Não é tão difícil encarar o lixo seco pra reciclagem. O mais complexo tem sido resolver o caso do lixo orgânico. E vejam que ele pode produzir energia, servir de adubo, entre outras.

Lembrei-me de uma figura chamada de Sigismundo, que fazia parte de uma capanha televisiva com o fim de orientar a população a saber o que fazer com o lixo. Por que o Governo não começa por conscientizar a população. Esta é sigismunda mesmo em sua grande maioria, e não por falta de aviso. Vemos o que ela faz nas praias, por exemplo, ou em suas próprias casas. E não se trata de pobreza. Esta nada tem a ver com sujeira.

Esse lixo eletrônico é uma parada mais séria ainda. Agora, quem é que sabe, ao certo, como se desfazer de pilhas, de celulares, de computadores, de fogão velho? Eu mesma não sei. Tenho juntado aqui alguns objetos por desconhecer o destino para lhes dar.

Por fim, rezo todos os dias pra que surja logo uma política séria, produzindo leis severas, no sentido de orientar a população, em primeiro lugar, e depois estabelecendo regras de condutas para todos.

 
 
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Ebrantino

Congratulações e todo o apoio é o que merece Casatgna Maia. Até que enfim apareceu uma preocupação com o que de fato importa em relação à Poluição. Suas propostas, para início de debate são excelentes. Vamos ver se conseguimos levar avante esse debate, juntamente com outros temas relativos ao ambiente abordando coisas práticas, factiveis mediante providências ao alcance da sociedade e instituições, quase de imediato. Nem tudo o que toca à poluição é dificil ou caro de controlar. Nunca me esqueço de um argumento de um ambientalista que disse há uns vinte e cinco anos  - Nem sempre melhorar o ambiente tem custo - às vezes as pessoas pagam para poluir, vejam por exemplo, as pessoas PAGAM para trocar o escapamento silencioso de carros e motocicletas, jogam fora o novo queveio com o veiculo e colocam um barulhento e vão fazer poluição sonora. E a disseminação das embalagens longa vida para leite - compra-se um leite morto, de pior qualidade, mais caro, e se utiliza uma embalagem altamente poluente, feita com materiais nobres - Celulose e Alumino - e plastico e resinas, simplesmente para dar mais comodidade ao varejista. E os copinhos de iogurtes infantis, e docinhos idem, em que a quantidade embalada é tão irrisória que deveria ser proibida. Enfim, a lista é longa, mas deveríamos ter um grande IPI sobre rações e produtos PET. Alguem já pensou que Cachorrinhos e Gatinhos poluem violentamente diretamente e através do que consomem - Querem fazer o planejamento familiar de Humanos - quem sabe é mais importante fazer o planejamento da posse de animaizinhos, por meio de medidas fiscais e burocráticas ? - Enfim, a lista é longa porem promissora.

 
 
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Eduardo Petrucci Gigante

Uma campanha enorme de concientização e esclarecimentos precisa ser feita. Duas ou três semanas passadas eu estava em um prédio de apartamentos onde, por estatuto, o lixo é separado. O lixo orgânico tem sua lixeira própria, o seco é recolhido por catadores conveniados diariamente.

Uma moradora, que não tem consciência do problema, simplesmente jogou, na lixeira plástica para lixo orgânico, lixo seco acompanhado de um ou mais tocos de cigarros. Incêndiou dois tonéis de plástico com essa irresponsabilidade.

Precisasmos primeiro, principalmente nas cidades não tão grandes, a ensinar os brasileiros a viver em condomínio. Aí é que está o x do problema!

 
 
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José Carlos Cosme

Nassif, anexo a este tema poste o vídeo: Historia da Coisa, o link no you tube: http://www.youtube.com/watch?v=lgmTfPzLl4E, no Instituto Akatu, http://www.akatu.net/, tem um estudo muito bom: "Estado do mundo - 2010". Este tema é muito bom para discussão no blog. Obrigado Cosme. 

 
 
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Ivan Bispo

Estou lembrando agora da campanha para prefeito de 2004 em São Paulo, que o candidato José Serra disse: se eleito, acabaria com a taxa do lixo, foi eleito e acabou com a taxa do lixo.

