Os livros de concursos públicos

Por Ignácio Loyolla

DA CARTA POTIGUAR

HOMO CONCURSEIRUS

Faria uma boa análise sociológica quem se debruçasse sobre os livros de auto ajuda que educam para passar em concursos públicos. Carregados de pregação moral e frases de ordem, este tipo de literatura não tem a pretensão, apenas, de ensinar como os concursandos devem estudar. Há todo um modo de vida que é (im) exposto.

A tônica é sempre a da disciplina e da memorização. Os alunos são incentivados a refazerem suas práticas em favor de uma rotina completamente voltada para a apreensão daquilo que é necessário para ser aprovado em uma seleção para ocupar um cargo no Estado. Porém, a reflexão, quase que via de regra, é deixada de lado. "Só estude o que interessa", diz o autor de um livro da área. A ideia de formação se resume, neste sentido, a um programa de um edital. Como me disse certa vez um amigo: "para ser juiz não preciso saber aonde fica o Chile".

A capacidade de estabelecer uma relação crítica com o assunto é quase que completamente apagada. O código da lei do servidor, sempre presente no conteúdo das seleções, é lido sem a menor pretensão de questionar qual o tipo de relação trabalhista que ele expressa. Reter as informações "relevantes", com todo o viés do que implica algo relevante neste contexto, é o que importa.

Passar em um concurso público significa, praticamente, ir para o céu. "Nunca desista" é o conselho dado por todos os autores da área, como se a pessoa, ao direcionar sua vida para os concursos, entrasse em um processo de peregrinação religiosa. Aprovação implica superioridade moral. Expressão da perseverança. Mudar o foco profissional demonstra fraqueza da alma, uma incapacidade de atravessar o purgatório. Uma pessoa de pouca fé.

Além de movimentar um mercado que duplica de tamanho a cada ano, a literatura de auto-ajuda para concurso gera um indivíduo incapaz de criticar. Só as conexões das questões dos exames importam. As chamadas pegadinhas são os perigos para a "alma pura". A ideia é criar um indivíduo burocrático preso a uma lógica que é ditada pelas organizadoras de concursos públicos – nada de namoros empolgantes, de amizades profundas e do ócio produtivo. Como um evangélico recém-convertido, tudo que não diz respeito aos concursos pode tirar o concursando do justo caminho e levá-lo ao inferno que a não aprovação representa.

O conhecimento sem substância só privilegia às bordas, indivíduos atomizados carregados pelo desejo de atingir altos salários e cômodas jornadas de trabalho. Não a toa os livros de auto ajuda da área pintam o paraíso como o indivíduo saindo cedo do trabalho, carregado de símbolos da bonança financeira (geralmente um bom carro) e indo para a praia surfar diante de um belo sol de início de tarde.

É este modelo de homem que irá mudar a sociedade? Movimentar as atividades de estado? Servir ao público? O sonho de ingressar em uma carreira de estado, pelo modo como é alimentado pela indústria cultural concurseira, destrói as possibilidades de construir uma sociedade diferente. É o projeto político de um homem egoísta, que não entende (e não quer compreender) o papel que irá desempenhar na sociedade. Desafio para ele? Só o de se superar e passar numa seleção ainda mais difícil.

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47 comentários
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Ivan Moraes

Eh isso.

Vai memorizar merdas ditadas por consursos pra ver onde voces vao parar...

 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 
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Lucinei

... E se acham a inteligência nacional porque fizeram um concurso...

Já ouvi um recém aprovado em concurso para Juiz falar "Quent" e "Égel"... Sim, ele estava se referindo a Kant e Hegel...

Tudo bem, não precisa ter lido as obras completas desses importantíssimos autores, mas, não ter sequer ouvido falar, é demais.

E acham que merecem ganhar vinte ou trinta vezes mais - do mesmo cofre - que outros servidores públicos...

 
 
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edusanar

Excelente artigo!!!

