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Os músicos e o ECADEnviado por luisnassif, qui, 21/04/2011 - 16:22
Por torres
Olá, Jair, nós não sabemos o que o Foo faz mas eu posso dizer que sou músico profissional desde os 17 anos. Tendo quarenta, não dá pra dizer que estou começando. Gostaria de colocar a minha experiência Já toquei e gravei com inúmeros grandes nomes da MPB (Ivan Lins, Milton Nascimento, etc). Tenho vários cds em grupo e um totalmente autoral. Conheço o meio musical, sei do ofício e entendo que hoje há dois grupos: 1.aqueles que se beneficiam da arrecadação de direitos autorais: grandes nomes da MPB, compositores de sucessos, herdeiros de autores. 2. aqueles que contribuem para sustentar os recordes de arrecadação a cada ano: músicos que tocam em festas, bares, bailes Isso é uma descrição incompleta e é óbvio, como músico, posso fazer parte dos dois grupos de acordo com as circunstâncias. A realidade é que a imensa (imensa mesmo) maioria de cantores, instrumentistas e compositores nunca vai ganhar um centavo do ECAD. São os caras que estão tocando por aí, quase anonimamente. Saiba você que essas pessoas, muitas vezes, enfrentam uma situação realmente difícil na profissão (sem direitos trabalhistas, cachês muito baixos). E fazem parte do grupo que financia o Ecad. (Se você toca num bar, vc tem que pagar o Ecad e, é claro que ninguém nunca vai saber o que você toca, ou seja pra quem vai esse dinheiro?). Então não existe uma simpatia pelo ECAD entre o meio musical, excetuando aqueles citados acima, no item 1, e que são uma minoria. Eu me considero num nível intermediário entre esses dois grupos: já acompanhei muitos artistas (inclusive a própria ministra muitas vezes) e agora inicio uma incipiente carreira solo. Quando me filiei a uma associação de autores (Abramus), recebi uns R$400,00 por toda a minha vida musical. Era um dinheiro proveniente de algumas apresentações musicais feitas na Tv Globo e em alguns bares em S Paulo. Isso aconteceu há uns 6 anos e agora, ano após ano, ligo lá e eles me informam que não há nada pra receber. Quando realizo meus shows em Sescs, bares ou teatros, tenho que encaminhar um pedido para o Ecad, informando que só tocarei minhas próprias músicas, para que me liberem do dízimo que eles cobram sobre o valor do cachê. Quando incluo uma música de um outro autor num cd que gravo, fico à mercê de uma negociação dificílima com as editoras. Eles chegam a pedir mais de R$1000,00 por uma música, e não querem saber se é um cd independente que terá uma vendagem muito baixa. Então, minha experiência com direitos autorais no Brasil, infelizmente me leva a pensar que editoras e autores, na ânsia de compensar a queda nas vendas de cds e as perdas com a pirataria, atravancam a vida do músico comum, atravessando suas apresentações. Mais do que isso, impedem o acesso aos tesouros da música popular brasileira como a obra de Pixinguinha, Noel Rosa e muitos outros, cobrando valores extorsivos para que os músicos gravem tais músicas. Só pra ilustrar: pegue um grupo de choro com pessoas mais velhas e suponha que eles resolvam gravar seu trabalho num cd, registrando os clássicos do Choro (Jacob do Bandolim, Pixinguinha). Se o herdeiro e a editora não deixarem, ou pedirem valores muito altos, eles não podem. São impedidos de gravar aquilo que tocam uma vida inteira. Você concorda com essa situação?
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Comentários + votados
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Carlos Henrique Machado
21/04/2011 - 16:50
Perfeita e sobretudo fundamental essa declaração do Torres!!!
Este é o retrato do Ecad que hoje tem dentro do MinC um trono.
Aqui Nassif o link de uma bela entrevista de...
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maria regina
21/04/2011 - 16:56
Acho que seus argumentos, além de relevantes, podem ser comparados com o que ocorre no mundo dos esportes. Há aqueles poucos que não só recebem fortunas, como são reconhecidos em seu...
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Monier
21/04/2011 - 17:00
É um mecanismo estranhíssimo, mesmo considerando que o funcionamento dele tem pontos obscuros que podem dar mais lógica à coisa É quase um bolsa-família do avesso, que transfere renda do setor amador...
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Jose de Almeida Bispo
21/04/2011 - 17:30
O ECAD sempre foi isso aí (antes de Ana e do PT). Fui programador de emissora de rádio entre 1978 e 1983 e já era assim. Permaneci com um pé lá outro cá no setor e continuou assim. Vê se descontamina...
