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Uma previsão das revoluções tunisiana, egípcia e espanhola, feita em 2007Enviado por luisnassif, qua, 25/05/2011 - 23:23
Autor:
Tomás Rosa Bueno 28/05/2007 13:49 Comentários enviados a um jornalista que não quer ver I Assim como está mais presente e atuante, também, a censura a qualquer menção a movimentos desse tipo. Alguém sabe, por exemplo, do papel que os "shoras", conselhos de trabalhadores, tiveram na derrubada do xá do Irã, no longínquo ano de 1978? Ninguém jamais se perguntou o porquê do açodamento francês em enviar o aiatolá Khomeiny ao Irã? Alguém soube que em 2001, e por mais de dois anos, na região da Cabília na Argélia, assembléias de aldeia e de bairro conhecidas como "aarouch" ("aarch" no singular, procurem no Google se não acreditarem em mim) expulsaram de suas cidades e aldeias a polícia, o exército e todos os partidos políticos, e dominaram completamente a vida social por meio de assembléias democráticas onde não havia direção formal e não se permitia a ninguém falar em nome do movimento se não fosse lendo um documento discutido e aprovado por todos? Ou, aqui mesmo ao lado, na Argentina, onde o movimento espontâneo do "Que se vayan todos" derrubou o de la Rúa e depois, organizado em assembléias de bairro cujos princípios de funcionamento democrático eram igualmente radicais e que se reuniam nas esquinas de Buenos Aires e em todas as cidades grandes e médias do país, derrubou mais dois presidentes, impediu um terceiro de governar por mais de dois anos e finalmente ditou grande parte da agenda de um quarto, o Kirchner? Ou alguém aqui acha que o Kirchner, do centro peronista, tomou todas as medidas que tomou contra o FMI da cabeça dele? Alguém ouviu dizer que em Oaxaca, no México, uma "Asamblea Popular de los Pueblos de Oaxaca" nos mesmos moldes democráticos das anteriores expulsou o governador, a polícia e todos os deputados do estado e foi o governo efetivo por seis meses, até a entrada do exército na cidade, há apenas três ou quatro meses? E que o movimento, apesar da presença das forças armadas na capital, continua dominando parte da cidade e praticamente todas as demais cidades do estado? E nem uma única linha sobre estes grandes movimentos, dois deles praticamente aqui ao lado, apareceram na grande (ou na pequena) imprensa brasileira, nem de qualquer parte do mundo. Graças a essa censura, nem um desses movimentos espantosamente semelhantes sabia da existência dos outros (e é provável que haja e tenha havido outros, também ocultos). E, no entanto, eles continuam aparecendo, sempre com as mesmas características democráticas radicais; e com cada vez maior freqüência. Já estava na hora de aparecerem também no Brasil. Se este de agora, de que a imprensa fala inadvertidamente por se tratar de um embaraço para o Serra e de uma aparente novidade (mas já começa a caluniar) vai ter "filhotes", se vai ou não servir de inspiração para outros aqui mesmo, ainda é cedo para dizer. Mas ele com certeza faz parte de uma tendência mundial, e não vai simplesmente desaparecer, por mais que se tente ocultá-lo, caluniá-lo e, em última instância, esconjurá-lo. II Comparar os ocupantes da reitoria da USP aos maoístas reciclados do MST, com o modelo "longa marcha" de uma liderança tanto mais irresponsável quanto mais informal for, que apenas disfarça e dilui a velha dicotomia entre pensadores e executantes, é não entender que a principal característica deste novo movimento é justamente rejeitar o conceito de liderança, substituindo-o pelo da responsabilidade coletiva e partilhada, pelo anonimato e o combate ao estrelismo. É o modelo "fuenteovejuna" de movimento social. Os que insistem em vinculá-lo às formas antigas de perpetuação do poder poderão talvez confundir as coisas, e antes de mais nada a si mesmos, por algum tempo. Mas o movimento veio para ficar. Já há dois anos, foi prefigurado no exemplar movimento dos secundaristas de Salvador contra o aumento das tarifas dos ônibus, coordenado via celulares e sem qualquer liderança visível (nem invisível). Vamos vê-lo em outras ocasiões, cada vez mais articulado, cada vez mais ousado.
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Sou um anárquico, mas tão anárquico que não acredito que a anarquia triunfe. Sou fã dos zombeteiros (um dos meus favoritos é Frans Post, pintor holandês da era nassoviana em auto-retrato), mas acredito na filosofia alceuvalenciana da Bela Inês que "com seu peito de operário não esconde o seu ar conservador". Ou na mensagem dos mineiros Sá e Guarabira: "Na hora da grande verdade, o povo às vezes se esconde; se esquece."