 
 
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vinicius cezar dias

O sonho de passar em um concurso publico se baseia simplesmente no fato de se ter uma carreira onde se tem uma boa remuneração, um emprego estavel. das mais de 350.000 vagas abertas durante o governo Lula, somente 140.000 foram efetivamente preenchidas. existem pessoas que passam em varios concursos, e vão pulandoi de instituição em instituição. A carreira publica, servir ao publico não é visto como um objetivo nobre, o objetivo é o que se vende para todas as carreiras.,.um ótimo salário, emprego para o resto da vida e ascenção social

 
 
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jefsilva

Os salários iniciais são atrativos, bem como os desafios profissionais. Porém, não dá para pensar apenas na questão do salário. Ha que se pensa tambem no bem comum

 
 
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alirio

Alguém tem alguma sugestão melhor que o concurso público para preencher vagas dos Cargos Públicos?

Talvez fosse melhor a Nomeação, ao alvitre do chefe, ao Cargo de 'Confiança'?

No meu caso, estudei muito. Sempre estudei em Escolas Públicas, desde o primário, até a conclusão do 3º grau numa Universidade Pública. Participei de vários concursos, sem precisar dessas literaturas de 'auto ajuda' ou de quaisquer outras. Quem quer participar de um Concurso vai direto ao ponto: Lê o Edital, o Programa, as matérias fundamentais, etc.

Ficar dependendo de literatura de auto ajuda, pensando que vai ser aprovado por isso, e tendo como objetivo aqueles ideais mencionados no texto, é sinal de fracasso.

Seria bom que o comentarista soubesse que a maioria dos Servidores não seguem tal moral 'concurseira' e que honram o Cargo que ocupam, sem as mencionadas preocupações egoístas.

 
 
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Ritinha

Já foi provado que passar em concurso público é mais difícil do que passar no vestibular. Então quem passa se sente uma espécie de super-herói. Mas quando fica diante da realidade do serviço público se encolhe, principalmente se o cargo não tem o perfil do "vitorioso", o que é bastante comum acontecer.

O interessante desta história é como o servidor público é malvisto pelo público em geral. Criticam muito a tal estabilidade, mas quando tem um concurso, mesmo que com salário nem lá muito bom, a moçada toda quer ser funcionário público, já que têm certeza  que não vão trabalhar e ainda serão estáveis.  Tem gente que já entra com esta mentira na cabeça  e quer torná-la realidade.

 

 

Alirio

Eu trabalho no serviço público é concordo plenamente com o que diz o artigo. É claro que não vou generalizar, pois isso seria burrice, mas muitos que passam nestes concursos são  egoistas sim, só pensam estritamente na  carreira e pouco no que pode contribuir no processo de  trabalho. 

Penso que estudar e estudar muito para passar no concurso, não deve ser um fim em si mesmo, mas uma forma de propagar o saber por onde for atuar. Para começar... quando falamos que estudamos muito para chegar lá, o certo seria  dizer que nos preparamos muito para ocupar o cargo. 

 
 
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Digo Letras

Crítica pertinente. Todavia, o autor esqueceu de citar que o modelo atual de concursos públicos, em sua grande maioria, privilegia justamente esse tipo de candidato, a tônica é memorização e 'decoração' (em que pese a acepção moderna da palavra tê-la desvinculado, na prática, de sua significação etimológica).

Algumas organizadoras têm provas mais elaboradas, voltadas para a lógica, argumentação, etc. Neste último caso, o problema é ainda mais delicado: devido a enorme quantidade de candidatos, parece que se convencionou inviável qualquer tentativa de basear uma prova na capacidade argumentativa. O processo de múltipla escolha, por outro lado, embora ofereça alternativas: elaboração de boas perguntas, por ex.; acaba condicionando a forma das respostas: contribui assim, de algima forma, para o empobrecimento da capacidade criativa do interlocutor, mesmo que seja parafrástica.

Do ponto de vista de Bakhtin, o célebre linguista e filósofo russo, pode se dizer esse gênero discursivo, a prova de concurso público, se tornou tão engessado que as possibilidades de interferência da individualidade praticamente desapareceram.

Nesse caso, a questão se torna irônica, já que o culto da individualidade exige justamente a  despersonalização do sujeito que tem de lidar com enunciados praticamente monologais.

 
 
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jura

Exatamente. E, para piorar, a seleção de candidatos também virou um bom negócio, cuja lucratividade se baseia em "provas de prateleira", perfeitamente adequadas a esse tipo de candidato, de apostila e de cursinho...

