Pobre é entrave ao avanço imobiliário

Da Carta Maior

Terror imobiliário ou a expulsão dos pobres do centro de São Paulo

O modelo é contra os pobres que estão longe de constituírem minoria em nossa sociedade. O modelo quer os pobres fora do centro de São Paulo. Isso é óbvio. O que não parece ser óbvio é que, em última instância, a determinação disso tudo é econômica. A centralidade é a produção do espaço urbano e a mola propulsora, a renda imobiliária. E depois dizem que Marx está morto.

Dificilmente, durante nossa curta existência, assistiremos disputa mais explícita que esta, que opõe prefeitura e Câmara Municipal de São Paulo (além do governo estadual), que representam os interesses do mercado imobiliário, contra os moradores e usuários pobres, pelo acesso ao centro antigo de São Paulo. Trata-se do único lugar na cidade onde os interesses de todas as partes (mercado imobiliário, prefeitura, Câmara Municipal, comerciantes locais, movimentos de luta por moradia, moradores de cortiços, moradores de favelas, recicladores, ambulantes, moradores de rua, dependentes químicos, e outros) estão muito claros, e os pobres não estão aceitando passivamente a expulsão. 

No restante da cidade, como em todas as metrópoles brasileiras, um furacão imobiliário revoluciona bairros residenciais e até mesmo as periferias distantes, empurrando os pobres para além dos antigos limites, insuflado pelos recursos do Minha Casa Minha Vida no contexto de total falta de regulação fundiária/imobiliária ou, em outras palavras, de planejamento urbano por parte dos municípios. A especulação corre solta, auxiliada por políticas públicas que identificam valorização imobiliária como progresso. 

Ao contrário do silêncio (ou protestos pontuais) que acompanha essa escandalosa especulação que, a partir de 2010, levou à multiplicação dos preços dos imóveis, em todo o país, no centro de São Paulo, foi deflagrada uma guerra de classes.

....Não faltaram planos para recuperar o centro tradicional de São Paulo. Desde a gestão do prefeito Faria Lima, vários governos defenderam a promoção de moradia pública na região. Governos tucanos apostaram em estratégias de distinção local por meio de investimento na cultura (como demonstraram muitos trabalhos acadêmicos) Vários museus, salas de espetáculo, centros culturais, edifícios históricos, foram criados ou renovados. No entanto, o mercado imobiliário nunca respondeu ao convite dos diversos governos, de investir na região, seja para um mercado diferenciado, seja para habitação social como pretenderam os governos Erundina e Marta. 

Outras localizações (engendradas pelas parcerias estado/capital privado, como demonstrou Mariana Fix) foram mais bem sucedidas como foi o caso da região Berrini/Águas Espraiadas. Outro fator que inibiu a entrada mais decisiva dos empreendedores no centro foi a reduzida dimensão dos terrenos. O mercado imobiliário busca terrenos amplos que permitam a construção de uma ou de várias torres- clube, padrão praticamente generalizado atualmente no Brasil.

Finalmente, há os pobres - com toda a diversidade já exposta - cuja proximidade desvaloriza imóveis novos ou reformados, coerentemente com os valores de uma sociedade que além de patrimonialista (e por isso mesmo) está entre as mais desiguais do mundo. Aceita-se que os pobres ocupem até áreas de proteção ambiental: as Áreas de Proteção dos Mananciais (são quase 2 milhões de habitantes apenas no sul da metrópole), as encostas do Parque Estadual da Serra do Mar, as favelas em áreas de risco, mas não se aceita que ocupem áreas valorizadas pelo mercado, como revela a atual disputa pelo centro. 

