Os três brasileiros que refutaram as bases do neoliberalismo

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O livro “O Universo NeoLiberal do Desencanto”, do economista José Carlos de Assis e do matemático Francisco Antonio Doria, traz uma história extraordinária, de como três brasileiros – no campo da lógica – ajudaram a desmontar o principal princípio do neoliberalismo: aquele que dizia que em um mercado com livre competição os preços tendem ao equilíbrio.

É mais uma das descobertas do incansável lutador José Carlos de Assis.

As teses do trio – lógico Newton da Costa, matemático Antonio Doria e economista Marcelo Tsuji são um clássico da ciência brasileira que começa a ganhar reconhecimento mundial, ma história complexa, porém fascinante, que merece ser detalhada.

   

Newton Costa

Francisco Doria

O primeiro passo é – a partir do livro – reconstituir as etapas da matemática no século 20, sua luta para se tornar uma ciência formal, isto é, com princípios de aplicação geral. E os diversos obstáculos nesse caminho.

O método axiomático na matemática

A matemática sempre se baseou no método axiomático de Euclides.

1      Escolhem-se noções e conceitos primitivos.

2      Utiliza-se uma argumentação lógica.

3      Manipulando os conceitos com a lógica, chega-se aos resultados derivados, os teoremas da geometria.

Foi só a partir do final do século 19 que Giuseppe Peano incorporou definitivamente o método axiomático à matemática tornando-se, desde então, a técnica mais segura para a geração  de conhecimento matemático.

Em 1908  Ernest Zermelo axiomatizou a teoria dos conjuntos e, a partir daí, todos os resultados conhecidos da matemática. Formou-se a chamada matemática “feijão-com-arroz” usada por engenheiros, economistas, ecólogos e biólogos matemáticos.

Desde então, no âmbito da alta matemática instaurou-se uma discussão secular: tudo o que enxergamos como verdade matemática pode ser demonstrado?

A formalização da matemática

Com esses avanços do método axiomático, pensava-se que tinha se alcançado na formalização da matemática, tratada como ciência exata capaz de calcular e demonstrar todos os pontos de uma realidade.

Mas aí começaram a surgir os paradoxos, dos quais o mais famoso foi o de Russel:

  • Em uma cidade, existem dois grupos de homens: os que se barbeiam a si mesmos e os que se barbeiam com o barbeiro. A que grupo pertencem os barbeiros?

Ora, um axioma não pode comportar uma afirmação contraditória em si. De acordo com as deduções da lógica clássica, de uma contradição pode-se deduzir qualquer coisa, acaba o sonho do rigor matemático e o sistema colapsa.

Houve uma penosa luta dos matemáticos para recuperar a matemática da trombada dos paradoxos até definir o que são as verdades matemáticas, o que coube ao matemático David Hilbert (1862-1943).

David Hilber (1862-1943)

Nos anos 20, Hilbert  formulou um programa de investigação dos fundamentos da matemática, definindo o que deveriam ser os valores centrais:

  • Consistência: a matemática não poderia conter contradições.
  • Completude: a matemática deve provar todas suas verdades.
  • Procedimento de decisão: a matemática precisa ter um procedimento, digamos, mecânico permitindo distinguir sentenças matemáticas verdadeiras das falsas.

A partir desses princípios, a ideia era transformar a matemática em uma ciência absoluta com regras definitivas. No Segundo Congresso de Matemática, em Paris, Hilbert propôs os famosos 23 problemas cuja solução desafiaria as gerações seguintes de matemáticos. (http://www.rude2d.kit.net/hilbert.html).

Seus estudos foram fundamentais para o desenvolvimento da ciência da computação.

A pedra no sapato de Hilbert

 

Kurt Gödel (1906-1978)

Mas havia uma pedra em seu caminho quando 1931, o matemático alemão Kurt Gödel (1906-1978), radicado nos Estados Unidos, formula seu teorema da incompletude para a aritmética, inaugurando a era moderna na matemática.

Muitos estudiosos sustentam que seu “teorema da incompletude” é a maior realização do gênio humano na lógica, desde Aristóteles.

No começo, os achados de Gödel se tornaram secundários no desenvolvimento da matemática do século. A partir dos estudos de dois dos nossos heróis – Doria e Da Costa – os matemáticos descobriram porque a matemática não conseguia explicar uma série enorme de problemas matemáticos.

