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Rescaldo das pesquisasEnviado por luisnassif, seg, 26/07/2010 - 02:00
Por Gunter Zibell
Mas então... Alguém notou que esta Datafolha de 23/07 é desfavorável para Serra se comparada com a de 01/07? Sabemos que há as diferenças metodológicas do Datafolha. Uma ainda não comentada foi não fazer desta vez o cenário clássico (apenas 3 candidatos.) Os resultados 36 D/37 S/10 M não são plenamente comparáveis com os do Vox Populi (41 D/33 S/8 M) porque contam com 1% cada para PSTU e PSoL. Esses 2% não são prováveis para Serra. Seria mais prudente considerar os resultados para 2º turno e aí a diferença entre institutos, na conta "diferença entre candidaturas" cai de 9% para 7%. Mais a mais, o fenômeno a ser medido é o mesmo, as trajetórias em direções opostas das candidaturas. Apenas os termômetros são diferentes. Olhando somente as diferenças para 2º turno : na Vox de 26/06 Dilma (44) menos Serra (40) era 4%. Agora, Vox de 20/07, se fala em 8% (D = 46, S = 38). 4% de mudança em 24 dias. Na Datafolha de 01/07 a diferença era 2% pró-Serra (este com 47%, Dilma com 45%) e agora (23/07) Dilma está 1% à frente (ela com 47%, Serra com 46%). 3% de mudança em 21 dias. Não se fala, portanto, em "recuperação" da candidatura Serra. Ambas as pesquisas, dos dois institutos mais comentados, mostram Dilma subindo 2% nas 3 primeiras semanas de julho e Serra caindo 1 ou 2% no mesmo período. Se esta ou aquela pesquisa vai ajudar a angariar fundos de campanha ou estimular as militâncias não altera a realidade do cenário.
Tentando fazer mais simples as coisas: antes víamos as "bolinhas azuis" sempre acima das "bolinhas vermelhas" em distâncias que variavam; passamos para uma fase em que as bolinhas se misturam (maio, junho) e agora (desde 21/junho) em 4 das 6 vezes a bolinha vermelha fica acima da azul. Em nada mudando, é provável que daqui pra frente as bolinhas vermelhas ficarão mais frequentemente acima das azuis. O que importa é o caminho geral, não os desvios pontuais. Do ponto de vista de torcidas : se a Datafolha, pesquisa que aparentemente favorece Serra, em função de sua metodologia, já aponta 47% a 46% com pequena vantagem para Dilma no 2º turno, então as demais (sendo que sai uma Ibope agora dia 31/jul.) muito provavelmente apenas mostrarão essa diferença ampliada. A única questão relevante é se Dilma "na média" chegará no dia 03/out. aos 43% necessários para a eleição se definir em um turno (43% = [100% - 14% de B/N/I] / 2 ). Sua média atual de 4 pesquisas é 39% (em maio era 36%, em março era 32%), a de Serra é 37% (em maio era 37,5%, em março 38,5%). O que temos de concreto é que Dilma cresce mais rápido (quase 2% ao mês) do que Serra decresce (cerca de 0,5% ao mês.) Isso significa que Dilma aproveita bem mais a redução no percentual de indecisos (cuja média passou de 21% em março para os atuais 14%.) Se houvesse previsão de fato novo pró-Serra com a campanha, isso teria alguma relevância. Mas já sabemos que se a coligação PSDB/DEM tivesse propostas sedutoras estas já teriam sido mostradas. Também sabemos que a "campanha do medo" pela mídia só prega para os mesmos convertidos (e em função justamente de ausência de programa competitivo.) Repetir factóides de 4 ou 8 anos atrás não dará certo, principalmente porque não se prova nenhum, o que passa a impressão de amadorismo (até para os fiéis desses partidos, o que pode decepcioná-los.) Também é sabido que o tempo de TV será favorável a Dilma. O envolvimento direto de Lula também. O maior conhecimento das candidaturas, idem. A participação dos candidatos a governador vai pesar algo. Talvez o movimento que possa recuperar as chances de Serra seja um desempenho muito melhor nos debates. |
Luis Nassif
Introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico no país. Vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003, 2005 e 2008, em eleição direta da categoria. Prêmio iBest de Melhor Blog de Política, em eleição popular e da Academia iBest. Para enviar emails a Luís Nassif clique aqui. PesquisarComentários + votados
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H. C. Paes
26/07/2010 - 03:07
Excelente comentário, Gunter.
