Sobre o crescimento brasileiro

Por Bento

(Comentário ao post O país sem rota de crescimento)

Caro Nassif

Permita-me discordar.

1) O Brasil tem sim uma trajetória clara de crescimento para os próximos anos e quiçá décadas, baseada no crecsimento do mercado interno. Pode-se questionar o viés desse crescimento, que modelo de país estamos construindo (no caso atual, a crítica mais sólida me parece a de que na base das commodities estamos caminhando a passos largos para nos tornar uma espécie de "Austrália" latina), mas daí a dizer que não há rota de crescimento vai uma longa distância. Nenhum economista sério ousaria afirmar por ex. que o Brasil terá dificuldades para crescer entre 4,5 e 5% a.a. no atual andar da carruagem, e isso não é pouca coisa.

2) Então acho que mais importante que questionar a viabilidade do modelo atual é apontar suas limitações em termos de progresso técnico e qualidade da inclusão social no médio e longo prazo. Pois a maior tragédia do atual modelo de crescimento é que sim, ele existe (já estamos entrando no 5º ano consecutivo em que ele vigora), sim, ele tem lógica (baseada na exportação de commodities, expansão do crédito ao consumo e inclusão social), e sim, ele funciona muito bem no curto prazo (Lula e Dilma que o digam). Enquanto vislumbrarmos um mundo em que as commodities permaneçam nos atuais patamares de preço, o Brasil ainda terá fôlego de sobra para sustentar o atual ritmo de crescimento sem grandes problemas. Com direito a superávit comercial inclusive.

Afir2) Afirmar que as reservas possuem liquidez imediata é uma falácia, pois o que realmente importa é o perfil da dívida pública, que vem sendo consistentemente alongado e tendo seu custo reduzido nos últimos anos em proporção da arrecadação tributária. Caso contrário você estaria afirmando que nossa situação macroeconômica atual é exatamente igual à de 1998 do ponto de vista das contas externas, o que soa absurdo. No curto prazo pode haver sim uma fuga de capitais indepedente desses fundamentos macroeconômicos, mas essa hipótese tem se tornado cada vez mais remota, ainda mais com a enxurrada de liquidez patrocinada pelo Fed a partir de 2008.

3) O problema dos juros é bem mais complexo no contexto de uma "doença holandesa", problema mais grave apontado pelso economistas para o Brasil hoje. Não são apenas as pressões inflacionárias oriundas do setor de serviços que ensejam sua elevação - num contexto de forte entrada de capitais (e a maior parte deles pouco interessada em fazer arbitragem, senão não estariam fazendo a bolsa bater sucessivos recordes), o Bacen tem um desafio sério para conter a escalada do crédito internamente. Muito antes dos heterodoxos, economistas brasileiros "made in Chicago" já apontavam a tendência à perda de efetividade da política monetária no país em função do desenvolvimento de novos canais de financiamento para empresas e famílias sobre os quais a Selic pouco influenciava. Como não podiam falar mal do capital externo, esses economistas culpavam o governo, em particular o BNDES e os bancos públicos, por expandir "artificialmente" o crédito no país por meio de empréstimos subsidiados e crédito consignado. E eles estavam parcialmente certos. O Bacen não está cego a esses problemas, tanto é que tem enfatizado uma mudança recente na avaliação do problema inflacionário no Brasil. Mas não existe uma "boa" solução a vista ainda.

