Se eu fosse Maradona, por Romerio Romulo

se eu fosse maradona, 32

procuro palavra a frio
pra rimar com maradona
encontro um bago de rio
uma mulher, uma zona
um encanto de madona
o estrilo das pipetas
nos camburões. as buretas
que aquecem todo gol.
a perna que arremata
um pão chamado baguete
uma bola feita alma
treta, preta, bola sete
que tritura a minha calma
de desditar a rainha:
uma beth não bendita
arrematada na tripa
de um gago feito rei.

maradona passa a bola
a kusturica. a degola
faz-se em nítido segundo:
gol na rainha da zona!
maradona é todo mundo.

ah! se eu fosse maradona.

romério rômulo

Nenhum voto
6 comentários
imagem de antonio francisco
antonio francisco

Ah!

pois, que meu desidério

era muito ser Romerio

 

 
 
imagem de Cafezá
Cafezá

Parabéns, Romerio. Excelente é pouco.

 
 
imagem de Jota Ricardo
Jota Ricardo

Como não sou Maradona/ E sim Jota Ricardo/ Uma grande emoção/ E minha noite ficou clara/Apesar de toda a zona/ Tirei do peito um fardo/Meu Fluzão é o campeão/da minha velha Guanabara.

 
 
imagem de Edmar Melo
Edmar Melo

Grande poeta Romerio


Tu já és um Maradona


Pois na arte da poesia


Você verseja e comanda


A tua menta inquieta


Já fez gol de bicicleta


E nesse campo é quem manda.


 


Parabéns poeta.


 


Um grande abraço,


 


   Edmar Melo.


 


 

 
 
imagem de Marco Antonio L.
Marco Antonio L.

 


Prezado Nassif, veja essa maravilha !
 
 
http://www.youtube.com/watch?v=9S7hlL4sJek&feature=player_embedded#!

 

 
 
imagem de Gisele Alba Natali
Gisele Alba Natali

 


Maradona é um time de peso em meu favor, ginga em campo aberto, salão e terreiro, jogam com bola feita a mão, uniforme bordado com o nome dos titulares no meu peito:


José Inácio Vieira de Melo plantei o ingresso? Olhei bati na porta pra ver o que tinha, deixei um caminhão de perguntas e as minhas vozes ao vento, me presenteou como resposta, as suas.


Artur Gomes Gumes afiados de palavras que me fizeram mais bela, me cantou numa vista da janela e me deixou perguntando se era jogo ou só ginga.


Roberto Lima começou a partida com inconfidências mineiras, me confundiu, provocou, rio, atirou pedras e vai saber onde invadiu, quase me atropelou, eu xinguei e passou, conversei e pedi desculpas (o que não devia) sem ele querer, querendo ou não, já sou amiga trocamos as camisas e sem saber, já quase morri de rir.


Minhas atacantes, Líria Porto e Angela Lago, aranhas teceram em pérolas lindos poemas, desafios de mordidas em teia, onde chorei, sorri, dormi e acordei atleta.


Mo toledo fez sozinho a combinação dos elementos, depois de muito pensar em grego, o português claro, sem dominar as táticas do jogo, deu-me estratégia.


Fernando Vasconcelos, não sumiu, está arquibancada com seu jogo de cores fortes, luzes e mensagens.


Juntos sopraram nuvens e apertaram quando foi preciso chover, fizeram o sol aparecer, apagaram incêndio, incendiaram com emoção a escuridão, confusão, foco de luz numa loucura de tudo que vi, não sei se vi, e dali fizeram escolher o caminho por onde ir, numa busca profunda em escolher o que levar de mim.


 


 


Aprensento meu time, Gisele, Alba e Natali escondido um Pilger, caçula de três meninas, tantos outros nomes de jogadores novos e antigos, na mesma história, tecida desde pequena por minha Helena, minha juíza:


Mamãe, cuidava da família e da família das famílias, conversava, trabalhava, tudo junto e ao mesmo tempo, porta da casa aberta, papo em volta do cheiro do fogão, casca de alimento no meu caldeirão, lavar panelas aos doces resmungos da Graziela minha tia-avó, que deixou em minha criança, infância acolhida em abrigo e freiras, uma bolinha na testa, uma pinta quase na bunda e as suas duas pernas, que mesmo sem elas, era o meu colo de chamados constantes que alongaram minha paciência ansiosa de correr rua, pra ela minha simples presença era alivio de dor, medos e abandonos, morte do seu amor, o meio onde eu dormia, virou meu lado da cama. Fios onde as costuras cresciam e ensinavam a costurar, nos vestiam, nos cobriam, nos enfeitavam. Meu mundo era tecido com agulhas de tricô que espetavam a vida e minha avó, enquanto minhas irmãs cresciam.