E aí se entra em uma selva de conceitos de difícil compreensão.

Mas, em síntese, é assim:

  • Suponha um sistema de axiomas, com vários axiomas. Por definição, esse axioma não demonstra fatos falsos, só verdadeiros.
  • Dentre os axiomas, no entanto, há uma sentença formal que, por definição, não pode ser demonstrada.
  • Se não pode ser demonstrada que é verdadeira, também não pode ser demonstrada que é falsa (acho que o matemático se baseou no axioma da Folha com a ficha falsa da Dilma). Logo é uma sentença “indecidível” – isto é, não pode nem ser provada nem reprovada.
  • Se o sistema é consistente – isto é, se consegue provar o que é provável e não consegue o que não é – então, para ser consistente, ele será incompleto.

Pronto, bagunçou totalmente a lógica dos que supunham a matemática uma ciência exata.

Anos depois, o lógico norte-americano Alonzo Church (1903-1995) e o matemático inglês Alan Turing (1912-1954) desenvolveram outro conceito, a indecibilidade.

Ambos demonstraram que há programas de computador insolúveis.

 

Alan Turing (1912-1954)

Turing, aliás, tem uma biografia extraordinária http://www.turing.org.uk/turing/. Durante a Segunda Guerra foi criptógrafo do Exército inglês. Conseguiu quebrar a criptografia da máquina alemã Enigma, até então considerada impossível de ser desvendada. Tornou-se herói de guerra. E lançou as bases para a teoria da programação em computador, quando conseguiu reduzir todas as informações a uma sucessão de 0000 e 1111.

Em 1952 confessou-se homossexual  a um policial que havia batido na porta de sua casa. Preso, com base em uma lei antissodomia (revogada apenas em 1975),  foi condenado a ingerir hormônios femininos para inibir a libido. Os hormônios deformaram seu corpo. Acabou se matando com uma maçã envenenada em 1954.

A teoria da programação nasce em 1936 em um artigo onde Turing analisa em detalhes os procedimentos de cálculos matemáticos e lança o esboço da “máquina de Tuning”, base da computação moderna.

Nesse modelo o procedimento é determinístico – isto é, nos cálculos não há lugar para o acaso.

Muitas vezes ocorrem os “loops infinitos”,  situações em que o computador não consegue encontrar a solução e fica calculando sem parar. Turing já havia provado ser impossível um programa que prevenisse os “crashes” de computador. Explicar a “parada” no programa de computador se tornou um dos bons enigmas para os matemáticos.

Durante bom tempo, até início dos anos 50, os matemáticos procuravam a chave da felicidade: o programa que permitisse antecipar os crashes dos demais programas. Mas em 1936 Turing já havia provado ser impossível.

Mais um revés para os que imaginavam a matemática capaz de explicar (ou computar) todos os fenômenos matemáticos.

O teorema de Rice

Em 1951, outro matemático, Henry Gordon Rice avançou em um teorema considerado “arrasa quarteirão”.

 

Henry Gordon Rice (1920- )

Denominou-se de funções parciais àquelas em que não existe um método geral e eficaz de decisão. Se uma propriedade se aplica a todas as funções parciais, ela é chamada de propriedade trivial. E se a propriedade traz a solução correta para cada algoritmo, ela é chamada de método de decisão eficaz.

Uma propriedade só é eficaz se for aplicada a todas as funções. E essa função não existe.

Para desespero dos que acreditavam que a matemática poderia explicar tudo, o teorema de Rice começou a se estender para a maior parte das áreas da matemática.

O equilíbrio de Nash

O inventor oficial da computação, Von Neuman, não conseguia resolver um caso geral em que se analisava uma solução para a soma de um conjunto de decisões.

Quem resolveu foi um dos gênios matemáticos do século, John Nash, personagem principal do filme “Uma mente brilhante”, nascido em 1928 e vivo ainda.

John Nash (1928 - )

Em uma tese de apenas 29 páginas – que lhe rendeu o PhD e o Nobel – ele mostrou que casos de jogos não-colaborativos (como em um mercado) a solução aceitável de cada jogador correspondia ao equilíbrio dos mercados competitivos.

