Um dossiê a favor de Belo Monte

Por Fábio Bittencourt

Comentário do post "Números de Belo Monte"

Parece que não adianta, a discussão é infrutífera, pois quando parece que evoluiu, as pessoas voltam sempre ao ponto incial. Mas vou tentar mais uma vez. Vamos ver como os "do contra" reagem... vamos lá:

Os inúmeros questionamentos sobre Belo Monte que se fazem hoje já foram respondidos pela Eletrobrás durante o processo de licenciamento ambiental, ainda em 2009, antes de receber a licença prévia:

Análise das críticas do documento “Painel dos Especialistas” (PDF anexado)

Atendimento ao documento de considerações, questionamentos e recomendações ao AHE Belo Monte apresentado pelos Movimentos Sociais do Rio Xingu (PDF anexado)

É interessante ressaltar que os próprios técnicos do Ibama reconhecem o bom nível dos estudos ambientais de Belo Monte, ao declarar que:

"O EIA do AHE Belo Monte, talvez represente hoje o estudo mais completo e abrangente efetuado no Brasil, não só em termo de quantidade de informações (cerca de 15.000 páginas), mas também na profundidade de alguns estudos temáticos, notadamente aqueles relacionados à socioeconomia, ictiofauna e aos estudos de remanso. O EIA conclui pela viabilidade ambiental do empreendimento, considerando importantes alterações no projeto inicial" ...

Fonte: Parecer Técnico nº 06/2010 COHID/CGENE/DILIC/IBAMA, de 26 de janeiro de 2010. Disponível emwww.ibama.gov.br/licenciamento >> consulta >> empreendimentos

Então pergunto novamente neste blog: será que o pessoal que recomenda ler o tal documento "científico" do "painel de especialistas" com críticas a Belo Monte também já se deu o trabalho de ler a documentação disponibilizada pelo Ibama, Funai e demais órgãos oficiais para conferir se os tais "especialistas" estariam corretos? Até onde sabemos, esses "especialistas" são seres humanos e também podem errar. Será que a opinião deles é inquestionável, mesmo havendo posicionamentos contrários de técnicos concursados dos órgão federais e outros acadêmicos com títulos e "credenciais" equivalentes. Será que aqueles que já dedicaram bastante tempo para ler os argumentos contrários à usina também dedicaram um tempo equivalente para ler as respostas e os argumentos favoráveis? Seria muito bom se todos utilizassem com consciência, racionalidade e razoabilidade a liberdade de expressão que a democracia nos proporciona, se informando e ouvindo todos os lados antes de se formar uma opinião firme sobre um assunto polêmico ao ponto de assinar uma petição. Infelizmente, isso ainda não é realidade na democracia brasileira.... talvez seja realidade na democracia da Finlândia, que tem a melhor educação do mundo.

Vou dar uma ajuda:

1. Documentação do licenciamento ambiental
http://siscom.ibama.gov.br/licenciamento_ambiental/UHE%20PCH/Belo%20Monte/

2. Cartilha com esclarecimentos sobre Belo Monte
www.blogbelomonte.com.br/wp-content/uploads/2011/11/folheto_UHE_portugues.pdf

3. O Brasil precisa de Belo Monte - Resposta da Eletronorte para Célio Bermann
www.amazonia.org.br/opiniao/artigo_detail.cfm?id=14806

4. O corredor polonês da usina de Belo Monte - Roberto Messias Franco, presidente do Ibama
http://www2.senado.gov.br/bdsf/bitstream/id/183100/1/noticia.htm

5. Pinguelli, Diretor da COPPE/UFRJ, defende necessidade de Belo Monte
www.redebrasilatual.com.br/temas/ambiente/2010/04/pinguelli-defende-necessidade-de-belo-monte
www.cartacapital.com.br/politica/a-conservacao-da-pobreza-e-patifaria/
www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=78429

6. AGU comprova que audiências do Ibama e da Funai para ouvir comunidades afetadas pela UHE Belo Monte não ofendem a constituição
www.ibama.gov.br/publicadas/agu-comprova-que-audiencias-do-ibama-e-da-funai-para-ouvir-comunidades-afetadas-pela-uhe-belo-monte-nao-ofendem-a-constituicao

7. Para Funai, críticas sobre falta de diálogo com povos indígenas são infundadas
http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-04-19/para-funai-criticas-sobre-falta-de-dialogo-com-povos-indigenas-sao-infundadas

8. Funai explica componente indígena da UHE Belo Monte a jornalistas
www.funai.gov.br/ultimas/noticias/1_semestre_2011/Maio/un2011_04.html

9. Parecer Técnico da Funai: Análise do Componente Indígena dos Estudos de Impacto Ambiental
www.socioambiental.org/banco_imagens/pdfs/BeloMonteFUNAI.pdf

10. Esclarecimentos da Funai
www.funai.gov.br/home/BeloMonte/belomonte.html

11. Funai - Nota sobre as medidas cautelares da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA
www.funai.gov.br/ultimas/noticias/1_semestre_2011/abril/un2010_01.html

12. Itamaraty - Nota sobre a solicitação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA
www.itamaraty.gov.br/sala-de-imprensa/notas-a-imprensa/solicitacao-da-comissao-interamericana-de-direitos-humanos-cidh-da-oea

E para aqueles que se consideram esquerdistas e tentam relacionar a usina hidrelétrica às poderosas empresas e ao maléfico capitalismo, cito Lênin.