A gestão de nossos impostos é muito ruim, principalmente a municipal, temos aí um belo exemplo de como é o mal uso de nossos impostos. 

Como fazer um bom uso de seu lixo doméstico: clique aqui

 
 
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Ricardo Gomes

A proposta aponta para a direção que seria correta, entretanto, em São Paulo já tivemos uma experiência semelhante quando a Marta Suplicy introduziu a taxa do lixo e resultou numa grande rejeição a sua gestão com campanhas midiáticas contra ela. A taxa do lixo foi o principal motivo para ela ser chamada de Martaxa, portanto, tal proposta é quase um suicídio político para seu proponente ou execultores. Na minha opinião, a luta contra a poluição e a destruição do planeta já está perdida junto a população adulta, raramente, é possível conscientizar uma pessoa sobre os problemas ambientais e como minimizá-los. O caminho é investir todas energias e recursos na educação e conscientização das CRIANÇAS, pois, elas são extremamentes suscetíveis ao aprendizado e a resposta é imediata e para toda a vida. Eu tenho a experiência de 14 anos praticando coleta seletiva, reutilizando materias (vejam o blog da minha esposa, lá tem pequenos exemplos: http://petitartiste.blogspot.com/2010/04/dia-da-terra-potes-de-cosmeticos.html ; http://petitartiste.blogspot.com/2010/01/os-reciclados-parte-1.html e http://petitartiste.blogspot.com/2010/01/os-reciclados-parte-2.html ), reduzindo o consumo (por exemplo: trocamos as sacolinhas plásticas por sacolas de tecido reutilizáveis; preferimos embalagens maiores ou com refil para economizar matéria prima etc.). Mesmo com todo o nosso engajamento, a minha família e a da minha esposa, praticamente, não absorveram nada do que falamos e praticamos e  com os nossos vizinhos a situação é idêntica. Porém, com as crianças é automático o engajamento e a cobrança aos adultos, somente conseguimos adesão a parte das nossas iniciativas quando as crianças com as quais nos relacionamos passaram a cobrar os adultos.  

 
 
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Ivan Bispo

Ricardo Gomes,

a campanha midiática contra a taxa do lixo em São Paulo foi bastante intensiva, concordo.

Quem ganhou com a sua extinção? Resultou em quê?  Mais lixo nas ruas e nos aterros. 

O grande problema do lixo está na fonte geradora, se a fonte não segregar adequadamente não haverá como ter uma coleta eficiente. E a solução é ter cooperativas de catadores para apanhar os resíduos separados.

A questão do lixo, acredito eu, tenha que ser trabalhada visando o indivíduo. Os  adultos da melhor idade, são os mais laboriosos e conscientes, as atitudes das crianças e os jovens são reflexos dos seus pais adultos.

 
 
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Pedro M.

Não é que a Marina Silva não teve essa idéia?

Concordo que esse tipo de iniciativa deve vir do poder público, por pressão da sociedade e organizações não-governamentais. 

Esse negócio de que "eu faço a minha parte" não funciona. Eu não faço a minha parte simplesmente porque não sou obrigado ou não recebo qualquer incentivo para isso. Mesmo porque odeio fazer as coisas sozinho, enquanto os outros não ligam ou não fazem a sua parte.

Acredito naquilo que vira lei, é obrigatório e pronto. Isso vale para tudo, desde o cinto de segurança até fumar em lugares fechados. É assim que a sociedade entende, fosse o contrário não haveria favelas, mendigos na rua, crianças passando fome. 

Não fosse o Lula com suas políticas sociais e econômicas não teríamos elevado 30 milhões de brasileiros à classe C. Não foi por doação e caridade que isso aconteceu, aliás quem faz caridade faz um bem a si mesmo, mas não resolve o problema dos necessitados.

O duro vai ser enfrentar o lobby das empresas de refrigerantes, pois as garrafas pet foi uma das maiores "inovações" de interesse econômico inventadas pelos fabricantes, porém eles esqueceram que deveriam combinar com a mãe-natureza.

