Paulo Sergio Pinheiro e a questão síria

Por Andre Araujo

A QUESTÃO SIRIA E ONU - O insuspeito profissional de direitos humanos, o brasileiro Paulo Sergio Pinheiro, foi indicado pelo ONU como relator da situação de direitos humanos na repressão contra a população civil siria. Paulo Sergio Pinheiro tem um longa carreira na area, foi relator dos massacres de Ruanda, foi Vice Presidente da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, Secretario Nacional de Direitos Humanos do Brasil, foi um dos fundadores do Nucleo de Violencia da USP.

Sya reputação no Sistema ONU é altissima e provavelmente ele será um dos membros da Comissão da Verdade a ser nomeado pela Presidente Dilma.

Paulo Sergio Pinheiro fez já uma relatorio pavoroso sobre a situação dos civis sirios, uma das repressões mas violentas sobre uma população civil vista nas ultimas décadas. Esse relatorio será entregue à Comissão de Direitos Humanos da ONU.

Vamos ver agora se a voz respeitada de Paulo Sergio Pinheiro, o "pai" da Comissão da Verdade, vai ser contestada pela esquerdolandia que aqui apoia cegamente o regime sirio, negando a violencia e atribuindo toda a culpa , como sempre, ao imperialismo ianque.

O que surpreende nessa repressão com tanques e artilharia jogados sobre a população civil de forma indiscrimanda, sem qualquer consideração inclusive com crianças, alem do uso intenso de snipers,

atiradores de pontaria para acertar e matar civis, é que esperava-se uma reação muito mais moderda de Assad filho. Um médico educado e treinado no Ocidente, de perfil pessoal modesto, casado com uma esposa nascida na Inglaterra e ex-Vice Presidente do banco J.P.Morgan em Nova York, um casal moderno, de postura civilizada, aparentavam ser bem diferentes do pai, que em outra repressão há 30 anos matou 20.000 civis na cidade de Hama.

A situação siria caminha para um desfecho que não será a permanencia do regime. Está aumentando em progressão geometrica o nivel de deserções no Exercito, não há como sustentar essa repressão com a condenação mundial, com excessão da Russia e da China, sanções, paralisia da atividade economica. A esposa e os filhos de Assad já estão na Inglaterra faz tempo.

O relatorio de Paulo Sergio Pinheiro, com a chancela da ONU, terá um papel arrasador sobre o regime sirio. O Brasil já está mudando de posição, alinhando-se com os EUA e a UE na condenação ao regime

de Assad, aparentemente aprendendo com a lição da Libia, quando a dubiedade do Itamaraty está custando caro ao Brasil, as empreiteiras brasileiras não conseguem voltar a Libia porque o Brasil ficou até o ultima instante com o Governo Khadafi, quando este ja estava condenado.

No caso da Siria as consequencias de apostar sempre no lado errado podem custar ainda mais caro. A Liga Arabe, controlada pelas monarquias petroleiras, está totalmente contra o regime de Assad e quem o apoiar agora estará em confronto com a  Liga , com consequencias negativas para os negocios do Brasil no Oriente Medio, hoje um grande mercado para as exportações brasileiras de bens e serviços. Parece que caiu a ficha no Itamaraty que mudou o leme ainda a tempo.

De O Globo

Violência afetou até 4 milhões na Síria, diz Paulo Sérgio Pinheiro

Presidente de comissão da ONU, o brasileiro afirma que situação se agrava a cada dia

O brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro na apresentação do relatório Foto: AFP

O brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro na apresentação do relatórioAFP

PARIS - Vinte mil torturados, 3,5 mil mortos, 250 crianças assassinadas, desaparecimentos, prisões arbitrárias, tiros disparados contra a população nas ruas. Este é o impressionante rastro de violência deixado pelo governo de Bashar al-Assad entre março e setembro na Síria, segundo o relatório divulgado nesta segunda-feira pela comissão independente de investigação criada pelas Nações Unidas.

Em entrevista ao GLOBO, o presidente da comissão, o pesquisador brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, disse que a situação se agrava a cada dia, e as violações dificilmente teriam ocorrido sem o conhecimento das altas esferas do governo sírio.

GLOBO: Seu relatório acusa o governo sírio de crime contra a Humanidade. Algo em particular o chocou no depoimento destas 223 vítimas?

PAULO SÉRGIO PINHEIRO: O relatório não é uma ata de acusação. Ele mostra padrões de violações de direitos humanos que também constituem crimes contra a Humanidade. Estas práticas seriam impossíveis de serem praticadas sem o conhecimento ou a autorização por parte de autoridades da Síria. O relatório aponta na direção da responsabilidade das autoridades sírias pelas violações, mas também para investigar. O governo criou uma comissão de investigação, mas não compartilhou conosco nenhuma observação.

Os desertores militares e das forças de segurança que vocês entrevistaram confirmam uma violência organizada pelo alto escalão, isto é, pelo presidente?

PINHEIRO: Entrevistas com desertores demonstram que vários deles receberam ordens para atirar para matar manifestantes. Vários eram informados de que se tratavam de terroristas. Conseguimos começar a reconstituir a cadeia de comando na repressão. Mas temos mais trabalho. Estamos apenas começando. Esperamos que num segundo relatório possamos ter mais claridade.

Não é a primeira vez que o regime executa, prende arbitrariamente ou desaparece com opositores: somente num levante em 1982, entre 10 mil a 25 mil teriam morrido. O que é diferente, desta vez?

PINHEIRO: É dificil comparar conjunturas históricas totalmente diferentes. O contraste maior é que isso esteja ocorrendo agora, numa onda de democratização de todo o Oriente Médio. O contraste é muito chocante. Vários regimes autoritários caíram, eleições democráticas estão sendo realizadas. O que nos chama atenção, primeiro, é a intensidade e a escalada da violência desde março até novembro. Hoje estamos trabalhando com um número bastante conservador de 4 mil mortes, o que é impactante, especialmente porque a maioria das manifestações é pacífica. Agora é que estamos vendo enfrentamentos entre as forças de segurança e o chamado Exército Livre da Síria. Não classificamos como guerra civil ou conflito armado interno porque não temos condições ainda de avaliar exatamente o teor e a magnitude.

Quantas pessoas podem estar desaparecidas ou terem sido vítimas de violência no país, além dos 4 mil civis estimados mortos?

PINHEIRO: Entre 3 milhões e 4 milhões de sírios foram afetados pela violência. Alguns milhares tiveram que sair do país. Não falo de opositores ou militantes. Falo de famílias, adolescentes, crianças que tiveram que se refugiar dentro ou fora da Síria. Calculamos que entre 15 mil e 20 mil pessoas estejam detidas por causa das manifestações. Mas ninguém sabe exatamente. Sabemos que escolas e estádios estão sendo usadas como prisões. Por isso nós pedimos para que o Comitê Internacional da Cruz Vermelha possa ter total acesso aos estabelecimentos de detenção no país.

Há estupro de garotos de até 11 anos de idade?

PINHEIRO: Recebemos vários relatos e chamou atenção, porque geralmente há crime sexual contra as mulheres. Nós registramos vários casos de violência sexual contra adultos e também violação sexual de crianças. São depoimentos que nós consideramos credíveis e verazes.

O que acontece na Síria hoje é comparável aos massacres na Bósnia?

PINHEIRO: A comissão não é muito inclinada a fazer comparações, até porque nosso mandato é constar a situação da Síria. A situação é profundamente grave, a cada dia se agrava. Todos os grupos no interior da Síria estão afetados. As cidades estão cercadas. A vida diária está intensamente perturbada, e o acesso à água e alimentos é bastante problemático. Num momento em que vários países da região caminham para maior transparência, fim da censura e democracia, na Síria se agrava a prática de desrespeito sistemático dos direitos humanos. Para o século XXI, é extremamente chocante.

Bashar al-Assad por ter o mesmo fim que o líbio Muamar Kadafi ou o egípcio Hosni Mubarak, que foram depostos?

PINHEIRO: O relatório não trata disso, não faz cenários nem propõe soluções políticas. São outros órgãos da ONU e os Estados-membros que podem fazer estas elaborações. O centro do nosso trabalho é a situação gritante e gravíssima da população civil na Síria.

Deu para ter uma ideia do grau de deserção das unidades de elite próximas ao presidente Assad?

PINHEIRO: Entrevistamos desertores de várias áreas na Síria. Há vários números apontados, mas não temos condições de avaliar e dizer se são centenas ou milhares.

Que efeito o seu relatório deve ter no Conselho de Segurança da ONU, é o caso de intervir?

PINHEIRO: Não está na nossa competência fazer sugestões. Entregamos o relatório ao Conselho de Direitos Humanos, que encomendou e deve decidir o que fazer. Há rumores de que vai haver na sexta-feira uma sessão especial (no Conselho). Mas não sei se vai haver ou o que vai ser resolvido. A única coisa que sei é que o relatório foi enviado à Assembleia Geral da ONU, que tem competência para decidir sobre encaminhamentos futuros. Acho que, com a argumentação que demos, vários encaminhamentos podem ser dados ao relatório.

Sua comissão envolveu a Liga Árabe, assim como vários outros atores, no processo das investigações. A reação surpreendentemente firme da Liga Árabe em impor sanções contra a Síria tem alguma relação com os dados que vocês coletaram?

PINHEIRO: Não creio. porque ninguém havia lido o relatório até hoje (ontem). Acho que a atitude da Liga dos Estados Árabes é, primeiro, em função da gravidade da situação na Síria. Em segundo lugar, pela mudança formidável que está ocorrendo no interior dos países árabes em relação ao reconhecimento do valor dos direitos humanos, da democracia, da não censura e da transparência. Nós saudamos com muita ênfase a proposta sobre o envio de observadores de direitos humanos. Acho que a situação da Síria requer uma visibilidade maior do que está ocorrendo por parte de um grupo neutro e imparcial que possa favorecer o fim desta situação terrível atual.

Por Paulo F.

Andy, na entrevista dada a DW, Pinheiro coloca a situação em tintas não tão pesadas como seu texto.

De Deutsche Welle

O brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro preside a comissão da Nações Unidas que investiga violações dos direitos humanos na Síria. Em segundo relatório, comissão diz que só diálogo resolverá a crise: "a Síria não é a Líbia".

Em segundo relatório, divulgado nesta quinta-feira (23/02), a Comissão de Inquérito do Conselho de Direitos Humanos da ONU afirma que só o diálogo pode acabar com a violência na Síria. O brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, que presidiu a investigação, conversou com a DW Brasil sobre as conclusões apontadas no documento.

