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Raio X das religiões: os luteranosEnviado por luisnassif, ter, 03/08/2010 - 12:30Que tal uma boa aula sobre os diversos ramos do protestantismo.
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Comentários + votados
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Eduardo Gross
03/08/2010 - 02:40
Na europa, o luteranismo se desenvolveu a partir da Reforma, tendo por inspiração a obra de Lutero e seus colaboradores. Tendo sua origem na Alemanha, se espalhou por outros países, sendo que na...
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André
03/08/2010 - 11:35
Claro que os luteranos de hoje não têm absolutamente nada a ver com o que o fundador da Reforma fez no fim de sua vida, mas seria interessante saber como lidam com o incômodo fato de Martinho Lutero...
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Eduardo Gross
03/08/2010 - 12:26
Tanto as igrejas luteranas quanto as personalidades da Reforma cometeram inúmeros equívocos históricos e políticos. O referido escrito sobre os judeus, assim como os episódios em torno da revolta...
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Eduardo Gross
03/08/2010 - 14:04
O próprio link indicado corretamente afirma que Servet foi executado não pela inquisição, mas pelo tribunal de Genebra com o apoio do próprio Calvino. Embora esse não seja um evento ligado à história...
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D
03/08/2010 - 18:54
Vc tem razão, de manhã estive dando uma olhada em cultos luteranos e a semelhança com o ritual católico é evidente, vi velas, imagens, pastor usando batina que lembra padre católico,...
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Falcão
03/08/2010 - 20:13
O que este vídeo tem em relação a um artigo sobre os Luteranos ? Não há nada aqui falando sobre a seita universal o que torna tal vídeo completamente fora de contexto.
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antonio francisco
03/08/2010 - 00:54
Como todo mundo sabe, há 2 ramos de luteranismo no Brasil; a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, IECLB, oriunda da igreja alemã surgida com o próprio Lutero. E a Igreja...
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Fuhgeddaboudit™
03/08/2010 - 04:19
Simbolo da Liga de Leigos Luteranos do Brsil
Site: youtubevideo.isgoodness.com
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Fuhgeddaboudit™
03/08/2010 - 04:25
Carilhão - Igreja Luterana de Maringá
e entrada de fiés para o início do Culto
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Fuhgeddaboudit™
03/08/2010 - 04:32
Encontro de Corais - Curitba - Igreja Kuterana
Coral Madrigal de Santa Felicidade
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Fuhgeddaboudit™
03/08/2010 - 04:04
CREDO – VERSÃO EVANGÉLICA LUTERANA
O Catecismo Menor de Lutero, publicado pela Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, apresenta a seguinte tradução do Credo dos Apóstolos...
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Como todo mundo sabe, há 2 ramos de luteranismo no Brasil; a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, IECLB, oriunda da igreja alemã surgida com o próprio Lutero. E a Igreja de Confissão Luterana, que teve raízes nos Estados Unidos. Desta, conheci o pastor Merrell Wetzstein e seus familiares, gente muito boa, que aportaram em Belém para trabalhos de evangelização e depois retornaram aos EUA. Da outra, conheci vários bons cidadãos e bons brasileiros (e também, alemães), como o Pastor Baeske e o Pastor Richwin. Em Belém é reconhecido o trabalho multiconfessional iniciado pela pastora Marga Rothe com pessoas da periferia.
Para os que querem saber um pouco mais sobre o luteranismo, um bom filme é Lutero, que me impressionou muito.
EM QUE ACREDITAM OS CRISTÃOS LUTERANOS?
