Resposta à matéria suspeita de Veja

Por Jair Fonseca

Carta da Associação Brasileira de Agroecologia - ABA - à Veja, sobre recente defesa dos agrotóxicos feita pela revista, em forma de matéria jornalística.

Da Associação Brasileira de Agroecologia

Prezado Diretor de Redação,

Referentemente à matéria de Veja, da edição de 04 de janeiro/2012, sobre o tema dos agrotóxicos, chamou-nos primeiramente a atenção o tratamento parcial e tendencioso dado ao assunto, uma vez que se trata de um tema controverso, mesmo nos meios científicos, e que recebeu apenas o veredito de profissionais com legitimidade e isenção questionáveis, considerando que é possível que alguns representem, eles próprios, um comprometimento com a indústria de agrotóxicos, a qual é, obviamente, parte interessada na venda desses produtos. Segundo, soa como prepotente, para dizer o mínimo, a Revista tentar apresentar-se como dona da verdade em um tema sensível e controverso como esse. Por uma questão de imparcialidade e ética, o que se esperaria é que a matéria desse também amplo espaço para o contraditório.

Da mesma forma, foi visível a falta de senso crítico das jornalistas, que não questionaram os “conceitos” que alguns entrevistados convenientemente tentaram afirmar como sendo “modernos”, como ocorreu, já no início da matéria, em relação ao nome “Defensivos Agrícolas” em vez de agrotóxicos. Cabe esclarecer que o termo agrotóxico é definido de acordo com a LEI Nº 7.802, DE 11 DE JULHO DE 1989, que considera “agrotóxicos e afins: a) os produtos e os agentes de processos físicos, químicos ou biológicos, destinados ao uso nos setores de produção, no armazenamento e beneficiamento de produtos agrícolas, nas pastagens, na proteção de florestas, nativas ou implantadas, e de outros ecossistemas e também de ambientes urbanos, hídricos e industriais, cuja finalidade seja alterar a composição da flora ou da fauna, a fim de preservá-las da ação danosa de seres vivos considerados nocivos; b) substâncias e produtos, empregados como desfolhantes, dessecantes, estimuladores e inibidores de crescimento.” Fica claro que o termo adequado, definido por lei, para referir-se a quaisquer dos produtos acima mencionados é agrotóxico, ainda que a indústria e as entidades que representam seus interesses insistam em usar, eufemisticamente, o termo defensivos agrícolas.

Inseticidas, fungicidas, herbicidas, formicidas, etc, já carregam em seus nomes o princípio básico de sua ação: a função “cida”, sufixo originário do latim, caedere que significa matar. Não é toa que quase todos levam em seus rótulos uma CAVEIRA com as tíbias cruzadas e a inscrição "VENENO".

Sobre a afirmação de que “o Brasil é um dos países mais rigorosos no processo de registro de agrotóxicos” e que “os produtos disponíveis no mercado são seguros", não é isso que se constata na prática, uma vez que existem diversos casos em que formulações de agrotóxicos que são proibidos

em dezenas de países, permanecem, no entanto, com seu uso liberado no Brasil, como é o caso do Endossulfan, do Metamidofós e do Acefato, encontrados pela Anvisa em vários alimentos, como o pepino, pimentão, tomate, alface, cebola e cenoura. Cabe registrar e reconhecer o esforço realizado pela Anvisa para monitorar os resíduos de agrotóxicos nos alimentos, além de fiscalizar os abusos cometidos na comercialização e uso desses produtos.

No caso do Endossulfan, trata-se de um princípio ativo proibido em mais de 50 países, inclusive nos 27 da Comunidade Européia, na qual está proibido desde dezembro de 2005 e continua sendo comercializado livremente no Brasil (embora tenha tido sua fabricação proibida recentemente no Brasil desde 12-09-2010, a sua comercialização está permitida até 2012). A proibição de seu uso nos outros países deve-se ao fato do mesmo apresentar graves riscos ao meio ambiente e à saúde humana, podendo causar, entre outros, efeitos carcinogênicos, imunotoxidade e neurotoxidade. Além destas, outros produtos são causadores de patologias de pele, teratogênese, desregulação endócrina, efeitos na reprodução humana e no sistema imunológico.