A situação dos direitos humanos no país comandado por Bashar al-Assad piorou drasticamente desde a apresentação do primeiro relatório, em novembro passado, afirma Pinheiro. E as divisões observadas na comunidade internacional dificultam o quadro. "O governo falhou em sua responsabilidade de proteger sua população", afirma o relatório, acrescentando que os grupos anti-Assad também cometeram abusos – "embora em escala e organização incomparáveis àquelas cometidas pelo governo."

 

Brazilian Paulo Sergio Pinheiro, who is mandated by the U.N. Human Rights Council to lead an international investigation of allegations of human rights abuses in Syria, gestures during a press conference at the United Nations headquarters in Geneva, Monday, Nov 28, 2011. Syrian troops have killed hundreds of children and committed other "crimes against humanity" since the government crackdown began in March, the U.N. probe said Monday. (AP Photo/Anja Niedringhaus)

Paulo Sérgio Pinheiro presidiu investigação da ONU

DW Brasil: A comissão concluiu que só o diálogo pode pôr fim à violência na Síria. Não há alternativa?

Paulo Pinheiro: Não existe nenhuma saída militar. Se houvesse saída militar o conflito já tinha terminado. Já faz quase um ano desde a primeira manifestação. É preciso perder essa ilusão sobre no fly zone e outras coisas que funcionaram na Líbia. A Síria não é Líbia.

O que os Estados têm que fazer é trabalhar no sentido de colocarem as várias partes numa mesa virtual. Nós temos uma experiência enorme na América do Sul e na América Central, não é preciso partir do zero sobre como fazer uma negociação. Não devemos esquecer que os franceses negociaram, sem suspender o conflito, na guerra da Argélia, e o Vietnã do Norte negociou com os Estados Unidos sem suspender a guerra.

Não é que eu esteja propondo que a violência não seja suspensa na Síria, ela deve ser. Especialmente agora que estamos vendo o que está acontecendo em Homs. É uma ilusão achar que haverá uma outra solução (que não o diálogo), ou então corredores humanitários impostos à Síria. Isso não vai funcionar. Essa ajuda humanitária só vai ocorrer de forma negociada, como, aliás, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha está tentando fazer de maneira bastante profissional. Não há outra saída. Nós deixamos isso muito claro no relatório.

O fim da violência na Síria seria o fim do regime de Assad?

Não se pode entrar numa negociação dizendo que tem que acabar o governo Assad. Não é assim que as negociações podem ocorrer. Tanto que, se isso fosse possível, a segunda proposta da Liga Árabe teria sido implementada.

É evidente que primeiro é preciso começar a conversar para ver o que vai ocorrer. Eu não tenho a receita de como vai ser essa conversa ou esse debate. A única coisa que a comissão disse com todas as letras é que não há saída militar para essa crise.

Mas essa conversa, até agora, parece que está sendo muito difícil com o governo. A própria comissão presidida pelo senhor, inclusive, não foi recebida na Síria.

Nós temos também o mandato para fazer essa negociação. Para dizer a verdade, nesse ano tivemos um contato fluido com o governo. Não só através de dados, correspondência, mas também através da missão em Genebra. Coisa que não tivemos no relatório passado (divulgado em novembro de 2011).

Há sempre a esperança de que o governo mude essa sua perspectiva.

Sem estar na Síria, como foi feito esse trabalho de coleta de informações?

Não é coisa fácil. Se nós tivéssemos podido ingressar no país teria sido um pouco menos difícil. Mesmo em investigações em situações desse tipo você não irá colocar as vítimas em risco. Nós entrevistamos sírios simpáticos e não-simpáticos ao governo fora do país. Entrevistamos desertores, membros da oposição – fora e dentro do país. Essas entrevistas foram feitas por skype, que não é censurado, e eu não entendo até hoje o porquê.

Usamos informações de organizações internacionais, observações de vídeo, imagens de satélite também foram bastante usadas. Temos assessores militares para nos orientarmos. O relatório tem um corpo sólido de informação para chegar às conclusões que chegamos.

Quem está na lista de perpetradores dos crimes contra a humanidade na Síria, sugerida por vocês?

A lista já foi feita. Depositamos junto ao comissário de Direitos Humanos uma lista de nomes e uma lista de unidades que, nós cremos, são responsáveis por graves violações dos direitos humanos. A lista é confidencial. Quem vai abrir essa lista é um organismo competente, ou o governo da Síria, no futuro, quando quiser fazer uma investigação. Porque a responsabilidade primária por investigar essas violações e crimes é do governo da Síria.

Entrevista: Nádia Pontes
Revisão: Francis França

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25 comentários
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YRD

Se a Rússia e a China não mudarem de posição, nada acontecerá nobre AA da direitolândia.

 

E se a Liga Árabe não irá fazer negocio conosco ? Beleza, qual o gosto de areia ? Que preço vão pagar no bife ? Negócios negócios, brimos a barte.

 
 
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Válber Almeida

O André fala como se estivesse vendo tudo o que está acontecendo na Síria na linha de frente. Esquece-se de dizer os crimes que os opositores de Assad estão praticando por lá, crimes que a própria Liga Árabe reconheceu em seu relatório, como os francos atiradores que estão tornando populações inteiras reféns, por não poder sair de casa, a perseguição contra minorias cristãs, a cooptação de crianças para compor o exército oposicionista. Esquece-se de dizer que uma rebelião civil composta por homens armados até os dentes que atacam soldados do governo deixou de ser civil e passou à insurgência aramada, bélica; que os inocentes, quando se armam e atacam deixaram de ser inocentes; que não há dados confiáveis, e por isso nem a ONU emite um parecer técnico definitivo, sobre a violência que parte do país está vivendo; e que a maioria da população síria ainda apoia o governo Assad. Não, mas o André acredita em tudo o que a mídia ocendetal diz, uma mídia que já deu diversos atestados de criminosa, por sempre manipular as informações, principalmente quando se trata de cobertura de guerra que envolve interesses tão mais complexos do que os humanitários que o ocidente hipocritamente exalta para tentar depor Assad; possivelmente, ele pensa que está lhe dando com um monte de acéfalos da classe média que só lê Veja, Estadão, O Globo e Folha e se acha bem informado. O ceto é que o ocidente está em pânico porque encontrou um limite a sua hegemonia. Não, nem todo lugar é quintal dos EUA e da Europa para que esses países possam fazer badernas a hora que bem entenderem.

 
 
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Adjutor Alvim

A grande justificativa do André é que o Brasil tem que estar do lado vencedor para garantir os negócios e interesses brasileiros.

Relatórios dos organismos internacionais são só as justificativas formais.

 
 
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Celio Mendes

AA- só precisa de uma justificativa.

 

Srªs Senadoras e Srs. Senadores, a Transparência Internacional divulgou, nesta terça-feira, a classificação anual dos países mais corruptos do mundo, e a situação do Brasil, sob o império do “lulismo”, só piorou. Demóstenes Torres 08/10/2003

 
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SLeo

Discussão complicada que parte, nesse texto acima, de pressupostos equivocados.


1)O Brasil não está com dificuldades para fechar negócios na Líbia. Dificuldades que existem se devem ao caos político do país, não à posição brasileira ( http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2012/02/13/um-ano-apos-revolucao-libia-tenta-construir-seu-futuro.htm) As empresas já negociam contratos e pelo menos uma das grandes empreiteiras estava na região de onde partiram os rebeldes.


2) O Brasil não está em comfltio com a Liga Árabe. Desde o início, a posição brasileira foi em apoio ás iniciativas da Liga Árabe e de apoio à atuação dos vizinhos, que também foram contra intervenção militar e até contra a deposição de Assad até que ele se mostrou sem possibildiade de disfarce o assassino genocida que está se mostrando.


3) Como diz o próprio e insuspeito Paulo Sérgio Pinheiro na matéria abaixo, a saída militar, a la Libia, não pode se aplicar à Síria, que não é um deserto escassamente populado por tribos como o país de Kadafi, e tem papel muito mais dramático no jogo de forças do oriente Médio. Ou seja, como vem defendendo o Itamaraty, a saúida, lá, envolve pressão sobre Assad, mas é fundamentalmente política e em acordo com as forças políticas internas (ainda que algumas delas sonhem com uma invasãozinha do tipo daquela sustentada pela OTAN em Trípoli).

 
 
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SLeo

Discussão complicada que parte, nesse texto acima, de pressupostos equivocados.


1)O Brasil não está com dificuldades para fechar negócios na Líbia. Dificuldades que existem se devem ao caos político do país, não à posição brasileira ( http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2012/02/13/um-ano-apos-revolucao-libia-tenta-construir-seu-futuro.htm) As empresas já negociam contratos e pelo menos uma das grandes empreiteiras estava na região de onde partiram os rebeldes.


2) O Brasil não está em comfltio com a Liga Árabe. Desde o início, a posição brasileira foi em apoio ás iniciativas da Liga Árabe e de apoio à atuação dos vizinhos, que também foram contra intervenção militar e até contra a deposição de Assad até que ele se mostrou sem possibildiade de disfarce o assassino genocida que está se mostrando.


3) Como diz o próprio e insuspeito Paulo Sérgio Pinheiro na matéria abaixo, a saída militar, a la Libia, não pode se aplicar à Síria, que não é um deserto escassamente populado por tribos como o país de Kadafi, e tem papel muito mais dramático no jogo de forças do oriente Médio. Ou seja, como vem defendendo o Itamaraty, a saúida, lá, envolve pressão sobre Assad, mas é fundamentalmente política e em acordo com as forças políticas internas (ainda que algumas delas sonhem com uma invasãozinha do tipo daquela sustentada pela OTAN em Trípoli).

 
 
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Lau

Gostaria de saber quem financia os "rebeldes sírios" ? As armas do rebeldes parecem ser pesadíssimas a ponto de destruir tanques do exército sírio. Se a luta pelo povo sírio está totalmente apoiado, se não, se for só para tornar a Síria um segunda Líbia, não !

E a Faixa de Gaza ? Houve 1500 mortes e a cidade ainda está toda destruida e sua população em condições precaríssimas ? Os sionistas foram condenados ?  A ONU se pronunciou durante o massacre ? 

 
 
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Aldo Cardoso

O pior de tudo é que esses genocidas que governam a síria e o irã têm defensores aqui e alhures para continuarem cometendo suas crueldades inomináveis contra seus povos, posto que não aceitam serem derrubados por quem têm a disposição para fazê-lo.

Portanto, em desacordo com a maioria do blog que é alinhada com esse pensamento, como é para o bem dos povos dessas nações, espero que as mesmas forças que deram um fim ao governo tirânico da líbia se unam para varrer do mapa a al-Assad e seu comparsa Ahmadinejad

 
 
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Emilio GF

Misturou tudo.