Confissão de Fé da Igreja Luterana de Portugal
A PALAVRA DE DEUS
A Igreja Luterana de Portugal crê que a Bíblia é a Palavra de Deus, inspirada e inerrante, autoridade infalível e guia para tudo o que se crê e faz, plenamente suficiente, ensinando-nos tudo o que necessitamos saber para nossa salvação em Cristo Jesus, habilitando-nos para toda a boa obra (II Tm. 3: 15, 17)
CONFISSÕES DE FÉ
A Igreja Luterana de Portugal, como igreja luterana confessional, subscreve as confissões de fé reunidas no Livro de Concórdia de 1580, nomeadamente: Os Credos Apostólico, Niceno e Atanasiano, a Confissão de Augsburgo, a Apologia da Confissão de Augsburgo, os Artigos de Esmalcalde (incluindo o Tratado sobre o Poder e Primazia do Papa), o Catecismo Menor de Lutero, o Catecismo Maior de Lutero, a Fórmula de Concórdia (Epítome e Declaração Sólida). Estas confissões são aceites, não na medida em que ("quatenus"), mas porque ("quia") são uma apresentação e exposição correcta da pura doutrina da Palavra de Deus.
A TRINDADE
A Igreja Luterana de Portugal crê que há um só Deus em três pessoas, Pai, Filho e Espírito Santo (Mat. 28: 19)
O HOMEM E O PECADO
A Igreja Luterana de Portugal crê que Deus criou o homem à Sua própria imagem, santo e justo; entretanto o homem pecou, trazendo sobre si a morte e a condenação; Pelo pecado, o homem tornou-se morto em delitos e pecados, não podendo, por sua própria razão ou força, salvar-se (Gén. 1: 27; 2: 7; Salmo 51: 5; Efésios. 2:1).
A SALVAÇÃO
A Igreja Luterana de Portugal crê que Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o Seu filho unigénito à morte, para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (João 3: 16)
A JUSTIFICAÇÃO
A Igreja Luterana de Portugal crê que Deus, graciosamente, por causa de Jesus Cristo, justifica os pecadores, mediante a fé; esta fé justifica, sem qualquer mérito da nossa parte, mas por causa de Jesus Cristo (Rom. 1: 17; Ef. 2: 8, 9)
A SANTIFICAÇÃO
A Igreja Luterana de Portugal crê que todos os verdadeiros cristãos devem ser activos em boas obras (II Cor. 7: 1; Ef. 2: 10; I Ped. 1: 15, 16)
A IGREJA
A Igreja Luterana de Portugal crê que há uma única Igreja Cristã, cuja cabeça é Cristo, constituída por todos os que verdadeiramente crêem em Jesus Cristo como seu Salvador. Todos os cristãos são sacerdotes e reis diante de Deus. Todos os crentes têm acesso directo e igual à graça de Deus, por intermédio de Cristo, nosso único Mediador (Mateus 18: 20; I Cor. 3: 16; Gálatas. 3: 26; I Pedro. 2: 9)
OS SACRAMENTOS
A Igreja Luterana de Portugal crê que Jesus Cristo instituiu dois sacramentos: o Baptismo e a Santa Ceia. Os luteranos baptizam crianças e adultos não baptizados e comungam o corpo e o sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiramente presentes em, com e sob o pão e o vinho distribuídos a todos os crentes baptizados (Mateus. 28: 19, 20; I Coríntios: 11: 23-29)
A SEGUNDA VINDA DE JESUS CRISTO
A Igreja Luterana de Portugal crê que Jesus Cristo voltará em glória, no fim dos tempos, para julgar os vivos e os mortos. Deus criará então Novos Céus e Nova Terra, onde viverão os salvos eternamente, na presença de Deus (Actos. 1: 11; 2 Pedro. 3: 13; Apocalipse. 1: 7, 8; Apocalipse. 21: 1-8)
Porto, 6 de Fevereiro de 2010
Porto, February 6th, 2010
Fonte: http://www.igrejaluterana.com/index
Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.
Na europa, o luteranismo se desenvolveu a partir da Reforma, tendo por inspiração a obra de Lutero e seus colaboradores. Tendo sua origem na Alemanha, se espalhou por outros países, sendo que na Escandinávia chegou a ser a doutrina das igrejas do estado. Também na Alemanha esta era a situação em alguns estados, antes da unificação alemã no final do século XIX. Migrações levaram o luteranismo a outros países, destacando-se em contingente os Estados Unidos. Também houve atividades missionárias e diacônicas, mas o luteranismo nunca se distinguiu por proselitismo.