A reportagem afirma, de forma irresponsável, que “não existe comprovação científica de que o consumo a longo prazo ... provoque problemas graves em seres humanos”. Segundo Faria et al. (2007)1 publicações da Organização Internacional do Trabalho/ Organização Mundial da Saúde (OIT/OMS) estimam que, entre trabalhadores de países em desenvolvimento, os agrotóxicos causam anualmente 70 mil intoxicações agudas e crônicas que evoluem para óbito, e pelo menos 7 milhões de casos com doenças agudas e crônicas não-fatais. Isso representa, sem dúvida, elevados custos para a saúde humana e ambiental. Segundo Rigotto (2011)2, ainda segundo a OMS, para cada caso de intoxicação por agrotóxicos diagnosticado e notificado existem pelo menos 50 casos não notificados.

Apesar de vários produtos serem proibidos em diversos países, há fortes pressões do agronegócio para mantê-los autorizados no Brasil e, embora estejam em reavaliação, continuam sendo importados em larga escala pelo país.

A questão do estabelecimento de limites permitidos de resíduos de agrotóxicos em alimentos é bastante complexa. Sabemos que o estabelecimento de “níveis seguros” de venenos que poderíamos ingerir todos os dias é uma falácia. Nenhum estudo laboratorial pode comprovrar com toda certeza que determinado nível de veneno é inócuo para a saúde das pessoas. Estudos feitos com cobaias sugerem que certos níveis de resíduo parecem não produzir efeitos colaterais, até que o surgimento de técnicas mais modernas ou novas evidências científicas provem o contrário. Para alguns especialistas, a determinação de limites aceitáveis de resíduos representa, na verdade, a “legalização da contaminação”.

1 Ciência & Saúde Coletiva, 12(1):25-38, 2007.

2 Raquel Rigotto, entrevista a Caros amigos, dezembro de 2011.

O lobby das empresas produtoras de agrotóxicos é evidente, como se pode perceber pelo gritante exemplo da alteração do limite permitido de resíduos de glifosato para que a CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) pudesse liberar a soja transgênica no Brasil. Em 1998 a Anvisa alterou o limite permitido de resíduos de glifosato em soja, aumentando-o em 10 vezes! Ele passou de 0,2 ppm (partes por milhão) para 2,0 ppm. Mas em 2004 o limite do veneno na soja aumentou ainda mais: foi para 10 ppm, ou seja, 50 vezes maior que o limite inicialmente permitido.

Os níveis de contaminação por agrotóxicos vão muito além dos registros de resíduos em alimentos. As águas dos rios e aquíferos estão contaminadas por venenos agrícolas. Na Chapada do Apodi no Ceará, a água que sai das torneiras tem até 12 tipos de veneno. O aquífero Jandaíra, localizado sob parte do Ceará e do Rio Grande do Norte está sendo contaminado pelos venenos utilizados na produção de banana e abacaxi. O famoso aquífero Guarani está também sendo contaminado por agrotóxicos.Os alimentos, o ar, as chuvas e até mesmo o leite materno estão contaminados de venenos provenientes das aplicações maciças nas regiões onde o agronegócio impera, como ficou constatado no Mato Grosso. Em março de 2011 foi divulgada amplamente a contaminação em leite materno com agrotóxicos, no município de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, região dominada pela produção de soja e do milho transgênicos.3

A reportagem também erroneamente afirma: “período de carência é o intervalo mínimo entre o uso do pesticida e a colheita”, no entanto, a definição correta de período de carência ou intervalo de tempo, em dias, é o tempo que deve ser observado entre a aplicação do agrotóxico e a colheita do produto agrícola para que o alimento colhido não possua resíduos dos agrotóxicos em níveis superiores aos limites máximos estabelecidos pela ANVISA. Continua a reportagem: “tempo em que o defensivo se degrada e perde sua toxicidade para os seres humanos”. Isto é uma inverdade. A pressuposta degradação ou ausência de agrotóxicos nos alimentos não significa que os problemas tenham desaparecido, pois existem os metabólitos que podem estar presentes. As conseqüências ambientais e para a saúde, em função de uma aplicação que deixou residual, podem permanecer por muito tempo. Segundo Spadotto & Gomes4 “determinados produtos químicos são rapidamente decompostos no solo, enquanto outros não são degradados tão facilmente. Algumas moléculas são moderadamente persistentes e seus resíduos podem permanecer no solo durante um ano inteiro, outras podem persistir por mais tempo. No ambiente aquático, além da hidrólise e da fotólise, os agrotóxicos podem também sofrer a degradação biológica e, ainda, a bioacumulação e a biomagnificação (bioacumulação em níveis elevados da cadeia trófica), diferenciando apenas os microrganismos nesse ambiente em relação àqueles presentes no solo”. E mais, advertem que além dos riscos da molécula original, os metabólitos ou produtos de degradação dos agrotóxicos apresentam toxicidade e ecotoxicidade com enormes diferenças em relação à molécula-mãe. Alguns