O “equilíbrio de Nash” mostra uma situação em que há diversos jogadores, cada qual definindo a sua estratégia ótima.  Chega-se a uma situação em que cada jogador não tem como melhorar sua estratégia, em função das estratégias adotadas pelos demais jogadores. Cria-se, então, essa situação do “equilíbrio de Nash”.

Como explica Dória, em linguagem popular: a situação de equilíbrio é aquela que se melhorar piora.

O princípio de Nash é: todo jogo não-cooperativo possui um equilíbrio de Nash.

O “equilíbrio de Nash” tornou-se um dos pilares da matemática moderna.

A matemática na economia

O primeiro economista a tentar encontrar o preço de equilíbrio na economia foi Léon Walras (1834-1910). Montou equações que identificam as intersecções da curva da oferta e da demanda, para chegar ao preço ótimo. Depois, montou equações para diversos mercados, concluindo que, dadas as condições ideais para a oferta e para a procura, sempre seria possível encontrar soluções matemáticas.

Mas não apresentou uma solução para o conjunto de operações da economia.

O que abriu espaço para o “equilíbrio dos mercados” foram dois matemáticos – Kenneth Arrow (1921) e Gérard Debreu (1921-2004).

Walras tivera o pioneirismo de formular o estado de um sistema econômico como a solução de um sistema de equações simultâneas, que representavam a demanda de bens pelos consumidores, a oferta pelos produtores e a condição de equilíbrio tal que a oferta igualasse a demanda em cada mercado. Mas, argumentavam eles, Walras não dera nenhuma prova de que a equação proposta (o somatório de todas as equações da economia) tivesse solução.

Só décadas depois, esse dilema – de como juntar em uma mesma solução todas as equações de um universo econômico – passou a ser tratado, com o desenvolvimento da teoria dos jogos, graças à aplicação do “equilíbrio de Nash” à economia. Mostraram que a solução de Nash para o jogo corresponde aos preços de equilíbrio.

Essa acabou sendo a base teórica que legitimou praticamente três décadas de liberalismo exacerbado.

Entra em cena o “outro Nash”

Aí surge em cena o “outro Nash”, Alain Lewis, um gênio matemático, negro, mistura de Harry Belafonte e Denzel Washington, criado nos guetos de Washington, depois estudante em Harvard, onde conquistou o respeito até de referências como Paul Samuelson.

Partiu dele o primeiro grande questionamento à econometria como "teoria eficaz" (isto é, capaz de matematizar todos os fenômenos econômicos).

Em um conjunto de obras, a partir de 1985, Lewis tentou demonstrar que as noções fundamentais da teoria econômica não são "eficazes" - isto é, não explicam todos os fenômenos econômicos - e, portanto, devem ser descartadas. Comprovou sua tese para um número específico de casos.

Em 1991, em Princenton, Lewis ligava de madrugada para trocar ideias com um colega brasileiro, justamente Francisco Antônio Doria. Excepcionalmente brilhante, trato difícil, o primeiro surto de Lewis foi em 1994. Há dez anos nenhum amigo sabe mais dele. Provavelmente internado em alguma clínica.

Sua principal contribuição foi comprovar que em jogos não associativos (aqueles em que há disputas entre os participantes) embora exista o "equilíbrio de Nash" descrevendo cada ação, ganhos e perdas dos competidores, o resultado geral é "não computável" . Ou seja, podem existir soluções particulares mas sem que possam ser reunidas num algoritmo geral.

Aparecem os brasileiros

O objetivo da teoria econômica é identificar as decisões individuais que valem para o coletivo. De nada vale matematizar o resultado de dois agentes individuais se a solução não se aplicar ao conjunto de agentes econômicos.

Havia razões de sobra para Lewis ligar toda noite, impreterivelmente às duas da manhã, para Dória.

Desde os anos 80, Doria e Newton da Costa estudavam soluções para o problema da teoria do caos. Queriam identificar, através de fórmulas, quando um sistema vai desenvolver ou não um comportamento caótico. Esse desafio havia sido proposto em 1983 por Maurice Hirsch, professor de Harvard.

Eram estudos relevantes, especialmente para a área de engenharia. Como saber se a vibração na asa de um avião em voo poderá ficar incontrolável ou não?