"Enquanto vivermos num país de pequena exploração camponesa, haverá na Rússia uma base econômica mais sólida para o capitalismo do que para o comunismo. E preciso não o esquecer. Todo aquele que observe com atenção a vida do campo, comparando-a com a da cidade, sabe que não arrancamos as raízes do capitalismo, nem eliminamos o fundamento, a base do inimigo interno. Este último apóia-se na pequena exploração e a forma de o esmagar é apenas uma: reconstruir a economia do país, incluindo a agricultura, sobre uma nova base técnica, sobre a base técnica da grande produção moderna. E essa base é a eletricidade. O comunismo é o poder soviético mais a eletrificação de todo o país. Se assim não for, continuaremos a ser um país de pequena economia camponesa e é preciso que tenhamos clara consciência disso. Somos mais fracos do que o capitalismo, não só à escala mundial, mas também dentro do país. Toda a gente o sabe. Tendo isso em conta, organizaremos as coisas de forma a que a base econômica passe da pequena economia camponesa para a grande indústria. Só quando o nosso país estiver eletrificado e quando a indústria, a agricultura e os transportes se apoiarem sobre a base técnica da grande indústria moderna, só então teremos triunfado por completo. " (Lênin, Obras, t, XXVI, pp. 46-47, discurso pronunciado no VII Congresso dos Sovietes de toda a Rússia, "Sobre a atividade do Conselho de Comissários do Povo.").

Fonte: http://www.marxists.org/portugues/stalin/1928/10/19.htm

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69 comentários
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Alan Souza

Vamos ver como os "do contra" reagem... 

Infelizmente, Fábio, vão atacar você novamente, a pedras e paus. Racionalismo agora é o que menos importa - prova disso é o vídeo dos artistas da Globo dizendo que Belo Monte vai inundar o parque nacional do Xingu (que fica no Mato Grosso) e que os índios vão ser removidos...

Ser contra Belo Monte virou religião para os ambientalistas e atestado ideológico para quem se diz de esquerda...

 

Demóstenes Torres na cadeia: uma campanha pelo bem do Brasil!

 
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raquel_

Na verdade, religião é a do pessoal que acredita cegamente em tudo o que o governo faz.

Já perceberam que no texto do Fábio praticamente só tem links de sites governamentais? 

 

"Para ser tolerante, é preciso fixar os limites do intolerável." (Umberto Eco)"

 
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Carlos Mangino

Uai e tem  particular fazendo alguma usina de energia elétrica? alguma universidade particular fez algum estudo?.

         MAS, Belo Monte não pode! senão daqui a puco os brasileiros vão achar que são os donos na Amazônia. 

 
 
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maurobrasil

Sou favorável à construção de Belo Monte, pois ela é a mais EFICIENTE, do ponto de vista ambiental, de todas as hidrelétricas brasileiras já construídas ou em construção...!!! 

Ser contra Belo Monte é de fato ser contra as hidrelétricas...!!!

 
 
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maurobrasil

Abaixo os dados que coletei de Belo Monte, das três maiores hidrelétricas em funcionamento no Brasil e das duas hidrelétricas do Madeira. Estou usando outra fonte, independente do governo, a Wikipedia em português e em inglês

Usina: Potência (MW) / Alagamento (Km2)

1) Belo Monte (Pará): 11.233 / 516 = 21,77
2) Jirau (Rondônia): 3.450 / 258 = 13,37
3) Santo Antônio (Rondônia): 3.150 / 271 = 11,62
4) Itaipu (Paraná): 14.000 / 1.350 = 10,37
5) Tucuruí (Pará): 8.370 / 2.850 = 2,94
6) Ilha Solteira (São Paulo): 3.444 / 1.195 = 2,88

Perceberam que Belo Monte é disparada a que tem a melhor relação custo/benefício ???

Fontes:

1) http://pt.wikipedia.org/wiki/Usina_Hidrel%C3%A9trica_de_Belo_Monte

2) http://pt.wikipedia.org/wiki/Usina_Hidrel%C3%A9trica_de_Jirau

3) http://pt.wikipedia.org/wiki/Usina_Hidrel%C3%A9trica_Santo_Ant%C3%B4nio

4) http://pt.wikipedia.org/wiki/Usina_Hidrel%C3%A9trica_de_Itaipu

5) http://pt.wikipedia.org/wiki/Usina_Hidrel%C3%A9trica_de_Tucuru%C3%AD

6) http://pt.wikipedia.org/wiki/Usina_Hidrel%C3%A9trica_de_Ilha_Solteira

 

Para os que gostam de mencionar a baixa potência efetiva de Belo Monte, segue abaixo a tabela com esse aspecto incluído. O fator de capacidade de Belo Monte é estimado em 41%(4500MW/11000MW), enquanto o fator de capacidade médio das usinas brasileiras em funcionamento é de 56% conforme a seguinte fonte:

http://en.wikipedia.org/wiki/Hydroelectricity

Usina: (Potência (MW) / Alagamento (Km2)) X Fator de capacidade

1) Belo Monte (Pará): 11.233 / 516 = 21,77 X 0,41 = 8,93
2) Jirau (Rondônia): 3.450 / 258 = 13,37 X 0,56 = 7,48
3) Santo Antônio (Rondônia): 3.150 / 271 = 11,62 X 0,56 = 6,51
4) Itaipu (Paraná): 14.000 / 1.350 = 10,37 X 0,56 = 5,81
5) Tucuruí (Pará): 8.370 / 2.850 = 2,94 X 0,56 = 1,65
6) Ilha Solteira (São Paulo): 3.444 / 1.195 = 2,88 X 0,56 = 1,61

  

Os argumentos contra a construção de Belo Monte deveriam ser muito mais fortes contra a construção das hidrelétricas do Rio Madeira, Santo Antônio e Jirau, uma vez que as relações custo/benefício dessas duas novas usinas, apesar de bem melhores do que as usinas mais antigas, são piores do que Belo Monte, que tem a melhor em relação ao custo/benefício!!!

