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Políticas sociais para reinventar o capitalismoEnviado por luisnassif, sex, 27/01/2012 - 13:48Coluna Econômica - 27/01/2012 Mais influente colunista de economia do planeta, em sua última coluna Martin Wolff – do Financial Times – relaciona “Sete Lições Para Salvar o Capitalismo”. Trata-se, provavelmente, do mais importante documento até agora gerado pelo advento da crise econômica. E explica a razão de Lula ter se convertido em um dos líderes mais influentes da atualidade e o Brasil em modelo de desenvolvimento. Primeira lição: acabar com o mito da estabilidade inerente. Períodos de estabilidade e prosperidade plantam as sementes da crise futura, ao abrir espaço para o endividamento crescente, visando aproveitar as oportunidades de lucro. Segunda lição: dando um jeito nas finanças. O sistema financeiro precisa ser supervisionado como um todo. O governo e suas agências - incluindo o Banco Central - atuaram como força desestabilizadora, antes da crise. Os BCs reagindo com extrema agressividade a recessões incipientes e os governos estimulando o endividamento familiar. Erros que não podem ser repetidos. Terceira lição: desigualdade e desemprego. Wolff propõe uma redistribuição fiscal explícita, redistribuindo recursos dos vencedores para os perdedores, subsidiando ou oferecendo postos de trabalho, esforçando por melhorar a qualidade da educação, cuidando da infância, inclusive com financiamento público de acesso ao ensino superior, e sustentando a demanda de forma mais eficaz em meio a crises graves. Quarto ponto: governança empresarial. Nos últimos anos prosperaram as chamadas companhias sem dono, com capital diluído e sendo comandadas por CEOs. E com práticas que incentivavam movimentos especulativos. Wolff entende que o controle pelos acionistas é uma ilusão e as práticas de maximização do valor da empresa, muitas vezes uma armadilha. Sugere acordos de remuneração transparentes e criação de conselhos de administração genuinamente independentes, diversificados e bem informados. Quinto ponto: importância da tributação. Sugere transferir a carga tributária para o consumo e a riqueza, através de cooperação internacional para controlar os estratagemas para fugir à tributação. Sexto ponto: relação entre os ricos e a política democrática. Para proteger a política do mercado é necessária a regulamentação do financiamento privado de campanha e a disponibilização de recursos públicos para os partidos. "É inescapável ao menos um financiamento público parcial de partidos e eleições". Sétimo ponto: a globalização dos bens públicos. Regulamentando as empresas que operam em vasta escala mundial. Ou se acaba com a globalização financeira, ou se monta um apoio à regulamentação em níveis mais elevados e se avança para uma política mundial mais integrada. O desafio será como oferecer uma série de bens públicos mundiais através de acordo entre Estados distintos. Wolff termina com uma declaração de fé no capitalismo. "É a base da prosperidade que tantos hoje desfrutam e a que muitos mais aspiram. Está transformando a vida de bilhões de pessoas. Esforcemo-nos para torná-lo melhor".
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Comentários + votados
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Assis Ribeiro
27/01/2012 - 07:13
Uma contribuição para o ítem: Quarto ponto: governança empresarial.
Diagnóstico analítico. Alguns traços de personalidade das corporações.
Um desinteresse insensível pelos sentimentos dos...
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Assis Ribeiro
27/01/2012 - 07:19
Uma contribuição ao ítem: Sétimo ponto: a globalização dos bens públicos.
..."desenvolver uma elaboração teórica – acompanhada de uma defesa militante – que trate os “bens comuns” como uma categoria...
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Assis Ribeiro
27/01/2012 - 07:29
Em relação à: Wolff termina com uma declaração de fé no capitalismo. "É a base da prosperidade que tantos hoje desfrutam e a que muitos mais aspiram. Está transformando a vida de bilhões de pessoas....
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drigoeira
27/01/2012 - 08:15
Agradeço por relembrar dos mitos do capitalismo.
Bom que seu comentário vai ficar, acho que não deve virar post, pois assim permanece destruindo a ideia mágica do capitalismo.
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Clever Mendes de Oliveira
27/01/2012 - 10:47
Guttemberg (sexta-feira, 27/01/2012 às 10:22),
Cada juiz uma sentença que deve guardar relação com a ideologia do juiz. Foi disso que eu tratei no comentário que enviei para você junto ao post “A...
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Cláudia Stefani
27/01/2012 - 14:41
Lula pode ser até admirado pelos que pensam como Martin Wolff já que, de fato, muito do que ele propõe caberia perfeitamente num discurso de Lula. Penso, no entanto, que, se veem...
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Raí
27/01/2012 - 17:51
Caro Armando, quando você "acordar"destes seus "10 anos de sono"e lembrar do Brasil de 2001, e ver como está agora, após estes últimos 10 anos, iniciados na 1ª adm. Lula; Ratificada no 2º mandato;...
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Roberto São Paulo-SP 2012
27/01/2012 - 09:08
...23. O Copom considera que, desde sua última reunião, os riscos para a estabilidade financeira global se mantiveram elevados e teve continuidade o processo de deterioração do cenário internacional...
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Roque
27/01/2012 - 07:32
He,he,he... Boaventura dos Santos, ontem, no Forum social, teve uma manifestação parecida. Aos dois nós devemos lembrar que nós temos outra sensibilidade porque fomos "movidos" pelos movimentos...
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Assis Ribeiro
27/01/2012 - 07:36
O texto é sobre “Sete Lições Para Salvar o Capitalismo” de Martin Wolff.
Como contraponto apresento outro texto:
12 Mitos do Capitalismo
São muitos e variados os tipos e meios de...
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Leonardo Ja.
27/01/2012 - 08:16
Ao lerem este artigo, os deuses deram uma gargalhada homérica e morreram de tanto rir.
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Funny Valentine
27/01/2012 - 08:23
Sete lições para salvar o Capitalismo ?Tô fora. Deve ser uma boa leitura para quem deseja salvá-lo. Depois dele o mundo virou um "salve-se quem puder", então ele que faça o mesmo e se salve! (...
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armando botelho
27/01/2012 - 08:44
Ficamos aqui pensando como somos um modelo de progresso comandado por Lula, se não conseguimos melhorar nossos índices sociais nestes últimos 10anos , mesmo com um panorama totalmente favorável ....
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TGS
27/01/2012 - 09:06
Só uma coisa: ele aduz "os governos estimulando o endividamento familiar. Erros que não podem ser repetidos". Não é, exatamente, o que está acontecendo no Brasil, de forma reiterada? Desde a época do...
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Calvin
27/01/2012 - 11:01
Wolf diz o que está claro: a culpa da crise não foi o capitalismo, mas a desídia dos governos em regula-lo.
Esses que o criticam, precisam dizer o que por no lugar, e que já não tenha falido antes.
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JB Costa
27/01/2012 - 11:49
Armando,
Você e outros comentaristas que seguem rigorosamente o mesmo script são uns felizardos: enquanto os demais fritam os miolos tentanto analisar os temas dos posts para oferecer alguma...
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Clever Mendes de Oliveira
27/01/2012 - 12:22
Assis Ribeiro (sexta-feira, 27/01/2012 às 08:13),
Valeu os seus comentários complementando este post "Políticas sociais para reinventar o capitalismo"de sexta-feira, 27/01/2012 às 08:00 e consistindo...
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maurobrasil
27/01/2012 - 14:32
Esse pessoal, incluindo o Nassif, passa batido num ponto que me parece fundamental...
O setor de serviços vai absorver cada vez mais gente, isso é fato!
Mas o que deveria ser óbvio, mas o...
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Uma contribuição para o ítem: Quarto ponto: governança empresarial.
Diagnóstico analítico. Alguns traços de personalidade das corporações.
O diagnóstico desses traços de comportamento é psicopatia.
Mesmo com este diagnóstico são elas que governam o mundo, monopolizam os recursos, agem com impunidade, influenciam o processo político, irradiam a propaganda enganosa, fabricam o “consentimento” e, por lei, podem viver para sempre.
Por intermédio de uma intensa prática de lobby, as corporações coagem os elaboradores de políticas de governo a aprovar brechas fiscais, tornar mais frouxas as leis ambientais e criar outros benefícios para que os lucros possam ser maximizados e os custos cobertos por outras pessoas. Essa técnica de externalização requer uma íntima ligação entre as corporações e os governos.
“Enigma do Mineiro de Carvão”
Assis Ribeiro
Assis Ribeiro (sexta-feira, 27/01/2012 às 08:13),
Valeu os seus comentários complementando este post "Políticas sociais para reinventar o capitalismo"de sexta-feira, 27/01/2012 às 08:00 e consistindo da Coluna Econômica de Luis Nassif do dia 27/01/2012. Complemento que incluiu a transcrição do artigo, "12 Mitos do Capitalismo", indicando também o link para o artigo e que faz um bom contraponto ao artigo de Martin Wolf.
A lembrar que o texto de Martin Wolf também foi motivo de um post ontem aqui no blog de Luis Nassif intitulado "As receitas de Martin Wolff e o exemplo brasileiro"de ontem, quinta-feira, 26/01/2012 às 16:31 e para o qual comecei a fazer um comentário ontem, mas só o enviei hoje sexta-feira, 27/01/2012 às 01:32 da madrugada. Embora hoje goste mais de Martin Wolf do que há mais tempo, indiquei em meu comentário uma resenha sobre o livro dele "Porque o capitalismo funciona"que serve um pouco de contraponto as idéias de Martin Wolf. O endereço do post "As receitas de Martin Wolff e o exemplo brasileiro"é:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/as-receitas-de-martin-wolff-e-o-exemplo-brasileiro
E aproveito para deixar um link também para o artigo de Martin Wolf. O artigo "As 7 lições para consertar o capitalismo"foi publicado no jornal Valor Econômico de ontem, 26/01/2012, mas tem o acesso restrito a assinantes, e por isso deixo o link que eu encontrei no site Transparência Capixaba:
http://www.transparenciacapixaba.org.br/artigo-detalhe.aspx?verArtigo=AS+7+LICOES+PARA+CONSERTAR+O+CAPITALISMO*
Quanto ao final do artigoem que Martin Wolfdiz:
"Mas capitalismo precisa continuar sendo capitalismo. É extremamente imperfeito. Mas também somos imperfeitos. O capitalismo continua sendo um sistema econômico excepcionalmente flexível, ágil e inovador. Pode estar "em crise" agora. Mas continua sendo uma das invenções mais brilhantes da humanidade. É a base da prosperidade que tantos hoje desfrutam e a que muitos mais aspiram. Está transformando a vida de bilhões de pessoas. Esforcemo-nos para torná-lo melhor"
E que Luis Nassif resumiu como sendo uma declaração de fé de Martin Wolf no capitalismo, eu concordo com Martin Wolf no que diz respeito à flexibilidade do capitalismo e concordo também que devemos trabalhar para melhorar o sistema capitalista. Penso, entretanto, que o aperfeiçoamento do capitalismo levará para a superação do sistema. Será um modelo mais próximo da proposta de Nicholas Georgescu-Roegen que foi apresentada por José Eli da Veiga em artigo escrito para o Valor Econômico, publicado em 08/02/2008, intitulado "Reabilitar Georgescu"e que pode ser visto no site de José Eli da Veiga no seguinte endereço:
http://zeeli.pro.br/old_site/artigos_valor/[99]Reabilitar_Georgescu_08-02-08.pdf
Aliás, quem muito conhece de Nicholas Georgescu-Roegen além de José Eli da Veiga é Andrei Cechin e há uma entrevista dele que virou, aqui no blog de Luis Nassif, o post "Sobre a economia ecológica"de terça-feira, 23/08/2011 às 09:56 e originado de comentário de Raquel_ que transcreveu entrevista de Andrei Cechin concedida à IHU. O endereço do post "Sobre a economia ecológica"é:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/sobre-a-economia-ecologica
No post, além de comentários seus, há um comentário do comentarista Almeida e que foi enviado terça-feira, 23/08/2011 às 17:50 em que ele faz chamada e deixa os link para uma discussão interessante de Richard Heiberg com o título de "O Fim do crescimento Econômico". E eu também enviei três comentários para o post "Sobre a economia ecológica"em que procurei indicar alguns links de interesse para esta discussão.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 27/01/2012
Esse pessoal, incluindo o Nassif, passa batido num ponto que me parece fundamental...
O setor de serviços vai absorver cada vez mais gente, isso é fato!
Mas o que deveria ser óbvio, mas o Martin Wolff nem esboça tocar, é a necessidade premente de se reduzir sistematicamente a jornada de trabalho...
Isso já foi apontado nesse blog e realmente deveria ser óbvio que os sucessivos aumentos de produtividade deveriam ter sido acompanhados de sucessivas reduções da jornada de trabalho...
Essa redução até ocorreu durante um certo período na Europa e mais especificamente na França, onde a jornada foi reduzida a 35 horas semanais em 2000, no governo de Lionel Jospin, mas foi novamente flexibilizada em 2008, no governo de Nicolas Sarkozy.
A lógica de acumulação capitalista, derivada do funcionamento competitivo dos mercados globais, não permite que o binômio aumento da produtividade/redução da jornada prospere. Nos mercados competitivos globais, todo aumento de produtividade acaba sendo incorporado na redução do preço das mercadorias.
Isso, juntamente com a questão do descasamento entre o investivento e seu retorno, leva ao paradoxo da superprodução de mercadorias baratas sem um mercado de consumo, devido ao crescente aumento dos desempregados e diminuição da massa salarial.
A solução para o impasse na geração de empregos que vivemos só é possível se a lógica competitiva dos mercados globais for superada. A única solução no âmbito do sistema de mercados, se é que realmente existe, ainda que impossível na atual conjuntura, talvez fosse criar um sistema de taxação internacional que equalizasse os custos do trabalho em relação à jornada de trabalho. De fato, o sistema de mercado e preços tem várias limitações intrínsecas e essa é uma delas.
Maurobrasil (sextas-feira, 27/01/2012 às 15:32),
Concordo. Ressalto reproduzindo mais uma vez o que você fez destaque em negrito ao falar sobre o fato da crise ter sido também uma crise de superprodução. Para você o fato de não prosperar a redução da jornada de trabalho:
"leva ao paradoxo da superprodução de mercadorias baratas sem um mercado de consumo".
Sou leigo, e tenho dificuldade de entender porque a maioria dos economistas não tratam a crise de 2008 como uma crítica de superprodução. Eu só não havia feito a relação da superprodução com a carga horária de trabalho.
E concordo com o seu arremate de que a redução do horário de trabalho tem que ser uma diretriz mundial. Se não for adotada em todos os países cria um concorrência absolutamente desigual.
E há o problema da aposentadoria. Eu sempre fico em dúvida sobre a questão da aposentadoria. No que diz respeito à política fiscal penso que se deve aumentar a idade de aposentadoria. Já quando considero a geração de emprego, e principalmente se levo em conta que o Estado tem a função precípua de fomentar o emprego na economia e se isso não for suficiente, criar o próprio Estado mais cargos públicos por mais ineficiente que isso seja, passo a resistir a elevação da idade de aposentadoria.
De todo modo, volto à necessidade de que a opção pela redução da carga horário de trabalho tem que ser de natureza mundial, a menos que se adote uma política econômica mais voltada para o mercado interno e restritiva a entrada de produtos externos.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 28/01/2012
Assis Ribeiro (sexta-feira, 27/01/2012 às 08:13),
Precisei fazer uma releitura deste post “Políticas sociais para reinventar o capitalismo” de 27/01/2012 às 08:00, contendo a Coluna Econômica de Luis Nassif daquele dia e fiquei sem entender o que havia ocorrido com os comentários. Originalmente o post “Políticas sociais para reinventar o capitalismo” fora publicado às 08:00, mas o horário constava como sendo 13:48. Ai lembrei que era comum, atualizações no post e o post ficar com o novo horário de atualização. Consultando os meus arquivos verifiquei que eu tinha uma cópia que dizia que o post fora publicado às 14:48. Antes que eu pudesse entender que a alteração do horário tinha relação com o término do horário de verão, eu percebi outro problema no post.
Eu havia escrito um comentário para você junto ao seu comentário de sexta-feira, 27/01/2012 às 08:13, e o meu comentário aparecia junto do seu de sexta-feira, 27/01/2012 às 07:13. Por um bom tempo fiquei achando que por razões de copyright Luis Nassif tivera que censurar alguns dos seus comentários e assim o meu comentário para o seu de sexta-feira, 27/01/2012 às 08:13, tivera que ficar vinculado a um seu anterior de 07:13. Só compreendi o que acontecera quando reparei que o horário anterior de publicação do post “Políticas sociais para reinventar o capitalismo” era 08:00 o que tornava impossível os comentários de Assis Ribeiro terem sidos enviados antes das 08:00. E então reparei que as mudanças salvo a de atualização se realizara mantendo o padrão de uma hora de diferença. Então tudo se resumia a alteração nos horários dos comentários em razão do termino do horário de verão.
Houve vários posts comentando a situação europeia que eu pensei em fazer menção aqui neste post, pois considero que este post “Políticas sociais para reinventar o capitalismo" como artigo de Martin Wolf, "As 7 lições para consertar o capitalismo", funcionam como uma análise tanto da crise anterior de 2008, como da crise atual, e se voltam muito para entender a situação europeia. Não fiz porque ficava em dúvida sobre o que ocorrera com os comentários que para mim teriam sido censurados e porque não queria empurrar comentários meus que estavam na primeira página para a segunda página.
Compreendido o que ocorreu, penso que agora já vale à pena indicar posts mais recentes e onde haja indicações de outros posts que tratam da crise econômica mundial e da situação européia. Entre estes post a que recomendo pelo menos uma consulta principalmente porque nele eu faço referência a posts mais recentes é o post “A reviravolta europeia” de terça-feira, 08/05/2012 às 21:22, aqui no blog de Luis Nassif e originado de comentário de 10n.
A destacar que o comentário de 10n fora enviado terça-feira, 08/05/2012 às 16:12, para um post com o mesmo título “A reviravolta europeia”, de terça-feira, 05/05/2012 às 10:19, consistindo de Coluna Econômica de Luis Nassif daquele dia e publicado um pouco mais cedo. Deixo a seguir o endereço do post consistindo do comentário de 10n e que também recebeu o nome de “A reviravolta europeia” e fora postado terça-feira, 08/05/2012 às 21:22:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-reviravolta-europeia-0
O número zero no endereço é o indicativo de que houve o post anterior com o mesmo título “A reviravolta europeia” de terça-feira, 08/05/2012 às 10:19, e que consistia da Coluna Econômica de Luis Nassif daquele dia 08/05/2012. Discordei em grande parte tanto do que Luis Nassif considerou como sendo a reviravolta européia como também o que 10n diz a respeito da possibilidade da reviravolta. Nos links que deixei nos comentários é que é apresentado o cenário mais provável para a Europa.