Depois, provaram uma versão do teorema de Rice para matemática usual: que usa em economia.

Depois de muitos estudos, ambos elaboraram uma resposta brilhante sobre a teoria do caos demonstrando que não existe um critério geral para prever o caos, qualquer que seja a definição que se encontre para caos.

Esse conceito transbordou para outros campos computacionáveis. A partir dele foi possível inferir a impossibilidade de se ter um antivírus universal para computador, ou uma vacina universal para doenças.

Num certo dia, no segundo andar do Departamento de Filosofia da USP, Doria foi abordado por um jovem economista, Marcelo Tsuji, que já trabalhava na consultoria de Delfim Neto. Aliás, anos atrás Paulo Yokota já havia me alertado de que o rapaz era gênio. Na época, Delfim encaminhou-o para se doutorar com Doria e da Costa.

Marcelo disse a Doria ter coisas interessantes para lhe relatar. Disse que tinha encontrado uma prova mais geral para o teorema de Lewis utilizando as técnicas desenvolvidas por Doria e Da Costa.

Doria pediu para Marcelo escrever. Depois, Doria e Nilton revisaram o trabalho, todo baseado nas técnicas de lógica de ambos.

Chegou-se ao resultado em 1994. Mas o trabalho com Tsudi só foi publicado em 1998. Revistas de economia matemática recusaram publicar. Conseguiram espaço em revistas de lógica.

O grande desafio do chamado neoliberalismo seria responder às duas questões:

1. Como os agentes fazem escolhas.

2. Como a ordem geral surge a partir das escolhas individuais.

A conclusão final matava definitivamente a ideia de que em mercados competitivos se chegaria naturalmente ao preço de equilíbrio. O trabalho comprovava que o “equilíbrio de Nash” ocorria, com os mercados chegando aos preços de equilíbrio. Mas que era impossível calcular o momento. Logo, toda a teoria não tinha como ser aplicada.

O reconhecimento mundial

O Brasil não tem tradição científica para reconhecer trabalhos na fronteira do conhecimento. Assim, o reconhecimento do trabalho do trio está se dando a partir do exterior.

O livro “Gödel’s Way”, de Doria, Newton e Gregory Chaitin tornou-se um best-seller no campo da matemática, ajudando a conferir a Gödel o reconhecimento histórico que lhe faltou em vida.

 

Gödel's Way

In the 1930s, Kurt Gödel showed that the usual formal mathematical systems cannot prove nor disprove all true mathematical sentences. This notion of incompleteness and a related property—undecideability, formulated by Alan Turing—are often presented as ideas that are only relevant to mathematical logic and have nothing to do with the real world. However, Gödel’s Way proves the contrary.

Gregory Chaitin, Newton da Costa and Francisco Antonio Doria show that incompleteness and undecidability are everywhere, from mathematics and computer science, to physics and mathematically formulated portions of chemistry, biology, ecology, and economics.

Have you ever wondered why we can’t create an antivirus program for computers that doesn’t require constant updates? Or why so much of the software we use has bugs and needs to be upgraded with patch-up subroutines? Fascinatingly, the reasons involve Gödel’s incompleteness theorems. Nor is astronomy immune from the fun, as the authors show. We can formulate a certain measure of a universe, called a metric tensor, so that it is undecidable whether it is a “Big Bang universe”—with a definite origin in time—or a universe without a global time coordinate. (Interestingly, Gödel himself studied universes of the latter type.)

 

Recentemente, o artigo de ambos com Marcelo Tsudi integrou um handbook inglês de trabalhos clássicos nas áreas de economia e computação.

No próximo mês, Doria – ele próprio um admirador da economia neoclássica – estará ministrando um curso no Canadá, para uma academia defensora da escola austríaca,  ortodoxa, mas que não tem o viés primário dos nossos cabeças de planilha.

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99 comentários
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Ivan Moraes

1-Gregory Chaitin ta pensando que vai invadir o Brasil?  Me segurem antes dele escorregar numa casca de banana e ser mordido por uma cobra ou coisa parecida...

2-O artigo eh barbaro, mas so saiu com o nome do Nassif!  Eh seu mesmo, Nassif, ou veio de algum link?

