Tariq Ali defende ruptura no PT

Por wilson yoshio.blogspot

Do Sul 21

“Espero que haja uma grande ruptura no PT”, defende Tariq Ali


"Lula transformou o partido numa máquina de vencer eleições”, critica Tariq Ali, que vê o PT indo contra as "enormes esperanças" depositadas nele | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

O ativista de esquerda Tariq Ali esteve em Porto Alegre pela terceira vez entre os dias 15 e 17 deste mês. Antes, já havia visitado a Capital gaúcha durante duas edições do Fórum Social Mundial. O escritor paquistanês, que cursou ciência política e filosofia em Oxford, na Inglaterra, participou de atividades da feira do livro e deu uma palestra na Câmara Municipal, organizada pela vereadora Fernanda Melchionna (PSOL). Em meio aos compromissos, encontrou tempo para conversar durante mais de meia hora com o Sul21.

Tariq foi um dos entusiastas da chegada do PT ao poder no Brasil. Mas avalia que o partido não foi capaz de implementar reformas estruturais no país e não poupa nem o ex-presidente Lula. “O PT brasileiro foi o último partido de trabalhadores criado no mundo. Havia enormes esperanças depositadas. Lula transformou o partido numa máquina de vencer eleições”, observa o escritor.

Nesta entrevista, Tariq Ali comenta também o contexto político na América Latina, a crise econômica na Europa e os protestos contra o capitalismo nos Estados Unidos.

"Venezuela e Bolívia são dois países que utilizam o Estado para realizar reformas sociais e estruturais. Mas podem ir só até certo ponto, porque o sistema capitalista permanece enraizado" | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Sul21 – É comum ouvir hoje em dia que, ideologicamente falando, não existe mais esquerda ou direita na política.
Tariq Ali –
 Se olharmos a política no mundo capitalista hoje, na América do Norte, na Europa e em países como Brasil e Índia, veremos uma situação onde a política convencional é dominada pela centro-esquerda e pela centro-direita. Esses dois lados formam o que chamo de centro-extremo. São extremistas na defesa do neoliberalismo. Dentro desse grande centro é possível dizer que não há diferenças entre esquerda e direita. Mas fora dele, as diferenças são enormes. Mesmo que os grupos de esquerda sejam pequenos, representam uma tradição de justiça social. E, na atualidade, buscam uma tradição de unir socialismo e democracia, rejeitando o modelo stalinista do partido único e do jornal estatal, que vigorou durante muito tempo.

Sul21 – Há algum país que esteja adotando o socialismo com democracia?
Tariq Ali –
 Não de uma maneira perfeita. Mas alguns países da América do Sul estão tentando. Venezuela e Bolívia são dois países que utilizam o poder do Estado para realizar importantes reformas sociais e estruturais. Mas podem ir só até certo ponto, porque o sistema capitalista permanece enraizado nesses países e é impossível simplesmente passar por cima. É preciso lidar com o sistema em alguma medida.

“Os cubanos seguiram o modelo político insensato do partido único. Estão percebendo esse equívoco”

Sul21 – E o modelo cubano?
Tariq Ali –
 Temos que ser francos, Cuba não tem democracia. Sou um admirador dos cubanos pelo que fizeram na educação, na saúde e na reforma agrária. São cidadãos muito politizados, comparados com outros países do continente e até do mundo. Mas não há contribuição democrática em Cuba. Isso vai, inclusive, contra a tradição da revolução cubana. A falta de democracia no país é resultado de dois fatores: por um lado, o bloqueio norte-americano e a tentativa de derrubar Fidel Castro e derrotar a revolução; por outro, a dependência de Castro da antiga União Soviética. A combinação desses dois fatores burocratizou a revolução cubana. Hoje, muitos cubanos aceitam a situação como ela está. Cuba precisa promover algumas aberturas em sua economia. É loucura o Estado nacionalizar tudo. É loucura nacionalizar restaurantes familiares e mini-mercados. Mas a nacionalização de setores-chave da economia ainda é necessária.


