Os pesquisadores da Antártica

Por Paulo Paiva

Alfredo na frase "Agora a explosão na base polar Estação Antártica Comandante Ferraz, da Marinha, com o mesmo desenho, todos ao alcance de um acidente trágico, todos mortos de uma vez só e o conjunto de informações provavelmente sem um back-up" - não é nada disso, o que se perdeu foram equipamentos e dados recém-coletados. É óbvio que existe back-up das informações de outras expedições, mas no caso da pesquisa em biologia marinha (que é minha área e já trabalhei lá), não tem como ter "back-up" dos animais coletados durante aquele período. Eles estão sendo trabalhados ou estão fixados em frascos.

Quanto à morte, realmente não morreu nenhum dos pesquisadores e sim dois heróicos praças (um deles era sub-oficial). Quanto ao comentário sobre a remuneração, os militares podem ser mal reumunerados no Brasil, mas durante estas expedições a remuneração é ótima e atrativa. Vários praças e, principalmente oficiais, fazem suas vidas indo para a Antártica pois o pagamento é de diárias no exterior e, no caso da Estação Brasileira, a estadia deles é de um ano, ou seja 365 diárias. Digo isso, para não se dizer que são mal remunerados, o que não implica que a segurança deles deva ser uma preocupação e a tristeza de perder profissionais dedicados que estavam tentando debelar o fogo.

Quanto ao comentário: "Entendo que, em condições normais, tais grupos, por serem tão específicos e inegavelmente importantes, não devem sequer viajar no mesmo vôo" - isso é óbviamente um exagero. Os pesquisadores antárticos não tem "segredos" ou "conhecimentos" insubstituíveis - são pesquisadores qualificados como tantos outros que trabalham em outras áreas no Brasil, seja nas ciências biológicas ou nas ciências físicas. Não há comparação entre o "expertise" do pessoal de Alcântara e de pesquisadores brasileiros na Antártica.

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21 comentários
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antonio francisco

Tinha que ser rente ao Carnaval? 

Nessas ocasiões as atenções têm de ser redobradas.

 
 
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Leonardo Vieira

Diretor de instituto chileno critica improvisos em base antártica


MAURICIO TONETTO

A tragédia ocorrida durante a madrugada de sábado na Estação Antártica Comandante Ferraz, na Ilha Rei George (Antártida), foi "uma grande lição para o Chile" e demonstra que os pesquisadores e militares ainda convivem com a "improvisação". Foi o que afirmou o diretor nacional do Instituto Antártico Chileno (INACH), José Retamales, que desde 2003 preside o órgão responsável por coordenar, planejar e executar trabalhos científicos na região, sob tutela do Ministério das Relações Exteriores do Chile. Ele ajudou na logística durante o resgate dos brasileiros e disse que "foi horrível o incêndio ter acontecido na sala de geradores". Dois militares morreram e um ficou ferido.

Segundo Retamales, uma base moderna deveria funcionar com muito dinheiro, o que não acontece no Brasil e no Chile. "Há um pouco de improvisação, é uma realidade latino-americana", afirmou ele, que deu como exemplo a falta de uma sala de geradores secundária em Comandante Ferraz. "Quando um incêndio acontece na sala de geradores de energia é horrível, pois falta luz, água e os alarmes não funcionam. Não havia uma unidade de potência separada para apagar incêndios. Nós também não temos e a fatalidade foi uma grande lição, iremos empreender mudanças", ressaltou.

Retamales foi chamado à base chilena de Punta Arenas, sua cidade natal, para auxiliar no resgate dos feridos. Segundo ele, a ajuda demorou duas horas para chegar ao local do incêndio por dificuldades climáticas, o que era "desesperador". "Para ir de bote, tinha que entrar no oceano e a chegada demandava duas horas. De helicóptero só foi possível depois de uma certa visibilidade. Era desesperador que não pudéssemos ajudar mais rápido", relatou. 

http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI5633951-EI306,00-Diretor+de+instituto+chileno+critica+improvisos+em+base+antartica.html

XXXXXXXXX

 Queremos cantar de galo no cenário internacional, mas estamos MUITO LONGE de pelo menos olhar de igual pra igual com os países de primeiro mundo, essa é a verdade.   

 
 
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alfredo machado

Caro Paulo Paiva:


Nos posts sobre este trágico e incompreensível acidente, seus ponderados comentários se destacam pela objetividade.  


A sua experiência profissional, aliada ao fato de você já ter prestado serviço naquela Estação Antártica, faz toda a diferença.


Em mina opinião, quanto mais você comentar, em função dos próximos acontecimentos ligados a este acidente, melhor será prá todos, pois não é possível confiar na informação da grande mídia tupiniquim, que, na época do acidente em Alcântara, já deu um show de bola danado, um gol contra atrás do outro.