3-Lindo como eh o assunto, o unico livro que me impressionou mesmo foi "Infinity and the Mind".  Leitura extremamente irritante, nao vou dizer que eh pra qualquer um.

4-A proposito dos matematicos discutidos no campo de teorias de infinidade, 4 deles morreram de suicidio (Godel morreu de fome porque nao tinha mais condicao psicologica de comer), como explicado nas duas partes do filmasso (documentario) Dangerous Knowledge (1) e Dangerous Knowledge (2)

 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 
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acastro

Godel morreu de paranóia, achava que queriam envenená-lo, e só comia comida preparada por sua mulher: ela ficou doente, internada e ele trancou os dentes e morreu de fome.

Mas esta correlação com suicídio é furada, muitos outros não tiveram esse destino, a começar por Augustus de Morgan, morreu de desgosto. Tarski, considerado um dos expoentes máximos da Lógica, morreu de velho, assim como Bertrand Russell. Turing comeu uma maçã envenenada, depois de ser condenado por pederastia, embora outros da sua época, como Hardy, eram homossexuais discretos e obedientes à moral britänica da época. Freud, Einstein, Newton náo coemeteram suicídio, e por aí vai...

 

acastro

 
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Ivan Moraes

"correlação com suicídio é furada":

Nem precisa dizer, Adauto!  Ja pensou se fossemos contar os musicos e cantores que suicidaram?!  Estariamos gargalhando mais que Janis agora!

A ligacao entre "teoria de infinidade" e suicidio eh falsissima, mas deu um filmaaaaasssssoooo na BBC e esse era o meu ponto. --mas se Chaitin nao suicidar e precisar de ajuda tou aas ordens.

Re: Os três brasileiros que refutaram as bases do neoliberalismo
 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 
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(Sorry, ACastro!)

 

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Vânia

E eu vou continuar com o meu protesto! Enquanto os homens do blog não aprenderem a se comportar dignamente, eu vou invadir os posts quando me der na telha.

Vocês não são eruditos, não são justiceiros, não são... nada do que pensam que são.

Não têm o direito de desprezar assim as mulheres. 

Querem brincar de ser gente grande? Decente?

Então... prestem atenção!

 
 
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Ivan Moraes

Sinta se aa vontade pra "invadir" meus posts a hora que quizer, querida, mas reafirmo:  o historico daquele doido eh doidinho doidinho!

 

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Lucinei

No pensamento filosofico tem Hume, contemporâneo de Adam Smith, propondo o problema do "pantano" - "humeano", como, para as ciências sociais, aqui no Brasil, Wandeley Guilherme dos Santos traz uma grande contribuição (Razões da Desordem e outros) - discutindo, exatamente, a ideia segundo a qual indivíduos motivados somente por seus interesses individuais consecutariam uma ordem social estável. Mancur Olson também é uma referência obrigatória; estudou a lógica da ação coletiva - sindicatos - na produção de bens públicos.

Há uma condição - Simmel destacou (Delfim Neto, por exemplo, sabe disso) - que é estrutural: o impulso a interação social; a sociação. São essas "condições pre contratuais do contrato" que conformam a real ESTRUTURA do social; a economia é, por assim dizer, somente, sim, somente, uma SUPERESTRUTURA. A "ciência" econõmica, sem os filtros propostos pelos autores que foram lembrados, não passa de ideologia.

 
 
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Francisco A. Doria

Greg Chaitin está vindo aqui pra dar dois cursos (na Coppe e no HCTE/UFRJ) em abril. ``Goedel's Way'' foi combinado quando a gente tomava chope num botequim do Flamengo, e foi escrito em março e abril de 2010. Depois a Taylor & Francis nos propôs publicá-lo, o que foi feito rápido. O título é brincalhão; refere-se a ``Swann's Way,'' ou, no original, ``Du côté de chez Swann'' - tô agora terminando de reler Proust pela terceira vez... 

 
 
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alessandroduarte

Foi só a partir do final do século 19 que Giuseppe Peano incorporou o método axiomático à matemática tornando-se, desde então, a técnica mais segura para a geração  de conhecimento matemático.