Embora o ocidente odeie Ahmajinejad, ele foi eleito e reeleito. E, ao contrário do que o PIG internacional alardeia, as eleições tiveram observadores internacionais.

E não gosto do Ahmaj. O lider supremo, Aiatolá Khamenei, também não. Disse certa vez que Ahmaj tinha sido eleito prometendo diminuir a pobreza do povo e não para entrar em guerra com Israel.

Assad está promovendo um genocídio contra o próprio povo. As diversas milícias na Líbia também.

Entende a dúvida de qualquer humanista bem intencionado, para além de ideologias?

Odiamos os talibans. Mas odiamos igualmente os traficantes de ópio que os EUA colocaram no poder no Afeganistão.

Odiamos Gadafi, como odiamos ver bandeiras da Al Qaeda tremulando impunes em certos locais da líbia.

Odiamos Assad, mas também os israelenses que financiam a oposição, pois mantém 5 milhões de pessoas sob jugo militar sem cidadania por 64 anos. E 4 milhões no exílio forçado.

Agora, prá quem é paga-pau de americano, é fácil.

Tenho até inveja.

http://theconservativetreehouse.com/2011/10/30/the-new-libya-al-qaeda-flag-proudly-flys-over-benghazi-courthouse%E2%80%A6/

http://libyasos.blogspot.com/2011/10/al-qaeda-raised-its-flag-in-libya.html

http://weaselzippers.us/2011/10/30/good-news-more-al-qaeda-flags-spotted-in-libya/

 
 
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Ulisses S

Por que estes que chamam quem não está com os EUA de genocidas não vestem a carapuça e admitem que quem foi o maior genocida a partir dos anos de 1950 foi o próprio país amado, os EUA, sejam sob governos democratas ou republicanos? Intervenções na Ásia causaram tragédias com milhões de mortes em Java de Sukarno, nos filipinos que acreditaram na conversa mole para boi dormir que os EUA sairia das Filipinas após a vitória contra o Japão, no Vietnam, Laos e Camboja? Por que estes idiotas não admitem que quem desestabilizou a América Latrina causando milhares, senão milhões de mortos somando as conseqüências da mortalidade por fome, miséria e falta de saneamento foi os EUA, derrubando governos democráticos do México, América Central e Sul? Por que não admitem que a invasão do Iraque e até do Afeganistão foi motivada por petróleo ou gás natural, os milhares de mortos pouco significando para os humanitários de Washington! Estes países ainda tem muito a aprender com os EUA para serem considerados genocidas!

 

 
 
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Eduardo CPQs

Caros Luna e leitores,

tenho todos os motivos para crer no Paulo Sérgio Poinheiro. E, como ser humano, fico consternado. 

Mas dispenso as observações do André Araújo, por gratuítas.

Abraços e BFS.

 
 
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armando botelho

Nossa diplomacia vem a muito apoiando ditaduras mundo afora , tipo Chavez , Castros , Gadafi , algumas cairam outras estão a caminho , e a Síria é mais uma que deve cair , pois todo governo que ataca seu proprio povo não merece existir . Dilma modificou um pouco o trato com estas fatídicas ditaduras .

 
 
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autonomo

Em primeiro lugar não se trata de uma "questão siria".

A verdadeira "questão" é o Irã que vai ser atacado. Para isso precisa-se desestabilizar antes os vizinhos que o apoiam.

E a opinião publica é preparada para aceitar e apoiar a queda de governos, golpes e invasões.

Assim foi com a Libia.

Os "jornalistas" que hoje  não so mal informam, mas participam diretamente do plano de guerra, iniciam a ação anunciando que "ditadores" estão massacrando "civis desarmados".

Assim foi com a Libia.

De repente os "civis desarmados" começam a aparecer armados ate os dentes.

Assim foi com a Libia.

E ninguem diz que não foi o governo sirio que começou a guerra.

 
 
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Marco Antonio L.

A Revolução Árabe e a Síria

Sex, 24 de Fevereiro de 2012 08:21

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Lejeune Mirhan, no Grabois.org.br


Gostaria muito de tratar mais globalmente sobre a Revolução Árabe, iniciada há pouco mais de um ano. Poderia tratar do Egito e suas eleições, as eleições também ocorridas na Tunísia ou mesmo no Iêmen, cujo ditador de 33 anos acaba de cair de deve refugiar-se em alguma monarquia reacionária árabe da vizinhança o mesmo nos EUA (seu vice assumiu, mas segue sendo ditadura). No entanto, a pauta segue sendo a Síria. Por isso, voltamos ao tema neste artigo que, entre outras fontes, estão as abaixo consultadas.


Verdades e Mentiras sobre a Síria


 


Muito já se disse sobre o que ocorre na Síria hoje. Os meios de comunicação de massa, nacionais e internacionais, expressam o que pensa o Pentágono. Com honrosas exceções, tudo que recebemos no Brasil em particular, publicados em língua pátria na Folha, Globo e Estadão reproduz quase que sem retirar nenhuma frase, o que as agências noticiosas internacionais despacham para o mundo todo. Agências, diga-se de passagem, que sequer possuem um só correspondente em Damasco, capital da Síria.


A seguir, para auxiliar nossos leitores, fazemos um pequeno resumo de tudo que se diz sobre a República Árabe da Síria. Resumimos 15 pontos que se destacam na atualidade.


1. Governo de Bashar Al-Assad mata milhares – Mentira.


Dia após dia, manchetes garrafais estampam que o governo vem matando “milhares” de sírios, todos “inocentes”. A única fonte de informação que o Ocidente inteiro possui sobre tais “dados” de mortes é de um obscuro Observatório Sírio de Direitos Humanos (sic), com sede em Londres e que recebe farto financiamento de países do Golfo Pérsico, todos, sem exceção, monarquias antidemocráticas, absolutistas e extremamente reacionárias e pró-EUA.



Bashar El Assad


Como isso esta ficando uma vergonha para quem pratica um jornalismo sério, a grande imprensa, quando publica os números “assustadores” de mortos, ultimamente vem pelo menos acrescentando sempre “segundo o Observatório Sírio de DH”, que “não puderam ser comprovadas”.



Mercenários sírios


De fato, os únicos dados confiáveis são os fornecidos pelo próprio governo, que atesta que pelo menos dois mil soldados, policiais e cidadãos sírios foram assassinados por grupos terroristas e mercenários, seja em ataques diretos ou em atentados a bomba que vêm ocorrendo com maior intensidade nas últimas semanas.


2. Exército Síria Livre é formado por desertores – Mentira.


Não há desertores no Exército sírio. Pelo menos não em expressão. Todas as deserções em todas as divisões do Exército da República Árabe da Síria são pontuais e ocorrem apenas e exclusivamente na baixa oficialidade.


O que se tem de concreto é que essa organização é composta de mercenários altamente remunerados, usando armas contrabandeadas, inclusive do arsenal líbio. Se um AK-47, fuzil de assalto mais famoso no mundo, podia ser comprado a cem dólares tempos atrás, hoje, com os bilhões de dólares que a Arábia Saudita e o Qatar vêm despejando para a derrubada do governo do Dr. Bashar, não se compra uma arma dessa, muito popular, por menos que 1,5 mil dólares.


Esse tal “exército” esta acampado na fronteira com a Turquia e por esta é estimulado e seu comando vem de Istambul. O governo turco, que presta um péssimo papel achando que voltará a ter o comando do sultanato otomano, tem procurado dar guarida a essa milícia terrorista e facínora, apoiada por Israel e pelos EUA. Seu “comandante”, o coronel desertor Riad El Assad, esta na folha de pagamento do Departamento de Estado.


3. Liga Árabe pede Democracia e Liberdade na Síria – Mentira. Não tem moral para isso.


A Liga Árabe, organismo multilateral fundado em 1945, é integrado pelos 21 países árabes e a OLP que representa a Palestina. Ainda que possa ser duvidoso que em algum momento tenha cumprido algum papel relevante na vida dos árabes, a certeza é de que hoje ela é um organismo fracassado.


Tomado de assalto pelas monarquias do Golfo, com seus bilhões de dólares, esse organismo presta-se hoje como auxiliar tanto do CS da ONU, quanto da União Europeia e dos EUA. De árabe essa tal Liga não tem mais nada. Não representa mais os anseios e as verdadeiras aspirações do povo árabe, que hoje são quase 400 milhões de pessoas.


Esse organismo serve apenas para propor ao CS da ONU resoluções que os EUA e a União Europeia não teriam a coragem de propor. Os petrodólares da Casa de Saud e do emirado do Qatar é que sustentam a organização. Esta completamente esvaziada. Iraque, Líbano, Argélia e a própria Síria nem mais tem comparecido às reuniões, que perderam completamente a sua eficácia.


Mas, o que é pior. Que moral tem a Arábia Saudita e o Qatar em pedir democracia na Síria? Falam em liberdade, mas não a praticam em seus países, que não tem parlamento e nenhum partido funcionando. Uma hipocrisia completa. Uma falsa moralidade. Indignam-se com o que ocorre na Síria, mas é uma indignação seletiva.


4. Rússia e China vetam resolução anti-Síria na ONU – Verdade. E ambos têm suas razões.


Essas duas potências mundiais – ambos BRICS – ficaram escaldadas com o golpe europeu-estadunidense que, usando a OTAN, rasgaram a resolução 1973 de 17 de março de 2011, que mencionava apenas “proteção” a civis líbios. Com essa resolução a OTAN bombardeou toda a Líbia na linha da ordem dada por Obama/Hilary: derrubem o regime! A linha foi a da mudança de regime, coisa que só o povo líbio teria poder de decidir. Assassinaram mais de 200 mil líbios!


Os EUA e seus clientes europeus não aceitaram nenhuma modificação proposta por estes dois países na nova resolução proposta em 4 de fevereiro passado. E pior que isso. Expressaram sua indignação sobre o veto exercido dentro das regras da Carta das Nações. Quando os EUA vetam dezenas de resoluções contra Israel no CS/ONU nada se fala. Uma vez na vida duas potências vetam uma resolução que abriria brecha para a OTAN atacar a Síria, vem a indignação seletiva.


A embaixadora dos EUA da ONU, Susan Rice, chegou a dizer que o “mundo não poderia ficar refém de dois países” (sic). Tenho em mãos uma pesquisa sobre os vetos dos EUA contra resoluções a favor dos palestinos e que criticavam Israel. A pesquisa compreende apenas dez anos (1972 a 1982). Só nesse curto período foram exatos 43 resoluções vetadas pelos EUA!


Hoje, felizmente, tanto a China como a Rússia têm visto o que realmente ocorre no OM. Derrubar o governo da Síria hoje, passando por cima da soberania desse país árabe pode significar ainda um maior fortalecimento do imperialismo estadunidense e seus estados clientes europeus.