4) Desvalorização cambial é uma saída arriscada, posto que para ser "controlada" implica o compromisso do Bacen com uma taxa de câmbio, o que, vale dizer, sinaliza claramente aos agentes o quanto "a banca tem" e o quanto é necessário para quebrá-la. Se de fato as reservas fossem de liquidez imediata, não haveria qualquer possibilidade do Bacen adotar essa estratégia. Penso que o problema hoje não é a desvalorização em si, pois as reservas dão sim um colchão de segurança e tanto pro governo. O problema é o impacto sobre a inflação e sobre suas expectativas futuras, num regime de metas. O bom do regime de metas é que ele traz credibilidade, e o mal é que ele traz credibilidade também. Se você não cumpre, sua credibilidade vai para o ralo não importa o quanto você argumente em termos de racionalidade econômica, pis trata-se de um clássico compromisso de "amarrar as mãos". Por isso a discussão emperra. O Bacen já esta tentando "aprimorar" (leia-se flexibilizar) o regime de metas de inflação, mas essa estratégia é gradual e nada assegura que seja suficiente. Mas o regime faz parte do atual "modelo". Aliás, é a principal parte. Muita gente esquece que a desvalorização cambial de 1999 - inevitável e imprescindível para recolocar o país nos trilhos, ressalte-se - custou a maior parte do ganho real dos salários ocorrido no primeiro governo FHc, e teve consequências políticas nefastas para ele no segundo. Por isso ajustes como esse difcilmente são decididos por governos; em geral eles se impõem por si mesmos numa crise braba. E a tragédia de Lula, sua verdadeira e única herança maldita, talvez seja mesmo isso: seu modelo de crescimento é tão simples e eficiente no curto prazo que impede que uma crise advenha e imponha na marra o ajuste necessário às contas externas. Por isso só resta o próprio governo tomar uma atitude.

sds

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56 comentários
imagem de Anônimo

4,5 e 5% a.a. é um crescimento pífio para uma nação subdesenvolvida.

Ainda mais com o potencial fabuloso do Brasil.

Temos capacidade para crescer a 7, 8, 10% aa.

Taxas de crescimento maísculas precisam ser um dos nossos objetivos prioritários.

 

Custo acreditar que as pessoas podem se resignar tão facilmente com o subdesenvolvimento e o atraso.

 
 
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José H C Fonseca

Proponho uma campanha contra o uso da palavra "pífio" pelos próximos dez anos. É uma dessas coisas que a imprensa começou e que são bastante irritantes.

 
 
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Por mim...

Crescimento medíocre de 4,5 a 5%

 
 
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ruyacquaviva

Crescimento de 4% a 5% sem inclusão nem justiça social é pior que medíocre, é PÉSSIMO.

Já com inclusão e jusiça social, levando ao fim da miséria extrema e melhoria das condições de vida da ampla maioria da população é EXCELENTE.

Nem tudo pode ser medido apenas pela porcentagem de crescimento do PIB.

É preferível uim crescimento de 4% a 5% com justiça social do que um crescimento de 8% a 10% que mantenha a exclusão e as imensas injustiças sociais que sempre caracterizaram nosso País.

 
 
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E o bom mesmo para um país subdesenvolvido e extremamente desigual é crescer a 10% aa com distribuição maciça de renda.

 
 
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Emilio GF

Nação sub-desenvolvida trata-se de um termo muito amplo para explicar alguma coisa.

A ìndia cresceu mais que o Brasil nos ultimos 2 anos? Sim. Mas sua renda PC é de cerca de U$3.500,00, enquanto a do Brasil é de US$ 11.000,00.

Além disso, nosso crescimento populacional diminuiu muito. Com isso, o crescimento em torno de 4,5% representa enriquecimento da população (Se houver distribuição de renda. E há), já que a expansão demográfica é de cerca de 1,2%.

 

 
 
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Pois é.

Você claramente entende que o subdesenvolvimento é uma condição relativa estabelecida por comparação.

 

Nos últimos 20 anos de terra arrasada neoliberal nosso subdesenvolvimento se agravou em relação aos eua.

 

Renda per capita (dólares):

Ano               eua            Brasil             Diferença

1989           22.100          3.400               18.700

2010           47.511          11.000              36.511     

 

Mesmo crescendo a taxas timidamente superiores em relação aos eua... nosso subdesenvolvimento é quase duas vezes mais grave hoje do que era em 89.

 

China e India tem hoje uma situaçãoainda mais grave?

Sim. A diferença é que eles estão caminhando em direção correta. Já nós estamos resignados com o atraso.

 
 
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Ano               eua            Brasil             Diferença

1989           22.100          3.400               18.700

2010           47.511          11.000              36.511   = 235%

CONTA MALUCA, CARA!

47.511/22.100= 149%.

Índia.... cê num sabe é nada!

 
 
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A conta é simples.

Em 1989 um estadunidense tinha uma renda de 18.700 dólares maior que a de um brasileiro.