Andei pensando a respeito de uma coisa que mencionei apenas tangencialmente lá na postagem do Nassif, "Decifrando o Datafolha". Trata-se do descarte dos questionários...
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JB Costa
26/07/2010 - 07:08
Parabéns Gunter pelo didatismo e coerência.
Serra pode se dar bem nos debates. O oposto também pode ocorrer.
Não sei porque, mas acho que a Dilma supreenderá.
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Durvaldisko
26/07/2010 - 08:13
Resumindo:total de dezesseis anos de exílio para os demo -tucanos. Alvíssaras !
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Jofran Oliva
26/07/2010 - 09:01
Gunter, a equipe de Serra deve ter chegado a essa tendência, e isso explica o comportamento anormal de ataques difamatórios contra o PT. O desespero bateu na oposição e com razão. Não acredito numa...
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Fernando Augusto Botelho - RJ
26/07/2010 - 09:01
Gunter é o que podemos chamar de jornalista na acepção da palavra, e este texto não é apenas um comentário de um internauta expressando suas opiniões, mas praticamente um trabalho profissional pela...
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Sanzio
26/07/2010 - 11:49
A repercussão dessa pesquisa fajuta está durando mais nos blogs que no próprio jornal. A Folha recebeu a grana, fez o serviço e saiu de fininho no dia seguinte.
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Mário Latino
26/07/2010 - 12:20
O Cartacho fala que a bolsa-família é responsável pela alta nas pesquisas de Dilma e tem razão. Também poderia falar que é pelo aumento do salário mínimo, pelo programa "Minha Casa, Minha Vida",...
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Todo mundo notou exceto quem deveria estar fazendo damage control (controle de estragos)...
Complexo de inferioridade, sabe como eh... eh phoda...
em resumo: o serra e a vaca foram pro brejo
Excelente comentário, Gunter.
Andei pensando a respeito de uma coisa que mencionei apenas tangencialmente lá na postagem do Nassif, "Decifrando o Datafolha". Trata-se do descarte dos questionários não confirmados.
O Datafolha diz que confirma por telefone pelo menos 30% dos questionários aplicados. Como diz o Roberto Takata, "telefone" pode ser qualquer número para contato, inclusive do trabalho, de um vizinho ou parente. Ou seja, mesmo que não possuir um número fosse motivo para exclusão da amostra, a fração que não seria capaz de dar sequer um contato qualquer seria muito pequena para fazer grande diferença.
Nesse caso, duas perguntas se impõem: i) o que o Datafolha faz com os questionários não confirmados? e ii) Se ela os descarta, o ato de descartar quem não confirma a entrevista é capaz de introduzir algum viés na compilação final?
Houve quem dissesse, lá naquela postagem, que, em caso de o respondente original não estar presente quando do telefonema, repete-se a entrevista com a pessoa que atender, como forma de substituir o questionário perdido. Apesar de isso praticamente assegurar que o respondente - por morar no mesmo lugar - pertencerá ao estrato demográfico do entrevistado original, e portanto não afetar muito a amostra, há pelo menos o problema, também citado por outro colega, de que a entrevista feita por telefone não permite o uso de discos de candidatos e não corresponde tão fielmente às condições da entrevista in loco.
E, se os questionários forem descartados, é de se presumir que isso ocorra com mais freqüência com quem não tem telefone próprio e dá apenas um número para referência, que pode até estar errado. Portanto, a população que não tem telefone poderá até ser incluída na entrevista de rua, mas será encolhida durante a etapa de confirmação. Numa simulação, pensando que um quinto dos eleitores não tem número próprio, temos que um quinto de 30% dos questionários verificados, ou 6% do total, poderá ser descartado. Paradoxalmente, quanto mais questionários o Datafolha conferir, maior será o viés de descarte, até o teto de 20% no caso improvável de eles telefonarem para todo mundo. Isso poderia ajudar a explicar parte das diferenças entre Datafolha e Vox. Na linha da reportagem de 2006 que diz que quem não tem telefone tende a apoiar Lula, esse viés tenderia a favorecer Serra.