O fato é que a Rússia volta com força ao cenário internacional. Não titubeou nenhuma vez em defesa da soberania síria. Enviou armas e uma frota naval esta ancorada no estratégico porto de Tartous. Como já vimos falando, a unipolaridade no mundo tende ao seu fim. Vários pólos vão sendo criados e a Rússia vai ganhando seu espaço, fazendo-se ouvir depois de mais de vinte anos de um mundo unipolar.


5. EUA, Israel e seus aliados árabes são os maiores inimigos – Verdade. É preciso que sejam dados nomes aos bois.


Os maiores entraves para o avanço da Revolução no mundo Árabe são as petromonarquias. Elas têm nome: Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes, Qatar, Omã e Bahrein. A esses se somam países que não são fortes produtores de petróleo, mas são monarquias reacionárias e pró-EUA, como a Jordânia e o Marrocos.


O centro da resistência ao avanço revolucionário árabe vem de Riad, no reino dos sauditas. Estes reservaram em 2011 mais de cem bilhões de dólares para a contrarevolução. E contratam mercenários a peso de ouro. Apoiados pelos EUA, ainda que discretamente, e mais discretamente por Israel e sua inteligência do Mossad. Isso esta amplamente documentado. Pelo WikiLeaks e pela imprensa verdadeiramente livre e a blogosfera.


6. Se a Síria cair, isso reflete em todo o OM – Verdade.


Há hoje um eixo de resistência ao imperialismo estadunidense. Esse eixo apoia as mudanças profundas no OM, apoia a causa palestina, faz oposição à Israel, defende o rompimentos dos acordos de paz assinados com esse país pelo Egito e Jordânia, de forma unilateral.


O bloco de países que integram o eixo da resistência são hoje, além da Síria, o Iraque, Líbano, a Argélia e o Irã (que é persa). O Partido de Deus (Hezbolláh), do Líbano, que forma governo com os cristãos patrióticos (maronitas do Marada e MPL de Aoun), sunitas e xiitas de várias organizações (Amal de Berri e drusos de Jumblat) e o PC Libanês de Khaled, seria o primeiro a sofrer consequências. O Hezbolláh – apesar do nome, é uma organização política e não defende no Líbano um estado religioso – além de muitos deputados e ministros, tem a maior milícia armada de resistência ao exército sionista de Israel que insiste em ocupar o Sul do país.


A própria luta de resistência palestina contra a ocupação, com todas as suas organização que compõem a OLP e o Hamas (que não integra a Organização), se enfraqueceriam imensamente com a queda do governo sírio e a instalação nesse país de um governo pró-EUA.


7. A Irmandade Muçulmana encabeça a oposição na Síria – Verdade.


Essa organização tem seus tentáculos em mais de 70 países. Fundada por Hassan El-Bana em 1928, funciona como partido político, tendo uma ideologia de caráter teológico de linha islâmica fundamentalista. Na maioria das ditaduras e monarquias árabes, cujas liberdades partidárias são praticamente nenhuma, a única forma de uma parte da população expressar-se acaba sendo por essa Irmandade.


Não fiquei surpreso com o fato do seu braço político recém legalizado no Egito e na Tunísia terem ficado em primeiro lugar nas eleições ocorridas recentemente após a queda dos ditadores desses países. Não havia outra forma de expressão política além do islamismo, além da máscara de apelo ao Islã fundamentalista.


No entanto, é preciso deixar claro. Em que pese esse pessoal ter jogado algum papel na resistência à ditadura Mubarak, sempre fez acordos com ele. Aceitavam as regras do jogo, qual seja, que a oposição ao ditador pudesse chegar a no máximo 20% dos votos – eleições fraudadas – tanto para presidente como no parlamento.


A Irmandade é uma organização conservadora, que prega o fundamentalismo islâmico mais próximo do Wahabiya – linha da família Al-Saud, portanto sunitas. Sempre foi e sempre será anticomunista. Por baixo do pano sempre fez acordos, inclusive com o imperialismo britânico e mais recentemente o norte-americano. Seus líderes rapidamente disseram, depois dos resultados das eleições parlamentares no Egito, onde venceram, que não romperiam o acordo de paz com Israel.


Hoje, na Síria, os principais líderes da insurreição interna, que organizam os ataques terroristas aos prédios públicos, oleodutos, gasodutos, escolas e hospitais, são membros da Irmandade. Lamentável. Mas é a verdade amplamente documentada, mas omitida pela grande imprensa.


8. A oposição síria não tem unidade e tem força no exterior apenas – Verdade. Mas a grande imprensa não mostra isso.


É preciso que se diga. Há duas oposições na síria hoje. Uma interna e outra que funciona apenas e tão somente no exterior.


A que tem sede no exterior, seus escritórios ficam em Londres, Paris e Istambul. Esta não tem credibilidade alguma. Financiada pelas monarquias do Golfo e pelo Departamento de Estado – amplamente documentado – elas vivem para dar entrevistas na grande mídia internacional, que repercute amplamente essas “reportagens”. No Brasil, a Folha e o Estadão publicaram várias delas. Todas falsas, sem provas, com “líderes” que nunca ninguém viu. É uma oposição sem respaldo algum junto ao povo sírio. Defende abertamente uma resolução no CS/ONU que abra a possibilidade – que eles tanto sonham – da OTAN atacar a Síria. Como acreditar em “lideranças” que pedem que potências estrangeiras bombardeiem seu próprio país, ainda que a pretexto de “proteger civis inocentes”?



Povo sírio na luta pela sua soberania


Há outra oposição. A interna. No entanto, esta também se divide em duas grandes partes. Uma delas, participa do chamado Diálogo Nacional. Há uma mesa de negociações formada pelo governo da Síria. No rumo das mudanças que o país precisa de fato. E, tais mudanças, vêm ocorrendo (falaremos disso mais à frente). Não se sabe o tamanho dessa oposição. As eleições marcadas para o mês que vem devem mostrar a dimensão dessa oposição. Essa oposição prega a construção de um governo de unidade nacional. Em hipótese alguma defende a intervenção externa. Diz que os problemas dos sírios devem ser resolvidos pelos próprios sírios, sem ingerência externa.


A outra parte da oposição interna, não dialoga com o governo. Esta radicalizada. Arma-se até os dentes e apoia a sabotagem de prédios públicos. Alia-se com o autointitulado Exército da Síria Livre e com o Conselho Nacional Sírio. Prega também abertamente a intervenção externa, ainda que não de forma clara defenda os ataques da OTAN. Faz, na prática, o jogo das potências imperialistas.


A oposição não se unifica. Há pelo menos 53 grupos políticos e tendências atuando de forma conflitiva no tal Conselho Nacional Sírio, organismo criado no exterior e apoiado pelos EUA. Em reuniões com autoridades europeias, essa tal oposição exige que sejam feitas várias reuniões, pois eles não conseguem sequer sentar-se à mesma mesa. Não há unidade política entre eles. Talvez o único ponto em comum seja remover Assad do poder. Nada mais. Mesmo que as reformas sejam profundas – como esta ocorrendo de fato – isso hoje pouco importa. A única agenda, a agenda da CIA, dos EUA, de Israel, da Casa de Saud e do Mossad é mudar o regime. Nada mais lhes interessa.


Tanto a externa, quanto à interna que não dialoga com o governo, possuem amplo e plena interlocução em especial com os EUA, Inglaterra e França.


9. Bashar Al-Assad é um sanguinário e genocida – Mentira.


É evidente que os processos eleitorais tanto na Síria quanto em qualquer país árabe não seguem os padrões que vivemos no Brasil e no Ocidente. No entanto, não se pode falar em democracia na Síria e não se falar desse tema nos outros países árabes. Mesmo no Ocidente. Agora mesmo na Grécia se pede inclusive suspensão das eleições para que um possível novo governo de oposição não rompa os acordos de traição nacional que estão sendo assinados às claras e abertamente.


Os mesmos monarcas que falam em “democracia” na Síria, são os que mais reprimem seus próprios povos, como na Arábia Saudita, Qatar e Bahrein. Essa gente não tolera manifestação, não tolera povo organizado. Essas monarquias sequer possuem parlamento funcionando, partidos políticos são proibidos.


Em que pese todas as restrições às amplas liberdades na República Árabe da Síria, esse país ainda é o mais livre em termos de funcionamento de partidos políticos em todo o Oriente Médio. São oito os partidos políticos existentes e legalizados. Claro, o Partido Socialista Árabe Sírio, o Baath é o maior e do governo. Esta no poder há pelo menos 42 anos. Mas temos dois partidos comunistas no país funcionando. Temos o Partido Nacional Sírio e outros. Depois dos pleitos por reformas amplas, outros cinco partidos foram legalizados, ampliando para 13 o número de partidos com direito a concorrer nas próximas eleições.


O relatório dos observadores da Liga dos Estados Árabes – 160 pessoas que ficaram na síria por trinta dias – menciona em uma parte que contataram e viram funcionando 147 órgãos de imprensa nesse país árabe! Entre rádios, TVs e jornais que circulam amplamente.


Bem ou mal, as eleições para o parlamento sírio ocorrem a cada quatro anos e os oito partidos funcionam livremente. Não é a democracia mais avançada, popular, que defendemos, mas não se pode dizer que as restrições são totais. Há muito que se fazer. E esta sendo feito. Mas, a grande imprensa não divulga uma só linha sobre tudo isso. Chegou às minhas mãos – nunca divulgadas pela grande imprensa – um conjunto de 33 grandes medidas, ações governamentais, decretos e leis adotadas entre abril de 2011 e fevereiro de 2012 que mudam completamente a realidade política desse país árabe.


10. A Síria é o único país árabe hoje a apoiar com firmeza a causa palestina – Verdade.


E não se pode falar em apoio pela metade, parciais. Apenas a Síria, em sua capital, funcionam escritórios de todas as organizações da resistência palestina. O enfrentamento que o povo e o governo da Síria vêm dando à Israel, contra as ocupações que o estado sionista faz em terras árabes é o maior que se te visto em todo o OM.


Desde a derrubada do governo de Saddam Hussein e seu assassinato, que procurava dar enfrentamento à ocupação estadunidense de toda a região; desde a queda e o assassinato de Muammar Khadaffi em outubro passado, um a um foram caindo todos os focos de resistência ao imperialismo estadunidense e à Israel. Restou a Síria. É preciso instalar governos dóceis aos norte-americanos e aos sionistas em todo o mundo árabe para que se complete seu projeto neocolonial na região.


E é preciso deixar claro: derrubar Bashar hoje significa enfraquecer a resistência libanesa e palestina e isolar completamente o Irã! Quem não compreender essa geopolítica no OM não entende nada nem de OM nem de política internacional!


