Polêmica em torno da Faculdade de Filosofia da USP

Por Sergio Saraiva

Da Folha de S. Paulo

LUIZ FELIPE PONDE

O erro de Foucault

 

A revolução do Irã e seu fascínio pelo martírio foram importantes no "último Foucault"

Você sabia que o pensador da nova esquerda Michel Foucault foi um forte simpatizante da revolução fanática iraniana de 1979? Sim, foi sim, apesar de seu séquito na academia gostar de esconder esse "erro de Foucault" a sete chaves.

Fico impressionado quando intelectuais defendem o Irã dizendo que o Estado xiita não é um horror.

O guru Foucault ainda teve a desculpa de que, quando teve seu "orgasmo xiita", após suas visitas ao Irã por duas vezes em 1978, e ao aiatolá Khomeini exilado em Paris também em 1978, ainda não dava tempo para ver no que ia dar aquilo.

Desculpa esfarrapada de qualquer jeito. Como o "gênio" contra os "aparelhos da repressão" não sentiu o cheiro de carne queimada no Irã de então? Acho que ele errou porque no fundo amava o "Eros xiita".

Mas como bem disse meu colega J. P. Coutinho em sua coluna alguns dias atrás nesta Folha, citando por sua vez um colunista de língua inglesa, às vezes é melhor dar o destino de um país na mão do primeiro nome que acharmos na lista telefônica do que nas mãos do corpo docente de algum departamento de ciências humanas. E por quê?

Porque muitos dos nossos colegas acadêmicos são uns irresponsáveis que ficam fazendo a cabeça de seus alunos no sentido de acreditarem cegamente nas bobagens que autores (como Foucault) escrevem em suas alcovas.

No recente caso da USP, como em tantos outros, o fenômeno se repete. O modo como muito desses "estudantes" (muitos deles nem são estudantes de fato, são profissionais de bagunçar o cotidiano da universidade e mais nada) agem, nos faz pensar no tipo de fé "foucaultiana" numa "espiritualidade política contra as tecnologias da repressão".

E onde Foucault encontrou sua inspiração para esse nome chique para fanatismo chamado "espiritualidade política"?

Leiam o excelente volume "Foucault e a Revolução Iraniana", de Janet Afary e Kevin B. Anderson, publicado pela É Realizações, e vocês verão como a revolução xiita do Irã e seu fascínio pelo martírio e pela irracionalidade foram importantes no "último Foucault".

As ciências humanas (das quais faço parte) se caracterizam por sua quase inutilidade prática e, portanto, quase impossibilidade de verificação de resultados.

Esse vazio de critérios de aplicação garante outro tipo de vazio: o vazio de responsabilidade pelo que é passado aos alunos.

Muitos docentes simplesmente "lavam o cérebro" dos alunos usando os "dois caras" que leram no doutorado e que assumem ter descoberto o que é o homem, o mundo, e como reformá-los. Duvide de todo professor que quer reformar o mundo a partir de seu doutorado.

Não é por acaso que alunos e docentes de ciências humanas aderem tão facilmente a manifestações vazias, como a recente da USP, ou a quaisquer outras, como a dos desocupados de Wall Street ou de São Paulo.

Essa crítica ao vazio prático das ciências humanas já foi feita mesmo por sociólogos peso pesado, em momentos distintos, como Edmund Burke, Robert Nisbet e Norbert Elias.

Essa crítica não quer dizer que devemos acabar com as ciências humanas, mas sim que devemos ficar atentos a equívocos causados por essa sua peculiar carência: sua inutilidade prática e, por isso mesmo, como decorrência dessa, um tipo específico de cegueira teórica. Nesse caso, refiro-me ao seu constante equívoco quanto à realidade.

Trocando em miúdos: as ciências humanas e seus "atores sociais" viajam na maionese em meio a seus delírios em sala de aula, tecendo julgamentos (que julgam científicos e racionais) sem nenhuma responsabilidade.