Por que não houve e não uma reação tão intensa em relação às hidrelétricas do Madeira?

Ou seja, criticar Belo Monte é no fundo criticar hidrelétricas em geral, pois se a melhor de todas hidrelétricas é ruim, imaginem qualquer outra...???

Além disso, o fator de capacidade médio das hidrelétricas brasileiras é um dos maiores do mundo:

Canadá: 59%

Brasil: 56%

Noruega: 49%

Índia: 43%

EUA e Rússia: 42%

China: 37%

Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Hydroelectricity

 
 
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sms2000

Belo post. Com fatos concretos, números arebatadores.

 
 
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Affon

Argumento pobre, também. A wikipedia não tem credibilidade. E não é necessariamente independente do governo. Não sabemos se foi o governo que postou os dados na wikipedia.

 

Affon

 
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maurobrasil

Apresente os dados então...!!!

Só não vale os dados da sua cabeça, OK...???

Para certas pessoas os dados só valem se forem contra Belo Monte...

Uma verdadeira piada...

 
 
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Gerson Pompeu

E nós não sabemos se você existe.

 
 
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João Paulo Maldonado

Excelente fonte...

Voce não tem vergonha de citar o wikipedia como fonte?

Acorda meu filho.

 
 
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Alan Souza

E desde quando o Governo mente por definição? Acreditar em argumento técnico de particulares, de ONG e de artista pode, do Governo não? Quando eu acredito no parecer técnico do Governo estou sendo cego, quando você acredita em parecer técnico privado você é a que vê a luz?

É o velho "eles estão errados, nós estamos certos" em ação...

 

Demóstenes Torres na cadeia: uma campanha pelo bem do Brasil!

 
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João siqueira

A verdade é que a Raquel não escuta nada diferente do que ela quer. Ela só quer falar e não ouvir. Não adianta. Já desisti.

 
 
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raquel_

Realmente. Eu só ouço quem apanha. Quem bate geralmente conta mentira.

 

"Para ser tolerante, é preciso fixar os limites do intolerável." (Umberto Eco)"

 
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maurobrasil

Haja auto-engano...

 
 
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raquel_

Meu? Não mesmo.

Já procurou saber "as condicionantes cumpridas" em Jirau? Ou em Estreito?

 

"Para ser tolerante, é preciso fixar os limites do intolerável." (Umberto Eco)"

 
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Jodacil

Globo e Folha contra Belo Monte, mil ongs e três partidos emergentes contra Belo Monte, padres contra Belo Monte, cineastas e atores estrangeiros contra Belo Monte ... acho que vou apoiar essa obra!

 
 
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Erly Ricci

Raquel_

Talvez seja preciso pensar mais criticamente a questão de avaliação dos técnicos em qualquer dos lados desse debate. Cabe, neste e em qualquer caso  - extremamente paradoxais -   que envolva desenvolvimento tecnológico, econômico e social com interferência ambiental, algumas perguntas: Com quais conceitos os avaliadores julgam? Quais os seus referenciais, suas "verdades" e "certezas" científicas?  Estarão sendo invariavelmente neutros e imparciais?

Há milhares de coisas intangíveis, imponderáveis, imensuráveis quando se trata de perceber a realidade de qualquer processo. O nosso processo, em curso, é de uma civilização global formada por pessoas  cuja cultura e postura diante da vida é a produção e o consumo de milhões de coisas úteis ao seu modelo de vida e inúteis à vida em si. O processo, em curso, é altamente insustentável. 

Sobre esta questão de energias alternativas, Fritjof Capra, para quem muitos técnicos torcem os seus narizes, escreveu: 

"A energia solar, em suas muitas formas - a luz do Sol para o aquecimento solar e para a obtenção de eletricidade fotovoltaica, o vento e a energia hidráulica, a biomassa, e assim por diante - é o único tipo de energia que é renovável, economicamente eficiente e ambientalmente benigna. Negligenciando esse fato ecológico, nossos líderes políticos e empresariais repetidas vezes ameaçam a saúde e o bem-estar de milhões de pessoas em todo o mundo. Por exemplo, a guerra de 1991 no Golfo Pérsico, que matou centenas de milhares de pessoas, empobreceu milhões e causou desastres ambientais sem precedentes, teve suas raízes, em grande medida, nas mal direcionadas ações políticas sobre questões de energia efetuadas pelas administrações Reagan e Bush.

A descrição da energia solar como economicamente eficiente presume que os custos da produção de energia sejam computados com honestidade. Não é esse o caso na maioria das economias de mercado da atualidade. O chamado mercado livre não fornece aos consumidores informações adequadas, pois os custos sociais e ambientais de produção não participam dos atuais modelos econômicos.4 Esses custos são rotulados de variáveis "externas" pelos economistas do governo e das corporações, pois não se encaixam nos seus arcabouços teóricos.