Em 2010 um estadunidense tem uma renda de 36.500 dólares maior que a de um brasileiro.

Percebe o quão agravado foi nosso subdesenvolvimento?

 
 
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Faaaaabbbiiooooooo!

 A renda do brasileiro cresceu 235%, a dos gringos, 149%

Quase o drobro .. drobradooo!

Faz assim, não!

 
 
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hã... não percebe mesmo que uma taxa superior de crescimento sobre uma base muito menor pode ser insuficiente para reduzir nosso subdesenvolvimento?

Não é tão difícil entender.

Mais uma vez:

Em 1989 um estadunidense tinha uma renda de 18.700 dólares maior que a de um brasileiro.

Em 2010 um estadunidense tem uma renda de 36.500 dólares maior que a de um brasileiro.

Você realmente acredita que com este resultado, os eua estão preocupados com o pujante avanço desenvolvimentista brasileiro?

Que lhe parece?

Estão nadando de braçada a nossa frente, rapaz.

 

 
 
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Faaaaabbbbiooooo, renda per capita é o mesmo que churrasco em casa de classe média alta!

Sobra o osso!

 A  cesta básica nos ZEUA subiu quanto?

Carcula aí!

 
 
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ruyacquaviva

É incrível o esforço para elaborar teorias absurdas para tentar convencer as pessoas que a melhoria das condições de vida sentida por todos nos últimos 8 anos não existiu.

É muita vontade de tapar o Sol com a peneira...

 
 
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Não baque o bobo.

Não é teoria alguma. É uma medida concreta. Renda mensurada em dólares. 

 
 
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ainda insiste?

O custo para produzir nanomateriais ou um satélite é o mesmo em dólares para o Brasil e os eua.

Este custo não é medido em % de crescimento de cada nação. Tampouco são os preços da soja e do feijão. É um valor aboluto.

Nos últimos 20 anos claramente aumentou nosso grau de subdesenvolvimento em relação aos eua.

 
 
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Eduardo W

Análise contudente. Vamos ver se irá se provar verdadeira.

 
 
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Homero Pavan Filho

"Por isso ajustes como esse difcilmente são decididos por governos; em geral eles se impõem por si mesmos numa crise braba."

É a tal Doutrina do Choque... http://www.megavideo.com/?v=7Q7A5DLH

 
 
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Chico Pedro

Com todo o respeito possível, tudo que vc diz é mentira. É pura imaginação. 

Só existe no campo dos sonhos.

E o motivo é simples..: economia é só uma parte.

TALVEZ seja uma das partes mais importantes. Mesmo assim uma parte.

.

Nós não temos grana. Apesar de todo IMENSA RIQUEZA NATURAL., não sobra dinheiro.

E quando temos não sabemos o que fazer com ela..

.

A população vive atolada na merda. Porque não tem grana para o saneamento.

Se arrebenta na ignorância. Porque não tem dinheiro para pagar professores.

Vive atolada em congestionamentos. Pois não tem dinheiro para o transporte público.

Promove matança equivalente a 50 MIL PESSOAS por ano. Esse o nível da segurança.

Promove outra matança de 50 MIL PESSOAS no trânsito. Esse o nível do transporte.

Pegue qualquer produto em recipiente de plástico ou metal. Atrás dele MADE IN CHINA.

Isso é nossos empregos lá no oriente.

.

Rota de crescimento sustentável..? Onde amigo..?

 

 
 
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S.V.

Excelente comentário.

 
 
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David Rodrigues da Silva

É, Sr. Chico Pedro. Pela sua visão, ainda não somos a SÈTIMA ECONOMIA DO MUNDO, somos a Somália, Burundi, Costa do Marfim, Ruanda....., está acompanhando o lobby dos Transportes pra não deixar a implementação do Trem Bala? E aqui em BH, o Caos nos Transportes e Saúde? O PSDB é responsável pelo viés do ENTREGUISMO, TERCEIRIZAÇÃO,...E SUBMISSÃO a Tio Sam....Acorda! de Belo Horizonte. 

 
 
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Orides

Como você demonstrou, Chico Pedro, temos quase tudo por fazer.

Não é uma imensa oportunidade?