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Carlos Henrique Machado
21/04/2011 - 17:35
FacebookMarcelo Branco
Quem te viu e quem te vê! Ministério da Cultura apoiando evento da ABRAMUS e ECAD sobre "propriedade intelectual" (não é direito autoral). #LDA
name
twitter...
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autonomo
21/04/2011 - 17:43
Lendo essa novela das tristezas descritas pelo musico autor do POST, fiquei sem saber sobre o principal : se ele é favoravel que os artistas mantenham seus direitos sobre os seus...
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S.V.
21/04/2011 - 17:59
Acho que eles deveria instalar em cada lar e estabelecimento uma espécie de relógio que mediria quantas vezes cada música foi executada. A partir daí, remunerariam-se os detentores de direitos...
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torres
21/04/2011 - 19:00
Obrigado, caro Nassif, por promover meu post.
Monier, o mecanismo é problemático, obscuro e concentrador. Tenho amigos que são donos de bares com música ao vivo. Pagam um valor...
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Carlos Henrique Machado
21/04/2011 - 19:16
Não consigo deixar de me irritar com as sonsas declarações de Ana de Hollanda. Uma Ministra da Cultura do Brasil que é um verdadeiro monumento de arrogância e desfaçatez. Não há uma só vez em...
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alexis
21/04/2011 - 19:21
Efeitos perversos do ECAD
Preguiça de criatividade: Estimula a repetição de músicas e não a geração de novas composições. O imposto é pago pelas vezes que a música é tocada. O autor dos “parabéns...
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torres
21/04/2011 - 20:11
Whatever e autonomo, não há tristeza no meio musical. É uma das carreiras mais bonitas que há. De outro lado, há uma crise no mercado musical. Com o fim das vendas de milhares de cds,...
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Carlos Henrique Machado
21/04/2011 - 20:12
Meu caro anônimo
Pra você falar em direito do autor, você tem que defender, como eu defendo, o direito de verdade. E o princípio do direito autoral neste caso é ter a liberdade de escolha do que você...
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Ivan Moraes
21/04/2011 - 20:44
"Na verdade, o seu texto é uma defesa do direito autoral pois o que vc me mostra é que não estão lhe pagando como deveriam, as entidades arrecadam e não repassam a sua parte, mas isso não é negar o...
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Wilton Cardoso Moreira
21/04/2011 - 21:02
Falou e disse Torres: direitos autorais é só pras gravadoras, estúdios e editoras. E poucos, muito poucos artistas: e são os melhores artistas? Xuxa, dupas breganejas, axé, cristo-music... Eu não...
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Carlos Henrique Machado
21/04/2011 - 22:18
Whatever
A música livre na internet deve ser opção de cada um, independente dos exemplos que você cita como um mal comandado por grandes grupos. O que está em questão não é se eu acho que a...
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Whatever
22/04/2011 - 00:39
Tenho amigos que são donos de bares com música ao vivo. Pagam um valor mensal ao Ecad cujos fiscais, é sabido, só passam lá para pegar aquele dinheiro.
Isso é o tradicional cartorialismo ibérico. A...
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Whatever
22/04/2011 - 00:44
O mais engraçado é que o que vc defende tem pelo menos uns 10 anos e não mudou absolutamente nada.
Os chineses dizem: que tudo que vc deseja se realize.
Cara, não queria estar na sua pele...
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socram pb
22/04/2011 - 01:30
Whatever,
S.V. é troll. Leia os comentários dele no post sobre a OSB desta quinta-feira. Só bobagem.
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foo
22/04/2011 - 10:16
"A solução não é acabar com o direito autoral, mas reformular o modo como é cobrado."
Whatever,
Por que você insiste em colocar a questão dessa forma: "tudo ou nada", "direito autoral ou...
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Fernando Ximenes
22/04/2011 - 14:21
A discussão está interessante (com os pequenos desvios de praxe na Internet) mas seria importante esclarecer alguns conceitos e entidades envolvidas:
ECAD diz respeito apenas ao recolhimento...
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Perfeita e sobretudo fundamental essa declaração do Torres!!!
Este é o retrato do Ecad que hoje tem dentro do MinC um trono.
