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Sobre o crescimento brasileiroEnviado por luisnassif, seg, 04/04/2011 - 17:13Por Bento (Comentário ao post O país sem rota de crescimento) Caro Nassif Permita-me discordar. 1) O Brasil tem sim uma trajetória clara de crescimento para os próximos anos e quiçá décadas, baseada no crecsimento do mercado interno. Pode-se questionar o viés desse crescimento, que modelo de país estamos construindo (no caso atual, a crítica mais sólida me parece a de que na base das commodities estamos caminhando a passos largos para nos tornar uma espécie de "Austrália" latina), mas daí a dizer que não há rota de crescimento vai uma longa distância. Nenhum economista sério ousaria afirmar por ex. que o Brasil terá dificuldades para crescer entre 4,5 e 5% a.a. no atual andar da carruagem, e isso não é pouca coisa. 2) Então acho que mais importante que questionar a viabilidade do modelo atual é apontar suas limitações em termos de progresso técnico e qualidade da inclusão social no médio e longo prazo. Pois a maior tragédia do atual modelo de crescimento é que sim, ele existe (já estamos entrando no 5º ano consecutivo em que ele vigora), sim, ele tem lógica (baseada na exportação de commodities, expansão do crédito ao consumo e inclusão social), e sim, ele funciona muito bem no curto prazo (Lula e Dilma que o digam). Enquanto vislumbrarmos um mundo em que as commodities permaneçam nos atuais patamares de preço, o Brasil ainda terá fôlego de sobra para sustentar o atual ritmo de crescimento sem grandes problemas. Com direito a superávit comercial inclusive. Afir2) Afirmar que as reservas possuem liquidez imediata é uma falácia, pois o que realmente importa é o perfil da dívida pública, que vem sendo consistentemente alongado e tendo seu custo reduzido nos últimos anos em proporção da arrecadação tributária. Caso contrário você estaria afirmando que nossa situação macroeconômica atual é exatamente igual à de 1998 do ponto de vista das contas externas, o que soa absurdo. No curto prazo pode haver sim uma fuga de capitais indepedente desses fundamentos macroeconômicos, mas essa hipótese tem se tornado cada vez mais remota, ainda mais com a enxurrada de liquidez patrocinada pelo Fed a partir de 2008. 3) O problema dos juros é bem mais complexo no contexto de uma "doença holandesa", problema mais grave apontado pelso economistas para o Brasil hoje. Não são apenas as pressões inflacionárias oriundas do setor de serviços que ensejam sua elevação - num contexto de forte entrada de capitais (e a maior parte deles pouco interessada em fazer arbitragem, senão não estariam fazendo a bolsa bater sucessivos recordes), o Bacen tem um desafio sério para conter a escalada do crédito internamente. Muito antes dos heterodoxos, economistas brasileiros "made in Chicago" já apontavam a tendência à perda de efetividade da política monetária no país em função do desenvolvimento de novos canais de financiamento para empresas e famílias sobre os quais a Selic pouco influenciava. Como não podiam falar mal do capital externo, esses economistas culpavam o governo, em particular o BNDES e os bancos públicos, por expandir "artificialmente" o crédito no país por meio de empréstimos subsidiados e crédito consignado. E eles estavam parcialmente certos. O Bacen não está cego a esses problemas, tanto é que tem enfatizado uma mudança recente na avaliação do problema inflacionário no Brasil. Mas não existe uma "boa" solução a vista ainda. 4) Desvalorização cambial é uma saída arriscada, posto que para ser "controlada" implica o compromisso do Bacen com uma taxa de câmbio, o que, vale dizer, sinaliza claramente aos agentes o quanto "a banca tem" e o quanto é necessário para quebrá-la. Se de fato as reservas fossem de liquidez imediata, não haveria qualquer possibilidade do Bacen adotar essa estratégia. Penso que o problema hoje não é a desvalorização em si, pois as reservas dão sim um colchão de segurança e tanto pro governo. O problema é o impacto sobre a inflação e sobre suas expectativas futuras, num regime de metas. O bom do regime de metas é que ele traz credibilidade, e o mal é que ele traz credibilidade também. Se você não cumpre, sua credibilidade vai para o