No caso da Vox, a revisita domiciliar me parece mais segura, pois, mantendo-se a hora do dia em que a visita original ocorreu, a chance é grande de o fiscal conseguir encontrar o entrevistado no local, pois o cotidiano costuma garantir que as pessoas estejam em casa mais ou menos à mesma hora. Sem contar que os questionários descartados não sofreriam o viés da posse de telefone, uma vez que as revisitas falhariam em encontrar o entrevistado com freqüência similar em todos os estratos demográficos; além disso, sempre se poderia efetuar nova entrevista com quem porventura aparecesse.
Por tudo isso, realmente fica parecendo que a Vox segue um protocolo de pesquisa mais fiável. Há quem diga que o histórico de acerto do Datafolha é o maior dentre os institutos, mas não sei quanto de verdade ou lenda há nessa afirmação, como tampouco sei se o Datafolha sempre usou o mesmo método.
Por fim, não estou bem certo de que qualquer uma das duas possibilidades de ação em face do telefonema malogrado (entrevista com quem atender ou descarte do questionário) seria suficiente para gerar as diferenças entre o Datafolha e a Vox.
A ver. Esta semana teremos IBOPE/Globo, e terei a chance de testar minha hipótese.
Quanto ao resto deste teu comentário, concordo com quase tudo. Somente acho muito boa vontade tua de tentar ver um cenário desfavorável a Serra para o segundo turno no Datafolha: a variação de 3% está dentro da margem de erro, é oscilação.
Muito boa a idéia de fazer a média das quatro últimas pesquisas, realça bem a lenta conquista do favoritismo por parte de Dilma (embora eu esteja convencido, pelos motivos que já expliquei, que ela não seja tão lenta assim). E as setas batem bem com as linhas de tendência que eu uso. Aliás, o único instituto em que a linha de tendência de Dilma não interceptou a de Serra há muito tempo é o Datafolha.
Obrigado, Paes.
Quem primeiro falou em fazer médias de 4 pesquisas (o que geralmente, mas nem sempre, pega uma de cada instituto) foi o J R Toledo, do Estadão.
Bom, falemos um pouco de 2º turno.
Ok, Serra pode estar na frente na pesquisa DT se levarmos em conta a margem de erro. Mas isso não é muito substantivo. Na "média" para julho Dilma está na frente 2%. Na "média" para maio estava atrás 1%. Então há um movimento a favor de Dilma de 1,5% ao mês. (Puxar isso pra cá e pra lá ainda serve a torcidas neste momento de proximidade, quando estivermos no começo de setembro essa névoa sairá do panorama.)
O que todo mundo quer saber é se haverá 2º turno. Isso ainda não está claro. Se as tendências prosseguirem estaremos no 3/out. na seguinte situação : Dilma com cerca de metade dos votos válidos, Serra + Marina com a outra metade. E margem de erro existindo. Portanto agora todos vão caprichar na campanha e nos debates. Mas o governo tem vários pontos a seu favor, é mais provável que consiga acelerar a candidatura Dilma (isto é : eu aposto em apenas um turno.)
Para o governo interessa liquidar a questão agora para se concentrar nos estados onde houver 2º turno (exatamente aqueles onde o PSDB tem boas chances : PR, GO, PI, PA, TO, RO, MT, MS [aqui com PMDB]) O PSDB migrou das metrópoles industrializadas de onde surgiu para os estados agroexportadores.
Para a oposição interessa ganhar o fôlego das 3 semanas entre os turnos, já que seu único trunfo é a hipótese de Serra se sair melhor nos debates. (O problema é que há quem diga que Dilma pode se sair melhor nos debates. Haverá o primeiro dia 05/ago, será bem interessante.)
Esse tratamento de média das pesquisas foi inicialmente feito pelo Toledo do Estadão? Mesmo antes da Carta Capital com a aproximação polinomial?