Aqui Nassif o link de uma bela entrevista de Idelber Avelar sobre o MinC de ANA e o PT.
http://soundcloud.com/fernandohleme/entrevista_idelber_pol-tica
O ECAD sempre foi isso aí (antes de Ana e do PT). Fui programador de emissora de rádio entre 1978 e 1983 e já era assim. Permaneci com um pé lá outro cá no setor e continuou assim. Vê se descontamina que o assunto aqui é sério.
Acho que seus argumentos, além de relevantes, podem ser comparados com o que ocorre no mundo dos esportes. Há aqueles poucos que não só recebem fortunas, como são reconhecidos em seu trabalho e os demais. A disparidade é gritante.
Por outro lado, acho que o compositor tem o direito de receber por seu trabalho, assim como todos aqueles envolvidos com a música devem receber insentivo e remuneração justa.
Assim como para ver uma tela, uma escultura, uma arquitetura não pagamos para o autor qualquer quantia, acho que a música deveria estar disponível para ser gravada por qualquer grupo, na medida em que sua execução renderá para o autor seu percentual (direitos autorais). Portanto, não concordo com a cobrança feita por herdeiros e editoras. Não sei se poderia falar que esta é uma forma vil de capitalismo cultural.
Esta é apenas uma visão superficial da minha parte, pois não conheço as regras do Ecad para melhor discutir sobre o assunto.
É um mecanismo estranhíssimo, mesmo considerando que o funcionamento dele tem pontos obscuros que podem dar mais lógica à coisa É quase um bolsa-família do avesso, que transfere renda do setor amador e de renda mais baixa para o setor de renda mais elevada e melhor empresariado. Ainda que ambos os grupos sejam de criadores e estejam dentro do escopo da lei autoral, que é proteger o criador para que mais cultura possa ser criada espontâneamente pelas próprias leis de mercado.
Quando estive na III Conferência pela reforma da Lei Autoral, conversei com alguns músicos sobre o problema e as contradições do Jabá, e eles queriam porque queriam a criminalização. Diz-se por aí que jabá é contrato privado, que nada tem que ver com pessoas fora do contrato. Mas se o critério para determinar o crédito a que o autor terá direito diz respeito ao número de execuções das músicas no rádio, então defendi que estamos aqui criando uma flutuação artificial da "demanda", e que prejudica interesse de terceiro. Seria o mesmo que dizer que um contrato entre pessoas para gerar uma grande flutuação artificial na bolsa de valores seria um assunto privado por ser contrato. Ou então que o contrato de um cartel seria defensável por ser contrato privado. Não é.
A partir do momento que o jabá faz flutuar para cima da média a execução de alguns poucos artistas, automaticamente o crédito geral deles deve aumentar, em detrimento restante dos autores que participam do bolo geral. E o dos artistas de rua, por exemplo, diminui proporcionalmente em relação à eficiência do jabazeiro. Alia-se ainda à perversidade de que o artista de rua ou de boteco não vai executar música própria se quiser ser ouvido. Tem que executar o que o jabá coloca no rádio e acostuma o público a pedir.
Fosse um mercado de renda bem distribuída, talvez os efeitos fossem menos graves. Mas é claramente daqueles mercados em "V", com um grande grupo recebendo nada à esquerda, e outro pequeno grupo recebendo uma grande parcela da renda à direita. E com o triste adicional de que a renda circulando internamente, da esquerda para a direita, via ECAD. E não apenas do consumidor para o produtor, como seria o natural na indústria têxtil, por exemplo. É um mecanismo que tem que ser repensado, certamente. E o Minc deveria bancar estudos acadêmicos sobre isso, que parecem faltar sobre a realidade do Brasil, talvez antes mesmo de alterar a lei autoral.
Torres, o resumo do texto é o seguinte: os não famosos se ferram.
E daí?
Vc é artista?
Pois então grave as suas composições, apresente-as ao público e vamos ver o que acontece.
Ah, mas aí vc vai me falar que as portas não se abrem assim tão facilmente para os novos artistas...
É verdade. E o que isso tem a ver com direito autoral?
Rigorosamente N-A-D-A.
Que viver de arte no Brasil é difícil, todo mundo sabe.
O que não dá é misturar questões que não tem nada em comum.
Na verdade, o seu texto é uma defesa do direito autoral pois o que vc me mostra é que não estão lhe pagando como deveriam, as entidades arrecadam e não repassam a sua parte, mas isso não é negar o direito autoral, é reafirmá-lo!
E, por último, Noel Rosa já caiu em domínio público.