Como já há neste post 30 comentários, não só o meu último comentário que enviei segunda-feira, 30/01/2012 às 19:38, irá para a segunda página, como para a segunda página irá também um comentário que eu pretendo enviar para Luis Nassif contando os dissabores que a mudança de horário me causou. No comentário que pretendo ainda enviar para Luis Nassif vou aproveitar para deixar o endereço do post “A reviravolta europeia” de terça-feira, 08/05/2012 às 10:19, com a Coluna Econômica de Luis Nassif.
E provavelmente ainda enviarei outros comentários aqui para a primeira página deste post “Políticas sociais para reinventar o capitalismo” com a análise de Luis Nassif sobre o artigo de Martin Wolf, "As 7 lições para consertar o capitalismo". Assim provavelmente também irá para a segunda página o comentário meu que enviei segunda-feira, 30/01/2012 às 00:38, para Luis Nassif e que atualmente é o penúltimo do post.
Clever Mendes de Oliveira
BH,14/05/2012
Uma contribuição ao ítem: Sétimo ponto: a globalização dos bens públicos.
..."desenvolver uma elaboração teórica – acompanhada de uma defesa militante – que trate os “bens comuns” como uma categoria dotada de autonomia jurídica e figure como solução alternativa tanto para a propriedade privada como para a pública.2 Essa tarefa se revela necessária na medida em que o servidor sofre, hoje, do vício mortal do jogo (suas atividades são financiadas antes pelo crédito que pelos impostos), o que o fez cair nas mãos de usurários mais fortes que ele. Na grande maioria dos Estados, os governos – submetidos de várias formas aos interesses financeiros globais – dissipam os bens comuns fora de qualquer controle, avançando sob a justificativa da necessidade de pagar suas dívidas de jogo. Essa lógica faz passar por natural e obrigatório um conjunto de fatores que, na verdade, é resultado de escolhas políticas constantes e deliberadas.
A consciência dos bens comuns, ou seja, o fato de considerá-los ferramentas de satisfação das necessidades e dos direitos fundamentais da coletividade, não provém dos papéis:3 forma-se em todos os âmbitos das lutas – nem sempre vitoriosas, porém sempre emancipatórias – empreendidas no mundo inteiro. Em muitos casos, os inimigos são justamente os Estados que deveriam ser seus guardiões fiéis. Assim, a expropriação de bens comuns em favor dos interesses privados – de transnacionais, por exemplo – gera cada vez mais dependência dos governos (o que os coloca em uma posição vulnerável) perante empresas que ditam as políticas de privatização, de consumo e exploração do território. A situação da Grécia e da Irlanda é particularmente emblemática nesse sentido.
A tradição ocidental moderna se desenvolveu no quadro da dialética Estado/propriedade privada, em um momento da história em que apenas esta última parecia necessitar de proteção diante de governos autoritários e onipotentes."...
...
http://diplomatique.uol.com.br/artigo.php?id=1065
Assis Ribeiro
Em relação à: Wolff termina com uma declaração de fé no capitalismo. "É a base da prosperidade que tantos hoje desfrutam e a que muitos mais aspiram. Está transformando a vida de bilhões de pessoas. Esforcemo-nos para torná-lo melhor".
..."Pretende-se fazer crer que o capitalismo, embora não sendo perfeito, é o único regime político-económico possível e, portanto, o mais adequado.
O objectivo é impedir que outros sistemas sejam conhecidos e comparados, usando todos os meios, incluindo a força, para afastar a competição.
...
Este mito faz parte da tentativa de intimidação dos povos de impedir a discussão de alternativas ao capitalismo, a que se convencionou chamar o pensamento único."....
Texto completo:
12 Mitos do Capitalismo
http://port.pravda.ru/busines/21-01-2012/32791-mitos_capitalismo-0/
Assis Ribeiro
He,he,he... Boaventura dos Santos, ontem, no Forum social, teve uma manifestação parecida. Aos dois nós devemos lembrar que nós temos outra sensibilidade porque fomos "movidos" pelos movimentos sociais. Nós convivemos com o maior e mais bem organizado movimento social que já existiu na face da terra: o MST. Lula tem influência dos movimentos sociais. Dilma ainda precisa aprender (Mas ela tem o Lula do seu lado, para corrigir a rota). Os movimentos sociais não permitiram que o capital financeiro com sua teia de aranha nos emaranhasse... Eles tem enorme contribuição pelo atual momento que vivemos. Seria diferente, pelo exemplo do Pinheirinho, se a "outra turma estivesse no poder". Eles tem horror a movimentos sociais e metem a polícia neles...
O texto é sobre “Sete Lições Para Salvar o Capitalismo” de Martin Wolff.
Como contraponto apresento outro texto:
12 Mitos do Capitalismo
São muitos e variados os tipos e meios de manipulação em que a ideologia capitalista se foi alicerçando ao longo do tempo. Um dos tipos mais importantes são os mitos. Trata-se de um conjunto de falsas verdades, mera propaganda que, repetidas à exaustão, acriticamente, ao longo de gerações, se tornam verdades insofismáveis aos olhos de muitos. Foram criadas para apresentar o capitalismo de forma credível perante as massas e obter o seu apoio ou passividade. Os seus veículos mais importantes são a informação mediática, a educação escolar, as tradições familiares, a doutrina das igrejas, etc. (*)
Um comentário amargo, e frequente após os períodos eleitorais, é o de que "cada povo tem o governo que merece". Trata-se de uma crítica errónea, que pode levar ao conformismo e à inércia e castiga os menos culpados. Não existem maus povos. Existem povos iletrados, mal informados, enganados, manipulados, iludidos por máquinas de propaganda que os atemorizam e lhes condicionam o pensamento. Todos os povos merecem sempre governos melhores.
A mentira e a manipulação são hoje armas de opressão e destruição maciça, tão eficazes e importantes como as armas de guerra tradicionais. Em muitas ocasiões são complementares destas. Tanto servem para ganhar eleições como para invadir e destruir países insubmissos.
Apresentam-se neste texto, sucintamente, alguns dos mitos mais comuns da mitologia capitalista.
Pretende-se fazer crer que o regime capitalista conduz automaticamente qualquer pessoa a ser rica desde que se esforce muito.
O objectivo oculto é obter o apoio acrítico dos trabalhadores no sistema e a sua submissão, na esperança ilusória e culpabilizante em caso de fracasso, de um dia virem a ser também, patrões de sucesso.
Na verdade, a probabilidade de sucesso no sistema capitalista para o cidadão comum é igual à de lhe sair a lotaria. O "sucesso capitalista" é, com raras excepções, fruto da manipulação e falta de escrúpulos dos que dispõem de mais poder e influência. As fortunas em geral derivam directamente de formas fraudulentas de actuação.
Este mito de que o sucesso é fruto de uma mistura de trabalho afincado, alguma sorte, uma boa dose de fé e depende apenas da capacidade empreendedora e competitiva de cada um, é um dos mitos que têm levado mais gente a acreditar no sistema e a apoiá-lo. Mas também, após as tentativas falhadas, a resignarem-se pelo aparente falhanço pessoal e a esconderem a sua credulidade na indiferença. Trata-se dos tão apregoados empreendedorismo e competitividade.
Pretende-se fazer crer que a fórmula capitalista de acumulação de riqueza por uma minoria dará lugar, mais tarde ou mais cedo, à redistribuição da mesma.
O objectivo é permitir que os patrões acumulem indefinidamente sem serem questionados sobre a forma como o fizeram, nomeadamente sobre a exploração dos trabalhadores. Ao mesmo tempo mantêm nestes a esperança de mais tarde serem recompensados pelo seu esforço e dedicação.
Na verdade, já Marx tinha concluído nos seus estudos que o objectivo final do capitalismo não é a distribuição da riqueza, mas a sua acumulação e concentração. O agravamento das diferenças entre ricos e pobres nas últimas décadas, nomeadamente após o neoliberalismo, provou isso claramente.
Este mito foi um dos mais difundidos durante a fase de "bem-estar social" pós-guerra, para superar os estados socialistas. Com a queda do émulo soviético, o capitalismo deixou também cair a máscara e perdeu credibilidade.
Pretende-se fazer crer que não há classes na sociedade, pelo que as responsabilidades pelos fracassos e crises são igualmente atribuídas a todos e, portanto pagas por todos.
O objectivo é criar um complexo de culpa junto dos trabalhadores que permita aos capitalistas arrecadar os lucros enquanto distribuem as despesas por todo o povo.
Na verdade, o pequeno número de multimilionários, porque detém o poder, é sempre autobeneficiado em relação à imensa maioria do povo, quer em impostos, quer em tráfico de influências, quer na especulação financeira, quer em off-shores, quer na corrupção e nepotismo etc. Esse núcleo, que constitui a classe dominante, pretende assim escamotear que é o único e exclusivo responsável pela situação de penúria dos povos e que deve pagar por isso.
Este é um dos mitos mais ideológicos do capitalismo ao negar a existência de classes.
Pretende-se fazer crer que a verdadeira liberdade só se atinge com o capitalismo, através da chamada autorregulação proporcionada pelo mercado.
O objectivo é tornar o capitalismo uma espécie de religião em que tudo se organiza em seu redor e assim afastar os povos das grandes decisões macro-económicas, indiscutíveis. A liberdade de negociar sem peias seria o máximo da liberdade.
Na verdade, sabe-se que as estratégias político-económicas, muitas delas planeadas com grande antecipação, são quase sempre tomadas por um pequeno número de pessoas poderosas, à revelia dos povos e dos poderes instituídos, a quem ditam as suas orientações. Nessas reuniões, em cimeiras restritas e mesmo secretas, são definidas as grandes decisões financeiras e económicas conjunturais ou estratégicas de longo prazo. Todas, ou quase todas essas resoluções, são fruto de negociações e acordos mais ou menos secretos entre os maiores empresas e multinacionais mundiais. O mercado é, pois, manipulado e não autorregulado. A liberdade plena no capitalismo existe de facto, mas apenas para os ricos e poderosos.
Este mito tem sido utilizado pelos dirigentes capitalistas para justificar, por exemplo, intervenções em outros países não submissos ao capitalismo, argumentando não haver neles liberdade, porque há regras.
Pretende-se fazer crer que apenas no capitalismo há democracia.
O objectivo deste mito, que é complementar do anterior, é impedir a discussão de outros modelos de sociedade, afirmando não haver alternativas a esse modelo e todos os outros serem ditaduras. Trata-se mais uma vez da apropriação pelo capitalismo, falseando-lhes o sentido, de conceitos caros aos povos, tais como liberdade e democracia.
Na realidade, estando a sociedade dividida em classes, a classe mais rica, embora seja ultraminoritária, domina sobre todas as outras. Trata-se da negação da democracia que, por definição, é o governo do povo, logo da maioria. Esta "democracia" não passa, pois de uma ditadura disfarçada. As "reformas democráticas" não são mais que retrocessos, reacções ao progresso. Daí deriva o termo reaccionário, o que anda para trás.
Tal como o anterior, este mito também serve de pretexto para criticar e atacar os regimes de países não-capitalistas.
Pretende-se fazer crer que o acto eleitoral é o sinônimo da democracia e esta se esgota nele.
O objectivo é denegrir ou diabolizar e impedir a discussão de outros sistemas político-eleitorais em que os dirigentes são estabelecidos por formas diversas das eleições burguesas, como por exemplo, pela idade, experiência, aceitação popular etc.
Na verdade, é no sistema capitalista, que tudo manipula e corrompe, que o voto é condicionado e as eleições são actos meramente formais. O simples facto da classe burguesa minoritária vencer sempre as eleições demonstra o seu carácter não-representativo.
O mito de que, onde há eleições há democracia, é um dos mais enraizados, mesmo em algumas forças de esquerda.
Pretende-se fazer crer que os partidos burgueses que se alternam periodicamente no poder têm políticas alternativas.
O objectivo deste mito é perpetuar o sistema dentro dos limites da classe dominante, alimentando o mito de que a democracia está reduzida ao acto eleitoral.
Na verdade, este aparente sistema pluri ou bipartidário é um sistema monopartidário. Duas ou mais facções da mesma organização política, partilhando políticas capitalistas idênticas e complementares, alternam-se no poder, simulando partidos independentes, com políticas alternativas. O que é dado escolher aos povos não é o sistema que é sempre o capitalismo, mas apenas os agentes partidários que estão de turno como seus guardiões e continuadores.
O mito de que os partidos burgueses têm políticas independentes da classe dominante, chegando até a ser opostas, é um dos mais propagandeados e importantes para manter o sistema a funcionar.
Pretende-se fazer crer que o político, uma vez eleito, adquire plenos poderes e pode governar como quiser.
O objectivo deste mito é iludir o povo com promessas vãs e escamotear as verdadeiras medidas que serão levadas à prática.
Na verdade, uma vez no poder, o eleito autoassume novos poderes. Não cumpre o que prometeu e, o que é ainda mais grave, põe em prática medidas não enunciadas antes, muitas vezes em sentido oposto e até inconstitucionais. Frequentemente, são eleitos por minorias de votantes. A meio dos mandatos já atingiram índices de popularidade mínimos. Nestes casos de ausência ou perda progressiva de representatividade, o sistema não contempla quaisquer formas constitucionais de destituição. Esta perda de representatividade é uma das razões que impede as "democracias" capitalistas de serem verdadeiras democracias, tornando-se ditaduras disfarçadas.
A prática sistemática deste processo de falsificação da democracia tornou este mito um dos mais desacreditados, sendo uma das causas principais da crescente abstenção eleitoral.
Pretende-se fazer crer que o capitalismo, embora não sendo perfeito, é o único regime político-económico possível e, portanto, o mais adequado.
O objectivo é impedir que outros sistemas sejam conhecidos e comparados, usando todos os meios, incluindo a força, para afastar a competição.
Na realidade, existem outros sistemas político-económicos, sendo o mais conhecido o socialismo cientifico. Mesmo dentro do capitalismo, há modalidades que vão desde o actual neoliberalismo aos reformistas do "socialismo democrático" ou socialdemocrata.
Este mito faz parte da tentativa de intimidação dos povos de impedir a discussão de alternativas ao capitalismo, a que se convencionou chamar o pensamento único.
Pretende-se fazer crer que a culpa das crises económicas é originada pelo excesso de regalias dos trabalhadores. Se estas forem retiradas, o Estado poupa e o país enriquece.
O objectivo é fundamentalmente transferir para o sector público, para o povo em geral e para os trabalhadores, a responsabilidade do pagamento das dividas dos capitalistas. Fazer o povo aceitar a pilhagem dos seus bens na crença de que dias melhores virão mais tarde. Destina-se também a facilitar a privatização dos bens públicos, "emagrecendo" o Estado, logo "poupando", sem referir que esses sectores eram os mais rentáveis do Estado, cujos lucros futuros se perdem desta forma.
Na verdade, constata-se que estas políticas conduzem, ano após ano, a um empobrecimento das receitas do Estado e a uma diminuição das regalias, direitos e do nível de vida dos povos, que antes estavam assegurados por elas.
Pretende-se fazer crer que o sector privado administra melhor o Estado que o sector público.
O objectivo dos capitalistas é "dourar a pílula" para facilitar a apropriação do património, das funções e dos bens rentáveis dos estados. É complementar do anterior.
Na verdade o que acontece em geral é o contrário: os serviços públicos privatizados não só se tornam piores, como as tributações e as prestações são agravadas. O balanço dos resultados dos serviços prestados após passarem a privados é quase sempre pior que o anterior. Na óptica capitalista, a prestação de serviços públicos não passa de mera oportunidade de negócio. Este mito é um dos mais "ideológicos" do capitalismo neoliberal. Nele está subjacente a filosofia de que quem deve governar são os privados e o Estado apenas dá apoio.
Pretende-se fazer crer que a actual crise económico-financeira é mais uma crise cíclica habitual do capitalismo e não uma crise sistémica ou final.
O objectivo dos capitalistas, com destaque para os financeiros, é continuarem a pilhagem dos Estados e a exploração dos povos enquanto puderem. Tem servido ainda para alguns políticos se manterem no poder, alimentando a esperança junto dos povos de que melhores dias virão se continuarem a votar neles.
Na verdade, tal como previu Marx, do que se trata é da crise final do sistema capitalista, com o crescente aumento da contradição entre o carácter social da produção e o lucro privado até se tornar insolúvel.
Alguns, entre os quais os "socialistas" e sociais-democratas, que afirmam poder manter o capitalismo, embora de forma mitigada, afirmam que a crise deriva apenas de erros dos políticos, da ganância dos banqueiros e especuladores ou da falta de ideias dos dirigentes ou mecanismos que ainda falta resolver. No entanto, aquilo a que assistimos é ao agravamento permanente do nível de vida dos povos sem que esteja à vista qualquer esperança de melhoria. Dentro do sistema capitalista já nada mais há a esperar de bom.
NOTA FINAL:
O capitalismo há de acabar, mas só por si tal decorrerá muito lentamente e com imensos sacrifícios dos povos. Terá que ser empurrado. Devem ser combatidas as ilusões, quer daqueles que julgam o capitalismo reformável, quer daqueles que acham que quanto pior melhor, para o capitalismo cair de podre. O capitalismo tudo fará para vender cara a derrota. Por isso, quanto mais rápido os povos se libertarem desse sistema injusto e cruel, mais sacrifícios inúteis se poderão evitar.
Hoje, mais do que nunca, é necessário criar barreiras ao assalto final da barbárie capitalista, e inverter a situação, quer apresentando claramente outras soluções políticas, quer combatendo o obscurantismo pelo esclarecimento, quer mobilizando e organizando os povos.
(*) Os mitos criados pelas religiões cristãs têm muito peso no pensamento único capitalista e são avidamente apropriados por ele para facilitar a aceitação do sistema pelos mais crédulos.
Exemplos: "A pobreza é uma situação passageira da vida terrena." "Sempre houve ricos e pobres." "O rico será castigado no juízo final." "Deve-se aguentar o sofrimento sem revolta para mais tarde ser recompensado."
Guilherme Alves Coelho
Odiário - Portugal
07.Jan.2012
http://port.pravda.ru/busines/21-01-2012/32791-mitos_capitalismo-0/
Assis Ribeiro
Agradeço por relembrar dos mitos do capitalismo.
Bom que seu comentário vai ficar, acho que não deve virar post, pois assim permanece destruindo a ideia mágica do capitalismo.