Sim, média de pesquisas vi primeiro no blog do Toledo. Mas é o tipo de ideia que várias pessoas têm ao mesmo tempo. Há um ajuste que falta fazer : os institutos tem metodologias um pouco diferentes e isso afeta o percentual de brancos/nulos/indecisos. Geralmente o Datafolha tem esses números em patamar menor. Para ajustar teríamos que trazer todos primeiro para o critério de votos válidos e depois calcular. Em uma próxima oportunidade farei isso.
(Mas se começarmos a eliminar as diferenças justificáveis o resultado será uma concordância maior entre os institutos, vai parecer uma análise "chata" rsrs.)
A Carta Capital publica as análises de Marcus Figueiredo, do Iuperj, inspirados por sua vez na metodologia "pesquisa das pesquisas" (muito usada nos EEUU porque lá há uns 15 institutos.) Nesta acho que se em um mesmo mês há várias pesquisas são dispensados os extremos.
Em prazos curtos as curvas são parecidas, mas para prazos longos a polinomial até grau 3 não tem aderência em todas as fases, isto porque as candidaturas têm pontos de inflexão. Olhe-se para os números de Dilma : houve um patamar de estabilização entre maio e outubro de 2009 e houve uma leve aceleração (visível pela inclinação) nos últimos meses.
Daria então para fazer "por fases". mas será que precisamos de tanto preciosismo? Nós temos apenas uma campanha governista-continuísta sendo conhecida e uma campanha de oposição perdendo o bônus do "recall". O meu esforço em geral é apenas para salientar os pontos em comum e que resumem o processo, ou eventualmente algo que está evidente nos dados mas que por razões midiáticas não é muito comentado.
Olha Nassifi!Se esse crescimento progressivo da candidata Dilma se mantiver,é bem capaz que essa eleição seja decidida logo no 1º turno e por conseqüência o desmonte de vez dessa estratégia golpista e reacionária adotada por essa mídia PODRE,mesmo com manipulação depesquisa ou (a tal metodologia empregada que convenhamos que um pouco estranha né) mais o que vai prevalecer serão as conquistas sociais desses útimos oito anos no final da história.Ah!e a oposiçao corre risco de entrar na lista de animais em extinção!
Parabéns Gunter pelo didatismo e coerência.
Serra pode se dar bem nos debates. O oposto também pode ocorrer.
Não sei porque, mas acho que a Dilma supreenderá.
Resumindo:total de dezesseis anos de exílio para os demo -tucanos. Alvíssaras !
boom dia, companheiros. serra sozinho é um desastre. um detalhe sobre a campanha. a midia oposicionista tentará alavanca a candidatura de marina silva na busca do segundo turno para salvar o tucano hairless. a candidatura de serra está insustentavel politica e financeiramente. e ele já sabe disso. olha o discurso e o comportamento de lobisomem. tenho dito . pois alguem já dizia isso
Li no blog do Azenha a respeito do "erro" da datafalha nas eleições que Jânio ganhou em SP.
Seria interesante levantar um histórico de "erros" do instituto em eleições.
Ué, onde foi parar o problema do telefone?
Tá em outros posts. Deixe de ser preguiçoso e procure que você encontra.
Muito boa a análise do Gunter e a do H.C.Paes que a complementa.
Mas não podemos baixar a guarda em relação as pesquisas enviezadas do Datafolha, como aquela "subida milagrosa do tucano Serra em Março de 12 pontos na frente da Dilma" somentre porque parou de chover em São Paulo, com reflelxos imediatos no eleitorado do Sul (!!??) e como bem disso o Paes no final do seu comentário, a única linha das tendências dos institutos de pesquisa no qual a linha da Dilma não interceptou a do Serra é a do Datafolha !
Isso é sintomático e tem cheiro de queimado para os lados do Datafolha e do seu dono, o Otavinho e do jornal Folha e seus editorialistas, que morrem de amores pelo tucano Serra, uma coisa "tipo assim" mais de torcida do corinthians e do flamengo pelos seus times do coração.
Apesar das dúvidas causada pelas pesquisas , so quando começarem os debates entre Serra e Dilma , teremos uma definição das preferencias , pelo menos entre as classes politizadas que imagino ser no máximo 40% do eleitorado , o restante não esta nem ai pra eleição querem mesmo é o bolsa familia , portanto esta muito dificil para o Serra , so um fato novo de grande repercução , ou a manutenção do crescimento de Serra no Sudeste \sul, regiões em que o povo é mais culto e politizado , e percebe o que é demagogia e fisiologismo dentro da política .