Proponho que da próxima vez que "os indignados sem causa" ocuparem a faculdade de filosofia da USP (ou "FeFeLeCHe", nome horrível!) que sejam trancados lá até que descubram que não são donos do mundo e que a USP (sou um egresso da faculdade de filosofia da USP) não é o quintal de seus delírios.

Agem com a USP não muito diferente da falsa aristocracia política de Brasília: "sequestram" o público a serviço de seus pequenos interesses.

No caso desses "xiitas das ciências humanas", seus pequenos delírios de grande "espiritualidade política".

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada/10115-o-erro-de-foucault.shtml

 

VLADIMIR SAFATLE

Sem resposta

 

"O estilo é o próprio homem." Essa frase do conde de Buffon, enunciada à ocasião de sua entrada na Academia Francesa, merece ser levada a sério.

Ela nos lembra como determinados homens sabem que nada lhes é mais importante do que conservar um certo tom, uma forma que aparece, sobretudo, na palavra escrita. Eles sabem que, se perderem tal forma, trairão o que lhes é mais importante, a saber, um modo de ser.

Isso talvez explique porque eles nunca responderão a situações nas quais a palavra escrita resvala para o pugilato, nas quais ela flerta com as cenas da mais tosca briga de rua com seus palavrões e suas acusações "ad hominen". Seria, simplesmente, ignorar a força seletiva do estilo.

Ele aproxima certas pessoas, mesmo que suas ideias sejam radicalmente antagônicas, assim como afasta definitivamente outras.

Houve uma época, não muito distante, que o pensamento conservador teve mais estilo. Há de se reconhecer que, para alguém de esquerda,

seria uma experiência de aprimoramento discutir com conservadores como Daniel Bell, Leo Strauss, Isaiah Berlin

ou mesmo com o anarcocapitalista Robert Nozick, entre tantos outros de inegável inteligência. Ganha-se em precisão quando ouvimos oponentes sem precisar reduzi-los a caricatura.

No Brasil, atualmente somos obrigados a ter certa nostalgia da época em que o pensamento conservador nacional conseguia produzir alguém como José Guilherme Merquior, mesmo que este tenha terminado como ghost-writer de Fernando Collor. De toda forma, ao menos ele realmente lia os autores que criticava, o que parece ter se tornado algo supérfluo nos dias que correm.

Na verdade, hoje tem-se a impressão de que os conservadores rumam para transformar Glenn Beck, com sua finesse intelectual de comentarista político da Fox News e seus fieis leitores de Oklahoma (ou qualquer outra província perdida no interior dos EUA), em ideal de vida. Ou seja, seu ideal de discussão é aquele dos radialistas rasos da América profunda. O mínimo que se pode dizer é que sofrem de um problema radical de estilo.

Por sinal, que existam "fieis leitores" a validar tais procedimentos, eis algo que não deve nos estranhar. Quando um pensamento chega perto do fim, ele tende a gritar de maneira desesperada e violenta.

Ele pede adesão incondicional e tal pedido ressoa, principalmente, na mente daqueles cujo último riso é apenas o sarcasmo da autoglorificação e do ressentimento.

Tudo o que se pode desejar a esse respeito é que seu riso seja bem pago. Amém. Outros preferem ver esse espetáculo em silêncio.

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58 comentários
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Hélio Jorge Cordeiro

Quem disse que foi um erro mister?!

 

Hélio Jorge Cordeiro

 
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Hans Bintje

Erros e erros. Fico com os erros da "FeFeLeCHe", um dos poucos lugares interessantes na cultura de São Paulo.

É um prazer para mim assistir uma aula sobre Spinoza fora da Holanda, ver os alunos lendo Shakespeare e aprendendo sobre "Such Stuff as Dreams Are Made on".

Quer ouvir sobre Sêneca, lá é o lugar: "A vida, se bem empregada, é suficientemente longa e nos foi dada com muita generosidade para a realização de importantes tarefas. Ao contrário, se desperdiçada no luxo e na indiferença, se nenhuma obra é concretizada, por fim, se não se respeita nenhum valor, não realizamos aquilo que deveríamos realizar, sentimos que ela realmente se esvai".

