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Os monstros brasileirosEnviado por luisnassif, qui, 02/02/2012 - 10:00Da Revista de História Em sua versão mais conhecida, o Bicho da Carneira, ou Joaquim Antunes de Oliveira, surge como um cachorro grande no fim da tarde ou à noite Luís Carlos Mendes Santiago Um personagem histórico pode se tornar um mito. Mas uma pessoa de carne e osso pode virar assombração? Foi o que aconteceu com o mineiro Joaquim Antunes de Oliveira. Após sua morte, ele foi transformado pela imaginação popular no temível Bicho da Carneira. Se há um monstro que aterroriza as crianças do Vale do Jequitinhonha e de boa parte das regiões vizinhas, em Minas e na Bahia, é o Bicho da Carneira, também chamado de Bicho da Fortaleza, Bicho de Pedra Azul, Bicho da Rodagem e Lanudo. Esse monstro da mitologia popular assume diferentes formas. A mais frequente é a de um cachorro preto e grande que aparece ao entardecer ou depois que a noite cai. Também é descrito como a figura de um lobisomem ou animal peludo desconhecido na nossa fauna – o Lanudo –, ou um homem sedutor, ou um personagem misterioso que traja capa escura e aparece nas noites sem lua, ou ainda como uma pessoa comum. O comportamento também varia: o que usa capa realiza operações mágicas e seduz mocinhas; o homem comum é reconhecido pelo apetite fabuloso e pela menção aos familiares; e o animal consome uma quantidade anormal de alimentos, abate bezerros, ataca cachorros, mata e deixa feridos, muitos de uma vez só. E as mães ameaçam as criancinhas com aparições desse monstro se não dormirem cedo. Esse monstro foi um dia Joaquim Antunes de Oliveira, nascido em 1799, no norte de Minas Gerais, entre os rios São Francisco e Jequitinhonha. Teve três esposas, Francelina, Bernardina e Manoela, que lhe deram 15 filhos. Viveu na região de São José do Gorutuba, próximo à Janaúba de hoje, área então pertencente ao município de Grão Mogol. Dali se mudou, na década de 1860, para a nascente povoação de Catingas, e depois para Fortaleza, hoje Pedra Azul, onde faleceu no final do século XIX. O genealogista que registra o ano do seu nascimento, Valdivino Pereira Ferreira, também anota o ano em que morreu, 1876, mas sua assinatura ainda aparece em livros cartoriais da cidade de Jequitinhonha na década de 1880.(...)
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Comentários + votados
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francisco pereira neto
02/02/2012 - 10:30
Juro que eu achei que iria se tratar de outros monstros.
Vale do Jequetinhonha, monstro Lanudo.
Vale do Paraíba, monstro Alckmin.
Direto das arábias, monstro Nahas.
O nosso folclore é riquíssimo.
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João Maria Fernandes de Sousa
02/02/2012 - 12:54
Do Mouro sempre deglutimos sempre uma boa dose de bom-humor diário, ótimo para o fígado e para os verdadeiros momentos de embate... essa de monstros, hilário.
No RN temos alguns: mula-sem-cabeça,...
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Marcos Vinicius Viana
02/02/2012 - 13:18
Eu nasci na região do Jequitinhonha - mais especificamente na cidade de Jequitinhonha - e vivi lá até os dezoito anos. Estou há quatro anos morando em BH. Uma coisa eu posso dizer: essa...
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Agnaldo Nunes
02/02/2012 - 14:10
Na região norte do Estado de Goiás, onde morei durante a minha infância, o terror das crianças era o pai do mato (uma espécie de neguinho baixinho e cabeludo) e o nego d'agua que apareciam nos rios e...
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Juro que eu achei que iria se tratar de outros monstros.
Vale do Jequetinhonha, monstro Lanudo.
Vale do Paraíba, monstro Alckmin.
Direto das arábias, monstro Nahas.
O nosso folclore é riquíssimo.
No Pernambuco, em Recife, um monstro popular - ou parte dele - é a (o) Perna Cabeluda.
Luís Santiago, muito bom texto! Como sempre!
O seu na Revista Mucury 8 foi muito bom! Teremos outro para a Mucury 9?