ralo não importa o quanto você argumente em termos de racionalidade econômica, pis trata-se de um clássico compromisso de "amarrar as mãos". Por isso a discussão emperra. O Bacen já esta tentando "aprimorar" (leia-se flexibilizar) o regime de metas de inflação, mas essa estratégia é gradual e nada assegura que seja suficiente. Mas o regime faz parte do atual "modelo". Aliás, é a principal parte. Muita gente esquece que a desvalorização cambial de 1999 - inevitável e imprescindível para recolocar o país nos trilhos, ressalte-se - custou a maior parte do ganho real dos salários ocorrido no primeiro governo FHc, e teve consequências políticas nefastas para ele no segundo. Por isso ajustes como esse difcilmente são decididos por governos; em geral eles se impõem por si mesmos numa crise braba. E a tragédia de Lula, sua verdadeira e única herança maldita, talvez seja mesmo isso: seu modelo de crescimento é tão simples e eficiente no curto prazo que impede que uma crise advenha e imponha na marra o ajuste necessário às contas externas. Por isso só resta o próprio governo tomar uma atitude. sds
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Comentários + votados
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Fabio Passos
04/04/2011 - 17:36
4,5 e 5% a.a. é um crescimento pífio para uma nação subdesenvolvida.
Ainda mais com o potencial fabuloso do Brasil.
Temos capacidade para crescer a 7, 8, 10% aa.
Taxas de crescimento maísculas...
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Chico Pedro
04/04/2011 - 17:46
Com todo o respeito possível, tudo que vc diz é mentira. É pura imaginação.
Só existe no campo dos sonhos.
E o motivo é simples..: economia é só uma parte.
TALVEZ seja uma das partes mais...
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David Rodrigues da Silva
04/04/2011 - 18:01
É, Sr. Chico Pedro. Pela sua visão, ainda não somos a SÈTIMA ECONOMIA DO MUNDO, somos a Somália, Burundi, Costa do Marfim, Ruanda....., está acompanhando o lobby dos Transportes pra não deixar a...
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RCPF
04/04/2011 - 18:05
Bento e Nassif
Acrescento que um crescimento próximo a 10% ao ano seria factivel com um PAC Agricola, que criasse a infra estrutura que permita ao país dobrar sua atual produção agrícola.
E o...
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Orides
04/04/2011 - 18:08
Como você demonstrou, Chico Pedro, temos quase tudo por fazer.
Não é uma imensa oportunidade?
O desenvolvimento contínuo - ainda que na faixa anual de 5% - é o que nos permitira ir resolvendo a lista...
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Fabio Passos
04/04/2011 - 18:43
Você menospreza os efeitos positivos de uma distribuição maciça de renda sobre nosso potencial de crescimento.
E principalmente: Não faltam recursos.
Tivéssemos investido em infra-estrutura ao menos...
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Fernando
04/04/2011 - 18:56
Muito deselegante chamar alguem de mentiroso assim.
Se tudo que ele diz é mentira, então o que vc diz é verdade ?
Me parece pretensão não acha ?
Alem do mais o post está bem argumentado, ao passo que...
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Jotavê
04/04/2011 - 19:04
O cara está gritando "truco". E joga bem de verdade. O que temos sobre a mesa é uma defesa articulada e consistente da estratégia econômica do governo Lula, a que Dilma está dando continuidade. Nem...
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José H C Fonseca
04/04/2011 - 19:09
Proponho uma campanha contra o uso da palavra "pífio" pelos próximos dez anos. É uma dessas coisas que a imprensa começou e que são bastante irritantes.
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Emilio GF
04/04/2011 - 19:10
Nação sub-desenvolvida trata-se de um termo muito amplo para explicar alguma coisa.
A ìndia cresceu mais que o Brasil nos ultimos 2 anos? Sim. Mas sua renda PC é de cerca de U$3.500,00, enquanto...
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Fernando
04/04/2011 - 19:19
Pois é jotavê,
Eu tambem entendi assim.
Eu nunca tive tanta confiança neste país como tenho hoje.
Quanto a crescer 4, 5 ou 100% , acho que não deveríamos focar nisso e sim em crescer sempre e...
