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SedeEnviado por luisnassif, seg, 12/07/2010 - 11:00
Por Lila
Este livro me "caiu" em mãos via propaganda no Kindle. Não li sinopse nem crítica ou comentário algum; resolvi encará-lo mesmo assim. Tive uma grande surpresa. Confesso que, ao ver o título "Thirst" e o subtítulo "Fighting the corporate theft of our water", imaginei que o tema principal seria a escassez de água no planeta, com um viés para as empresas que engarrafam água e vendem, ou algo do gênero. Visão varejista, entenda-se. Estava ingenuamente enganada. O livro aborda uma faceta muito mais complexa e virulenta. Conta diversos casos (e alguns "causos") de gerenciamento e administração pública da água. Enfatiza o quão prejudicial para as próprias cidades é o poder corporativo incentivando a chamada parceria público-privada. Nesta parceria, as prefeituras em geral são "convidadas" a arrendar parte da administração do sistema de água e esgoto para grandes conglomerados privados, em troca de dinheiro, claro. Num primeiro momento, uma suposta economia, já que o governo não precisa mais arcar com s gastos deste serviço, folha de pagamento, etc. Mas a longo prazo, um verdadeiro desastre, dadas as consequências sociais, ambientais e políticas de tal escolha. Porque pense bem: se uma empresa vende a água, o que ela mais quer é mais clientes, para que seus lucros sejam garantidos - e só aumentem. Mais clientes = mais gasto de água. Numa época em que a água é vista como um recurso precioso, incentivar seu gasto desmedido não me parece sensato - embora nenhuma das empresas o faça abertamente, o fazem indireta e/ou discretamente, incentivando mais empreendimentos imobiliários e industriais de forma desenfreada = mais clientes. Há alguns exemplos citados no livro de locais onde ocorreu desmatamento e/ou destruição de mananciais e áreas de proteção ambiental para a ampliação do número de clientes e maior geração de lucro, em diferentes estados americanos. "Thirst" é parcial e não esconde isso. Não mostra em momento algum a tentativa de nenhuma empresa de se "explicar" perante seus erros e maracutaias. Mas acho que nem precisa, porque todos os exemplos dados são de casos que, ou foram à Corte americana, ou foram extensamente noticiados pelos jornais - ou seja, as pessoas de alguma forma ouviram o outro lado. O capítulo discutindo o sistema de água da cidade de Atlanta - e o desastre completo que foi quando tal sistema passou a ser propriedade de uma multinacional francesa - é particularmente interessante, pela abrangência de problemas que uma cidade de porte maior numa empreitada destas pode expôr. Não sei se no Brasil há alguma lei que permite (ou não) a formação destas parcerias público-privadas no gerenciamento de água de uma cidade. Mas aqui nos EUA é comum, e várias cidades entregaram tal "problema" (sim, as prefeituras foram levadas por campanhas de marketing bizarras dos grandes nomes do business a crer que gerenciar um recurso do qual a população toda depende só gerava gastos inúteis) nas mãos de um conglomerado - e o que o livro mostra é que todas as cidades que o fizeram se arrependeram amargamente. E é aí que meu lado malla começa a coçar: não houve nenhum caso de cidade que não se arrependeu? Porque de acordo com o próprio livro, há milhares de cidades pelo mundo usufruindo de sistema de água privatizado. Enfim, senti falta deste contraponto, pelo menos para a parcialidade não ficar tão desproporcional. Por conta deste livro, me animei a procurar informações sobre o sistema de água aqui de Honolulu, onde moro. Felizmente, a cidade controla e gerencia todos os recursos de água, via Board of Water Supply, um órgão do governo da cidade, cujos diretores são escolhidos pelo prefeito. Por causa da situação delicada e única do estado do Havaí, onde toda a terra é pertencente aos havaianos (a 'aina), a água é considerada um recurso de propriedade do povo havaiano (ao qual os demais habitantes, "invasores brancos e asiáticos", nos é dado o direito de ususfruir). E como tal, somente o governo pode gerenciar. Interessante. Apesar do tom bem ativista, gostei bastante do livro. Afinal, a privatização da nossa conta de água é um lado da moeda que a gente discute muito pouco, a meu ver, preocupados que estamos com as garrafinhas de água mineral em embalagens plásticas - talvez uma estratégia de desvio de atenção que as empresas propositalmente deixam correr para que não nos foquemos nas questões mais ameaçadoras do patrimônio delas. É instigante e fundamental perceber como a política está ali, coladinha com a questão ambiental, sob formas e em momentos que a gente pouco imagina - e se imagina, não parece se importar tanto. Devíamos, pois, pensar no atacado da questão e "Thirst" abre os olhos para essa necessidade. |
Luis Nassif
Introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico no país. Vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003, 2005 e 2008, em eleição direta da categoria. Prêmio iBest de Melhor Blog de Política, em eleição popular e da Academia iBest. Para enviar emails a Luís Nassif clique aqui. PesquisarComentários + votados
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Lila
12/07/2010 - 21:41
Nassif,
Qdo li essa resenha da Lucia Malla, lembrei logo do brasilianas.org e da 'construção do conhecimento' - além de já ter lido em inúmeros posts, por causa da Sabesp, problemas relacionados à...