Fiquei na dúvida aqui. Parece-me que há uma imprecisão. Geometria sempre foi apresentada axiomaticamente desde Euclides e geometria é matemática. Talvez o que se queria dizer é que Peano começou a axiomatização de outros campos matemáticos como aritmética dos números naturais (os famosos axiomas de Peano) e análise. Grande parte do trabalho já tinha sido antecipada por Richard Dedekind (Peano o cita na sua obra) e Gottlob Frege

 

Alessandro B. Duarte (Usa GNU/Linux) www.alessandroduarte.com.br

 
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A propósito, foi lançado um livro póstumo de um saudoso amigo meu que pode ser de interesse: http://investigacao-filosofica.blogspot.com/2011/12/lancamento-do-livro-sistemas.html

 

Alessandro B. Duarte (Usa GNU/Linux) www.alessandroduarte.com.br

 
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wagner campos

Obrigado pela sugestão!

 
 
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Daniel Campos

Não querendo ser chato, mas para entender os "economistas" e a economia real é mais correto procurar na psicologia do que na matemática.

Que por exemplo, na teoria matemática pura até poderia ser possível um equilíbrio entre demanda e oferta (e consequente equilíbrio nos preços) mas na prática cada "agente" dentro da questão tenta tudo o que é possível para levar vantagem, então os preços acabam dependendo de quem têm mais poder na eterna queda de braço entre oferta e procura. Como exemplo, um empresário mais abonado pode simplesmente comprar os concorrentes, subornar políticos para criarem leis que impeçam a criação de novos concorrentes e assim pode ditar o preço que quiser, independente da demanda. E os modelos matemáticos até aonde sei não levam esses detalhes em consideração.

 
 
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Luciano Filho

E não tem como prever isso na lógica numérica. Se previsto, poderia cair numa categoria, aí seria estatística de índice não mensurável. 


A psicologia poderia ajudar no fato de que num quadro de exatidão de números, combinações e cifras, as motivações, conhecimentos e intenções dos agentes capitalistas nesse ambiente é que poderiam demonstrar os acertos e resultados dessas escolhas. A questão central paira sobre a intenção acima de qualquer outro enfoque.

 
 
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joselitus_maximus

Sem falar no sujeito cheirado de coca, que odeia o trabalho mas quer a grana para as prostitutas e que é responsável por trilhões de dólares em contas de investimento em um grande banco de wall street só porque é branco protestante e fez parte da mesma "frat house" de um dos membros do conselho de acionistas.

Se bem que esse tipo de mediocre até que é relativamente previsível.

 

Direitista SEMPRE se entrega nos detalhes.

 
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Marcos Jansen

Luciano Filho e Joselitu_Maximus, creio (sem ser cientista ou estudioso de qq área, isto é, trata-se de um "conceito" empírico percebido por mim e que também não precisa de muita carga intelectual para se chegar a tanto), que existe um "coeficiente (ou fator) de interferência e caotização humana aplicado às ciências exatas" que impede que esses axiomas, magistralmente formulados pelos gênios da raça, possam chegar ao resultado esperado em tudo o que prevê. Ou seja, alguns são aplicáveis, muitos, não.


Imagino, ainda, lembrando as palavras acima sobre minha percepção empírica, que é, grossíssimo modo, aquilo que o Nassif comenta sobre os "Cabeças de Planilha" como se, ao ser humano e, por extensão, à sociedade em geral, se pudesse aplicar, sem outras considerações, as leis da matemática tal qual elas nos são apresentadas.


Agora, Joselitu_Maximus, no que diz respeito ao seu comentários "Sem falar no sujeito cheirado de coca, que odeia o trabalho mas quer a grana para as prostitutas e que é responsável por trilhões de dólares em contas de investimento em um grande banco de wall street só porque é branco protestante e fez parte da mesma "frat house" de um dos membros do conselho de acionistas. Se bem que esse tipo de mediocre até que é relativamente previsível", creio que o Luciano já o considerou quando explicou ser a "intenção" o tal coeficiente ou fator ao qual me referí acima.


Abs,

 

Sou uma confusão de ideias em transe total: de dia declaro guerra a quem finge me amar e de noite a paz invade o meu coração... E com tudo isso me considero perfeitamente quase normal!!!