Eu lamento que o antigo aluno da "FeFeLeCHe", crítico amargo da Faculdade, tenha esquecido de outro pensamento de Sêneca:

"Você será avarento se conviver com homens mesquinhos e avarentos. Será vaidoso se conviver com homens arrogantes. Jamais se livrará da crueldade se compartilhar sua casa com um torturador. Alimentará sua luxúria confraternizando-se com os adúlteros. Se quer se livrar de seus vícios, mantenha-se afastado do exemplo dos viciados".

 
 
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Ivan Moraes

A gente ate desanimemos de ler o resto...

"Você sabia que o pensador da nova esquerda Michel Foucault foi um forte simpatizante da revolução fanática iraniana de 1979? Sim, foi sim, apesar de seu séquito na academia gostar de esconder esse "erro de Foucault" a sete chaves":

A expressao "em retrospecto" esta suposta a ter uma denotacao de honestidade.  Essa setnenca acima nao tem pois olha "em retrospecto" pra uminha pessoa quando para todos os efeitos -inclusive mediaticos- nao houve quem nao foi "simpatizante" da revolucao iraniana em 1979.

Tou desanimado de ler o resto e ainda nem sei o que tem a ver com a USP-Fil...

 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 
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Edson Joanni

nem perca seu tempo, Ivan. Logo a seguir ele desenca as ciências humanas dizendo que não servem para nada prático!!!

Lixo.

 

Milicos de pijamas não terão mais sossego em suas camas! Comissão da Verdade já!

 
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Elder

linha de raciocinio dos esquerdopatas:

eu odeio os eua.

e odeio o irã.

mas odeio os eua mais do que irã.

só que o irã também odeia os eua.

então eu amo o irã.

 
 
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Leider Lincoln

Veja o raciocínio de quem usa o "esgotês": não produz nada além do que um exemplar medíocre e deplorável de lógica formal aristotélica. Mais que isso? Como!?! É difícil se argumentar zurrando, né?

 

Leider Lincoln

 
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Ivan Moraes

"exemplar medíocre e deplorável de lógica formal aristotélica":

Mais pra "parodia" mesmo.  O item nao eh confiavel porque nao eh honesto desde o comecinho.  Eu estava saindo do Brasil em 1979, e lembro me da cobertura todinha.  Toda "simpatizante".  Nao havia a menor maneira de prever coisas como fanatismo religioso a nivel nacional, e muito menos a

http://en.wikipedia.org/wiki/Iran_hostage_crisis

invasao da embaixada em novembro.

 

@Edson:  nao li mesmo.

 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 
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Ivan Moraes

(A proposito de nada em particular, Leider: uma das ultimas coisas que ouvi minha mae me dizer no aeroporto quando sai do Brasil foi que se os EUA entrasse em guerra com o Iran por causa da embaixada era pra voltar correndo pro Brasil que ainda ia ter lugar pra mim na casa dela. Ate hoje isso me da calafrios...)

 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 
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Leider Lincoln

E que vontade a sua, de entender Foucault, né? Para poder criticá-lo também... Mas que jeito, né? Formação intelectual não deixa, então o jeito é dar uma de foca e ficar batendo palmas para o ridículo do Condé, que escreve para impressionar gente como você!

 

Leider Lincoln

 
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Elder

meu amigo, eu nem procurei saber quem era o autor do texto antes de comentar. não me interesso por fontes, mas por conteudos. e o conteudo desse texto é bom, pelo menos pra mim. já li outros textos do pondé e achei o horror dos horrores. mas nesse especificamente, ele acertou. vou discordar só porque é uma fonte que produz mais lixo do que coisa aproveitavel? não sou assim. a mim não interessa quem fala, mas sim o que fala. sei reconhecer que tanto os sabios tem seus momentos de estupidez quanto os estupidos tem seus momentos de sabedoria. 

 
 
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L.

Nossa, esse Elder, no melhor estilo 'tenho orgulho da minha ignorancia'. Nao e' saudavel isso. 