Enquanto os planos das várias gestões municipais para o centro não deslancharam (leia-se: não interessaram ao mercado imobiliário), os serviços públicos declinaram (o acúmulo de lixo se tornou regra), num contexto já existente de imóveis vazios e moradia precária. O baixo preço do metro quadrado afastou investidores e, mais recentemente, nos últimos anos... também o poder público. Nessa área assim “liberada” e esquecida pelos poderes públicos, os dependentes químicos também se concentraram. No entanto a vitalidade do comércio na região, que inclui um dos maiores centros de venda de computadores e artigos eletrônicos da América Latina, não permite classificar essa área como abandonada, senão pelo falta de serviços públicos de manutenção urbana e políticas sociais. 

Frente a isso, a gestão do prefeito Kassab deu continuidade ao projeto NOVA LUZ, iniciado por seu antecessor, José Serra, e vem se empenhando em retirar os obstáculos que afastam o mercado imobiliário de investir na área. Estão previstos a desapropriação de imóveis em dezenas de quadras e o remembramento dos lotes para constituírem grandes terrenos de modo a viabilizar a entrada do mercado imobiliário. 

A retomada de recursos de financiamento habitacional com o MCMV, após praticamente duas décadas de baixa produção, muda completamente esse quadro. Os novos lançamentos do mercado imobiliário passam a cercar a região. Vários bairros vizinhos, como a Barra Funda, apresentam um grande número de galpões vazios em terrenos de dimensões atraentes. A ampliação de outro bairro vizinho, Água Branca, vai se constituir em um bairro novo . 

Finalmente, o mercado imobiliário e a prefeitura lançam informalmente a ideia de uma fantástica operação urbana que irá ladear a ferrovia começando no bairro da Lapa e estendendo-se até o Brás. O projeto inclui a construção de vias rebaixadas. Todos ficam felizes: empreiteiras de construção pesada, mercado imobiliário, integrantes do executivo e legislativo (que garantem financiamento para suas campanhas eleitorais) e a classe média que ascendeu ao mercado residencial com os subsídios. 

O Projeto Nova Luz parece ser a ponta de lança dessa gigantesca operação urbana. 

Mas ainda resta um obstáculo a ser removido: os pobres que se apresentam sobre a forma de moradores dos cortiços, moradores de favelas, dependentes de droga, moradores de rua, vendedores ambulantes... Com eles ali, a taxa de lucro que pode ser obtida na venda de imóveis não compensa.

Algumas ações não deixam dúvida sobre as intenções de quem as promove. Um incêndio, cujas causas são ignoradas, atingiu a Favela do Moinho, situada na região central ao lado da ferrovia. Alguns dias depois, numa ação de emergência, a prefeitura contrata a implosão de um edifício no local sob alegação do risco que ele podia oferecer aos trens que passam ali (enquanto os moradores continuavam sem atendimento, ocupando as calçadas da área incendiada). Em seguida os dependentes químicos são literalmente atacados pela polícia sem qualquer diálogo e sem a oferta de qualquer alternativa. (Esperavam que eles fossem evaporar?). Alguns dias depois vários edifícios onde funcionavam bares, pensões, moradias, são fechados pela prefeitura sob alegação de uso irregular. (O restante da cidade vai receber o mesmo tratamento? Quantos usos ilegais há nessa cidade?). 

O centro de São Paulo constitui uma região privilegiada em relação ao resto da cidade. Trata-se do ponto de maior mobilidade da metrópole, com seu entroncamento rodo-metro- ferroviário. A partir dali, pode-se acessar qualquer ponto da cidade o que constitui uma característica ímpar se levarmos em conta a trágica situação dos transportes coletivos. Trata-se ainda do local de maior oferta de emprego na região metropolitana. Nele estão importantes museus e salas de espetáculo, bem como universidades, escolas públicas, equipamentos de saúde, sedes do judiciário, órgãos governamentais. 

Apenas para dar uma ideia da expectativa em relação ao futuro da região está prevista ali uma Escola de Dança, na vizinhança da Sala São Paulo, cujo projeto, elaborado por renomados arquitetos suíços – autores do arena esportiva chinesa “Ninho de Pássaro” - custou a módica quantia de R$ 20 milhões de acordo com informações da imprensa. É preciso lembrar ainda que infraestrutura local é completa: iluminação pública, calçamento, pavimentação, água e esgoto, drenagem como poucas localizações na cidade. 