Os economistas corporativos tratam como bens gratuitos não somente o ar, a água e o solo mas também a delicada teia das relações sociais, que é seriamente afetada pela expansão econômica contínua. Os lucros privados estão sendo obtidos com os custos públicos em detrimento do meio ambiente e da qualidade geral da vida, e às expensas das gerações futuras. O mercado, simplesmente, nos dá a informação errada. Há uma falta de realimentação, e a alfabetização ecológica básica nos ensina que esse sistema não é sustentável."

 

"pelos caminhos que ando um dia vai ser, só não sei quando" - Paulo Leminski

 
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Affon

Argumento pobre, Raquel.

Com esse argumento também se pode desmerecer a posição contrária dizendo que seus defensores são todos inimigos do governo. Percebe que nos seus artigos não tem nenhum link de entidade governamental?

E como dizer que os juízes favorecem o Corinthians e dar como prova o fato de quem nega isso são os corinthianos.

 

Affon

 
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Wilsoleaks Alves

 

 

Auto lá Alan! Não dê ações aos nossos atos com generalizações.

Existe no Brasil, bem como em todo o mundo, versões das mais díspares em se tratando de ideologia. O PSOL e o PSTU, por exemplo, são partidos eminentemente de esquerda, contudo, são brontossauros da ideologia de Max, são tão errados e atrasados quanto os adeptos de extrema direita. São como as extremidades de uma argola que parecem ser antagônicos, porém no fundo acabam por se tocar e fundir num só objetivo. Não é a toa que esses partidos, ditos de esquerda, sempre estão a favor da oposição aqui no Brasil, desde que seja para desconstruir os governos progressistas de Lula e Dilma.

Esta esquerda a que você se refere, Alan é a esquerda burra tão decantada quando o PT era oposição. Na verdade a esquerda inteligente existia e era majoritária dentro do partido, mas foi quando Lula chegou ao poder e finalmente os estúpidos acharam seu caminho próprio que pudemos nos livrar desses estrupícios e, por conseguinte, dessa pecha.

 

 

 
 
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Jair Fonseca

Aqui quase que só tem torcida "do a favor". Eu que sou de esquerda, apoio o PT desde sua fundação (da qual participei), e ajudei a eleger Lula e Dilma, apoiando seus governso, tenho pleno direito de não ser "vaquinha de presépio", como dizia minha mãe, e criticar o governo para que melhore. E criticar quem não tem senso crítico, e autocrítico.

 
 
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DanielQuireza

No fundo é tudo conversa mole.

Argumentos contrários e favoráveis há aos montes. Não adianta ficarmos aqui discutindo, não chegaremos a lugar algum.

A questão é que é uma decisão política. E que já foi tomada soberanamente pelo governo  brasileiro  legitimamente eleito.  Portanto a obra será construida e ponto final.

O que se pode e se deve fazer a partir de agora é cobrar que sejam realizadas as ações previstas de redução de danos, só isso.

Ficar pinçando argumentos contra a obra - que existem, assim como existem a favor - beira o golpismo e a falta de democracia, a falta de respeito com as decisões de um governo legitimamente eleito pela maioria da população e que tem a responsabilidade com o futuro do País, sobretudo com a política energética.

 

@DanielQuireza

 
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raquel_

Daniel, golpismo é vc levantar esse discurso sobre soberania e nacionalismo para calar qlq crítica ao projeto. Não sei se vc sabe, mas estamos numa democracia e é NORMAL se discutir projetos desse porte.

E outra coisa, não é pq esse governo foi eleito democraticamente que ele tem carta branca para passar por cima do povo.  

 

"Para ser tolerante, é preciso fixar os limites do intolerável." (Umberto Eco)"

 
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Edmar

Pronto Daniel. Esse é o ponto que conta: A construção foi decidida por um GOVERNO LEGITIMAMENTE ELEITO. E cuja intensão de fazer a hidroelétrica era conhecida de todos nós (ao menos dos que procuram estar informados), que o elegemos porque, em nossa maioria, cremos que tem dicernimento pra agir da forma que melhor comtemple o interesse nacional. Não dei procuração pra OEA ou outra organização qualquer tratar de Belo Monte. Apenas ao governo DILMA!  Não sou técnico (quase nenhum dos comentaristas é), não pude participar de nenhuma audiência pública (quae nenhum comentarista participou), somos todos leigos. Mas confio nos governantes que elegi. Depois, acho que alguns "índios" vão tomar um susto quando virem que além da "turma do alumínio", vai ter energia também pra suas "casas de farinha".  Vamos mudar o rumo da proza porque tudo isso pode ir por agua abaixo de os USA, a OTAN, e seus patrões sionistas, resolverem mesmo "por fogo" no Oriente Médio. Ali é que mora o perigo para toda a humanidade, não em mais um laguinho no meio da imensidão da Amazônia!

 
 
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raquel_

Mais um daqueles posts em que fazem um espantalho das opiniões de quem é contra BM. Não tem só o Painel e Questionamento dos Movimentos Sociais:

 

Bibliografia comentada: 50 leituras sobre o ecocídio de Belo Monte, 1ª parte

 

A bibliografia comentada que segue abaixo é um guia para se entender melhor a gravidade do que o Brasil está prestes a fazer com as populações indígenas, ribeirinhas e lavradoras do Xingu, e com seu próprio ecossistema como um todo. Dividida por tópicos, essa bibliografia inclui estudiosos que se debruçam sobre o tema Belo Monte há décadas, como Oswaldo Sevá, da Unicamp, e Célio Bermann, da USP, lideranças indígenas como Raoni Metuktire, um intelectual brasileiro que está entre os mais respeitados do mundo hoje, o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, materiais produzidos pelo Ministério Público Federal e testemunhos de movimentos populares da região do Xingu. Depois de cada link, há um breve parágrafo de minha autoria que tenta resumir a importância daquele ítem. Nada substitui, claro, a leitura completa dos próprios textos.