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E na atual "jestão" governamental do estado de São Paulo, onde a companhia estatal de água e esgotos até propagandeia sua excelência, por regiões onde não abrange seus serviços, matéria do OESP (07/07/2010) trouxe:
Em SP, 33 bairros ainda despejam esgoto no Rio Tietê
São Paulo - Trinta e três bairros de São Paulo, entre eles Morumbi, Vila Mariana, Santo Amaro e Ipiranga, ainda despejam parte de seu esgoto no Rio Tietê. Eles não têm a rede das casas ligada aos coletores-tronco que levam os dejetos para estações de tratamento. Também fazem parte da lista Jabaquara, Aricanduva e Casa Verde. Na região metropolitana de São Paulo, 16 cidades apresentam o mesmo problema.
São ao menos 3,5 milhões de pessoas na Grande São Paulo sem esgoto tratado. O número se refere apenas aos 34 municípios da região atendidos pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Em outras cinco cidades, o serviço fica a cargo de empresas municipais. As estações de tratamento já existem. O governo estadual promete construir, nos próximos cinco anos, 768 quilômetros de sistema coletor de esgoto, a tubulação que recebe os dejetos das casas e leva para o tratamento.
Desse total, 105 quilômetros estão em obra na capital e em nove cidades da Grande São Paulo. A instalação de outros 662 quilômetros está em licitação, que deve ser concluída em dezembro. Eles atenderão os bairros da capital ainda sem rede coletora e outros 16 municípios da Grande São Paulo. Até hoje, 190 quilômetros já foram executados em parte de 62 bairros da capital e cinco municípios da área metropolitana.
O plano integra a fase 3 do Projeto Tietê, iniciado há 18 anos e que já consumiu mais de R$ 3 bilhões. Os 958 quilômetros de redes coletoras vão se integrar às já existentes, com 18 mil quilômetros de extensão. Parece ser um número grande, mas é insuficiente diante da gravidade do problema de poluição das águas dos rios e mananciais da Grande São Paulo.
Contrato
Até o fim do mês, a Sabesp deve assinar contrato de novo financiamento no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no valor de US$ 600 milhões para a terceira etapa do Projeto Tietê. Outros US$ 200 milhões dos cofres estaduais também serão investidos. As tubulações levarão parte do esgoto para as cinco estações de tratamento: ABC, Barueri, Parque Novo Mundo, São Miguel e Suzano.
Segundo o governo estadual, no fim da terceira etapa, em 2015, 87% da população da Grande São Paulo terá coleta de esgoto e 84% desse montante será tratado. Os 958 quilômetros de coletores-tronco deverão custar R$ 2,04 bilhões. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia/2010/07/07/em-sp-33-bairros-ainda-despejam-esgoto-no-rio-tiete.jhtm
Ha um filme homônimo.
Serviço essencial não pode ser privatizado. pode até ter capital privado. Mas o controle tem que ser estatal. Só mesmo um tucano pra achar o contrário.
Tem um livro chamado Ouro Azul sobre o tema que é muito interessante.
Em Blumenau-SC, a gestão da água e do esgoto, enfim, do Saneamento, é feita por uma autarquia municipal. Um grande exemplo, já que na maioria dos lugares, eu penso, isso é feito pelos governos estaduais.
O problema aqui é que é nítida, ainda mais nos últimos anos, a estratégia deliberada de sucatear a empresa pública, para justificar uma possível privatização.
Ou seja, o serviço que sempre funcionou a contento (exceto quanto ao tratamento do esgoto, que nao atinge nem 4% da cidade) de repente começa a ratear. É falta d´água, erros em contas, atendimento demorado e ineficiente, uma série de coisas que, aos olhos de qualquer observador levemente instruído, demonstra o claro interesse de sucatear o serviço para justificar a privatização.
O tratamento de esgoto, que o governo federal já disponibilizou mais de 300 milhões de reais para a sua implantação, foi privatizado. Para isso mudaram a lei orgânica e mais outras leis, de tal modo que é alvo ainda de pendências judiciais. A empresa vencedora é a Odebrecht, e o teor do negócio é mais ou menos o seguinte: a empresa vai pegar empréstimo no BNDES e na Caixa, fazer as obras, e cobrar um adicional de 80% da fatura de água durante 30 anos para manter o serviço.
O próximo passo, obviamente, é privatizar o tratamento da água.
Mas já existem cidades, creio que em São Paulo, com a exploração de água e esgotos por uma empresa francesa. Ou isso já mudou?
Um dos grandes buracos em que se meteram os EEUU é esse: vários serviços essenciais nas mãos de empresários inescrupulosos, que não pensam e não estão nem ai para o bem comum, só querem o deles e f.... o resto.
