Tombini: redução do spread bancário é determinação de Dilma

Do G1

Queda do 'spread' bancário é determinação de Dilma, diz Tombini

Segundo presidente do BC, essa é uma das prioridades do governo.
Cadastro Positivo e Central de Crédito do BC devem ajudar, declarou ele.

Alexandro Martello Do G1, em Brasília

A redução do chamado "spread bancário" é uma "prioridade do governo" e uma "determinação" da presidente Dilma Rousseff, segundo informou nesta terça-feira (28) o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal.

O spread é a diferença entre a taxa de captação (o que pagam pelos recursos) e o valor cobrado dos clientes, em termos de taxas de juros. Além do lucro dos bancos, o spread também é composto pela taxa de inadimplência, por custos administrativos, pelos depósitos compulsórios e pelos tributos, entre outros. Em dezembro do ano passado, o spread bancário somou 26,9 pontos. Os bancos captaram recursos, no fim de 2011, a 10,2% ao ano e a taxa média de juros cobrada de seus clientes foi de 37,1% ao ano.

Segundo relatório divulgado pela autoridade monetária em novembro do ano passado, a parcela do lucro dos bancos em todo o valor do spread subiu de 29,94% do total em 2009 para 32,73%, quase de 1/3 do total, em 2010. Desde 2004, trata-se da segunda maior participação do lucro dos bancos no "spread" - perdendo apenas para 2008 (34,69% do total). Os dados do BC também revelam que, nos bancos privados, a parcela de seu spread destinado ao lucro foi de 34,15% em 2010, mais alto do que os 30,60% registrados nos bancos públicos.

"O 'spread' bancário continua sendo uma prioridade do governo. Nós temos trabalhado com medidas que vão entrar em vigor que vão ajudar a reduzir o 'spread'. Tem sido uma determinação da presidenta. Temos trabalhado em alguns pontos importantes", disse o presidente do Banco Central.

De acordo com ele, algumas medidas, já anunciadas, como o início do Cadastro Positivo, já aprovado pelo Congresso Nacional, e, também, da Central de Risco de Crédito do próprio BC vão ajudar nesse processo de redução do spread bancário. Tombini lembrou que, no início de abril, a Central de Risco de Crédito do BC passará a englobar operações de R$ 1 mil em diante. No momento, capta operações de crédito de R$ 5 mil em diante.

"Serão 51 milhões de novas operações identificadas [pelo BC], ou R$ 160 milhões de crédito identificados. A qualidade da informação vai melhorar muito. É boa para o BC calibrar as políticas e para calibrar o risco do sistema. Mas é bom para o sistema calibrar as suas operações", acrescentou o presidente da autoridade monetária.

Na visão do presidente do BC, o processo de bancarização em curso no Brasil, com a ascensão de milhões de pessoas à classe média, também pode ajudar a reduzir o valor do "spread bancário" no país. "Agregamos quase 40 milhoes de pessoas na classe média. O acesso ao credito aumentou, que passou de 25% para 50% do PIB [nos últimos anos]. Ampliando a base, pode ter o mesmo resultado [lucro] com uma margem menor", concluiu Tombini.

Nenhum voto
25 comentários
imagem de interlocutor
interlocutor

Saul Leblon, na Agência Carta Maior, hoje:


" 'por que um serviço público essencial como o provimento do crédito à economia, bem como a administração financeira da riqueza social, deve continuar nas mãos dos Gullivers & Cia (CEO do HSBC), em detrimento de milhões de lilliputianos urbi et orbi? Curto e grosso: o que mais precisa acontecer para a agenda progressista assumir que o controle público do sistema financeiro é um requisito à superação da desordem neoliberal? Dirija-se a indagação também ao ambientalismo consequente --ou alguém imagina que haverá desenvolvimento sustentável enquanto as taxas de lucratividade estiverem referenciadas ao paradigma de retorno oferecido pela dominância rentista?"

 
 
imagem de Itamar
Itamar

O spread bancário ainda parece pouco para o Banco do Brasil. Tenho uma conta de 25 anos no BB e a pouco estavam solapando 25 reais todos os meses para manutenção da mesma. Fui a agência e a única maneira de acabar com os descontos, foi cortar "todos" os serviços oferecidos (cheque especial+cartão de crédito).

-Banco bom, é banco da praça na esquina.