 
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Flávio Prieto

Abandonei um curso de Economia da UFRJ na metade por causa dos modelinhos matemáticos. A realidade abarca muito mais que aquelas poucas variáveis cujo comportamento se pode prever e analisar em um modelo. As motivações individuais, concordo plenamente, estão muito mais relacionadas ao campo da psicologia que ao campo matemático. O grande mérito de Keynes, a meu ver, foi estabelecer uma dimensão psicológica dentro do estudo da Ciência Econômica - as famosas expectativas individuais, que afetariam as decisões de investir, poupar ou gastar.  A matemática pode ser uma coadjuvante no estudo da Economia, como a Estatística é com relação à Sociologia, mas nunca a disciplina central para entendê-la ou interpretá-la. Economia tem muito mais a ver com comportamento humano que propriamente com números. O pessoal do marketing já descobriu isso há muito tempo ...

 
 
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Ivan Moraes

Ich!  Chaitin ja invadiu!  Palestra na UFRGS, 80 minutos.

 

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Vi esse palestra no EBL em 2011

 

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Ivan Moraes

Eu precisaria de morder panos ou coisa parecida pra nao ranger os dentes...  Chaitin me irrita tao extremamente muitissimo que vou precisar de operacao plastica so pra tirar lo de debaixo da unha.  Eita homem irrrrrriiiiiiittttttante!

 

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joselitus_maximus

É, tem gente que tem uma idéia mirabolante (tipo, toda vida é software) e escreve um conto de ficção científica genial que diverte e leva a reflexão.

E aí têm os chatos que tentam convencer os outros que é tudo verdade. E ainda gostam de usar matemática pra isso...

 

Direitista SEMPRE se entrega nos detalhes.

 
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Piotr Ilianovic

é por essa e outras que se inventam fatasmagorias e seres fantásticos, como por exemplo a "mão invisível do mercado". Ou simplesmente "autoregulação".

 
 
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http://www.videolog.tv/video.php?id=756077

 

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pereira da silva

mt legal o seu toque, alessandro. o assis fala inclusive do nassif na última parte da entrevista e comenta sobre o irã. faz uma crítica à alemanha e ao seu papel na mudança dos rumos da crise econômica. eles defendem um pt de vista reformista , algo q considero mt bom, mas fico curioso p saber sobre a reação dos marxistas aqui do blog. o dória, com aquele jeito de quem teve aula particular com o lula p ser objetivo e claro, tb é mt bom. vou procurar o livro, vou tentar lê-lo.

 
 
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Teresa Silva

Francisco Antônio Doria é o pai do jornalista Pedro Doria?

 

Teresa Silva

 
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Francisco A. Doria

Sou. 

 
 
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João Bosco Rocha

Nassif, muito legal você postar um tema tão complexo e que nos permite diversificar ainda mais as discussões no blog. Gostei mais ainda do título do livro, só faltou a música do Tim Maia para embalar.

Com relação ao título do post poderia chamar para participar o grande teórico e pensador (que por acaso também é brasileiro), aquele cujos livros são disputados sofregamente  nas livrarias, devido ao brilhantismo e principalmente (e justamente por isso, vide artigo de Millor Fernandes em) pela clareza de pensamento: FHC. Leiam o texto aqui http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/o-pensamento-de-fhc-analisado-por-millor-fernandes.html

 
 
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Calvin

Há um erro lógico na afirmação do "equilíbrio como dogma do neoliberalismo", ou FHC como cacarejam aqui, nunca foi neoliberal: tanto nos EUA (as federal commissions) como aqui (criação das agências reguladoras) previa-se um papel regulador pelo Estado no mercado, paralelamente às privatizações.

 
 
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raphaelm

Me corrijam se eu estiver errado, mas agências reguladoras são aceitas pelo neoliberalismo. Inclusive essa é um dos motivos para ter um "NEO" na frente do "liberalismo".

 
 
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joselitus_maximus

Desde quando direitista é consistente?

Mas você têm razão, toda essa história de que a direita tem "ideais" ou "idéias" é cortina de fumaça, a única motivação é destruir a esquerda e quem mais afetar suas propriedades.

 

Direitista SEMPRE se entrega nos detalhes.

 
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Ivan Moraes

Unico video de Chaitin e Doria falando a respeito do livro:

 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 

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