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Fernando
04/04/2011 - 19:31
Curioso,
Se vc não falasse que era pessimista eu nem ia desconfiar ...
Há menos de cinco anos eu ia de Belo Horizonte a Montes Claros e sonhava que um dia, quem sabe, algum governante se dignasse a...
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Fabio Passos
04/04/2011 - 19:44
Pois é.
Você claramente entende que o subdesenvolvimento é uma condição relativa estabelecida por comparação.
Nos últimos 20 anos de terra arrasada neoliberal nosso subdesenvolvimento se...
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Mel
04/04/2011 - 20:19
Esses que desdenham do momento atual do Brasil, deveriam voltar a viver no Brasil das décadas de 80 e 90. Ah! Que tempo bom! Desemprego era quanto? O salário mínimo era quanto? O Nordeste...
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Bento
04/04/2011 - 20:58
Isso já está sendo feito, Fabio. Mas a passos curtos e hesitantes, próprios das transições "lentas, graduais e seguras" a que o Brasil está acostumado.
Não somos, nunca fomos e não seremos jamais uma...
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Jotavê
04/04/2011 - 21:02
É nessa direção que a resposta tem que ser articulada, mesmo, Fábio Passos. Mas é preciso trocar em miúdos esse "rally". O cara está argumentando (e bem, com todas as peças no tabuleiro) que, emoções...
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Bento
04/04/2011 - 21:23
Chico, essa estória de que os problemas que não são resolvidos hoje se avolumam para amanhã vale muito bem para o mundo da economia, da construção civil e quiçá dos times de futebol, mas não são mais...
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Fabio Passos
04/04/2011 - 21:57
Na verdade o Brasil ainda permanece como uma das sociedadae mais injustas do planeta.
É uma situação dramática e repugnante. Trata-se de um Apartheid-Social. Poucos países do mundo são piores do que...
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4,5 e 5% a.a. é um crescimento pífio para uma nação subdesenvolvida.
Ainda mais com o potencial fabuloso do Brasil.
Temos capacidade para crescer a 7, 8, 10% aa.
Taxas de crescimento maísculas precisam ser um dos nossos objetivos prioritários.
Custo acreditar que as pessoas podem se resignar tão facilmente com o subdesenvolvimento e o atraso.
Proponho uma campanha contra o uso da palavra "pífio" pelos próximos dez anos. É uma dessas coisas que a imprensa começou e que são bastante irritantes.
Por mim...
Crescimento medíocre de 4,5 a 5%
Crescimento de 4% a 5% sem inclusão nem justiça social é pior que medíocre, é PÉSSIMO.
Já com inclusão e jusiça social, levando ao fim da miséria extrema e melhoria das condições de vida da ampla maioria da população é EXCELENTE.
Nem tudo pode ser medido apenas pela porcentagem de crescimento do PIB.
É preferível uim crescimento de 4% a 5% com justiça social do que um crescimento de 8% a 10% que mantenha a exclusão e as imensas injustiças sociais que sempre caracterizaram nosso País.
E o bom mesmo para um país subdesenvolvido e extremamente desigual é crescer a 10% aa com distribuição maciça de renda.
Nação sub-desenvolvida trata-se de um termo muito amplo para explicar alguma coisa.
A ìndia cresceu mais que o Brasil nos ultimos 2 anos? Sim. Mas sua renda PC é de cerca de U$3.500,00, enquanto a do Brasil é de US$ 11.000,00.
Além disso, nosso crescimento populacional diminuiu muito. Com isso, o crescimento em torno de 4,5% representa enriquecimento da população (Se houver distribuição de renda. E há), já que a expansão demográfica é de cerca de 1,2%.
Pois é.
Você claramente entende que o subdesenvolvimento é uma condição relativa estabelecida por comparação.
Nos últimos 20 anos de terra arrasada neoliberal nosso subdesenvolvimento se agravou em relação aos eua.
Renda per capita (dólares):
Ano eua Brasil Diferença
1989 22.100 3.400 18.700
2010 47.511 11.000 36.511
Mesmo crescendo a taxas timidamente superiores em relação aos eua... nosso subdesenvolvimento é quase duas vezes mais grave hoje do que era em 89.
