O jurista Walter Maierovitch conversa com Heródoto Barbeiro e Andrea Beron sobre a reintegração de posse no Pinheirinho em São José dos Campos (SP).
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Pinheirinho: da emoção do repórter à voz de MaierovitchEnviado por luisnassif, sab, 28/01/2012 - 07:17Do JR News, com Heródoto BarbeiroRepórter se emociona ao entrevistar as famílias expulsas do Pinheirinho (SP)
O jurista Walter Maierovitch conversa com Heródoto Barbeiro e Andrea Beron sobre a reintegração de posse no Pinheirinho em São José dos Campos (SP).
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Comentários + votados
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Marco Antonio L.
28/01/2012 - 07:38
Isso é monstruoso o que fizeram com essas pessoas. São pessoas desumanas o que fizeram. Horror, terror.
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João Sabóia Jr.
28/01/2012 - 07:41
É degradante, humilhante, a cada imagem que vejo desse crime hediondo mais perplexo fico.
Como disse o jurista Maierovitch, a bárbarie vem num crescente... USP - Cracolândia - Pinheirinho. E...
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Nilson
28/01/2012 - 07:43
O Heródoto tem razão. Jornalistas são seres humanos e se emocionam, nem todos, infelizmente. Eu me emocionei, a cena é de partir...o c
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Francisco Ernesto Guerra
28/01/2012 - 07:47
Feliz o país que tem entre seus filhos alguém como Walter Maierovich.
Infeliz o país que tem entre os seus filhos alguém como Geraldo Alckimim.
O mundo gira e a luzitana roda e Alckimim vai ter o...
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aleXandre
28/01/2012 - 07:49
A escalada nazi-fascista do governo alckmin continua. Achou o termo pesado? então qual o adjetivo para isso?
equivocado? Aescalada "equivocada" continua? do blog da Sonia Racy no estadão...
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Marco Antonio L.
28/01/2012 - 07:50
A Privataria Tucana
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
A Privataria Tucana
A Privataria Tucana
Capa do livro
Autor (es)
Amaury Ribeiro Junior
Título no...
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Ivan Moraes
28/01/2012 - 08:06
O judiciario MENTIU a respeito dessa tomada de terra. Primeiro invalidou um processo pra proteger Nahas, depois voltou com o mesmo processo, agora valido, pra atacar os pobres.
Infelizmente nao...
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Ivan Moraes
28/01/2012 - 08:15
Nao da pra brasileiro ficar em cima do muro: ou eh LEGAL ou nao eh LEGAL colocar essas perguntas em um formulario de governo.
NAO DA PRA FICAR EM CIMA DO MURO -o judiciario ja ta la pra protecao dos...
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Francisco Ernesto Guerra
28/01/2012 - 08:26
Convido os colegas a assinarem o Manifesto pela denúncia do caso Pinheirinho à Comissão Interamericana de Direitos Humanos no Azenha:
http://www.viomundo.com.br/denuncias/juristas-e-entidades-...
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aleXandre
28/01/2012 - 08:30
O responsável tinha que ir pra cadeia. Mas "Isto é S.P.artaaaaaaaa!!!!!"
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Ana Cruzzeli
28/01/2012 - 08:32
Podem falar o que for da Record, e realmente ela tem alguns problemas, mas quem não tem?
Contudo ela infelizmente está sendo a unica, hoje em dia, com algum crédito no seu...
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José Vitor
28/01/2012 - 10:30
Pobre não tem patrimônio. Isso é coisa de rico. Assim como só rico tem direito a não ser algemado em público. Pobre não tem esse direito.
Falando claro, com todas as letras: o judiciário brasileiro é...
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Marcia
28/01/2012 - 10:38
Só num governo demotucano esse tipo de coisa acontece.
Quero ver se vão eleger , mais uma vez, essa turma que odeia pobres, pretos, dependentes químicos e etc.
Acorda São Paulo, tu és a...
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Alexandre Tambelli
28/01/2012 - 10:39
Sabe, Homero!
Esse terreno ficará marcado para sempre... Dificilmente, quem adquirir o terreno e um imóvel por lá, se sentirá tranquilo. A marca do que aconteceu ficará colada nas suas entranhas....
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Horridus Bendegó
28/01/2012 - 10:46
Em muitos aspectos me faz lembrar Lídice!
Impossível não chorar diante do revelado!
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Marcia
28/01/2012 - 10:58
Chorei, a voz ficou embargada com o desabafo de um Juiz de Direito da Bahia que, a despeito de ter perdido a esposa a muito pouco tempo, não se calou diante dessa miséria,...
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João Sabóia Jr.
28/01/2012 - 10:58
Ivan, segue a matéria e o link
http://www.conversaafiada.com.br/politica/2012/01/26/maierovitch-a-justi...
Maierovitch: a “Justiça” e Nahas estão acima da Lei
Saiu no blog do Wálter...
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Isso é monstruoso o que fizeram com essas pessoas. São pessoas desumanas o que fizeram. Horror, terror.
Em qualquer pais do mundo precisa-se de desastres naturais e guerra para isto acontecer, aqui precisamos apenas do PSDB e do Alkimim. Nem vou colocar o judiciário porque ele só serviu de desculpa, como os nazistas que alegaram só estarem cumprindo ordens.
O cara ainda posa de religioso e com um agravante, e diz que é formado em medicina.
Qualquer um que tente justificar uma barbárie desta, deve que ser uma pessoa desprezível.
Só para ilustrar meu comentário acima:
Caro Paulo Henrique Amorim,
Caso ainda não tenha conhecimento, sugiro a leitura desse brilhante artigo elaborado pelo jornalista Rodrigo Haidar mostrando a opinião de um ex-ministro do STJ sobre o caso Pinheirinho. Aos meus olhos, é “um game over” para o discurso de que a Polícia estava a serviço da Justiça (sim, com J maiúsculo).
http://www.conjur.com.br/2012-jan-27/decisao-stj-indica-outra-saida-disputa-pinheirinhoCordialmente,
Júlio César Vieira Soares
Decisão do STJ indica que havia outra saída na disputa
Por Rodrigo Haidar
“Uma ordem judicial não pode valer uma vida humana.” A afirmação do ministro Fernando Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (hoje aposentado), consta de decisão tomada pelo tribunal em agosto de 2009, na discussão de um caso idêntico ao do bairro Pinheirinho, na cidade de São José dos Campos (SP).
A decisão do STJ indica que a reintegração de posse do Pinheirinho, feita pela Polícia Militar de São Paulo no domingo passado (22/1), não era a única alternativa para resolver a disputa judicial travada em torno da propriedade do terreno que há oito anos foi ocupado por famílias de baixa renda. No julgamento de um pedido de reintegração de posse do terreno onde hoje há o bairro Renascer, em Cuiabá (MT), o STJ decidiu que o emprego de força policial para a retomada da área poderia ser a medida necessária, mas não era a mais adequada.
Os ministros tomaram a decisão em um pedido de intervenção federal no estado de Mato Grosso feito pela massa falida da empresa Provalle Incorporadora, dona da área de quase 500 mil metros quadrados onde nasceu o bairro na capital de Mato Grosso. Como em Pinheirinho, a empresa obteve na Justiça estadual, em 2004, a ordem de reintegração de posse. Mas a ordem não foi cumprida pelo então governador Blairo Maggi — hoje senador pelo PR. E o STJ deu razão ao governador.
O relator do pedido de intervenção, ministro Fernando Gonçalves, defendeu que existiam outros meios menos drásticos para ressarcir a empresa dona do terreno. “Por exemplo, fazendo uma desapropriação ou resolvendo-se em perdas e danos”, afirmou o ministro na ocasião.
“No caso concreto, à saciedade, está demonstrado que o cumprimento da ordem judicial de imissão na posse, para satisfazer o interesse de uma empresa, será à custa de graves danos à esfera privada de milhares de pessoas, pois a área objeto do litígio encontra-se não mais ocupada por barracos de lona, mas por um bairro inteiro, com mais de 1000 famílias residindo em casas de alvenaria. A desocupação da área, à força, não acabará bem, sendo muito provável a ocorrência de vítimas fatais. Uma ordem judicial não pode valer uma vida humana. Na ponderação entre a vida e a propriedade, a primeira deve se sobrepor”, ponderou Gonçalves.
Os bairros Pinheirinho, em São José dos Campos, e Renascer, em Cuiabá, se assemelham em tudo. Ambos nasceram em propriedades privadas que pertenciam a empresas, mas estavam vazios por conta de longas disputas judiciais. Os dois foram ocupados por centenas de famílias de baixa renda e se tornaram bairros populosos, com a infraestrutura de qualquer bairro residencial.
Nos dois casos, as empresas proprietárias da área conseguiram, na Justiça estadual, mandado de reintegração de posse, com uso de força policial, caso necessário. No caso de Mato Grosso, contudo, o governador não cumpriu a ordem judicial. A empresa recorreu ao STJ, pedindo a intervenção federal no estado pelo descumprimento da decisão judicial, mas a Corte Especial do tribunal, por seis votos a quatro, rejeitou o pedido.
Em seu voto, o ministro Fernando Gonçalves anotou que não se tratava de negar à massa falida da empresa seu direito à propriedade da área. Mas de ponderar os valores constitucionais em jogo na disputa. De um lado, o direito à vida, à liberdade, à inviolabilidade domiciliar e à dignidade da pessoa humana. De outro, o direito à propriedade. A maior parte dos ministros entendeu que o direito à propriedade não poderia suplantar as demais garantias.
Em março de 2005, o governador Blairo Maggi justificou os motivos de não cumprir a ordem judicial. Entre eles, o fato de morarem na área mais de três mil pessoas, em 1.027 casas. Em seu relatório, o ministro Gonçalves anota que o governador também ressaltou que não enviou a polícia para desocupar a área “em decorrência dos ditames constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade, diante das consequências funestas que poderiam advir da intervenção policial”. De acordo com Maggi, a ação poderia acarretar uma guerra urbana de proporções imprevisíveis.
Clique aqui para ler os votos dos ministros do STJ e a discussão no julgamento do caso do bairro Renascer
Leia a íntegra do acórdão e do voto do ministro Fernando Gonçalves
INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 92 – MT (2005⁄0020476-3)RELATOR: MINISTRO FERNANDO GONÇALVESREQTE: PROVALLE INCORPORADORA LTDA – MASSA FALIDAADVOGADO: MICAEL HEBER MATEUSREPR. POR: POLIDORA DE MÁRMORES GOIÂNIA LTDA – POLMATGO – SÍNDICOUF: ESTADO DE MATO GROSSO
EMENTADIREITO CONSTITUCIONAL. INTERVENÇÃO FEDERAL. ORDEM JUDICIAL. CUMPRIMENTO. APARATO POLICIAL. ESTADO MEMBRO. OMISSÃO (NEGATIVA). PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. PONDERAÇÃO DE VALORES. APLICAÇÃO.1 – O princípio da proporcionalidade tem aplicação em todas as espécies de atos dos poderes constituídos, apto a vincular o legislador, o administrador e o juiz, notadamente em tema de intervenção federal, onde pretende-se a atuação da União na autonomia dos entes federativos.2 – Aplicação do princípio ao caso concreto, em ordem a impedir a retirada forçada de mais 1000 famílias de um bairro inteiro, que já existe há mais de dez anos. Prevalência da dignidade da pessoa humana em face do direito de propriedade. Resolução do impasse por outros meios menos traumáticos.3 – Pedido indeferido.
ACÓRDÃOVistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por maioria, indeferir o pedido de intervenção. Vencidos os Ministros Gilson Dipp, João Otávio de Noronha, Teori Albino Zavascki e Nilson Naves. Os Ministros Felix Fischer, Aldir Passarinho Junior, Hamilton Carvalhido, Eliana Calmon, Laurita Vaz e Luiz Fux votaram com o Ministro Relator. Ausentes, justificadamente, os Ministros Cesar Asfor Rocha e Francisco Falcão. Licenciada a Ministra Nancy Andrighi.Brasília, 05 de agosto de 2009. (data de julgamento)MINISTRO ARI PARGENDLER, PresidenteMINISTRO FERNANDO GONÇALVES, Relator
INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 92 – MT (2005⁄0020476-3)
RELATÓRIO
EXMO. SR. MINISTRO FERNANDO GONÇALVES:
Cuida-se de pedido de intervenção federal no Estado do Mato Grosso requerida pela Massa Falida de Provalle Incorporadora Ltda por não haver o Governador daquela unidade federativa atendido requisição de força policial do Juízo de Direito da Vara de Falências e Concordatas de Goiânia – GO – para dar cumprimento a mandado de reintegração de posse em área de 492.403m², decorrente de acórdão do Tribunal de Justiça que guarda a ementa seguinte:
“INTERVENÇÃO FEDERAL – IMISSÃO DE POSSE – RESISTÊNCIA AO CUMPRIMENTO DE MANDADO JUDICIAL – REQUISIÇÃO DE FORÇA POLICIAL – INÉRCIA DAS AUTORIDADES ESTADUAIS EM CUMPRIREM A DETERMINAÇÃO JUDICIAL – HIPÓTESE DE INTERVENÇÃO AUTORIZADA PELO ARTIGO 34, INCISO VI, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA.
A intervenção federal, providência de natureza excepcional, deve ser acolhida quando demonstrado que o Poder Executivo do Estado procrastina, por anos, o atendimento de requisição de força policial para auxiliar o cumprimento de decisão transitada em julgado.” (fls. 39)
Nas informações o Exmo Sr. Governador do Estado de Mato Grosso BLAIRO BORGES MAGGI assinala não haver enviado reforço policial para evacuar a área, já conhecida como “Bairro Renascer”, em decorrência dos ditames constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade, diante das conseqüências funestas que poderiam advir da intervenção policial. É que a área em questão, transformada em bairro, conta com mais de mil edificações e milhares de moradores, o que poderia acarretar uma guerra urbana de proporções imprevisíveis.
Após pronunciamento ministerial, foi oficiado ao Ministro das Cidades solicitando informações a respeito de providências tomadas diante de expediente da Subprocuradoria-Geral da República, conforme fls. 60 e 67. Sobreveio, então, a notícia de eventual transação, devidamente homologada, entre o Estado de Mato Grosso, o Município de Cuiabá e a Massa Falida de Provalle Incorporadora Ltda (fls. 83⁄84 e documentos de fls. 85⁄99). Foi ouvida a Subprocuradoria-Geral da República (fls. 102⁄104), mas não anexada aos autos a sentença homologatória da transação noticiada, com a informação pelo Juízo de Direito da 11ª Vara Cível de Goiânia – fls. 162⁄164 – da não concretização do acordo.
O Ministério Público Federal, finalmente, opina pelo indeferimento do pedido de intervenção federal.
É o relatório.
INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 92 – MT (2005⁄0020476-3)
VOTO
EXMO. SR. MINISTRO FERNANDO GONÇALVES (RELATOR):
as informações prestadas pelo Excelentíssimo Senhor Governador do Estado de Mato Grosso, em 15 de março de 2005, está consignado, verbis:
“… segundo estudos realizados pelo Comando Geral de Polícia Militar, na área em litígio estariam presentes mais de 3000 mil pessoas somando um total de 1027 habitações, números estes que corroboram sobremaneira à assertiva de imensa dificuldade e de imprevisíveis conseqüências trágicas que a utilização de força policial poderia acarretar não só à região ocupada, mas a todo o município de Cuiabá.
Assim, vê-se sem nenhum esforço e com certa facilidade que a retirada dos ocupantes do “Bairro Renascer” não se constituiria em tarefa singela e de fácil execução, pois a ilustre parte ex adversa está muito a par, e por certo superiormente a nós outros que desocupar uma área com tantos moradores e com um número grandioso de construções não poderia ser efetivada sem acarretar um enorme transtorno urbano.
Dessa forma, ao contrário do alegado pela requerente, não se trata em absoluto, de descumprimento ou de desobediência as decisões emanadas do Poder Judiciário, iluminadas que foram as atitudes tomadas pelas Autoridades responsáveis pela Segurança Estadual, que agiram sob o pálio e o imperativo da cautela, da precaução e acima de tudo, em respeito aos atributos constitucionalmente consagrados da proporcionalidade e principalmente da razoabilidade.” (fls. 52)
Em decorrência, em um primeiro momento, a Subprocuradoria-Geral da República, veio a opinar no sentido de se negar o pedido de intervenção, por não ser conveniente ao “interesse social uma previsível tragédia, vitimando inocentes, e jogando ao desamparo mais de 1000 famílias, para atender aos interesses particulares dos credores de uma massa falida (fls. 58).
Colocado nestes exatos termos o debate, em face da relevância da situação e frente à possibilidade real de dano grave e de difícil reparação, com evidentes reflexos na ordem pública, foi pedida a interveniência do Ministério das Cidades, acolhendo requerimento do Ministério Público Federal, não se vislumbrando, entretanto, solução plausível para o problema, porquanto a transação noticiada (fls. 84) entre o Estado de Mato Grosso, o Município de Cuiabá e a Massa Falida não teve bom termo, eis que não homologada judicialmente. Diz, com efeito, o MM. Juiz de Direito da 11ª Vara Cível de Goiânia (fls. 164):
“Assim, sem homologação do acordo não cumprido – por volta de dezembro de 2004 a precatória de imissão da Massa na posse do imóvel foi devolvida para que o Juízo da Comarca de Cuiabá desse cumprimento à mesma, intimando o Governador daquela Unidade Federada para que fornecesse efetivo da Polícia Militar para cumprimento da ordem judicial.
Desde então, segundo informações deste juízo, a mencionada Carta Precatória permanece parada sem cumprimento.
Destarte, arrematando, informo que segundo se verifica dos autos, o acordo noticiado, pelas razões já expostas, não foi homologado, e que a carta precatória continua no Estado do Mato Grosso, aguardando cumprimento.” (fls. 164)
Nesse contexto, a solução do problema deve ter por base o princípio da proporcionalidade, conforme aliás, antes mencionado, pois, como visto, o caso encerra, a toda evidência, um conflito de valores ou, em outras palavras, a ponderação de direitos fundamentais. De um lado, o direito à vida, à liberdade, à inviolabilidade domiciliar e à própria dignidade da pessoa humana, princípio fundamental da República Federativa do Brasil (art. 1º, III da Constituição Federal). De outro, o direito à propriedade.
Em tema de ponderação de valores, a doutrina constitucionalista e a jurisprudência da Suprema Corte, salientam que, sem a exclusão de quaisquer dos direitos em causa, até mesmo porque não pode haver antinomia entre valores constitucionais, deve prevalecer, no caso concreto, aquele valor que mais se apresenta consetâneo com uma solução ponderada para o caso, expandindo-se o raio de ação do direito prevalente, mantendo-se, contudo, o núcleo essencial do outro, com aplicação da três máximas norteadoras da proporcionalidade: a adequação, a necessidade e a proporcionalidade em sentido estrito.
No caso concreto, à saciedade, está demonstrado que o cumprimento da ordem judicial de imissão na posse, para satisfazer o interesse de uma empresa, será à custa de graves danos à esfera privada de milhares de pessoas, pois a área objeto do litígio encontra-se não mais ocupada por barracos de lona, mas por um bairro inteiro, com mais de 1000 famílias residindo em casas de alvenaria. A desocupação da área, à força, não acabará bem, sendo muito provável a ocorrência de vítimas fatais. Uma ordem judicial não pode valer uma vida humana. Na ponderação entre a vida e a propriedade, a primeira deve se sobrepor.
O Plenário do Supremo Tribunal Federal já teve oportunidade de se manifestar, em tema específico de intervenção federal, sobre o princípio da proporcionalidade, na IF nº 2915-5⁄SP (DJU 28⁄11⁄2003), relator para o acórdão o Ministro Gilmar Mendes que, em seu elucidativo voto, discorre sobre o tema:
“Em nosso sistema federativo, o regime de intervenção representa excepcional e temporária relativização do princípio básico da autonomia dos Estados. A regra, entre nós, é a não-intervenção, tal como se extrai com facilidade do disposto no caput: do art. 34 da Constituição, quando diz que “a União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal. exceto para: ( … )”.
Com maior rigor, pode-se afirmar que o princípio da não intervenção representa sub-princípio concretizador do princípio da autonomia, e este, por sua vez, constitui sub-princípio concretizador do princípio federativo. O princípio federativo, cabe lembrar, constitui não apenas princípio estruturante da organização política e territorial do Estado brasileiro, mas também cláusula pétrea da Carta de 1988.
No processo de intervenção federal nos Estados e no Distrito Federal, verifica-se, de imediato, um conflito entre a posição da União, no sentido de garantir a eficácia daqueles princípios constantes do art. 34 da Constituição, e a posição dos Estados e do Distrito Federal, no sentido de assegurar sua prerrogativa básica de autonomia. A primeira baliza para o eventual processo de intervenção destinado a superar tal conflito encontra-se expressamente estampada na Constituição, quando esta consigna a excepcionalidade da medida interventiva.
Diante desse conflito de princípios constitucionais, considero adequada a análise da legitimidade da intervenção a partir de sua conformidade ao princípio constitucional da proporcionalidade.
O princípio da proporcionalidade, também denominado princípio do devido processo legal em sentido substantivo, ou ainda, princípio da proibição do excesso, constitui uma exigência positiva e material relacionada ao conteúdo de atos restritivos de direitos fundamentais, de modo a estabelecer um “limite do limite” ou uma “proibição de excesso” na restrição de tais direitos. A máxima da proporcionalidade, na expressão de Alexy, coincide igualmente com o chamado núcleo essencial dos direitos fundamentais concebido de modo relativo – tal como o defende o próprio Alexy. Nesse sentido, o princípio ou máxima da proporcionalidade determina o limite último da possibilidade de restrição legítima de determinado direito fundamental.