"Na verdade, o seu texto é uma defesa do direito autoral pois o que vc me mostra é que não estão lhe pagando como deveriam, as entidades arrecadam e não repassam a sua parte, mas isso não é negar o direito autoral, é reafirmá-lo!":
Nao, eh dizer que a exploracao do sonho alheio existe, eh real, e nao vai acabar tao cedo. Comparar dois campos diferentes, situacoes identicas, ambas extremas, aqui ou aqui.
Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.
Vou ser sincero: quando bato o olho e vejo Ivan Moraes, nunca leio o comment porque não consigo entender o que vc escreve. Pode ser que, por morar nos EUA há muitos anos, a lógica do seu português tenha sido contaminada por um estilo de pensamento anglo-saxão que não combina de jeito nenhum com a matriz ibérica.
De qualquer forma, the proof is in the pudding, e a resposta que vc me dá é utter nonsense.
Não concordo com o Whatever, em parte.
Concordo absolutamente!
Muito lero de liberdade.... mas a passeata atéia.. não pode?
Liberdades relativas.. o direito autoral precisa existir, cabe ao Congresso aperfeiçoar.
Exato.
A turma da tal "cultura livre" ( um bando que quer se divertir às custas do trabalho alheio ) está chata demais. Basta aparecer qualquer post sobre direitos autorais ou MINC que a turma já entra descendo o sarrafo em tudo e pregando pirataria sem enrubescer.
O pior é que embolam o meio do campo com uma discussão estéril que não leva a nada atrapalhando um espaço que poderia trazer boas argumentações e idéias nessa área tão controversa.
São as viúvas e os trolls do Padim Pade Cerra cujo único objetivo é ver o circo pegar fogo. É a turma do "quanto pior, melhor".
FacebookMarcelo Branco
Quem te viu e quem te vê! Ministério da Cultura apoiando evento da ABRAMUS e ECAD sobre "propriedade intelectual" (não é direito autoral). #LDA
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@reply to tagged user Hide map and return to photoMinC apoiando evento da ABRAMUS e ECAD s "propriedade intelectual" (não é direitos autorais). #LDA
Lendo essa novela das tristezas descritas pelo musico autor do POST, fiquei sem saber sobre o principal : se ele é favoravel que os artistas mantenham seus direitos sobre os seus trabalhos ou não.
Que o ECAD cobra muito e paga mal, todo mundo ja sabe. Agora estão usando esse argumento para ferrar ainda mais com os musicos.
Algo assim: ja que o ECAD não distribui bem o dinheiro arrecadado vamos acabar com a lei e ninguem precisa pagar mais ninguem.
A posição correta de todo musico no momento seria,ja que o ECAD não distribui bem o que arrecada, lutaremos para proteger ainda mais os artistas, resolvendo os problemas do orgão, e não permitindo que se acabe com a lei de direitos autorais, como se escuta diariamente nesse blog.
E digo mais, grande parte dos problemas levantados pelo autor do post, deve-se muito mais a falta de combatividade dos musicos. Ate a bem pouco tempo eram explorados pela Ordem dos Musicos e aceitavam tal humilhação sem contestação.
No momento em que blogs oferecem imensa cobertura a um violento ataque aos direitos conquistados pelos artistas, vemos poucos se levantando contra. Estão calados.
Enquanto isso muitos, se passando no mundo virtual como musicos, se declaram contra a lei que lhes garante direito sobre o seu proprio trabalho.
Estranho.
Meu caro anônimo
Pra você falar em direito do autor, você tem que defender, como eu defendo, o direito de verdade. E o princípio do direito autoral neste caso é ter a liberdade de escolha do que você fará com a sua obra. Como o Ecad monopoliza o sistema de arrecadação, não temos o direito de escolha. É uma balela, e você sabe disso, dizer que o Ecad representa a defesa do direito do autor. O Ecad é um escritório privado como qualquer outro escritório de advocacia, porém como uma entidade pública age compulsoriamente em nome do músico e em nome do Estado.
Você sabe perfeitamente bem que independente de contrato, o Ecad cobra até do próprio autor pela execução de suas obras, gravadas ou não. Qualquer relação de venda ou aluguel de propriedade independe de intermediação de órgãos privados e, portanto, posso vender meu imóvel, meu carro, escolhar um representante legal para assistência jurídica tanto na venda ou na aquisição de qualquer bem, dando satisfação apenas ao Estado, seguindo as normas constitucionais. O Ecad é um estado paralelo com leis próprias, mas assim mesmo defendo a liberdade de escolha, caso queira tê-lo como seu representante. Mas também acho que você deve respeitar a liberdade de escolha dos que não querem o Ecad se metendo em seus direitos autorais. É simples assim, Ecad para os que o querem como representante. Vão lá, assinam o contrato e está tudo certo. Por outro lado, quem não quer este caminho tem o direito de escolher o destino que vai dar à sua obra sem dar satisfação a ninguém, basta que registre a obra em seu nome. E isso nada tem a ver com o Ecad.