Um abraço

 
 
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Paulo Paiva

Caro Alfredo,

estarei aqui acompanhando e esclarecendo o que estiver ao meu alcance - assim como outros do Blog. Realmente temos que tomar cuidado com a politização da discussão - eu acho que o Programa Antártico é bem apolítico - como disse tem até uma "Frente Parlamentar Antártica" com gente de tudo que é partido. Mas a imprensa sempre tenta forçar. Ontem a noite entrevistaram um grande amigo e professor da UERJ na Globo News (Heitor Evangelista) - e a entrevistadora já estava perguntando da troca de geradores como causa da explosão. Como sabiamente disse o Heitor, isto está sendo apurado, não é o momento de manifestações.

abraço

 
 
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Jose de Almeida Bispo

Faço minhas as suas palavras, caro  Machado.

 
 
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Raí

O acidente na estação naval brasileira.

Pergunto ao companheiro de blog, Paulo Paiva, que já esteve trabalhando, parece que numa pesquisa(do que mesmo ?) lá:Paulo, são necessárias tantas pessoas, numa estação de pesquisa, que na prática, não "devolve" nada essencialmente considerável, à nossa incipiente ciencia, neste local ?

Sabe-se que neste "cabide de empregos" onde o erário brasileiro paga 365 gôrdas diárias a seus funcionários, desde os trabalhadores formais e seguranças, até os mais competentes técnicos e pesquisadores, e após um ano deste trabalho, que convenhamos não é dos mais insalubres, eles podem voltar ao Brasil, e gozar de longas férias. 

 

 

Sempre ficamos mais experientes, após perdermos algumas batalhas, na guerra diária da vida.

 
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Paulo Paiva

Raí,

Eu entendo seu questionamento - não sei se esclareci mas o pagamento de diárias no exterior é restrito ao pequeno grupo de militares - esta é uma questão das forças armadas e que tem haver com outras missões no exterior. Os pesquisadores são remunerados pelo CNPq e o valor é bem mais baixo (o tempo médio de permanência de um pesquisador é de cerca de 1 mês). 

Quanto ao produto das pesquisas, eu não trabalho lá a mais de 10 anos, mas ainda publico alguma coisa de material coletado previamente - acho que a discussão é boa mas não pode ser muito passional, pois isso vale para diversas áreas de pesquisa. Podem por exemplo achar que como biólogo marinho eu gasto recursos que poderiam ser utilizados na pesquisa contra o câncer, por exemplo. Partindo desse pressuposto é claro que se pode expandir para outras áreas, inclusive fora das ciências biológicas.

Quanto ao custo da manutenção da estação - que é caro - eu acho que a discussão extrapola o campo da pesquisa e envolve questões geopolíticas que eu não tenho capacidade nem de avaliar e muito menos de quantificar (Quanto vale em termos geopolíticos a presença brasileira?)

Mesmo no campo meramento científico, acredito que mesmo a comunidade cientifíca brasileira não tem uma opinião clara sobre a manutenção ou incremento das pesquisas lá. Diversas vezes em palestras, vi colegas questionarem o custo e a necessidade - que algumas vezes defendi com afinco enquanto outras vezes também me questionei. 

Ah, Raí, minhas pesquisas eram na área de animais marinhos como indicadores ambientais da região. Na verdade, a região por ter um impacto humano ainda muito restrito e ser um ecossistema de estrutura e dinâmica menos complexa que outras regiões - é utilizada por muitos pesquisadores na área biológica no estabelecimento de modelos a serem aplicados em outras situações.  

Está aí um ponto bom para discussão

Abraços

 
 
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caju azedo

Sinceros parabéns pela santísima e totalmente franciscana paciência de amar todos os animais.

 
 
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Paulo Paiva


Quem disse que eu os amo?

Ops, desculpe Caju, me escapou a ironia.... 

Precisa ver os comentários no Brasil247 - fui tentar explicar e praticamente me expulsaram de lá por que eu não concordava que a culpa era do Amorim e da Dilma.

 
 
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Mario Siqueira

Prezado Paulo

Pode ser que não os ame, mas voce tem uma santa paciência !

 
 
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Paulo Paiva

Aqui eu tenho mesmo,

Deixo minha falta de paciência para outros blogs que frequento (Brasil 247, Terra etc.., IG) onde o nível dos comentários é irritante. 

 
 
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Mario Siqueira

Nunca ví tanta opinião vazia em tão poucas linhas:

- "...pesquisa, que na prática, não "devolve" nada essencialmente considerável..." (quantos relatórios técnnico e científicos voce já analisou, Rai ?);

- "cabide de empregos" ... ???;

- "...trabalho, que convenhamos não é dos mais insalubres..."  (aquela base seria uma pousada de luxo?) ;

-"...eles podem voltar ao Brasil, e gozar de longas férias... " (quantos meses de férias eles gozam, depois de voltar ?)

 

 

 
 
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Raí

As respostas às suas perguntas, que repetem as minhas, podem ser vistas nos "relatórios técnicos e científicos" que eu já lí, e que você certamente, talvez não tenha feito,e confesso, eu entendo você.