Some-se a isso a precariedade da educação básica e superior e... está feito o estrago!

 
 
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Augusto

Não vejo nenhum problema nisso. Não espero que as mudanças ocorram pelo Judiciário. Aliás, não quero mudança alguma, a não ser se for para voltarmos aos tempos da Gloriosa Revolução de 64. Fora daí, não quero! Tudo está muito bem assim. Então para que um juiz precisa saber onde fica o Chile? Por acaso ele vai julgar o Chile ou algum chileno? Além disso, a ignorânica hoje em dia é a regra e chega até a ser cultuada nos meios de comunicação. Veja o exemplo do BBB. Em suma, o que importa mesmo no mundo contemporâneo é o conhecimento técnico, é a especialização, não a cultura geral. Para isso, existe o Google.  

 

Sou pelo voto distrital puro e pelo fim do voto obrigatório! Aposte nesta idéia você também! O Brasil merece! Endireita, Brasil!

 
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alessandroduarte

jenio

 

Alessandro B. Duarte (Usa GNU/Linux) www.alessandroduarte.com.br

 
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Daniel Campos

Prezado... Você é na verdade um avatar do professor Hariprado? Que custo a acreditar que você seja uma pessoa real.

 
 
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Fernando Cruz

Quanta besteira...

Falando em concurso, olha que beleza:

A Secult-BA (Secretaria de Cultura do Estado da Bahia) cancelou o edital para contratação de nove representantes territoriais de cultura na tarde desta quinta (23). A seleção gerou polêmica porque a comprovação de anos de “experiência sindical e partidária” poderia acrescentar até dez pontos aos candidatos. A crítica de especialistas em concursos públicos sugere que esse item poderia favorecer militantes do PT (Partido dos Trabalhadores), que governa o Estado.

Procurada pelo UOL, a Secretaria disse apenas que o edital foi cancelado, que os itens previstos serão revistos e que não há prazo para publicação de um novo documento. Apesar de questionado, o órgão não comentou sobre os motivos que levaram à inclusão dos itens na seleção, nem informou de que forma a experiência sindical ou partidária ajudaria no exercício de um cargo na área cultural.

Tempo no sindicato valeria mais que faculdade
As inscrições deveriam ser iniciadas hoje para o certame. Os técnicos permaneceriam na função até dezembro, com salário mensal de R$ 1.980. O edital que gerou confusão foi publicado no início do mês e previa que um candidato ganhasse até 10 pontos pela atuação em sindicatos, partidos e organizações da sociedade civil. Para conseguir a pontuação, seria preciso provar que atuou por quatro anos - são 2,5 pontos por ano.

Pelos critérios do edital, o ano de atuação sindical ou política valeria mais que as atividades artísticas (atividade-fim da função), que prevê apenas dois pontos a cada 12 meses de participação. De acordo com o edital, uma pessoa que tenha feito graduação na área teria sete pontos na análise de currículo - três a menos que a atuação em sindicatos ou partidos. Já uma pós-graduação na área vale os mesmos dez pontos da atuação política. Já outras pós-graduações valeriam apenas sete pontos. 

http://noticias.uol.com.br/empregos/ultimas-noticias/2012/02/23/apos-criticas-bahia-cancela-edital-que-daria-pontos-extra-para-militantes-partidarios-e-sindicais.jhtm 


XXXXXX

Tudo culpa da midia golpista, da imprensa burguesa. 

 
 
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Almir Wagner

Concursos baseados em provas escritas nem sempre selecionam os melhores. Esta análise vale tanto para concursos públicos como para vestibulares. Por outro lado, são democráticos. Este é o X da questão. Querer mexer no modelo atual pode ser um tiro saído pela culatra. Deixa quieto.

 
 
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Adriano Cabreira

Do ponto de vista prático, o concurso público realmente é o nirvana, pois não vivemos numa sociedade humanista voltada à virtude e ao conhecimento, mas ao ganho. Tem sido assim desde que me conheço por gente, e só fui criticado por meus pares quando sugeri que a satisfação pessoal era mais importante que o alto salário. E tem sido essa pregação dos pais para os filhos, que busquem a estabilidade financeira, a satisfação pessoal virá com as finanças, é a mentalidade vigente. Lamentavelmente, por mais desumanizante que seja o conselho, ele ecoa sua razão dentro de uma sociedade, de acordo, desumanizada.