A par dessa vinculação aos direitos fundamentais, o princípio da proporcionalidade alcança as denominadas colisões de bens, valores ou princípios constitucionais. Nesse contexto, as exigências do princípio da proporcionalidade representam um método geral para a solução de conflitos entre princípios, isto é, um conflito entre normas que, ao contrário do conflito entre regras, é resolvido não pela revogação ou redução teleo1ógica de uma das normas conflitantes nem pela explicitação de distinto campo de aplicação entre as normas, mas antes e tão-somente pela ponderação do peso relativo de cada uma das normas em tese aplicáveis e aptas a fundamentar decisões em sentidos opostos. Nessa última hipótese, aplica-se o princípio da proporcionalidade para estabelecer ponderações entre distintos bens constitucionais.
Em síntese, a aplicação do princípio da proporcionalidade se dá quando verificada restrição a determinado direito fundamental ou um conflito entre distintos princípios constitucionais de modo a exigir que se estabeleça o peso relativo de cada um dos direitos por meio da aplicação das máximas que integram o mencionado princípio da proporcionalidade. São três as máximas parciais do princípio da proporcionalidade: a adequação, a necessidade e a proporcionalidade em sentido estrito. Tal como já sustentei em estudo sobre a proporcionalidade na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (“A proporcionalidade na Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal”, in Direitos Fundamentais e Controle de Constitucionalidade: Estudos de Direito Constitucional, 2ª ed., Celso Bastos Editor: IBDC, São Paulo, 1999, p. 72), há de perquirir-se, na aplicação do principio da proporcionalidade, se em face do conflito entre dois bens constitucionais contrapostos, o ato impugnado afigura-se adequado (isto é, apto para produzir o resultado desejado), necessário (isto é, insubstituível por outro meio menos gravoso e igualmente eficaz) e proporcional em sentido estrito (ou seja, se estabelece uma relação ponderada entre o grau de restrição de um princípio e o grau de realização do princípio contraposto).
Registre-se, por oportuno, que o principio da proporcionalidade aplica-se a todas as espécies de atos dos poderes públicos, de modo que vincula o legislador, a administração e o judiciário, tal como lembra Canotilho (Direito Constitucional e Teoria da Constituição, Coimbra, Almedina, 2ª ed., p. 264).
Cumpre assinalar, ademais, que a aplicação do princípio da proporcionalidade em casos como o presente, em que há a pretensão de atuação da União no âmbito da autonomia de unidades federativas, é admitida no direito alemão. Nesse sentido, registram Bruno Schmidt Bleibtreu e Franz Klein, em comentário ao art. 37 da Lei Fundamental, que “os meios da execução federal (“Bundeszwang”) são estabelecidos pela Constituição, pelas leis federais e pelo princípio da proporcionalidade ” (“Die Mittel des Bundeszwanges werden durch das Grundgesetz, die Bundesgesetze und das Prinzip der Verhältnismäbigkeit”, Kommentar zum Grundgesetz, 9ª ed., Luchterhand, p. 765.)”
Trazendo, então, as três máximas do princípio da proporcionalidade para o caso concreto, podemos afirmar que o emprego da força policial, pode até ser necessária, pois trará o efeito desejado, ou seja, imitir na posse do imóvel a empresa, mas não será adequada, pois existem outros meios de compor a propriedade privada da credora, por exemplo, fazendo uma desapropriação ou resolvendo-se em perdas e danos, e muito menos proporcional em sentido estrito, pelos fundamentos exaustivamente já expendidos, notadamente a prevalência da dignidade da pessoa humana em face do direito de propriedade.
Nesse sentido, o parecer do Ministério Público Federal:
Assim, não convém ao interesse social uma previsível tragédia, vitimando inocentes, e jogando ao desamparo mais de 1000 famílias, para atender aos interesses particulares dos credores de uma massa falida.
A constituição, apesar de dizer que a intervenção, em casos como o dos autos dependerá “de requisição” do STF, STJ ou TRE, não diz que estes são obrigados a requisitar sem antes fazer um juízo de conveniência em face do interesse social.
No caso presente, a negativa de cessão de tropas estaduais é o mal menor.” (fls. 58)
Por isso, sem embargo da discricionariedade na decisão de se determinar que a União, para fazer valer uma decisão judicial, intervenha na autonomia de um ente federativo (Estado-membro), que é um ato político, “tem a doutrina entendido que a intervenção deve amoldar-se aos princípios da necesssidade e da proporcionalidade, referenciados não só à gravidade da situação que procura remediar, como também ao resultado pretendido com a medida.” (Enrique Ricardo Lewandowski, in Pressupostos materiais e formais da intervenção federal no Brasil, Editora Revista dos Tribunais, 1994, pág. 140)
Indefiro, portanto, o pedido.
Olha, o Judiciário não foi só desculpa não; o quadro é bem diferente. A eleição do Ivan Sartori foi uma surpresa. Todos davam como certa a vitória do Bedran, que assumiu após a morte do Viana Santos no começo de 2010, para cumprir um mandato tampão.
Em 10 meses, o Bedran desagradou muitos desembargadores, principalmente, por dois motivos: a) ele deu total respaldo para a realização do mutirão carcerário, promovido pelo CNJ, que, se bem me lembro, beneficiou quase 3.000 sentenciados. Uma parte mudou de regime (do fechado p/ o semi-aberto), outros foram colocados em liberdade (já tinham cumprido a pena, mas continuavam encarcerados); b) para cumprir a meta 2 do CNJ (julgar processos distribuídos até 2005), ele baixou um resolução determinando que os processos pendentes de julgamento seriam distribuídos entre os desembargadores (quer dizer, quem estava em dia teve que ajudar o colega que estava atrasado). A implementação do mutirão carcerário foi muito criticada pelos jornalões (Folha, Estadão); eles tentaram colocar pânico na população, como se o tribunal fosse colocar "milhares de bandidos nas ruas". Além disso, muitos desembargadores criticaram duramente o apoio que o Bedran deu para o CNJ, como se ele estivesse autorizando uma "intervenção indevida" na área da execução penal do TJ.
Além do que eles falam e publicam na imprensa, a ala mais conservadora (digamos assim) do TJ tem um blog, chamado "Judex, quo Vadis?" (aqui). Na maioria das vezes, os juízes e desembargadores não assinam os posts; usam pseudônimos. Como o blog é muito reacionário e não admite comentários, evito passar por lá porque sempre fico irritada com o que leio. Mas, quando há alguma questão importante na pauta, passo p/ conferir. Por isso, conheço a opiniao deles. O "Judex" é tipo a "Veja".
Mas voltando. Dois dias antes da eleição para os cargos de cúpula, o CNJ anunciou a vistoria nas contas do trbunal. Foi aí que ocorreu a virada. O Ivan Sartori estava inscrito, mas ninguém achava que ele tinha chance. É que, em 2007, ele já havia se canditado, mas desistiu porque foi justamente naquele ano que o STF deu uma tal interpretação p/ um artigo da LOMAN (lei da magistratura) que, praticamente, inviabilizava a eleição dos desembargadores mais jovens. E, nessa época, ele estava no auge porque ocupava uma cadeira no Órgão Especial (coisa muito importante no TJ). Por isso, ninguém botava fé na candidatura dele em 2011. Mas, como "jogo é jogo e treino é treino", ele ganhou, em dois turnos de votação, com uma boa diferença.
Logo depois, veio a liminar do MeLLo e, na sequência, a do Lewnadowski (ex-desmbargador do TJ), suspendendo o poder de investigação do CNJ e a vistoria no Judiciário paulista. Daí, toda a confusão que vcs já sabem.
Dois fatores podem explicar a vitória do Sartori: a) o entendimento que ele tem sobre a atuação do CNJ ser subsidiária; quer dizer, só entra depois da atuação das corregedorias locais - e é esse o entendimento da maioria das associações de magistrados (claro!); b) a defesa contundente da autonomia financeira do TJ. (Só p/ lembrar: juiz não vota; só os desembargadores - o TJ tem 380 desembargas, 2600 juízes, 42 mil funcionários na ativa, 20 milhões de processos).
É o item "b" que nos leva direto a Pinheirinho. Há 12 anos (a lei de responsabilidade fiscal é de 2000, né?), o TJ sofre cortes enormes na sua proposta orçamentária (de 40 a 60%), feitos pelo Governo do Estado, e, ao contrário do MP (Fernando Capez, PSDB), ele não tem "representantes" na ALESP . Quer dizer, o tribunal nunca consegue muita verba suplementar. Atualmente, a folha de pagamento consome 90% do orçamento. Com isso, não há investimento, melhoria, nada. O TJ está sucateado e engessado. E, só p/ vcs terem uma idéia, estamos falando de um orçamento de quase R$ 7 bilhões. Mas o Sartori já anunciou e disse e repetiu que precisa de, pelo menos, mais R$ 2 bi neste ano.
Daí, a pergunta é: como conseguir mais dinheiro junto ao Governo do Estado? Negociar com o quê?
Pois é. Eu já estava desconfiando que havia algo de errado, de muito errado nessa estória. O Sartori oficiou o Comando da PM, deslocou o Rodrigo Capez (irmão do Fernando Capez, PSDB), que é juiz auxiliar da presidência (cargo de confiança), divulgou esse ofício p/ o comando da PM (aqui) e, depois, ainda colocou uma nota no site do TJ, dizendo que a responsabilidade era única e exclusivamente dele (aqui).
Gente! Isso tudo com: 1) um acordo assinado para a suspensão do processo de falência da Selecta, pelo prazo de 15 dias, e homologado pelo juiz Luiz Beethoven Giffoni Ferreira, da 18a. Vara Civel do Fórum João Mendes (Foro Central da Capital) - aqui e aqui. Acordo este enviado para a juíza da 6a. Cível de SJC, mas não referendado; 2) a "minuta de cooperação" assinada entre o Governo Federal e Estadual, que foi juntado ao processo da 6a. Cível de SJC, como informou nota divulgada ontem pela Secretaria Nacional de Habitação (aqui); 3) a liminar do TRF-3a. região, suspendendo a reitegração (origem do conflito de competência instalado entre as Justiças Estadual e Federal, que só foi resolvido (provisoriamente, diga-se) no domingo à noite pelo presidente do STJ; 4) a ação civil pública do MPF/SP, arquivada por um juiz federal substituto (Bruno não-sei-de-que) na sexta-feira (20) - ontem, o MPF/SP decidiu recorrer da decisão. Sem contar o risco de "grita geral" - que foi o que aconteceu - em razão do HORROR e VIOLÊNCIA infligidos a cerca de 9 mil pessoas!