Adoro o princípio da anarquia, como disse, porque é o único meio de se fazer trazeiros gordos e preguiçosos levantar-se das cadeiras e fazerem alguma coisa. Mas não aposto tudo. Quase sempre dá em perda total.
Pelo menos, os movimentos levantados pelo Tomás é a prova de que Galileu estava certo: "eppur se muove!"
Tomás Rosa Bueno,
Não sei. Sei da importância de valores culturais que mesmo sendo fruto de infra-estrutura são construções de centenas se não milhares de anos, mas na hora "h" eu vou buscar as causas em razões econômicas.
Escrevi alguma coisa sobre a revolta no mundo árabe quando houve a rebelião no Egito depois faço uma busca no Google.
Deixo por enquanto a minha última manifestação aqui no blog do Luis Nassif. Foi enviada quarta-feira, 25/05/2011 às 13:54 junto ao post "A ofensiva da Otan em Trípoli" de terça-feira, 24/05/2011 às 09:35 feito a partir de comentário de Dê que faz chamada para artigo na BBC intitulado "Otan lança forte ofensiva aérea em Trípoli". Fica então o link para o post "A ofensiva da Otan em Trípoli":
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-ofensiva-da-otan-em-tripoli
Meu comentário teve como pano de fundo dois questionamentos: um de João Paulo Sousa de terça-feira, 24/05/2011 às 09:40 que queria saber como funcionaria o Banco Central e o outro de Jonas Bruno de terça-feira, 24/05/2011 às 10:05, que queria saber o que será feito com as reservas da Líbia e o produtos das vendas de petróleo.
Não é nada que se compare com o seu, mas é uma outra visão que vale bem uma leitura. Depois comento o seu texto com mais vagar.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 25/05/2011
Enquanto aqui no Brasil "nunca dantes" articula-se um movimento contra os impostos "o impostometro", agora de forma nacional com a adesão gratuita de alguns comerciantes vendendo seus produtos sem impostos.Tudo para dar "manchete" e ares de revolução. Eu já CANSEI dessa. Outros movimentos surgem sem grandes repercussões, aliás, movimentos verdadeiros da vontade popular. O Brasil sem SENADO é o melhor.
anarquia - a anarquia palpita nos subterrâneos do capitalismo, mais que o socialismo de estado
a anarquia é a fronteira, é o limiar de mutação do capital - o capital teme a anarquia, mas precisa dela para animar seu sistema
o capitalismo bebe na anarquia para se revitalizar: os criadores são anárquicos (artistas, cientistas, profetas: só depois é q são canonizados-institucionalizados-ab-sorvidos pelo capital)
há um desejo de anarquia em luta contra o desejo de submissão ao estado e ao mercado
será que um dia (quando?) a anarquia e o princípio do prazer triunfarão?
nada melhor para o momento que um conto anarco-espacial: nobres e vagabundos 6
http://vidamiuda.blogspot.com/ http://minutosdefeiticaria.wordpress.com/
Concordo que todos esses movimentos - pequenos e grandes - vão nos levar longe deste "status quo" que não para de nos assombrar. Já passei da idade, mas como pertencente a geração dos sessenta, acredito que só os jovens, ainda não tão comprometidos ou cooptados pelo sistema atual vão dar conta de mudanças. Quero ser daquelas pessoas que botam lenha na fogueira.
Miryam
Ótimo artigo Tomás!
Devemos lembrar também da greve na Universidade Autônoma do México (UNAM) em 1999 envolvendo milhares de pessoas entre estudantes, funcionarios e professores, que ocuparam o Campus da universidade, que é a maior da América Latina. A greve durou 10 meses e foi estruturada de forma horizontal com assembléias por todo o campus. As decisões só eram tomadas por consenso, na mais pura democracia direta!
Assim, conseguiram reverter completamente o processo de privatização do ensino. O estopim da greve foi o aumento repentino de uma taxa paga pelos alunos, de alguns centavos de dólar para a casa da centena.
Devemos lembrar também de experiências autogestionárias bem brasileiras. A ANTEAG (Associação Nacional dos Trabalhadores e Empresas de Auto Gestão e Participação Acionária) segue esses princípios. Não conheço nenhum exemplo em particular de uma empresa com essa experiência, apenas a existência dessa associação, mas fica a dica para algum repórter curioso informar a gente!!
A queda do xá rheza phalevi do Irã e o grande satã foi pelos universitários
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