No Brasil há duas igrejas luteranas maiores, a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) e a Igreja Luterana do Brasil (IELB). Ambas se constituíram a partir de grupos de imigrantes, principalmente alemães. Por isso, até hoje há mais luteranos nas regiões brasileiras em que houve mais imigração de contingentes alemães. Na tipologia do protestantismo brasileiro, se enquadram no que se chama de "protestantismo de migração". Para o surgimento destas igrejas concorreu o auxílio de igrejas alemãs (no caso da IECLB) e americana (no caso da IELB). A IECLB surgiu a partir da unificação de várias instituições menores durante o século XX (para história mais detalhada e atualidade, cf. www.luteranos.com.br). Esta história de unificação continuou um processo ecumênico que já ocorrera na Europa anteriormente, em que igrejas luteranas e calvinistas alemãs se uniram no século XIX. A IELB se desmembrou de sua igreja mãe nos EUA também durante o século XX (detalhes sobre esta igreja em www.ielb.org.br). O contingente de luteranos do Brasil deve estar por volta de 2 milhões de fiéis.
O luteranismo se entende como parte da igreja cristã, assumindo como sua a tradição do cristianismo antigo, entendendo o processo de reforma ocorrido no século XVI como uma revitalização desta tradição. Central na sua interpretação do cristianismo é a "doutrina da justificação por graça e fé", que pode ser sintetizada em rápidos traços como a compreensão de que Deus, em Cristo, é o promotor exclusivo da obra redentora, não sendo esta obra humana (em termos de ação moral, cúltica ou racional). Ao ser humano cabe aceitar pela fé essa graça imerecida, vivendo de acordo com a vontade divina não para com isso conquistar algo, mas como sinal de gratidão a Deus e testemunho aos semelhantes.
Em princípio, a teologia luterana dá mais espaço a elementos simbólicos e litúrgicos do que a teologia calvinista, que influenciou mais a maioria das igrejas do protestantismo de missão no Brasil. Mas, como todo grupo religioso constituído na modernidade, concepções teológicas distintas animam a vida do luteranismo brasileiro. Há tendências de esquerda, cuja referência inicial foi a teologia da libertação e que hoje se expressam também em teologia feminista, teologia "queer", movimentos de apoio a pequenos agricultores e sem-terra; há tendências evangelicais, que enfatizam a piedade e o comprometimento de fé pessoal; há tendências carismáticas, que se aproximam bastante do mundo pentecostal; há tendências de cunho dogmático ortodoxo, que buscam remeter à tradição dos textos de Lutero e dos reformadores de um modo mais literal; e há tendências de "centro", mais preocupadas com a continuidade da vivência religiosa tradicional do que com engajamentos muito pronunciados. Há mais manifestação de diversidade de tendências na IECLB, igreja moldada desde sempre por tensões e pluralidade, a partir da sua constituição por instituições diversas. Também esta igreja participa mais ativamente do movimento ecumênico (dentre outras instituições, participa do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs e do Conselho Mundial de Igrejas).
O fato de suas igrejas terem sido uma construção que surgiu de baixo para cima deu ao luteranismo brasileiro um caráter menos episcopal do que é o caso na Europa e nos EUA. A influência dos fiéis nas decisões da vida das comunidades, especialmente no que se refere às finanças de cada comunidade, é muito forte. Popularmente, há uma certa disseminação da noção de que pastores e pastoras são empregados das comunidades.
OS LUTERANOS NO BRASIL
Obs.: Há controvérsias s/ Vera Fischer e E. Geisel (ver texto abaixo, ou em PDF)
Segundo dados levantados em 2000, a quarta universidade entre todas as universidades brasileiras em termos de número de alunos (e a terceira entre as particulares) chama-se Universidade Luterana do Brasil(ULBRA), cuja mantenedora é uma comunidade ligada à IELB8. O primeiro curso de pós-graduação em Teologia reconhecido pela CAPES foi o da Escola Superior de Teologia da IECLB, em São Leopoldo, que na avaliação de 2001 obteve nota 7, colocando-se entre os 48 (de um total de1.544) cursos/programas com essa nota, única nota máxima nas áreas de Teologia /Filosofia.