Ao lerem este artigo, os deuses deram uma gargalhada homérica e morreram de tanto rir.
Sete lições para salvar o Capitalismo ?Tô fora. Deve ser uma boa leitura para quem deseja salvá-lo. Depois dele o mundo virou um "salve-se quem puder", então ele que faça o mesmo e se salve! ( se puder, é claro!)
Ficamos aqui pensando como somos um modelo de progresso comandado por Lula, se não conseguimos melhorar nossos índices sociais nestes últimos 10anos , mesmo com um panorama totalmente favorável .
Continuamos nos últimos lugares em IDH, saneamento não chegou nem num terço das cidades , infrestrutura rodoferroviária em frangalhos , aeroportos ultrapassado, as reformas política , judiciária não conseguem andar. Na verdade temos que melhorar muinto , e tudo isso passa principalmente pela educação de nossos jovens , o governo tem que investir bam mais do que os 6,5%do PIB , os outros emergentes aplicam no mínimo 12% . O que temos por aqui é o descalabro e as maracutaias , e a cada semana surgem novas acusações contra ministros envolvidos em maracutaias , o sistema esta podre.....
Armando,
Você e outros comentaristas que seguem rigorosamente o mesmo script são uns felizardos: enquanto os demais fritam os miolos tentanto analisar os temas dos posts para oferecer alguma sugestão ou mesmo fazer uma abordagem diferente, para vocês basta Ctrl C e Ctrl V das recorrentes críticas ao PT, esquerda, Lula, corrupção e blá blá e muito blá blá blá.
Caro Armando, quando você "acordar"destes seus "10 anos de sono"e lembrar do Brasil de 2001, e ver como está agora, após estes últimos 10 anos, iniciados na 1ª adm. Lula; Ratificada no 2º mandato; Tendo sua continuidade garantida e avançada pelo governo Dilma, e tendo tirado o país daquela draga em que estávamos, e elevando-nos ao patamar de nação com melhor índice de crescimento sustentável dentre as nações ocidentais, e que encanta aos mais críticos analistas economicos do mundo(exceto os nossos)pelas nossas coordenadas que sem "canetadas" que apesar da discriteriosa classificação de quem mediu o IDH mundial, está tirando sim, um grande número de pessoas da extrema miséria em que viviam até 10 anos atráz, e chegando ao invejável patamar de ter apenas 6% de desempregados, entre a população economicamente ativa, conforme publicação recente da mídia economica, confirmando o que já previa o IPEA.
Que tal acordar, e ver esta realidade ?
Sempre ficamos mais experientes, após perdermos algumas batalhas, na guerra diária da vida.
E ai a gente precisa contar com uma nova era de politicos também...
Só uma coisa: ele aduz "os governos estimulando o endividamento familiar. Erros que não podem ser repetidos". Não é, exatamente, o que está acontecendo no Brasil, de forma reiterada? Desde a época do FHC, tem havido uma estimulação para o endividamente familiar; naquela época, principalmente através da expansão de universidades privadas com linhas de financiamento do tipo FIES. Agora, através de programas como Minha Casa, Minha Vida. Não sei, também, exatamente quando começou o estímulo aos empréstimos consignados, uma praga para servidores federais. Tem, também, o barateamento do acesso a empréstimos para comprar carros e bens de consumo.
Independentemente de se achar boas tais políticas, não se encaixam exatamente nisso que ele criticou?
Aqui em Porto Alegre, um amigo que estava comprando imóvel novo (aqui também vivemos um 'boom' imobiliário, com os imóveis se valorizando rapidamente - o meu, mais de 20% em menos de 2 anos), informou-me da atual 'barbada': procurar prédios que recém entregaram a construção, já que muita gente tem comprado na planta e, na hora da entrega, percebe que não vai conseguir arcar com a prestação e, por isso, é obrigada a vender por preços mais em conta...
...23. O Copom considera que, desde sua última reunião, os riscos para a estabilidade financeira global se mantiveram elevados e teve continuidade o processo de deterioração do cenário internacional, que, já naquela oportunidade, contemplava reduções generalizadas e de grande magnitude nas projeções de crescimento para os principais blocos econômicos. O Comitê entende que permanecem elevadas as chances de que restrições às quais hoje estão expostas diversas economias maduras se prolonguem por um período de tempo maior do que o antecipado. Nota ainda que, nessas economias, parece limitado o espaço para utilização de política monetária e prevalece um cenário de restrição fiscal. Além disso, em importantes economias emergentes, apesar da resiliência da demanda doméstica, o ritmo de atividade tem moderado, em parte, consequência de ações de política e do enfraquecimento da demanda externa, via canal do comércio exterior. Dessa forma, o Comitê avalia que o cenário internacional manifesta viés desinflacionário no horizonte relevante.....
.....33. O Copom entende que ocorreram mudanças estruturais significativas na economia brasileira, as quais determinaram recuo nas taxas de juros em geral, e, em particular, na taxa neutra. Apoiam essa visão, entre outros fatores, a redução dos prêmios de risco, consequência direta do cumprimento da meta de inflação pelo oitavo ano consecutivo, da estabilidade macroeconômica e de avanços institucionais. Além disso, o processo de redução dos juros foi favorecido por mudanças na estrutura dos mercados financeiros e de capitais, pelo aprofundamento do mercado de crédito bem como pela geração de superávits primários consistentes com a manutenção de tendência decrescente para a relação entre dívida pública e PIB. Para o Comitê, todas essas transformações caracterizam-se por um elevado grau de perenidade – embora, em virtude dos próprios ciclos econômicos, reversões pontuais e temporárias possam ocorrer – e contruibuem para que a economia brasileira hoje apresente sólidos indicadores de solvência e de liquidez.
34. O Copom também pondera que têm contribuído para a redução das taxas de juros domésticas, inclusive da taxa neutra, o aumento na oferta de poupança externa e a redução no seu custo de captação, as quais, na avaliação do Comitê, em grande parte, são desenvolvimentos de caráter permanente.
35. Diante do exposto, considerando ainda que a desaceleração da economia brasileira no segundo semestre do ano passado foi maior do que se antecipava e que eventos recentes indicam postergação de uma solução definitiva para a crise financeira europeia, neste momento, o Copom atribui elevada probabilidade à concretização de um cenário que contempla a taxa Selic se deslocando para patamares de um dígito.
36. Ao final da reunião, foi registrado que o Comitê voltará a se reunir em 6 de março de 2012, para as apresentações técnicas, e no dia seguinte, para deliberar sobre a política monetária, conforme estabelecido pelo Comunicado nº 21.213, de 29 de junho de 2011.....
Sistema de Metas para a Inflação
Atas do Copom 164ª Reunião Data: 17 e 18/1/2012
Sumário
Evolução recente da economia
Avaliação prospectiva das tendências da inflação
Implementação da política monetária
Inflação
Atividade econômica
Expectativas e sondagens
Mercado de trabalho
Crédito e inadimplência
Ambiente externo
Comércio exterior e reservas internacionais
Mercado monetário e operações de mercado aberto
Data: 17 e 18/1/2012....Local: Sala de reuniões do 8º andar (17/1) e do 20º andar (18/1) do Edifício-Sede do Banco Central do Brasil – Brasília – DF
Horário de início: 16h20 (17/1) e 16h47 (18/1)
Horário de término: 19h25 (17/1) e 20h16 (18/1)
Presentes:
Membros do Copom
Alexandre Antonio Tombini – Presidente
Aldo Luiz Mendes
Altamir Lopes
Anthero de Moraes Meirelles
Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo
Luiz Awazu Pereira da Silva
Sidnei Corrêa Marques
Chefes de Departamento (presentes no dia 17)
Adriana Soares Sales – Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente no dia 18)
Ariosto Revoredo de Carvalho – Departamento das Reservas Internacionais
Bruno Walter Coelho Saraiva – Departamento de Assuntos Internacionais
Daso Maranhão Coimbra – Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
João Henrique de Paula Freitas Simão – Departamento de Operações do Mercado Aberto
Renato Jansson Rosek – Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais
Tulio José Lenti Maciel – Departamento Econômico
Demais participantes (presentes no dia 17)
André Minella – Consultor do Departamento de Estudos e Pesquisas
Emanuel Di Stefano Bezerra Freire – Chefe de Gabinete da Diretoria
Gustavo Paul Kurrle – Assessor de Imprensa
Nelson Ferreira Souza Sobrinho – Consultor do Departamento de Estudos e Pesquisas
Wagner Thomaz de Aquino Guerra Júnior – Chefe de Gabinete da Diretoria
Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas fixadas pelo governo para a inflação.
Evolução recente da economia
1. A inflação medida pela variação mensal do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) alcançou 0,50% em dezembro (0,52% em novembro), o que resultou no terceiro recuo consecutivo da inflação acumulada em doze meses. A inflação acumulada em 2011 ficou em 6,50% (5,91% em 2010). Dessa forma, pelo oitavo ano consecutivo, a inflação situou-se dentro do intervalo de tolerância estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A variação dos preços livres em 2011 ficou em 6,63% (7,09% em 2010), enquanto a variação dos preços administrados alcançou 6,20% (3,13% em 2010). Em relação aos preços livres, cabe destacar que os preços dos bens comercializáveis apresentaram variação de 4,41%, enquanto os preços dos não comercializáveis variaram 8,59%, ante 6,87% e 7,28% em 2010, respectivamente. Especificamente sobre serviços, a inflação nesse segmento recuou em dezembro, para 0,51%, após alta de 0,59% em novembro, mas encerrou 2011 em patamar elevado, 9,01% (7,62% em 2010). Em síntese, o conjunto de informações disponíveis sugere tendência declinante da inflação acumulada em doze meses, mas alguma persistência da alta de preços observada em 2011, que, em parte, reflete o fato de a inflação de serviços seguir em níveis elevados.
2. As medidas de inflação subjacente calculadas pelo Banco Central, de modo geral, apresentaram evolução similar à da inflação plena, com ligeiro recuo na média das variações mensais, bem como na média da variação acumulada em doze meses até dezembro. O núcleo do IPCA por médias aparadas com suavização deslocou-se de 0,59% em outubro para 0,55% em novembro e para 0,58% em dezembro, enquanto o núcleo por médias aparadas sem suavização passou de 0,44% para 0,42% e para 0,39% no mesmo período. De modo similar, o núcleo por dupla ponderação, após registrar 0,50% em outubro, avançou para 0,53% em novembro e para 0,54% em dezembro. Ao mesmo tempo, o núcleo por exclusão, que descarta dez itens de alimentação no domicílio e combustíveis, recuou de 0,47% registrado em outubro e em novembro para 0,41% em dezembro; e o núcleo por exclusão de monitorados e de alimentação no domicílio passou de 0,43% em outubro para 0,45% em novembro e para 0,49% em dezembro. Dessa forma, a média da variação desses cinco núcleos deslocou-se de 0,49% em outubro para 0,48% em novembro e em dezembro. No acumulado em doze meses até dezembro, a variação média das cinco medidas de núcleo alcançou 6,59%, ante 6,72% em novembro e 6,82% em outubro.
3. O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) registrou deflação de 0,16% em dezembro, após avançar 0,43% em novembro e 0,40% em outubro. A queda do índice em dezembro foi impulsionada por redução expressiva nos preços ao produtor durante o mês. Dessa forma, o IGP-DI acumulou inflação de 5,00% em 2011, após alta de 11,30% em 2010. O principal componente do indicador, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), variou 4,12% em 2011, refletindo alta de 4,46% no IPA industrial e de 3,15% no IPA agrícola. Na desagregação segundo o estágio da produção, observou-se no ano variação de 5,49% nos preços de matérias-primas brutas, de 3,27% nos preços de bens intermediários e de 3,88% nos preços de bens finais. Já a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC), outro componente do IGP-DI, ficou em 6,36% em 2011, ligeiramente acima dos 6,24% registrados em 2010. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), componente de menor peso no IGP‑DI, variou 7,49%. Por sua vez, o Índice de Preços ao Produtor/Indústria de Transformação (IPP/IT), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), não apresentou variação em novembro, após indicar alta de 0,76% em outubro. Em doze meses, a variação desse índice deslocou-se de 4,68% em outubro para 3,20% em novembro. De forma geral, a evolução recente dos índices sinaliza redução das pressões advindas do atacado sobre os preços ao consumidor.
4. A economia brasileira cresceu 2,1% no terceiro trimestre de 2011, em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, após crescer 4,2% no primeiro trimestre e 3,3% no segundo trimestre, na mesma base de comparação. Segundo dados dessazonalizados pelo IBGE, na comparação com o trimestre imediatamente anterior, o Produto Interno Bruto (PIB) ficou inalterado no terceiro trimestre, após expansão de 0,8% no primeiro e de 0,7% no segundo trimestre. Assim, a taxa de crescimento acumulada em quatro trimestres recuou de 4,9% para 3,7%, o que confirma que a economia brasileira se encontra em ciclo de crescimento em ritmo mais condizente com taxas avaliadas como sustentáveis a longo prazo. A moderação no ritmo de crescimento foi perceptível em todos os componentes da demanda interna, e resultou, em parte, de ações de política implementadas desde o final de 2010, potencializadas pela deterioração do cenário econômico global a partir do terceiro trimestre do ano passado.
5. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) incorpora estimativa para a produção mensal dos três setores da economia, bem como para os impostos sobre produtos e constitui, portanto, importante indicador coincidente da atividade econômica. Considerando os dados ajustados sazonalmente, o IBC-Br registrou crescimento de 1,1% em novembro, após contração de 0,5% em outubro e de 0,1% em setembro. Dessa forma, a taxa de variação trimestral entre setembro e novembro ficou em -0,3%. Por outro lado, em relação ao trimestre encerrado em novembro de 2010, houve crescimento de 0,9%. Já a taxa de crescimento acumulada em doze meses, que vem desacelerando desde novembro de 2010, recuou de 3,5% em outubro para 3,0% em novembro. O Índice de Confiança do Setor de Serviços (ICS), da Fundação Getulio Vargas (FGV), continuou sinalizando uma desaceleração moderada no setor. Em dezembro, o índice recuou 0,7%, após queda de 0,6% em novembro. Dessa forma, o nível do indicador no final de 2011 ficou 3,2% abaixo do valor observado no final de 2010.
6. Os Indicadores de Condições de Crédito, construídos com base em consulta trimestral realizada pelo Banco Central com instituições financeiras representativas de cada segmento do mercado de crédito, apontam, em geral, para condições mais restritivas para o trimestre de janeiro a março de 2012. Em relação ao crédito às grandes empresas, a análise sugere cenário mais restritivo. Para micro, pequenas e médias empresas, os indicadores revelam um cenário similar ao observado no trimestre anterior, com oferta moderadamente mais restritiva e demanda moderadamente mais forte, mas em níveis inferiores aos do quarto trimestre de 2011. Para o crédito voltado ao consumo, a expectativa para este trimestre basicamente aponta estabilidade no percentual de aprovação de créditos em relação ao verificado no trimestre anterior. Para o crédito habitacional, apesar da oferta mais seletiva por parte das instituições financeiras, a expectativa de elevação da demanda induz um cenário com aprovação de novas linhas, neste trimestre, moderadamente superior ao observado no trimestre anterior.
7. A atividade fabril avançou 0,3% em novembro, de acordo com a série da produção industrial geral dessazonalizada pelo IBGE, após queda de 0,7% em outubro e de 1,9% em setembro. Verificou-se aumento da produção em 18 dos 27 ramos de atividade em novembro, sendo que a maior expansão ocorreu no setor de máquinas e equipamentos (4,0%). De acordo com a média móvel trimestral, houve queda de 0,8% na produção industrial no período de setembro a novembro, após queda de 0,9% no período de agosto a outubro. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a produção recuou 2,5% em novembro, enquanto, no acumulado em doze meses, houve expansão de 0,6%. Na comparação com dezembro de 2008, mês de menor medição da produção industrial durante a crise de 2008/2009, o crescimento acumulado até setembro foi de 22,0%. De acordo com dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o faturamento da indústria de transformação registrou crescimento real de 4,6% em novembro, em relação ao mesmo mês do ano anterior, enquanto o número de horas trabalhadas apresentou recuo de 2,5%.
8. Entre as categorias de uso da indústria, segundo dados dessazonalizados pelo IBGE, houve expansão de 1,6% na produção de bens de capital em novembro, de 0,4% na produção de bens intermediários e de 2,2% na de bens de consumo não duráveis e semiduráveis. Enquanto isso, a produção de bens de consumo duráveis recuou 0,9%. No acumulado em doze meses até novembro, a produção de bens intermediários registrou expansão de 0,5%; a de bens de consumo duráveis, retração de 1,2%; e a de bens não duráveis e semiduráveis, queda de 0,1%. Na mesma base de comparação, o crescimento da atividade da indústria de bens de capital foi o maior entre as categorias de uso, com expansão de 3,8%, refletindo o dinamismo dos investimentos.
9. A taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas cobertas pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME), sem ajuste sazonal, atingiu 5,2% em novembro (ante 5,7% registrados em novembro de 2010), depois de alcançar 5,8% em outubro. Após registrar 9,0% em março de 2009, a taxa observada recuou significativamente e atingiu o mínimo histórico da série iniciada em março de 2002. Já a taxa de desocupação dessazonalizada pelo Banco Central recuou de 6,0% em outubro para 5,6% em novembro. Ao mesmo tempo, o nível de ocupação seguiu tendência de crescimento observada ao longo dos últimos anos e atingiu novo máximo em novembro (54,3%). Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), no entanto, indicam desaceleração na criação de novos postos de trabalho. Em novembro, houve criação de 42,7 mil postos de trabalho formais (ante 138,2 mil postos gerados em novembro de 2010), com expansão do número de empregos formais em quatro dos oito setores de atividade econômica. Os setores que mais contribuíram para o aumento do número de empregos formais no mês foram comércio e serviços. De acordo com a PME, o rendimento médio real habitual ficou estável em novembro, acumulando variação de 0,7% em doze meses. Como consequência, a massa salarial real – considerando o rendimento médio da população ocupada nas seis regiões metropolitanas – cresceu 2,6% em relação a novembro de 2010. Em suma, o conjunto de evidências indica que, embora o mercado de trabalho continue robusto, há sinais de moderação na margem.