11. A OTAN e a Al Qaeda estão em aliança – Verdade.


Aqui é preciso esclarecer muitas coisas. Ainda que isso possa parecer inacreditável, para quem foi bombardeado durante anos com a informação de que a rede Al Qaeda de Osama Bin Laden sempre foi uma rede terrorista, que teriam feito os atentados às torres gêmeas em 11 de setembro de 2001, isso pode parecer mesmo um verdadeiro absurdo. Mas não é.


Escritores, jornalistas independentes e intelectuais progressista a cada dia vêm trazendo informações precisas e importantes que comprovam essa informação. E os próprios comunicados da organização Al Qaeda pelo seu novo “comandante”, o médico pediatra egípcio Ayman Al Zawahiri atestam isso. Textos recentes da lavra desse senhor ou a ele atribuídos, mencionam a importância fundamental da derrubada do governo sírio em aliança com as forças do autoproclamado Exército Síria Livre. E essa organização prega o Estado Islâmico.


Essa organização faz questão de não dialogar com o governo. Foi assim na Líbia quando ela apoiou abertamente a queda de Khadaffi e fez aliança com as forças da OTAN. Agora, da mesma forma, conversações de alto (?) nível entre emissários dessa organização militar europeia – agora mundial! – com líderes da Al Qaeda que atuam na Síria mostra essa aliança, que é abastecida fartamente com dólares do petróleo árabe das monarquias do Golfo e dinheiro da CIA e do Mossad de Israel, via território curdo.


Como diz Pepe Escobar, combativo jornalista brasileiro correspondente do Asia Times, “quem imaginaria que o que a Casa de Saud deseja ver na Síria é exatamente o que a Al Qaeda deseja para a Síria? Quem imaginaria que o CCG e a OTAN desejam para a Síria é o mesmo que a Al Qaeda deseja para esse país?”.


12. A Turquia e seu governo deram as costas para os árabes – Verdade.


É lamentável ter que reconhecer isso, mas o governo de Recep Tayyip Erdogan, cujo partido governa a Turquia há quase nove anos (desde 14 de março de 2003), com o seu Partido da Justiça e do Desenvolvimento – PJD (em turco AKP, ou Adalet ve Kalninma Partisi), tem outros projetos para seu país e para uma liderança de toda a região.


Como bem sabemos, a região do OM é habitada por diversos povos. Além do árabe, que são a esmagadora maioria, temos ainda os persas (Irã), os judeus (Israel) e os turcos na Turquia, que é um país laico (apesar de 97% da população pertencer ao islamismo sunita) e foi ocidentalizado de tal forma que até seu alfabeto foi modificado. A separação das entidades e instituições religiosas do Estado é absoluta. No entanto, com Erdogan isso vem sendo gradativamente modificado.


Na verdade, esse Partido vem vencendo as eleições por, gradativamente, ir modificando o cenário turco de tal forma que boa parte da população já admite certa islamização da sociedade. A imprensa apresenta Erdogan como membro de um partido “muçulmano moderado” (sic) sabe-se lá o que isso significa.


No entanto, o grande sonho, o grande projeto desse Partido, o AKP (em turco), é integrar-se à Europa. Isso o falecido cientista político estadunidense Samuel Huntington já havia previsto em seu artigo clássico da Foreing Office de 1995 que causou polêmica acadêmica no mundo todo intitulado Clash of Civilization (Choque de Civilizações, posteriormente transformado em livro pela Editora Objetiva, em 1997).


A crítica que a Turquia receberia desse intelectual era de que o país viraria as costas para o mundo islâmico e teria maiores interesses em olhar para a Europa. Hungtinton afirmaria – quase que como uma profecia – que ele nunca seria admitido na Europa, por ser o continente extremamente preconceituoso, cristão e antiislâmico, por mais que a Turquia fosse um país laico. Sabe-se que o Vaticano se pronuncia contra o ingresso da Turquia na Europa. Era discreto com João Paulo II e agora é aberto com Bento XVI.


Nesse sentido, desde 2003 Erdogan vem se aproximando da Europa. Seu país é membro da OTAN e tem bases militares dessa organização militar, antes contra a URSS e hoje contra qualquer mudança progressista ou revolucionária em qualquer país do mundo. Chegou a ensaiar passos contra Israel. Não é para menos. O governo sionista de Netanyahú interceptou em 2010 uma flotilha de vários navios e fuzilou nove cidadãos turcos. Erdogan teve que subir o tom. Chegou a jogar um papel importante na tentativa de tirar o Irã do isolamento em seu programa nuclear que contou com o apoio de Lula do Brasil.



Dr. Bashar é recebido pelo presidente Lula


Mas, mudou de posição. Voltou ao que sempre foi. Tem um sonho de ser a grande liderança do Oriente Médio e dos árabes inclusive. Baixou completamente o tom de voz contra Israel. Apoiou os ataques da OTAN/Europa à Líbia e apoia abertamente a derrubada do governo da Síria em uma clara ingerência nos assuntos internos de um país vizinho que teria que respeitar. Dá abrigo ao exército mercenário estacionado nas suas fronteiras com a Síria. Faz uma manobra arriscada. Coloca em pé de guerra todos os milhões de curdos que vivem em território turco que odeiam o seu governo (pelo menos na Síria eles são melhores tratados). A política de Erdogan de “zero problemas com os vizinhos” hoje vemos uma situação de “zero amigos”.


Talvez sonhe com a volta do império turco-otomano. Mas não há espaço para isso. Ele terá que fazer escolha. E, neste momento, vem escolhendo o que tem de pior para o mundo árabe e para toda a Ásia, qual seja, uma aliança tácita com o imperialismo estadunidense e europeu. Lamentamos por isso.


13. Relatório sobre a Situação da Síria só Vale Quando Fala Mal do Governo – Verdade.


Dois relatórios foram produzidos nos últimos 90 dias sobre a Síria. Um, da lavra do representante da ONU para Direitos Humanos na Síria, o brasileiro e meu colega sociólogo Paulo Sérgio Pinheiro, da USP e outro, assinado pelo general sudanês, Mohammed Ahmad Al-Dabi.


Escrevi um artigo sobre o primeiro relatório. O Prof. Paulo Sério sequer entrou na Síria, mas escreveu sobre o que não viu. Fez um relatório faccioso, tendencioso, parcial. Não ouviu ninguém do governo, apenas opositores no exílio. Tal relatório foi amplamente saudado pela imprensa internacional como “equilibrado”. Atacava o governo de todas as formas possíveis.


O outro relatório foi feito sob a coordenação do experiente general sudanês, ex-presidente de seu país. A comissão formada era oficial da Liga Árabe. Era integrada por 160 pessoas. Passaram trinta dias na Síria. Visitaram várias cidades, ouviram oposicionistas e o governo. Não constataram a violência que o mundo diz haver no país. Não atestaram o número exorbitante de mortos que a imprensa ocidental divulga. Ao contrário. Constaram sim milhares de mortos das forças regulares, do exército e da polícia. Presenciaram milhões nas ruas em apoio ao governo do Dr. Bashar. Mas, como disse Kissinger em recente artigo o governo é amado pelo povo, mas mesmo assim tem que cair (sic). Esse foi o relatório que apontou a existência de 147 órgãos de imprensa funcionando livremente na Síria.


Imediatamente, a Liga Árabe, que representa hoje apenas as petro-monarquias do Golfo e os interesses da OTAN prontamente rejeitou tal relatório, levando o seu presidente a renunciar aos trabalhos. De fato, dois pesos e duas medidas. Só não vê quem não quer.


14. Os EUA vivem uma Indignação Seletiva – Verdade.


Nunca a famosa frase de “dois pesos e duas medidas” ficou tão claro e tão evidente como no momento atual da diplomacia norte-americana com Barak Obama. Seus planejadores do Pentágono e do Departamento de Estado são hoje mais ideólogos que planejadores. São seletivos em suas análises, facciosos.


Colocam-se contra o Irã e seu programa nuclear pacífico, mas nada falam sobre as duzentas ogivas nucleares que Israel possui. Falam o tempo todo contra o “ditador” Bashar, mas não se pronunciam contra as monarquias absolutistas, obscurantistas, fascistas e feudais do Golfo, por estes serem seus aliados, amigos e pró-Israel. Pronunciaram-se contra a “repressão” na Síria, mas calaram-se com o massacre dos xiitas no Bahrein. Falam contra o uso das forças armadas sírias que defende o país, mas calam-se contra a invasão que as forças armadas sauditas fizeram no Bahrein, sede da 5ª Frota dos EUA que patrulha o Golfo Pérsico-Arábico. Abusam do direito de veto no CS/ONU em favor de Israel, mas indignam-se contra um veto exercido dentro das regras previstas na Carta das Nações usado pela China e pela Rússia.


15. Terroristas agem abertamente na Síria – Verdade.


A grande imprensa apenas acusa o governo de matar dezenas, centenas de cidadãos. No entanto, ela tem sido obrigada a noticiar mais e mais atentados terroristas contra prédios públicos, oleodutos, gasodutos, escolas e até mesmo hospitais. São feitos por mercenários contratados a peso de ouro pelo obscuro Exército da Síria Livre. O objetivo desses ataques é quebrar a infraestrutura do país e jogar a opinião pública contra o governo.


É preciso destacar que a ação desses grupos mercenários conta com apoio e total suporte da OTAN que os treina e financia, a partir de acampamentos na fronteira da Turquia. Estão envolvidos nessa operação a CIA e o MI6 inglês, além, claro, como sempre, o Mossad de Israel. Isso não vem surtindo efeito. Ao contrário. Pesquisas confiáveis de opinião mostram o grande apoio da opinião pública ao governo.


Conclusões


 


Nunca tivemos dúvidas, desde o início do processo da Revolução Árabe, que a Síria viveria uma situação distinta, particular. O caráter de um governo se mede pelas tarefas que assume, pelos seus objetivos, pela ação que pratica. Por isso nunca duvidamos do caráter antiimperialista, popular e em defesa dos palestinos que o governo da família Assad sempre expressaram.


Defendemos, tal qual as organizações sindicais, populares e os partidos comunistas da Síria, reformas profundas no país, ampliação das liberdades políticas e de organização. No entanto, não podemos somar nossas vozes com grupos terroristas, mercenários à soldo do imperialismos de todas as matizes, sejam eles norte-americano, inglês ou francês. Não bastasse isso, já esta claro mais que provado por diversas fontes, a ampla aliança da Al Qaeda com a OTAN. E somado a isso, os serviços secretos da CIA, MI6 e Mossad israelense.