Tariq Ali: "Não podem criticar Hugo Chávez por falta de democracia. Podem criticá-lo por excesso de democracia. Chávez venceu muitas eleições, inclusive contra a maioria da mídia privada" | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Sul21 – Qual o futuro que o senhor projeta para a ilha?
Tariq Ali – 
Os cubanos seguiram o modelo político insensato do partido único. Estão percebendo esse equívoco. Não sei para qual lado irão após a morte de Fidel. Sinto que iriam com os Estados Unidos. Muitos cubanos gostariam desse caminho. Mas estariam dispostos a abrir mão de poder para Miami?

Sul21 – E na Venezuela? Há um socialismo mais democrático?
Tariq Ali –
 Não podem criticar Hugo Chávez por falta de democracia. Podem criticá-lo por excesso de democracia. Chávez venceu muitas eleições, inclusive contra a maioria da mídia privada, porque fez uma série de coisas boas para a parcela mais pobre da população – muito mais do que foi feito no Brasil. O presidente venezuelano tornou a palavra “socialismo” popular novamente. Com suas ações, conseguiu impactar as pessoas em toda a América do Sul de uma forma que só a revolução cubana havia feito até então. Ele chegou ao poder de uma maneira diferente, sem ações armadas. Construiu movimentos sociais de massa e assumiu através de eleições democráticas para tentar implementar reformas. Então, os bolivianos e os venezuelanos estão fazendo muito mais que o Brasil. E espero que continuem assim, porque mais cedo ou mais tarde terão que confrontar o capitalismo de uma maneira muito mais intensa.

“Por trás de cada família que possui uma grande propriedade rural há um grande crime que eles cometeram para se apossar daquela terra”

Sul21 – De que maneira se dará esse confronto?
Tariq Ali –
 Intensificando a reforma agrária, por exemplo. Na Venezuela há muita crítica ao Chávez por ter distribuído as terras. Dizem que é um ataque à propriedade privada. Sim, de fato, é um ataque. Mas como essa propriedade privada se constituiu? Quem dá às pessoas o direito de dominar um pedaço de terra? Como as pessoas se tornam donas das terras? Por trás de cada família que possui uma grande propriedade rural há um grande crime que eles cometeram para se apossar daquela terra. Não compraram as terras, tomaram à força.


"No Brasil, há um subproletariado, pessoas que temem que o pouco que têm possa se esvair. Então, quando ganham um pouquinho do Lula, passam a amá-lo" | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Sul21 – Além da Venezuela e da Bolívia, outros países da América Latina são governados atualmente pela esquerda ou pela centro-esquerda. Há um contexto político positivo na região?
Tariq Ali –
 Em geral, o contexto é positivo. Numa escala internacional, isso significa que é muito mais difícil os Estados Unidos controlarem a América Latina como estavam acostumados. Não é tão fácil agora e os norte-americanos sabem disso. Mas ainda não desistiram. A influência norte-americana é muito forte na Colômbia e no México. Há sucessivas tentativas de desestabilizarem o governo Chávez. E quem sabe o que poderão fazer no Brasil depois que o PT sair do poder? Os Estados Unidos estão mais fracos do que jamais estiveram na região, mas não desistiram da América Latina.

Sul21 – O senhor disse uma vez que o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff não são tão diferentes de outro ex-presidente brasileiro, Fernando Henrique Cardoso.
Tariq Ali –
 Não são diferentes no sentido de que não promoveram mudanças fundamentais nas estruturas da sociedade brasileira. Lula teve muita sorte com o crescimento da economia chinesa, que demandou exportações brasileiras, e com a baixa da taxa de juros nos Estados Unidos, que afetou as importações. Mas se a crise econômica piorar e atingir a China, o Brasil será extremamente afetado.