10. De acordo com dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE, o volume de vendas do comércio ampliado cresceu 3,2% em novembro, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, após registrar alta de 1,6% em outubro e de 4,7% em setembro, na mesma base de comparação. Na série com ajuste sazonal, o volume de vendas do comércio ampliado avançou 1,5% em novembro, após retração de 0,3% em outubro e crescimento de 0,7% em setembro. Assim, a taxa de crescimento acumulada em doze meses ficou em 7,7% em novembro (ante 8,8% em outubro e 9,6% em setembro). Nessa base de comparação, todos os dez segmentos pesquisados mostram expansão no volume de vendas, com destaque para equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (18,6%) e móveis e eletrodomésticos (16,9%). Desde outubro, a FGV, em parceria com o Banco Central, também vem divulgando o Índice de Confiança do Comércio (ICOM). Esse indicador fornece informação adicional importante, na medida em que retrata o estado atual e sinaliza a evolução da atividade comercial de forma mais tempestiva. O índice continuou sinalizando desaceleração na atividade do setor em dezembro, a exemplo do que ocorreu nos dois meses anteriores. Nos próximos meses, a trajetória do comércio continuará a ser influenciada pelas transferências governamentais, pelo ritmo de crescimento da massa salarial real, pelo nível de confiança dos consumidores e pela expansão moderada do crédito.
11. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) na indústria de transformação, calculado pela FGV, sem ajuste sazonal, passou de 84,5% em novembro para 84,1% em dezembro e, assim, ficou 1,6 ponto percentual (p.p.) e 1,2 p.p. abaixo do observado em novembro e dezembro de 2010, respectivamente. Com o ajuste sazonal, calculado pela FGV, o Nuci ficou em 83,4% em dezembro – 3,3 p.p. abaixo do máximo da série registrado em junho de 2008. A utilização da capacidade apresenta-se maior no setor de materiais de construção (88,6%) e no de bens intermediários (83,8%). Já no setor de bens de capital, o Nuci ficou em 83,3% e, no setor de bens de consumo, em 82,9%. Segundo dados da CNI, dessazonalizados pelo Banco Central, o Nuci ficou em 81,4% em novembro, próximo ao percentual de outubro (81,5%). As taxas de utilização da capacidade instalada têm recuado, refletindo, em parte, a redução no ritmo de crescimento da produção e a maturação de investimentos. De fato, a absorção de bens de capital apresentou crescimento de 6,4% no acumulado em doze meses até novembro (7,5% até outubro), e a produção de insumos para a construção civil cresceu 4,4% (4,7% até outubro).
12. O saldo da balança comercial acumulado em doze meses diminuiu de US$31,3 bilhões em novembro para US$29,8 bilhões em dezembro. Esse resultado adveio de exportações de US$256,0 bilhões e importações de US$226,2 bilhões, ou variações de 26,8% e de 24,5%, respectivamente, no acumulado em doze meses até dezembro. O déficit em transações correntes acumulado em doze meses passou de US$47,3 bilhões em outubro para US$49,3 bilhões em novembro, equivalente a 2,0% do PIB. Por sua vez, os investimentos estrangeiros diretos totalizaram US$75,4 bilhões em doze meses até novembro, equivalente a 3,1% do PIB, superando a necessidade de financiamento externo.
13. A economia mundial continua a enfrentar período de incerteza acima da usual, com deterioração nas perspectivas para a atividade e possibilidade de que ocorram eventos extremos. Desde a última reunião, sinais pontuais de melhora nos Estados Unidos (EUA), avanços na governança fiscal europeia e provimento de liquidez pelo Banco Central Europeu (BCE) foram, em parte, contrabalançados por sinais mais fortes de deterioração em algumas economias maduras. Os riscos para a estabilidade financeira global continuam elevados, entre outros, devido à exposição de bancos internacionais às dívidas soberanas de países com desequilíbrios fiscais, e persistem elevados níveis de aversão ao risco, apesar de uma ligeira diminuição na margem. Em outra perspectiva, taxas de desemprego elevadas por longo período, aliadas às necessidades de ajustes fiscais bem como ao limitado espaço para ações de política monetária e à incerteza política, têm contribuído para redução nas projeções de crescimento das economias maduras, ou mesmo de seu crescimento potencial, indicando ciclo econômico mais amplo e volátil. De fato, o indicador antecedente composto divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), referente a novembro, reforçou os sinais de inflexão da atividade nas principais economias, com perspectivas menos favoráveis neste e nos próximos semestres. Em casos específicos, aumentou a probabilidade de haver recessão, notadamente, na Zona do Euro. Os indicadores desagregados do Purchasing Managers Index (PMI) de dezembro, referentes à atividade na indústria e no setor de serviços, em geral, são consistentes com esse cenário, apesar de melhora na margem em dezembro. Também tem havido continuada redução nas projeções de crescimento para importantes economias emergentes. No que se refere à política monetária, as economias maduras continuaram com posturas acomodatícias e, em alguns casos, com iniciativas não convencionais de política monetária. Sobre inflação, os núcleos persistem em níveis moderados nos EUA e na Zona do Euro. Nas economias emergentes, de modo geral, o viés da política monetária é expansionista.
14. O preço do barril de petróleo do tipo Brent mostrou-se volátil, mas manteve-se acima do patamar de US$100. Esse nível de preços é consistente com um quadro de moderação na demanda global, aliado à maior instabilidade política em alguns países produtores e às defasagens no processo de retomada da produção. Cabe ressaltar que a complexidade geopolítica que envolve o setor do petróleo tende a acentuar o comportamento volátil dos preços, que é reflexo, também, da baixa previsibilidade de alguns componentes da demanda global e do fato de o crescimento da oferta depender de projetos de investimentos de longa maturação e de elevado risco. Em relação às demais commodities, destaca-se o movimento pendular dos preços internacionais das agrícolas, com pequena redução quando medido pelo Commodity Research Bureau (CRB), e pequena elevação das metálicas. O Índice de Preços de Alimentos, calculado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), que compreende 55 itens, acumulou queda de 11,3% até dezembro, desde o pico observado em fevereiro de 2011. No passado recente, a alta volatilidade dos preços das commodities foi fortemente influenciada pela ampla liquidez global, em contexto no qual os mercados financeiros se ajustam às novas expectativas de crescimento e à volatilidade nos mercados de câmbio.
Avaliação prospectiva das tendências da inflação
15. Os choques identificados, e seus impactos, foram reavaliados de acordo com o novo conjunto de informações disponível. O cenário considerado nas simulações contempla as seguintes hipóteses:
a) as projeções para o reajuste nos preços da gasolina e do gás de bujão, para o acumulado de 2012, foram mantidas em 0%, valor considerado na reunião do Copom de novembro;
b) as projeções de reajuste das tarifas de telefonia fixa e de eletricidade, para o acumulado de 2012, foram mantidas em 1,5% e 2,3%, respectivamente;
c) a projeção de reajuste, construída item a item, para o conjunto de preços administrados por contrato e monitorados para o acumulado de 2012, segundo o cenário de referência, foi mantida em 4,0%, valor considerado na reunião de novembro;
d) a projeção de reajuste para o conjunto de preços administrados por contrato e monitorados para o acumulado de 2013, conforme o cenário de referência, elevou-se para 4,6%, ante 4,5% considerados na reunião do Copom de novembro. Essa projeção baseia-se em modelos de determinação endógena de preços administrados, que consideram, entre outras variáveis, componentes sazonais, variações cambiais, inflação de preços livres e inflação medida pelo Índice Geral de Preços (IGP); e
e) a trajetória estimada para a taxa do swap pré-DI de 360 dias indica spread sobre a taxa Selic, no cenário de referência, de -22 pontos base (p.b.) e 82 p.b. para o quarto trimestre de 2012 e 2013, respectivamente.
16. Em relação à política fiscal, considera-se o cumprimento da meta de superávit primário de R$139,8 bilhões (cerca de 3,10% do PIB), sem ajustes, em 2012. Além disso, admite-se, como hipótese de trabalho, a geração de superávit primário de 3,10% do PIB em 2013, sem ajustes.
17. No conjunto das projeções, foram incorporados os efeitos estimados da alteração na estrutura de ponderação do IPCA, em vigor a partir de janeiro de 2012.
18. As projeções foram construídas e analisadas sob a perspectiva de modelos que identificam de modo mais abrangente os mecanismos de transmissão dos desenvolvimentos externos para a economia brasileira – entre outros, os canais do comércio, do preço de importações e da volatilidade externa. Como hipótese de trabalho, admite-se no cenário central que a atual deterioração do cenário internacional cause um impacto sobre a economia brasileira equivalente a um quarto do impacto observado durante a crise internacional de 2008/2009.
19. Desde a última reunião do Copom, a mediana das projeções coletadas pelo Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais (Gerin) para a variação do IPCA em 2012 reduziu-se de 5,56% para 5,30%. Para 2013, a mediana das projeções de inflação encontra-se em 5,00%. Nos casos específicos de bancos, gestoras de recursos e demais instituições (empresas do setor real, distribuidoras, corretoras, consultorias e outras), a mediana das projeções para 2012 deslocou-se de 5,58%, 5,57% e 5,53% para 5,29%, 5,29% e 5,30%, respectivamente. Para 2013, a mediana das projeções encontra-se em 4,94%, 5,00% e 4,80%, na mesma ordem.
20. O cenário de referência leva em conta as hipóteses de manutenção da taxa de câmbio em R$1,80/US$ e da taxa Selic em 11,00% ao ano (a.a.) em todo o horizonte relevante. Nesse cenário, a projeção para a inflação de 2012 reduziu-se em relação ao valor considerado na reunião do Copom de novembro e encontra-se ao redor do valor central de 4,5% para a meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). No cenário de mercado, que leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros coletadas pelo Gerin, junto a analistas de mercado, no período imediatamente anterior à reunião do Copom, a projeção de inflação para 2012 manteve-se relativamente estável, acima do valor central da meta para a inflação. Para 2013, a projeção de inflação encontra-se ao redor do valor central da meta no cenário de referência e acima no de mercado.
Implementação da política monetária
21. O Copom avalia que a política monetária deve contribuir para a consolidação de um ambiente macroeconômico favorável em horizontes mais longos. Nesse sentido, reitera que, no regime de metas para a inflação, orienta suas decisões de acordo com os valores projetados para a inflação pelo Banco Central e com base na análise de cenários alternativos para a evolução das principais variáveis que determinam a dinâmica dos preços. O Comitê entende, também, que riscos baixos para a inflação subjacente no curto prazo tendem a reduzir incertezas em relação ao comportamento futuro da inflação plena, facilitam a avaliação de cenários por parte da autoridade monetária, assim como auxiliam no processo de coordenação de expectativas dos agentes econômicos, em particular, dos formadores de preços. Note-se, adicionalmente, que riscos baixos para a inflação subjacente no curto prazo tendem a potencializar os efeitos das ações de política monetária, fazendo com que elas possam afetar de forma mais duradoura a dinâmica da inflação plena no futuro. Embora reconheça que outras ações de política macroeconômica podem influenciar a trajetória dos preços, o Copom reafirma sua visão de que cabe especificamente à política monetária manter-se especialmente vigilante para garantir que pressões detectadas em horizontes mais curtos não se propaguem para horizontes mais longos.
22. A evidência internacional, no que é ratificada pela experiência brasileira, indica que taxas de inflação elevadas levam ao aumento dos prêmios de risco, tanto para o financiamento privado quanto para o público, e ao encurtamento dos horizontes de planejamento, tanto das famílias quanto das empresas. Consequentemente, taxas de inflação elevadas reduzem os investimentos e o potencial de crescimento da economia, além de terem efeitos regressivos sobre a distribuição de renda. Dito de outra forma, taxas de inflação elevadas não trazem qualquer resultado duradouro em termos de crescimento da economia e do emprego, mas, em contrapartida, trazem prejuízos permanentes para essas variáveis no médio e no longo prazos. Assim, a estratégia adotada pelo Copom visa assegurar a convergência da inflação para a trajetória de metas, o que exige a pronta correção de eventuais desvios em relação a essa trajetória. Tal estratégia leva em conta as defasagens do mecanismo de transmissão e é a mais indicada para lidar com a incerteza inerente ao processo de formulação e de implementação da política monetária.
23. O Copom considera que, desde sua última reunião, os riscos para a estabilidade financeira global se mantiveram elevados e teve continuidade o processo de deterioração do cenário internacional, que, já naquela oportunidade, contemplava reduções generalizadas e de grande magnitude nas projeções de crescimento para os principais blocos econômicos. O Comitê entende que permanecem elevadas as chances de que restrições às quais hoje estão expostas diversas economias maduras se prolonguem por um período de tempo maior do que o antecipado. Nota ainda que, nessas economias, parece limitado o espaço para utilização de política monetária e prevalece um cenário de restrição fiscal. Além disso, em importantes economias emergentes, apesar da resiliência da demanda doméstica, o ritmo de atividade tem moderado, em parte, consequência de ações de política e do enfraquecimento da demanda externa, via canal do comércio exterior. Dessa forma, o Comitê avalia que o cenário internacional manifesta viés desinflacionário no horizonte relevante.
24. Para o Copom, acumulam-se evidências que apoiam a visão de que a transmissão dos desenvolvimentos externos para a economia brasileira se materializa por intermédio de diversos canais, entre outros, redução da corrente de comércio, moderação do fluxo de investimentos, condições de crédito mais restritivas e piora no sentimento de consumidores e de empresários. O Comitê entende que os efeitos da complexidade que cerca o ambiente internacional se somam aos da moderação da atividade doméstica, que se manifesta, por exemplo, no recuo das projeções para o crescimento da economia brasileira neste e no próximo ano. Dito de outra forma, o processo de moderação em que se encontrava a economia brasileira foi potencializado pela fragilidade da economia global.
25. O Copom pondera que, embora esteja em curso moderação da expansão da demanda doméstica, são favoráveis as perspectivas para a atividade econômica. Essa avaliação encontra suporte em sinais que, apesar de indicarem arrefecimento, apontam que a expansão da oferta de crédito tende a persistir tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas; e no fato de a confiança de consumidores, a despeito de acomodação na margem, encontrar-se em níveis elevados. O Comitê entende, adicionalmente, que a atividade doméstica continuará a ser favorecida pelas transferências públicas, bem como pelo vigor do mercado de trabalho, que se reflete em taxas de desemprego historicamente baixas e em crescimento dos salários, apesar de certa acomodação na margem.
26. O Copom reafirma sua visão de que a inflação acumulada em doze meses, que começou a recuar no último trimestre, tende a seguir em declínio e, assim, a se deslocar na direção da trajetória de metas. O Comitê avalia que, por si só, a inversão na tendência da inflação contribuirá para melhorar as expectativas dos agentes econômicos, em especial dos formadores de preços, sobre a dinâmica da inflação nos próximos trimestres. Adicionalmente, o Comitê entende que essa melhora no sentimento será potencializada pelo processo, ora em curso, de reavaliação do ritmo da atividade, doméstica e externa, neste e nos próximos semestres.
27. O Copom observa que o cenário central para a inflação leva em conta a materialização das trajetórias com as quais trabalha para as variáveis fiscais. Importa destacar que a geração de superávits primários compatíveis com as hipóteses de trabalho contempladas nas projeções de inflação, além de contribuir para arrefecer o descompasso entre as taxas de crescimento da demanda e da oferta, solidificará a tendência de redução da razão dívida pública sobre produto.
28. O Copom destaca que o cenário central também contempla expansão moderada do crédito. Ainda sobre esse mercado, o Comitê considera oportuna a introdução de iniciativas no sentido de moderar concessões de subsídios por intermédio de operações de crédito.
29. O Copom avalia como decrescentes os riscos derivados da persistência do descompasso, em segmentos específicos, entre as taxas de crescimento da oferta e da demanda. Destaca, entretanto, a estreita margem de ociosidade no mercado de trabalho, apesar dos sinais de moderação nesse mercado, e pondera que, em tais circunstâncias, um risco importante reside na possibilidade de concessão de aumentos de salários incompatíveis com o crescimento da produtividade e suas repercussões negativas sobre a dinâmica da inflação. Por outro lado, observa que o nível de utilização da capacidade instalada tem recuado e se encontra abaixo da tendência de longo prazo, ou seja, está contribuindo para a abertura do hiato do produto e para conter pressões de preços. O Comitê também observa que, de modo geral, os preços das commodities nos mercados internacionais têm apresentado comportamento benigno.
30. Em suma, o Copom reconhece um ambiente econômico em que prevalece nível de incerteza muito acima do usual, e pondera que o cenário prospectivo para a inflação, desde sua última reunião, acumulou sinais favoráveis. O Comitê nota que, no cenário central com que trabalha, a taxa de inflação posiciona-se em torno da meta em 2012, e são decrescentes os riscos à concretização de um cenário em que a inflação convirja tempestivamente para o valor central da meta.
31. Nesse contexto, dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 10,50% a.a., sem viés.
32. O Copom avalia que a demanda doméstica ainda se apresenta robusta, especialmente o consumo das famílias, em grande parte devido aos efeitos de fatores de estímulo, como o crescimento da renda e a expansão do crédito. Esse ambiente tende a prevalecer neste e nos próximos trimestres, quando a demanda doméstica será impactada pelos efeitos das ações de política monetária recentemente implementadas, que, de resto, são defasados e cumulativos. Por outro lado, o Comitê pondera que iniciativas recentes reforçam um cenário de contenção das despesas do setor público. Também se apresenta como importante fator de contenção da demanda agregada a substancial e persistente deterioração do cenário internacional. Esses elementos e os desenvolvimentos no âmbito parafiscal são parte importante do contexto no qual decisões futuras de política monetária serão tomadas, com vistas a assegurar a convergência tempestiva da inflação para a trajetória de metas.
33. O Copom entende que ocorreram mudanças estruturais significativas na economia brasileira, as quais determinaram recuo nas taxas de juros em geral, e, em particular, na taxa neutra. Apoiam essa visão, entre outros fatores, a redução dos prêmios de risco, consequência direta do cumprimento da meta de inflação pelo oitavo ano consecutivo, da estabilidade macroeconômica e de avanços institucionais. Além disso, o processo de redução dos juros foi favorecido por mudanças na estrutura dos mercados financeiros e de capitais, pelo aprofundamento do mercado de crédito bem como pela geração de superávits primários consistentes com a manutenção de tendência decrescente para a relação entre dívida pública e PIB. Para o Comitê, todas essas transformações caracterizam-se por um elevado grau de perenidade – embora, em virtude dos próprios ciclos econômicos, reversões pontuais e temporárias possam ocorrer – e contruibuem para que a economia brasileira hoje apresente sólidos indicadores de solvência e de liquidez.
34. O Copom também pondera que têm contribuído para a redução das taxas de juros domésticas, inclusive da taxa neutra, o aumento na oferta de poupança externa e a redução no seu custo de captação, as quais, na avaliação do Comitê, em grande parte, são desenvolvimentos de caráter permanente.