China e India tem hoje uma situaçãoainda mais grave?
Sim. A diferença é que eles estão caminhando em direção correta. Já nós estamos resignados com o atraso.
Ano eua Brasil Diferença
1989 22.100 3.400 18.700
2010 47.511 11.000 36.511 = 235%
CONTA MALUCA, CARA!
47.511/22.100= 149%.
Índia.... cê num sabe é nada!
A conta é simples.
Em 1989 um estadunidense tinha uma renda de 18.700 dólares maior que a de um brasileiro.
Em 2010 um estadunidense tem uma renda de 36.500 dólares maior que a de um brasileiro.
Percebe o quão agravado foi nosso subdesenvolvimento?
Faaaaabbbiiooooooo!
A renda do brasileiro cresceu 235%, a dos gringos, 149%
Quase o drobro .. drobradooo!
Faz assim, não!
hã... não percebe mesmo que uma taxa superior de crescimento sobre uma base muito menor pode ser insuficiente para reduzir nosso subdesenvolvimento?
Não é tão difícil entender.
Mais uma vez:
Em 1989 um estadunidense tinha uma renda de 18.700 dólares maior que a de um brasileiro.
Em 2010 um estadunidense tem uma renda de 36.500 dólares maior que a de um brasileiro.
Você realmente acredita que com este resultado, os eua estão preocupados com o pujante avanço desenvolvimentista brasileiro?
Que lhe parece?
Estão nadando de braçada a nossa frente, rapaz.
Faaaaabbbbiooooo, renda per capita é o mesmo que churrasco em casa de classe média alta!
Sobra o osso!
A cesta básica nos ZEUA subiu quanto?
Carcula aí!
É incrível o esforço para elaborar teorias absurdas para tentar convencer as pessoas que a melhoria das condições de vida sentida por todos nos últimos 8 anos não existiu.
É muita vontade de tapar o Sol com a peneira...
Não baque o bobo.
Não é teoria alguma. É uma medida concreta. Renda mensurada em dólares.
ainda insiste?
O custo para produzir nanomateriais ou um satélite é o mesmo em dólares para o Brasil e os eua.
Este custo não é medido em % de crescimento de cada nação. Tampouco são os preços da soja e do feijão. É um valor aboluto.
Nos últimos 20 anos claramente aumentou nosso grau de subdesenvolvimento em relação aos eua.
Análise contudente. Vamos ver se irá se provar verdadeira.
"Por isso ajustes como esse difcilmente são decididos por governos; em geral eles se impõem por si mesmos numa crise braba."
É a tal Doutrina do Choque... http://www.megavideo.com/?v=7Q7A5DLH
Com todo o respeito possível, tudo que vc diz é mentira. É pura imaginação.
Só existe no campo dos sonhos.
E o motivo é simples..: economia é só uma parte.
TALVEZ seja uma das partes mais importantes. Mesmo assim uma parte.
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Nós não temos grana. Apesar de todo IMENSA RIQUEZA NATURAL., não sobra dinheiro.
E quando temos não sabemos o que fazer com ela..
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A população vive atolada na merda. Porque não tem grana para o saneamento.
Se arrebenta na ignorância. Porque não tem dinheiro para pagar professores.
Vive atolada em congestionamentos. Pois não tem dinheiro para o transporte público.
Promove matança equivalente a 50 MIL PESSOAS por ano. Esse o nível da segurança.
Promove outra matança de 50 MIL PESSOAS no trânsito. Esse o nível do transporte.
Pegue qualquer produto em recipiente de plástico ou metal. Atrás dele MADE IN CHINA.
Isso é nossos empregos lá no oriente.
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Rota de crescimento sustentável..? Onde amigo..?
Excelente comentário.
É, Sr. Chico Pedro. Pela sua visão, ainda não somos a SÈTIMA ECONOMIA DO MUNDO, somos a Somália, Burundi, Costa do Marfim, Ruanda....., está acompanhando o lobby dos Transportes pra não deixar a implementação do Trem Bala? E aqui em BH, o Caos nos Transportes e Saúde? O PSDB é responsável pelo viés do ENTREGUISMO, TERCEIRIZAÇÃO,...E SUBMISSÃO a Tio Sam....Acorda! de Belo Horizonte.