O desenvolvimento contínuo - ainda que na faixa anual de 5% - é o que nos permitira ir resolvendo a lista de rolos onde estamos envolvidos.

Ora, Chico, faz pouco tempo que quando alguém falava em melhorar a distribuição de renda era logo taxado de subersivo e comunista, populista e o escambau. Passou...

Com a renda melhorando, a grande guerra é EDUCAÇÃO. É tão grande que vai levar uma geração para chegar num ponto razoável.

Ao longo do caminho, é certo que nossos costumes políticos melhores, que o aperto sobre a corrupção aumente, até mesmo é possível que o Judiciário comece a julgar e condenar os poderosos de colarinho branco. Quando isso ocorrer, vai ser o melhor exemplo no combate ao crime.

 

 
 
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Chico Pedro

Um grande equívoco é achar que problemas aguardam para ser resolvidos..

Como se fossem objetos inertes numa prateleira a aguardar uma boa vontade..

Não é assim.

O que não é resolvido hoje fica pior amanha. E muito pior depois de amanhã. E assim por diante.

.

A educação - como o senhor diz - é um exemplo claríssimo disso.

Antes eram analfabetos. Depois analfabetos e analfabetos funcionais.

Agora anfalfabetos, analfabetos funcionais e analfabetos digitais.

.

O mundo é outro bem diferente de 50 anos atrás.

Os termos da moda são rede, nuvem, muldisciplinar, multicausal..

Porque o ambiente está bem mais complexo...Bem mais exigente..

.

Para este é preciso pessoas que pensem - e pensem MUITO e com INTELIGÊNCIA...

Num plano dentro de seus partidos..Dentro de universidades, dentro de sindicatos, de institutos..

Que formem idéias para o país e que não deixem ninguém de fora de nenhum lugar. 

Mais em NÓS do que em SI mesmos..

.

Respeito a opinião dos colegas. Mas estou pessimista.

 
 
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Fernando

Curioso,

Se vc não falasse que era pessimista eu nem ia desconfiar ...

Há menos de cinco anos eu ia de Belo Horizonte a Montes Claros e sonhava que um dia, quem sabe, algum governante se dignasse a dar um jeito naquelas rodovias. Hoje, passo por lá jubilante de ver que que o que eu imaginei aconteceu e em curto espaço de tempo. Se eu já era otimista antes imagine agora...

Recentemente atravessei o estado de Minas de sul a norte, entrei pela Bahia, em Cocos, fui parar em Xique Xique e depois guinei a leste até Feira de Santana, retornando pela 116 até Jequié e depois pela região cacaueira.

Quem anda por este país percebe as mudanças. Sem cortes nem edições.

 
 
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Bento

Chico, essa estória de que os problemas que não são resolvidos hoje se avolumam para amanhã vale muito bem para o mundo da economia, da construção civil e quiçá dos times de futebol, mas não são mais que falácia do ponto de vista político. Isso porque politicamente somos nós que decidimos quais os problemas relevantes e qual grau de relevância atribuiremos a eles.

Educação é um problema? Depende. Eu por exemplo acho que a educação deveria ser federalizada, em período integral e com atividades profissionais desde o ensino médio. Sem esses atributos, acho que a coisa "não vai". Mas muita gente - de fato a maior parte da população e provavelmente também os acadêmicos e burocratas do MEC - discorda de mim. Eles me considerariam autoritário, e preferem o atual modelo liberal, pois a liberdade e a descentralização do ensino prevalecem sobre a a massificação, então o meu "problema" não é um problema para eles. Os problemas - e soluções - deles são outros. E eu tenho de aceitar, pois democracia é isso. Posso e devo contribuir para melhorar o sistema deles, mas seria ocioso de minha parte pensar que tudo está piorando só porque a minha solução nunca será adotada.

Gramsci defendia a idéia de sermos pessimistas no diagnóstico e otimistas na ação. Concordo e assino embaixo. Sejamos críticos, mas não sejamos "fracassomaníacos". A história é longa, os vencedores de hoje não são os mesmos de ontem. Pequenas mudanças políticas hoje podem significar muito em termos de nossa trajetória futura, então o pessimismo em relação ao futuro, mais do que politicamente tolo, é objetivamente irracional. De fato, esse tipo de pessimismo é prerrogativa exclusiva de profetas do apocalipse.