 
 
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jefcandido

"nem procurei saber quem era o autor do texto". Claro Elder, todo discurso é desinteressado, não é mesmo? Que importa quem fala? Tsc tsc. "Diga-me com quem andas e te direi quem és", conhece esse ditado?

 
 
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Servvs Iacominvs

O duro é que Deus às vezes fala pela boca de um asno. Hua hua hua.

 
 
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Vinicius Carioca

não existe esse amor pelo Irã, o que existe sim é o entendimento de que este país com todas as suas contradições tem o direiro de tomar suas próprias decisões...e caso em algum momento estas decisões afetem a vida de outras pessoas no mundo, que o organismo usado para mediar conflitos seja a ONU...o que se rejeita dos americanso não é a sua democracia, muito pelo contrário, esta deve ser invejada em muitos aspectos, mas a interferência que este pratica em todos os cantos do mundo sem qualquer legitimidade a não ser a bélica, deixando o diálogo de lado, posando como o mocinho quando muitas guerras promovidas escondem interesses escusos.

 
 
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Maria Fulô

Pois é... Foucalt era maluco, Chomsky virou marciano, Marx sempre foi lunático, e por aí vai. A única coisa consistente, que mantém a humanidade na linha do "progresso" é o capitalismo e sua minoria vencedora. Espero que vocês estejam sendo bem remunerados para defender esta Ordem do Discurso Capitalista que aí está. 

 
 
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Murilo - SP

O mais triste não é, em si, o texto do Ponde. Mas a certeza de que ele não compreenderá, dada a sua escancarada deficiência intelectual, nenhum parágrafo do texto do Safatle...

 
 
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Sanzio

Não se preocupe, o Marco Antonio Villa ou o Demétrio Magnoli virão em seu socorro e lhe explicarão que o Safatle acha que tudo que eles falam e escrevem cheira mal, mas que, na verdade, o mau cheiro é culpa do Lula, que não mandou a Força Aérea despejar Bom Ar sobre o território nacional.

 
 
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Gambazinho

"Professor da Faap e da PUC, em São Paulo"

Será que não ter conseguido ser professor da USP faz de Pondé um revoltado? Ou será que apena ele conseguiu entender o que de fato Foucalt pensava? É mais um "pau mandado" da Veja... 

 
 
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Paulo Eduardo

Ai, ai, "Último Foucault", as vezes esta abordagem filosófica - que é bem específica de um corpo teórico na acadêmia, e mais interna na História da Filosofia - da nos ovos, sorry!

Não ia comentar o texto do Ponde, mas achei...

Algumas coisas engraçada no textículo do Ponde, é assim: o cabra, vem com esta história de "o último Focault" - a filosofia as vezes com estas "periodizações" toscas! - como se fosse possível, primeiro, estabelecer uma coerência totalizante na produção teórica de qualquer autor.

Segundo como não conseguem isto, começam com esse blá, blá, de "primeiro Foucault", "o último Foucault", "jovem Marx", "velho Marx" - hehe! só sei dele velhote e barbudo! - e mesmo aqui, achar uma coerência teórica - talvez temática! - é algo ridículo, ainda mais para cima de Foucault, que mais do que responder questões, criou "problemas", metodológicos, epistemológicos, teóricos, etc.

Mas tem uma parte, mais interessante e que trasborda no texto do Ponde, o ponderado: é a idéia de "paixão de Foucault" pelo regime iraniano! Nossa que novidade?! Não?

Pô, Foucault foi "apaixonado" pela Revolução Cultural Chinesa, e nunca vi ninguém esconder isso na "acadêmia", nem mesmo esta questão do atração - e talvez, a atração, nem fosse teórica, mas física simplismente! - de Foucault pelo "eros iraniano"! E qual é o agravante disto para com a produção teórica de Foucault?!

Aliás, estes termos escolhidos por Ponde, são só viés subliminar de apontar o dedo para outra faceta de Foucault , ainda mais se juntarmos o que Ponde diz sobre o que os teóricos produzem na "ALCOVA".

Qual será a Alcova de Ponde?! Alguém sabe?!