O Cartacho fala que a bolsa-família é responsável pela alta nas pesquisas de Dilma e tem razão. Também poderia falar que é pelo aumento do salário mínimo, pelo programa "Minha Casa, Minha Vida", pelos mais de dez milhões de empregos gerados desde que o metalúrgico fincou os pés no Palácio do Planalto, pela economia em alta, pela indústria naval fortalecida, pelas novas universidades federais... e também teria razão. Só uma pergunta, por que os tucanos (que tiveram os mesmos oito anos para mostrar serviço) não o fizeram? Ser de direita é phoda...
Os partidários do tucano só falam dos beneficiários do Bolsa Família como eleitores de Lula/Dilma, mas existe uma grande parcela da população que não depende do benefício e é favorável ao atual governo e sua candidata por motivos diversos.
Qual o percentual dos beneficiários do BF no total do eleitorado?
Querem emplacar a tese de que apenas os que têm interesse na manutenção do benefício são apoiadores de Dilma, quando outros setores (inclusive com boa informação) vêem essa administração como melhor que a anterior.
Talvez pela dificuldade em admitir os progressos do país, minimizam o que deu certo e jogam com a falácia no atual momento político.
A verdade irá aparecer com o resultado da eleição e os perdedores terão uma enorme dificuldade de refazer seu discurso furado.
O Bolsa-família apenas atende a 25% das famílias. Mas é um programa de tão bom senso que é difícil imaginar alguém que não concorde com ele. Seria muita mesquinharia alguém, só por não precisar dele, negar a sua importância para o resgate de uma dívida social histórica. Há muitos benefícios indiretos além da maior presença em escolas, talvez haja redução de criminalidade, melhora no mercado de trabalho, formalização de economia, etc. E o programa é barato pelo que representa, nem 0,5% do PIB.
Eu acho que deve continuar pelo menos até que uma geração de crianças se habilite completando o curso médio e se reduza a zero a desnutrição infantil. Depois poderemos pensar na renda mínima em nível nacional, que é democraticamente defensável e fácil de administrar. Um artigo da Carta Capital dessa semana defende essa ideia.
Gunter, espero que não tenha interpretado o que escrevi como sendo contrária ao BF. Apenas quis colocar o fato de que os partidários do tucano sempre usam essa retórica, dizendo que o governo Lula e sua candidata estão bem avaliados apenas por essa fatia da população e que daí vem sua popularidade, ok?
Concordo com você sobre o BF: não dá para esperar que as vagas de emprego sejam criadas e que a educação seja mais difundida, sem que faça alguma coisa enquanto muitos passam fome.
Gunter, a equipe de Serra deve ter chegado a essa tendência, e isso explica o comportamento anormal de ataques difamatórios contra o PT. O desespero bateu na oposição e com razão. Não acredito numa reviravolta, acho até que a Dilma deve aumentar essa tendência assim que começar o horário eleitoral.
Gunter é o que podemos chamar de jornalista na acepção da palavra, e este texto não é apenas um comentário de um internauta expressando suas opiniões, mas praticamente um trabalho profissional pela clareza e isenção da matéria, mesmo que na pratica não seja, pois não visa remuneração.
A verdade é que o Gunter é muito melhor que muitos jornalistas ditos profissionais que fazem tudo, menos jornalismo.
Prezado Gunter.
Estou convencido que a iniciativa do Movimento dos Sem Mídia, presidido pelo Eduardo Guimarães, teve papel decisivo para o Databranda se retrair um pouco.
Neste post, http://www.blogcidadania.com.br/2010/07/entenda-o-datafolha/ , o Eduardo mostra que o Databranda mudou depois do MSM conseguir, junto à justiça eleitoral, auditoria de todos os institutos feita pela Polícia Federal. Depois do evento, o Databranda, coincidentemente, começou a mostrar Serra encolhendo.
Roberto, eu admiro o Eduardo Guimarães e acho exemplarmente meritório o trabalho dele no blog.