 
 
imagem de SÁVIO SOBREIRA
SÁVIO SOBREIRA

Sou funcionário aposentado do Banco do Brasil e afirmo,com toda certeza, que as tarifas bancárias cobradas pelo BB cobrem sua folha de pagamento, com folga. As tarifas cobradas pelo Bradesco e Itaú combrem uma folha e meia, portanto, não tem sentido esse Spreed tão alto, acho que a presidenta tem que começar pelos bancos oficiais, promovendo uma concorrência por clientes, usando menores spreds e menores tarifas com atrativos. POR QUE O BANCO DO BRASIL TEM QUE TER UM LUCRO ANUAL DE MAIS DE 12 BILHÕES??????? ISSO É AGIOTAGEM, É TRANSFERIR DINHEIRO DO SETOR PRODUTIVO PARA ESPECULADORES!!!!

 
 
imagem de Especulador
Especulador

E eu já acho que você se aposentou pelo BB depois de vários anos mas ainda não entendeu direito o que é tal do spread bancário... 

 
 
imagem de Itamar
Itamar

O spread bancário ainda parece pouco para o Banco do Brasil. Tenho uma conta de 25 anos no BB e a pouco estavam solapando 25 reais todos os meses para manutenção da mesma. Fui a agência e a única maneira de acabar com os descontos, foi cortar "todos" os serviços oferecidos (cheque especial+cartão de crédito).

-Banco bom, é banco da praça na esquina.

 
 
imagem de Gão
Gão

 Uma presidente que manda ? amém!

 
 
imagem de Joaquim Aragão
Joaquim Aragão

Pois é, acabou-se a brincadeira! A decisão sobre juros é política, e não adianta fazer cara feia!

Acabou-se o mito da "independência" do Banco Central (independência de quem? das decisões democráticas?). Por sinal, ela nunca existiu, pois o Banco Central esteve sempre na mão dos especuladores.

Por sinal: Bevilaqua, o que você vai fazer hoje à noite???

 

Joaquim Aragão

 
imagem de Joao Carlos RB
Joao Carlos RB

Existe uma diferença entre autonomia e independência. Um Banco Central deve ser autônomo, mas não independente. 

Há muita confusão, e proposital, sobre o papel dos Bancos Centrais.

 
 
imagem de Paulo Villas
Paulo Villas

Quer dizer , o spread bancário tambem tem uma "planilha de custos" , que o explica e o justifica. Então , baseados nessa e em outras planilhas , o lucro astronômico do mercado financeiro deve-se muito mais às deformações do sistema do que à engenhosidade dos seus operadores. Em consequência , os cabeças de planilha do Nassif só deixarão de sê-lo quando não lhes for conveniente ou quando não tiverem alternativa. É isso ?

 
 
imagem de luka
luka

Tudo mentirada de banco.

A quantidade de clientes vai explodir, o cadastro positivo será ferremanta de pressão e filtragem dos bancos, como aconteceu nos EUA e o tal do spread não cai.

Se querem juros menores comecem a competição pelo banco do Brasil. Sem competição o que acontece é acordo de panelinha.

 
 
imagem de marcos nunes
marcos nunes

Olha, quando o PT chegou ao governo federal através de Lula, e lá se vão 10 anos, eu suspirei de felicidade diante de um artigo publicado em O Globo, segundo o qual os petistas não viam os bancos com bons olhos e que, dali em diante, a expressão a seguir é exatamente aquela que foi inserida no artigo, "os banqueiros iriam suas sangue". Pouco depois, os juros aumentaram. O spread também. Há algum tempo parei de esperar, após tantas e tantas manchetes de lucros recordes dos bancos (os últimos foram há duas semanas, se tanto). E vem  o Tombini acender as velhas chamas da ilusão, que são piores que metáfora ruim...

 

Perplexidade aflita diante da perspectiva caótica

 
imagem de Rodney
Rodney

Os juros herdados de FHC foram de 26,5%, hoje são 10,5%. A subida a qual vc se refere deveu-se ao estrago provocado pela gestão anterior, não foi por 'desejo do PT'. Lembre-se que o presidente do BC era o Armínio Fraga, e não dava pra tirá-lo naquele momento, pois seria uma irresponsabilidade, além de burrice.

O spread vem caíndo sistematicamente nos últimos anos. Consulte o documento elaborado pela Consultoria Legislativa do SF, número 61, e verás.

 
 
imagem de MarcosC
MarcosC

Meu caro,  Meu "xará" não estava falando de aumetar os juros da "Selic" e sim dos Juros cobrados do tomador. O PT fez muita coisa no poder sim, mas esta de "trazer os bancos para um patamar civilizado" ainda não fez. Os 8 anos anteriores foram de masi recordes de lucros bancários e AUMENTO do spread. Vamos ver agora...