Como se verá, várias das afirmativas usadas para justificar a construção da usina não resistem à análise. Quando se diz que “o Brasil precisa” de mais energia, há que se questionar o que se entende aqui por “Brasil” e o que se entende por “precisar”. Quando se fala de impacto “indireto” sobre uma determinada população, há que se interrogar o que essa palavra, “indireto”, esconde. Ao ouvir falar de consequências “locais” da obra, também vale a pena se perguntar o que quer dizer exatamente “local”. Quando a defesa de Belo Monte se traveste da pergunta “qual é a alternativa”, há que se saber alternativa a quê, para quem e segundo qual modelo.

 

Introdução

1. Cronologia do caso: o projeto de Belo Monte foi concebido pela ditadura militar brasileira em 1975. Ele traz as marcas da geopolítica de Golbery do Couto e Silva, que vê a Amazônia como tábula rasa, fonte de recursos a serem pilhados e região que deve se submeter a uma modernização tecnocrática. Os defensores do projeto hoje argumentam que ele já não é o mesmo da ditadura, o que é verdade. O projeto original concebia uma área de alagamento maior e um número maior de barragens. Como consequência das lutas dos povos do Xingu, esses elementos foram modificados, como se verá abaixo. Mas a cronologia mostra que a concepção que rege o projeto mantém-se rigorosamente a mesma.

2. Perguntas frequentes sobre Belo Monte: para quem ainda não entende “por que tanto barulho” sobre este caso, este é o link ideal para se começar. Eles traz os dados sobre realmente qual é a quantidade de afetados pelo projeto, quantas etnias indígenas seriam impactadas, a área de alagamento e outros dados essenciais.

3. Povos indígenas, as cidades e os beiradeiros do Rio Xingu que a empresa de eletricidade insiste em barrar (páginas 29 a 54 do pdf): este é o principal capítulo do livro organizado por Oswaldo Sevá em 2005, Tenotã-Mo. Aqui, um dos maiores especialistas brasileiros em energia conta a história em detalhes, mostrando que tudo o que está sendo dito agora pelo governo federal sobre Belo Monte foi dito antes sobre Tucuruí, e provado falso. Sevá mostra, por exemplo, que a empresa já sabia, nos anos 70, graças a estudos do CNEC, das populações de beiradeiros em toda a Volta Grande. A Eletronorte escondeu esses dados, assim como escondeu outros e falsificou outros. Sevá demonstra que, do ponto de vista da lógica do investimento, não faz o menor sentido insistir que somente a usina de Belo Monte será construída, mesmo que o projeto inicial, de seis barragens, tenha sido formalmente engavetado. Quem está dizendo que Belo Monte não é uma porta de abertura para outras hidrelétricas no Xingu mente ou se ilude. É só fazer as contas.

4. Histórico judicial do caso: escrito pelo Procurador do Ministério Público Federal no Pará, Felício Pontes, Jr., este assustador relato mostra como o projeto tem sido imposto goela abaixo da população desde o ano 2000, sem nenhuma diferença significativa entre os governos FHC, Lula e Dilma. Aqui você encontrará toda a história do desrespeito à lei, incluindo-se dispensas de licitação legal, ausência de oitivas às populações indígenas afetadas (ou oitivas fictícias, marcadas em cima da hora, em lugares inapropriados, com toda a sorte de obstáculos à participação dos indígenas), condicionantes ambientais não cumpridas, bizarras jabuticabas não existentes no marco regulatório (como a “licença de instalação parcial”) e intensas pressões sobre o Ibama. O relato faz pensar: por que, afinal de contas, a lei vale para alguns e não para outros?

O impacto humano:

5. Resumo dos impactos sociais: este é um resumo bem breve, que inclui somente o impacto imediato sobre as populações do Xingu. O impacto chamado “indireto” – palavrinha que sempre deve ser questionada aqui – vai muito além disso, como se verá abaixo.

6. Fala do líder Raoni Metuktire na ONU e 7. Raoni promete: “vamos lutar até o fim”: antes de falar de megawatts, “alternativas”, área de alagamento, é imperativo ouvir o que dizem os povos do Xingu. Nestes dois vídeos, Raoni Metuktire testemunha a contaminação e envenenamento do Rio Xingu pelo agronegócio, pela pecuária e pela mineração. Agora você imagine qual será a situação depois de um empreendimento desse gigantismo, com a migração de dezenas de milhares de pessoas e o desalojamento de outros tantos milhares. No segundo vídeo, ele alerta para as mortes de peixes como consequência da usina – fenômeno já bem conhecido dos que estão acompanhando as tragédias no ex-Rio Tocantins. Depois da fala de Raoni, fica a pergunta: quem discute o “impacto” de Belo Monte sobre os índios da região dizendo que “nenhuma terra indígena será alagada” usa qual tipo de óleo de peroba na cara?

8. A verdadeira cara da Norte Energia em vídeo: aqui você tem uma ideia de como funcionam as “compensações” dadas pela indústria barrageira a seus afetados: as ameaças, as desapropriações, os pagamentos escandalosamente abaixo do preço de mercado e a revolta dos moradores, donos legítimos de seus terrenos e casas, de repente expulsos por uma empresa privada. Pergunte-se, habitante do Sul Maravilha: e se fosse na sua casa?