Num programa Roda viva, da TV Cultura de São Paulo, no qual foi entrevistado o sociólogo José de Souza Martins a respeito da questão agrária no Brasil, ele, ao falar das instâncias envolvidas no processo de reforma agrária, citou o governo, o MST, os católicos e, em quarto lugar, os luteranos.
Num programa Roda viva, da TV Cultura de São Paulo, no qual foi entrevistado o sociólogo José de Souza Martins a respeito da questão agrária no Brasil, ele, ao falar das instâncias envolvidas no processo de reforma agrária, citou o governo, o MST, os católicos e, em quarto lugar, os luteranos.
Em todos esses casos, deve-se levar em conta que a aparente importância deriva provavelmente mais da projeção e da qualidade das respectivas instituições - e eventualmente de algumas lideranças - do que dos luteranos como um grupo específico da sociedade brasileira. Cidadãos confrontados com sua “luteranidade”, muitas vezes a depreciam muito mais do que destacam. Quando, em 1983, foi festejado o 500º aniversário de Lutero, também a imprensa brasileira dedicou algum espaço ao tema. A revista Isto É, depois de falar do reformador, voltou-se para os luteranos no Brasil.
Líderes eclesiásticos, naturalmente, deram destaque à sua atuação e aos projetos de expansão de suas igrejas, mas os demais luteranos entrevistados tentaram antes minimizar a importância de seu pertencimento a essa confissão religiosa.
O deputado federal sul-rio-grandense Siegfried Immanuel Heuser afirmou que, de forma alguma, devia sua eleição aos fiéis luteranos, mas sim a um eleitorado neutro do ponto de vista religioso; sobre o então já ex-presidente Ernesto Geisel, o texto redacional disse que se tratava de uma figura de luterano clássico; ele próprio, porém, destacou que nunca foi um luterano militante, a ponto de nem ter sido confirmado; a ex- Miss Brasil Vera Fischer, questionada sobre sua condição de luterana, respondeu que não se lembrava, em absoluto, se alguma vez militara na Juventude Evangélica - na qual, efetivamente, militou
Mesmo que a famosa tese weberiana sobre a ética protestante se refira concretamente aos calvinistas, a relação entre luteranismo e desenvolvimento econômico no Brasil tem sido aventada. Um estudo sobre Santa Cruz do Sul entre o início da sua colonização na metade do século XIX e 1930 mostrou claramente que os principais empreendimentos estiveram em mãos de luteranos, mesmo que no ponto de partida não tenha sido possível constatar diferenças entre a qualidade da terra e, portanto, a riqueza dos colonos.
Em 1892, havia 14 “indústrias”, das quais 10 pertenciam a luteranos,3 a católicos, e a filiação religiosa de um dos “industriais” não foi possível estabelecer. Em 1895, 73% da força motriz estava instalada em empresas de luteranos. Em 1902, dos 15 empreendimentos que mais impostos pagavam, 12 estavam em mãos de luteranos.
Uma estatística industrial de 1916 mostrou que 66% do capital investido pertencia a luteranos e apenas 28% a católicos; na mesma época, 73% da produção era creditada a luteranos e só 22% a católicos. A Associação Comercial e Industrial local tinha, em 1924, na sua diretoria, 14 luteranos e 2 católicos54. Um historiador constatou que em Blumenau uma série de iniciativas
de caráter econômico muito importantes partiu de luteranos. Foi um luterano que, em 1903, introduziu o primeiro automóvel, um luterano abriu, em 1904, o primeiro cinema, inaugurou em 1907 a estrada de ferro Blumenau-Ibirama - muito importante para a economia local -, criou, em
1909, a Companhia Força e Luz e colocou em funcionamento, em 1935, o primeiro transmissor de rádio55.