E pq tanto ódio para com FeFeLeCHe e seu corpo docente e discente, para um egresso de lá, e um quadro importante da PUC, isso soa estranho! Ele é da PUC, né?

Flw

P.s.: e não sei se o texto Saflate é em resposta ao de Ponde, mas vai direto ao ponto.

 
 
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Mucuim

O erro de Pondépor Ruda Ricci As participações de Luiz Felipe Pondé me incomodam da mesma maneira que as participações do historiador Marco Villa. Não chega a ser um grande incômodo, mas confesso que o tom de censura e militância cria uma espécie de freio emocional.
Hoje, Pondé me dá argumentos racionais ao sentimento. No seu artigo "O erro de Foucault", publicado na Folha (página E8), começa sintomaticamente denunciando o apoio que Michel Foucault teria dado á revolução iraniana no final de sua vida e avança sobre a ocupação da reitoria da USP pelos estudantes. A ponte entre Foucault e os estudantes da USP não é ingênua. Foucault ficou conhecido por protagonizar seminários famosos durante as barricadas de Maio de 68, em Paris.
Qualquer um tem direito de discordar das teorias libertárias ou da esquerda. Mas é preciso se conter ou se joga a água com o bebê juntos, ou seja, elimina-se a boa relação democrática entre contrários. Pondé caiu nesta vala no artigo de hoje. Termina o artigo assim:
Proponho que da próxima vez que os indignados sem causa ocuparem a faculdade de filosofia da USP (ou fefeleche, nome horrível) que sejam trancados lá até que descubram que não são donos do mundo e que a USP (sou egresso da faculdade de filosofia da USP) não é o quintal de seus delírios.Não é possível que alguém que pretensamente esteja defendendo a democracia e a ordem brinque desta maneira num artigo publicado no maior jornal do país. O artigo não fica apenas nesta frase. É uma "rodada de baiana" no estilo "Cansei".
O que prova que realmente o uso do cachimbo pode entortar a boca. Link: http://rudaricci.blogspot.com/2011/11/o-erro-de-ponde.html

 
 
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Jotavê

Algumas manifestações de quem defende a invasão da Reitoria da USP são rasas e mal argumentadas. Outras merecem consideração e resposta. Algumas manifestações de quem é contra a invasão da Reitoria da USP são rasas e mal argumentadas. Outras merecem consideração e resposta.

Não é simplesmente óbvio?

Por que meus débeis mentais são piores que os outros?

Olhem em volta. Estamos num espaço de esquerda. Outro dia, uma leitora respondeu a um comentário do André Araújo postando a fotografia de um supositório. A mesma sede de violência verbal que existe de um lado, existe também do outro - e ambas são lamentáveis. A política se futebolizou, e ai de quem tenta manter a racionalidade no meio do tiroteio.

Repito a pergunta. Por que meus débeis mentais são piores que os outros?

 
 
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Whatever

O Conde e o Safatle são débeis mentais?

Não vem que não tem. Aqui, não são débeis mentais que se enfrentam. São, de um lado, um cara, que afora 2 ou 3 bons insights sobre o politicamente correto, é a expressão cristalina do que o Safatle descreve, e do outro, um colega seu, estudioso sério da política.

Vc é que quer reduzir tudo a Fla-Flu, há momentos de Fla-Flu em tudo na vida, mas não é disso o que esses textos acima tratam.

Vc tem que fazer a lição de casa.

 
 
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Jotavê

Que coisa maluca... As pessoas leem o que elas querem ler, e pronto. Não é nada disso, cara. Vladimir é um intelectual de primeira linha. Ah, deixa prá lá...

 
 
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Ivan Moraes

"Algumas manifestações de quem defende a invasão da Reitoria da USP são rasas e mal argumentadas":

A minoria das minorias eh o que voce escolhe pra criticar?!  Assim nao da!

Virtualmente ninguem apareceu aqui no blog pra "defender" essa invasao idiota!

 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 
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Paulo Eduardo

Ei, ei!

Eu defendo a ocupação da reitoria.