9. Depoimentos de lideranças indígenas e ribeirinhas: neste post, o grande jornalista Leonardo Sakamoto compila alguns testemunhos in loco. Sobre as oitivas: Quem veio nas audiências do governo, não teve resposta para as suas perguntas. Além disso, organizaram audiências em cima da hora para não podermos participar. Sobre o cemitério que se encontra na região:Perguntamos o que eles vão fazer com o nosso cemitério. Eles disseram que isso é sentimentalismo. Há muito mais acerca de como o povo da região tem sido tratado.

10. Carta aberta dos povos indígenas: de novo no Blog do Sakamoto, é um texto contundente e claro, para quem tem alguma dúvida sobre qual é a posição dos povos indígenas da região. Atenção para a quantidade de povos e associações que assinam a carta. Depois da leitura desses documentos, acredito ser patentemente impossível crer na lorota etnocêntrica de que os indígenas são contra Belo Monte porque “tem muita gente lá dizendo a eles que vai ser o fim do mundo” (sim, este é um “argumento” frequentemente ouvido).

A lógica predatória do capitalismo barrageiro:

11. Grandes e polêmicas obras serão chamadas, no Brasil, a ‘salvar’ o capitalismo global: esta entrevista com Oswaldo Sevá talvez seja a melhor introdução geral ao ecocídio. É uma explicação clara dos interesses que movem esse gigantesco negócio; de como funciona o Ministério das Minas e Energia do Brasil; da sequência de mentiras—algumas inclusive contraditórias umas com as outras—contadas pela indústria. Sevá mostra também que “o Brasil precisa de mais energia” é uma frase que convenientemente esconde uma série de fatos: que há folga operacional nas usinas construídas; há máquinas de reserva que podem ser acionadas; que as represas estão cheias há vários anos; que uma enorme quantidade de energia pode ser gerada com a simples limpeza de turbinas. Em outras palavras, Sevá demonstra cabalmente que Belo Monte está sendo construída por razões outras que “o Brasil precisa de mais energia”. É a construção em si que dá um lucro tremendo, gerando, depois, energia subsidiada para as indústrias eletrointensivas.

12. Belo Monte, nosso dinheiro e o bigode do Sarney: esta entrevista de Eliane Brum com Célio Bermann, professor da USP, detalha um pouco mais sobre a caixa preta do setor energético do país, a ficção da energia a R$ 78 o megawatt-hora (que não pagaria nem o capital investido, demonstrando mais uma vez que é na construção que se joga o interesse econômico), a insanidade do modelo de geração de energia elétrica para abastecer multinacionais do alumínio que empregam pouquíssima gente, a miríade de alternativas que temos para evitar o ecocídio. Recomendadíssima.

13. Um procurador contra Belo Monte: outra entrevista essencial de Eliane Brum, desta vez com Felício Pontes Jr., o brasileiro que mais admiro hoje. Dr. Felício explica tanto a luta jurídica contra o projeto como alguns de seus impactos mais devastadores: a redução de 80% a 90% da vazão do Xingu em 100 km de sua extensão (algo assim como a distância entre a Praça da Sé e o centro de Campinas), a extinção de 270 espécies de peixes e o desmatamento, companheiro fiel das hidrelétricas na Amazônia, e que no caso de Belo Monte pode chegar a 5.300 km além da área alagada. É uma leitura essencial, de um brasileiro comprometido com o povo que representa.


Raoni Metuktire com petição contra Belo Monte

14. Dilma diz que Belo Monte não atingirá indígenas. Ah, vá! Do Blog do Sakamoto, este é um texto sucinto, rápido e perfeito para responder à insistente equação entre “afetados” e “alagados”. Como não haverá terras indígenas alagadas, a indústria barrageira e o governo sistematicamente repetem o bordão de que os indígenas do Xingu não serão afetados. Ora, a preocupação é justamente a contrária, o fato de que 100 km da Volta Grande vão praticamente secar, afetando não só a navegabilidade como extinguindo fauna e flora e provocando insegurança alimentar. Para não falar, claro, dos milhões de poças d’água parada, criadores de mosquitos da malária.

15. A mentira energética, o embrulho dos dados econômico-financeiros, e a “ficha suja” de quem inventou e promoveu o projeto. Aqui neste texto de Oswaldo Sevá, você vê toda a maquiagem dos números: a mui mal contada história dos 11.000 MW de energia; a bizarra multiplicação do custo do projeto, que começa em 4,5 bilhões e já se encontra em 30 bilhões; a escandalosa discrepância entre cálculos do governo e os cálculos do empresariado, feitos simultaneamente. Lembrando que 80% desse investimento é dinheiro público (a juros bem módicos e com longos prazos de amortização) e que pelo menos 10 bilhões são diretamente pagos com dinheiro do trabalhador, fica a pergunta: você, que paga impostos aí no Brasil, se não se importa com indígenas, ribeirinhos, fauna, flora e futuro do planeta, será que poderia se importar um pouco com o seu dinheiro?

16. Trinta anos de manobras estranhas, omissão de informações cruciais, e algumas mentiras grossas. Oswaldo Sevá repassa a história das ocultações e mentiras da indústria barrageira: a manipulação do artigo 231 da Constituição, a desqualificação dos índios que vivem fora das aldeias e a ocultação do fato de que não havia qualquer plano de reassentamento das populações, entre muitas outras.