Trata-se de um patrimônio social já amortizado por décadas de investimento público e privado. A disputa irá definir quem vai se apropriar desse ativo urbano e com que finalidade. A desvalorização de tal ambiente é um fenômeno estritamente ou intrinsecamente capitalista, como já apontou David Harvey analisando outros processos de “renovação” de centros de cidades americanas.

A luta pela Constituição Federal de 1988 e a regulamentação de seus artigos 182 e 183, que gerou o Estatuto da Cidade, se inspirou, em parte, na possibilidade de utilizar imóveis vazios em centros urbanos antigos para moradia social. Nessas áreas ditas “deterioradas” está a única alternativa dos pobres vivenciarem o “direito à cidade” pois de um modo geral, eles são expulsos para fora da mesma. Executivos e legislativos evitam aplicar leis tão avançadas. O judiciário parece esquecer-se de que o direito à moradia é absoluto em nossa Carta Magna enquanto que o direito à propriedade é relativo, à função social. (Escrevo essas linhas enquanto decisão judicial autorizou o despejo –que se fez de surpresa e de forma violenta- de mais de 1.600 famílias de uma área cujo proprietário – Naji Nahas - deve 15 milhões em IPTU, ao município de São José dos Campos. Antes de mais nada, é preciso ver se ele era mesmo proprietário da terra, já que no Brasil, a fraude registraria de grandes terrenos é mais regra que exceção, e depois verificar se ela estava ou não cumprindo a função social).

É óbvio, que o caso que nos ocupa aqui mostra a falta de compaixão, de solidariedade, de espírito público. Crianças moram em péssimas condições nos cortiços, em cômodos insalubres, dividem banheiros imundos com um grande número de adultos (quando há banheiros). Com os despejos violentos são remetidas para uma condição ainda pior de moradia pelo Estado que , legalmente, deveria responder pela solução do problema. Num mundo com tantas conquistas científicas e tecnológicas, dependentes químicos são tratados com balas de borracha e spray de pimenta para se dispersarem. Um comércio dinâmico, formado por pequenas empresas e ambulantes, que poderia ter apoio para a sua legalização, organização e inovação é visto como atrasado e indesejável. O modelo perseguido é o do shopping center, o monopólio, e não o pequeno e vivo comércio de rua ou o boteco da esquina. 

O modelo é contra os pobres que estão longe de constituírem minoria em nossa sociedade. O modelo quer os pobres fora do centro como anunciou o jornal Brasil de Fato. Tudo isso é óbvio. O que não parece ser óbvio é que, em última instância, como diria Althusser, a determinação disso tudo é econômica. A centralidade é a produção do espaço urbano e a mola propulsora, a renda imobiliária. E depois dizem que Marx está morto.

 

Ermínia Maricato é urbanista.

Nenhum voto
24 comentários
imagem de Roberto Veiga
Roberto Veiga

>>>> E depois dizem que Marx está morto.

Segundo a Wikipedia, esta sim: morreu em 14 de março de 1863.

 
 
imagem de Adamastor
Adamastor

Por outro lado, as IDÉIAS dele estão mais vivas do que nunca, não é mesmo Roberto Veiga?

 
 
imagem de Roberto Veiga
Roberto Veiga

Adamastor, chego a duvidar que 10% dos que se dizem marxistas algum dia leram algum escrito de Marx. Fica dificil entao dizer se são as idéias de Marx que estão vivas por ai ou o que se diz que foram as idéias de Marx.

 
 
imagem de Luiz Lima
Luiz Lima

Por outro lado, 99,9% dos não-marxistas (excetuando-se, talvez, Delfim Netto...) também nunca leram Marx. Portanto, criticam, para variar, o que não conhecem.