35. Diante do exposto, considerando ainda que a desaceleração da economia brasileira no segundo semestre do ano passado foi maior do que se antecipava e que eventos recentes indicam postergação de uma solução definitiva para a crise financeira europeia, neste momento, o Copom atribui elevada probabilidade à concretização de um cenário que contempla a taxa Selic se deslocando para patamares de um dígito.
36. Ao final da reunião, foi registrado que o Comitê voltará a se reunir em 6 de março de 2012, para as apresentações técnicas, e no dia seguinte, para deliberar sobre a política monetária, conforme estabelecido pelo Comunicado nº 21.213, de 29 de junho de 2011.
SUMÁRIO DOS DADOS ANALISADOS PELO COPOM
Inflação
37. O IPCA variou 0,50% em dezembro, ante 0,52% em novembro, de acordo com os dados divulgados pelo IBGE. O resultado do mês refletiu ligeira aceleração dos preços livres e desaceleração dos monitorados. Em relação aos preços livres, que variaram 0,63% em dezembro ante 0,62% em novembro, o movimento foi influenciado pela alta nos preços de bens não comercializáveis, que passaram de 0,67% em novembro para 0,73% em dezembro, enquanto os comercializáveis variaram 0,51% ante 0,57% no mês anterior. Entre os preços de bens não comercializáveis, enfatize-se a desaceleração observada em serviços, com elevação de 0,51% no mês ante 0,59% no mês anterior. Os preços monitorados apresentaram alta de 0,19% em dezembro, ante 0,27% em novembro, com ênfase no recuo dos preços das passagens aéreas, -2,05% em dezembro, em comparação com a variação de 3,91% no mês anterior. A variação mensal do IPCA refletiu, principalmente, a aceleração do aumento dos preços do grupo alimentação e bebidas, com contribuição de 0,29 p.p. no mês, ante 0,25 p.p. em novembro. O índice de difusão situou-se em 64,84% em dezembro, ante 67,19% em novembro. Em 2011, a média do índice atingiu 63,02%, ante 61,18% no ano anterior.
38. Em 2011, o IPCA registrou elevação de 6,50%, ante 5,91% em 2010. A aceleração da inflação em 2011 decorreu do movimento dos preços monitorados, que variaram 6,20% no ano, ante 3,13% em 2010, enquanto os preços livres registraram altas respectivas de 6,63% e 7,09%. Os itens que mais contribuíram para a aceleração dos preços monitorados foram ônibus urbano (8,45% em 2011, ante 7,53% em 2010), gasolina (6,93% em 2011, ante 1,67% em 2010), plano de saúde (7,55% em 2011, ante 6,87% em 2010) e passagens aéreas (52,91% em 2011, ante 3,15% em 2010). Considerados períodos de doze meses, em dezembro os preços livres e monitorados desaceleraram em relação a novembro, quando haviam registrado elevações respectivas de 6,79% e de 6,27%. A evolução dos preços livres decorreu de desaceleração nos preços dos produtos comercializáveis, de 4,87% em novembro para 4,41% em dezembro, enquanto os dos produtos não comercializáveis aceleraram de 8,48% para 8,59% no período analisado. Os preços do segmento de serviços aumentaram 9,01% no acumulado de doze meses até dezembro, ante 9,08%, 8,94% e 9,03% em períodos correspondentes até novembro, outubro e setembro.
39. O IGP-10 variou 0,08% em janeiro, ante 0,19% em dezembro, de acordo com a FGV, registrando-se retração no IPA, aceleração no IPC e desaceleração no INCC. O indicador acumulou variação de 4,90% no período de doze meses finalizado em janeiro, ante 5,33% em dezembro, 6,48% em novembro e 7,25% em outubro. Em 2010, o índice variou 11,30%.
40. O IPA-10 decresceu 0,27% no mês, ante recuo de 0,03% em dezembro, acumulando alta de 4,04% nos últimos doze meses. Os preços dos produtos agropecuários aumentaram 0,44% em janeiro, após queda de 0,12% no mês anterior, acumulando aumento de 3,98% nos últimos doze meses. Os preços dos produtos industriais variaram -0,53% no mês, ante 0,01% em dezembro, acumulando expansão de 4,06% no acumulado em doze meses. O desempenho mensal dos preços dos produtos agropecuários evidenciou, em especial, aumentos nos preços dos itens mandioca, 9,50%; banana, 13,42%; e soja, 1,29%, que exerceram contribuições de 0,07 p.p., 0,05 p.p., e 0,05 p.p., respectivamente. Nos preços dos produtos industriais, a principal influência foi exercida por minerais metálicos, com queda de 5,84% e contribuição para o índice mensal de -0,33 p.p.
41. O IPC-10 registrou elevação de 0,92% em janeiro, ante 0,65% em dezembro, acumulando aumento de 6,20% em doze meses. Houve aceleração mensal em quatro dos sete grupos coletados, com destaque para alimentação (1,77% em janeiro, ante 1,02% em dezembro) e educação, leitura e recreação (1,92% e 0,46%, na ordem), com contribuições respectivas de 0,51 p.p. e 0,17 p.p. no mês. O INCC variou 0,43% no mês, ante 0,53% em dezembro, refletindo desaceleração nos custos da mão de obra, de 0,81% para 0,56%, e aceleração nos preços de materiais, equipamentos e serviços, de 0,24% para 0,31%. O INCC acumulou variação de 7,67% nos últimos doze meses.
42. Três das cinco medidas de núcleo do IPCA calculadas pelo Banco Central registraram aceleração em dezembro. Considerados períodos de doze meses finalizados em dezembro, quatro das medidas apresentaram desaceleração em relação a novembro. O núcleo por exclusão, que exclui dez itens de alimentação no domicílio e combustíveis, aumentou 0,41% no mês, ante 0,47% em novembro, acumulando alta de 6,68% no período de doze meses encerrado em dezembro, ante 6,89% no mês anterior. O núcleo por exclusão de monitorados e alimentação no domicílio aumentou 0,49%, ante 0,45% em novembro, elevando-se 6,96% em doze meses, ante 7,19% em novembro. O núcleo pelo critério de médias aparadas com suavização variou 0,58% em dezembro, ante 0,55% em novembro, acumulando, em doze meses, 6,67% e 6,60%, respectivamente. O núcleo pelo critério de médias aparadas sem suavização cresceu 0,39% em dezembro, ante 0,42% em novembro, acumulando, em doze meses, 5,67% e 5,80%, respectivamente. O núcleo de dupla ponderação aumentou 0,54% em dezembro, ante 0,53% em novembro, registrando variação acumulada em doze meses de 6,95%, ante 7,13% no mês anterior.
43. O IPP/IT ficou estável em novembro, ante variação de 0,76% em outubro, acumulando alta de 2,76% no ano e de 3,20% no período de doze meses encerrado em novembro, ante 4,68% no mês anterior. O desempenho mensal do IPP/IT refletiu, em especial, as elevações associadas às indústrias de bebidas; de coque, produtos derivados de petróleo e biocombustíveis; e de veículos automotores, reboques e carrocerias, com contribuições de 0,06 p.p. em cada segmento, contrabalançadas pelas contribuições negativas de 0,08 p.p. na indústria de alimentos, e de 0,07 p.p. nas de papel e celulose e de metalurgia. A variação do índice no ano foi influenciada, principalmente, pelas contribuições respectivas de 1,03 p.p., 0,57 p.p., e 0,55 p.p., decorrentes dos aumentos de preços nos segmentos de outros produtos químicos; de alimentos; e de coque, produtos derivados de petróleo e biocombustíveis.
44. O Índice Commodities – Brasil (IC-Br) recuou 0,53% em dezembro, refletindo as variações respectivas de -0,81%, 0,36% e -0,32% nos segmentos agropecuária, metal e energia. Nos últimos meses, a variação em doze meses do IC-Br apresentou sensível redução, alcançando -0,35% em dezembro, ante 23,30% em setembro. Em 2010, o IC-Br cresceu 25,62%.
Atividade econômica
45. O Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br) registrou elevação de 1,1% em novembro comparativamente ao mês anterior, acumulando variação de -0,3% no trimestre encerrado em novembro, em relação ao terminado em agosto, quando declinara 0,4% no mesmo tipo de comparação, sempre considerados dados dessazonalizados.Em relação a novembro de 2010, o indicador registrou alta de 0,8%, ante as altas de 0,7% em outubro; 1,3% em setembro; 3% em agosto; e 1,9% em julho. O IBC-Br acumula elevações de 2,8% no ano e de 3% em doze meses.
46. As vendas do comércio ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, aumentaram 1,5% em novembro em relação ao mês anterior, de acordo com dados dessazonalizados da PMC, do IBGE, após queda de 0,3% em outubro e alta de 0,7% em setembro. Por segmento, houve elevação nas vendas de nove dos dez pesquisados, com destaque para a expansão de 8,6% em livros, jornais, revistas e papelaria; 6% em equipamentos e material para escritório, informática e comunicação; e 4,6% em veículos, motos, partes e peças. Somente o segmento relativo a tecidos, vestuário e calçados registrou retração mensal de 0,5%. O comércio ampliado decresceu 0,2% no trimestre encerrado em novembro, relativamente ao terminado em agosto, acumulando alta de 6,9% no ano e de 7,7% em doze meses. As vendas do comércio varejista registraram crescimento mensal de 1,3% em novembro, após estabilidade em outubro e alta de 0,5% em setembro, acumulando elevações de 1,1% em relação ao trimestre findo em agosto, de 6,7% no ano e de 7% em doze meses.
47. Considerados dados observados, as vendas do comércio ampliado apresentaram aumento interanual de 3,2% em novembro, com destaque para as expansões nos segmentos equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, 28,8%; móveis e eletrodomésticos, 12,3%; artigos farmacêuticos e médicos, 8,6%; e hipermercados, supermercados e produtos alimentícios, 6,3%. No período de doze meses encerrado em novembro, o comércio ampliado registrou crescimento de 7,7%, com ênfase nos aumentos das vendas de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, 18,6%; móveis e eletrodomésticos, 16,9%; artigos farmacêuticos e médicos, 10,4%; material de construção, 10%; livros, jornais, revistas e papelaria, 9%; e veículos, e motos, partes e peças, 8,4%.
48. As vendas de autoveículos pelas concessionárias, incluindo automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, registraram retração mensal de 1,6% em dezembro, após elevação de 6% em novembro, de acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), dessazonalizados pelo Banco Central. No trimestre encerrado em dezembro, houve recuo de 0,2%, ante o terminado em setembro, quando variara -2,4%. Em 2011, as vendas de autoveículos cresceram 3,4%, resultado de elevações nos segmentos ônibus, 21,8%; comerciais leves, 14,6%; caminhões, 9,7%; e retração de 0,1% em automóveis.
49. O índice de quantum das importações de bens de capital, divulgado pela Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) e ajustado sazonalmente pelo Banco Central, registrou contração mensal de 7,5% em dezembro. A análise dos dados observados indicou estabilidade em relação a dezembro do ano anterior e expansão de 12,9% em 2011 ante 2010.
50. A produção de bens de capital registrou variação de 1,6% em novembro, acumulando queda de 5,6% no trimestre, relativamente ao finalizado em agosto, de acordo com dados dessazonalizados da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), do IBGE. A principal contribuição relativa para o desempenho positivo da categoria no mês decorreu da expansão de 17,7% na produção de equipamentos para fins industriais seriados, em oposição às quedas respectivas de 16,7% e 5,1% na produção de equipamentos para fins industriais não seriados e de uso misto.
51. A produção de insumos típicos da construção civil registrou retração mensal de 0,4% em novembro, acumulando aumento de 1,2% no trimestre, em relação ao finalizado em agosto, considerados dados dessazonalizados. A produção do segmento aumentou 3,5% em relação a novembro de 2010, com altas acumuladas de 4,2% no ano e de 4,4% em doze meses.
52. Os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) somaram R$130,9 bilhões no período de doze meses encerrado em outubro. A queda de 23,4% em relação a igual período de 2010 refletiu, sobretudo, o recuo de 51,5% dos recursos destinados à indústria de transformação, enquanto os setores extrativo e agropecuário registraram elevações respectivas de 20,6% e de 4,5%. Os desembolsos do BNDES decresceram 26,6% no acumulado do ano até outubro, em relação a igual período de 2010, em decorrência, principalmente, da diminuição de 57,1% nos recursos direcionados à indústria de transformação. No período, 41% desses recursos foram destinados ao setor de infraestrutura, seguindo-se as parcelas alocadas à indústria, 31%; ao comércio e serviços, 20%; e à agropecuária, 8%.
53. A produção física da indústria geral apresentou elevação mensal de 0,3% em novembro, de acordo com dados dessazonalizados do IBGE, após variação de -0,7% em outubro, resultado de expansão de 1,5% na indústria de transformação e de 1,7% na indústria extrativa. Por categorias de uso, a produção de bens de consumo semi e não duráveis aumentou 2,2% no mês, seguida pelas elevações respectivas de 1,6% e de 0,4% nas produções de bens de capital e de bens intermediários, enquanto a produção de bens de consumo duráveis recuou 0,9%. Das 26 atividades da indústria de transformação consideradas na pesquisa, dezessete apresentaram crescimento no mês. A produção da indústria recuou 2,2% no trimestre encerrado em novembro em relação ao terminado em agosto, quando havia decrescido 0,7%, resultado de retração de 2,7% na indústria de transformação, enquanto a atividade extrativa registrou expansão de 1,8%, na mesma base de comparação. A evolução trimestral na indústria de transformação refletiu, em parte, o impacto dos recuos nas atividades da indústria de material eletrônico e equipamentos de computação, 20,7%; de fumo, 16,6%; de diversos, 12,8%; de edição, impressão e reprodução, 11%; e de veículos automotores, 9,4%. Considerados dados observados, a produção física da indústria registrou retração de 2,5% no mês ante igual período do ano anterior, e aumentos respectivos de 0,4% e 0,6% nos acumulados do ano e de doze meses, favorecidos, sobretudo, pela expansão da indústria de bens de capital, que variou 3,6% e 3,8%, respectivamente, nos mesmos períodos.
54. O Nuci da indústria de transformação atingiu 83,4% em dezembro, com elevação de 0,1 p.p. em relação a novembro, segundo dados dessazonalizados da FGV, mantendo-se em nível praticamente estável desde agosto. O segmento de bens de consumo apresentou alta de 1,3 p.p. em relação ao mês anterior, enquanto os indicadores referentes a material de construção, bens intermediários e bens de capital, registraram recuos respectivos de 1,1 p.p., 1 p.p. e 0,8 p.p. Considerada a série observada, o Nuci recuou 1,2 p.p. em relação a dezembro de 2010, resultado de decréscimos nos indicadores das indústrias de bens de consumo, 2,2 p.p.; de material de construção, 2,2 p.p.; de bens intermediários, 2,1 p.p.; e de bens de capital, 1,1 p.p.
55. A produção de autoveículos montados atingiu 262 mil unidades em dezembro, representando expansão de 5,9% em relação a novembro, de acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), dessazonalizados pelo Banco Central. A produção do setor variou -1% em relação a dezembro de 2010 e 0,7% no volume acumulado em 2011.
56. Ainda segundo a Anfavea, o licenciamento de autoveículos nacionais registrou variações negativas de 14,9% em relação a dezembro de 2010 e de 2,8% no acumulado do ano. Considerados dados dessazonalizados pelo Banco Central, ocorreram decréscimos de 1,5% no mês e de 1,3% no trimestre. As exportações de autoveículos montados somaram 48,4 mil unidades em dezembro, representando elevação de 53,1% em relação a igual mês do ano anterior e de 7,7% no acumulado de 2011. Considerada a série dessazonalizada pelo Banco Central, as exportações variaram -4,9% no mês e 5,4% no trimestre.
57. De acordo com o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) do IBGE, referente a dezembro, a safra de grãos do país deverá totalizar 159,9 milhões de toneladas em 2011, elevando-se 6,9% em relação à do ano anterior e 0,2% ante a projeção de novembro. O resultado reflete aumentos estimados de 19%, 10,9%, 9,2% e 0,1% para as safras de arroz, feijão, soja e milho, e recuo de 6,5% para a colheita de trigo. O terceiro prognóstico do instituto para a safra de 2012 indicou que a produção de grãos atingirá 160,3 milhões de toneladas, crescimento de 0,3% em relação a 2011, com retrações respectivas de 11,2%, 11%, 1,9% e 0,9% nas culturas de arroz, trigo, feijão e soja, e elevação de 6,1% na relativa ao milho.
Expectativas e sondagens
58. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), considerados dados dessazonalizados da Sondagem de Expectativas do Consumidor, da FGV, de abrangência nacional, apresentou elevação de 0,5% em dezembro, em relação a novembro, alcançando 119,6 pontos, influenciado pelos aumentos de 1% no Índice da Situação Atual (ISA) e de 0,3% no Índice de Expectativas (IE). Em relação a dezembro de 2010, houve recuo de 1,7% no ICC, resultado de contrações de 3,6% no ISA e de 0,3% no IE.
59. O Índice de Confiança do Setor de Serviços (ICS), calculado pela FGV, recuou 0,7% em dezembro, em relação a novembro, atingindo 128 pontos, refletindo essencialmente retração de 2,5% no IE, enquanto o ISA apresentou elevação de 1,4%, sem ajuste sazonal. O ICS declinou 3,2% em relação a dezembro de 2010, resultado de contrações de 6% no ISA e 0,5% no IE.
60. O Índice de Confiança do Comércio (ICOM), calculado pela Sondagem Conjuntural do Comércio da FGV, atingiu 127 pontos em dezembro, representando decréscimo de 6,4% relativamente a igual mês do ano anterior. O resultado refletiu retrações de 10,3% no Índice de Situação Atual (ISA-COM) e de 2,8% no Índice de Expectativas (IE-COM). No trimestre finalizado em dezembro, o ICOM registrou contração de 6,8% comparativamente ao mesmo período de 2010, influenciado pelas variações negativas de 9,7% no ISA-COM e de 4,6% no IE-COM.
61. O Índice de Confiança da Indústria (ICI), considerados dados dessazonalizados da Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, da FGV, apresentou alta de 1,1% em dezembro, em relação a novembro, situando-se em 101,8 pontos, proporcionado pelos aumentos de 1,9% no ISA e de 0,2% no IE. Em relação a dezembro de 2010, o ICI variou -10,8%, resultado de retrações de 11,2% no ISA e 10,5% no IE.