Imagino ter sido bastante claro agora, não?
Acho que eles deveria instalar em cada lar e estabelecimento uma espécie de relógio que mediria quantas vezes cada música foi executada. A partir daí, remunerariam-se os detentores de direitos autorais.
Vc quis ser irônico, mas a grande ironia é que isso é, hoje, com a tecnologia da qual se dispõe, factível.
Pode ser que leve muitos anos ainda, mas é nessa direção que a sociedade vai caminhar.
Quer os defensores da pirataria gostem ou não.
Whatever,
S.V. é troll. Leia os comentários dele no post sobre a OSB desta quinta-feira. Só bobagem.
Jose de Almeida Bispo- Vê se descontamina que o assunto aqui é sério?
Pode me explicar? Não entendi...
abs
Obrigado, caro Nassif, por promover meu post.
Monier, o mecanismo é problemático, obscuro e concentrador. Tenho amigos que são donos de bares com música ao vivo. Pagam um valor mensal ao Ecad cujos fiscais, é sabido, só passam lá para pegar aquele dinheiro. Verdade é que não é um valor alto mas, se somarmos o número de bares que pagam em todo Brasil, acho que dá pra fazer uma feirinha. Pra onde vai? Pra quem vai? Uma amiga tem um bar de jazz e perguntou ao fiscal: como vocês distribuem se não fiscalizam as execuções (coisa impossível de se fazer no país inteiro)? Ao que ele respondeu aquela história de uma tal lista dos mais executados e blá, blá , bla. Ou seja, Ivete Sangalo (nada contra, conheço pessoalmente também e é muito simpática), recebe o dinheirinho do bar de jazz. Então, se é verdade que uma lei de direitos autorais é um enorme desafio hoje mais do que nunca, mais verdade é que a arrecadação carece de muita transparência. Não dá pra engolir que ninguém deve se meter nos negócios privados do ECAD.
A ANA foi clara, o Ecad deve ser fiscalizado.
Mas não extinto... ora, acabem com o governo de SP, por analogia.... cobra e faz bicas.. ou nem isso.
Tenho amigos que são donos de bares com música ao vivo. Pagam um valor mensal ao Ecad cujos fiscais, é sabido, só passam lá para pegar aquele dinheiro.
Isso é o tradicional cartorialismo ibérico. A solução não é acabar com o direito autoral, mas reformular o modo como é cobrado.
"A solução não é acabar com o direito autoral, mas reformular o modo como é cobrado."
Whatever,
Por que você insiste em colocar a questão dessa forma: "tudo ou nada", "direito autoral ou liberou geral"?
Os defensores da Creative Commons não pregam nenhuma dessas pontas, até mesmo porque a Creative Commons não poderia existir sem direitos autorais.
A Creative Commons simplesmente oferece um arcabouço jurídico (licenças) para que o artista possa liberar alguns direitos (exemplo: cópia) enquanto proíbe outros (exemplo: uso comercial). Assim ele pode divulgar o seu trabalho, enquanto mantém controle sobre a forma como será usado.
Sem a Creative Commons o artista precisaria confeccionar sua própria licença, ou entrar em contato com um intermediário -- uma gravadora, um estúdio ou uma editora.
A Creative Commons dá liberdade para o artista divulgar seu trabalho sem precisar desses atravessadores.
Isso é ruim de alguma forma?
A discussão aqui, e na minha resposta, não é sobre modelos de licença, mas sobre o péssimo funcionamento do Ecad e suas distorções na hora de cobrar e pagar.
O que isso tem a ver com CC?
Nada.
O post original fala dos problemas de COBRANÇA, não estamos discutindo se é bom ou ruim usar CC.
Quem insiste em tratar tudo como se fosse a respeito de CC são vcs que não entendem o que está em jogo nem como esse jogo funciona.
O artista que quiser liberar sua obra integral por meio de licença CC é livre para fazê-lo, não estou nem aí para essa opção pessoal.
O que eu não aguento mais nesses posts sobre direito autoral, Ana de Hollanda, ECAD etc. é essa gritaria sobre CC, copyleft, pirataria.