Além disso, ele cita um historiador local de acordo com cujas pesquisas a maioria absoluta dos comerciantes, em 1920, era composta de luteranos. Os luteranos também se teriam dedicado com muito mais afin co do que os católicos à construção de escolas, assim que teriam sido os
principais portadores de ideais de modernização56.
Na União Popular dos católicos de origem alemã do Rio Grande do Sul sempre de novo se fizeram ouvir vozes que lamentavam que os agricultores católicos não conseguiam atingir o mesmo nível de vida que os luteranos.
O principal mentor intelectual da União Popular, padre Teodoro Amstad, escreveu em suas memórias que na colônia confessionalmente mista de Nova Petrópolis os luteranos superavam os católicos “também no concernente à sua colocação social e quanto às posses”. Outros, como o influente jornalista Hugo Metzler, manifestaram-se de forma muito semelhante em relação a todo o interior do Rio Grande do Sul57.
Mesmo assim, essa questão não está decidida. Se a tese do protestantismo mostra eficácia para um estudo limitado a Santa Cruz do Sul, ela não se sustenta, sem mais nem menos, numa comparação entre Santa Cruz do Sul e Caxias do Sul, por exemplo.
Caxias do Sul, apesar de sua colonização ter iniciado cerca de 25 anos depois da de Santa Cruz e apesar de ter sido realizada por italianos católicos, e ainda localizar-se em terras menos próprias para a agricultura, teve um crescimento muito mais vertiginoso do que a primeira.
A história de São Leopoldo, durante a República Velha, mostra claramente que os luteranos se empenharam muito na luta pelo poder local. Foi interessante constatar que a clivagem política local de todo o período transcorreu ao longo de uma linha religiosa.
De um lado, estavam os luteranos e os maçons - que em grande parte eram luteranos, mas também tinham adeptos entre os católicos - e, de outro, aqueles que se consideravam bons católicos. Além disso, foi interessante constatar que durante a Primeira Guerra os luteranos perderam um pouco de terreno, depois disso, porém, começaram - de forma consciente ou não - a ocupar todos os espaços da sociedade local: a diretoria da Associação Comercial e Industrial, mas também das diretorias dos clubes recreativos, por exemplo. E isso num município em que eles estavam longe de constituir uma maioria esmagadora
A história de São Leopoldo, durante a República Velha, mostra claramente que os luteranos se empenharam muito na luta pelo poder local. Foi interessante constatar que a clivagem política local de todo o período transcorreu ao longo de uma linha religiosa.
De um lado, estavam os luteranos e os maçons - que em grande parte eram luteranos, mas também tinham adeptos entre os católicos - e, de outro, aqueles que se consideravam bons católicos. Além disso, foi interessante constatar que durante a Primeira Guerra os luteranos perderam um pouco de terreno, depois disso, porém, começaram - de forma consciente ou não - a ocupar todos os espaços da sociedade local: a diretoria da Associação Comercial e Industrial, mas também das diretorias dos clubes recreativos, por exemplo. E isso num município em que eles estavam longe de constituir uma maioria esmagadora.
Os católicos de fala alemã do Rio Grande do Sul criaram, na segunda década do século XX, uma associação de caráter socioeconômico e religioso nos moldes da União Popular alemã63. Antes disso, os luteranos haviam participado de uma associação ecumênica, que foi dissolvida em torno de 1910, mas no final de 1920 foi criada sob sua influência a Liga das Uniões Coloniais.
Como os luteranos, por razões doutrinárias, não aceitavam nem política nem economia luteranas, a Liga, oficialmente, não era confessional ou étnica, como a União Popular, de fato, porém, estava dominada pelos luteranos. Ao contrário da União Popular, a Liga se entendia como sindicato, que barganhava com o Estado, enquanto a outra não se cansava de destacar sua autonomia em relação ao Estado. A Liga, portanto, representava um outro capítulo interessante da luta dos luteranos pela sua cidadania.