17. O “novo” inventário hidrelétrico, que recuou sem dizer por que… e a nova decisão, “para a platéia”, de fazer somente uma das quatro grandes usinas. É um texto de análise do credo do Deus barragista: todo rio deve ser barrado para fazer hidrelétrica. Mostra claramente, à luz da história das mentiras da indústria, que é ingênuo ou mal intencionado quem crê que Belo Monte será a única UHE feita no Rio Xingu, apesar da “resolução” do fantasmagórico CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) afirmando o contrário. Na verdade, é o próprio diretor-presidente da ANEEL, Jerson Kelman, quem disse que a Resolução do CNPE “foi essencialmente política…Tecnicamente, não há razão para não fazer as outras usinas (…) faz parte do jogo democrático tentar agradar a todos os interessados. (…) É o típico caso de dar os anéis para ficar com os dedos”.

A farsa do licenciamento ambiental e a manipulação dos impactos:

18. Profa. Andréa Zhouri fala sobre a concepção de licenciamento ambiental que rege o desenvolvimentismo. Esta é uma aula magistral e um dos itens mais importantes desta biblio-videografia. A Prof. Zhouri, que estuda licenciamentos ambientais há 12 anos, detalha claramente qual é a concepção que rege a relação do desenvolvimentismo com as populações afetadas. Mostra como as audiências são processos unilaterais, em que a população não tem respostas a suas queixas e para as quais nunca há continuação. Mostra como os EIA-RIMA (Estudos de Impacto Ambiental – Relatórios de Impacto sobre o Meio Ambiente) são, hoje em dia, templatescomprados prontos, que às vezes se repetem ipsis literis de um projeto para outro, com os mesmos chavões e o mesmo descaso com a vida humana. Zhouri demonstra, em outras palavras, que, para o barragismo, o licenciamento ambiental é um mero obstáculo—que, como veremos, vem sendo simplesmente removido sem cumprimento no caso de Belo Monte. A aula da Dra. Zhouri é uma explanação emocionante e bem informada de quem sabe o que diz: Não se questiona aqui o desenvolvimento em si, mas o autoritarismo de um planejamento sem diálogo com a sociedade, e sem abertura para a incorporação de outras formas de viver, ser e fazer que fazem parte efetivamente disso que chamamos de Brasil.

19. O malabarismo do cálculo do número de atingidos: Até frases como “são só 200 índios” são ouvidas na defesa do projeto de Belo Monte. Oswaldo Sevá aqui detalha como se manipulam, quantitativa e qualitativamente, o universo dos atingidos por um mega-projeto capitalista como este. Os autores do próprio Estudo de Impacto Ambiental reconheceram que deveriam resolver o problema de 19.242 indivíduos, número encontrado depois de suspeitíssimo recenseamento. O texto de Sevá é de 2009. De lá para cá, a situação em Altamira piorou dramaticamente, como se verá abaixo. A indústria continua não dando qualquer resposta dialogada com a população.

20. O subestimado número de 19.242 pessoas a se deslocar: o que se prevê aqui neste texto de 2009 é o que já está acontecendo na região. O número de 19.242 pessoas atingidas é ridiculamente subestimado, e não inclui moradores de Altamira, Vitoria do Xingu, Senador José Porfírio e Anapu que terão suas posses afetadas. Não inclui moradores do trecho seco do rio, que teriam suas vidas completamente bagunçadas pelo fim da navegabilidade do Xingu naquele trecho e pela extinção de flora e fauna. Na verdade, o texto de Sevá é profético. As notícias de 2011 já confirmam seu prognóstico de 2009 (que era também, diga-se, o prognóstico das lideranças indígenas da região) e desmentem mais uma vez a indústria barrageira.

21. A safadeza do licenciamento obrigatório: O que a Prof. Zhouri demonstra em termos gerais, o Prof. Sevá detalha para o caso de Belo Monte: Estudo de Impacto Ambiental pronto antes do estudo de campo ser concluído; o licenciamento com data marcada para ser concedido; as “consultas à população” armadas como um teatro para ser encenado e esquecido; as jabuticabas da “licença parcial” e da “licença temporária”–coisas inexistentes no marco regulatório—entre outras ilegalidades.

As violações dos direitos humanos e as condicionantes não cumpridas:

22. Relatório da Plataforma DHESCA sobre violações dos direitos humanos: São 81 páginas de puro horror e eu realmente recomendo que você as leia antes de concordar calado que seu dinheiro seja usado para financiar esse ecocídio. O relatório da Missão Xingu detalha: a perda irreversível de biodiversidade; o risco de proliferação de doenças endêmicas; o subdimensionamento das emissões de metano; a análise insuficiente sobre os riscos de migração e invasão de terras indígenas; a ameaça de extinção de espécies no Trecho de Vazão Reduzida; o subdimensionamento da população atingida, entre outros componentes do ecocídio.

23. O Novo Eia-Rima: Justificativas Goela Abaixo: é a contribuição de Philip Fernside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, a um trabalho de mais de 40 pesquisadores com experiência no bioma amazônico e em hidrelétricas. Ele mostra vários problemas no EIA-RIMA: omissão das emissões das turbinas e vertedouros; manipulação dos custos; distorções no detalhamento dos beneficiários. É mais uma demonstração, por um painel de pesquisadores independentes, de como o projeto de Belo Monte tem sido embrulhado em mentiras desde seu começo.