 
 
imagem de Anlilo
Anlilo

[excetuando-se, talvez, Delfim Netto] Falso. Delfim é o maior aplicador de Marx da atualidade. Ele implementou uma  economia que faria o bolo crescer e agiu para que futuramente aparerece quem iria dividir e o resultado foi espetacular. Com apenas oito anos de governo Lula o Brasil ficou economicamente mais forte do que Inglaterra.

 
 
imagem de lpopo
lpopo

A China realiza o sonho de Marx graça, só falta mais alguns trihões para que comece dividir igualmente o bolo.

 
 
imagem de Fuhgeddaboudit™
Fuhgeddaboudit™

Escreveu demais, mas, não pontuou e/ou citou o "X" do problema.

Que as causas são, em grande parte, fruto de "mumunhas" de Prefeitos e Governadores, é o óbvio. 

Porém, CEF como fornecedora dos recursos e avaliadora dos empreendimentos, tinha o poder de impedir a "valorização induzida e, por isto, criminosa, pois "liberou geral" e aceitou o que lhe enfiaram, "goela abaixo": os preços dos terrenos incorporados, muitas vezes dez vezes acima do que os especuladores imobiliários compraram, dois anos antes. Lucro certo dos incorporadores e construtores e RISCO CERTO E ASSUMIDO ESTRANHAMENTE por quem vai ficar com a garantia, durante, até, 30 anos, com "over price" e/ou ágios embutidos. 

Ademais o autor da matéria, desconhece que os pobres e carentes já estão, na prática, alijados da Compra da Casa Própria, mesmo além das periferias, no mínimo, por dez anos. Para isto ser revertido, agora, só os governos estaduais, prefeituras e federal doando as moradias. O ESTRAGO JÁ FOI FEITO.

 

Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.

 
imagem de Nagibe
Nagibe

Também acho.

Falou demais e pelos cotovelos, misturou pobres com craqueiros, centro de SP com Pinheirinho, enfim uma salada dos diabos, inteiramente deconexa, sempre se pontuando pelos velhos chavões dos discursos das esquerdinhas

E falou bobagem: "O modelo é contra os pobres que estão longe de constituírem minoria em nossa sociedade". São minoria sim - pelo Censo de 2010, são 288.545 domicílios no MSP na classe E - apenas 8,07 % do total.

O comentarista está certo - nem na mais longinqua periferia pobre consegue mais comprar imóvel pelos próximos dez anos ou mais.

E contra a CEF ninguém diz nada, né esquerdinhas ? Afinal ela é do governo de vocês....

 
 
imagem de Luiz Lima
Luiz Lima

Concordo, Fughe. Mas... comofas pra sair dessa? Se a Caixa - num ato de rebeldia, creia-me - resolvesse, no momento em que escrevemos, "tabelar" a valorização das glebas - e portanto, mexer nos lucros dos especuladores (todos, empresas de altíssima reputação no mercado e ações negociadas na Bolsa), a pergunta é simples: quantas horas o seu presidente duraria no cargo? Eu não tenho dúvida que, amanhã de manhã, ele já seria ex-presidente.

A lógica do MCMV não é resolver o déficit habitacional. É botar pra rodar um setor de baixa tecnologia que gera milhões de empregos mal-remunerados - e que foi uma das "saídas" encontradas para o Brasil fazer frente à crise internacional. O seu ponto é importante e cobrará um preço alto no futuro - mas cai fora dessa lógica.

 
 
imagem de Nagibe
Nagibe

Quando a crítica é ao governo federal, a esquerdinha vem justificar com análises profundas, bem elaboradas até, ponderadas, pró-ativas e, devo confessar, até corretas muitas vezes.