Eles são enfadonhos e difícies de serem entendidos, pelos seus excessivos têrmos, quase que inteligíveis, e cansativos para os simples mortais, como eu e você.  

 

Sempre ficamos mais experientes, após perdermos algumas batalhas, na guerra diária da vida.

 
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zepelim

Alguém lembra do causo do notebook roubado dentro de um carro, que tinha sei lá quase toda a estratégia da Petrobras sem backup, anos atrás ?

 
 
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sersikera

Outro "notório palpitar".

Os dados referiam-se a operações específicas de apenas um poço e lógico que tinham back-up.

Alíás, os dados furtados é que eram um back-up armazenado no computador da contratada que efetuou o trabalho.

 
 
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LuizFreitas

PÕ! É flórida mesmo!

Se o governo não investe em pesquisas para se tornar cientificamente e tecnologicamente avançado, reclamam. Se investe, reclamam do mesmo jeito. Haja paciência para governar um país... Pois, como diria Vicente Matheus, tem que agradar a gregos e "praianos"...!

O pior de tudo é escutar abobrinhas de gente que nunca fez pesquisas nem no Google!

 
 
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Paulo Paiva

Duro é a imprensa (e vários comentaristas de outros blogs) quererem politizar a questão. Até já estão dizendo que é armação do governo para superfaturar a construção da nova estação (normalmente que constrói é o Arsenal de Marinha - portanto, não teria licitação. 

Será que não dá para perceber que foi uma tragédia? E que se houve culpados ou não não dá para culpar este ou aquele governo? Será que não dá para perceber que é uma questão mais geral de como se conduz o Programa (que já atravessou vários governos?)

Politizar é um erro dos dois lados - seja pela hipótese de sabotagem (por que a EACF e não outra estação) ou de culpar a Dilma ou Lula por tudo que acontece no Brasil. Por isso não da para comparar com Alcãntara. 

 
 
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sersikera

Politizar é um erro dos dois lados - seja pela hipótese de sabotagem (por que a EACF e não outra estação) ou de culpar a Dilma ou Lula por tudo que acontece no Brasil.

Caro Paulo. Esta sua frase me fez lembrar do post que mostrava a teoria fantástica do Boris Casoy que atribuia ao governo Lula, reponsabilidades na doença que matou a dona da Daslu. A condenação aqui no blog foi geral. Já esta teoria da sabotagem, tão ou mais fantástica, é aceita como verossímel e até provável por muitos comentaristas.

Interessante, não?

 
 
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Paulo Paiva

Eu acho que a hipótese de sabotagem é inverossímel, até porque não vejo quem teria algo a ganhar com isso. Na mesma ilha onde se localiza a EACF existe mais de uma dezena de estações e refúgios. Perú e Equador, por exemplo, que tem menos tradição científica que o Brasil também têm estações, assim como Chile, Argentina, Rússia, China, etc. por que sabotar a Estação Brasileira?  Estudos que envolvem questões estratégicas (recursos minerais por exemplo) são geralmente efetuados por navios. 

Realmente acho que a causa é outra (fatalidade, problema operacional, sucateamento, etc.). Geralmente sou desconfiado - não descarto a hipótese de sabotagem em Alcântara, mas o histórico do programa espacial é completamente diferente do histórico de pesquisas em estações antárticas. Não creio que pesquisas estratégicas tenham sido profundamente afetadas pelo incêndio. Os mais afetados são estudos de cunho ambiental sobre fauna e flora e processos ecológicos que pouco têm de estratégico, ao menos do ponto de vista geopolítico. O Programa Antártico Brasileiro continua, tanto com os navios (embora um dos navios esteja em reparos), como com acampamentos e um módulo na área continental. 

Só para colocar pontos nos "is" na questão da politização  já vou avisando: sou favorável ao governo Dilma e a política, social, educacional e científica do governo Lula. 

 
 
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janes salete

 

Tudo no Brasil sempre "pode" acontecer, mas no atual momento, tudo pode realmente acontecer. Digo isso, porque nunca havia presenciado a oposição constituida por poderosos. O que havia, antes do governo petista, era uma oposição constituida de trabalhadores sem poder econômico algum. O máximo que faziam era invadir terras, protestos, passeatas nas ruas e tais. Mas, hoje, com o poder econômico sendo o opositor, tudo, tudo mesmo pode ser possível acontecer. Esse poder corrompe todos os poderes. Se necessário for utilizar "eventos" para culpar seus desafetos, não deixarão de utilizá-los(os USA e seus aliados fazem isso, cotidianamente). Não acho que ouve, nesse caso da Antártica, um desses "eventos", mas não duvido que outros estão acontecendo.

 
 
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Waldyr Kopezky

Caro Paulo Paiva, fantástico...

Valeu pela sinceridade de teu depoimento - porque dúvidas sempre vão existir, entre todo tipo de gente (dos que querem saber a realidade dos fatos e dos que querem distorcê-la para seus próprios fins).

Mas quem sabe e fala, desfaz tudo isso com a verdade e a lógica da experiência.

 
 

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