 
 
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Humberto Cavalcanti

Num concurso pra... UFPE (assistente administrativo) recentemente uma questão perguntava qual é o dia do funcionário público !! Em múltipla escolha, claro.

 

_____"Onde está o conhecimento que perdi na informação , e onde está a sabedoria que perdi no conhecimento?" . . . - T.S. Elliot , segundo um post lido num outro blog. ____________

 
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JB Costa

A crítica do artigo, bastante pertinente, poderia se estendida para os cursinhos que preparam para os vestibulares. 

 
 
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wannabe

Ótimo artigo. Eu, como concurseiro, posso afirmar que a rotina é quase de um monge. Contudo, o exposto no artigo apenas reflete uma parte da literatura de auto-ajuda, posto que existe uma corrente de professores e concurseiros que recomendam fortemente a análise crítica das leis. Por dois motivos: 1) ao saber e criticar os problemas do Estado, contribui-se para uma melhor visão da cidadania e das formas de exercê-la; 2) ajuda na memorização, visto que as bancas, nos últimos tempos, têm fugido da "decoreba" e dado problemas reais nas questões.

Outro ponto não levantado no artigo foi o pós-concurso: quando o concurseiro vira servidor, ele se depara com uma série de problemas e peculiaridades do serviço público que, inevitavemente, o fará refletir sobre a realidade do serviço público. Ou seja, mesmo que ele esteja completamente alienado por causa dos estudos, a realidade das repartições abrirá seus olhos. 

Em suma, a era da "decoreba" nos concursos está chegando ao seu fim. De uma forma ou de outra, o concurseiro acabará adotando uma postura menos teórica e mais prática (e crítica) acerca dos assuntos concernentes ao Estado. E isso é interessante tanto aos concurseiros (pelo menos os mais bem preparados), que acabam enfrentando menos "pegadinhas", quanto aos órgãos públicos, visto que terão em seu quadro servidores mais críticos e capazes de melhorar a prestação de serviços públicos.

 

O fantasioso não é uma alternativa ao racional, pois baseia-se no delírio de uns e na ingenuidade de muitos.

 
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Augusto

E vocês queriam que perguntasse o quê? Quem foi Beethoven??? Sócrates??? Machado de Assis??? Ou talvez qual o melhor vinho francês atual??? Ou qual o principal nome do Chorinho??? Nonsense...

 

Sou pelo voto distrital puro e pelo fim do voto obrigatório! Aposte nesta idéia você também! O Brasil merece! Endireita, Brasil!

 
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urbano

Tão interessante quanto estudar os conteúdos desses livros seria estudar essa febre de concursos. Por todo lado se ve jovens de todas as idades e origens fazendo concursos e mais concursos publicos . Outro dia perguntei a um jovem formado em biologia se os concursos que ele fazia eram na área que tinha estudado e ele ficou supreso com a pergunta e respondeu que não. ele fazia qualquer tipo de concurso desde que fosse emprego publico.

E ainda dizem que se paga mal aos funcionarios....

 
 
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Eneuton Carvalho

 O artigo tangencia um grande problema no serviço público atual. A existência do concurso público é condição necessária, porém,  não suficiente para o bom desempenho da função pública. Se a Constituição de 1988 reforçou o sentido de meritocracia, as formas de avaliação dos candidatos deixam a desejar, no que diz respeito a recrutar os mais aptos para o desempenho eficaz de um cargo público. Os candidatos tornam-se "concurseiros", dominam todas as pegadinhas e macetes das principais bancas de concurso, e, muitas vezes se prestam a desempenhar funções para as quais não têm menor pendor profissional, guiados que são por prestígio, status, e lógico, pela boa remuneração que certos cargos propiciam. Na carreira, passado o período do estágio probatório, tornam-se peso morto, escudados pelo corporativismo organizacional. Enfim, mesmo defensor do concurso público é necessário reconhecer que o mesmo, pela forma como vem sendo aplicado, até certo ponto desvirtua o conteúdo da meritocracia e esta, na prática, só "funciona" na porta da entrada do serviço público. No cotidiano organizacional, a existência de resquícios da cultura patrimonialista: o servidor se achar "dono do cargo" porque "batalhou" por ele, muitas vezes dá a tônica do seu desempenho. É evidente que não se pode generalizar o problema, mas que ele existe, existe.