Gente! O Sartori não fez o que fez, não se arriscou desse jeito (e continua se arriscando) por vaidade ou coisa parecida. Gente! No mundo em que a gente vive, só uma coisa faz alguém fazer o que ele fez. Eu não preciso escrever aqui, certo? O pior é que o ofício p/ o Comando da PM foi assinado por ele no dia 21 (sábado). E, na véspera, ele tinha ido ao fórum de Rio Claro (aquele do atentado contra a juíza, da bomba que explodiu). Lá, segundo a reportagem da TV local, ele anunciou que o TJ empregaria R$ 75 milhões na contração de guardas patrimoniais (aqui).
Gente! Eu preciso dizer mais alguma coisa? Não, né?
Só num governo demotucano esse tipo de coisa acontece.
Quero ver se vão eleger , mais uma vez, essa turma que odeia pobres, pretos, dependentes químicos e etc.
Acorda São Paulo, tu és a maior cidade da America Latina, tem obrigação moral de nos representar e dar bons exemplos!!
Vídeo revelador da Juíza:
“PM foi admirável”
Publicado em 28/01/2012
Juíza Loureiro: PM evitou um banho de sangue
O amigo navegante Claudinei envia video com entrevista da Juiza Marcia Loureiro, aquela que, em última instância, decidiu que Naji Nahas tinha direito à reintegração:
claudinei watanabe
Enviado em 28/01/2012 às 13:00
Bem para mim essa entrevista, é bem reveladora, há quatro meses a o governo Alckmin vem organizando essa operação, quando a juíza diz na terça feira houve uma tentativa de entrar em pinheirinho era na verdade um teste uma prévia da operação de domingo, essa mulher é um …, Paulo Henrique, veja a “nossa” juíza elogiando a ação da policia.
http://esquerdopata.blogspot.com/2012/01/juiza-marcia-loureiro-envergonha-raca.html
http://www.conversaafiada.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Navalha_txt.jpg); MARGIN-TOP: 45px; BACKGROUND-POSITION: center top; HEIGHT: 75px">
Que o trabalho “admirável” da PM do Alckmin evitou.
A racionalidade da emérita Juíza se sustenta na ausência de uma solução de conciliatória: o Governo Federal chegou com um protocolo de intenções que não dizia nada – conclui ela.
“Ao Juiz cabe decidir” – sentencia.
Bravo !
Naji Nahas não argumentaria melhor !
Em Pinheirinho se rescreveu uma História do Brasil: os perdedores perdem sempre; os vencedores vencem sempre.
Paulo Henrique Amorim
28 de Janeiro de 2012 - 9h02 - No Vermelho
Para ministro, governo Alckmin praticou terrorismo em Pinheirinho
O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) afirmou nesta sexta-feira (27) que o governo paulista praticou "terrorismo" na ação de reintegração de posse da comunidade de Pinheirinho, em São José dos Campos - interior de São Paulo.
Ele criticou a operação da Políia Militar - deflagrada no último dia 22 - e contestou a nota em que o PSDB, partido do governador Geraldo Alckmin, acusou o Planalto de "intromissão intolerável" por suas críticas ao episódio.
"Lamento muito que se tente tergiversar a realidade. A realidade o Brasil todo viu: militares violando os direitos daquelas pessoas, o terrorismo para cima daquelas pessoas", disse.
O ministro confirmou que a presidente Dilma Rousseff classificou a ação policial como "barbárie", em reunião com organizadores do Fórum Social Temático em Porto Alegre.
"Não há politização ou questão eleitoral no caso. O que há é a necessidade de denúncia de um método que é equivocado. Contra essas palavras o que tem é a realidade que o Brasil inteiro viu."
Carvalho afirmou que o governo paulista optou pelo enfrentamento armado, "sem respeitar a dignidade" das famílias que ocupavam o terreno.
"O que se viu foi um grande aparato militar preparado e executado que não foi seguido do mesmo cuidado com a reacomodação das pessoas. Tudo aquilo poderia ter sido evitado", disse.
"O diálogo não foi levado até o final e se preferiu a opção militar, que infelizmente deu no que deu. Não se trata de contestar direitos, de contestar a decisão da Justiça. Se trata de dialogar."
Segundo o ministro, a Justiça é "sensível a soluções negociadas e que respeitem as pessoas".
"Aquelas famílias são pobres e precisam ser tratadas com a mesma dignidade que aqueles que ocupam terras devolutas do Estado sem ser removidos", disse.
Protestos
A participação de Dilma no Fórum Social foi marcada por protestos contra a ação em Pinheirinho. Manifestantes cercaram o hotel em que ela ficou hospedada e entregaram à sua comitiva um manifesto com críticas ao governo paulista.
Fonte: Folha.com
Podres PoderesCaetano Veloso
Enquanto os homens exercem
Seus podres poderes
Motos e fuscas avançam
Os sinais vermelhos
E perdem os verdes
Somos uns boçais...
Queria querer gritar
Setecentas mil vezes
Como são lindos
Como são lindos os burgueses
E os japoneses
Mas tudo é muito mais...
Será que nunca faremos
Senão confirmar
A incompetência
Da América católica
Que sempre precisará
De ridículos tiranos
Será, será, que será?
Que será, que será?
Será que esta
Minha estúpida retórica
Terá que soar
Terá que se ouvir
Por mais zil anos...
Enquanto os homens exercem
Seus podres poderes
Índios e padres e bichas
Negros e mulheres
E adolescentes
Fazem o carnaval...
Queria querer cantar
Afinado com eles
Silenciar em respeito
Ao seu transe num êxtase
Ser indecente
Mas tudo é muito mau...
Ou então cada paisano
E cada capataz
Com sua burrice fará
Jorrar sangue demais
Nos pantanais, nas cidades
Caatingas e nos gerais
Será que apenas
Os hermetismos pascoais
E os tons, os mil tons
Seus sons e seus dons geniais
Nos salvam, nos salvarão
Dessas trevas e nada mais...
Enquanto os homens exercem
Seus podres poderes
Morrer e matar de fome
De raiva e de sede
São tantas vezes
Gestos naturais...
Eu quero aproximar
O meu cantar vagabundo
Daqueles que velam
Pela alegria do mundo
Indo e mais fundo
Tins e bens e tais...
Será que nunca faremos
Senão confirmar
Na incompetência
Da América católica
Que sempre precisará
De ridículos tiranos
Será, será, que será?
Que será, que será?
Será que essa
Minha estúpida retórica
Terá que soar
Terá que se ouvir
Por mais zil anos...
Ou então cada paisano
E cada capataz
Com sua burrice fará
Jorrar sangue demais
Nos pantanais, nas cidades
Caatingas e nos gerais...
Será que apenas
Os hermetismos pascoais
E os tons, os mil tons
Seus sons e seus dons geniais
Nos salvam, nos salvarão
Dessas trevas e nada mais...
Enquanto os homens
Exercem seus podres poderes
Morrer e matar de fome
De raiva e de sede
São tantas vezes
Gestos naturais
Eu quero aproximar
O meu cantar vagabundo
Daqueles que velam
Pela alegria do mundo...
Indo mais fundo
Tins e bens e tais!
Indo mais fundo
Tins e bens e tais!
Indo mais fundo
Tins e bens e tais!
“Será que esta minha estúpida retórica terá que soar, terá que se ouvir por mais zil anos?”
Podres Poderes traz um Caetano Veloso revoltado, irado com os erros e as faltas de revolta do povo. Na letra, Caetano cita os ditadores da América Católica, os burgueses, os paisanos, os capatazes e outras classes que estão preocupadas somente no bem próprio, fazendo os outros sofrerem, gestos que Caetano chama de ridículos, boçais e burros.
Caetano diz que gostaria de poder confiar e compartilhar com essas classes, mas é impossível, “tudo é muito mau”.
Velô, de 1984
Um fato inusitado e interessante da letra é quando Caetano questiona se apenas os “hermentinos pascoais, os tons e os mil tons, com seus sons geniais” poderão nos salvar. Nesse trecho fica implícito que apenas a música brasileira (como a de Hermeto Pascoal, Tom Jobim e Milton Nascimento) está salvando todos.
Podres Poderes faz o ouvinte pensar em tudo o que acontece de errado no mundo, principalmente no nosso país e questionar se não a ninguém para fazer as coisas mudarem.
http://musicasbrasileiras.wordpress.com/2011/06/13/podres-poderes-caetano-veloso/
Só não se esqueça que Caetano apóia esta turma...
Não me assusto se um dia o Caê disser: esqueçam o que escrevi!
Marcia
Sinto muito dizer que Caetano não é exemplo a ser seguido.
Fica só nas palavras.
É lamentável que alguém que se diz poeta, use a desgraça humana para construir poemas de gosto duvidoso, mas que na prática cotidiana, como ser político, ataca de forma vil quem procura solucionar os problemas sociais.
Lula é um ser humano como qualquer um de nós, mas com algumas diferenças. É um político diferenciado. Foi presidente do Brasil, e queiram ou não, sua passagem pela presidencia foi totalmente o oposto de todos aqueles que passaram pelo Planalto.
No entanto, para agradar a elite, proferiu um monte de opiniões infelizes, denegrindo a imagem do ser humano Lula, e não o político. Usou de recursos rasteiros - comuns a todos os cidadãos que odeiam Lula - para atacá-lo.
Já não era um artista que morria de paixões, e depois desse episódio, passeia detestá-lo.
Era uma certa intuição que eu não sabia explicar, mas que acabou dando-me razão.
Para mim Caetano é letra morta.
Este Caetano aí já era. Caetano hoje é uma chama esmaecida daquilo que um dia foi o sol da tropicália; do poeta que um dia quis aproximar o seu cantar vagabundo daqueles que velam pela alegria do mundo. Só mesmo os hermetismos pascoais, e os tons, os mil tons, seus sons e seus dons geniais nos salvam, nos salvarão dessas trevas, pois no que depender da caricatura pós-moderna e retrógrada que ele se transformou, não teremos mais do que o tolo e sôfrego discurso oportunista de quem não pode prescindir da próxima novelinha global para divulgar o seu sonzinho cabeça. Caetano tá qualquer coisa, tá prá lá de Marraquesh. Que mexa qualquer coisa dentro doida e deixe a gente em paz.
É degradante, humilhante, a cada imagem que vejo desse crime hediondo mais perplexo fico.
Como disse o jurista Maierovitch, a bárbarie vem num crescente... USP - Cracolândia - Pinheirinho. E temperada com declarações como a do ex Diretor CDHU , Milton Vieira Leite sobre os imóveis entregues com problemas que culpou os "favelados".
Outra fato noticiado hoje na FSP mostra como atua a polícia nos governos tucanos:
A letalidade envolvendo policiais militares da Rota, tida como a tropa de elite da PM paulista, em 2011 foi a maior dos últimos cinco anos.
Entre mortos em casos de "resistência seguida de morte" (82) e homicídios dolosos (9), integrantes da Rota foram responsáveis por 91 mortes em 2011 -14,28% de todas as mortes (637) envolvendo PMs no Estado de São Paulo.