24. Ata da audiência pública de Discussão do Impacto Ambiental de Belo Monte, Belém 2009: Se você quiser ver a mentirada em ação, é só ler esta ata da “audiência” realizada em Belém, em 2009. Lembremos que o local desta audiência foi mudado em cima da hora. Recordemos que muita gente ficou do lado de fora. Sublinhemos que todos os obstáculos possíveis foram colocados à participação popular. Mesmo assim, a série de questionamentos dos atingidos recebeu, como resposta, um elenco de promessas. Para ver se elas foram cumpridas, basta conferir o noticiário atual. O representante do governo do Pará nesta “audiência” foi o Secretário Claudio Puty, da então governadora petista Ana Júlia Carepa.

25. Análise de riscos socioeconômicos e ambientais do Complexo Hidrelétrico de Belo Monte: esta análise demonstra que, mesmo sem mexer em nada na nossa matriz energética, mesmo continuando com os obscenos subsídios às indústrias eletrointensivas, mesmo sem investimentos extra em energia eólica ou solar, mesmo, enfim, continuando na mesma lógica predatória do capitalismo agroexportador, o Brasil poderia postergar em 20 anos a construção de Belo Monte. É mais uma demonstração de que o grande motivo por trás da construção dessa usina não é a energia em si, mas o lucro advindo da própria construção.

Na segunda parte, publicarei as notícias atuais que confirmam os pesquisadores, jornalistas e lideranças populares citados acima, e mais alguns textos que o convidarão a refletir sobre o ecocídio.

http://revistaforum.com.br/idelberavelar/2011/11/24/bibliografia-comentada-50-leituras-sobre-o-ecocidio-de-belo-monte-1%C2%AA-parte/

 

 

 

"Para ser tolerante, é preciso fixar os limites do intolerável." (Umberto Eco)"

 
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Jorge Nogueira Rebolla

Uma metafora para o Brasil dos sonhos da raquel...

"Mas era feita com muito esmero
Na rua dos bobos, número zero"

 
 
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raquel_

A realidade do pensamento do Rebolla:

 

"Para ser tolerante, é preciso fixar os limites do intolerável." (Umberto Eco)"

 
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Stanilaw Calandreli

Não consegui puchar o vídeo, Raquel. Tem no youtube?

 

CLCAL

 
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raquel_

Acho q tem. À sombra de um delírio verde. Já rolou post sobre o filme aqui.

 

"Para ser tolerante, é preciso fixar os limites do intolerável." (Umberto Eco)"

 
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Paulo Cezar

3. O Brasil precisa de Belo Monte - Resposta da Eletronorte para Célio Bermann
www.amazonia.org.br/opiniao/artigo_detail.cfm?id=14806

 
 
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Erly Ricci

Vou repetir uma resposta a um comentário anterior seu

Talvez seja preciso pensar mais criticamente a questão de avaliação dos técnicos em qualquer dos lados desse debate. Cabe, neste e em qualquer caso  - extremamente paradoxais -   que envolva desenvolvimento tecnológico, econômico e social com interferência ambiental, algumas perguntas: Com quais conceitos os avaliadores julgam? Quais os seus referenciais, suas "verdades" e "certezas" científicas?  Estarão sendo invariavelmente neutros e imparciais?

Há milhares de coisas intangíveis, imponderáveis, imensuráveis quando se trata de perceber a realidade de qualquer processo. O nosso processo, em curso, é de uma civilização global formada por pessoas  cuja cultura e postura diante da vida é a produção e o consumo de milhões de coisas úteis ao seu modelo de vida e inúteis à vida em si. O processo, em curso, é altamente insustentável. 

Sobre esta questão de energias alternativas, Fritjof Capra, para quem muitos técnicos torcem os seus narizes, escreveu: 

"A energia solar, em suas muitas formas - a luz do Sol para o aquecimento solar e para a obtenção de eletricidade fotovoltaica, o vento e a energia hidráulica, a biomassa, e assim por diante - é o único tipo de energia que é renovável, economicamente eficiente e ambientalmente benigna. Negligenciando esse fato ecológico, nossos líderes políticos e empresariais repetidas vezes ameaçam a saúde e o bem-estar de milhões de pessoas em todo o mundo. Por exemplo, a guerra de 1991 no Golfo Pérsico, que matou centenas de milhares de pessoas, empobreceu milhões e causou desastres ambientais sem precedentes, teve suas raízes, em grande medida, nas mal direcionadas ações políticas sobre questões de energia efetuadas pelas administrações Reagan e Bush.

A descrição da energia solar como economicamente eficiente presume que os custos da produção de energia sejam computados com honestidade. Não é esse o caso na maioria das economias de mercado da atualidade. O chamado mercado livre não fornece aos consumidores informações adequadas, pois os custos sociais e ambientais de produção não participam dos atuais modelos econômicos.4 Esses custos são rotulados de variáveis "externas" pelos economistas do governo e das corporações, pois não se encaixam nos seus arcabouços teóricos.

Os economistas corporativos tratam como bens gratuitos não somente o ar, a água e o solo mas também a delicada teia das relações sociais, que é seriamente afetada pela expansão econômica contínua. Os lucros privados estão sendo obtidos com os custos públicos em detrimento do meio ambiente e da qualidade geral da vida, e às expensas das gerações futuras. O mercado, simplesmente, nos dá a informação errada. Há uma falta de realimentação, e a alfabetização ecológica básica nos ensina que esse sistema não é sustentável."

 

"pelos caminhos que ando um dia vai ser, só não sei quando" - Paulo Leminski

 

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