 
 
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henry H

 

Minha cidade tem uma Cooperativa de Catadores. Deveria ter umas 4 ou 5, mas a grande maioria das cidades brasileiras ñ tem nenhuma, então já é alguma coisa. Mas isso por si só, uma cooperativa de recicladores, ñ resolve quase nada. A taxa mensal de recolhimento de lixo que eu pago à prefeitura (a fatura vem junto à conta de água, que é distribuída por autarquia municipal) é de R$ 17,00.

 

Mesmo que aqui em casa reciclamos acima  de 90% do lixo que produzimos, até o lixo orgânico, que representa mais de 50% do que geramos é destinado à compostagem que tenho aqui. Isso ñ nos dá nenhuma vantagem no pagamento daquela taxa que pago a prefeitura, o que leva as pessoas a ñ aderir a programas de reciclagem de uma maneira geral, que quase nunca tem essa vocação. O problema da logística domestica nunca foi convenientemente abordado em nenhuma  das milhares de campanhas de reciclagem que já vi.

 

O autor tem razão qdo afirma que acabaram empurrando todo o ônus da produção macissa de lixo na nossa sociedade ao poder publico. Qdo vc discute alternativas para tentar soluções as diAssociações Nacionas ligadas ao setor produção de embalagens se omitem criminosamente. Fazem um site  de boas práticas e ficam posando de santinhos.

 

A pergunta que se faz é: porque o Programa da Política Nacional de Resíduos Sólidos empacou no Congresso brasileiro desde 2001?...  e ñ tem parteira iluminada que faça parir esse rebento? Quais são os setores que travam isso?... eu tenho algumas “luzes” e algumas “rodinhas” para pensar.  

 

 
 
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Paulo Roberto

Nassif,

Trabalho com telefonia rural e sempre estou substituindo baterias. Sempre digo ao cliente que estou levando as baterias porque estas não podem simplesmente ser atirada em um buraco. Explico que elas são nocivas ao meio ambiente. Hoje me encontro com pelo menos 50 kg de baterias e não sei o que fazer. Já entrei em contato com a prefeitura e em conversa percebi que eles iam jogar em qualquer lugar. Em conversa com um amigo que tem uma empresa de reciclagem de mercúrio de lampadas fluorescente ele me disse que recupera 95% do mercúrio que ia ser joagado na natureza. Disse, também, que a propria prefeitura não está preocupada com o lixo tóxico e que os funcionarios da limpeza quando recebe lixo separado, ou seja, lixo que não é lixo, eles dão uma olhada aproveitam alguma coisa de maior valor e depois misturam o restante com o lixo organico e manda para o aterro sanitário. Resumidamente as dona de casa separa o lixo reciclável e depois na prefeitura eles misturam com o lixo orgânico. Acho interessante desenvolver tecnologia para reaproveitar as baterias, até por questão de sobrevivência.

 
 
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Ivan

Assunto importante demais para ser levado a sério pelos nossos legisladores.

Eles estão preocupados em aumentar seus vencimentos, em nomear ruas, em fazer CPIs, em participar de Comissões, etc.

 
 
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antonio rodrigues

Esqueçam.

Enquanto muitos procuram caminhos para resolver os problemas, os políticos, que detêm o poder, vivem na contramão dos fatos. So irão agir para tratar a questão do lixo, que por sinal  lhes da muito dinheiro através de contratos de terceirização, quando não houver mais solução.

Se alguém duvida de minhas afirmações, que observe o que se passa no momento. Enquanto milhares de brasileiros de norte a sul sofrem com a perda de seus familiares, de casas e bens levados  pelas enchentes - causadas sobretudo pela maneira irresponsável como tratamos nossos rios e suas matas ciliares - parlamentares, aliados aos interesses dos ruralistas, tramam a "flexibilização" das leis de proteção ambiental, justamente quando elas deveriam se tornar mais severas.

 
 
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Hamilton

Nove comentários até agora, está melhorando, embora o nível de consciência ambiental aqui seja ainda muito baixo.

A Droga Raia e o Santander recebem pilhas, baterias e celulares. Já as operadoras de celular e lojas de informática deixam  muito a desejar.