Haja saco. Tem mais de 10 anos que essa joça de CC tá aí, que todo mundo pirateia tudo e os artistas desconhecidos estão com as mesmas dificuldades (na verdade, ironicamente, com dificuldades até maiores...) para se fazerem ouvidos.
O mundo deles não mudou um milímetro por causa de toda essa inovação tecnológica que vcs tem como um totem.
Sai um pouco da frente do computador e vai conversar com os músicos, os escritores e os artistas plásticos pra ver se mudou alguma coisa pra melhor.
Não consigo deixar de me irritar com as sonsas declarações de Ana de Hollanda. Uma Ministra da Cultura do Brasil que é um verdadeiro monumento de arrogância e desfaçatez. Não há uma só vez em que a Ministra não mostre em suas declarações a concreta falta de substância. Seu entendimento sobre cultura é tão amplo quanto um grão de mostarda. Por isso seu nome está marcado, em apenas cem dias, como a Ministra mais criticada da história da república.
A verdade é que a cultura brasileira merecia mais respeito intelectual. Essa negligência no entendimento da cultura de um país é que gera esse tipo de ornitorrinco em que se transformou o MinC. Todos sabiam que Antonio Grassi é uma espécie de tigre das trapalhadas. E agora o que vemos ser publicado nos jornais? A mesma paisagem de Grassi e Ana de Hollanda quando estiveram à frente da Funarte que desembocou na exoneração dos dois ainda no primeiro mandato de Lula.
Ana de Hollanda, absolutamente insandecida,em defesa do ECAD, desaparece com a consulta pública já feita por seus antecessores, Gil e Juca, durante seis anos sobre reforma LDA e dá um golpe na sociedade com a nova consulta, agora feita por email ou por carta. Isso é um deboche com a democracia brasileira, pior, a Ministra quer distância dos outros ministérios, isso dito por ela própria. Está aí um MinC à deriva enfiado até o pescoço numa areia movediça que, quanto mais a Ministra e seu fiel escudeiro, Grassi, se mexem, mas se afundam politicamente. Ouçam a entrevista de Idelber Avelar neste link abaixo para entenderem a extensão desta crise que não é somente de um grupinho, de uma moçada que sonsamente Ana classifica.
A intrevista de Idelber é bem clara sobre este momento politico da cultura que o MinC Ana representa.
http://soundcloud.com/fernandohleme/entrevista_idelber_pol-tica
Efeitos perversos do ECAD
Preguiça de criatividade: Estimula a repetição de músicas e não a geração de novas composições. O imposto é pago pelas vezes que a música é tocada. O autor dos “parabéns para você” deve estar mais rico que bandido mexicano.
Perda de Qualidade: Quanto pior melhor. Isso não acontece nas outras artes, onde o bom é mesmo privilegiado.
O imposto vai para o dono do direito, não para o autor mesmo: Grandes grupos de rádio e TV criam seus selos e, antes de editar discos fazem ao novo “astro” assinar a cessão de direitos para o selo. Surgem assim os cantores pré-fabricados da mídia. Criam-se festivais para lançar novas estrelas pela TV, etc. Sabem por que, por exemplo, a GLOBO não divulga músicas do Chico?, simplesmente porque ao final do mês o cheque do ECAD vai para o Chico, não para a GLOBO. Os maiores arrecadadores do ECAD são as próprias grandes gravadoras: POLYGRAM, SOM LIVRE, etc, que hipotecam o futuro de qualquer novo “artista”.
Perda de Foco da Motivação para Criar: A criação nasce para ser exposta, para ir onde o povo está (Milton Nascimento). Aquele povo que tem que pagar pela música mecânica da sua festa junina, o povo que tem que pagar pela música de fundo pelo casamento da sua filha. Se eu tivesse qualidade, o que mais gostaria é de ser ouvido, não de ir a bater a porta e pedir para fechar a vitrola, se acaso não pagar o ECAD.
Perda de Divisas: O direito autoral é um engodo que se aproveita dos mecanismos de intercambio comercial para explorar aos países menos desenvolvidos. O dinheiro que sai do Brasil como direito autoral (principalmente para os EEUU) é muito maior que o dinheiro que entra a o Brasil pelo mesmo conceito. Tom Jobim nunca pagou um único imposto aqui no Brasil, pois o dinheiro não chegava, retido na compensação do Banco do Brasil. Foi aos EEUU e montou a Corcovado Music e, nós brasileiros, começamos a comprar discos importado do Jobim. Carlinhos Lyra, no México, João Gilberto, Sérgio Mendes, etc.. São centenas de bons compositores que se estabeleceram em New York, para contribuir com este fluxo perverso que suga dinheiro do Brasil, graças a nossa própria música.