Como você demonstrou, Chico Pedro, temos quase tudo por fazer.
Não é uma imensa oportunidade?
O desenvolvimento contínuo - ainda que na faixa anual de 5% - é o que nos permitira ir resolvendo a lista de rolos onde estamos envolvidos.
Ora, Chico, faz pouco tempo que quando alguém falava em melhorar a distribuição de renda era logo taxado de subersivo e comunista, populista e o escambau. Passou...
Com a renda melhorando, a grande guerra é EDUCAÇÃO. É tão grande que vai levar uma geração para chegar num ponto razoável.
Ao longo do caminho, é certo que nossos costumes políticos melhores, que o aperto sobre a corrupção aumente, até mesmo é possível que o Judiciário comece a julgar e condenar os poderosos de colarinho branco. Quando isso ocorrer, vai ser o melhor exemplo no combate ao crime.
Um grande equívoco é achar que problemas aguardam para ser resolvidos..
Como se fossem objetos inertes numa prateleira a aguardar uma boa vontade..
Não é assim.
O que não é resolvido hoje fica pior amanha. E muito pior depois de amanhã. E assim por diante.
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A educação - como o senhor diz - é um exemplo claríssimo disso.
Antes eram analfabetos. Depois analfabetos e analfabetos funcionais.
Agora anfalfabetos, analfabetos funcionais e analfabetos digitais.
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O mundo é outro bem diferente de 50 anos atrás.
Os termos da moda são rede, nuvem, muldisciplinar, multicausal..
Porque o ambiente está bem mais complexo...Bem mais exigente..
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Para este é preciso pessoas que pensem - e pensem MUITO e com INTELIGÊNCIA...
Num plano dentro de seus partidos..Dentro de universidades, dentro de sindicatos, de institutos..
Que formem idéias para o país e que não deixem ninguém de fora de nenhum lugar.
Mais em NÓS do que em SI mesmos..
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Respeito a opinião dos colegas. Mas estou pessimista.
Curioso,
Se vc não falasse que era pessimista eu nem ia desconfiar ...
Há menos de cinco anos eu ia de Belo Horizonte a Montes Claros e sonhava que um dia, quem sabe, algum governante se dignasse a dar um jeito naquelas rodovias. Hoje, passo por lá jubilante de ver que que o que eu imaginei aconteceu e em curto espaço de tempo. Se eu já era otimista antes imagine agora...
Recentemente atravessei o estado de Minas de sul a norte, entrei pela Bahia, em Cocos, fui parar em Xique Xique e depois guinei a leste até Feira de Santana, retornando pela 116 até Jequié e depois pela região cacaueira.
Quem anda por este país percebe as mudanças. Sem cortes nem edições.
Chico, essa estória de que os problemas que não são resolvidos hoje se avolumam para amanhã vale muito bem para o mundo da economia, da construção civil e quiçá dos times de futebol, mas não são mais que falácia do ponto de vista político. Isso porque politicamente somos nós que decidimos quais os problemas relevantes e qual grau de relevância atribuiremos a eles.
Educação é um problema? Depende. Eu por exemplo acho que a educação deveria ser federalizada, em período integral e com atividades profissionais desde o ensino médio. Sem esses atributos, acho que a coisa "não vai". Mas muita gente - de fato a maior parte da população e provavelmente também os acadêmicos e burocratas do MEC - discorda de mim. Eles me considerariam autoritário, e preferem o atual modelo liberal, pois a liberdade e a descentralização do ensino prevalecem sobre a a massificação, então o meu "problema" não é um problema para eles. Os problemas - e soluções - deles são outros. E eu tenho de aceitar, pois democracia é isso. Posso e devo contribuir para melhorar o sistema deles, mas seria ocioso de minha parte pensar que tudo está piorando só porque a minha solução nunca será adotada.
Gramsci defendia a idéia de sermos pessimistas no diagnóstico e otimistas na ação. Concordo e assino embaixo. Sejamos críticos, mas não sejamos "fracassomaníacos". A história é longa, os vencedores de hoje não são os mesmos de ontem. Pequenas mudanças políticas hoje podem significar muito em termos de nossa trajetória futura, então o pessimismo em relação ao futuro, mais do que politicamente tolo, é objetivamente irracional. De fato, esse tipo de pessimismo é prerrogativa exclusiva de profetas do apocalipse.