3 Fonte: LONDRES, F. e MONTEIRO, D. Agrotóxicos no Brasil: um guia para ação em defesa da vida. RJ, 2011

4 Em: Agência de Informação Embrapa, Agricultura e Meio Ambiente. Qualidade Dinâmica e Riscos de Contaminação.

destes produtos de degradação podem ser inclusive muito mais tóxicos que o ingrediente-ativo original. A título de exemplo, pode ser citado o glifosato, que produz o ácido aminometil fosfônico (AMPA) como primeiro metabólito, que por sua vez produz outros que ainda não são investigados e que podem ser mais tóxicos para a cadeia trófica. Além desse, há o exemplo clássico do DDT que ao perder uma molécula de HCl, por degradação biológica ou ambiental, forma o metabólito conhecido como DDE, que é ainda mais resistente às degradações que o DDT.

Cabe lembrar que não é por acaso que o Brasil é considerado o campeão mundial de consumo de agrotóxicos, atingindo a incrível marca de 5,7 litros por habitante/ano. Esse dado foi, estranhamente, esquecido ou, o que é mais grave, ignorado intencionalmente pelas jornalistas, que conseguiram fazer uma matéria que destacou apenas um lado da questão, o dos “benefícios” supostamente decorrentes do uso de agrotóxicos. Lamentamos essa postura, profundamente comprometedora para uma revista que se pretende séria e, ironicamente, se intitula como “indispensável”. Perdem com isso os leitores da revista e perde, ainda mais, a sociedade brasileira, pelo nível superficial, pouco sério e, sobretudo, tendencioso como um tema tão importante como esse foi tratado na referida matéria.

Atenciosamente,

Associação Brasileira de Agroecologia

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33 comentários
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Assis Ribeiro

A Veja está certa, assim como toda a grande mídia, no Brasil não existe esta história inventada pelos ecochatos, sobre agrotóxicos. No Brasil o que existe são “Defensivos Agrícolas”.

A proibição da importação do suco de laranja pelos EUA não é pela presença de agrotóxicos que o Brasil, friso, não usa, o problema é a "guerra comercial".

Essa questão de reforma do código florestal também é onda dos ecochatos. O Brasil precisa de mais terras para a agricultura. As terras que estão disponívies são poucas e não existem proprietários estrangeiros no nosso agronegócio, e os nossos produtores são responsáveis.

A dispensa das dívidas de multa por desmatamento deve ser perdoada. Os pobres agropecuaristas, se desmataram, deve ter sido pelo bem do país, para alimentar o nosso faminto povo.

 

Assis Ribeiro

 
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Jair Fonseca

Para os leitores desavisados que chegam e não conhecem o Assis, já aviso que ele está sendo irônico! Pelo que leio abaixo, Assis, não é só a Veja que defende o uso de veneno nos vegetais que comemos. Infelizmente.

 
 
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Mario Siqueira

Ainda bem que é ironia ! Quase acreditei na primeira leitura rápida.

 
 
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joselitus_maximus

Cuidado com a Lei de Poe

http://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_de_Poe

http://rationalwiki.org/wiki/Poe%27s_Law

 

Direitista SEMPRE se entrega nos detalhes.

 
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Brenda Carvalho

Realmente, numa leitura rápida quase não percebi a ironia.

É realmente revoltante a forma como o tema é tratado no Brasil. Sou Bacharel em química, e trabalho na Vigilância Sanitária do Estado de Goiás com um programa de saúde ambiental chamado VIGIQUIM, em que uma das substâncias que monitoramos são os agrotóxicos. Só nesse estado temos um número gigante de intoxicações por agrotóxicos, e isso falando somente dos casos agudos, pois os crônicos normalmente não se consegue fazer o nexo causal justamente devido à falta de informação sobre o assunto.

Muito boa a carta. Vou divulgá-la por todos os meios que puder, e espero que todos façam o mesmo.