62. O Índice de Confiança da Construção (ICST), calculado pela Sondagem Conjuntural da Construção, da FGV, atingiu 126,1 pontos em dezembro, representando queda de 9,7% relativamente a igual mês do ano anterior. O resultado refletiu retração de 12,3% no Índice de Situação Atual (ISA-ICST) e de 7,3% no Índice de Expectativas (IE-ICST). No trimestre finalizado em dezembro, o ICST registrou contração de 9,9%, comparativamente ao mesmo período de 2010, influenciado pelas variações negativas de 12,8% no ISA-ICST e de 7,1% no IE-ICST.
Mercado de trabalho
63. Segundo dados divulgados no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do MTE, foram criados 42,7 mil empregos formais em novembro, com aumento de 0,3% no estoque de empregados formais em relação a outubro, após dessazonalização, dos quais 107,9 mil no comércio e 54 mil no setor de serviços; enquanto na indústria de transformação, agropecuária e construção civil ocorreram fechamentos respectivos de 54,3 mil, 42,3 mil e 22,8 mil vagas. No ano até novembro, foram geradas 2 milhões de vagas, ante 2,5 milhões em igual período de 2010.
64. De acordo com a PME, do IBGE, realizada nas seis principais regiões metropolitanas do país, a taxa de desemprego aberto atingiu 5,2% em novembro, menor taxa desde o início da série, em março de 2002, recuando 0,6 p.p. em relação a outubro e 0,5 p.p. comparativamente a igual período do ano anterior. O resultado mensal decorreu de aumento de 0,7% na ocupação, superior à elevação de 0,1% na População Economicamente Ativa (PEA). Considerando dados dessazonalizados, o desemprego atingiu 5,6% em novembro, ante 6% no mês anterior. Segundo a mesma pesquisa, o rendimento médio real habitualmente recebido pelos trabalhadores registrou crescimento de 0,1% em relação ao mês anterior, de 0,7% comparativamente a novembro de 2010 e de 2,7% no acumulado do ano. A massa salarial real, definida como o produto do número de pessoas ocupadas pelo rendimento médio real habitual do trabalho principal, apresentou variações respectivas de 0,8%, de 2,6% e de 4,9%, para os mesmos tipos de comparação.
Crédito e inadimplência
65. O saldo dos empréstimos do sistema financeiro totalizou R$1.984,3 bilhões em novembro, correspondendo a 48,2% do PIB, com elevações de 1,9% no mês, de 16,3% no ano e de 18,2% em doze meses. A carteira de recursos livres, consideradas as mesmas bases comparativas, registrou aumentos de 1,4%, de 14,3% e de 15,8%, refletindo acréscimos de 0,9%, 15% e 17,2% no saldo das operações com pessoas físicas e de 1,9%, 13,5% e 14,4% no relativo a operações com pessoas jurídicas. Os financiamentos com recursos direcionados cresceram 2,9% no mês, 20,2% no ano e 22,8% em doze meses, com ênfase nos aumentos de 2,9%, 38,6% e 44% nos financiamentos habitacionais, nos mesmos períodos.
66. A taxa média anual de juros incidente sobre as operações de crédito referencial recuou 1 p.p. em novembro, para 38,5%. A taxa relativa ao segmento de pessoas jurídicas apresentou estabilidade, situando-se em 29,8%, enquanto a referente ao segmento de pessoas físicas declinou 2,4 p.p., para 44,7%.
67. O prazo médio das operações de crédito referencial subiu para 495 dias em novembro, representando aumento de quatro dias em relação ao mês anterior. O prazo relativo ao segmento de pessoas jurídicas apresentou elevação de quatro dias e o referente ao de pessoas físicas, de cinco dias, atingindo 402 dias e 595 dias, respectivamente.
68. A taxa de inadimplência nas operações de crédito referencial, correspondente a atrasos superiores a noventa dias, cresceu 0,1 p.p., atingindo 5,6% em novembro. As taxas relativas às operações com pessoas jurídicas permaneceram estáveis em 4%, enquanto as referentes a pessoas físicas aumentaram 0,2 p.p., alcançando 7,3%. Em relação às operações com atrasos de quinze a noventa dias, foi registrado declínio de 0,4 p.p. no segmento com pessoas físicas, alcançando 6,5%, e estabilidade em 2,2% nos empréstimos a empresas.
Ambiente externo
69. A atividade econômica nos EUA, nos últimos meses, tem apontado uma recuperação, porém em ritmo ainda lento e de sustentabilidade incerta. O livro Bege reporta crescimento de modesto a moderado nos doze distritos. Essas perspectivas são endossadas por indicadores melhores, embora insuficientes, relativos ao mercado de trabalho e à confiança do consumidor. O Índice de Gerentes de Compras (PMI) da indústria manufatureira atingiu 53,9 pontos em dezembro, nível mais alto em seis meses. No entanto, o balanço de riscos para a economia dos EUA permanece de baixa, influenciado, entre outros, pelo encerramento dos estímulos fiscais neste ano, com expectativa de renovação apenas parcial; pela fragilidade do mercado imobiliário; pela lenta recuperação do mercado de trabalho; e pelo fato de parte importante do recente aumento do consumo dever-se à redução da taxa de poupança. Na Zona do Euro, a produção industrial, em novembro, reduziu-se pelo terceiro mês consecutivo, e o PMI da manufatura referente a dezembro, 46,9 pontos, sugere a continuidade dessa trajetória. A confiança das famílias e do empresariado segue em patamares reduzidos, influenciada pelo agravamento da crise da dívida soberana. No Japão, a atividade econômica está estagnada, reflexo da desaceleração da economia global e da apreciação do iene. O Boletim de Economia Regional, publicado pelo banco central daquele país, reportou, em janeiro, pausa na atividade econômica em sete das nove regiões. A produção industrial do país voltou a recuar em novembro, também influenciada pela interrupção em cadeias de fornecimento de partes para automóveis e computadores provocadas pelas inundações na Tailândia. Na China, apesar dos riscos afetos ao cenário externo e àqueles ligados ao setor imobiliário, a atividade econômica segue em ritmo forte, embora em desaceleração. O PIB cresceu 8,9% no quarto trimestre ante 9,1% registrado no terceiro trimestre, ambos na comparação com iguais períodos do ano anterior. Em bases trimestrais, com ajuste sazonal, o crescimento do PIB chinês desacelerou para 2%, de 2,3% no trimestre anterior. Os dados mensais de produção industrial e vendas no varejo registraram aceleração nas suas taxas de crescimento em dezembro para, respectivamente, 1,1% e 1,4%, 0,9% e 1,3% em novembro.
70. Os mercados acionários vêm demonstrando alguma recuperação desde a última reunião do Copom, consequência de cenário ligeiramente menos incerto em relação à trajetória da economia dos EUA, da possibilidade de amplo acordo na Europa em torno de metas fiscais e também da injeção de €489 bilhões em empréstimos de três anos para os bancos da Zona do Euro. Contudo, os bancos da região seguem preferindo fazer o uso da linha de depósito overnight do BCE, que por vários dias atingiu valores recordes, ultrapassando €500 bilhões. O mercado de dívida soberana da Zona do Euro manteve-se pressionado em razão das perspectivas desfavoráveis para a atividade econômica do bloco e da incerteza em relação ao cumprimento de metas fiscais em alguns países, apresentando, não obstante, certa redução nos prêmios cobrados nas emissões soberanas mais recentes. Em 13 de janeiro, uma agência de classificação de risco comunicou o rebaixamento da nota de crédito de nove países da Zona do Euro, inclusive da França, e posteriormente do crédito de longo prazo do European Financial Stability Facility (EFSF).
71. Os preços internacionais das commodities apresentaram duas tendências marcadamente distintas desde a última reunião do Copom, fechando o período em patamares próximos aos verificados naquela data. Até meados de dezembro, a intensificação da aversão ao risco nos mercados financeiros e a contínua melhora das condições de oferta nos mercados de commodities agropecuárias favoreceram a desvalorização desses produtos. A partir de então, as cotações das commodities inverteram a tendência, influenciadas por adversidades climáticas na América do Sul, no caso das agropecuárias, por tensões geopolíticas, relativas às energéticas, e ainda, em termos gerais, pela divulgação de indicadores econômicos melhores do que o esperado em importantes economias mundiais e pela consequente redução da aversão ao risco nos mercados financeiros.
72. A variação anual do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) recuou nos EUA, em novembro, e na Zona do Euro e no Reino Unido, em dezembro, para, respectivamente, 3,4%, 2,7% e 4,2%, ante 3,9%, 3,0% e 5,0% registrados dois meses antes. No Japão, após três meses consecutivos de inflação apenas moderadamente positiva, a deflação retornou a partir de outubro, com a variação anual do IPC atingindo -0,5% em novembro. Entre as economias emergentes, destaque-se o significativo processo de desinflação na China ao longo do segundo semestre de 2011, com a variação anual do IPC recuando para 4,1% em dezembro ante 6,5% em julho. Em meio ao quadro de desaceleração da inflação e do crescimento, predominou, por parte dos bancos centrais, a postura acomodatícia da política monetária. Os juros oficiais nas economias desenvolvidas permaneceram em patamares excepcionalmente baixos, com o BCE promovendo dois cortes sucessivos de 25 p.b. em sua taxa básica em novembro e dezembro, quando situou-se em 1% a.a. Na reunião de janeiro, o BCE referendou essa decisão. Houve redução de taxas básicas de juros pelos bancos centrais de Israel, Tailândia, Austrália, Suécia, Romênia, Chile (em todos os casos 25 p.b.) e da Noruega (50 p.b.), enquanto os da Colômbia e da Hungria elevaram suas taxas em, respectivamente, 25 p.b. e 50 p.b.
Comércio exterior e reservas internacionais
73. A balança comercial brasileira registrou superávit de US$3,8 bilhões em dezembro, resultado de exportações de US$22,1 bilhões e importações de US$18,3 bilhões. O saldo acumulado em 2011 atingiu US$29,8 bilhões, 47,9% superior ao registrado em 2010, refletindo aumentos de 26,8% nas exportações e de 24,5% nas importações. A corrente de comércio cresceu 25,7% no ano, somando US$482,3 bilhões, ante US$383,7 bilhões em 2010.
74. As reservas internacionais somaram US$352 bilhões em dezembro, com diminuição de US$61 milhões em relação a novembro. Na comparação com dezembro de 2010, as reservas aumentaram US$63,4 bilhões. No mês, não houve operações do Banco Central no mercado doméstico de câmbio.
Mercado monetário e operações de mercado aberto
75. No período posterior à reunião do Copom de novembro, a curva de juros doméstica apresentou aumento de inclinação, com recuo das taxas de curto prazo e elevação das taxas de prazos superiores a seis meses. O movimento da parte curta refletiu, principalmente, a perspectiva de continuidade do ciclo de afrouxamento monetário e a melhora do cenário esperado para a inflação. No trecho longo, a elevação das taxas foi influenciada, no âmbito interno, pelas medidas de incentivo à economia anunciadas pelo governo e pela expectativa de recuperação da atividade econômica. No cenário externo, a divulgação de indicadores econômicos considerados positivos em alguns países, em especial nos EUA, e a recuperação dos preços das commodities também contribuíram para a elevação das taxas de longo prazo. Entre 28 de novembro e 16 de janeiro, as taxas de juros de um, de três e de seis meses recuaram 0,49 p.p., 0,40 p.p. e 0,02 p.p., respectivamente. As taxas para os prazos de um, de dois e de três anos elevaram-se em 0,33 p.p., 0,62 p.p. e 0,58 p.p., respectivamente. A taxa real de juros, medida pelo quociente entre a taxa nominal de um ano e a expectativa de inflação (suavizada) para os próximos doze meses, elevou-se de 3,89% em 28 de novembro de 2011 para 4,46% em 16 de janeiro de 2012, acompanhando, principalmente, a elevação das taxas nominais.
76. Na administração da liquidez do mercado de reservas bancárias, o Banco Central realizou, semanalmente, de 29 de novembro de 2011 a 16 de janeiro de 2012, operações compromissadas com prazo de seis meses, tomando recursos no valor total de R$42,1 bilhões. O saldo diário médio do estoque das operações de longo prazo recuou para R$171,6 bilhões. No mesmo período, realizou operações compromissadas com prazos entre 11 e 35 dias úteis, elevando o saldo diário médio das operações tomadoras de curto prazo para R$171,5 bilhões. O Banco Central atuou, ainda, em 29 oportunidades como tomador e em uma como doador de recursos por meio de operações compromissadas de curtíssimo prazo, e realizou operações de nivelamento, ao final do dia, com prazos de dois dias úteis. As operações de curtíssimo prazo, incluídas as de nivelamento, tiveram saldo diário médio tomador de R$36,4 bilhões no período. O saldo diário médio do estoque total dos compromissos de recompra do Banco Central subiu de R$368,0 bilhões entre 18 de outubro e 28 de novembro de 2011 para R$379,5 bilhões entre 29 de novembro de 2011 e 16 de janeiro de 2012. Considerando-se o período mais recente, o estoque dos compromissos de recompra aumentou de R$348,9 bilhões em 28 de novembro de 2011 para R$460,0 bilhões em 16 de janeiro de 2012. O principal fator que contribuiu para a expansão da liquidez no período foi o resgate líquido de títulos pelo Tesouro Nacional.
77. Entre 29 de novembro de 2011 e 16 de janeiro de 2012, as emissões de títulos decorrentes dos leilões tradicionais do Tesouro Nacional somaram R$30,5 bilhões. A venda de títulos com remuneração prefixada alcançou R$20,8 bilhões, sendo R$17,1 bilhões em Letras do Tesouro Nacional (LTN) com vencimento em 2012, 2013, 2014, 2015 e 2016, e R$3,7 bilhões em Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F) com vencimento em 2017, 2018 e 2021. As vendas de Letras Financeiras do Tesouro (LFT) totalizaram R$3,4 bilhões, com emissão de títulos com vencimento em 2018. Nos leilões de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B) foram vendidos títulos com
2010
O capitalismo é e sempre será um regime eficiente porque se deixa reconstruir sempre que necessário. Não encarcera idéias. No sentido amplo que isso possa significar.
O Brasil hoje é um país exemplar graças principalmente ao modelo econômico-social consistente implantado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e que persiste até hoje. Sejamos justos. Vieram dele a estabilidade da moeda, a Lei de Responsabilidade Fiscal, a recuperação do BNDES, a modernização da Petrobrás, o fortalecimento do Banco do Brasil, capitalizado com mais de R$ 6 bilhões, o programa Avança Brasil, que permitiu concluir um número maior de obras essenciais ao País do que o PAC. A privatização do sistema Telebrás, que possibilitou a democratização do acesso à internet e aos celulares. Sem falar na tão criticada privatização da Vale que hoje rende mais dinheiro à Nação do que esta recebia em dividendos quando a empresa era estatal. No mesmo contexto, a privatização da Embraer que hoje, assim como a Vale, estabeleceu-se como uma das maiores empresas do mundo. Programas bolsa – cuja implantação Lula criticava abertamente -, etc. etc. etc. Em resumo, reconhecer o valor das coisas inteligentes e eficientes é, mais do que simples ação coerente, um ato de justiça.
Guttemberg (sexta-feira, 27/01/2012 às 10:22),
Cada juiz uma sentença que deve guardar relação com a ideologia do juiz. Foi disso que eu tratei no comentário que enviei para você junto ao post “A falta de ousadia do governo Dilma” de domingo, 22/01/2012 às 08:00 e que se constituiu na Coluna Econômica de Luis Nassif naquele dia, 23/01/2012 e como se pode ver no final da segundo página do post e cujo link indico a seguir:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-falta-de-ousadia-do-governo-dilma
Fernando Henrique Cardoso pode até ter feito mais obras do que Lula (Não me preocupo muito em checar a veracidade dessa sua afirmação), mas para isso elevou o déficit público, valorizou o real e levou o país a ter que elevar o juro não só para enfrentar o aumento do déficit público como para enfrentar a crise de 1995 (quando G. Henrique de Barroso F. teve que lançar a banda cambial diante da crise mexicana e enfraquecimento do peso chileno), a crise de 1997 (Também conhecida como crise dos tigres asiáticos), a crise de 1998 (Conhecida como a crise russa), a crise de 1999 (Conhecida como a crise da primeira maxidesvalorização do real) e a crise dos anos que se seguiram, salvo o ano de 2000 (A crise dos anos que se seguiram pode ser considerada como a crise da Argentina se não fosse pelo fato de que em 2001 tivemos a crise conhecida como crise do apagão em que o Brasil teve que reduzir o crescimento do PIB por causa da falta de previdência do governo que não construiu barragens, apenas vendeu as já construídas).
Todas essas crises apesar do nome externo eram crises internas, pois eram crises do real valorizado que precisavam só de uma centelha lá fora para explodir aqui dentro.
Todas essas crises que obrigaram a elevação do juro para evitar a fuga de recursos para o exterior destruíram empregos o que é a pior herança que um governante pode deixar. Pior até talvez do que o próprio crescimento da dívida em ritmo superior ao do crescimento do PIB. Aliás, dívida que cresceu com rolagem de curto prazo e que hoje pressiona a taxa de inflação ficando assim apontada sobre as nossas cabeças qual a espada de Dâmocles. Espada que aponta para o juiz em cada sentença, mas que não aponta para nós quando emitimos opinião que terá maior poder de convencimento não em virtude de estarmos com a razão, mas em virtude da nossa capacidade de retórica. E há pouco que podemos fazer para mudar isso, pois assim é desde que o mundo é mundo.
É claro que se pode alardear o grande feito da venda da Vale, ainda que a preços módicos, pelo aumento do imposto de renda arrecadado pelo governo federal. Ao se fazer isso, no entanto, não se pode esquecer do benefício da Lei Kandir que evidentemente teve o suporte da Vale para ser aprovado no Congresso Nacional e que, se proporcionou mais lucro para ser tributado pela União, prejudicou os estados membros que tinham na arrecadação do ICMS incidente nas exportações de produtos primários e semielaborados a sua grande fonte de renda. E não se pode esquecer de computar nos impostos que a Vale paga os decorrentes da tributação sobre a folha de pagamentos que evidentemente foi o setor mais atingido com os processos de demissão em massa para assegurar mais eficiência à Vale.
Também não se pode esquecer que a Vale mais eficiente significa maior produção de minério de ferro que além de pressionar para baixo o preço do minério, leva a exaustão mais rápida das nossas minas.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 27/01/2012
Guttemberg (sexta-feira, 27/01/2012 às 10:22),
Em meu comentário de sexta-feira, 27/01/2012 às 11:47, o link do post "A falta de ousadia do governo Dilma" não ficou direto. Segue então o link com possibilidade de acesso:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-falta-de-ousadia-do-governo-dilma
Creio que o problema era decorrente do fato de eu estar utilizando uma versão do Chrome provavelmente um tanto desatualizada.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 28/01/2012
Wolf diz o que está claro: a culpa da crise não foi o capitalismo, mas a desídia dos governos em regula-lo.