Em 2007, os PMs da Rota estiveram envolvidos em 47 mortes, o que representou 9,85% dos 477 mortos por PMs em todo o Estado.
Em sete anos, as mortes em 2011 só não superaram as de 2006, quando as forças de segurança enfrentaram três ondas de ataques da facção criminosa Primeiro Comando da Capital. PMs da Rota se envolveram em 93 "resistências seguidas de mortes" e 4 homicídios na ocasião.
Reportagem de
Integrantes da chamada tropa de elite da Polícia Militar paulista foram responsáveis por 91 mortes ano passado
Para novo comandante da Rota, é preciso analisar mortes no contexto de ações especiais do grupo
ANDRÉ CARAMANTE
AFONSO BENITES
EVANDRO SPINELLI
DE SÃO PAULO
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/22597-letalidade-da-rota-e-a-maior-em-5-anos.shtml
"Recria tua vida, sempre, sempre. Remove pedras e plantas roseiras e faz doces. Recomeça. Faz da tua vida mesquinha um poema e viverás no coração dos jovens e na memória das gerações que hão de vir". Cora Coralina
Chorei, a voz ficou embargada com o desabafo de um Juiz de Direito da Bahia que, a despeito de ter perdido a esposa a muito pouco tempo, não se calou diante dessa miséria, atrocidade, maldade, que fizeram em Pinheirinho e Cracolandia
Juiz critica abusos da polícia paulista no Pinheirinho e na "cracolândia" em manifesto poético
Por: Redação da Rede Brasil Atual
Publicado em 26/01/2012, 16:00
Última atualização às 17:12
São Paulo – Em homenagem aos "noias", como são designados os dependentes químicos do crack que habitavam ruas da Luz, na região central da capital paulista, o juiz Gerivaldo Alves Neiva redigiu um manifesto poético, publicado em seu blogue pessoal. Em outra manifestação, também em verso, a solidariedade é aos moradores do Pinheirinho, bairro em São José dos Campos (SP), no Vale do Paraíba, onde 6 mil famílias foram alvo de ação de reintegração de posse no domingo (22).
O magistrado, alocado na da comarca de Conceição do Coité (BA), a 190 quilômetros de Salvador, mantém uma conduta associada à defesa de direitos humanos e lamenta que os usuários da droga tenham se tornado o alvo da "Operação Sufoco", deflagrada no dia 3. A Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana da capital paulista foram acusadas de cometer abusos na região, taxada como "cracolândia" por concentrar dependentes do crack. Na visão de profissionais que trabalham com a questão, faltou dar ênfase ao aspecto de saúde envolvido, o que provocou uma dispersão dos usuários por diferentes áreas, em vez de tratar a situação.
No caso do Pinheirinho, o membro da Associação Juízes para a Democracia (AJD) critica o governador paulista, Geraldo Alckmin, a cobertura da imprensa e o Tribunal de Justiça de São Paulo, que autorizou a ação. Ele sugere que a Justiça foi ferida no episódio.
Gerivaldo Alves Neiva publicou os manifestos em verso em seu blogue. Leia abaixo os textos:
Não os perdoem: eles sabem o que fazem!
Ao povo do Pinheirinho!
Gerivaldo Neiva
Para o governador, a culpa é da Justiça.
Para toda imprensa, a Justiça determinou, mandou, decidiu, despejou...
Para o Juiz que assinou a ordem, cumpriu-se a Lei e basta: Dura lex sede lex!
Para catedráticos cheirando a mofo, o Estado de Direito triunfou!
Para o Coronel que comandou, ordens são ordens!
Para o soldado que marchou sobre os iguais, idem!
Ei, Justiça, cadê você que não responde e aceita impassível tantos absurdos?
Não percebes o que estão fazendo com teu nome santo?
Em teu nome, atiram, ferem, tiram a casa e roubam os sonhos e nada dizes?
Tira esta venda, vai!
Veja o que estão fazendo em teu nome! Revolte-se!
E o pior dos absurdos: estão dizendo teus os atos do Juiz e do Poder que ele representa!
Vais continuar impassível?
E mais absurdos: estão te transformando em merdas de leis.
Acorda, vai!
Chama o povo, chama o Direito das ruas e todos os oprimidos do mundo e brada bem alto:
- Não blasfemem mais com meu nome! Não sou o arbítrio e nem a ganância! Não sou violenta, nem cínica e nem hipócrita! Não sou o poder, nem leis, nem sentenças e nem acórdãos de merda!
Diz mais, vai! Brada mais alto ainda:
- Eu sou o sonho, sou a utopia, sou o justo, sou a força que alimenta a vida, sou pão, sou emprego, sou moradia digna, sou educação de qualidade, sou saúde para todos, sou meio ambiente equilibrado, sou cultura, sou alegria, sou prazer, sou liberdade, sou a esperança de uma sociedade livre, justa e solidária e de uma nação fundada na cidadania e dignidade da pessoa humana.
Diz mais, vai! Conforta-nos:
- Creiam em mim. Um dia ainda estaremos juntos. Deixarei de ser o horizonte inatingível para reinar no meio de vós! Creiam em mim. Apesar da lei, do Poder Judiciário e das sentenças dos juízes, creiam em mim e não perdoem jamais os que matam e roubam os sonhos em meu nome, pois eles sabem o que fazem!
Quero o direito ao inferno!
Aos “nóias” de todas as cracolândias do mundo!
Gerivaldo Neiva *
Queria peitos,
leite
beijos
colo
carinhos
afagos
brinquedos
folguedos
casa
comida
escola
ar puro
cultura
esporte
prazer
alegria
trabalho
liberdade
vida
vida plena e abundante...
Recebi, sem pedir,
fome
tapas
cascudos
murros
violência
solidão
medo
favela
periferia
esgotos
fedor
bola de pano
barraco
descaso
desprezo
abandono
promessas
exclusão
gozação
prisão
faca
revólver
morte
morte por todos os lados...
Quis e não tive.
Não quis e me impuseram.
Agora é tarde e nada me serve mais...
Devolvo,
aos que me deram,
tudo o que me deram
e que não pedi.
Eu,
(se é que ainda Sou),
sem mais nada,
não quero e nem peço mais nada.
Não quero a paz,
não quero a vida,
não quero direitos,
não quero ser salvo,
não quero o céu e nem o paraíso...
São canalhas os que querem me salvar!
São canalhas todos os bons!
São canalhas todos os santos!
Não quero ser salvo por canalhas!
Fodam-se os canalhas!
Ora, se não se autodetermina quem não é,
também não se pode,
quem quer que seja,
determinar sobre quem já não é mais.
É tarde e Inês é morta!
Agora, quero apenas meu corpo,
quero tudo o que for impuro,
quero tudo o que fede,
quero o lixo e as sarjetas,
quero todas as feridas,
quero morrer de overdose,
quero ir para o inferno!
A rua é meu inferno.
Os outros são o meu inferno.
O mundo é meu inferno.
O inferno é o meu inferno!
Eu sei o caminho das pedras!
Deixem-me....
http://www.redebrasilatual.com.br/radio/noticias-1/juiz-escreve-manifesto-poetico-sobre-abusos-da-policia-em-sao-paulo
Ótimos os poemas do Senhor Gerivaldo Alves.
Principalmente sobre as vítimas da cracolândia.
o ajudante-geral
Finalmente, a juíza se pronunciou:
NOSSA REGIÃO
January 28, 2012 - 04:00
Juíza elogia ação da PM e diz que tentou alternativa
Victor Moriyama
Autora de ordem de desocupação, juíza diz que temia ‘banho de sangue’ após ameaças de resistência
Filipe Manoukian
São José dos Campos
A juíza da 6ª Vara Cível de São José dos Campos, Márcia Faria Mathey Loureiro, avaliou como “excelente” a operação da Polícia Militar na reintegração de posse do Pinheirinho e informou que mantém diálogo com a prefeitura para que as famílias desalojadas recebam um tratamento digno.
Em entrevista exclusiva a O VALE, a magistrada afirmou que a ordem de reintegração, expedida por ela em julho do ano passado, “foi muito difícil” de ser tomada. “Na minha opinião, a Polícia Militar agiu com excelência, foi perfeita. Agiu com preparo admirável, é motivo de orgulho”, disse.
Márcia afirmou que tinha “receio” de que a ação policial pudesse causar mortes, haja visto a promessa de resistência das lideranças sem-teto.
“Tínhamos receio porque as lideranças motivavam, incendiavam revolta, reação, carnificina, como foi anunciado, banho de sangue. Tinha muito receio a esse respeito. Mas a Polícia Militar se preparou, se planejou durante mais de quatro meses, com muita competência e desempenhou um serviço admirável”, afirmou.
Ontem, foi a primeira vez que a juíza se manifestou após o cumprimento da ordem de reintegração, iniciada no último domingo.
Ela também apontou o apoio dado pelo presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, Ivan Sartori, e de seu assessor Rodrigo Capez, que deram embasamento às suas decisões, como fundamental para o sucesso da desocupação da área do Pinheirinho.
Acordo.Em entrevista em seu gabinete, Márcia garantiu também que sempre tentou um acordo entre massa falida da Selecta S/A, proprietária da gleba de 1,3 milhão de metros quadrados (equivalente a 130 campos de futebol), e agentes do Executivo em busca de uma solução ao problema habitacional do país.
“Até onde eu pude, tentei uma negociação, sem ter esse poder de ingerência, mas só de argumentação”, disse. “As partes acordaram, perfeito, como eu quis isso, como se tentou e como fizemos reunião para isso, mas não houve.”
Também sem ações efetivas dos governos para desapropriar a área, segundo explicou, ela não teve outra saída senão determinar a desocupação.
“Também sem nenhuma proposta efetiva do governo de desapropriar a área, uma área particular, eu não podia dizer que o particular tem que fazer as vezes do poder público e providenciar moradia para diminuir o déficit habitacional”, completou.
Por fim, ao final da entrevista, Márcia declarou: “Eu agradeço a Deus por não ter tido nenhuma baixa, isso me tranquilizou muito.”
RECURSO
MPF responsabiliza prefeitura
São José dos Campos
O Ministério Público Federal acionou o Superior Tribunal Federal para responsabilizar a Prefeitura de São José dos Campos por omissão ao lidar com as famílias acampadas na área do Pinheirinho.
No entendimento do MPF, a prefeitura teria criado empecilhos para não permitir a regularização da área sempre que outros órgãos federativos tentavam um acordo.
O MPF chegou a mover uma ação pública pedindo a responsabilização da prefeitura, mas a Justiça Federal não acatou os argumentos e arquivou o processo. Ontem, porém, o MPF recorreu ao STF.
A mesma ação também pede que, além da prefeitura, União e Estado garantam direito à moradia para os desalojados do Pinheirinho.
O MPF também questiona as condições “precárias” dos abrigos da prefeitura.