 
 
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Augusto

Amigo, todos se movem pelo dinheiro. Este é o mundo em que vivemos. Quando estudantes entram numa faculdade de jornalismo por exemplo, a única coisa que os movem a isso é ambição de trabalhar na Rede Globo e ganhar muito dinheiro, fama, prestígio e ter muita mulher. Isto é assim em todas as profissões. Engenheiro, médico, advogado, dentista, todas, sem exceção! Todos querem dinheiro e fama. Não existe essa história de exercer uma profissão com algum propósito maior. Eu pelo menos não conheço ninguém que pense assim. Então por que no serviço público seria diferente??? Ora, o servidor público não é um extraterrestre, ele vem da sociedade, a mesma que forma médicos, dentistas, engenheiros, jornalistas, etc.

 

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Luiz Augusto Rocha

Embora você seja dos trolls mais rastaqueras que apareceram por aqui, vou me dignar a dizer para você que me formei em jornalismo e em momento algum me passou pela cabeça querer trabalhar na Rede Globo ou ganhar rios de dinheiro.

Você simplesmente atrapalha qualquer discussão. Não tem argumento algum, não tem sentido nada do que fala, não tem embasamento para além dos seus achismos. Espero que um dia você caia na real e pare de atrapalhar as discussões, ainda mais com frases de efeito porcamente construidas.

Cresca, vá viver a vida e pare de ser esse boçal, sem conteúdo e com necessidade extrema de desviar o foco da discussão para se aparecer, além de arrotar asneiras e generalidades. Quer criar axiomas? Fale de você. Ridículo, ridículo, ridículo. E o que é pior ainda tem um nome em comum comigo, vergonha total!!!

 

Luiz Augusto A. S. Rocha, 26 anos, jornalista (e servidor público), Ji-Paraná-RO

 
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Augusto

 

Não sei por que você está tão alterado. Se meus comentários atrapalhassem tanto as discussões, você não lhes daria importância alguma. Se deu, é por que fui direto ao ponto e isto o incomodou. O fato, porém, é que meu comentário é a mais pura realidade, que vale tanto para o setor público quanto para o privado. Se não quis ganhar dinheiro com a sua profissão, então você é apenas um ponto fora da curva e de forma alguma reflete a realidade. Ao contrário de você, eu quero ganhar dinheiro com minha profissão, porque dependo disso para viver, seja para o plano de saúde, para o almoço, para minhas roupas, para meu carro, meu sapato, meus livros, enfim, para todas as minhas necessidades. Eu particularmente, assim como a maioria esmagadora da população, não tenho vocação para a pobreza.

No mais, você não é dono deste espaço. Se o proprietário do blog não me quiser mais por aqui, sairei sem problemas. Agora não é por causa de você que eu vou sair. Na verdade, você não tolera o fato de que existam outras pessoas que não pensam como você. É aveso à pluralidade e quer um mundo igual ao que vê no espelho. Este, no fundo, é o seu problema: dificuldade de conviver com quem não dá a mínima importância para os princípios e valores que construíram sua vidinha. Se não for isso, então talvez seja o fato de que eu não esteja à altura do seu nível intelectual para debater, neste caso, peço minhas sinceras escusas. Você confia que, em sendo verdes os mafagafos, as cobras hão de voar? Ridículo, ridículo, ridículo. Tenha um bom dia!

 

Sou pelo voto distrital puro e pelo fim do voto obrigatório! Aposte nesta idéia você também! O Brasil merece! Endireita, Brasil!

 
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Caio Souto

Mandou bem, Augusto. O outro que sai xingando e desqualificando, e vc que é o troll. É o grande mote dos esquerdistas em geral: "todos que não pensam como eu são intolerantes e do mal". Interessante que o artigo desse tópico, com poucas alterações, poderia descrever perfeitamente também as pessoas que resolvem se converter ao petismo. Está tudo ali.