Para quem mora em casa, as caixas para produção de humus são excelente alternativa para aproveitamento das cascas de frutas e legumes.

De modo que evitando levar para casa embalagens, sacolas de supermercado (cuja fabricação e uso deveriam  ser proibidas) e encaminhando os demais resíduos secos para reciclagem é possível reduzir drasticamente a produção de lixo doméstico.

 
 
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cid krahn

Nos municípios, em geral, os contribuintes não pagam mais do que 60% do IPTU. Normalmente, junto com o IPTU é cobrada a taxa de lixo. Assim, no mínimo 40% dos contribuntes não pagam a taxa do lixo, mas, apesar disto, as Prefeituras tem q recolher o lixo, pois se assim não fizerem as ruas serão transformadas em lixões. Para q possam catadores cobrar o recolhimento de lixo seco deverá inicalmente ser extinta a taxa do lixo e o recolhimento do lixo orgânico mesmo assim ser recolhido pela Prefeitura. O problema passará, então, a ser a indentificação dos q não fizerem a separação dos lixos. Como saber a quem pertence o lixo colocado na rua ? Em alguns prédios se´ra possível (como edifícos, onde se pode responsabilizar o condomínio), mas em casas individuais, como saber a q casa pertence aquele lixo? Talvez uma solução seja pagar para quem faz seleção de lixo seco/únido em casa (na forma de algum subsídio ou coisa parecida), pois daí o sujeito fará questão de identificar seu lixo para receber pela seleção feita. Agora, cobrar ???? Talvez no Japão, Finlândia, Noruega... por aí!

 
 
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alfredo machado

Caro Castagna Maia:

Este desastre ocorre em todo o mundo. A questão Tratamento de Resíduos não faz parte da preocupação das pessoas, a maioria delas inteiramente alheia ao assunto e carregando apenas uma preocupação, a de que algo tem que ser feito, mas sempre longe da minha casa.

Garrafas pet, sacolas de supermercados, baterias, pneus (uma tragédia pouco comentada) e outros formam um grupo de resíduo sólido bastante perverso que, por diversos motivos, não merece um debate quanto à melhor forma de a sociedade enfrentar este problema.

Enquanto as pessoas não entenderem que são as responsáveis diretas sobre o que você denomina como lixo seco e suas futuras e inevitáveis consequências, nada feito; as tres instâncias de governo continuarão indiferentes ao assunto, pois o serviço de coleta de lixo é uma fonte inesgotável de recursos $$$.  

Discordo quanto à proposta de extinção de coleta de lixo em cidades acima de cinquenta mil habitantes, pois a terceirização do serviço por meio de contrato de concessão ou de licitação pública se mostra como boa alternativa, desde que observados os devidos cuidados quando da elaboração dos necessários editais; este é o modelo que vem sendo adotado com sucesso em todas as partes do mundo.

Um abraço

 
 
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*c

Não sei se seria necessário cobrar pelo lixo produzido. Pra mim isso parece uma proposta de um economista, que está pensando no "incentivo" para que as pessoas procurem poupar embalagens. Acredito que o que falta seja conscientização e responsabilidade social. Mesmo porque, desta maneira proposta, o que iria acontecer com as ruas da cidade? (afinal, de fato, jogar lixo na rua seria mais vantajoso)

 
 
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Roberto K.

Para o lixo organico acho que uma das possiveis soluções seria a obrigatoriedade da instalação de trituradores em todas as unidades que possam gerar esse tipo de resíduo. As companhias de saneamento poderiam ter até uma receita extra na venda de gás e adubo resultante do tratamento do esgoto.  

 
 
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jura

"Há poucos dias publiquei aqui um atalho para um vídeo sobre a história das águas minerais vendidas em garrafinhas plásticas. São absolutamente poluentes, embora as campanhas sejam feitas mostrando paisagens maravilhosas da natureza, associando a água à pureza."

"Pior do que isso, as companhias terceirizadas de lixo nos municípios são frequentemente citadas em escândalos."