Este senhor da Al Qaeda também quer derrubar o governo da Síria


Somamos nossas vozes às do povo e do governo da Síria, em seu projeto em defesa da soberania nacional e sua autodeterminação. Não à ingerência estrangeira nos assuntos internos da Síria. Apoiamos e defendemos o diálogo nacional. Apoiamos as eleições livres que ocorrerão no mês que vem, sob nova e democrática constituição da República Árabe da Síria.



Fora imperialismo da Síria!


Ao que tudo indica, o jogo parece que vai terminando. E com uma derrota fragorosa para as forças imperialistas e sionistas. Para as forças que querem barrar o avanço da Revolução Árabe. A Rússia e China estão resolutas em não apoiar qualquer intervenção externa na Síria. Já chega de destruição de uma nação árabe. Não ficou pedra sobre pedra no Iraque. Agora a mesma coisa na Líbia, antes o país de maio IDH de toda a África. Sem falar na própria destruição do Afeganistão. Agora querem destruir e tomar a síria, último bastião e pilar do verdadeiro nacionalismo e panarabismo, herdados de Gamal Abdel Nasser. A oposição externa já perdeu as ilusões de apoios. Até Sarkouzy já disse que não se ganha uma guerra de fora do país!


A OTAN não tem como intervir e já disse isso com todas as letras. Resta-lhes apoiar os terroristas da rede Al Qaeda, financiada pela CIA. A Turquia vai acabar tendo que retirar todo seu apoio aos mercenários recrutados pelos dólares sauditas, a que ela vem chamando de Exército da Síria “Livre” (Free Syrian Army – FSA em inglês). Vai ficando isolada e sem amigos no OM.


O risco de um conflito regional no OM, que já foi maior, deve estar sendo redimensionado pelos tais planejadores de Washington. Não há como um conflito dessa natureza deixar de fora as capitais Tel Aviv, Riad e Ancara. Um incêndio de razoáveis proporções.


O CS/ONU e a Liga Árabe (do Golfo...) não conseguem mais executar a política estadunidense. Não pelo menos com antes, com a desenvoltura anterior. Há resistências da Rússia e China e agora do Líbano, Iraque, Argélia, do Irã e da própria Síria e do seu bravo povo. A Liga Árabe acabou. Precisará ser, no futuro, recomposta ou outra organização surgirá. Hoje, é palco para monarquias fascistas, feudais, como as da Arábia Saudita e do Qatar.


O governo da Síria, sob o comando do seu jovem presidente, o médico Bashar El Assad, segue no caminho da tentativa de pacificação do país. Mais de 30 decretos, portarias e novas leis, editadas em oito meses vão reformando o regime, o governo, o país, dando-lhes feições mais modernas e democráticas. Avança o diálogo nacional com todas as organizações, governamentais ou não, no rumo de eleições democráticas, nova constituição e eleições presidenciais em 2013. Novos pactos, novas alianças, regionais e internacionais, devem atender aos interesses dos sírios. Novos acordos econômicos com países amigos, em especial Rússia e China, devem ser assinados em breve.


Quero registrar meu profundo lamento a uma esquerda que não consegue compreender a dimensão do que está em jogo naquela região e insiste em somar suas forças, pequenas é verdade, às do império estadunidense e seus lacaios, tentando derrubar o governo patriótico da Síria.


Posso estar enganado, mas contas feitas pelo imperialismo e sionismo, pela direita islâmica, o melhor mesmo talvez seja melhor bater em retirada. Difícil prever em detalhes, mas é esse o cenário que vislumbramos.


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Fontes Pesquisadas e Citadas


 


Aisling Byrne. A realidade sempre mal contada na mídia sobre a Síria do Asian Times Online, de 4 de janeiro de 2012;


Assad Frangiéh, em www.elmarada.com.br em Editorial, O começo do fim. Agradeço ao Dr. Assad em particular por observações na primeira versão deste trabalho.


Camila Carduz. Irã promete apoiar resistência libanesa e palestina contra Israel. Prensa Latina.


Evguêni Satanóvski. Atual estratégia russa para o Oriente Médio permite ao país salvar as aparências e ganhar tempo. Presidente do Instituto de Estudos sobre o OM.


Michel Chossudovsky. Syria: NATO’s next “humanitarian” war? http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=29234


Pepe Escobar. Síria, a nova Líbia. Asia Times Online.


Pepe Escobar. É que o Bahrein não é a Síria... http://www.atimes.com/atimes/Middle_East/NB15Ak03.html


Robert Fisk, Bashar Al-Assad não cairá. Não, pelo menos, agora. The Independent.


Sharmine Narwani. Veterano diplomata americano questiona a narrativa sobre a Síria. Al-Akhbar, Beirute.


Thierry Meyssan. Fin de partie au Prouche-Orient. Rede Voltaire Net. http://www.voltairenet.org/Fin-de-partie-au-Proche-Orient


Observação: os artigos traduzidos para o português sem menção de páginas da Internet foram realizados pelo coletivo de tradutores da Vila Vudu, a quem de público agradeço.


Lejeune Mirhan é sociólogo, Professor, Escritor e Arabista. Colunista de Oriente Médio do Portal da Fundação Maurício Grabois (http://fmauriciograbois.org.br/portal/). Colaborador da Revista Sociologia da Editora Escala. E-mail: lejeunemgxc@uol.com.br


 


 

 
 
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Carlos Roberto

Aproveitando que este Sr vai fazer parte da Comissão da Verdade e perguntar porque agora EUA e Europa apoiam que a população pegue em armas para derrubar um regime ou Governo, como nos casos mais recentes nos países Árabes, sendo que na América Latina (principalmente no Brasil) eles apoiaram ditaduras (Pinochet, 1964, etc).

Não se trata de apoiar os regimes desses países, mas de questionar o motivo pelas quais se dá apoio militar aos seus opositores.

E por muito tempo criticaram o Lula quando disse (lá na década de 80) que era favorável que o povo pegue em armas para derrubar um governo que teima em se manter pela violência, alegando que o mesmo estaria fazendo apologia á luta armada. Ora, quem está, agora, apoiando a luta armada nesses países?

Tudo isso tem um nome: hipocrisia.

 
 
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Paulo Kautscher

Que Andy é um vocalizador do "determinismo" democratico Ocidental, que seja.Só não pode usar esses termos.

"O regime não tem futuro mas a esquerdolandia mundial , como a do Brasil, é cega e qualquer, repito, qualquer regime que seja contra a ordem global e especialmente contra os EUA no mundo passa a ser santificado pelas viuvas do comunismo que enxergam virtudes nos piores bandidos do planeta pelo simples fato de eles terem uma retorica anti-americana [...],"

Lógico que Andy é letrado. e sabe muito bem o que aconteceu com as "viuvas do comunismo" durante a implementação do regime Baath sobre a égide de  Michel Aflaq na Síria, no Libano e no Iraque. Além do que aconteceu com as "viuvas", sabe ele o que aconteceu com os comunistas

Quanto a revolta em Hama, já que aconteceu em 1976. O nosso apologista da "ordem global" poderia explicar que somente foi divulgada pela "mídia de massa" somente a partir do ano passado?

O pior que após uma analise "tosca" como a do Andy, sempre virá uma analise "troska". Essa das viuvas, sim, das viuvas da "guerra fria cultural", onde falar mal dos comunistas dava prestigio e rendia um "din-din"




 

 

“Instrui-vos, porque precisamos de vossa inteligência. Agitai-vos, porque precisamos de vosso entusiasmo. Organizai-vos, porque carecemos de toda vossa força.” Revista Lórdine Nuovo

 
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Jose de Almeida Bispo

Hehehehehehehehe, é o velho Andy, meu caro! God bless America! Estou impressionado com tal nível de colonialismo.

 
 
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Lionel Rupaud

Tenho total respeito por Paulo Sergio Pinheiro, mas discordo 2000% das colocações do AA,

1 - A região é um barril de póvora onde temos que ter muita prudencia para não perder a longo prazo, reconhecendo que a curto prazo não somos nada. Ninguem nos escuta, e o maior perigo para o Brasil é ser reconhecido como pooddle(toy?) dos anglo-americanos.

2 - Não temos que definir amigos e inimigos como querem os anglo-americanos e seus porta-vozes que nos lembram o terrível pecado de ter ficado em cima do muro na Guerra Fria (essa foi a piada de humor negro do ano até agora). Temos interesses em ter uma maior presença comercial na região, mas a curto prazo não teremos nada, só as sobras dos anglo-americanos e europeus (Libia).

3 - Portanto que o Itamaraty se move com extrema prudencia, guardando em mente que nossa mensagem na região só pode ser a da democracia (a real não a propagada pelos anglo-americanos), o respeito mútuo entre povos (vide as reações positivamente competitivas entre judeus e sirio-libaneses no pais e especialemnte em SP), deixando a amizade das oligarquias (até piores que as nossas) para os ocidentais.

Think long term, André e Brasil e não Brazil!

 
 
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oswaldo j. baldo

 Marco Antonio L. 

Muito bom, excelente comentário.

 
 
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Avelino

Caro Nassif

Mais uma reportagem bem ao gosto de Israel OTAN entre outros. Não concordo com o governo sirio,mas também não aprovo a sua invasão, como acho que os rebeldes sirios são pagos por governos do Oriente Médio e EUA.

É só olhar um mapa e ver que a Siria fica entre Israel e Irã. Os misseis, aviões israelense não podem invadir o espaço aéreo, com o governo sirio nas mãos dos rebeldes, a casa fica a merce do conglomerado EUA-Israel-UE e OTAN.

Saudações

 
 
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tolot

Caro Nassif, observa-se que o representante da onu está mais preocupado com as luzes das câmeras do que com os fatos. Recentemente uma ong mexicana demonstrou que boa parte das cidades mais violentas do mundo encontram-se no Brasil. Seria um pretexto para a intervenção, no sentido de pacificar o país? É bom ficar de olho nesses movimentos políticos, comandados pelos EUA e sua cultura  Lebensraum devidamente apoiada pela imprensa bastarda (bbc, dw, nyt, fox, ...). O pré-sal é um bom argumento. Quanto a Síria, espero que o Estado Constituido espulse, o mais rápido possivel, esses grupos mercenários.

 
 
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Waldyr Kopezky

É difícil defender o indefensável, André A...A mídia só procura a opinião de quem lhe convém, e faz de gente digna o porta-voz da política mais vil - como é o caso do Paulo S. Pinheiro. Isso não engana mais ninguém! 