Mas eu já comentei no cidadania que acho que o processo é mais sutil. Isto é, as pesquisas Datafolha passariam por qualquer auditoria ou investigação. É que como nas circunstâncias atuais (por vários fatores conhecidos por quem as econcomenda e divulga) elas tendem a mostrar números melhores para o PSDB (no nível federal, não é o mesmo no estadual), são elas as preferidas por Sérgio Guerra no momento.
Suspeito que se Aécio fosse o candidato por um lado e um nome conhecido (como Ciro, p.ex.) do lado governista, as pesquisas Vox Populi seriam muito populares na mídia agora.
Eu não creio que haja manipulação técnica, mas entendo que haja malícia no uso. Isso em meses será um detalhe e em 2014 nao haverá problema : todos os candidatos importantes terão grande lembrança de nome.
Datafolha esta pagando mico lutando pelo serrinha,
mas eles acham que manda no voto do povo,
O POVO QUER DILMA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
enfim:
- considerando que 20% da população reside em área rural, teríamos de ter 20% dos entrevistados nos tais pontos de passagem como pessoas oriundos do meio rural que foram resolver algo em lugar urbano. coisa que não existe.
- mesmo que consideremos que as famílias compartilhem os celulares e aparelhos, é seguro afirmar que pelo menos 15 a 20% da população não tem acesso direto à telefonia.
uma pesquisa que dispensa estes 2 extratos da população tem sua validade para inúmeras situações. Mas para uma pesquisa de opinião para presidência é temerário.
Vide o que aconteceu na Colômbia, onde recentemente os institutos erraram feio justamente por deixarem de lado as áreas mais pobres e rurais.
A repercussão dessa pesquisa fajuta está durando mais nos blogs que no próprio jornal. A Folha recebeu a grana, fez o serviço e saiu de fininho no dia seguinte.
Bom dia!
Entre Vox Populi e Datafolha dá para recapitular as seguintes diferenças metodológicas:
- População rural na VP
- Disco com sigla do partido ao lado do nome na VP (a lembrança e associação de nome é importante. Observemos que em março/2009, na Datafolha, Serra tinha 45% no Nordeste vs 16% de Dilma. Um resultado desses depende exclusivamente de “recall”, não de inclinação política.)
- Maior percentual de escolarizados na DF (talvez mais influenciáveis pela mídia impressa)
- Pesquisas domiciliares vs pesquisas em pontos de movimento (solicitando telefone)
- Presença ou não de perguntas iniciais de aquecimento.
Então a semelhança entre os institutos fica apenas na ponderação regional, em que ambos seguem o IBGE e/ou TSE.
Eu creio que os outros fatores (especialmente a sigla PT no disco) são mais importantes que a questão do telefone. Há um movimento de conhecimento de uma candidata em curso e todas as diferenças metodológicas levam o DF a mostrar melhores resultados para quem é conhecido. Por isso nesse instituto a popularidade do Presidente não é subestimada (argumento muito usado em blogs), mas a candidatura Dilma sim. Se o candidato do PT fosse ainda o Lula e o candidato do PSDB fosse o apenas regionalmente conhecido Aécio, as implicações se inverteriam.
Não se trata de qualificar ou não institutos, mas perceber que no momento atual, com os nomes dados, as pesquisas Datafolha tendem a favorecer Serra em 4 ou 5% vis a vis Dilma. Se nesta pesquisa a diferença foi 7% não é tão surpreendente.
À medida em que houver uma disseminação do conhecimento dos nomes, o que ocorrerá com a campanha, os resultados do Datafolha se aproximarão aos demais e pode até ocorrer que nas últimas semanas esse instituto acerte mais o resultado efetivo das eleições (e aí será questionado por ter “ajustado” os resultados aos poucos, e o preço a pagar pelas escolhas metodológicas de agora.)
Eventualmente, se Dilma continuar favorita entre os de menor escolaridade (e vice-versa para Serra entre os de maior escolaridade e renda) alguma diferença entre institutos subsistirá (mas a campanha Dilma é mais homogênea em recortes de classe do que foram as de Lula.)
Mas o que importa saber agora é quem é mais capaz de antecipar os movimentos de mudança e tendência e, em função do exposto, aparentemente se trata do Vox Populi.