 
 
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Sanzio

Infelizmente, a carta da ABA faz exatamento o que acusa a Veja de fazer: assumir um lado, no caso o lado dos seus associados. Não que a Veja não mereça críticas, é uma revista venal e vendida, como estamos carecas de ver demonstrado aqui neste espaço. Mas acusá-la de não questionar a denominação eufemística utilizada pela indústria de agrotóxicos (sim, não passa de mero eufemismo chamá-los de "defensivos agrícolas") é exigir demais da cabecinha dos tarefeiros da revistinha.

Por outro lado, eu gostaria de ver uma análise da ABA sobre como produzir alimentos em escalas gigantescas e crescentes, a custos relativamente equiparáveis aos atuais, usando apenas agricultura orgânica ou defensivos agrícolas naturais, como fumo de corda e joaninha para combater pulgões, por exemplo.

 
 
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pedroncio

Ué, e você queria o que? Que a ABA fizesse o trabalho jornalístico que a Veja aparentemente não fez? Isenção é prerrogativa e obrigação da imprensa, não dos lados interessados na contenda. Ou você vai lamentar que os advogados do José Dirceu fazem a mesma coisa que a Veja quando apresentam apenas os argumentos que beneficiam seu cliente? Dãããã!!!

Quanto à produtividade, posso assegurar que quanto mais se investir em pesquisa e desenvolvimento, mais a agricultura orgânica vai apresentar resultados melhores. Imagine alguém do início do século XX : "é impossível acabar com a indústria do carvão, senão como vamos gerar energia para todo o mundo?". Aí descobre-se a energia atômica e todas as minas de carvão da Europa fecham as portas.

Na França, por exemplo, existe uma rede de super-mercados populares chamada Leader Price (acho que existe em outros países também). E eles comercializam produtos orgânicos em grande escala a preços super competitivos. Um iogurte orgânico da marca "Leader Price" é bem mais barato que um iogurte Danone, feito com leite de vacas "hiper-hormonizadas". Uma plantação de tomates orgânicos em estufas é tão produtiva quanto uma plantação extensiva de tomates convencionais, usa bem menos água, não te envenena e produz o ano inteiro. O equívoco é achar que agricultura orgânica é só "joaninha contra pulgão". Existe tecnologia envolvida, não se trata de voltar a cultivar exatamente como antes da Revolução Industrial.

Fato é que a demanda por produtos orgânicos cresce a cada ano. A oferta acompanha o crescimento, os preços estão cada vez mais baixos e até hoje não se ouviu falar em carestia. Vai dar para alimentar o mundo todo? Com investimento, pesquisa e boa vontade vai.

 
 
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Nilson Figueiredo Filho

Pedroncio,

parece que o desejo do Sanzio é que a Associação Brasileira de AGROECOLOGIA DEFENDAo uso de agrotóxicos...

Quem sabe ele sabe o dia em que o sargento Garcia prenderá o Zorro!

 
 
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Sanzio

E quem lhe disse que a Veja faz jornalismo? Apenas roda a bolsinha e vai com quem lhe paga mais, no caso a indústria química. Agora, se para você não tem problema que a ABA conteste uma matéria mentirosa sem qualquer compromisso com a verdade (no fundo é disso que se trata), então não está mais aqui quem falou. Mais eficiente seria a ABA pagar para a Veja publicar várias páginas, cheias de fotos de batatas sujas de terra e cenouras murchas, para mostrar a revolução da agricultura orgânica. Podem até fazer uma capa com uma mulher repolho (mas com as pernas no lugar, não como esta).

Re: Resposta à matéria suspeita de Veja
 
 
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Sanzio

Opa, esqueci um pedaço: quero ver se é econômicamente viável uma plantação em estufa de soja, de milho, de trigo, de cana-de-açúcar, de laranja, de beterraba aí na França.

 
 
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pedroncio

Você tem razão. Assim como tinham razão aqueles que, no século XIX, acreditavam que substituir escravos por mão-de-obra assalariada era economicamente inviável, iria encarecer os preços dos alimentos e tornaria impossível produzir comida para todos.

 
 
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Sanzio

Tirando as questões éticas e morais (propriedade, castigos corporais) qual a grande diferença entre escravo e assalariado? A analogia não se sustenta, mas a lembrança da escravidão ajuda. Uma coisa é produzir alimentos para sua aldeia e café para exportar, num mundo com 2 bilhões de pessoas, das quais 10% eram consumidores, outra coisa é produzir alimentos para 7 bilhões de seres humanos, dos quais 4 a 5 bilhões são consumidores.