 
 
imagem de marcos nunes
marcos nunes

Você me desculpe, Rodney, mas seu argumento é um fiasco. Um governo que seria de esquerda, eleito, mesmo sob toda a pressão do mercado, não poderia ter aumentado os juros tão logo ascendeu ao poder, não poderia mantê-los altos por anos a fio, não poderia comemorar hoje uns dos juros reais mal altos do mundo, isto depois que o Luis Nassif e outros aqui já provaram e comprovaram que a taxa Selic com relação à inflação não quer dizer absolutamente nada, e que os spreads bancários tem pouco a ver com aversão ao risco e muito com gana rentista. Um governo do PT, no poder, deveria ter batido de frente contra a lógica neoliberal, e não o fez. Um governo do PT não deveria ter satisfação de ver os bancos sorrindo com o governo "de esquerda", que ajuda a lhe proporcionar altíssimos lucros, dos maiores do mundo.

Isso é o que dá ser partidário, não é? Tem que se justificar os piores absurdos, em razão diametralmente opostaa qualquer outra defendida antes de se chegar ao poder. Isso é triste.

 

Perplexidade aflita diante da perspectiva caótica

 
imagem de YRD
YRD

Então acredito que você não consultou qual era a TAXA DE INFLAÇÃO anualizada em Dezembro de 2002 - segundo alguns 25% a.a. segundo outros mais de 30%.

 

Portanto, o aumento da SELIC no início de 2003 teve a SIMPLES função de desarmar a bomba relógio deixado pelos queridos penosos....

 

Fazer o que tinha que fazer, cozinhando o sapo em banho maria. Chegou a hora de aumentar a chama ?

 
 
imagem de Ana Barbosa
Ana Barbosa

Eu achava que nem precisava a Presidenta mandar.

Imaginava que spread bancário baixo fosse algo almejado por toda a socieade.

 

 
 
imagem de Marcos C. Campos
Marcos C. Campos

.. toda a sociedade excluindo os banqueiros (os 0,1 % !!!), que mandam na midia e no BB.

 
 
imagem de Durvalino
Durvalino

eis aí um item de grande monta para o CUSTO BRASIL.  faço votos q consigam mudar essa sina mas sabendo q levará muito tempo a atingi-la.

sobre tarifas de serviços nas contas correntes lembro aos amigos q na virada do Plano Real elas vieram com força total por parte dos banqueiros q na epoca choravam o fim de seus lucros com o fim da inflaçao, era uma especie de compensação.  quem estava no poder naquela epoca aceitou a cobrança .....

lembro ainda q por volta de 1964 os bancos remuneravam diariamente o saldo existente na conta corrente de cada cliente do banco.  quem estava no poder naquela epoca aceitou a sua extinçao .......

espero q algum jornalista da area se pronuncie sobre isso.

 
 
imagem de Juliano Santos
Juliano Santos

É Nassif, terás que reescrever o artigo em que critica a falta de ousadia do governo em enfrentar os bancos, agora levando em conta essas declarações do Tombini.

Ou será que é tudo da boca para fora? Eu acho que não. É aquela história de devagar e sempre. Me lembro que o Lula quando assumiu o poder pela primeira vêz, cercado de expectativas, usou a imagem do transatlântico que não pode dar cavalo de pau.

Está lento mas está indo

 

Juliano Santos

 
imagem de Edmar Roberto Prandini
Edmar Roberto Prandini

Põe lento nisso!

São 9 anos para conseguir civilizar pouco mais de 100 bancos. Os governo Lula, que sempre apoiei, e agora Dilma, a quem também apoio, cometeram erros grassos no tratamento da questão da SELIC, não podemos tergiversar.

Além disso, cometeram erros na política do microcrédito, sobre qual falo com conhecimento de causa, por entenderem que os bancos públicos seriam os principais atores também neste setor. Defendi, muitas vezes, por escrito e em reuniões e palestras, que se priorizasse a criação de uma grande rede com mais de mil organizações de microcrédito, inclusive com aportes de capital e linhas de financiamento, para que a irrigação de crédito no segmento dos microempreendedores informais e das microempresas pudesse viabilizar o aumento da competição para contribuir com o impulso pela baixa dos juros via ampliação do número de ofertantes, o que também estimularia a formação de uma grande rede descentralizada de poupança local diretamente orientada para a atividade laboral e produtiva. Ao invés disso, o governo sempre priorizou construir linhas de crédito subsidiadas para o setor, dependentes da intermediação dos bancos públicos, essencialmente, que deste modo, resultou em números pífios no microcrédito, não conseguindo alcançar ainda nem 15% da demanda, apesar de ser uma política que em abril próximo já completará 7 anos.