REPERCUSSÃO
ONU pede solução pacífica para área
A relatora especial da ONU, Raquel Rolnik, pediu ontem aos governos federal e estadual que encontrem uma solução pacífica e adequada, incluindo alternativas de habitação, para as pessoas que foram removidas do Pinheirinho. Rolnik também disse, em discurso, que “ficou chocada” com os relatos de suposta violência que recebeu sobre a reintegração de posse.
FONTE: http://www.ovale.com.br/nossa-regi-o/juiza-elogia-ac-o-da-pm-e-diz-que-tentou-alternativa-1.212367
O Heródoto tem razão. Jornalistas são seres humanos e se emocionam, nem todos, infelizmente. Eu me emocionei, a cena é de partir...o c
Nilson Fernandes
Feliz o país que tem entre seus filhos alguém como Walter Maierovich.
Infeliz o país que tem entre os seus filhos alguém como Geraldo Alckimim.
O mundo gira e a luzitana roda e Alckimim vai ter o troco.
A escalada nazi-fascista do governo alckmin continua. Achou o termo pesado? então qual o adjetivo para isso?
equivocado? Aescalada "equivocada" continua? do blog da Sonia Racy no estadão;
"Interrogatório
27 de janeiro de 2012 | 23h03
Direto da fonte
Ao fazer o recadastramento anual (obrigatório pelo governo do Estado de SP), conhecida funcionária pública se assustou. Na página dos dados pessoais, além de nome, endereço, estado civil etc., duas perguntas chamam a atenção:
Orientação sexual. Opções: heterossexual, homossexual, bissexual (nesta ordem).
Identidade de gênero. Opções: homem, mulher, travesti, transexual (nesta ordem).
Poderiam terminar perguntando de que tipo de beijo ela mais gosta: na mão, na bochecha, selinho ou de língua. Nesta ordem.
Nao da pra brasileiro ficar em cima do muro: ou eh LEGAL ou nao eh LEGAL colocar essas perguntas em um formulario de governo.
NAO DA PRA FICAR EM CIMA DO MURO -o judiciario ja ta la pra protecao dos ricos, alias, e ocupa o espaco todo.
Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.
O responsável tinha que ir pra cadeia. Mas "Isto é S.P.artaaaaaaaa!!!!!"
A Privataria Tucana
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
A Privataria Tucana
A Privataria Tucana
Autor (es)
Amaury Ribeiro Junior
Título no Brasil
A Privataria Tucana
País
Brasil
Assunto
Reportagem-denúncia
Género
política, jornalismo
Editora
Geração Editorial
Lançamento
2011
Páginas
344
ISBN
978-85-61501-98-3
A Privataria Tucana é um livro de autoria do jornalista brasileiro Amaury Ribeiro Jr.[1] resultante de 12 anos de investigação jornalística sobre a chamada "Era das Privatizações", ocorrida no governo Fernando Henrique Cardoso (FHC), sob o comando do então Ministro do Planejamento José Serra, ex-governador do Estado de São Paulo. A expressão que deu origem ao título do livro,“privataria”, foi criada pelo jornalista Elio Gaspari, referindo-se à nebulosidade que envolvia as operações de privatização e ligando ao termo pirataria. Amaury Ribeiro Jr. resolveu utilizá-la pela adequação aos atos que qualificou como pirataria, que teriam sido praticados ao longo do processo de privatizações, envolvendo dinheiro público, em benefício de fortunas pessoais e realizadas por meio das chamadas offshores, empresas de fachada que operam em Paraísos Fiscais no Caribe.[2][3]
Índice [esconder]
Sinopse
O livro aponta o modus operandi de um suposto esquema de corrupção montado no governo de Fernando Henrique Cardoso por ocasião das privatizações. O livro é uma reportagem investigativa de 200 páginas de texto, apoiada em mais de 140 páginas de facsimile de documentos comprobatórios, todos oficiais, solicitados por ele em juntas comerciais, cartórios, no Ministério Público e na Justiça, autenticados e com firma reconhecida.
O autor do livro descreve, passo a passo, a trajetória que o dinheiro ilícito faz, das empresas Offshore (empresas ou contas anônimas criadas em paraísos fiscais) a empresas de fachadas no Brasil e comprova, apresentando documentos, que foram praticados negócios financeiros vultosos envolvendo grandes corporações financeiras, durante o processo das privatizações. O jornalista autor do livro acusa o envolvimento e a conivência de parte dos meios de comunicação, crimes de corrupção ativa e passiva, favorecimento ilegal, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, enriquecimento ilícito, invasão de privacidade, vazamento de dados tributários, tudo associado ao desvio de dezenas de bilhões de dólares dos cofres públicos.[4]A trajetória do dinheiro ilícito ao voltar ao Brasil, segundo os documentos apresentados no livro, é inserido nas fortunas pessoais do grupo ligado a Serra[5].
O autor revela que iniciou as investigações sobre lavagem de dinheiro quando fazia uma reportagem sobre o narcotráfico, a serviço do Correio Braziliense (CB). Depois de sofrer um atentado, foi transferido para o jornal O Estado de Minas, do mesmo grupo do CB, e lá incumbido de investigar uma suposta rede de espionagem mantida por José Serra.[6] Era o primeiro passo para a investigação sobre o esquema de desvio de verbas públicas e de lavagem de dinheiro denunciados no livro.
Os documentos apresentados no livro demonstram como teria funcionado o suposto esquema de propinas e de lavagem de dinheiro durante as privatizações. Através do envio do dinheiro para empresas offshores no paraíso fiscal nas Ilhas Virgens, o dinheiro retornava ao Brasil, "lavado" como "investimento estrangeiro". O autor apurou, partindo de pistas deixadas pelo dinheiro, que eram os mesmos nomes que assinavam os dois lados da operação: como procurador da offshore do Caribe que "investia" no Brasil e como dono da empresa brasileira receptora do suposto investimento estrangeiro. O esquema envolveria nomes como Ricardo Sérgio de Oliveira (ex-tesoureiro das campanhas de FHC e José Serra do PSDB, descrito por Amaury Ribeiro Jr. na página 38 como "o chefe da lavanderia do tucanato"), Carlos Jereissati, José Serra, sua filha Verônica Serra e o marido, Alexandre Bourgeois, além de empresas como a Oi (na época Telemar), IConexa, Citco Building, Andover, Westschester, Decidir.com, Inc da filha de Serra em sociedade com Verônica Dantas, irmã do banqueiro Daniel Dantas, dentre outros. Para se demonstrar o montante de dinheiro envolvido nestas supostas transações, entre 1998 e 2002, Gregório Preciado, marido de uma prima de José Serra, teria depositado 2,5 bilhões de dólares na conta de Ricardo Sérgio de Oliveira[7]. Este modus operandi de lavagem de dinheiro também teria sido utilizado por Paulo Maluf, Ricardo Teixeira[8], a quadrilha da advogada Jorgina de Freitas que fraudou a previdência em R$1 bilhão e Paulo Henrique Cardoso[9], filho do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Ricardo Sergio [10], segundo o livro/reportagem, por ser um banqueiro de larga experiência, foi o arquiteto do esquema que inseria dinheiro de origem duvidosa no Brasil, lançando mão de empresas Offshore nas ilhas Virgens Britânicas, conhecido paraíso fiscal. Os documentos, obtidos legalmente, demonstram que Alexandre Bourgeois, genro de José Serra, abriu duas empresas offshores, imediatamente após as privatizações: a Vex Capital e a IConexa Inc[11]. Era o mesmo endereço da Decidir – empresa de Verônica Dantas (irmã do banqueiro Daniel Dantas) e Verônica Serra (filha do ex-governador José Serra)[12].
O livro "A Privataria Tucana" conta ainda, na página 25, detalhes de como Serra, desde o seu período à frente do Ministério da Saúde, teria se utilizado do serviços de arapongas, pagos com dinheiro público, para criar dossiês contra adversários políticos[13]. E de como Verônica serra e a irmã do Daniel Dantas, Verônica Dantas, teriam quebrado o sigilo de aproximadamente 60 milhões de brasileiros pela obtenção de informações privilegiadas dentro do governo[14]. O grupo de Serra faria grande uso da tática da contra-inteligência, isto é, manobras diversionistas, antecipação e esvaziamento de possíveis denúncias, vitimização perante a opinião pública[15]. O livro também destaca como adversários políticos do mesmo partido praticaram guerras de espionagem e contra-espionagem entre si nos bastidores, tanto no PSDB (no caso, entre José Serra e Aécio Neves no capitulo 2) como no PT (entre Fernando Pimentel e Rui Falcão no capítulo 16).
Produção e publicação
A ideia do livro surgiu em 2009, quando Aécio e Serra disputavam acirradamente a indicação tucana para concorrer à presidência. O mineiro defendia prévias e o paulista se colocava como “o primeiro da fila”. O jornal Estado de S. Paulo, articulado com José Serra, publicou um texto intitulado “Pó pará, governador?” [16] que insinuava, já no título, que Aécio seria um cocainômano e que, portanto, não poderia sonhar com a presidência. Amaury já havia sido transferido para Belo Horizonte e foi incumbido pelo dono do jornal Estado de Minas, Álvaro Teixeira da Costa, de produzir reportagem em resposta a "São Paulo" (referência as mídias do estado de São Paulo polarizada com o PSDB, que não é a opinião da população).[17] Amaury sugeriu, então, que se investigassem as privatizações, pela fragilidade que as conexões com desvio de verbas públicas provocava em Serra. A investigação o levou a encontrar as contas usadas por Ricardo Sérgio, Alexandre Bourgeois e pela filha de Serra, Verônica Serra.[18]
Foi em ação judicial onde Amaury Ribeiro Junior era réu que ele obteve grande parte dos documentos constantes no livro. Uma reportagem na revista “Istoé”, na qual mencionava Ricardo Sergio, motivou o ex-caixa de campanha de Serra e FHC a entrar com o processo judicial contra o jornalista. Para se defender, o autor recorreu ao instrumento judicial, conhecido como “exceção da verdade”, que obrigou a entrega de documentos da CPI do Banestado a Amaury, fato que contribuiu muito para a investigação jornalística seguir a trilha do dinheiro das privatizações que comprovam as movimentações feitas entre os envolvidos.