Sabe qual foi a produção mundial de soja em 2011? Quase 300 milhões de toneladas. Ou seja, se cada habitante do planeta terra, incluindo bebês, velhos, doentes, se dedicasse apenas a produzir soja, teria que produzir 42 kg por ano. Da minha parte, jogo fora o vaso de cebolinha e o de manjericão e consigo umas 10 vagens de grãos de soja, algo como 50g. Mas já é um começo, sem agrotóxicos, só na base da joaninha.

 
 
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Sanzio

50g de soja por pessoa X 20 milhões de pessoas (população da grande SP) = 1.000 toneladas. Multiplicado por 10 (população do Brasil) dá 10.000 toneladas. O Brasil produziu na safra 2010/2011 cerca de 72 milhões de toneladas (24% da produção mundial, atrás apenas dos EUA).

Assim, cabe ao restante do país produzir 71,99 milhões de toneladas de soja para fechar a conta. Mas, espere, não é só isso: ainda tem milho, trigo, arroz, feijão, café, cana-de-açúcar, laranja, batata, abacaxi, goiaba, manga, jabuticaba, maracujá, açaí, ervilha-torta, moranguinho, tomate, papaya  de Monte Alto, figo de Valinhos, uva de Jundiaí, cebola de Santa Catarina, melão de Petrolina,  caju do Piauí, banana do Vale do Ribeira, pimenta-do-reino do Pará....vixe, acho que vai dar alguns bilhões de toneladas de alimentos vegetais, sem contar o pasto para as vaquinhas. É tonelada para caralho! Ou mais...

 
 
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pedroncio

Pelo que me lembro das aulas de história, o trabalhador assalariado era mais motivado que o escravo, por isso sua produtividade era maior, etc e tal. Não sei se isso realmente teve a ver com o sucesso do trabalho remunerado sobre o trabalho forçado, mas isso pouco importa: a minha analogia não se dá no âmbito dos números, mas do discurso, e o seu (e o da agroindústria) é igualzinho ao do proprietário de escravos do século XIX: "não é possível", "é economicamente inviável", "não há alternativas" etc.

 
 
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pedroncio

O que me faz lembrar dum cara chamado Dick Rowe, mais conhecido como o executivo que não quis assinar um contrato com os Beatles porque acreditava que "bandas com guitarra estão saindo de moda". Um visionário!

 
 
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pedroncio

Para outros visionários, ver também : http://www.slinkycity.com/technology-mistakes.html

 
 
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pedroncio

http://www.i-sis.org.uk/organicagriculturefeedtheworld.php

 
 
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pedroncio

Ver também Lotter, D.W., R. Seidel, et W. Liebhart. 2003. The performance of organic and conventional cropping systems in an extreme climate year. American Journal of Alternative Agriculture 18(3), p. 146–154.

 
 
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Miguelito

"Moderno" é o controle biológico de pragas e doenças...

"Moderno" é a criação de novas cultivares resistentes e/ou adaptadas...

"Moderno" é um manejo sustentável das lavouras...

"Moderno" é a rotação de culturas...

“Moderno” é quem planta com responsabilidade social...

Matéria vendida da “veja”...isso sim. Mereciam um processo...

Vejam este documentário...muito bom...

 

 
 
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Marcelo D

Para mim todas as matérias de Veja são suspeitas...

 
 
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JA

Sânzio,


 


Parece que o Miguelito respondeu ao seu segundo parágrafo.


Dia 13/02, por exemplo, começa em

 
 
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Antônio CDS

Ok. Os agrotóxicos, quem há de ser a favor a não ser a Veja...

Mas, como sempre, os argumentos se resumem apenas ao CONTRA.

Assim como os trangênicos...

Nunca entendi bem qual a solução proposta para nomes politicamente corretos como "agroecologia" (?!?!). É sempre uma miscelânea de nonsenses do tipo vídeo gota d'agua.

Só para ficar num exemplo:

Agricultura orgânica? Beleza! Maravilha!