Burros n'agua de uma política em que o governo ao invés de domar os bancos, ainda que públicos, sob forte influência corporativista, em benefício da sociedade, priorizou desenhar a estratégia de intervenção ouvindo a eles exclusivamente.

 

 

 

Edmar Roberto Prandini www.twitter.com/edmarrp

 
imagem de João L.
João L.

Até que enfim começou o debate sobre spreed e juros pagos pelo consumidor, pequenas e médias empresas.

Mesmo no governo Lula, apenas José Alencar levantava esta bola e os jornalistas, economistas nunca aprofundaram a discussão.

A economia sempre foi discutida a partir da SELIC(cortina de fumaça). O custo do dinheiro para a plebe nunca mereceu qualquer análise mais aprofundada. Vimos, graças ao Nassif, que a SELIC é determinada por uma planilha baseada na expectativa  dos ganhos dos rentistas e gerada a partir de uma dificilima  regra de tres.

Será que os bancos utilizam uma planilha,  onde jogam os custos de captação e outros e partem também para uma regra de tres e chegam a estas taxas indecentes que a ralé paga( o pequeno e médio que não tem acesso ao poder) ?

Os grandes tomadores de dinheiro tem o BNDES e taxas chamadas "civilizadas", mesmo nos bancos privados.

 
 
imagem de JB Costa
JB Costa

Os altos spreads com os quais trabalham a indústria brasileira seria inadmissível em qualquer lugar do Universo. Juros médio de 37,1% ao ano seria impensável. Em suma: todos os números relacionados com o sistema financeiro deste país são escandalosos. A RPL - rentabilidade sobre o patrimônio líquido - tem se situado acima dos 20%. Nem o tráfico de drogas alcança tamanho retorno. Sem contar que o tráfico incorre em riscos milhões de vezes maiores que os da banca. 

Como já salientado por alguns comentaristas que me antecederam, hoje todos os grandes bancos cobrem seus custos com pessoal(os mais significativos) somente com o faturamento das salgadas tarifas bancárias. A inadimplência um dos fatores que compõem a formação dos spreads tem se mantido em patamares aceitáveis. O que sobra disso tudo? Lucros, lucros estratosféricos para os bancos. Uma incomensurável transferência de renda da sociedade para um segmento da economia que, em contrapartida, salvo raríssimas exceções, não tem dado o retorno merecido. Vide, por exemplo, o empoçamento de liquidez ocorrido em 2008 por parte dos bancos privados. 

Presidente Dilma: acabe com essa farra! 

 
 
imagem de roberto felisberto barroso
roberto felisberto barroso

banco publico, banco publico, que nada sao iguais aos privados, compram folhas de pagamento e nao respeitao a lei mesmo depois de certo que é inconstitucional a exclusividade no emprestimo consignado, ja se passam mais de seis meses e esse tal BB e Caixa nao largao o osso e ninguem faz nada, enquanto isso a pessoa fisica se lasca tendo de contratar emprestimo no minimo o dobro dos juros. Tenho esperança nenhuma, ja se foram 9 anos e as mudanças sao pifias.

 
 
imagem de Hugo Pinto
Hugo Pinto

Enquanto houver concentração dos mercados e baixa concorrência, sinceramente, acho difícil o spread se reduzir. A conta do spread é bem simples: custo de captação + custo de perda  (famoso risco de crédito) + custos operacionais + margem. As medidas que o BC está tomando, sinceramente, não vão afetar a margem. Isso só será possível através de concorrência, não tem outro jeito. Agora, a pergunta que não quer calar: quem do Itamaraty, por exemplo, vai querer apresentar o mercado de crédito brasileiro a extrangeiros? Quem vai fazer alguma coisa para dividir o filé?????

 
 
imagem de Paulo Victor
Paulo Victor

Mais uma sessão do deja-vu que me persegue desde que aprendi a ler jornal, há mais ou menos 40 anos,,,a redução do spread bancário.

 

 

 
 

Postar novo Comentário

O conteúdo deste campo é privado não será exibido ao público.
CAPTCHA
Esta questão é para testar se você é um visitante humano e impedir submissões automatizadas por spam.
CAPTCHA de imagem
Digite os caracteres exibidos na imagem acima.

Faça seu login e aproveite as funções multímidia!