“Em 2006 Lula foi eleito por uma maioria de 61% dos votos. Com esse apoio, poderia ter feito qualquer coisa”

Sul21 – Lula também tinha bastante apoio popular.
Tariq Ali –
 No Brasil, há um subproletariado. Pessoas pobres que não possuem um emprego em turno integral, nem um trabalho formal, e são psicológica e politicamente apavoradas, porque temem que o pouco que têm possa se esvair. Então, quando ganham um pouquinho do Lula, passam a amá-lo. Mas com o apoio popular que tinha, Lula poderia ter feito muito mais, especialmente durante seu segundo mandato. No primeiro mandato, Lula estava muito preocupado que o capital internacional pudesse desestabilizar o Brasil. Mas em 2006 ele foi eleito por uma maioria de 61% dos votos. Com esse apoio, poderia ter feito qualquer coisa.

Sul21 – Na sua avaliação, o PT e Lula tiveram medo de promover mais reformas?
Tariq Ali –
 O PT brasileiro foi o último partido de trabalhadores criado no mundo. Havia enormes esperanças depositadas no partido. O PT não foi criado por uma pessoa, foi o apoio da classe trabalhadora organizada que criou o PT. E Lula transformou o partido numa máquina de vencer eleições. Isso não é o bastante para um partido político. Qual a diferença em relação a direita, se fazem exatamente o mesmo? Gastam grandes quantidades de dinheiro para ganhar uma eleição. E há casos emblemáticos, como o assassinato do prefeito de Campinas, Celso Daniel, ou as denúncias envolvendo Palocci, que, mesmo assim, foi reconduzido duas vezes ao governo. A quem o PT inspira com essas atitudes? E mais, o que acontecerá com o PT quando perderem uma eleição? Espero que haja uma grande ruptura no PT, porque o Brasil precisa de um partido socialista de massas. Precisamos refletir: essa esquerda que a direita gosta não é tão esquerda assim.


"A mudança só será possível se houver enormes pressões de base, que realmente afete os regimes capitalistas. Caso contrário, por que os governos se incomodariam em mudar alguma coisa, se ninguém os desafia?" | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Sul21 – Com a onda de protestos contra o capitalismo nos Estados Unidos – como o Occupy Wall Street –, além dos indignados na Espanha, o senhor acredita que alguma grande mudança está por vir?
Tariq Ali –
 A mudança só será possível se houver enormes pressões de base, que realmente afete os regimes capitalistas. Caso contrário, por que os governos se incomodariam em mudar alguma coisa, se ninguém os desafia? Mesmo com a crise econômica e esses protestos, o capitalismo ainda não enfrentou uma onda de protestos de massa.

“Às vezes, superestimamos o poder da mídia. E isso acaba se tornando uma desculpa”

Sul21 – Como o senhor vê a atuação da mídia tradicional no processo de legitimação do capitalismo?
Tariq Ali –
 A função das corporações midiáticas é preservar o sistema como ele está e atacar qualquer mudança. Apoiam todas as guerras que o ocidente promove em diferentes partes do mundo e tentam convencer as pessoas de que essas guerras existem para trazer justiça. Mas, às vezes, superestimamos o poder da mídia. E isso acaba se tornando uma desculpa. “Não podemos fazer nada porque a mídia é muito poderosa”. Isso é uma grande besteira.

Sul21 – A mídia não tem tanto poder assim?
Tariq Ali –
 Quando as pessoas estão realmente enfurecidas, ignoram o que a mídia diz. Geralmente, se assiste televisão por causa das novelas, dos atores e do erotismo. Cada vez menos as pessoas assistem televisão para se informar. Quando há um verdadeiro movimento de massa vindo das bases, a mídia se torna irrelevante. Basta ver o caso do Egito. Quando os egípcios começaram a ocupar a praça Tahir, a maioria da mídia foi contra.