 
 
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Eu por exemplo acho que a educação deveria ser federalizada, em período integral e com atividades profissionais desde o ensino médio. Sem esses atributos, acho que a coisa "não vai".

PERFEITO!!!!!!!!!!!!

 
 
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Na verdade se crescermos entre 4 a 5% aa durante 20 anos seremos tão subdesenvolvidos quanto hoje.

Só que 20 anos mais velhos.

É muito pouco.

 

"Samuel Pinheiro Guimarães: Crescer a 7%"

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/samuel-pinheiro-guimaraes-cresce...

 
 
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Você menospreza os efeitos positivos de uma distribuição maciça de renda sobre nosso potencial de crescimento.

E principalmente: Não faltam recursos.

Tivéssemos investido em infra-estrutura ao menos a metade do que gastamos com serviços da dívida durante os últimos 16 anos... e hoje seríamos uma potência econômica como a China.

A solução existe e é clara: resgatar nossa soberania e colocar o Estado ativamente fomentando nosso desenvolvimento e a justiça social.

 
 
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Bento

Isso já está sendo feito, Fabio. Mas a passos curtos e hesitantes, próprios das transições "lentas, graduais e seguras" a que o Brasil está acostumado.

Não somos, nunca fomos e não seremos jamais uma China e muito menos uma Índia. Ainda bem que não. Não precisamos ser e não precisamos crescer a taxas chinesas para alcançar o desenvolvimento. Aliás, se tivéssemos metade dos desafios sociais enfrentados por esses países, suspeito que o pessimismo do Chico Pedro seria tão grande que ele nem perderia mais tempo discutindo em blog sobre o futuro do país. Como ele bem ressaltou, economia não é tudo - mas justamente por isso sou otimista, ao contrário dele.

Se sua preocupação é em termos de riqueza per capita, não se preocupe: com barril de petróleo a US$ pelos próximos 30 anos o pré-sal se encarregará de reduzir o gap em relação aos EUA muito mais rapidamente do que qualquer ritmo de crescimento "chinês". Honestamente, não me preocupo com isso - preocupa-me muito mais imaginar como será nosso padrão de consumo quando nos aproximarmos disso, pois francamente o mundo não aguenta se chineses, indianos e brasileiros quiserem viver como americanos e europeus vivem hoje. Por isso mesmo o que me apoquenta não é o tamanho, mas a qualidade do nosso crescimento - que tipo de parque industrial teremos nas próximas décadas, qual será o padrão de consumo de nossos pobres recém-elevados a classe média, e mais que isso, que empresas de marca global teremos, como será nossa indústria de defesa, nossa estrutura de C&T, etc. Essas são as grandes questões que se colocam desde agora.

De resto, você falou em juros de dívida pública e soberania. Olha, você já deve saber que os "donos da dívida" não estão lá fora, mas sim aqui dentro. São as classes mais abastadas, que graças aos juros e a uma estrutura tributária bastante piedosa para com detentores de riqueza conseguem continuar enricando e sugando o Estado. Uma moratória equivaleria a quebrar as pernas desse pessoal, algo politicamente perigoso demais para ser tentado, mas que em algumas situações extremas de crise se torna possível (ex. geral - Argentina). Como nenhuma crise dessas se avizinha no Brasil, acho bem pouco provável que essa estratégia prospere. 

 
 
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Na verdade o Brasil ainda permanece como uma das sociedadae mais injustas do planeta.

É uma situação dramática e repugnante. Trata-se de um Apartheid-Social. Poucos países do mundo são piores do que o Brasil.

 

E nas atuais taxas de redução da desigualdade... apenas em 20 anos alcançaremos uma situação que hoje é considerada muito ruim.

 

Re: Sobre o crescimento brasileiro
 
 
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ruyacquaviva

É por isso que eu insisto que não se pode olhar apenas a porcentagem de crescimento do PIB, mas principalmente a questão da justiça social e portanto não se pode dizer simplesmente que houve uma estratégia de aumento de consumo, porque o aumento de consumo não foi via consumismo desenfreado e sim via combate à miséria e valorização dos salários.

 
 

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