Esses que o criticam, precisam dizer o que por no lugar, e que já não tenha falido antes.
Lula pode ser até admirado pelos que pensam como Martin Wolff já que, de fato, muito do que ele propõe caberia perfeitamente num discurso de Lula. Penso, no entanto, que, se veem nesse corolário uma tentativa de salvação do capitalismo, estão enormemente enganados. Pois há pelo menos dois fortes impedimentos nas lições de Martin Woff em relação ao fim pretendido.
O primeiro deles é que várias das lições, se aplicadas, cortariam exatamente o estímulo do capitalista que é a busca do lucro crescente. Por que crescer se, quanto mais crescer, mais terá de dividir?
Uma coisa é o trabalhador que faz da venda ou da produção o seu modo de vida e seu ganha-pão. A ele interessa que a maioria das pessoas ganhe mais para que, assim, comprem mais seus produtos. Outra, completamente diferente, é ter a mente permanentemente ocupada com métodos de extrair mais-valia. Lula pensa no primeiro, Wolff pensa no segundo e ambos não se confundem.
O outro óbice é a ideia de se manter financiamento privado de campanha.
A partir do momento em que se admita financiamento privado de campanha, abre-se a porta para cooptação do Estado por interesses particulares e daí nada feito porque, evidentemente, a investidura de um cargo público não unge ninguém com espírito público. Ou se tem espíríto público ou não se tem. E não se pode esperar espírito público com financiamentos privados já que as duas condições são mutuamente excludentes.
Haveria até mais observações a se fazer em relação aos outros pontos mas creio que somente esses dois já dão conta da inviabilidade do "projeto Martin Wolff de salvação do capitalismo de si próprio".
...
Mudar o eixo central da economia
"Nesse sentido, essa ruptura passa por definir alguns novos objetivos na escala dos valores e conceitos econômicos: o primeiro deles é que o eixo central da economia tem que ser mudado. A base da economia tradicional não pode ser estritamente o mercado e, o objeto, a mercadoria como temos presenciado; mas, antes, o indivíduo com suas necessidades básicas e peculiares precisa ser colocado em primeiro plano.
Lembremos, contudo, que a Economia é feita pelos homens e para os homens, no intuito específico de qualificar a vida daqueles que vivem em precárias condições e que, por isso, muitas vezes são levados a morrer precocemente.
Que a Ciência Econômica “carregada” por todos aqueles que vislumbram a necessidade de mudar os atuais modelos macroeconômicos pautados na busca excessiva do lucro fácil para um que seja capaz de construir um mundo melhor seja posta, urgentemente, na direção da igualdade entre os homens.
As diversas crises que a economia e a sociedade, por não raras vezes, são (e tem sido) acometidas (vejamos o caso atual de alguns países europeus) servem para acender a chama da renovação e da urgente mudança, até mesmo porque é inaceitável conviver pacificamente com imposição de certas “ordens” ditadas pelos abonados mandantes da ordem econômico-financeiro-política estabelecida.
Amartya Sen, a esse respeito, certa vez disse que: “É difícil entender como uma ordem mundial compassiva pode incluir tanta gente atormentada pela miséria extrema, pela fome persistente e por vidas miseráveis e sem esperança, e por que a cada ano milhões de crianças inocentes têm de morrer por falta de alimentos, assistência médica ou social”.
Talvez seja por isso que certas situações nos causam tanto incômodo. Vejamos, por exemplo, que os dentes afiados da financeirização internacional que movimentam, em termos especulativos, 3 trilhões de dólares por dia, nos dilaceram a carótida e nos tornam ínfimos e raquíticos perante a força do grande capital.
Bocas esfaimadas
Disso resulta uma constatação que é simplesmente insano; patológico mesmo quando se percebe essas verdades sabendo serem também verdadeiros os números que retratam as desigualdades no mundo atual em que, a cada ano, milhões de pessoas – pobres, miseráveis e indigentes – padecem pela dor física da fome.
Nos dias que correm nesse século XXI, quase 900 milhões de pessoas – crianças, jovens, idosos, homens e mulheres comuns -, vão dormir de barriga vazia; não pela opção estética do corpo magro e perfeito, mas por terem as bocas esfaimadas; porque os famigerados sistemas econômicos que “manipulam” mercados ao doce sabor do lucro e que pelos mercados são “manipulados” em favor dos rápidos retornos financeiros assim determinam tal ordem ignominiosa.
Isso nos leva a outra reflexão para finalizarmos esse assunto. Em se tratando de economia, não tenhamos dúvidas: as ações econômicas possuem diversas dimensões e impactos múltiplos que afetam substancialmente à qualidade de vida das pessoas; às vezes de maneira positiva, outras vezes, de forma negativa. Em outras palavras, em economia somos todos responsáveis pelo que acontece."
Professor MARCUS DE OLIVEIRA é economista e professor de economia da FAC-FITO e do UNIFIEO, em São Paulo - Brasil. Ele é articulista de economia publicados em toda a Lusofonia. Seu mais recente livro é “Pensando como um Economista”. Autor do Coluna, "Conversando sobre Economia" no Zwela Angola. Visite o Blog do Prof. Marcus Eduardo de Oliveira e/ou Twitter
Assis Ribeiro
Ia comentar, mas gosteir do Bill Bonner, não se inventa ou reforma o capitalismo, ele é o que é, o máximo que conseguimos é interpretá-lo com modelos cada vez mais sofisticados, como o que usa a Sierpinsky Gascket.
Obama’s Fairness Doctrine
Reckoning from Baltimore, Maryland...
“The US is going to hell,” we told the group at the Watergate last night.
“You mean the economy is really going to get worse, huh?”
“No, I mean it’s going to hell.”
We had been invited to watch the State of the Union address with a group of dinosaurs...a group approaching extinction with dignity and intelligence. You might call them ‘thinking conservatives,’ ‘paleo- conservatives’ or ‘constitutionalists.’ Whatever they were, they were not like the scoundrels currently running for the Republican nomination or the yahoos who vote for them. They were more like a renegade, retrograde group...like a secret society of White Russian intellectuals after the Revolution of 1917. They cling to hope...that the nation will come to its senses...that the constitution will again be honored...and that the old republic, established by the founding fathers, will be resurrected...
..they will hang on to their hope...until they are hanged by a rope.
“What do you mean?”
“I mean...it is on the road to hell... This isn’t just about losing money. Heck, the US is going broke. But you can go broke with honor. Good people go broke. Smart people go broke. Dumb people go broke. You can’t go to hell with honor. Bad people go to hell.”
“You’re saying the American people are bad?”
“Not by nature. No people are bad by nature. Even Republicans are not bad by nature. Or good. They’re all subject to influence. And now Americans are under a bad spell...being influenced to do terrible things...”
We turned to the TV. There was the commander-in-chief. The gist of his message was that the economy was getting better...thanks to all the feds’ nifty programs and fixes. He spoke of all the wonderful things he and his group of fixers had done.
But he didn’t seem content with what he has achieved. Something vexed the chief executive. It was not the economy. Nor the constitution. Nor the foreign wars.
What stuck in POTUS’s craw was ‘fairness.’ He didn’t seem to think there was enough of it. And he felt it was his job, or part of it, to determine what was fair...and how to make sure it happens.
In his wisdom, he has determined that it isn’t fair for a rich person to pay less than 30% of his income to...well...to the feds.
Here’s the Bloomberg report:
President Barack Obama, offering an election-year prescription to spur the economy, said the wealthiest Americans should pay more taxes in the name of fairness, to bring down the deficit and ensure those trying to make ends meet don’t have to “make up the difference.”
In his State of the Union address last night, Obama called on Congress to embrace a tax plan named for billionaire Warren Buffett that would require those making $1 million or more pay at least 30 percent in taxes. With congressional gridlock heightened by the 2012 election, there is little chance the proposal will pass.
“You can call this class warfare all you want,” Obama said in a nationally televised speech before a joint session of Congress. “But asking a billionaire to pay at least as much as his secretary in taxes? Most Americans would call that common sense.”
The president’s 65-minute address was directed at both voters and Congress. The populist themes — tax fairness, help for homeowners, cracking down on US financial crimes and unfair trade practices in China and investigating the lending practices that preceded the housing crisis — are those he will be repeating as he campaigns for a second term.
On the same day that Barack Obama revealed that 30% was fair, Mitt Romney revealed that he paid less than 14% of his income in US federal taxes.
Fourteen percent of income seems like more than enough to us. Serfs in the Dark Ages paid less. But it’s not enough to satisfy our main man, Barry Obama. He wants more. And all the low-life zombies who decide elections want more too. ‘The rich’ should pay more, they say.
Even a lot of the world’s rich people think so. Also in the news was a report telling us that a group of very nice billionaires has gotten together at a very chilly place and suggested that they should all pay more in taxes.
Ukrainian billionaire Victor Pinchuk wants to talk about income inequality. So does Irish billionaire Denis O’Brien and Indian billionaire Vikas Oberoi.
The three are among a contingent of at least 70 billionaires who are joining more than 2,500 business and political leaders at the World Economic Forum’s annual meeting in Davos, Switzerland, this week, according to a list of attendees and promotional materials obtained by Bloomberg News. A half-dozen of the richest participants, interviewed in advance of the conference, say economic disparity needs to be addressed.
Some sessions in a series labeled “Ensuring Inclusive Growth and Development” will touch on income inequality, said Kevin Steinberg, chief operating officer of the forum in the US. A panel titled “Remodeling Capitalism” is scheduled for Jan. 27 at the Swiss Alpine High School auditorium, six shuttle- bus stops away from the conference’s main location.
See there. A group of people in Davos is going to figure out how to ‘remodel capitalism.’ Out with the dowdy old rattan furniture. Throw out the chintz. Let’s get contemporary!
Already, there’s a problem. If you think you can remodel capitalism you are hopelessly already lost. You must presume someone modeled it in the first place. Who? When? How?
Fact is, capitalism is what you get when you don’t have master designers on the job. It’s what happens when POTUS (presidência dos USA) and the feds leave it alone. It’s what you get when people are allowed to work out their own designs, one by one, willingly... without a gun to their heads... When they can make money or go broke themselves...and Washington doesn’t care.
But that’s the trouble with Davos. They’re all meddlers. They’re all world improvers. And they’re all making the world a worse place.
And more thoughts...
“If James Madison and the rest of the people who were at the constitutional convention came back to the US they wouldn’t recognize it,” said a man we met last night at the Watergate.
“They’d be appalled. They put all that work into the US Constitution...using every trick they could think of to limit the power of the executive branch. Because they knew that if you let the executive branch get away with it, it’s only a matter of time before it becomes a tyrant. It doesn’t matter whether you call it a king or a dictator...or an emperor...once you put too much power in one man’s hands, you will corrupt the man who has the power...and destroy the society that gave it to him.
“That was the whole point of the constitution. It was to limit power. They put in checks and balances...and the Bill of Rights. They thought about it. They figured it out. They wanted to be sure that the US really was different. The people were meant to be sovereign. They were meant to be in control.
“And the role of the government...and the only role of the government...was to protect the liberty and sovereignty of the people. And they knew too that the main threat to individual liberty was the government. That’s why you needed warrants...you need to have a trial by a jury of your peers...you needed habeus corpus. They built all these protections into the system to protect the individual from the government. They weren’t there to protect the individual from Al Qaida or from China. They were there to protect the individual citizen from the government.
“And now, with this anti-terrorism bugaboo all of those protections have gone away. The president has the power to put any American citizen in jail — for life. No charges. No witnesses. No hearing. No trial. No nothing.
“He can have you tortured. He can have you killed.
“I mean, President Obama has powers that King George would have envied. And he got those outrageous powers without a word of protest. Nobody said anything. Congress said nothing. The people said nothing.
“Yeah...I guess that’s what you mean about Americans going to hell. I guess they deserve to go to hell. But, of course, that’s exactly what we’re trying to stop...
“And now the prez has more power than Louis the 14th... And he was upposed to be an absolute monarch I mean, Louis had to pay for his wars. He had to pay for his public buildings. He had the nobility against him much of the time. He had much of Europe against him.
“America was lucky. It was far from Europe. It was protected by oceans from foreign domination. Every backwoodsman had a rifle and he knew how to use it. You know that when King George sent troops to put down the revolution a letter appeared in the London paper. It came from a man who had lived in the colonies. He told his countrymen that if they were shipping out to fight the Americans they should be sure to write their Last Wills and Testaments before they left. Because the Americans all had guns and knew how to use them.
“And that is also why the new government of the US went to such lengths to try to curb the power of the army. There was to be no standing army. The whole idea was a nation of free men. Armed and ready to protect themselves. And the constitution was very clear, if the president wanted to make war he had to convince congress not only to approve it...it also had to raise an army and raise the money to pay for it.
“But now the president can make war on whomever he pleases with no act of Congress. He doesn’t even have to ask the congress for money. There’s so much money sloshing around in the Homeland Security and Pentagon budgets that he can make war on anyone.
“The apologists for this kind of thing say the president will only use his new powers for good causes. But that’s not what history tells us. Even if one or two presidents resist...and govern more or less benevolently, like Caesar Augustus...it won’t be long before we get a Caligula, a Nero, or a Gingrich...
“So now we send out drones and hit squads to kill people in Afghanistan and Pakistan. And soon — it is just a matter of time before the power corrupts the US president, if it hasn’t already — that the drones and hit squads target Americans on American soil.”
“Yeah...you.”
Regards,
Bill Bonner
for The Daily Reckoning
Follow the money, follow the power.
Alexandre Weber - Santos -SP (Sexta-feira, 27/01/2012 às 21:50),
Cuidado com alguns dos articulistas que você lê. Os comentaristas conservadores como Bill Bonner que se apegam a Constituição Americana na sua origem - E ela é muito antiga, de 1776 - têm realmente boas razões para esse apego, pois a Constituição Americana é de uma modernidade incomparável. Nunca esqueça, entretanto, que a Constituição Americana de 1776, tratada como um modelo de constituição concisa, trazia em um artigo o detalhe de autorizar o dono de escravo em um estado de atravessar a fronteira do outro estado para caçar o escravo fugitivo.
Evidente que um artigo assim em uma constituição, não peca só pelo detalhe. E evidente que eu não estou acusando o Bill Bonner de querer que o artigo volte a integrar a Constituição Americana quando ele escreve:
"They (We had been invited to watch the State of the Union address with a group of dinosaurs) cling to hope...that the nation will come to its senses...that the constitution will again be honored...and that the old republic, established by the founding fathers, will be resurrected..."
O que eu vejo no trecho retirado do texto de Bill Bonner é a falta de compreensão que ele tem do capitalismo. A idéia dele que você esposa de que "não se inventa ou reforma o capitalismo, ele é o que é" está correta no sentido que o capitalismo não foi fundado ou inventado e nem que a cada geração algum reformador vem e entrega para uso um reformado capitalismo. Isso não significa, entretanto, que o capitalismo não evolui.
Em outro trecho do artigo Bill Bonner diz:
"If James Madison and the rest of the people who were at the constitutional convention came back to the US they wouldn’t recognize it,” said a man we met last night at the Watergate".
Esse trecho do artigo de Bill Bonner fez-me lembrar uma alegoria que eu utilizo para mostrar o quanto o capitalismo evoluiu. Em resumo eu digo que se Adam Smith ressuscitasse e fosse encarregado de descrever novamente o capitalismo, ele iria concluir estupefato que o sistema econômico que ele tinha diante dele nada guardava relação com o capitalismo que ele descrevera há mais de 230 anos ("A riqueza das Nações" saíra no mesmo ano da promulgação da Constituição Americana).
O grande diferencial do capitalismo da época de Adam Smith com o capitalismo atual é a forte presença do Estado. Não se trata do Estado empreendedor que pode existir e pode ser até de grande utilidade em economias incipientes. Trata-se dos gastos públicos em patamares cada vez mais altos. Gastos crescentes que precisam vir acompanhados de mais arrecadação porque sem receita para cobrir os gastos surge o déficit público e dependendo do tamanho do déficit público, do tamanho do tempo requerido para o pagamento dele e de como ele aumenta a dívida pública, surgem pressões inflacionárias que, a menos que sejam aceitas como naturais, vão requerer aumento do juro e o aumento do juro pode travar a economia.
De todo modo, os gastos públicos crescentes são o aspecto transformador e evolutivo do sistema capitalista. Gastos públicos que, portanto, são realizados pelo Estado que, entretanto, constitui um instrumento de dominação dos poderosos. Na força de um Estado reside a contradição principal do sistema capitalista. Para evoluir, o sistema capitalista precisa de um Estado forte. E o Estado para ser forte precisa arrecadar mais do sistema. O germe que o alimenta é o mesmo que o destrói.
Os ricos deveriam ser os mais interessados na evolução do capitalismo, pois o Estado é um instrumento de dominação dos poderosos e, portanto, o Estado forte serve aos ricos e não aos pobres. Ocorre que quando você acompanha a carga tributária em um país ao longo do tempo observa que a medida que a carga tributária sobe, os mais beneficiados são os pobres. Em síntese, o que se observa é uma melhora no índice de Geni, à medida que a carga tributária sobe.
Cientes dessa relação, muitos defendem o aumento da carga tributária como uma forma de se melhorar a distribuição de renda e consideram que esse processo é mais bem realizado se o aumento da carga tributária incidir sobre os ricos.
Os Estados Unidos e os países mais pobres da Europa têm uma tarefa importante pela frente. Ou reduzem os gastos públicos ou aumentam a carga tributária. O aumento da carga tributária tem melhores efeitos na economia quando se tem a economia em expansão. A redução dos gastos públicos em qualquer situação é uma quimera. O máximo que se consegue são cortes de perfumaria.
David Cameron sabe disso e embora durante a campanha eleitoral tenha prometido reduzir os gastos públicos, não foi isso que fez quando assumiu o cargo de primeiro ministro da Inglaterra. Ele sabe que o montante dos gastos públicos que esses países precisariam reduzir está muito alem da possibilidade. A carga tributária dos Estados Unidos é em torno de 30% do PIB. Os gastos públicos ficam em torno de 40%. A Grécia também está na mesma situação. O que salva os Estados Unidos é a possibilidade de imprimir dinheiro. A Inglaterra também pode fazer isso. E já vinha fazendo desde Gordon Brown. Só que a emissão de dinheiro provoca inflação. Assim a David Cameron quando assumiu o cargo não restou outra opção que aumentar as alíquotas do ICMS daquele país (O IVA (Imposto de Valor Agregado) ou VAT - Value Added Tax, imposto que na Europa é equivalente ao nosso ICMS).