Solução? Compra o CD, paga o imposto na loja, e deixa ao povo á vontade, o cara bom vai vender mais discos e shows. As TVs e rádios? Que façam o que qualquer um teria que fazer, toquem o que é bom, musicalmente, não porque existe interesse (Jabá?) em direcionar o direito autoral para sim mesmos, mas apenas porque é bom. Fechem os olhos e imaginem o nível musical que veríamos nas tardes de TV, nas novelas, na rua, etc.
Whatever e autonomo, não há tristeza no meio musical. É uma das carreiras mais bonitas que há. De outro lado, há uma crise no mercado musical. Com o fim das vendas de milhares de cds, com a pulverização das oportunidades e o surgimento de um sem número de novos artistas na internet e sem o correspondente crescimento do público, uma carreira musical, hoje, é muito difícil financeiramente. Já que vocês não entenderam direito o teor do que escrevi, vou explicar: o direito do autor é positivo. Fico feliz em saber que autores como Chico Buarque ou Caetano Veloso ganhem seus direitos. Tenho orgulho de ter em meu país caras como Milton Nascimento. Só que, na prática, o músico que não é famoso, como eu expliquei, não se beneficia em nada, muito ao contrário, é cobrado em suas apresentações e gravações por um orgão arbitrário (ECAD), nem sempre de uma maneira justa. Muitas vezes, como expliquei, as editoras cobram fortunas pela inclusão de uma música num cd. Eu vivo isso: impede-se economicamente o acesso da música brasileira aos músicos brasileiros, é uma realidade. (Cometi um erro ao citar o Noel Rosa que recentemente passou ao domínio público). Você liga pra editora e o cara diz: se quiser gravar é tanto ou tire a música de seu cd. Não é assim nos EUA, um país que ninguém pode acusar de desproteger autores. Então acho que a lei é ruim, permite abusos e a arrecadação é ruim. Esse é o depoimento de alguém que vive a coisa no dia a dia. E não me considero um coitadinho, eu vivo dos shows que faço, dou aulas, e fiquei muito preocupado quando ouvi uma moça nomeada pela ministra declarar que ECAD não necessita de fiscalização. Fico preocupado quando vejo pessoas dizendo que a solução para o mercado musical como um todo passa por uma lei de propriedade intelectual mais radical. Volta a repetir: a maioria dos músicos nunca vai se beneficiar do dinheiro arrecadado pelo ECAD
Aliás, Whatever e anonimo, para que vocês percebam que há música boa e que não é necessariamente famosa, passem na Sala São Paulo, dia 04 de maio e confiram meu trabalho. Abraços.
Mas nós estamos dizendo a mesma coisa, então.
Se o ECAD é uma piada, e é, a luta é pelo fim deste ou uma completa reformulação no modo como opera.
O que me irrita profundamente são os "idiotas da conectividade" misturando uma coisa, direito autoral de autor como princípio, com outra coisa, ECAD porcaria. Coisa que, graças a deus, vc não faz.
Mais irritante ainda é esse bando de papagaio que fica enchendo o saco por causa de CCs e que tais mas não tem nem conhecimento do universo artístico porque nunca trabalhou de verdade com isso, nem oferece qualquer solução para os impasses do viver artístico em terra brasilis.
Ficam só com essa ladainha de "liberdade", uma abstração iludida e infantil que não vai nos levar a lugar nenhum.
Qualquer artista desconhecido tem uma parede monstruosa à sua frente que o impede de divulgar de verdade a sua obra e os revolucionários de computador que não tiram a bunda da cadeira ficam achando que uma mera ferramenta, totalmente dominada pelo grande Capital – que aliás a criou para resolver mais uma de suas contradições – é panacéia para o massacre estético contemporâneo.
Vc, graças a deus novamente, parece ter superado um pouco a parede e se apresenta em uma Sala São Paulo.
Agora, por favor, dia para os "idiotas da conectividade" que não foi por causa de internet que vc conseguiu isso.
A minha bronca é só essa.
Whatever
A música livre na internet deve ser opção de cada um, independente dos exemplos que você cita como um mal comandado por grandes grupos. O que está em questão não é se eu acho que a internet é uma maneira formidável e possível ou não de divulgar uma obra de um autor. Eu particularmente acho recolucionária a relação música, autor e sociedade que a internet proporciona. E tenho razões pessoais para isso. Por isso acho fundamental que discutamos a liberdade de escolha do autor.