Estava agorinha há pouco observando um gari varrendo a sujeira da sarjeta em São Paulo. E fiquei pensando o quanto a Prefeitura desperdiça tanto em propaganda do governo  quanto em limpeza pública. O dinheiro que as empresas de água mineral gastam em publicidade dá retorno para elas. O da Prefeitura, não, dá prejuízo.

Houve um tempo em que se faziam campanhas para manter a cidade limpa. Lembram do Sugismundo? Elas acabaram, e no lugar surgiram as campanhas dos prefeitos e seus partidos.

Ao mesmo tempo, os contratos de limpeza consomem grande parte do orçamento municipal. Ou seja, paga-se pela propaganda que não ajuda nada a reduzir a sujeira, e paga-se pelo aumento da sujeira.

Um negócio da China para marqueteiros e empreiteiros do lixo. Aqui, nas nossas barbas.

A mesma coisa vale para o "desassoreamento" dos rios. Tem os empreiteiros que ganham para tirar o lixo da rua e os que ganham para tirar o lixo do rio. Só que tirar o lixo do rio é mais caro... Então pra que tirar o lixo da rua?

 
 
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Hamilton

Em Miami, um  brasileiro conhecido meu que estava fumando foi abordado por um policial que lhe disse: "estou de olho em você, se jogar a ponta de cigarro fora do lixo vou levá-lo preso".

É inadmissível o hábito brasileiro de jogar bitucas, embalagens, chicletes e outros resíduos nas ruas e calçadas. É um comportamento ridículo e a população ainda não se deu conta disso.

Sem educação e punição a situação não melhora e em nenhum país desenvolvido existe um "exército" de varredores de ruas.

 

 
 
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Ivan Bispo

Hamilton,

depois saem a dizer que a carga tributária é alta. Como são maus aplicados nossos impostos.

 
 
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Louzada

Me responda se for capaz.

Se consumimos naturalmente um alimento processado em um determinado restaurante. Por que temos preconceito em consumir água  processada pelo mesmo estabelecimento que nos prepara a comida? 

Minha resposta.

Essa conduta por parte do consumidor geraria uma redução de 30 a 40% do consumo de refrigerantes e sucos, não interessa ao comerciante, nem a industria, muito menos aos meios de comunicação, que perderiam receita com propaganda. Por isso, nos incutem na cabeça a idéia de que a água tem que ser puríssima da montanha. Cabe ressaltar, que 99% das águas consumidas em pet são produzidas em fontes localizadas em baixadas e que as mesmas não contam, sem exeção, com nenhum equipamento de higienização das embalagens, mas essa já é outra estória.

Não se muda cultura de um povo, sem apoio dos meios de comunicação. por isso, só leis seriam capazes de alterar o comportamento da sociedade. É uma triste realidade e é válida tambem para o lixo.

 
 
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Sergio Martins

Uma coisa que eu acho que também deveria ser feita é obrigar bares e restaurantes a oferecer gratuitamente água filtrada (ou mesmo água da bica, em cidades com tratamento eficiente), como se faz na Europa - é ridículo sermos obrigados a tomar água em garrafinhas de plástico.

Mas a impressão é que estamos na contramão. Num cinema que eu frequento, por exemplo, eles chegaram ao ponto de tirar o bebedouro. Só pode ser para aumentar a venda de água engarrafada no barzinho deles...

 
 
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marcelino

uma coisa e certa: do jeito que está, nao pode continuar. mas as pessoas so vao se conscientizar quando tiverem que pagar um preço justo para tratar o lixo que produzem. antes nao.

 
 
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Henrique Torres

Concordo plenamente. Eu sempre fui a favor das "ecotaxas" porque elas, ao estabelercer um preço para os resíduos, estimulam o uso racional dos recursos. O problema, como já foi dito, é vencer a campanha histérica da mídia, "a nossa carga tributária é a mais alta do mundo", etc.

 
 
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irlany

ajunta garrafa pete e fazer brinquedos para crianças  carentes.


É serto não jogar lixo nas ruas e não poluir com os carraros  e os rios vamos para,


di poluir os rios de desmata vamos fazer anossa parte tudo para um mudo melhor  etc......

 
 

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