Eu por exemplo acho que a educação deveria ser federalizada, em período integral e com atividades profissionais desde o ensino médio. Sem esses atributos, acho que a coisa "não vai".
PERFEITO!!!!!!!!!!!!
Na verdade se crescermos entre 4 a 5% aa durante 20 anos seremos tão subdesenvolvidos quanto hoje.
Só que 20 anos mais velhos.
É muito pouco.
"Samuel Pinheiro Guimarães: Crescer a 7%"
http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/samuel-pinheiro-guimaraes-cresce...
Você menospreza os efeitos positivos de uma distribuição maciça de renda sobre nosso potencial de crescimento.
E principalmente: Não faltam recursos.
Tivéssemos investido em infra-estrutura ao menos a metade do que gastamos com serviços da dívida durante os últimos 16 anos... e hoje seríamos uma potência econômica como a China.
A solução existe e é clara: resgatar nossa soberania e colocar o Estado ativamente fomentando nosso desenvolvimento e a justiça social.
Isso já está sendo feito, Fabio. Mas a passos curtos e hesitantes, próprios das transições "lentas, graduais e seguras" a que o Brasil está acostumado.
Não somos, nunca fomos e não seremos jamais uma China e muito menos uma Índia. Ainda bem que não. Não precisamos ser e não precisamos crescer a taxas chinesas para alcançar o desenvolvimento. Aliás, se tivéssemos metade dos desafios sociais enfrentados por esses países, suspeito que o pessimismo do Chico Pedro seria tão grande que ele nem perderia mais tempo discutindo em blog sobre o futuro do país. Como ele bem ressaltou, economia não é tudo - mas justamente por isso sou otimista, ao contrário dele.
Se sua preocupação é em termos de riqueza per capita, não se preocupe: com barril de petróleo a US$ pelos próximos 30 anos o pré-sal se encarregará de reduzir o gap em relação aos EUA muito mais rapidamente do que qualquer ritmo de crescimento "chinês". Honestamente, não me preocupo com isso - preocupa-me muito mais imaginar como será nosso padrão de consumo quando nos aproximarmos disso, pois francamente o mundo não aguenta se chineses, indianos e brasileiros quiserem viver como americanos e europeus vivem hoje. Por isso mesmo o que me apoquenta não é o tamanho, mas a qualidade do nosso crescimento - que tipo de parque industrial teremos nas próximas décadas, qual será o padrão de consumo de nossos pobres recém-elevados a classe média, e mais que isso, que empresas de marca global teremos, como será nossa indústria de defesa, nossa estrutura de C&T, etc. Essas são as grandes questões que se colocam desde agora.
De resto, você falou em juros de dívida pública e soberania. Olha, você já deve saber que os "donos da dívida" não estão lá fora, mas sim aqui dentro. São as classes mais abastadas, que graças aos juros e a uma estrutura tributária bastante piedosa para com detentores de riqueza conseguem continuar enricando e sugando o Estado. Uma moratória equivaleria a quebrar as pernas desse pessoal, algo politicamente perigoso demais para ser tentado, mas que em algumas situações extremas de crise se torna possível (ex. geral - Argentina). Como nenhuma crise dessas se avizinha no Brasil, acho bem pouco provável que essa estratégia prospere.
Na verdade o Brasil ainda permanece como uma das sociedadae mais injustas do planeta.
É uma situação dramática e repugnante. Trata-se de um Apartheid-Social. Poucos países do mundo são piores do que o Brasil.
E nas atuais taxas de redução da desigualdade... apenas em 20 anos alcançaremos uma situação que hoje é considerada muito ruim.
É por isso que eu insisto que não se pode olhar apenas a porcentagem de crescimento do PIB, mas principalmente a questão da justiça social e portanto não se pode dizer simplesmente que houve uma estratégia de aumento de consumo, porque o aumento de consumo não foi via consumismo desenfreado e sim via combate à miséria e valorização dos salários.
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