Agora quando é contra os governos estadual e municipal de São Paulo (que na cabeça desinformada deles são aliados....tadinhos, se soubessem...mas deixa pra lá) o nível vai a zero: populismo barato, maniqueísmo puro, radicalismo, extremismo e ate preconceito de origem. Só crítica, xingamento, palavrão e nenhuma análise minimamente séria.

Por isso que não da para confiar em vocês...é muita desonestidade intelectual.

 
 
imagem de Luiz Lima
Luiz Lima

Deixa de provocação barata, ó pastel. O gov Dilma não é a ponta-de-lança da revolução socialista no Brasil, pelo contrário. Só que o governo de SP (entre outros governos estaduais) é fascista. Ponto.

 

 

 
 
imagem de Fuhgeddaboudit™
Fuhgeddaboudit™

OK Luiz Lima, você tem razão.

Porém o meu foco tem sido sobre este ponto, por um motivo simples. De 2005 a 20O8, as valorizações, em alguns casos, foram menores que os índices de inflação. Tenho exemplos próprios, pois andei comprando em vendendo (fui para o litoral e voltei). O litoral, neste período, os imóveis antigos chegaram a seguir a regra da "depreciação", usada na Declaração de  Imposto de Renda, quando se vendia. Na prática não chegaram a aumentar 10%. Curiosamente, comprei um imóvel semi-novo, em São Paulo, no final de 2008 e fiquei surpreso, quando seis meses após, o vizinho colocava à venda (e vendeu rápido) um idêntico, por um preço 30% acima. O motivo da alta (em termos locais) foi fácil de descobrir: em um terreno íngreme, na mesma rua, construiram uma espécie de Vila com 8 casas geminadas, em apenas um lado do terreno (o outro virou entrada de automóveis para acessar as vagas no térreo, embaixo do 2º piso), de 2 andares, apenas com dois quartos e duas vagas de garagem, com telhados "meia-água"  (menor do que o que eu comprei, em área construída e com menos vagas de garagens e cômodos - as nossas são subterrâneas). Porém, o valor da venda foi 80% maior. Motivo: o antigo proprietário do terreno choramingava pela região, pois, o tinha vendido por R$ 250.000,00 para construtores, e descobriu que o terreno foi incorporado à construção por R$ 1.000.000,00, no mês seguinte.

Moral da história: Inútil os especuladores quererem enganar à sociedade dizendo que os "terrenos estão caríssimos". Na verdade, em triangulares, para fugir a uma auditoria séria, multiplicam até por dez o preços que pagaram. E o "pico da curva" foi em 2010, quando o restante dos R$ 50 Bilhões liberados pela CEF "fizeram a fortuna do segmento de especuladores (todos) da consrução civil. O que ue digo é que a CEF, que fica com o risco, deveria ter condicionado o preço da incorporação dos terrenos a uma comprovação auditada dos preços de aquisição, pois foi formado um novo patamar d mercado, inatingível pelo Programa Minha Casa Minha Vida. E, agora, o dinheiro já foi usado para beneficiar outras classes mais abastadas e a Presidente DILMa, não sabe como fazer para conseguir mais recursos e como fazer para vender, nas regiões metropolitanas e entornos, para os carente epessoas de baixa renda. O imóvel mais barato, na periferia de São Paulo, segundo a CEF é um quarto/sala de 25m2 que custa R$ 120.000,00. Chega a ser hilário !!!

 

 

Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.

 
imagem de Fuhgeddaboudit™
Fuhgeddaboudit™

Aditamento: 

Luiz. quando digo "condicionar", não é "tabelar", é, apenas dizer NÃO, não financio os senhores com o terreno neste valor, porque "ele, para nós, CEF, não vale isso"; vocês o compraram há 6 meses por um valor 6 vezes menor !!! Nesses termos, não tem negócio. Fim.