Sul21 – Muitos analistas dizem que as redes sociais tiveram um papel fundamental nesse processo.
Tariq Ali – 
Claro que o Facebook e, principalmente, as mensagens de texto por celular tiveram alguma relevância. Mas não é pra tanto. O fator decisivo foi que as pessoas estavam dispostas a dar suas vidas para se livrarem do déspota. Isso que foi fundamental. As pessoas usam qualquer meio que tiverem para se comunicar. Quando houve a rebelião dos escravos no Haiti, no século XVIII, a comunicação era feita através de sons, de batidas nas paredes, de vilarejo a vilarejo. Foi um método de resistência.

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154 comentários
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DanielQuireza

O que será que ele tem a ver com isso hein ? rs.

 

@DanielQuireza

 
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raquel_

Pois, né? Ele de fora consegue ter uma visão muito mais realista e sensata sobre o PT do que os próprios petistas.

 

"Para ser tolerante, é preciso fixar os limites do intolerável." (Umberto Eco)"

 
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Cláudia Stefani

Achar que não houve mudanças estruturais por culpa do PT ou do Lula é ter visão realista? Francamente... Hugo Chávez foi tão fantástico, mas tão fantástico que, adivinhem só, em quem seu provável sucessor está se espelhando? Visão realista tem quem possui capacidade de ver o todo.

 
 
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raquel_

"Visão realista tem quem possui capacidade de ver o todo."

Coisa que grande parte dos petistas de hj não tem pq o fanatismo obliterou. A ponto de rasgar as suas próprias bandeiras iniciais.

 

"Para ser tolerante, é preciso fixar os limites do intolerável." (Umberto Eco)"

 
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Cláudia Stefani

No meu dicionário fanático tem outra definição. Fanático é aquele tipo de pessoa tão apaixonada pelas próprias ideias e que está a um passinho da itrania e da ditadura. O PT foi , é e sempre será um partido democrático.

(desisto, não tem formatação possível com essa caixa de comentários)

 
 
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Wilsoleaks Alves

Cláudia Stefani

Mesmo com esta formatação ainda dá pra assinar embaixo de tudo o que você escreveu.

 
 
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TGS

Se tua definição de fanatismo exclui os petistas, estás BEM equivocada; o petista é, sim, um fanático, ainda que seja pelo pragmatismo necessário a se manter no poder.

Aurélio:

Fanático

[Do lat. fanaticu.]

Adj. 

 1. Que se considera inspirado por uma divindade, pelo espírito divino; iluminado. 

 2. Que tem zelo religioso cego, excessivo; intolerante: 2   

 3. Que adere cegamente a uma doutrina, a um partido; que é partidário exaltado; faccioso: 2   

 4. Que tem dedicação, admiração ou amor exaltado a alguém ou algo; entusiasmado, apaixonado: &   2    

S. m. 

 5. Indivíduo fanático. 

 6. Bras. Gír. Pederasta passivo.  

 
 
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Cláudia Stefani

Bom, amigo, eu sou petista e me excluo das suas definições. Mas vai ver que ser democrata é ter o direito de pensar e falar pelos outros...

 
 
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Mario Blaya

Pior cego e o que não quer ver!!!!!

meu bem, vc é uma baita duma cegueta!!!!

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." Max Frich

 
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Cláudia Stefani

Prefiro ser cegueta do que ser uma indigente mental como você a quem só resta a ofensa como forma de se manifestar.

 
 
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Mario Blaya

mas como vc pode avaliar alguma coisa sendo essa cegeta absoluta que é!!!!!

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." Max Frich

 
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Rogério Sousa de Andrade

Sr. Mário Blaya, não sou cadastrado por isso  não posso te denunciar por infringir as regras da comunidade, as quias proibem ofensas entre comentaristas, vê se manca 

 
 
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Mario Blaya

vc é patetico! me dá nojo!