Mas expliquem onde vão encontrar volume tão grande para adubar a área de agricultura no país? Vamos ter que desmatar a amazônia para criar pasto e conseguir o volume esterco necessário para uma prática que está longe de ser inofensiva, que vai levar ao desenvolvimento de cepas altamente patológicas que por sua vez vão gerar a recombinação que vai provocar a pandemia que vai exterminar a humanidade (a E. coli européia do ano passado é só um aperitivo do que pode acontecer)? 

Vamos parar de bancar o PSOL e o PV e mostrar soluções viáveis de verdade e não babagens engana Marcos Palmeiras. Uma cena da Maitê tirando o sutiã já foi suficiente.

A Veja, óbvio e como sempre, está errada.

Mas a tal da ABA está longe de estar certa.

 
 
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Walter Decker

A resposta é incentivar cada vez mais a agricultura familiar e a agroecologia. E seguir o modelo de Santa Catarina :

" No Censo Agropecuário de 2006 foram identificados 4.367.902 estabelecimentos da agricultura familiar no Brasil, ou 84,4% do total, ocupando 80,25 milhões de hectares, ou seja, 24,3% da área dos estabelecimentos agropecuários brasileiros.

Com base nos critérios de classificação do Programa Nacional da Agricultura Familiar (Pronaf), estima-se que a agricultura familiar em Santa Catarina representa um universo de 180 mil famílias, ou seja, mais de 90% da população rural. Estas famílias de agricultores, apesar de ocuparem apenas 41% da área dos estabelecimentos agrícolas, são responsáveis por mais de 70% do valor da produção agrícola do estado "

 
 
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Antônio CDS

Repetido a pergunta, em versão solução agricultura familiar:

Onde os agricultores familiares vão conseguir o volume suficiente de estrume para fazer a adubação?

Incluindo mais alguns complicadores:

1-Vai haver queda de rendimento.

2- Vai promover desequilíbrio ecológico. Uma coisa é colocar esterco numa hortinha. Outra é colocar um volume absurdo em grandes áreas. Vão espalhar microorganismos com habitat restrito a intestinos e misturar com outros microorganismos pela natureza afora. Imagine pegar água do tietê para irrigar plantações. Não é muito melhor. Boizinhos não são inofensivos como todos pensam. Têm o potencial enorme de dar, literalmente, m****.

H1N1 é resultado de recombinação de vírus da gripe aviária e humana.

HIV é resultado de recombinação de vírus de símios e humanos.

Continuo aguardando soluções. De verdade.

 

 
 
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Jair Fonseca

Até eu que não sou agrônomo nem lavrador sei que adubo não é só estrume, meu caro...

 
 
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Gisa

seu antonio,

ainda bem que o senhor expôs sua forma de pensar, ou até mesmo seu pre conceito, com relação a agricultura orgânica (que é um tipo de sistema de produção agrícola) e a agricultura agroecológica (que pode ser entendido como uma ciência, um movimento ou uma prática agrícola). só assim temos a prova de o quanto os brasileiros são ignorantes nesse assunto. um assunto tão importante e tão discutido atualmente por envolver uma séria contaminação do planeta Terra, e consequentemente, uma contaminação da nossa saúde (e da sua também).

os tipos de sistemas de produção agrícola, é certamente, um assunto muito complexo. conhecer a história da Revolução Verde é um bom começo  para você entender e compreender o que a carta da ABA quis dizer.

quanto ao estrume, percebi que você está um tanto confuso, ou sem saber de como produzir alimento pra tanta gente sem esse elemento. só pra informar que o estrume de vaca, boi, galinha e suíno não é a única solução para fertilizar ou re fertilizar um solo. existem n's alternativas orgânicas para essa prática. .

e não somos ecochatos, e sim pessoas conscientes e preocupadas com o rumo que nosso planeta tomará se continuarmos com esse sistema de produção defendido (vendido) pela revista Veja. mas esse assunto vai longe...

gisa.

 

 

 

 

 
 
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Tam

Acrescentando à primeira frase acima, é necessário incentivar a redução populacional ou mesmo um controle por lei, isso já resolve muita coisa.

 
 
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maria utt

Como suspeita? Das matérias da Veja eu sempre tenho certeza.

 
 
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Marco Vitis

Esperar o contraditório na Veja é ilusão.

Isso somente ocorreria se a Veja fosse um publicação jornalística.

A Veja é apenas um "house-organ" da extrema direita.

 
 
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Nilson Figueiredo Filho

Excelente essa divulgação, Nassif, excelente!

 
 

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