Resumo do iria acontecer: Os especuladores/construtores iriam reunir-se. pensar duas vezes e dizer: --- claro, houve um equívoco, faremos, então por "R$ ZYX.XXX,XX" (por exemplo 50% do valor)

 

Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.

 
imagem de Luiz Lima
Luiz Lima

Pois é, amigo. Isto aconteceria num mundo em que não se mandasse a CEF ser submissa ao mercado e encher a burra das empresas que gravitam em torno do MCMV (MRV, Rossi etc. Nomes aos bois, para variar...). Esse mundo, infelizmente, não é o nosso.

 
 
imagem de Anlilopo
Anlilopo

[ CEF como fornecedora dos recursos e avaliadora dos empreendimentos] O drma é que essa nunca foi do governo, mas das construtora. Vivi um exemplo quando precisava comprar um ap(e)artamento financiado. Se eu tivesse dinheiro em mãos compraria o imóvel por R$ 20.000,00.  E financiado era  mais de R$ 60.000,00,  bastava eu assinar um papel e entregar cópias dos meus documento e ir morar. Fui na caixa com os mesmos documentos e queria pedir R$ 15.000,00 para completar e daria o apartamento como garantia. A caixa disse que os memos documentos não eram compatível com o empréstimo e nem podia fazer tal negócio, dado que, o apartamento tinha que antes ser meu para que pudesse ser garantia.


O truque é bem simples: eu, construtor, pego uma grana da caixa com apenas um projeto de que irei construir, digamos, 40 apartamentos. Construo e com 5 pago tudo que devo a caixa  (passei toda minha dívida para os compradores) e o restante é lucro. Enqaunto não acabar como esse truque safado, não vamos sair de onde sempre estivemos em termos de moradia.  

 
 
imagem de Funny Valentine
Funny Valentine

 "O que não parece ser óbvio é que, em última instância, como diria Althusser, a determinação disso tudo é econômica"

Não é óbvio? isto é o óbvio ululante!! Marx não morreu? Nélson Rodrigues também não. 

 
 
imagem de Assis Ribeiro
Assis Ribeiro

..."É óbvio, que o caso que nos ocupa aqui mostra a falta de compaixão, de solidariedade, de espírito público"....

O que ocorreu em Pinheirinho, o que se tenta com o Projeto Nova Luz e a preocupação acima são faces claras, coerentes, do que é o modelo filosófico - científico que vivemos e que o capitalismo é apenas uma de suas vertentes.

Estão mais uma vez querendo enganar com novas promessas que são incompatíveis com o que clama a sociedade, volto a frizar: "solidariedade".

Sem a "solidariedade" e "compaixão", com a "falta de espírito público",  que são incompatíveis com o capitalismo as promessas de inclusão, as preocupações com a fome e pobreza no mundo,  a economia sustentável, se tornam deslavadas mentiras.

 

Assis Ribeiro

 
imagem de Ralph Danisa
Ralph Danisa

Crime contra humanidade é qualquer ato praticado como parte de um ataque generalizado ou sistemático contra uma população civil e com conhecimento de tal ataque. E incluem:

(1)homicídio; (2)extermínio; (3) escravidão; (4) deportação ou transferência forçada de populações; (5) encarceramento ou privação grave da liberdade física em violação a normas fundamentais de direito internacional; (6) tortura; (7) estupro; (8) escravidão sexual (...); (9) perseguição de um grupo com identidade própria, por motivos políticos, raciais, étnicos, culturais ou religiosos; (10) desaparecimento de pessoas; (11) apartheid e (12) práticas que causem grande sofrimento físico ou mental das pessoas.

Retirado de um ótimo texto:

http://www.mudancasabruptas.com.br/Pinheirinho.html

 
 
imagem de Raí
Raí

Marx não morreu !

Aquele pensador socialista, tecnicamente falecido em 1863, antevia este movimento de total exploração do "homem pelo homem" bem antes das administrações das grandes cidades, serem completa e totalmente comandadas na prática, pelo capitalismo selvagem, que na medida das suas necessides de aumentaria a "valia" e corromperia o poder constituído, esquecendo-se que para haver lucro com o capital investido, é necessário que haja consumidor para seus produtos e serviços, aqui representados pela exploração imobiliária.