O autor conta que o título inicial seria "No Porões da Privataria"; depois pensou em "Os Privatas do Caribe", em alusão aos paraísos fiscais no Caribe, mas desistiu-se desse segundo para evitar confusão com o filme "Piratas do Caribe". São 344 páginas, mais de 140 de documentos recolhidos no Brasil e Estados Unidos - muitos originários da CPI do Banestado - em juntas comerciais e em paraísos fiscais, dividido em 16 capítulos. Foram 12 anos de produção do livro até chegar às livrarias.[19]
A primeira edição, de 15 mil exemplares, esgotou-se no dia do lançamento, 9 de dezembro. No dia 12, a Geração Editorial decidiu reimprimir 30 mil. No dia 14 de dezembro, Luiz Fernando Emediato, da Geração Editorial, subiu para 80 mil cópias[20]. O jornal O Estado de S.Paulo noticiou apenas no dia 15 de dezembro, depois de ampla repercussão em blogs e redes sociais. A notícia de que "...15 mil exemplares vendidos em menos de uma semana,..." já estava defasada.[21]
Repercussão e comentário
A grande imprensa brasileira ignorou o lançamento deste livro, mas ele teve uma enorme repercussão em blogs, identificados com a esquerda, e nas redes socias. O livro provocou uma grande reação negativa do PSDB e causou requerimento por uma comissão parlamentar de inquérito.
Cronologia
No dia 11 de dezembro de 2011, aparece a primeira manchete sobre o livro em língua inglesa: "Boycotted by Brazil's Mainstream Media Book on Opposition's Corruption Becomes Instant Bestseller. "[22] e no dia 22 de dezembro o livro está na capa do jornal argentino “Página 12″. [23]
No dia 13 de dezembro, a assim-dita grande midia continuou a ignorar o "best-seller" e o jornalista Gilberto Maringoni (Carta Maior) escreveu: " Um curioso espírito de ordem unida baixou sobre a Rede Globo, a Editora Abril, a Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e outros. Ninguém fura o bloqueio da mudez, numa sinistra brincadeira de “vaca amarela” ... " [24] O jornal "Folha de S. Paulo" quebrou o seu silêncio no dia 15 de dezembro, publicando a opinião do ex-governador:
"Trata-se de uma coleção de calúnias que vem de uma pessoa indiciada pela Polícia Federal. Isso é crime organizado fingindo ser jornalismo[25]". José Serra
No mesmo dia, a Folha de São Paulo publicou que: "Jornalista acusa tucanos de receber propina", que dá notícias sobre a repercussão do livro.[26]
O jornalista Luis Nassif, classificou a obra como "A reportagem investigativa da década".[27] Os jornalistas Luiz Carlos Azenha e Luis Fausto afirmaram que os 15 mil exemplares da 1ª edição foram esgotados no primeiro dia.[28][29]. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso chegou a cancelar um evento de autógrafos de seu novo livro de memórias [30], e cancelou todos seus eventos para o fim de ano, adiantando suas férias [31]. Como medida de comparação, o livro de não-ficção mais vendido no Brasil em 2011, "Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil", lançado em 2009 pelo jornalista Leandro Narloch, vendeu 71 mil cópias em todo o ano segundo o site Publish News.[32].
O jornalista Paulo Henrique Amorim — conhecido ferrenho opositor do PSDB — defende que o conteúdo do livro seria suficiente para que figuras como José Serra e Fernando Henrique Cardoso sejam presos, a exemplo de outros ex-presidentes latino-americanos que também comandaram privatizações fraudulentas em seus países, como Alberto Fujimori do Peru, Gonzalo Sánchez de Lozada da Bolívia, Carlos Salinas de Gortari do México.
No dia 21 de dezembro, o autor do livro participou de um debate sobre "o silêncio da mídia" com o deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), autor do pedido de CPI sobre o tema, e o jornalista e blogueiro Paulo Henrique Amorim.[33]. Em sua edição online do mesmo dia, a revista Veja, da Editora Abril, publicou uma notícia sobre a obtenção por Protógenes, com base no livro, das assinaturas para a CPI.
No dia 23 de dezembro a matéria deixou existir [34] naquele espaço virtual. Desde o lançamento do livro, a revista Veja, que publica semanalmente uma lista dos livros mais vendidos e comenta os sucessos populares, não fez nenhuma resenha sobre a obra e barrou a matéria online sobre os reflexos políticos que ela está provocando. O silêncio generalizado dos veículos tradicionais de comunicação — exceção feita a uma crítica no jornal Folha de S. Paulo, em 15 de dezembro — perdurou por semanas. [35]
Passados 19 dias da chegada de "A Privataria Tucana" a livrarias do país, a publicação foi inserida na lista dos livros mais vendidos de não ficção da semana da Veja na internet, no dia 28 de dezembro.[36].
A Globo, no caderno, Prosa & Verso, colocou o livro em primeiro lugar, seguido em segundo pelo livro, Steve Jobs - A biografia[37]. Somente no dia 28 de dezembro, que a Globo publicou comentários sobre o conteudo do livro. Com o título "Querem impor a mordaça", Marco Antonio Villa afirma que “o panfleto de Amaury Ribeiro é apenas um produto da máquina petista de triturar reputações. Foi produzido nos esgotos do Palácio do Planalto". Nada foi comentado, no artigo, sobre as acusações de tucanos receberem propina, nem sobre a venda de 15 mil exemplares da 1ª edição do "best-seller".[38]
Fábio de Oliveira Ribeiro, no dia 3 de janeiro de 2012, foca na "importância do capítulo 16". Ribeiro justifica a importância dizendo que o capítulo 16 "(...)mostra aos interessados (especialmente aos jornalistas) como é perigoso deixar o campo jornalístico submergir inteiramente no campo político." Ele conclue que este capítulo do livro é exemplo de "...um poderoso paradigma que certamente ajudará a melhorar a atuação de policiais, jornalistas e políticos nas próximas eleições presidenciais..." [39]
"A privataria tucana", com 120 mil exemplares vendidos, chegou ao topo da lista geral de vendas da primeira semana do ano 2012. "Steve Jobs" e "As esganadas", de Jô Soares, fecharam em segundo e terceiro lugar, respectivamente. [40]
CPI da Privataria
No dia 15 de dezembro de 2011, O deputado federal Delegado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) conseguiu recolher as 171 assinaturas de deputados, necessárias para a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito CPI. Protógenes disse que a motivação veio do livro do jornalista Amaury Ribeiro Junior, que o deputado classificou como um “importante documento”. O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), recebeu um pedido de abertura de (CPI) para investigar o processo de privatizações realizado durante o governo Fernando Henrique, apurar os supostos casos de lavagem de dinheiro e a realização de uma audiência pública para debater as denúncias do livro.
Brizola Neto (PDT-RJ) foi à tribuna da Câmara e pediu ao seu partido mais assinaturas para o pedido de CPI apontando que “No livro, só de documentos, são mais de 100 páginas, que mostram claramente o que aconteceu durante o processo de privatizações do governo FHC” e o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) pediu a realização de audiências públicas para apurar as denúncias feitas pelo jornalista. [41]
Os deputados Nelson Marchezan Júnior (PSDB-RS), Antônio Imbassahy (PSDB-BA) e Fernando Francischini (PSDB-PR) surpreenderam aos lideres tucanos ao assinarem a CPI da Privataria.
Francischini, apesar do apelo de Fernando Henrique Cardoso para considerarem o livro como uma "coleção de calúnias" e "crime organizado fingindo ser jornalismo", esclareceu sua posição ao Jornal do Brasil, dizendo: "Acho que tudo deve ser investigado e, se as denúncias forem verdadeiras, os culpados devem ser punidos. Se provarem tudo o que estão falando, vou ser o primeiro a pedir punição. Ao mesmo tempo, se elas forem falsas, os responsáveis pelo livro terão que pagar". [42] No dia 16 de dezembro, a presidente do Brasil, Dilma Rousseff afirmou não ter lido o livro e, segundo ela, "CPI é para caso extremo"[43].
Cristine Prestes opiniou no dia 2 de janeiro de 2012, no Valor Econômico, que apesar de muitos governistas terem assinado o pedido de CPI, "...ainda não se conhece o interesse do governo e do PT na instalação efetiva desta investigação." [44]
O desinteresse de ambos na abertura de uma investigação poderia ser explicado pela informação que consta da página 75 do livro: “Os arquivos ocultavam informações capazes de constranger tanto o governo Lula quanto o de FHC”.Cristine Prestes
O deputado Protógenes conseguiu o número de assinatura (186) suficientes para requerer a abertura da CPI. Mas ele disse que "A comissão só será mesmo aberta se houver pressão popular".[45]
No dia 21 de dezembro, Protógenes protocolou o pedido de abertura da CPI da Privataria. Logo depois, a Secretaria Geral da Mesa Diretora da Câmera conferiu as assinaturas dos parlamentares que faziam o pedido e atestou a validade de 185 delas, 14 além da quantia mínima necessária para validar o requerimento. [46] O ex-governador, José Serra, disse que desconhecia a existência de pedido de CPI na Câmara para investigar veracidade das acusações contidas no livro, no dia 10 de janeiro. Mais tarde, no mesmo dia, ele qualificou como “palhaçada” o pedido de instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito.[47]
Reação no PSDB
O ex-governador José Serra (PSDB-SP) falou que não leu, mas afirma que livro é um “lixo”. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) também classificou a publicação como "literatura menor". [48]
Em uma nota, o ex- presidente, Fernando Henrique Cardoso, no dia 15 de dezembro, disse que o livro "É infâmia!".
(...)quero deixar registrado meu protesto e minha solidariedade às vítimas da infâmia e pedir à direção do PSDB, seus líderes, militantes e simpatizantes que reajam com indignação. Chega de assassinatos morais de inocentes. Se dúvidas houver, e nós não temos, que se apele à Justiça, nunca à infâmia.[49]. Fernando Henrique Cardoso
Em nota oficial, o PSDB classificou o livro como "uma eviana tentativa de atribuir irregularidades aos processos de privatização no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso e acusa o Partido e os seus líderes de participar de ações criminosas" [50] O partido ainda reforça que as privatizações viabilizaram a modernização da economia brasileira, com investimentos em serviços essenciais e a geração de milhares de empregos, e que todas as privatições foram auditadas pelo Tribunal de Contas da União, Ministério Público Federal e outros órgãos de controle, onde nenhuma irregularidade foi constatada[51]. Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB, declarou que entrará com um processo contra o jornalista e a editora que publicou a obra.