Enquanto essas formas de relacionamento com o Estado, muitas vezes, procuravam mostrar uma certa restrição à atividade político-partidária, as perseguições durante a Segunda Guerra levaram, compreensivelmente, a um certo fortalecimento do luteranismo.
Para Santa Catarina, onde essa campanha foi mais incisiva, os números dos membros do sínodo luterano local mostraram um crescimento de membros de 18% entre 1940 e 1946.65 No Rio Grande do Sul, foi, pela primeira vez, tentado eleger uma significativa bancada luterana para o parlamento regional, uma tentativa relativamente bem sucedia, pois puderam ser eleitos 7 deputados luteranos de diversos partidos num total de 55.
Mesmo que não existam pesquisas sobre as eleições seguintes, parece que depois disso se parou, novamente, de fazer política explicitamente luterana, como indicam as citadas manifestações de 1983. Caberia investigar a participação efetiva dos luteranos na política desde então.
Deve-se apontar ainda para um outro aspecto da inserção dos luteranos no aparelho de Estado brasileiro: a participação na luta pela manutenção da laicidade da República brasileira.
Um exemplo: em 1925, por ocasião de uma reforma da Constituição brasileira, foram apresentadas duas emendas que pretendiam favorecer
o catolicismo - permitir o ensino religioso nas escolas públicas e declararo catolicismo como a religião da maioria do povo brasileiro. Em
Porto Alegre, criou-se um Comitê Pró-Liberdade de Consciência, que sepropôs a lutar contra a aprovação dessas emendas. O Comitê era liderado por positivistas, maçons, espíritas e metodistas. Mesmo que a direção do Sínodo Riograndense (luterano) se tenha feito apenas representar no Comitê, através de um metodista, e que tenha manifestado sua oposição através de um telegrama ao presidente do Congresso Nacional, é interessante que a Ordem Auxiliadora de Senhoras da comunidade luterana de Pelotas se tenha engajado na luta local contra as emendas e que o intendente luterano de Lajeado tenha feito publicar um manifesto nos jornais de Porto Alegre no mesmo sentido67.
***
Os aspectos destacados em relação aos luteranos no Brasil nosúltimos 175 anos não permitem traçar um quadro linear de sua trajetória. Eles - ou parte deles - certamente tiveram um papel modernizador em certos momentos e sob certos pontos de vista, mostraram-se conservadores e mesmo reacionários em outros, contribuíram para a construção de importantes instituições.
Possivelmente não tenham sido muito diferentes do que toda a história do gênero humano: tiveram altos e baixos, avanços e recuos, contribuíram com papéis e obras mais e menos edificantes. - E talvez não tenham sido tão exóticos quanto ainda aparecem hoje para muitos cidadãos brasileiros.
Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.
Foto de Cemitério Luterano no RS
O anjo segura uma faixacom epitáfio em alemão:
Abençoados são os que morrem no senhor
Obs.: O céu azul, acredite quem quiser, é natural sem uso de filtros ou edição digital. Saiu assim em todas as fotos do dia,
Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.
SELO DO LUTERISMO
Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.
Errata: Selo de LUTERO
Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.
CREDO – VERSÃO EVANGÉLICA LUTERANA
O Catecismo Menor de Lutero, publicado pela Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, apresenta a seguinte tradução do Credo dos Apóstolos dividido em três artigos:
Creio em Deus Pai, todo-poderoso,
Criador do céu e da terra.
E em Jesus Cristo, seu Filho unigênito, nosso Senhor,
o qual foi concebido pelo Espírito Santo,
nasceu da virgem Maria,
padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos,
foi crucificado, morto e sepultado,
desceu ao mundo dos mortos,
ressuscitou no terceiro dia,
subiu ao céu,
e está sentado à direita de Deus Pai, todo-poderoso,
de onde virá para julgar os vivos e os mortos.
Creio no Espírito Santo,
na santa Igreja cristã,
na comunhão dos santos,
na remissão dos pecados,
na ressurreição do corpo
e na vida eterna. Amém.]
Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.
Simbolo da Liga de Leigos Luteranos do Brsil
Site: youtubevideo.isgoodness.com
Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.
Carilhão - Igreja Luterana de Maringá
e entrada de fiés para o início do Culto
Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.
Encontro de Corais - Curitba - Igreja Kuterana
Coral Madrigal de Santa Felicidade
Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.
Pancadaria durante o exorcismo
O que este vídeo tem em relação a um artigo sobre os Luteranos ? Não há nada aqui falando sobre a seita universal o que torna tal vídeo completamente fora de contexto.
http://josecarloslima3.blogspot.com/
Claro que os luteranos de hoje não têm absolutamente nada a ver com o que o fundador da Reforma fez no fim de sua vida, mas seria interessante saber como lidam com o incômodo fato de Martinho Lutero ter escrito em 1543 o tratado "Dos Judeus e Suas Mentiras" (Von den Juden und ihren Lügen), que pregava, entre outras coisas, que as propriedades e riquezas de judeus deveriam ser confiscas e os livros sagrados, queimados junto com sinagogas e escolas judaicas.
Deixo aqui claro que este questionamento não possui qualquer intenção de discriminação religiosa, até porque as grandes religiões do mundo possuem seus episódios não tão nobres e hoje incômodos, vide Igreja Católica medieval (não sendo por acaso que de seu comportamento surgiu a Reforma).
Rastreado 24 horas/dia via patrulha ideológica
Tanto as igrejas luteranas quanto as personalidades da Reforma cometeram inúmeros equívocos históricos e políticos. O referido escrito sobre os judeus, assim como os episódios em torno da revolta dos camponeses são motivo para auto-crítica da tradição luterana. Estas passagens, entretanto, não refletem o que é central para a compreensão do luteranismo: a crítica à visão mediadora sacramental da instituição eclesiástica, a valorização da liberdade ativa do ser humano (não para atingir a justificação diante de Deus, mas para a ação no mundo) e a superação da noção de graus distintos entre os fiéis, afirmando o que se chama de "sacerdócio universal" (isto é, religiosos não estão mais próximos do cumprimento da vontade divina do que os demais batizados) são convicções que ajudam melhor a perceber o que é mais essencial.A compreensão de que "a igreja sempre tem de ser reformada" impede uma glorificação do passado, inclusive de suas personalidades ilustres como o próprio Lutero, que nada mais foi do que um pecador a mais - embora com a coragem que possibilitou que sua atuação contribuísse decisivamente para a transformação do mundo ocidental. Essa noção auto-crítica dos luteranos em relação à sua igreja se reflete na pequena visibilidade que os luteranos dão à sua instituição. Também isso manifesta um dos elementos centrais das idéias do próprio Lutero, a da crítica ao que ele chamava de "teologia da glória", e o favorecimento de "teologia da cruz": Deus não age ali onde está o esplendor, mas age "sub contrario", escondido, em meio à dor e ao sofrimento.
Quem? entregou o Miguel de Servet para a inquisição?.
http://usuarios.cultura.com.br/jmrezende/Servet.htm
O próprio link indicado corretamente afirma que Servet foi executado não pela inquisição, mas pelo tribunal de Genebra com o apoio do próprio Calvino. Embora esse não seja um evento ligado à história do luteranismo, também ele mostra a ambiguidade humana em meio à qual se dá o exercício da religião. Em geral, o calvinismo pode ser considerado mais moderno do que o luteranismo - Calvino era favorável à cobrança de juros, enquanto Lutero defendia a posição mais medieval contrária a esta prática; Lutero manteve a estrutura simbólica e litúrgica anterior de modo mais forte do que os reformados calvinistas; a ação social e política dos calvinistas foi mais dinâmica, enquanto que a dos luteranos tendia a manter mais fortemente uma visão hierárquica, estamental, da estrutura social. Calvinistas, luteranos e católicos romanos perseguiram e executaram anabatistas, o que mostra que a própria Reforma não pode ser idealizada ou glorificada. Exemplos de tais atrocidades e erros ideológicos não podem de forma alguma ser esquecidos, mas tem de ser ponto de partida para auto-crítica de qualquer tradição religiosa. Entretanto, caso se focalize apenas esses desvios se perdem as contribuições que personalidades e movimentos religiosos efetuaram na história. No caso de Lutero, o posicionamento contrário aos rebelados no caso da Revolta dos Camponeses é o momento mais criticável em sua atuação.