Conforme bem esclarece a Dra Ermínia Maricato, não foi por falta de planos para a perfeita e equilibrada ocupação das nossas áreas urbanas, que a coisa chegou neste ponto crítico, pois não somente o Prefeito Faria Lima, como seus sucessores, bem que tentaram tirar a pecha de "centro velho"das nossas ruas e praças centrais.

Nas administrações Luíza Erundina e Marta Suplicy, os melhores urbanistas da cidade foram contratados para adequar a área central, aos modernos centros de convivencia nacionais, humanizando seus ocupantes,moradores e comerciantes, sem desprezar as características das nossas fundações e respeitando construções tombadas pelos institutos que cuidam do patrimônio público.

Entretanto, nas duas últimas administrações municipais, aqueles planos que estavam em vias de serem aprovados pela Câmara Municipal, foram definitivamente arquivados e a prioridade da adm.municipal, passou a ser o que as grandes incorporadoras imobiliárias determinassem, daí chegar mos a esta triste situação, de vermos a Pol.Militar e a Guarda Civil Municipal, usar da fôrça bruta, para expulsar os bolsões de pobres e sem-teto, e outros excluídos, que habitam o centro velho e/ou não têm onde morar,para "entregar' a encomenda aos "clientes": os futuros donos da área central da cidade, Os espigões residenciais e comerciais e os novos Shoppings que alí nascerão, que ao contrário do que prometem, descaracterizarão a nossa área central, antes tão bucólica e atraente.  

 

Sempre ficamos mais experientes, após perdermos algumas batalhas, na guerra diária da vida.

 
imagem de Nagibe
Nagibe

"Nas administrações Luíza Erundina e Marta Suplicy..."

Meu caro, por favor conte pra nós o que as administrações citadas fizeram pelo centro de São Paulo. Acho que só contaram para você.

 
 
imagem de Daniel Campos
Daniel Campos

Primeiro empurraram quem não podia pagar o aluguel exigido para as periferias.

Quando os salários aumentaram um pouco, a primeira providência foi jogar lá encima os aluguéis e empurrar mais para a periferia quem não conseguisse pagar os novos valores.

Qual vai ser o próximo passo, criar cidades-satélites para esconder os que não puderem pagar? E o que acontecerá quando até o aluguel nestas cidades-satélites não puder ser pago?

Vão começar a atirar nos pobres para "resolver o problema em definitivo", que é o pobre existir?

 
 
imagem de pipio090
pipio090

 


[O modelo é contra os pobres que estão longe de constituírem minoria em nossa sociedade] 


Fica patente o antilulismo, pois  isso agora é uma minoria abaixo de 10%. Se não fosse assim o Brasil não estaria classificido como mais rico do que a Inglaterra. E luta petista é para não haver nenhum.


 

 
 
imagem de Sergio SS
Sergio SS

Impecável o artigo da Maricato. Sem tirar nem por.

Ela só esqueceu de deixar mais claro a prática do "fato consumado" e esta é a única explicação das ações drásticas e desumanas da PM, mesmo que estas tenham custos eleitorais. Mostra, antes de tudo, que os agentes públicos são reféns do mercado imobiliário, pois são estes seus financiadores.

 

Viver é afinar um instrumento...

 
imagem de Calvin
Calvin

Esse pessoal do site Carta Maior seria excelente assessoria para o Roriz, quando invadiu todo o DF em nome da pobrada

 
 

Postar novo Comentário

O conteúdo deste campo é privado não será exibido ao público.
CAPTCHA
Esta questão é para testar se você é um visitante humano e impedir submissões automatizadas por spam.
CAPTCHA de imagem
Digite os caracteres exibidos na imagem acima.

Faça seu login e aproveite as funções multímidia!