No dia 22 de dezembro, Verônica Allende Serra respondeu às acusações feitas a ela no livro. Ela colocou que são as "(...)insinuações e acusações totalmente falsas a meu respeito." e lembrou que se houve "...qualquer tipo de movimentação ilegal de recursos..." ela não esteve envolvida "nem remotamente":
"Não fui sócia de Verônica Dantas...Não fundamos empresa juntas, nem chegamos a nos conhecer" Verônica Allende Serra
Sobre as insinuações e acusações que têm sido publicadas e republicadas, na imprensa escrita e eletrônica, ela disse que "Nunca fui ré em processo nem indiciada pela Polícia Federal; fui, isto sim, vítima dos crimes de pessoas hoje indiciadas." A nota de Verônica detalha a sua participação na empresa Decidir, segundo ela, em respeito a todas as normas legais em vigor.[52]
O governador do Estado do Rio, Sérgio Cabral Filho, saiu em defesa de FHC, no dia 30 de dezembro, sobre as denúncias sobre desvios bilionários durante o processo de privatização de empresa brasileiras.[53]
"O presidente Fernando Henrique fez muito bem ao Brasil ao abri-lo para investidores nacionais e estrangeiros, ao permitir, no caso da exploração do petróleo e do gás, a entrada de empresas nacionais e multinacionais, acabando com o monopólio da Petrobras, acabando com o monopólio da Telebrás(...)"Sérgio Cabral Filho
No dia 3 de dezembro, o presidente nacional do PSDB, deputado federal Sérgio Guerra, que prometeu processar Amaury Ribeiro Jr., em entrevista à Rádio Folha, afirmou que o livro não passa de um “jogo publicitário” feito pela internet para enfraquecer a grande Imprensa. Disse o tucano que “Isso foi para diminuir o tamanho da imprensa na formação da opinião pública”. Sérgio Guerra classificou a publicação de "farsa” repleta de "calúnias", produzida com integrantes e agentes do PT.[54]
Referências
Ver também
Ligações externas
O judiciario MENTIU a respeito dessa tomada de terra. Primeiro invalidou um processo pra proteger Nahas, depois voltou com o mesmo processo, agora valido, pra atacar os pobres.
Infelizmente nao veio com link quando o Joao Saboia postou ontem, e tambem nao achei a materia do PHA que expoe a maracutaia. Mas o judiciario mentiu mais uma vez.
Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.
Ivan, segue a matéria e o link
http://www.conversaafiada.com.br/politica/2012/01/26/maierovitch-a-justi...
Maierovitch: a “Justiça” e Nahas estão acima da Lei
Saiu no blog do Wálter Maierovitch:
O último escárnio no Pinheirinho e o refrão da banda Legião Urbana
Nos EUA, cerca de 40 estados-federados escolhem, pelo voto, os seus magistrados e os seus promotores de justiça.
Os juízes federais e os procuradores federais norte-americanos são escolhidos pelo presidente da República e entram na função depois de aprovação pelo Senado. Idem com relação aos procuradores.
O sistema tem a lógica democrática, pois o juiz é órgão do poder, cujo detentor é o povo. O sistema europeu, que me parece melhor, mistura magistrados concursados publicamente e jurados leigos.
No Brasil, os juízes são concursados, exceção aos que ingressam pelo chamado quinto-constitucional (advogados de notório saber e reputação ilibada e membros do Ministério Público), os escolhidos para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e os participantes do Tribunal do Júri, que julgam apenas os crimes dolosos contra a vida.
Mas uma coisa é certa e incontestável. Qualquer que seja o sistema — americano, europeu ou brasileiro —, um juiz, ao julgar ou dar liminares, atua como representante do povo.
Ontem, um espetáculo grotesco e inusitado foi protagonizado pelo Judiciário no chamado bairro do Pinheirinho. A juíza que concedeu reintegração — precipitadamente, pois não exauriu a via conciliatória nem exigiu dos poderes públicos uma responsável solução para alojar os despojados de suas residências — recebeu, no local e solenemente, o mandado cumprido pela tropa de choque da Polícia Militar.
Essa conduta é inusitada no Judiciário. Como regra, os mandados judiciais cumpridos são comunicados por ofício protocolado no Fórum. E os juízes os recebem pela mão do escrivão ou juntados em autos processuais.
Faltou, lógico, um fundo musical. Com a banda Legião Urbana a perguntar: Que país é esse ?
Sim, que país é esse que a Justiça, que decide em nome do cidadão, joga o povo ao léu.
Com efeito. Ontem foi concluída a reintegração na posse, determinada por ordem judicial da 6ª Vara da comarca de São José dos Campos, no chamado bairro Pinheirinho, com 1,3 milhão de metros quadrados de área ocupada por cerca 6 mil moradores desde 2004.
A reintegração deu-se em favor da massa falida da Selecta Comércio e Indústria S/A, uma holding administrada, até a quebra em 2004, pelo megaespeculador Naji Nahas.
Naji Nahas jamais foi condenado pela Justiça brasileira. A propósito de alguns escândalos noticiados pela imprensa, Nahas não foi responsabilizado criminalmente quando acusado de quase quebrar a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. Preso preventivamente, beneficiou-se da liminar concedida pelo ministro Gilmar Mendes em favor do banqueiro Daniel Dantas. E também da decisão, ainda não definitiva, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que anulou a Operação Satiagraha: uma anulação fundada na canhestra conclusão da participação, ainda que burocrática, de agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Contra essa decisão anulatória votaram os ministros Gilson Dipp e Laurita Vaz.
Com a reintegração de posse concluída, restará prejudicado, pela perda de objetivo, o pedido feito ao Supremo Tribunal Federal (STF) de suspensão da operação militar conduzida pela tropa de choque da Polícia Militar de São Paulo e com cerca de 1.500 famílias sem ter onde ir. Mais ainda, a liminar foi indeferida pelo presidente Peluso, do STF.
Como se nota, não houve tempo oportuno para ser apreciado, em sede liminar e pelo STF, o pedido de suspensão da reintegração. Em São Paulo, a decisão foi mantida e o ministro presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) — já acusado de assédio moral a estagiário e de fazer lobby para garantir uma cadeira no STJ para a sua cunhada — entendeu não ser da Justiça federal a competência para suspender a reintegração. Essa decisão de Ari Pargendler foi dada liminarmente, quando a Polícia Militar desalojava, com bombas, balas de borrachas e cães, os moradores do Pinheirinho.
Juntamente com a ação da Polícia Militar, máquinas cuidaram da derrubada de casas de alvenaria e de madeira que abrigaram os antigos moradores e residentes há mais de 8 anos na área.
Num grotesco espetáculo mostrado pelas televisões, a juíza responsável pela decisão de reintegração compareceu ao Pinheirinho para receber, solenemente, a notícia do cumprimento do mandado judicial.
Agora a área esta pronta para ser vendida e a sobra vai para o bolso dos sócios da Selecta, ou seja, de Naji Nahas. Os créditos trabalhistas, que podem já ter sido negociados por valor irrisódio, serão quitados. Idem os especiais, que vão para os cofres da Prefeitura de São José dos Campos.
O prefeito de São José dos Campos, cuja insensibilidade chegou a ponto de não se preocupar em alojar as famílias tiradas violentamentemente do Pinheirinho, vai ter um bom caixa para promover o populismo. Enquanto isso, com o ritmo de “lesma reumática”, o governador Geraldo Alckmin afirma que cuidará de verbas para a locação de casas aos expulsos do Pinheirinho, pois não existem casas populares disponíveis. Os radicais do PSTU, que apostavam numa tragédia maior, certamente contabilizam futuros ganhos eleitorais.
Pano rápido. “QUE PAÍS É ESSE ?”
Wálter Fanganiello Maierovitch
"Recria tua vida, sempre, sempre. Remove pedras e plantas roseiras e faz doces. Recomeça. Faz da tua vida mesquinha um poema e viverás no coração dos jovens e na memória das gerações que hão de vir". Cora Coralina
Obs: O deputado estadual é Libanês radicado em Bauru-SP e foi o mesmo que declarou que o PCC era mais confiável que a polícia civil do Estado De São paulo por ocasião da greve de 2008.
Pinheirinho opõe São Paulo a Dilma e ao Planalto
Presidente chama de 'barbárie' operação da polícia militar paulista em área ocupada irregularmente no bairro de São José dos Campos
Elder Ogliari / PORTO ALEGRE e Lucas de Abreu Maia / SÃO PAULO - O Estado de S.Paulo
Um dia depois de a presidente Dilma Rousseff qualificar de “barbárie” a reintegração de posse de um terreno no bairro Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), os ministros da Secretaria-Geral de Governo, Gilberto Carvalho, e da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, voltaram a criticar a operação da Polícia Militar de São Paulo, nesta sexta-feira, em Porto Alegre, onde participaram de atividades do Fórum Social Temático. A desocupação, feita no domingo, retirou 1,6 mil famílias de um terreno devolvido pela Justiça à empresa Selecta.
A frase foi dita por Dilma em uma reunião fechada com movimentos sociais em Porto Alegre. Carvalho e Maria do Rosário concordaram com a palavra “barbárie”. “O que se viu no Pinheirinho, como nós vimos, foi um grande aparato militar, preparado e executado. Não foi seguido do ponto de vista de reacomodação das pessoas. Tudo aquilo poderia ter sido evitado se uma solução para aquela gente já tivesse sido viabilizada”, avaliou Carvalho. “Não se trata de contestar decisão da Justiça, mas de dialogar com a Justiça, que é sensível a soluções negociadas.”
O ministro também rebateu acusações de integrantes do PSDB que o acusaram de transformar a reintegração de posse em questão eleitoral. “Lamento que se tente tergiversar a realidade”, disse. “A realidade são militares violando o direito daquelas pessoas, o terrorismo para cima daquelas pessoas”, comentou, para lembrar que o secretário nacional de articulação social da Secretaria-Geral da Presidência, Paulo Maldos, estava no terreno porque havia a promessa do prefeito Eduardo Cury (PSDB) de que haveria diálogo.
O ministro insistiu que “de maneira alguma” o governo federal procurou dar qualquer característica eleitoral ao episódio e manifestou respeito pelo governo de São Paulo. Também revelou saber que o governo paulista está tomando algumas iniciativas para reassentar as famílias e disse que o Ministério das Cidades tem se colocado à disposição.
Para Maria do Rosário, não é necessário produzir qualquer outro termo que não “barbárie” para definir o método de desocupação. “Houve violação dos direitos humanos não apenas na operação, na destruição das casas, mas também na falta de preparação de um lugar para as pessoas ire.” A ministra acredita que a juíza que determinou a desocupação desconhecia a negociação que havia sem se preocupar com a retaguarda necessária para salvaguardar o direito das famílias.
São Paulo. Para o presidente do PSDB paulista, deputado estadual Pedro Tobias, as declarações da presidente Dilma Rousseff sobre a ação de desocupação da Polícia Militar na Comunidade do Pinheirinho são “estranhas”. “Como presidente da República, ela poderia ter desapropriado o terreno com um decreto. Se não gostou da decisão da Justiça (que ordenou a desocupação), é só desapropriar”, afirmou Tobias.
www.estadao.com.br/noticias/nacional,pinheirinho-opoe-sao-paulo-a-dilma-...
Nilson Fernandes
Que o Mauro Wedekin e Luiz Lima consigam prosseguir em suas carreiras com a coragem de quem são essenciais na prática do jornalismo. E Mauro, tua reportagem seguidas das lágrimas de revolta, infelizmente, foram por mim acompanhadas por um grande e sonoro FDP cujo destinatário voce sabe quem...
Convido os colegas a assinarem o Manifesto pela denúncia do caso Pinheirinho à Comissão Interamericana de Direitos Humanos no Azenha:
http://www.viomundo.com.br/denuncias/juristas-e-entidades-comprometidos-com-a-democracia-denunciam-caso-pinheirinho-a-oea.html
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