para conhecer mais a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) entrem no site www.luteranos.com.br
Interessante como Weber alinha o luteranismo com o catolicismo quando estudou as razões pelas quais algumas sociedades se desenvolviam economicamente mais do que outras.
"O livro “A ética protestante e o Espírito do Capitalismo”, se origina da união de dois longos artigos publicados pelo autor nos anos de 1904 e 1905, sendo que no artigo intitulado “Espírito do Capitalismo”, o autor retrata suas observações quanto ao fato de em sua maioria, os homens de negocio, os grandes capitalistas, os operários de alto nível e o pessoal especializado do período pertencerem a religião protestante (Calvinista), e através do isolamento de suas características em comum e estabelece um “tipo ideal de conduta religiosa”, que consiste na elaboração limite de algo, vazio a realidade concreta. Com a publicação da Ética Protestante, o criador da obra literária expõe suas observações visando explicar a existência de algo em quem professa o protestantismo, em particular a doutrina protestante de linha Calvinista, que se distingue por santificar a vida diária em contraposição à contemplação do divino, condição que favorece o espírito capitalista moderno, notoriamente o alemão, ou seja, o autor busca idealizar, identificar, o tipo ideal de conduta religiosa, em oposição ao conceito pregado pela Igreja Católica, que na época por meio do conceito da piedade popular católica e da espera da recompensa na vida após a morte; e a mensagem protestante de linha Luterana, que acredita que o homem já nasce predestinado a salvação, condutas que repugnavam a obtenção do lucro e que deste modo iam de encontro ao ideal burguês. "
Aviso aos navegantes: postei o texto acima por ser mais simples e, para o caso, bastante objetivo.Esse texto completo está em
http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20070923122118AARwKtm
Quem quiser ir um pouco mais adiante no assunto, pode ler, por exemplo, uma interlocução de Weber com o pensamento de Nietzsche, quando diz do tal desencantamento do mundo:
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0011-52582006000300003&script=sci_arttext
Boa brother, valeeeu!
ANTIFA!
Recentemente fui a um casamento em igreja luterana em Cuiabá e me surpreendeu como quase toda igreja era de 'loiros' em uma cidade em que quase todos são 'morenos'..... Depois me comentaram que a comunidade luterana é quase toda de descendentes de alemães, inclusive os migrantes do sul que se estabeleceram em MT....
O ritual me pareceu muito parecido com o católico.
AF
Vc tem razão, de manhã estive dando uma olhada em cultos luteranos e a semelhança com o ritual católico é evidente, vi velas, imagens, pastor usando batina que lembra padre católico, talvez isso se explique, mulheres usando trajes normais como calça, estas coisas me chamaram a atenção
Eu gosto do pai nosso rezado por eles, pela sua concisão.
Começa com um "Vater unser im Himmel" (Pai Nosso no Céu) que mais direto é impossível.
Mas, o que não foi dito ainda por aqui é que os luteranos foram (segundo se conta, mas nunca apareceu neste blog, se não estou enganado) imprescindíveis no convencimento ao Geisel de que o Brasil como estava (torturas, etc, no regime militar) não podia continuar.
Alguém aí sabe mais alguma coisa sobre isto?
Olá. Gostei muito dessa página. E quanto ao comentário acima sobre o Geisel, fiquei curiosa também por saber. Sou historiadora e em minhas leituras nunca ouvi algo a respeito. Quem souber de algo, por gentileza, publique.
Bjs
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