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." Max Frich

 
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Marco Santo

Claudia parabens, concordo plenamente com o seu comentario. Alías, o nosso conhecido Tariq Ali menciona que o PT se transformou "numa maquina de vencer eleições", me causa espanto. Penso que ele não mencionou isso, pois se disputa de eleitoral quem vence governa e detem o poder. Como chegaria lá o PT?, somente vencendo. 

 
 
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Cláudia Stefani

Para os não 'fanáticos' existem PCO, PSTU, PSOL, PCB... fiquem à vontade e façam as reformas que quiserem. Por que não fizeram? Mistério...

 
 
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raquel_

Ah, por falar em fanatismo e tirania, PSTU e PSOL não foram criados pq esse pessoal tinha sido expulso do PT?

 

"Para ser tolerante, é preciso fixar os limites do intolerável." (Umberto Eco)"

 
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Walter Decker

Eles não foram expulsos. Sairam porque quiseram. Eloisa Helena, Erundina, Plínio de Arruda Sampaio, Marina Silva... poderiam estar no PT atuando dia a dia, inclusive fazendo parte do governo, junto com Dilma. Poderiam estar ajudando a continuar transformando o Brasil. Hoje o que fazem ? Nada, a não ser fazer oposição no Congresso ou dar 10 milhões de votos pro Serra, como fez Marina ano passado. Fora os que desaparecem de vez da política, como a Eloisa Helena.

 
 
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TGS

Negativo, alguns saíram porque quiseram, inclusive em solidariedade; muitos, porém, foram expulsos:  Folha.com (14/12/2003). Expulsa do PT, Heloísa Helena diz que "não chora mais". Página visitada em 14/12/2003. Aliás, PCO e PSTU também foram expulsos do PT, nos idos de 1992. 

 
 
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Nilson

Tariq Ali está na contramão, a ruptura do PT está ocorrendo com a saída dos mais radicais como PCO e PSTU..

 

Nilson Fernandes

 
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Cláudia Stefani

Heloísa Helena foi expulsa, sim, assim como Luciana Genro e Babá. O que não muda minha pergunta: porque não fizeram as reformas, agora que estão livres como passarinhos e não sujeitos ao "fanatismo" do PT?

(sinceramente, Raquel, eu não acredito que você acredita no que está escrevendo).

 
 
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Ótima pergunta Claudia.....por que não fizeram? E, até agora...nada!!! Qual seria então a solução?? Porque criticar é fácil eu quero é solução!!!

 

Fatos que gostaria de testemunhar antes de morrer: 1-político bandido, preso; 2-juiz, promotor, procurador bandido, preso 3-Corinthians, campeão da Libertadores.....

 
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Jair Fonseca

O PT, com todas as suas falhas, ainda é disparado a melhor alternativa democrática de poder no Brasil. Num país sem tradição partidária, dominado pelo que há de mais truculento e reacionário, após sucessivos fracassos das esquerdas ortodoxas, o PT mexeu nesse cenário todo e conseguiu melhorar e muito a situação econômica do Brasil (não foi só por causa da China, não, seu Tariq!) e começar uma tímida, mas importante, distribuição de renda. Ainda há muito que fazer, só começamos. O PT tem projeto de nação e projeto de poder. É um partido democrático de esquerda, num país muitíssimo complicado. Quanto à ruptura no PT essa já houve: PSOL, PSTU, etc, e não levou a nada...

 
 
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IV AVATAR

Jair, o que me chamou a atenção nas últimas eleições foi que, dentre os candidatos mais bem colocados, apenas Serra não era originário do ninho do PT, só para se ter uma idéia da contribuição desta agremiação política ao Brasil. Se bem que até o Serra dizia-se do PT e 'amicíssimo' de Lula...rsss

 
 
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cariry

"após sucessivos fracassos das esquerdas ortodoxas"

Frase sem sentido. Fracasso de Jango? Qual esquerda, ortodoxa ou não, participou do poder antes do PT?