No Brasil já caímos em alguns desses engodos e estamos pagando caro, muito caro: telefonia, saude e estradas, principalmente. O que metem a mão no nosso bolso com serviços ridículos e taxas imaginárias e exorbitantes é o cúmulo. E vai reclamar aonde? Os mineiros quase passaram pelo desprazer de ter uma empresa modelo como a Cemig cair na "iniciativa privada". É preciso um debate sério com esse assunto para achar um equilíbrio e evitar que o tal do "MERCADO", aquele mesmo que só clamou em altos brados pelos bilhões governamentais na hora da super crise de 2008, não venha detonar o pouco de qualidade de vida que ainda resta para o grosso da população.
Sugiro que assista ao documentário "Ouro azul a guerra mundial pela água".
________________________________
Download Ouro Azul A Guerra Mundial pela Água Legendado3 fevereiro, 2010 16:40
INFORMAÇÕES DO DOCUMENTARIO
Ano de Lançamento: 2009
Nome: Ouro Azul A Guerra Mundial pela Água
Gênero: Documentário
Duração: 89min
Audio: Ingles Com Legenda
Tamanho: 497 Mb
Formato: Avi – DvdRip
Nota do Audio: 10
Nota do Vídeo: 10
…Download Documentario Ouro Azul A Guerra Mundial pela Água Ingles Com Legenda DvdRip Gratis Logo Abaixo.
Sinopse: Documentário sobre as atuais e futuras Guerras Mundiais por Água. Mostra como a água mundialmente está sendo mal gerida, esgotada e poluída.
A falta de água em muitos países do mundo devido a manipulação e corrupção por parte dos Governos, administrações locais e, claro, as corporações multinacionais de Água.
As constantes lutas entre o povo e os altos poderes econômicos e governamentais.
As Guerras e revoluções diárias por uma fonte de vida de todos os seres humanos e seres vivos deste planeta….
Download Ouro Azul A Guerra Mundial pela Água
A Guerra Mundial pela Água
Megaupload
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Você pode baixar o documentário sem medo, pois no caso deste filme não é ilegal, o documentarista autorizou fazê-lo por meio de torrents. Ele só está pedindo uma pequena doação. Para ler sobre a autorização feita pelo autor para baixar o filme clique aqui, traduzido pelo google. Ou clique aqui ler no original.
Nassif,
Qdo li essa resenha da Lucia Malla, lembrei logo do brasilianas.org e da 'construção do conhecimento' - além de já ter lido em inúmeros posts, por causa da Sabesp, problemas relacionados à privatização da água. Tb assisti pela TeleSur, em agosto passado, uma Conferência, na Isla Margarita, Venezuela, reunindo África e América Latina - o presidente Lula tb participou brilhantemente - e o Evo Morales falou sobre a luta q estava travando para defender a água q 'queriam' privatizar. Lembrei disso qdo li o post do Brizola Neto - então resolvi trazer aqui como mais uma referência:
A água é um direito humano inalienável
O presidente boliviano Evo Morales, com sua sensibilidade indígena e profundo sentido dos elementos da natureza, deu um xeque-mate na ONU ao apresentar um projeto para que o acesso à água seja declarado um direito humano. O argumento irrespondível foi simples como a jogada mortal do xadrez: Se um dos Objetivos do Milênio para 2015 é a dotação de água potável e saneamento em todo o mundo, como atingi-lo sem declarar a água como um direito humano inalienável.
Evo usou não apenas sua habilidade de enxadrista, que enfrentou mês passado o ex-campeão mundial Anatoly Karpov, como a prórpia experiência boliviana. Em 1999, a empresa norte-americana Bechtel assinou contrato com então governo boliviano do general Hugo Banzer para privatizar a água em Cochabamba, a terceira cidade da Bolívia. Com a privatização, veio o aumento do preço da água que chegou a quase 180%. A conta de água chegou a 20 dólares por mês num local em que o salário mínimo era inferior a 100 dólares mensais.
Os camponeses se levantaram, cercaram a cidade e após idas e vindas, com prisões, assassinatos e censura, a Bechtel foi expulsa do país e o controle da água retomado pela população. Um dos lemas dos bolivianos à época era “a água é um presente de Deus e não uma mercadoria.”
Estima-se que mais de um bilhão de pessoas, principalmente no mundo em desenvolvimento, não têm acesso à água, e o Banco Mundial prevê que dois terços da população mundial sofrerá com a falta de água em 2025. A privatização da água agrava este quadro de exclusão.
Evo Morales, o índio que a elite boliviana e sul-americana tenta apresentar como incapaz, revela sua grandeza ao estender sua precupação para o mundo. “Em alguns países, infelizmente, a água está como um direito e negócio privado, quando deveria ser de serviço público… Sem água não podemos viver”, disse Evo quando apresentou seu projeto hoje, em La Paz.
A proposta de Evo merece se tornar bandeira de todos nós que estamos comprometidos com o ser humano e o bem estar social. A privatização dos recursos hidricos é um crime que não podemos tolerar.
Um comentarista do Tijolaço, postou o link para o vídeo: THIRST (La disputa del agua).2004
não estou conseguindo abrir o vídeo aqui - o link é: http://www.megavideo.com/?v=OMTUPGIA
Aqui no Rio, durante muito tempo o jornal O Globo fez uma campanha para desmoralizar a Cedae. O intuito final era a privatização. Claro que não era preciso muito esforço para desmoralizá-la.
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