Cláudia a mais velha, puxou Carla com tanta força e tanta pressa que casou antes que ela, eu puxei fiz força pro outro lado, até que não deu, também tenho uma árvore testemunha.


Waldir do Alba e do Natali que escondeu o Pilger. Papai cheio das regras concretas, me atirou para os riscos, me fez dar de cara com eles quando as pernas da mesa e das cadeiras tremiam, quando objetos voavam pela casa e as paredes fatalmente encontravam. Desenhei asas, hoje voam pelas janelas...


E dele, vejo tantos outros homens...


Ao fim das tardes, mulheres, chá, café e bolinho de chuva e as vezes com chuva, vinham da casa em frente. Ione, minha pérola negra, concha pra onde eu corria dos objetos voadores. Perna quebrada, cachorro com dentadura, suco em vidro de molho inglês, cozinha vista de cima da pia, uma família de madeira e outra casa sob a mesa onde eu comia, primeiras letras, cadeira de balanço, limoeiro vermelho, couve e joaninha, poço água e anil pra muita roupa, bala de açúcar, semente de flores no jardim, tardes inteiras de 74 cambalhotas. Minha clementina era uma beata.


Os amigos primeiros anos da escola Sebastiana, uma Fernanda Antoniazzi. Caminho de casa, dos amigos levando nossas malas até beijos no cemitério e eu que não beijava, pagava com a briga. De uma Fernanda, Tatiana com seus berimbaus e meus Muza´s, tempos de primeira canção, primeiro violão.


Pra outra escola Amélia, uma Egle, nome que custei pra gravar e nunca esqueci, viu! Família Torelli, olho da fresta das portas que fechei, o vento foi, mas vem.


Trabalho, distancias, ponto de ônibus, ponto de encontro, passado ponto, metro lotado, papo pelo caminho e muito sono. Na PUC pelo xerox cada porta um destino, Faculdade de Direito, Centro Acadêmico, Pedagogia, novos amigos, João Ricardo, Eric Meireles, Fernando Garcia.


Depois de muita terra virada, muita semente, muita água, das flores, compromisso com uma juventude que vive a fome por outras bocas, mudança de vida, de trajetórias, duas fichas abonadas em grupo e no meu diploma Madalena Guasco assina em baixo. UJS e meu partido PC do B, outro diploma, de um outro estudo, escola, Mauricio Grabois me abriu portas da luta onde se aprende com ossos plantados e tantas árvores.


Da militância um outro trio, Valeria Leão Pedro Altman e Daniel, um el que é um mundareo e tanto Choro, sangue, família de Sonia Altman, minha outra Helena de acolhida em ciranda de zagzig, corrente forte e tantos pulos distantes da família de origem.


Heleninhas Mariana, Marcela e Flávia mesmos conflitos nas mesmas buscas, experiências aos gritos, uns juntos, outros com calma ouvidos, cafuné, colo, consolo, disputa de sofrimento, risos e choros e tanto amor.


E por elas, vejo tantas outras mulheres...


Em Novo Hamburgo, nova acolhida, novas oportunidades, repensar, desfazer, refazer e fazer Bacuri, nascido de Sérgio Rodrigues e Clarêncio Fabris, dos bonecos às cidades, de volta pra família e minhas crianças mordendo o rabo no meu jardim em escadinha: Luiza, Gustavo, Giullia, Mariana, Sabrina, Rafael, Gabriela, Juliana e Guilherme. Meus experimentos, mistura de tintas e sentimentos, questionamentos, ouvidos atentos, bocas abertas nos pensamentos.


E por elas vejo tantas outras crianças, meus pensamentos, por elas que refaço novos caminhos, e neles encontro apoio e carinho, Danusa, Isadora, Jéssica, Moises, Pedro, Dani, Pai Lauro, tijolos da minha luta nas casas amarelas.


 


E agora Maradona? Pra fazer meu gol é preciso chutar a pedra?


 


 




 
 

Postar novo Comentário

O conteúdo deste campo é privado não será exibido ao público.
CAPTCHA
Esta questão é para testar se você é um visitante humano e impedir submissões automatizadas por spam.
CAPTCHA de imagem
Digite os caracteres exibidos na imagem acima.

Faça seu login e aproveite as funções multímidia!