PT é a primeira experiência de esquerda (não ortodoxa?) no poder.

 

"Seja realista: exija o impossível"

 
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Filipe Rodrigues

Pois é Claúdia, esse cara não sabe nada do Brasil, deve se informar pela mídia tradicional.

Ele vive na Inglaterra, deve achar o Partido Trabalhista do Tony Blair melhor que o PT.

Se Tariq Ali gosta do Evo Morales, por quê não vai morar na Bolívia?

 
 
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Augusto Cesar

Não sei se você está sendo irônica ou não, pois, de fato, quem está de fora vê as coisas sob outra perspectiva, talvez até mais realista, mas perde o todo, pois não vê as facetas internas.

O PT mudou? Sim. Pra pior? Sim.

Ou não. Após perder três eleições sendo "autêntico", o gato fica escaldado. Além do mais, há a sombra do impeachment de Collor, ou alguém ainda acredita que caiu só por causa da Casa da Dinda? Ninguém governa sozinho e para fazer as mudanças que queremos é preciso ser governo. Ainda que mal acompanhado.

Qual a contribuição do PT "autêntico e imaculado" ao país de 89 a 2002?

O PT mudou pra pior do mesmo jeito que nós mudamos quando passamos de crianças a adolescentes, a jovens adultos e ao amadurecimento.

 
 
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IV AVATAR

Augusto, seu comentário irônico me fez sorrir. Falando em idade adulta, o PT está com 31 anos de idade. A contaminação à vezes é necessária. Não creio que Lula tenha errado ao buscar a conciliação ou seja, a  "prostituir-se", deixar de ser puro, para dar de comer a milhões de brasileiros. Qual mãe não faria isso ao ver multidões morrendo de fome. Não foi por outro motivo que, no dia da posse, Lula afirmou que o seu governo teria atingido seu objetivo se todos os brasileiros conquistassem o direito de ter 3 refeições por dia. Claro que, da minha parte, gostaria muito de ver o PT retomando o seu modelo da década de 80 no que diz respeito à reativação dos núcleos de base, até mesmo para, através dos cursos de formação política, termos formadores de opinião para, assim, haver um contraponto ao poderio dos meios de comunicação.

"E há casos emblemáticos, como o assassinato do prefeito de Campinas, Celso Daniel, ou as denúncias envolvendo Palocci, que, mesmo assim, foi reconduzido duas vezes ao governo" (Tarik Ali)

Não duvido que Ali vire capa da Veja, pois com um discurso desse. Acusar o PT pela morte de Celso Daniel ou de qualquer um outro, só mesmo o Civita. Às vezes as extremas esquerda e direita, de tão extremas, se encontram lá na frente, onde dobra a esquina.  A ruptura que Ali defende faria com que o PT  deixasse de conquistar o poder através do voto, e se transformasse num partido de quadros, defensor da luta armada como forma de se chegar ao poder. Pois não sendo este o caminho da ruptura, qual seria então? O socialismo por decreto? É claro que o PT errou ao abdicar da formação política da base através dos vários núcleos que possuia, o que poderia, se tivessem sido ampliados ao invés de paralisados, tornado possível a ruptura e, consequentemente, a reforma agrária, a democratização da comunicação. De fato o PT, quando da "Carta aos Brasileiros" optou pela conciliação com o regime, Lula conseguiu unir opostos e arrancar daí alguma coisa para os desfavorecidos. O outro caminho seria, como Ali defende, o da ruptura. Como se daria isso? O autor não foi bem claro. Mobilização de massas nós tivemos quando da defesa da lei da anistia, das Diretas Já, fracassadas, e a do Impeachement de Collor, vitoriosa (há quem diga que o impeachment só saiu por conta do apoio da velha mídia que, na ocasião, praticou anti-jornalismo ao não se reportar aos fatos, como faz no momento). Onde estou querendo chegar com estas colocações? Quero saber qual o caminho ideal para a ruptura. Se alguém souber, me conte.