A atual "menina dos olhos" da política externa dos EUA - R2P (responsible to protect) - é apenas uma boa justificativa (via Direitos Humanos) para más ações - como guerra ao terror e combate ao narcotráfico já foram. R2P nos dias atuais é a propaganda que serve unicamente para justificar a intervenção ocidental em nações não-alinhadas e possuidoras de vastas reservas naturais. Veja: os Direitos Humanos são violados diariamente na Arábia Saudita, Iêmen, Israel - e eles não fazem NADA para conter isso - nem com uma mísera reprimenda verbal. Uma perguntinha só: a Líbia hoje está melhor do que com Gaddafi? Você já viu as fotos do país? E os números de massacres e assassinatos praticados pelo Conselho Nacional de Transição (CNT), que assumiu o controle da nação? São muuuito maiores hoje - e os EUA não falam nada! Não é para intervir lá, agora?

Mas, se for o caso de abraçar verdadeiramente a política R2P, por que é que os EUA não vão atacar as maiores violadoras dos Direitos Humanos - Rússia e China? Só porque são "cachorro grande"? Tem medo de perder? Vou citar um sábio filósofo norte-americano, John Wayne: "Good guys don't hide" (Os mocinhos não se escondem). Se é para ser o Paladino da Justiça, então tem que ter colhões, não é mesmo?

Para tentar (só tentar) mostrar a realidade do que está acontecendo na Síria, deixo o endereço de um video com um menino sírio dizendo TEXTUALMENTE que tropas ocidentais (leia-se EUA) atacaram a sua cidade, Dayr Az Zawr, no noroeste do país, e não as tropas governamentais de Assad - note que ela está situada na região mais próxima à fronteira do Iraque, ainda massivamente sob controle das tropas dos EUA. As tropas da OTAN já estão lutando no lugar dos rebeldes e fazendo vítimas entre a população síria!

(Nassif, não sei anexar o vídeo, então deixo apenas o link):

http://www.youtube.com/watch?v=EJKaLAtKHTM

 
 
imagem de Morales
Morales

"Sem estar na Síria, como foi feito esse trabalho de coleta de informações?

Não é coisa fácil. Se nós tivéssemos podido ingressar no país teria sido um pouco menos difícil. Mesmo em investigações em situações desse tipo você não irá colocar as vítimas em risco. Nós entrevistamos sírios simpáticos e não-simpáticos ao governo fora do país. Entrevistamos desertores, membros da oposição – fora e dentro do país. Essas entrevistas foram feitas por skype, que não é censurado, e eu não entendo até hoje o porquê."

Ou seja, as fontes de informação de Pinheiro são os títeres do imperialismo na Síria. Como diz Dedé Araújo, Pinheiro é tido em altíssima conta no "sistema ONU". Como nós sabemos como funciona e para que serve o "sistema ONU", vendo seu papel de "limpeza" e "legitimação" da agressão ao Iraque, de completa desintegração da Iugoslávia com o reconhecimento do regime narcoterrorista no Kosovo, de legitimação da agressão ilegal ao Afeganistão (para não falar do papel na guerra da Coreia), vê-se o que isso significa. Pinheiro tem que garantir a continuidade de sua carreira. Da mesma maneira que Ocampo, com sua palhaçada na acusação a Gaddafi no Tribunal Internacional. Enquanto isso, os criminosos Bush e Cheney, responsáveis por mais de um milhão de mortes no Iraque, continuam levando a vida que pediram ao diabo.

Aliás, como anda a "democracia" líbia, patrocinada por Sarkozy, Cameron e Obama. Não há missões de direitos humanos da ONU para documentar os massacres que a reabilitada Al-Qa'ida vem cometendo contra a maioria da população líbia, favorável ao antigo regime? O silêncio da mídia imperialista é eloquente!

 
 
imagem de Morales
Morales

Mais uma do governo das CONCESSÕES. Um presente para Obama.

 

Do Blog do MIro:

http://altamiroborges.blogspot.com/2012/02/brasil-vota-contra-siria-na-o...

Brasil vota contra a Síria na ONU Por Beto Almeida

Às vésperas do carnaval, a representante do Brasil na ONU votou resolução de condenação ao governo sírio, afastando-se dos BRICS, dos países da ALBA, emitindo contraditória e perigosa mensagem de aproximação com as potências que sustentam intervencionismo militar crescente em escala internacional, especialmente contra países com políticas independentes e emergentes. Um voto que pode ser um tiro no próprio pé futuramente.

O Brasil ficou ao lado dos EUA, Inglaterra, França, Canadá, Espanha, Austrália, Alemanha, que deram sustentação à agressão ao Iraque, ao Afeganistão e , mais recentemente, à Líbia. Contra esta resolução que tendenciosamente condena e responsabiliza apenas o governo da Síria pela escalada de violência generalizada que atinge o país - na qual há farta evidência de ingerência estrangeira - estão a Rússia, China, Índia, África do Sul, países do grupo Brics - do qual o Brasil faz parte - e nove países da Alba, além do Irã, da Argélia, do Líbano, da Coréia do Norte. Este grupo reivindica que a solução da crise síria deve ser exclusiva dos sírios, que escolherão, nos próximos dias, pelo voto popular direto, um novo modelo de Constituição.

A votação na ONU ocorre em meio a pressões das grandes potências de realizarem uma ação de armar a oposição síria. A porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Victória Nulandi declarou a insatisfação de seu país diante do veto da Rússia e da China a uma intervenção militar internacional aos moldes da Fórmula Líbia. Ela afirmou, entretanto, que seu país não descarta o fornecimento de armas ao autodenominado Exército Livre da Síria, que, conforme demonstra abundante informação, conta com armamentos, apóio logístico, de comunicações, recursos financeiros e a presença de mercenários que atuaram e atuam na Líbia, com apoio dos principais aliados norte-americanos na região, especialmente da Arábia Saudita e do Qatar.

O papel intervencionista da TV Al-Jazeera

A participação da oligarquia do Qatar no conflito sírio inclui a sistemática falsificação midiática da situação síria por parte da TV Al-Jazeera, emissora que foi fundamental também na sustentação midiática da invasão neocolonial à Líbia, com sofisticada over dose de desinformação, reproduzida ad nauseun por toda a mídia comercial internacional como única fonte informativa, questionada apenas pela Telesur que informava sobre o monumental massacre promovido pela Otan. Aliás, completamente confirmado.

A TV Al-Jazeera é uma emissora capturada e plenamente a serviço da oligarquia petroleira internacional e nem mesmo o elogio de certas vozes da esquerda guiada pela Otan ou de ongs internacionais metidas no movimento de democratização da mídia, podem mais evitar esta constatação. O Qatar é um enclave oligárquico onde tem sede uma das mais importantes bases militares dos EUA na região.

Estaria o Itamaraty entrando em algum desconhecido estado de hipnose para não prestar a devida atenção ao público e assumido propósito intervencionista das grandes potências ocidentais na Síria, como revelam as declarações da porta-voz do Departamento de Estado? Em entrevista recente à BBC, o Ministro de Relações Exteriores da Inglaterra, Willian Hauge, disse estar preocupado com uma guerra civil na Síria, mas, confessando o sentido e a sinceridade de sua preocupação, afirmou, na mesma entrevista: “Como todos viram, não conseguimos aprovar uma resolução no Conselho de Segurança por causa da oposição da China e da Rússia. Não podemos intervir como fizemos na Líbia, mas podemos fazer muitas coisas”. Declarações semelhantes, anunciando a disposição para apoio militar à oposição no conflito foi dada pelo Chanceler da Holanda, Uri Rosenthal. Com o emblemático silêncio do Itamaraty. Pior ainda, com a adesão do Brasil à resolução patrocinada por este grupo de países historicamente marcados pelo intervencionismo colonial.

Autorização para a matança

Sinais de que algo está se movendo negativamente no Itamaraty de Dilma Roussef surgiram quando, logo no início de seu governo, o Brasil absteve-se na votação da ONU que decidiu - tomando por base informações não confirmadas prestadas por emissoras como a Al Jazeera - pela gigantesca intervenção armada contra a Líbia. Aproveitando-se da frágil e acovardada posição da chancelaria brasileira naquele episódio, o presidente Barack Obama, o inacreditável Prêmio Nobel da Paz, desrespeitou a Presidenta Dilma e a todos os brasileiros ao declarar guerra à Líbia estando em Brasília! O que mereceu reparos posteriores da própria Dilma. E, pouco depois, uma espécie de confissão governamental sobre o trágico erro da posição brasileira então, quando o Assessor Internacional do Palácio do Planalto, Marco Aurélio Garcia, afirmou que aquela resolução foi na verdade uma “autorização para a matança”.

Foram 203 dias de bombardeios para “salvar civis”, destruindo toda a infraestrutura construída pelo povo líbio em 40 anos, o que levou aquela nação a registrar o mais elevado IDH da África. Hoje, o petróleo líbio, antes nacionalizado, e utilizado com alavanca para sustentar um sistema de eliminou o analfabetismo, socializou a educação e a saúde, já está nas mãos das transnacionais petroleiras, evidenciando a guerra de rapina. Nem mesmo a esquerda otanista, que apoiou a invasão, pode negar os 200 mil mortos líbios, as prisões abarrotadas, a dizimação sumária das populações negras em cidades totalmente calcinadas, as torturas. Qual é o balanço que o Itamaraty faz de seu próprio voto que, em última instância, encorajou semelhante massacre?

Também é sinal de involução na posição do Itaramaty em relação à gestão de Lula-Celso Amorim, o voto brasileiro na ONU contra o Irã na temática direitos humanos, sobretudo quando é conhecidíssima a descarada manipulação desta esfarrapada bandeira humanista pelo militarismo imperial. Aliás, aquele voto contra o Irã, só não foi acrescido de vexame diplomático internacional porque o governo persa advertiu com informações objetivas ao governo brasileiro de que a tão difundida cidadã iraniana Sakhiné foi condenada por ter assassinado seu marido e não porque teria praticado adultério como tantas vezes se repetiu no sempre duvidoso jornalismo global. E também de que era apenas uma grosseira mentira a “notícia” de que os livros de Paulo Coelho eram censurados no Irã, quando são vendidos livremente, e muito, em todas as livrarias das grandes cidades persas. A ministra da cultura de um país com taxas de leituras raquíticas e analfabetismo vergonhoso quase comete o papelão de um protesto oficial. Desistiu a tempo.

Telhados de vidro

Que diferença da postura firme do Itamaraty no governo que condenou veemente a criminosa guerra imperialista contra o Iraque! Agora, observa-se uma gradual aproximação das posições do Itamaraty aos conceitos e valores daqueles países que promoveram aquelas intervenções indefensáveis contra o Iraque, o Afeganistão e a Líbia. O que indicaria uma contradição evidente também diante das próprias declarações da presidenta Dilma Roussef sobre direitos humanos em Cuba, rejeitando, com justeza, a pressão das grandes potências para a condenação unilateral e descontextualizada de países com posturas independentes.