A grande dificuldade não é lidar com o Ecad, como já disse, mas o impossível é aceitar o monopólio do mesmo, mais que isso, a sua intromissão na escolha individual do autor sobre o destino que ele quer dar à sua obra. É este ponto que precisa ser esclarecido e salientado.
Os valores de uma democracia e, consequentemente a proteção do direito do autor estão nesta questão.
A absoluta liberdade de escolha, sobretudo do representante legal escolhido pelo próprio autor e seguido de uma relação contratual é a forma legal de proteger os direitos do autor estará garantida. Isso feito, cada um escolhe o caminho que lhe convier, a partir de então ninguém mais terá do que reclamar.
O grande problema é que se o desejo da esmagadora maioria dos músicos prevalecer, ou seja, cada um escolher o seu representante nas questões do direito autoral, não só o Ecad acaba, como terá uma redução nos ganhos de mais de 70% dos artistas beneficiados por esse bolão. Defendo com unhas e dentes que Caetano não aceite que alguém coloque as mãos em um centavo do que é dele, mas também defendo que o Caetano, através do monopólio do Ecad, não coloque as mãos em um centavo do que não é dele. Ou seja, defendo para o Caetano o mesmo direito que defendo pra mim. E para tanto temos somente que tirar o monopólio do Ecad. Cada artista escolhendo o seu caminho.
O que não dá mais para aguentar é ouvir que o Ecad é um mal necessário. Se é um mal necessário para os grandes arrecadadores, ele é um mal desnecessário para a imensa maioria dos músicos brasileiros.
Falou e disse Torres: direitos autorais é só pras gravadoras, estúdios e editoras. E poucos, muito poucos artistas: e são os melhores artistas? Xuxa, dupas breganejas, axé, cristo-music... Eu não acho q são os melhores - tem mto artista bão do underground que não vende nada nada nada, n toca na rádio, não passa na rede bobo, mas isto é questão de gosto, cada um tem o seu...
Solução? O netpovo já deu, pirataria, PIRATARIA, todo mundo faz, todo mundo quer mais, quem nunca curtiu uma música-filme-soft pirateado que atire a primeira pedra. É tão fácil, ágil clonar bytes, é da natureza do byte, o gozo do byte é quando ele é clonado, ao infinito: uma chave de proteção para um conteúdo em bytes é como um cinto de castidade, é reprimir o desejo dos bytes...
Aliás, vcs aí q defendem copyright não deviam nem ouvir-ver os triviais deste blog. Eu aposto q mais da metade dos clipes postados aqui e q o Nassif publica (Nassif, seu bandido, roubando bytes protegidos!!!) fere a santa pureza direitos autorais. Todo mundo, todo mundo mesmo quebra o copyright. E não estão nem aí, nem aí...
Aliás, puritanos do copyright, vcs tem q fazer q nem os evangélicos q não veem TV - eles, afinal de contas são coerentes. Vcs nem deviam acessar a internet, a internet é pecaminosa irmão, cheia bytes roubados, é terra de ladrão, não entra aqui não q vc se sujará do pecado da pirataria, vcs perderão a virgindade do conteúdo não clonado, cuidado com isto aqui, sai de reto, sai de reto!
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Fazer gracinha não é solução.
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Ah, como os músicos ganham então? Com shows, com os SEUS shows, nada de ficar cobrando de músicos pequenos no varejo. Aliás este músicos fazem é propaganda dos grandes, sempre relembrando suas músicas pra audiência: qdo o grande músico chega na cidade vai uma multidão no show - a propaganda já foi feita pelos batalhoderes de bar...
E nada, nada de cobrar na internet, a não ser, claro, que alguém esteja ganhando dinheiro com a música do autor -aí já é outra história. P ex. se tem uma música no 4shared q todo mundo baixa, vá cobrar do site sobre o ganho publicitário e não de quem postou ou baixou a música: isto é q deveria ser regulamentado.
Se ao clonar ninguem ganhar nada, não se deve cobrar: é direito de informação, de acesso à cultura: todo mundo deve ter direito de acesso gratuito aos conteúdos de todo lugar e todos os tempos - a internet possibilita isto, sem qse nenhum custo, pq n realizar esta potência democrática da rede?
Cultura pra todo mundo!
Pela pirataria na internet!
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