Segue trecho de Celso Lungaretti, extraído de um texto no qual critica o método usado por Carlos Sanchez, o Chacal, ou seja, o uso, em qualquer situação, da luta armada que, diz ele(Celso), só poderia ser usada em situações extremas:

"(...) Trajetórias deploráveis como a de Sanchez me levaram a uma conclusão definitiva sobre a luta armada: revolucionários devem a ela recorrer apenas em situações extremas, quando todas as outras portas estão fechadas e exclusivamente contra regimes ditatoriais.

A resistência à tirania vem sendo exercida desde a Grécia antiga, é um direito milenar dos cidadãos. Mas, deve ser adotada com muito critério, pois o recurso às armas quase sempre produz mais mártires do que vitórias do nosso lado. ...e hoje.Caso da resistência brasileira é ditadura de 1964/85: a esquerda nela expôs alguns dos seus melhores quadros, enquanto os militares a enfrentaram com o que tinham de mais descartável.Nossas perdas foram imensas e irreparáveis. Talvez a redemocratização não fosse tão tímida e insatisfatória se ainda contássemos com companheiros do porte de Carlos Marighella, Mário Alves e Juarez Guimarães de Brito, dentre tantos outros que tombaram heroicamente numa guerra impossível de vencermos.O quadro político mudara radicalmente, do final de 1968 (quando o AI-5, representando o fechamento total do regime, tangeu a maioria de nós para a luta armada, única ainda viável) para 1970 (quando o efêmero  milagre brasileiro   e a conquista do Mundial de futebol trouxeram novo fôlego e o apoio da classe média à ditadura).A partir daí, o confronto se restringiu quase que exclusivamente ao terreno militar -- no qual o inimigo não só tinha recursos infinitamente superiores aos nossos, como a disposição de recorrer às piores torturas e de nos mover uma guerra de extermínio.Sem bolas de cristal que nos alertassem para o que estava por vir, caímos numa armadilha da História e, de repente, vimo-nos atolados num matadouro.Mas, justiça nos seja feita, é bem mais fácil discorrermos sobre o que já ocorreu do que visulumbrarmos o melhor caminho num cenário de incertezas. Entre abdicarmos momentaneamente de mover uma resistência efetiva à ditadura e corrermos riscos imensos pela nossa causa, fizemos a opção mais digna. E pagamos um preço altíssimo por ela.
http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2011/11/um-verdadeiro-terrorista.html

 
 
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Augusto Cesar

"Não foi por outro motivo que, no dia da posse, Lula afirmou que o seu governo teria atingido seu objetivo se todos os brasileiros conquistassem o direito de ter 3 refeições por dia."

Bem lembrado, José Carlos. Fico impressionado com a cobrança de mudança que fazem após apenas 9 anos de poder, período em que tivemos que corrigir toda a catástrofe dos anos FHC.

 Consultoria diz que Brasil é a 6ª economia do mundo

 

 
 
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Juliano Santos

Concordo 100%, caro Augusto Cesar. E permita-me sintetizar o que disse:

O PT mudou para pior para poder mudar o país para melhor.

Já o Psol e o PSTU mantém-se "melhor" e o país que continue na pior, a culpa não é minha

 

Juliano Santos

 
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edisilva

E provoca inveja de um lado e ciúmes de outro.

Alguns ainda não entenderam a diferença entre eleição e revolução.

Imaginemos certos partidos no governo federal. Como seria? A Dilma vai à mesa do PIG e é atacada da forma que é e se não fosse? Tem que ter peito e voto no congresso pra enfrentar. Na hora de votar, o sujeito escolhe o presidente por um partido e os congressistas de outro. A coerência deveria começar aí.

Tem uns pragmatismos com os quais não concordo, mas para tentar mudar isto teria que estar na burocracia do partido e nunca me filiei a nenhum.

 
 

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