“Todos temos telhados de vidro”, lembrou a mandatária verde-amarela. Corretíssimo! Mas por que então só o Irã foi alvo de voto da delegação brasileira na ONU? Por que não há voto brasileiro na ONU contra Guantánamo, as torturas praticadas pelos dispositivos militares dos EUA, os seqüestros de cidadãos islâmicos em várias partes do mundo, com a conivência dos países europeus que se gabam de serem professores em matéria de democracia e direitos humanos mas que oferecem seu território, seu espaço aéreo e suas instalações militares para, submissos, colaborarem com as repressivas leis exclusivas dos EUA? Será que o Itamaraty vai fazer algum protesto na ONU diante de declarações de autoridades do Pentágono de que comandos militares dos EUA que executaram Bin Laden no Paquistão poderão atuar também na América Latina?

Não estará havendo um descolamento de algumas posturas do Itamaraty em relação à posição estratégica que a política externa vem construindo ao longo de décadas, reforçada de modo mais elevado e coerente no governo Lula? Neste período, formatou-se uma estratégica prioridade para uma relação cooperativa com os países do sul, uma integração concreta com a América Latina e Caribe, agora consolidada na criação da Celac, a igual prioridade para o fortalecimento da Unasul (inclusive de seu Conselho de Defesa), a defesa da legítima soberania argentina sobre as Malvinas contra a ameaçadora pretensão colônia inglesa e, finalmente, a coordenação e inclusão do Brasil no Grupo do Brics, sem esquecer os objetivos que levaram Lula a promover a Cúpula de Países Árabes e América do Sul.

O Brasil diversificou prudentemente suas relações internacionais tendo agora como maior parceiro comercial a China e não os EUA, com quem possui perigoso e crescente déficit comercial, além de ser um país que já promoveu sanções contra o Brasil por causa do Acordo Nuclear, por causa da Projeto Nacional da Informática, , sem esquecer, claro, o nefasto golpe militar de 64, confessamente apoiado pelo Departamento de Estado dos EUA.

A sinistra mensagem da Líbia

Enquanto o Itamaraty parece hipnotizado por uma relação de aproximação com os países que mais promovem intervencionismo militar unilateral e ilegal no mundo, nos círculos militares brasileiros se ouviu e se entendeu com clareza e concretude a ameaçadora mensagem enviada pelas grandes potências com a agressão à Líbia, inclusive, aplicando arbitrariamente, ao seu bel prazer, os termos da Resolução aprovada na ONU. Especialistas militares brasileiros já discutem em organismos superiores a abstração de uma visão política que não considera que a intervenção rapinadora sobre as riquezas da Líbia são também ensaios e testes para ações mais amplas e generalizadas que podem ser aplicadas contra todo e qualquer país que também possua riqueza energética e alguma posição independente no cenário internacional.

O figurino não serve para o Brasil? Tal como Kadafi, que se desarmou, que abandonou seu programa nuclear, que se aproximou perigosamente dos carrascos de seu próprio projeto de nação, e que não pode organizar uma linha estratégica de defesa em coordenação com países como Rússia e a China, o Brasil também desarmou-se unilateralmente durante o vendaval neoliberal. A indústria bélica brasileira foi levada ao chão praticamente, configurando-se, agora, um perigoso cenário: é possuidor de imensas reservas de petróleo descobertas, como também de urânio, de nióbio, de água, de biodiversidade, e, simultaneamente, não possuidor da mais mínima capacidade de defesa para controlar eficientemente suas fronteiras ou até mesmo a Baía da Guanabara como porta de entrada do narcotráfico internacional, cujas noticiadas vinculações com organismos como a Cia deveria merecer a preocupação extrema do Itamaraty. Será que a robusta e impactante revisão pela Rússia e China de suas posições adotadas quando admitiram a agressão imperial contra a Líbia para uma nova postura de veto a qualquer repetição da fórmula líbia que a Otan confessa pretender aplicar contra a Síria não deveria alertar os formuladores da política do Itamaraty?

Da mesma forma que se ouviu estrondoso a acovardado silêncio itamaratiano quando um avião Drone dos EUA foi capturado, em dezembro pelos sistemas de defesa iranianos quando invadia ilegalmente o espaço aéreo do Irã, agora, repercute novo silêncio brasileiro diante das jorrantes informações de infiltração de armas e de mercenários da Al-Qaeda em território, como admitem autoridades de países membros da Otan. O que pretende o Itamaraty? Defender os direitos humanos dos mercenários da Al-Qaeda subvencionados por países como a Arábia Saudita e o Qatar, que já haviam violado a soberania da Líbia, com o conivente voto brasileiro na ONU?

Manifestações populares defendem posição da Rússia e da China

Que significado terá para o Itamaraty a gigantesca manifestação popular em Damasco para receber o Chanceler russo , Sergei Lavrov, e agradecer a posição da Rússia e da China contra qualquer intervenção militar na Síria? Não estará a própria Rússia saindo de uma fase de hipnose de anos que, baseada na insustentável credulidade em torno dos acordos de redução de arsenais firmados com os EUA, levou-a, de fato, apenas a um desarmamento unilateral enquanto os orçamentos militares norte-americanos multiplicam-se e já suplantam os orçamentos militares de todos os países do mundo somados? Que significa para o Itamaraty a contundente declaração do Primeiro Ministro da China, Hu Jin Tão, propondo uma aliança militar sino-russa, após advertir que os EUA “só entendem a linguagem da força”?

Enquanto o Brasil vota com os países intervencionistas contra a Síria, a Inglaterra eleva sua presença militar nuclear no Atlântico Sul e os organismo militares brasileiros, como já tinham detectado durante da guerra das Malvinas nos anos 80, percebem que não há suficiente e adequada capacidade de defesa nacional para as riquezas do pré-sal. Naquela época, embora posicionando-se pela neutralidade, o Brasil assumiu uma posição de neutralidade imperfeita que não o impediu de dar ajuda logística e de material de reposição militar à Argentina em sua guerra contra o imperialismo inglês, ocasião em que Cuba também ofereceu tropas ao governo portenho para lutar contra a Inglaterra.

Compare-se com a posição atual no caso sírio. Será que é motivo de preocupação concreta para o Itamaraty, tendo como base o princípio sustentado pelo Brasil, de que quantidades indeterminadas de aviões drones dos EUA vasculham o território sírio, como anunciam autoridades norte-americanas, violando, portanto, sua soberania? Esta ingerência externa não merece posicionamento formal do Brasil na ONU? Mas, na rasteira filosofia dos dois pesos e duas medidas, o Brasil vota em aliança os países intervencionistas para intimidar o Irã em matéria de direitos humanos, mesmo quando a presidenta Dilma anuncia que todos têm telhado de vidro e que a discussão sobre os direitos humanos deve iniciar-se pela sistemática câmara de torturas que os EUA mantém na base de Guantânamo. Será que as palavras de Dilma não são ouvidas no Itaramaty?

O governo do Líbano já está adotando posições políticas, que incluem manobras militares, para evitar que suas fronteiras com a Síria sejam utilizadas pelas nações que estão patrocinando o armamento e a infiltração de mercenários, com o apoio ostensivo de países intervencionistas, com o objetivo de derrubar o governo de Damasco. O mesmo está ocorrendo na Turquia, inclusive, com a ocorrência de uma grande manifestação popular em cidade turca fronteiriça à Síria, em apoio ao governo de Damasco. Em Curitiba, a Igreja Ortodoxa realizou Missa de Ação de Graças, organizada pelas comunidade sírio-libanesa e palestina, em agradecimento à Rússia e a China, gesto parecido ao ocorrido em Brasília, quando a mesma comunidade levou flores e agradecimento à embaixada da Rússia no Brasil.

Partidos e sindicatos

É importante que os partidos e sindicatos, sobretudo a aliança dos partidos progressistas e anti-imperialistas que sustentam o governo Dilma, discutam atentamente as sombrias involuções da política do Itamaraty. Os militares brasileiros, certamente, já estão discutindo em seus organismos de estudo e planejamento, como indica a quantidade de textos e participações de autoridades militares brasileiras em audiências públicas e em publicações especializadas, sobretudo a partir da sinistra mensagem da Líbia.

Enquanto o Brasil é alvo de uma guerra cambial desindustrilizadora, como advertem membros do governo, enquanto especialistas militares advertem para o período de nosso desarmamento unilateral frente a nossas gigantescas e cobiçadas riquezas naturais, observa-se, enigmaticamente, um reposicionamento do Itaramaty distanciando-se não apenas dos princípios e posturas aplicadas mais acentuadamente durante o governo Lula, mas, distanciando-se também do conjunto de países com os quais vem construindo uma linha de cooperação para escapar dos efeitos da crise que as nações imperialistas tentam descarregar sobre a periferia do mundo. E aproximando-se dos sinais e valores impregnados nos discursos e atos da sinistra Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, aquela que comemorou com uma gargalhada hienística quando viu as imagens de Muamar Kadafi sendo sodomizado e executado graças a informações prestadas pelos comandos militares dos EUA, conforme denunciou Vladimir Putin.

Ponto alto da campanha eleitoral de Dilma Roussef foi a declaração de Chico Buarque em defesa de sua candidatura porque com Lula e Dilma, disse ele, “o Brasil não fala fino com os EUA e não fala grosso com a Bolívia”. O que explicaria então esta enigmática e contraditória aproximação do Itamaraty com as posturas ingerencistas de Hillary Clinton com relação à Síria e ao Irã? Seria afastamento em relação à genial síntese feita pelo poeta e revolucionário Chico Buarque?

* Beto Almeida é membro da junta diretiva da Telesur

 
 
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Francisco Magalhães

Tudo que for dito por esse diplomata é digno de reverência e reflexão. Há tempos relei-o seu prefácio no livro-diário "Companhia Vale do Rio Doce - Uma investigação truncadada" do seu amigo senador Severo Gomes. Brasileiro autêntico e de qualidades nobres em defesa dos preceitos que devem vestir o parlamentar brasileiro. Essa obra-prima foi editada pela Paz e Terra, cujo Conselho editoral era formado pelos senhores Antonio Candido, Celso Furtado, Fernando Gasparim e Fernando Henrique Cardoso, no ano de 1987. O autor infelizmente foi "vítima de acidente de helicóptero(Moinho São Jorge)". Nesse voo foram ceifadas sua vida, esposa e mais o casal Ulisses Guimarães, e tripulação. O Tema é sua luta incassável para constituição de CPI contra o descalabro da privatização da estatal. Mas essa investigação foi obstaculizada pelo patriarca do Sr. Xis (" 5º homem mais rico do Mundo"). Portanto, conclamos aplausos calorosos para o eminente diplomata.

 
 

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