Grande abraço.
bruno bento
Bruno Dias Bento (quinta-feira, 02/02/2012 às 12:26),
O Olindondê é um dos gênios que o município de Pedra Azul vira e mexe cede para o mundo. Como ele há outros gênios como Paulinho Pedra Azul, Saulo Laranjeiras, o irmão de Paulinho Pedra Azul, Dijon Morais, reitor da UEMG, gênio no design industrial com prêmios ao redor do mundo, o Robério Silva, diretor-executivo da Organização Internacional do Café e outros tantos e falando só do presente para não precisar fazer lista imensa a começar por Clemente Faria, fundador do Banco da Lavoura, o maior banco brasileiro na década de 50.
Atualmente Luis Carlos está na USP fazendo mestrado em história e assim os trabalhos dele têm divulgação à altura. É um grande pesquisador, com vários livros já publicados. Aqui ele exagera na pesquisa, no bom sentido, é claro:
"O genealogista que registra o ano do seu nascimento, Valdivino Pereira Ferreira, também anota o ano em que morreu, 1876, mas sua assinatura ainda aparece em livros cartoriais da cidade de Jequitinhonha na década de 1880".
Vai pesquisar assim em outros cantos! Será que os cartórios tinham existência física? Ou será que eram o bicho? Ele é parente do bicho, o que talvez explique ele conseguir encontrar a assinatura do Joaquim Antunes de Oliveira.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 02/02/2012
Aqui no Mucuri também há muitos que dormiram cedo por causa do Bicho de Pedra Azul e da Carneira...
bruno bento
No Pará, o boto, que engravida mulheres nas noites enluaradas. E também lá, a cobra grande.
Em Itambacuri, as visagens, a pisadeira.
Do Mouro sempre deglutimos sempre uma boa dose de bom-humor diário, ótimo para o fígado e para os verdadeiros momentos de embate... essa de monstros, hilário.
No RN temos alguns: mula-sem-cabeça, papa-figo, o vaqueiro-sem-cabeça, curviana (que minha mãe usava, quando eu era criança, lembro bem, pra me convencer a dormir coberto já que essa era uma "monstra" que atanazava o sono de crianças desobidientes).
Luiz Da Câmara Cascudo adorava essa parte do nosso folclore, foi a fundo nas suas interpretações.
Mas os piores das pradarias potiguares são exemplares como josés agripinus maius.
Em Genipabu lá em cima da duna tinha a "véia do cajueiro"!
Eu nasci na região do Jequitinhonha - mais especificamente na cidade de Jequitinhonha - e vivi lá até os dezoito anos. Estou há quatro anos morando em BH. Uma coisa eu posso dizer: essa mitologia é de uma importância fundamental pra criação disso que a gente pode chamar de uma identidade local de povo (pelo menos lá). A região do Jequitinhonha tem uma tradição oral fortíssima (aliás acredito que esta seja uma das característica mais importantes dos "interiores" do Brasil), sem falar no artesanato, as festas... Me lembro que foi a minha avó que me contou a história do Bicho da Fortaleza pela primeira vez. Ela me contava num tom sério e não me poupava de nenhum detalhe, por mais macabro que fosse. Não sei se isso era adequado pra uma criança - algum pedagogo diplomado talvez possa responder -, mas hoje eu vejo o quanto foi importante pra mim saber que pertencia a um grupo onde havia uma coesão, um sentimento de solidariedade forte, um interesse de saber se a vida do outro ia bem. Mesmo longe, sinto que tenho uma referência, uma raiz, e isso me ajuda a ser um adulto mais ou memos equilibrado, eu acho.
Não sou antropólogo, nem sociológo, mas me arrisco a dizer que esse imaginário comum, em que os mitos circulam, parece que está perdendo lugar para a publicidade, por ideais de consumo. Pelo menos aqui em BH, nos ambientes que tenho frenquentado, o pessoal só sabe falar da viagem à Espanha nas férias, de quantos gigas tem o novo computador da Apple... Outro dia meu primo de dez anos estava tentando convencer minha tia que ele precisava de um celular (que deve custar uns mil reais) como se aquilo fosse um direito básico de todas as crianças.
Na região norte do Estado de Goiás, onde morei durante a minha infância, o terror das crianças era o pai do mato (uma espécie de neguinho baixinho e cabeludo) e o nego d'agua que apareciam nos rios e afundavam as canoas.
Agnaldo
Sou bisneta dele. É verdade.
Estou com medo de ocê !!! rsrsrsrs
CAMPANHA 10% DO PRÉ-SAL PARA REAPARELHAR NOSSAS FORÇAS ARMADAS, VIVA O BRASIL!!!
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