 
 
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Luiz Augusto Rocha

Reitero tudo o que eu disse! Você não vai me desestabilizar. Em nenhum momento estive alterado, não quero que você pare de escrever, só torço para que você escreva com seriedade. Em nenhum momento escrevi que não almejo ganhar dinheiro algum, eu só rebati o que você disse sobre querer unicamente ganhar dinheiro. Se você não entendeu a razão das perguntas sobre mafagafos, o problema definitivamente não é meu.

 

Passe bem!

 

Luiz Augusto A. S. Rocha, 26 anos, jornalista (e servidor público), Ji-Paraná-RO

 
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Eneuton Carvalho

Caro Augusto, concordo com voce, nos dias de hoje o objetivo maior tende a ser o do ganho pecuniário. Este, inclusive, é o parâmetro para se medir a "qualidade" dos profissionais. Mas, vejamos a contradição que isso encerra. A função pública representa a lógica da ação coletiva  e a iniciativa privada, a da ação individual. Se a lógica privada domina a pública, fica-se na impossibilidade de se fazer justiça e equidade social (a velha função redistributiva do Estado). É o exemplo do médico que deixa o paciente morrer porque este não tem condições de pagar o tratamento, etc. É inerente à essa lógica o comportamento rent seeker dos agentes públicos, inclusive a corrupção. Não é a toa que esta praga cresce como nunca nos dias de hoje. O servidor público é tão melhor quanto mais encarne as funções de "homem de Estado". Para isto, ele deve ser movido por valores outros que não apenas o do interesse individual pecuniário. O agente público é tão melhor quanto mais ele se interesse pela sociedade. Um exemplo disso seria o do "bom político", aquele individuo movido pelo sentido de "missão pública". Isso está fora de moda? certamente. Mas se isso nos falta ficamos impossibilitados de construir uma sociedade menos injusta e desumana.


Ps. estamos dialogando aqui, "perdendo nosso tempo e dinheiro". Na lógica do "time is money", estamos sendo irracionais. Mas estamos tendo prazer, com a troca de ideias. Enfim, o mundo fica muito chato se nos movemos somente pelo $. Pense nisso

 
 
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Túlio

O mundo fica muito chato mesmo se pensarmos só no dinheiro. Eu como servidor, conheço bem a realidade do serviço público. Existem muitas pessoas com depressão nesse ambiente. Essas pessoas seguiram essa cartilha, tal como é falada no texto, pois fizeram uma perigrinação pra passar no concurso público, atingiram o objetivo, e vivem uma vida tediosa, egoísta. Atingiram, com isso, o estado da miséria de espírito. Mesmo sabendo da importância do seu trabalho para a sociedade, se tornaram burocratas que somente executam o que está obrigado por lei. Acompanham as horas o tempo todo, na ânsia de ir embora.

O serviço público necessita de pessoas que pensam criticamente o papel da Administração Pública. Infelizmente, não está bem servida. Talvez isso decorra do mal necessário que é a "estabilidade". Às vezes, esta transforma alguns servidores em lixo humano.

 
 
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Rafael Wuthrich

Excelente Artigo.

De minha parte, penso que a questão é muito mais complexa e grave do que aparenta.

Em primeiro lugar, cabe destacar que os concursos públicos geram uma indústria enorme, não restrita a apenas os livros de auto-ajuda. Há, em cada esquina, uma escola preparatória, um curso preparatório, intensivos, supletivos e cursos oferecidos pela própria instituição promovedora do concurso. E todos caríssimos. Pessoas chegam a dedicar 1/3, até metade de seu salário em investimentos que muitas vezes não retornam, ao passo que as empresas que vivem dessa indústria (e nela incluem-se professores, profissionais das áreas e até empresários que não conhecem nada do assunto) estão cada vez mais ricas.

Na outra ponta, vivem milhares de estudantes, trabalhadores, pessoas comuns e especialistas em concursos (os chamados concurseiros) que passam a dedicar 90% de seu tempo aos editais, cursos e leitura dirigida. São pessoas interessadas nos bons salários de nível médio e principalmente na estabilidade. O foco financeiro e na impossibilidade de ser demitido traz consigo um ranço de despreocupação com a função a ser exercida e com o comprometimento. Tais candidatos não se interessam pela função em si, mas tão somente pela comodidade que o futuro cargo poderá fornecer à vida que pretende.