Não há muitas razões na campanha tucana para comemorar essa Datafolha. Nem é um empate propriamente dito, pois se olhamos o 2º turno, ou se somamos os votos de José Maria e Plínio aos de Dilma no 1º turno, em ambos os casos ela fica 1% à frente. Talvez seja uma das últimas pesquisas a apresentar empate técnico.
É como ver o movimento de duas pessoas em uma escada : esta é a “foto” (talvez defasada em algumas semanas) de quando ambas estão no mesmo degrau, mas a sequência é previsível. E os ritmos também, uma pessoa sobe de dois em dois lances, outra desce devagar.
O gráfico ficou pequeno no comentário, recoloco aqui.
Gunter Zibell,
Aproveito para chamar atenção para outro assunto. Enviei, sexta-feira, 23/07/2010 às 00:00, um comentário para o post “A economia informal brasileira” de quinta-feira, 22/07/2010 às 11:00 de autoria de Sérgio Troncoso aqui no blog do Luis Nassif e destinado a você em que coloquei algumas informações úteis para uma melhor compreensão da economia informal.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 26/07/2010
Olá Clever,
É que a matéria que o Sérgio postou não era completa. O texto no Brasil Econômico fazia claramente a seguinte analogia entre PIB e impostos : se o PIB formal é de XX e há 35% de impostos, se formalizarmos US$ 500 e tantos bi teremos mais US$ 200 bi de impostos. É claro que não é por aí, acho um absurdo alguém ter isso como objetivo implícito, por isso escrevi que economia informal é em muito (mas não no todo) fuga de impostos (mas fuga mais por sobrevivência de alguns tipos de serviços e segmentos produtivos.) Eu acharia bom uma formalização maior e uma carga tributária média menor, mas não acho um drama como é hoje (o que também merece um desconto : o que eu consideraria um "drama"?)
O IBGE não dá a entender se no PIB atual (de US$ 2 tri estimados para 2010) está incorporado o informal ou não. Isso alteraria os percentuais de que falamos, é claro, mas não muda a natureza do problema : a parte informal é subtributada vis-a-vis a parte formal.
Precisamos pesquisar esse ponto para outros objetivos, no entanto, como comparabilidade internacional. No blog antigo comentava um diretor técnico do IBGE, mas ele "sumiu" com a mudança.
x-x-x-x-x-x-x
Todos os posts antigos que eu quis achar do blog antigo achei no cache (o tal "cemitério de posts") O que nem sempre consigo é ver os comentários (meus inclusive) se houve mais de uma página deles. Não entendo muito disso, mas creio que se não houver custo de manutenção e se tanto o Nassif como o iG não fizerem um movimento a respeito, as páginas ficarão visíveis. E há os sites do tipo Google que gostam de guardar cópias de tudo porque lhes geram movimento.
Depois que algo é linkado na internet dificilmente desaparece. Mudei de telefone há uns 5 anos e até hoje recebo ligações para uma empresa que aparecia em páginas de internet com o meu número, e as pessoas comentam onde viram e tal. (Cada vez menos, é verdade, pois as páginas vão ficando velhas, pouco buscadas, e em baixa hierarquia no Google.)
Você está cadastrado no Portal? Se sim é mais fácil nos associarmos como amigos lá e trocar msgs. Eu posso tentar ajudar a localizar posts e comentários, mas vc previsa lembrar de palavras chaves importantes. O título do post é muito útil nessa hora.
Grande abraço.
Gunter Zibell (segunda-feira, 26/07/2010 às 21:35),
Obrigado pelas informações.
Quanto à economia informal o básico é a definição que se faz sobre ela. Como eu disse lá, qualquer que seja a definição, não dou a ela é muita importância.
Quanto ao PIB o básico é que ele é um cálculo estatístico que se calcula de vários modos (renda, despesa, produto), obedecendo uma metodologia, e que pela própria natureza do cálculo (renda das famílias, por exemplo) não há como separar o que é economia informal do que não é economia formal. E do resultado final só se abate um percentual que se convencionou considerar como sendo decorrente da economia criminosa (Que poderia ser formal, no caso do criminoso declarar a renda obtida com o crime, ou informal).
Clever Mendes de Oliveira
BH, 26/07/2010
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