E isso não quer dizer que ache que era a melhor forma de agir (ocupar a reitoria) e nem acho que foi algo idiota - no máximo infantil, afobada, pois buscou agir para atingir um fim! idiota é a truculência do Gov de SP, que com todos os recursos que têm apelou para a força! - mas, sim pq que aqueles estudantes tem o direito de serem "toscos políticamentes" e acreditarem que aquela forma de fazer política era a mais acertada naquela circuntância.

Putz, será que sou raso?!
Bom, pelo menos se vier água e depois sol evapora rápido, o duro é ser "profundo" e "lodoso", cuidado isso faz lama!

Flw

(será que sou da minoria! sou fla-flu! aff!)

 
 
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maria utt

Lamento, mas apareceu sim, Ivan. Citei numa discussão recente o comentarista que disse que só através da radicalização eles tinham conseguido algo.

 
 
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Ed Döer

Eu diria que aqui as coisas vão além do clima de Fla-Flu certas vezes, com alguns levando comentários para o lado pessoal e até mesmo estigmatizando certos comentaristas como o citado por você.

Teoricamente estamos aqui para debater ideias e não pessoas. Embora seria válido debatar pessoas públicas e similares, o que raramente é o caso quando o clima esquenta no blog.

Por mais que esse seja um espaço claramente mais para a esquerda do espectro político, me parece saudável cultivar e valorizar a diversidade que alguns membros trazem para o blog, mesmo que não se concorde com o que escrevem. Até porque, entre aqueles que se consideram ou poderiam ser considerados do "lado de cá", existe discordância quando se toca em certos temas ou eventos mais polêmicos.

 
 
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Flics

Jotavê, acima temos dois artigos - um do Ponde e outro do Vladimir. Você não consegue distinguir qual é "seu débil mental"?

 

Flics

 
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Paulo Eduardo

JV, só para saber, tu és "juiz" do que é "raso e mal argumentado" e sabedor do que é "profundo e bem argumentado"?

Então, abre a mão camarada, nos traga a LUZ - fiat lux! - pois em todos os seus cometários e "argumentos" a única coisa que vc fez foi condenar a "ação dos maconheiros" e "aprovar a ação dos valorosos PM's e do Rodas"!

Sorry, lembrei de uma idéia e argumentação:

Vc propôs uma argumentação que solucionava o problema da falta de representatividade do ME (DCE e vontade da comunidade).
Urninhas eletrônicas ou virtuais, para aferir o desejo da comunidade acadêmica, é mais conhecida como democracia sem povo e sem cheiro, sem discussão e argumentação - acho que o JV odeiiiiia a arte da retórica! - estas coisas chatas!

E fiquei pensando e fiz um esforço, quando li isso, será que é uma "releitura peculiar" da Teoria da Ação Comunicativa da Habermas?! (rs)

Não, bobagem, é só uma idéia tosca (ou débil mental), ninguém ia chegar a esse ponto de simplificação da teoria do Habermas! E, reforço, eu estava tentando entender de onde veio "sublime" idéia!

Flw

P.s.: e o "supositório" não era supositório, era só "porridrína 2mg", sem ofensas!

 
 
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maria utt

Jotavê tem razão quando pede pra aumentar o nível, de vez em quando o nível abaixa mesmo e a opinião da minoria acaba sendo massacrada. Um marco disso aqui no blog é o episódio dos "feminazi", quando a opinião do próprio Nassif foi minoritária. Mino Carta também sofreu algo semelhante, por causa do Battisti. Alguém disse certa vez que o pior defeito para um juiz seria ele ser previsível, acho que isso vale pra discussão aqui no blog também, se o leitor já sabe o que vai encontrar sobre qualquer assunto, ler perde o sentido.

Mas, mas...

... não acho o AA um exemplo bom não, ele dificilmente vai pra um debate sem a camisa de torcida dele. Já o critiquei inúmeras vezes por isso, ele acaba virando motivo de chacota, quando poderia contribuir muito mais. Por exemplo, faz sentido ele criticar o anti-americanismo do blog sendo totalmente pró-EUA?

 
 

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