Neste sentido, milhares de pessoas ingressam no serviço público totalmente despreparadas para as funções que eventualmente exercerão. Isto não somente pela falta de senso crítico, potencializada pela cultura da memorização, mas também pela total mecanização a que são submetidas. Além disso, possuem quase nenhuma vontade de exercer com afinco o cargo para o qual foram qualificadas, trabalhando com má vontade e nenhuma compreensão do real significado da expressão "serviço público". Pior: são reiteradamente estimulados a cultuarem o dinheiro e a vida privilegiada, como se outros serviços não fossem dignos. Me recordo até hoje de uma frase de famoso professor desses cursos, onde declarava abertamente o salário e o horário de trabalho, como se fosse algo imprescindível na vida dos candidatos, e não a função em si.

Mais alarmante é a forma com que recebem a famigerada condição de estáveis: cientes da proteção do desacato e da estabilidade, via de regra tratam o público com descaso, indiferença e até certa preguiça, certos da punição inexistente. É verdade que há corregedorias e punições administrativas, mas estas se atém muito mais à fuga do corporativismo ou mesmo à punição por não adesão a ele.

Outro problema grave que os concursos não resolvem é a forma de ingresso. Inúmeras são as funções onde o candidato consegue gabaritar uma prova mas não tem a mínima sensibilidade ou bom senso para exercer a atividade para a qual se qualificou. Exemplos existem aos montes, mas fico com uma hipótese muito bem criada por um ex-professor meu, juiz cível: que tipo de julgamento um juiz novo, de cerca de 26 anos, que sempre morou na Barra da Tijuca, nunca precisou trabalhar, nunca andou de ônibus, sequer saiu da Barra para a Zona norte, estudou um monte de livros sempre bancado pela família, fará de um caso de disputa de lote de barracos no interior de Belford Roxo que não dependa de documentos, mas do próprio bom senso? Isso se aplica a inúmeros casos.

A bem da verdade, o concurso público, da forma que é proposto hoje, assemelha-se a tipo de sociedade onde somente se aceitam aqueles que pensam, agem e se comportam como os demais servidores. Ou seja, é preciso memorizar, não estudar; é preciso recordar, não ter senso crítico; é preciso decorar respostas prontas, não apresentar seu ponto de vista.  O pior é que isso contamina profissões onde o senso crítico e o bom senso seriam até mais importantes que a própria memorização de teses ou legislações, como a área jurídica e a administrativa.

Por fim, é importante destacar que toda essa massa de candidatos e profissionais insistem em dizer que o funcionalismo público é a melhor profissão da terra. Será mesmo? Lidar com o público, permanecer com o salário congelado durante anos, ser desvalorizado com o tempo profissionalmente são apenas algumas das desvantagens que o serviço público oferece. Teto salarial é outra. Tenho uma amiga que dizia, com propriedade, que poreferia a iniciativa privada justamente por não ter limite de salário. E, por mais difíceis que os tempos estejam, é a mais pura verdade.

A conclusão a que se chega não é a de que o serviço público é algo ruim, ou que a inicitativa privada é uma maravilha. Muito pelo contrário. O que há que se deixar claro é que a estrutura governamental faz concursos dessa forma porque lhe é uma forma vantajosa de arrecadar, mas que não privilegia os mais adequados e aptos ao serviço. Privilegia, isso sim, os de maior memória ou os de mais foco cognitivo, não crítico.  Em suma, trata-se de uma indústria que move milhões, mas que não se preocupa com o maior ativo em jogo: o serviço público do qual depende a sociedade.

 

Rafael Wüthrich

 
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Augusto

Parecido como o meu dentista. O cara é de família rica aqui na cidade. Cobra um absurdo para tratar um dente. Não aceita parcelar o valor além de três vezes. E não atende pobre de jeito nenhum. O cara pode passar lá na clínica dele gemendo de dor que ele só atende se deixar o dinheiro antes com a secretária. Ou seja, não tem nenhum bom senso muito menos compromisso social. 

 

Sou pelo voto distrital puro e pelo fim do voto obrigatório! Aposte nesta idéia você também! O Brasil merece! Endireita, Brasil!

 

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