No final da década de 70, um economista inglês disse que a introdução do VAT na Inglaterra quando da entrada da Inglaterra na comunidade européia em 1973 só serviria para que os políticos aumentassem os impostos sem que a população percebesse. É esta a realidade, fala-se em corte de gastos, mas os únicos gastos passíveis de corte pouco representam do total dos gastos. Então a alternativa é ou, em um primeiro momento, emitir mais dinheiro para em um segundo momento, quando a economia iniciar a recuperação, ir aumentando paulatinamente a carga tributária, ou aumentar a carga tributária já de início, agüentando um tranco inicial na economia, e torcer para que mais à frente a economia possa-se recuperar, não precisando subir os juros, pois com maior carga tributária o déficit público diminui.
A questão do discurso de Barack Obama que Bill Bonner pareceu-me que iria comentar foi a demagogia do patriotismo exagerado e desenfreado que Barack Obama utilizou em todo o discurso. O tempo todo ele dizia, os Estados Unidos são o país mais admirado, mais invejado e mais poderoso da terra. Demagogia e patriotismo em mais alto grau ainda que no caso de Barack Obama o discurso fosse verdadeiro. Não creio que Barack Obama se sentiria a vontade em fazer um discurso como aquele para seus alunos na Universidade de Havard. Agora é um discurso repetido em todos os cantos do mundo por todo o político que tenta se eleger ou reeleger, sendo que nos outros cantos do mundo é, como o discurso de Barack Obama, um discurso demagógico e patriótico, mas, ao contrário do discurso de Barack Obama, um discurso falso.
Era a demagogia e o patriotismo do discurso de Barack Obama que eu pensei que Bill Bonner atacaria. À parte a questão da concentração de poder para enfrentar o terrorismo, problema para o qual não vejo uma solução, Bill Bonner centrou as críticas dele naquilo que o próprio Barack Obama chamou de "fairness" e que se destinava principalmente a defender uma alíquota mais alta para os que recebem uma renda elevada. Sim, é demagógico, mas não é patriota. E é uma demagogia leve, com o respaldo de muitos economistas que consideram que é mais justo que os ricos paguem mais impostos que os mais pobres em uma alíquota acima da proporcionalidade. É mais justo, só que para Bill Bonner significa apenas a boa intenção que pavimenta o caminho para o inferno.
Creio que ai está um segundo mau entendimento do sistema capitalista por parte de Bill Bonner. Como a maioria dos cabeças de planilha, ele vê o sistema capitalista como um sistema estático. Ele acredita em determinadas idéias e pensa que uma vez aplicadas e não sofrendo interferências elas vão produzir os mesmos efeitos para sempre. Para ele, a alíquota do imposto de renda tem de ser proporcional e não progressiva. Não só não se deve ter a progressividade no imposto de renda como a alíquota do imposto de renda tem de ser menor. No parágrafo a seguir transcrito ele deixa bem claro a idéia do que seria justo em relação à alíquota do imposto de renda. Diz ele:
“Fourteen percent of income seems like more than enough to us. Serfs in the Dark Ages paid less. But it’s not enough to satisfy our main man, Barry Obama. He wants more. And all the low-life zombies who decide elections want more too. ‘The rich’ should pay more, they say”.
Ele compara a situação atual com a dos servos na idade das trevas ali na Idade Média. Acho justo a imposição de uma alíquota mais alta para os mais ricos. Outra alternativa seria aumentar o imposto sobre consumo. Há os que falam da superioridade do imposto sobre a renda em relação ao imposto sobre o consumo porque no imposto sobre a renda você pode fazer uma incidência maior junto as pessoas mais ricas. Creio que esse é um bom argumento, mas que tem o seu principal fundamento na crença na imutabilidade do sistema capitalista. Os cabeças de planilhas analisam a economia modificando uma variável e tudo mais permanecendo constante. Na verdade tudo mais também se modifica. A idéia que sobressai da exposição de Bill Bonner e de outros como ele é que para eles tudo permanece constante.
Gosto de mostrar o caráter dinâmico do sistema capitalista apresentado dois países absolutamente iguais em que se tinha em um país a regressividade quase absoluta e se cobrava o imposto de renda apenas do salário mínimo em uma alíquota de 80% enquanto em outro país se tinha a progressividade quase absoluta e se cobrava 80% só sobre o salário que excedia 100 salários mínimos. Dava o exemplo na época em que Jô Soares trabalhava com Silvio Santos e apresentava Jô Soares reclamando da nova modalidade de imposto progressivo e pedindo para Silvio Santos aumentar o salário dele e Silvio Santos tendo que reduzir o salário do contra-regra, do cameraman, etc. E hoje o exemplo do imposto regressivo incidindo com uma alíquota de 80% sobre o salário mínimo, elevaria o salário mínimo para R$3.000,00 (Uma alíquota 80% incidindo sobre esse salário daria um salário líquido de R$600,00 que seria dentro do custo de vida atual o mínimo que alguém deveria receber). A elevação do salário mínimo de R$600,00 para R$3.000,00 pode ser pensada como decorrente da própria lei como decorrente de pressões e reivindicações salariais que compõem o caráter dinâmico do sistema capitalista. Ora na verdade quem pagaria o imposto de renda do caixa do supermercado, da secretária do médico não seria propriamente o caixa nem a secretária, mas o supermercado e o médico. Isso não seria alcançado de um só lance, mas seria ao longo do tempo e só se efetivaria em razão do caráter dinâmico do sistema capitalista.
Nos Estados Unidos não há como aumentar o imposto sobre consumo porque não existe um imposto sobre consumo de competência federal como o IVA europeu ou o ICMS brasileiro, ainda que no caso brasileiro a competência seja dos estados-membros. Não resta que aumentar o imposto de renda. Não dá para agir de modo regressivo. Só há espaço para a proporcionalidade e a progressividade. A proporcionalidade ganha menos votos do que progressividade. Então é razoável que os Estados Unidos adotem um sistema tributário que não seja tão diferente do sistema europeu pelo menos nesse aspecto de justiça na compreensão da população.
O que o Bill Bonner defende é que se volta a idade das trevas. Por isso que não acho que seja um bom discurso para servir de orientação para você.
Um pouco mais sobre a questão da tributação e da desigualdade pode ser visto junto ao post Marcelo Neri de 09/02/2010 no blog de NPTO no seguinte endereço:
http://napraticaateoriaeoutra.org/?p=5244
Vale à pena dar uma olhada.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 28/01/2012
Alexandre Weber - Santos -SP (Sexta-feira, 27/01/2012 às 21:50),
Vou deixar a seguir a indicação de três outros posts que ajudam na compreensão sobre minha resistência aos escritos de Bill Bonner.
O primeiro post é mais antigo e trata da questão da cartelização da economia brasileira. Trata-se do post "O capitalismo de Estado brasileiro" de sexta-feira, 26/08/2011 às 15:00 aqui no blog de Luis Nassif e originado de chamada de Raquel_ para artigo de Vladimir Safatle intitulado "Nação cartelizada" e saído na CartaCapital em 25/08/2011 às 17:54h. O endereço do post "O capitalismo de Estado brasileiro" é:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-capitalismo-de-estado-brasileiro
No artigo de Vladimir Safatle, a oligopolização da economia brasileira é apresentada como um anátema, mas como salienta Morales no comentário que ele enviou sexta-feira, 26/08/2011 às 17:05, e que se encontra na segunda página do post, trata-se de uma tendência mundial. Já em um comentário que enviei sexta-feira, 26/08/2011 às 20:58 para junto do comentário de Cláudia Stefani enviado sexta-feira, 26/08/2011 às 14:27, eu procuro mostrar que os oligopólios ao contrário da crença liberal que prega o capitalismo pulverizado é benéfico para a economia, pois é muito mais eficiente não só pela produção em escala que reduz os preços como por evitar a concorrência desnecessária que ocorre por exemplo quando duas farmácias disputam o mesmo nicho de mercado utilizando o dobro de funcionários necessários para o atendimento ao público que poderia ser feito por uma só farmácia (É claro que um governo com problema de desemprego não deve favorecer a oligopolização da economia, pois essa reduz a oferta de trabalho, uma vez que é muito mais eficiente).
O segundo post é “O manifesto de André Lara Resende, por J. Carlos de Assis” de segunda-feira, 30/01/2012 às 11:36 também no blog de Luis Nassi em que Luis Nassif dá destaque para o artigo “O manifesto revolucionário de André Lara Resende” de autoria de J. Carlos de Assis. O endereço do post “O manifesto de André Lara Resende, por J. Carlos de Assis” é:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-manifesto-de-andre-lara-resende-por-j-carlos-de-assis
No artigo “O manifesto revolucionário de André Lara Resende”, José Carlos de Assis critica a análise de André Lara Resende em artigo publicado no Valor Econômico e intitulado “Os limites do possível” e em que André Lara Resende sugere que o mundo deva-se contentar com uma taxa de crescimento zero. José Carlos de Assis faz referência no artigo dele ao post "André Lara Rezende, o demiurgo de uma nota só" de sexta-feira, 20/01/2012 às 11:33 publicado por Luis Nassif e onde, segundo José Carlos de Assis, “Luis Nassif já havia demolido o artigo [de André Lara Resende] com a conhecida competência”. O endereço do post "André Lara Rezende, o demiurgo de uma nota só" é:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/andre-lara-rezende-o-demiurgo-de-uma-nota-so
Todos esses posts são de leitura obrigatória para o entendimento do funcionamento do sistema capitalista e para que se possa preparar para o futuro para onde o sistema econômico está nos levando (Ainda que provavelmente não estejamos lá no final do túnel).
Clever Mendes de Oliveira
BH, 31/01/2012
Muito boa, a sintese, Nassif, das ideas de Martin Wolff.
São alguns príncípios claros que devem nortear o nosso capitalismo que, gostem ou não, é o único modelo atualmente viável.
Sendo assim temos que cuidar para que ele não se destrua a si próprio e se desenvolva de maneira mais sustentável, podendo proporcionar melhoria de vida a toda a população do planeta.
@DanielQuireza
Capitalismo sustentável, existe isso ?
A única possibilidade de reinvenção do capitalismo, seria uma forte guinada à esquerda, caminhando esta nova forma de capitalismo, para uma política inteiramente voltada para o social, antes que aquela velha forma de capitalismo selvagem, acabasse de "enterrar"a metodologia até então praticada.
E para conseguir "navegar" seguramente neste "oceano" tão conturbado, o Brasil iniciou esta revolução na forma de administrar sua política economica, sem desprezar totalmente o capitalismo, porem adequa-lo às nossas necessidades, socilizando-o, vamos dizer assim, à moda tupiniquim, desde a 1ª gestão Lula, e aos poucos, o mundo dito desenvolvido, está seguindo nossos passos.
Só assim, entendo este "sonhado" capitalismo sustentável.
Sempre ficamos mais experientes, após perdermos algumas batalhas, na guerra diária da vida.
Luis Nassif,
Martin Wolf diz algumas coisas que me interessaram.
A primeira consta do seguinte parágrafo:
"Muitas dessas mudanças eram irresistíveis e são irreversíveis. Mas o nível e o crescimento da desigualdade varia, efetivamente, de país para país, o que sugere que estruturas econômicas e políticas econômicas modificam os resultados. A partir da década de 1980, os EUA e o Reino Unido, por exemplo, viram uma elevação muito mais rápida da renda real no decil superior do que no decil inferior da distribuição de renda domiciliar. Na França, isso foi no rumo oposto".
A explicação que ele dá para a diferença no resultado nos últimos 30 anos parece-me ser correta, mas ele não procura salientar um aspecto que pode ater ser originado na diferença de políticas econômicas adotadas, mas que é um fator aparentemente sem vinculação ideológica com os partidos que estiveram no poder na Franca e na Inglaterra ou Estados Unidos. Trata-se da carga tributária que aumentou na França e não aumentou na Inglaterra ou nos Estados Unidos (É bem verdade que não houve o aumento nos Estados Unidos principalmente em razão da ideologia). O meu ponto de vista é que ao colocar Estados Unidos e Inglaterra de um lado e a França do outro, fazendo a comparação desde 1980, ele deixa a entender que tudo dependeu de um governo liberalizante de Ronald Reagan e Margaret Thatcher comparado com um governo socialista na França. Ocorre que se colocar a Alemanha no lugar da França, a comparação será favorável a Alemanha no resultado referente ao combate a desigualdade. A razão é que a França e a Alemanha, apesar de já possuírem uma alta carga tributária, aumentaram ainda mais a carga tributária no período. Pareceu-me que Martin Wolf não quis tomar partido pelo aumento da carga tributária, talvez mais por escrever no Financial Times do que por desconhecer a razão da desigualdade.
A segunda observação de Martin Wolf que me chamou a atenção foi a importância que ele dá a geração de emprego em uma sociedade. É o que se depreende do seguinte parágrafo:
“Muitos argumentariam que a desigualdade não é importante. Para isso, há duas respostas poderosas. A primeira é que é importante se for politicamente relevante. E é. A segunda é que a desigualdade de consequências tem forte influência sobre a igualdade de oportunidades, sobre a qual muito mais pessoas se importam. É mais difícil para as crianças que crescem em privação terem acesso a um começo razoável, na vida, do que as pessoas criadas em condições mais felizes. O esforço torna-se ainda mais difícil se os pais não conseguem encontrar trabalho que os remunerem adequadamente e os jovens não têm chance disso ao entrar no mercado de trabalho”.
Fornecer trabalho digno e bem remunerado, ou pelo menos remunerado para permitir uma vida digna deve constituir uma obrigação do Estado, assim como é obrigação garantir educação e saúde. Um governante que não dá atenção a geração de emprego, preferindo fazer a opção de baixar a inflação para ficar bem junto a maioria da população, mas desagregando milhares de famílias age com total ausência de responsabilidade.
A terceira observação de Martin Wolf que me chamou a atenção é integração do processo de distribuição de renda com o processo de geração de emprego. Ele faz a defesa da distribuição direta de renda em que se ressalta o subsídio ou disponibilização direta de postos de trabalho. É o que se vê no parágrafo transcrito a seguir:
"Quais são as respostas? Entre elas está, necessariamente, uma explícita redistribuição fiscal dos vencedores para os perdedores, e particularmente para os filhos dos perdedores; subsídio ou disponibilização direta de postos de trabalho; grandes esforços para melhorar a qualidade da educação e dos cuidados com a infância para todos, inclusive financiamento público de acesso ao ensino superior e uma determinação no sentido de sustentar a demanda de forma mais eficaz em meio a crises graves".
A intenção de Martin Wolf é a da social democracia. Distribuir renda e aumentar a oferta de trabalho assegurando ao mesmo tempo educação de boa qualidade e saúde. Não deixa claro que para se ter isso é preciso de um Estado forte e nem do que é preciso para se ter um Estado forte. Para mim a forma de tornar um Estado forte é aumentar a carga tributária.
E considero falha a lição dele sobre a tributação. Diz ele em dois parágrafos que transcrevo a seguir:
"O ímpeto geral das discussões políticas, muito particularmente nos Estados Unidos, é contra toda e qualquer tributação. No entanto, os impostos têm um papel decisivo, para o bem e para o mal, na determinação de como funciona a economia de mercado. Os impostos determinam os recursos disponíveis para a disponibilização de bens e serviços públicos essenciais. Finalmente, os impostos podem fazer uma grande diferença no que diz respeito à desigualdade.
Quais são as respostas? Uma das tarefas mais importantes é eliminar os incentivos à alavancagem incorporados nos impostos sobre pessoas físicas e empresas. No que diz respeito à tributação sobre empresas, tratar ações e dívida em iguais condições pode reduzir significativamente a fragilidade. Outra ideia sensata é transferir a carga tributária da renda para o consumo e a riqueza. Ainda outro objetivo é assegurar que as pessoas mais ricas paguem impostos. Atualmente, uma série de brechas legais protegem os ricos, inclusive a possibilidade de converter renda em ganhos de capital. Parte disso exige cooperação em nível mundial, algo terrivelmente difícil de obter".
A proposta de transferir a carga tributária da renda para o consumo e a riqueza não tem a importância que ele parece dar, não é executável nos Estados Unidos, pois lá a União, isto é, o governo federal, teria dificuldade de instituir um imposto sobre consumo e na verdade o imposto sobre consumo é só uma forma de aumentar o campo de incidência da tributação de modo a obter mais recursos com alíquotas menores. Com alíquota de 20% na renda e 20% no consumo se pode ter uma receita quase igual a que se obtém com uma alíquota de 40% só na renda ou só no consumo, sendo muito mais difícil ter uma carga tributária com uma alíquota de 40% do que com uma alíquota de 20%. (É mais difícil ter uma carga tributária não só no sentido de instituir e cobrar como também no sentido de receber, pois com uma alíquota maior a população se posicionará muito mais fortemente contra a tributação).
Disse que mudar a estrutura da carga tributária como Martin Wolf propõe não é importante porque como eu digo em meu comentário de sábado, 28/01/2012 às 18:29 para o comentário de Alexandre Weber - Santos -SP de sexta-feira, 27/01/2012 às 21:50, o sistema capitalista é um sistema dinâmico e se adapta a cada modelo de tributação e faz a distribuição da carga tributária de acordo com as forças que cada grupo possui. Eu prefiro uma carga tributária com um perfil distributivo, mas o importante é o tamanho da carga tributária. O problema dos Estados Unidos é aumentar a carga tributária porque ele só pode fazer isso via aumento da alíquota do imposto de renda ou no máximo como na situação atual reduzir os benefícios. E para tormento dos Estados Unidos o aumento da alíquota do imposto de renda é de menor aceitação popular do que o aumento da alíquota do consumo ainda que o consumo atinja a população mais pobre e como há faixa de isenção no imposto de renda este praticamente não atinja as pessoas mais pobres.
E por fim Martin Wolf faz uma afirmação que em mim apenas gerou dúvida. O que ele quis dizer quando afirma:
"Em mais longo prazo, a resposta estará provavelmente em mais governança em nível mundial".
Afinal o que ele quis dizer com governança global? O que ocorre na Europa, com os países perdendo a soberania, mas não para os povos de todas as nações juntas e sim por um corpo técnico cada vez mais afastado do mundo político seria o exemplo de governança global pela qual Martin Wolf esteja lutando?
Clever Mendes de Oliveira
BH, 29/01/2012
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