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Os heróis esquecidos de ChernobylEnviado por luisnassif, ter, 16/08/2011 - 09:21
Por Marco St.
Esse texto é tão magnífico, preciso e esclarecedor que vou postá-lo pela segunda vez aqui. Merece ser conhecido pelo maior número de pessoas. Uma história extraordinária que poucos conhecem. Os Três Super-Heróis Esquecidos de Chernobyl
Artigo original de La Pizarra de Yuri Podem-se salvar milhões de pessoas sacrificando a sua própria, sem que ninguém se lembre. É uma das histórias mais conhecidas do nosso tempo: no dia 26 de abril de 1986, o reator número 4 da central nuclear de Chernobyl explodiu durante um teste de segurança mal executado, depois de 24 horas de manipulações insensatas e mais de duzentas violações do Regulamento de Segurança Nuclear da União Soviética. Estas ações conduziram ao envenenamento por xenônio do núcleo, levando-o a uma acumulação neutrônica seguida por um aumento de energia que causou duas grandes explosões às 01h24 da madrugada. Sobre Chernobyl foram contadas muitas mentiras. E foram contadas por muitas pessoas, desde as autoridades soviéticas da época até a indústria nuclear ocidental, passando pelos propagandistas de todos os tipos e a coleção de conspiracionistas habituais. Há uma delas que me molesta de modo particular, e é a de que os liquidadores – quase um milhão de pessoas que se encarregaram do problema – eram uma horda de pobres ignorantes levados lá sem saberem a classe de monstro que tinham na frente. E molesta-me porque constitui um desprezo ao seu heroísmo. E também porque é radicalmente falso. Uma turba ignorante não serve para nada em um acidente tecnológico tão complexo. As equipes de liquidadores estavam compostas, principalmente, por bombeiros, cientistas e especialistas da indústria nuclear; tropas terrestres e aéreas prontas para a guerra atômica e engenheiros de minas, geólogos e mineradores de urânio, pela sua ampla experiência na manipulação dessas substâncias. É néscio supor que estas pessoas ignoravam os perigos de um reator nuclear destripado cujos conteúdos você vê brilhar na frente dos seus olhos num enorme buraco.
Os liquidadores sabiam o que tinham perante si, e apesar disso realizaram o seu trabalho com enorme valor e responsabilidade. Centenas, milhares deles, de maneira heróica: os bombeiros que se alternavam entre vômitos e diarréias radiológicas para subir ao míticotelhado de Chernobyl, onde havia mais de 40.000 Roentgens/hora, para apagar dali os incêndios (a radiação ambiental normal é de uns 20 microrroentgens/hora); os pilotos que detinham os seus helicópteros por cima do reator aberto e refulgente para esvaziar sobre ele areia e argila com chumbo e boro; os técnicos e soldados que corriam a toda velocidade pelas galerias devastadas comunicando aos gritos as leituras dos contadores Geiger e os cronômetros para romper paredes, restabelecer conexões e bloquear canalizações em períodos de quarenta ou sessenta segundos junto às turbinas (20.000 roentgens/hora); os mineradores e engenheiros que trabalhavam em túneis subterrâneos, inundando-se constantemente com água de sinistro brilho azul, para instalar os canos de um extrator de calor que roubasse algo de temperatura ao núcleo fundido e radiante, a escassos metros de distância; os milhares de trabalhadores e arquitetos que levantavam o sarcófago ao seu redor, retiravam do entorno os escombros furiosamente radioativos e evacuavam a população. Salvo os soldados submetidos a disciplina militar, ninguém era proibido de ir embora se não quisesse continuar ali; mas quase ninguém o fez. Ao contrário, muitos chegaram como voluntários de toda a URSS, especialmente muitos estudantes e pós-graduados das faculdades de física e engenharia nuclear. Esta foi a classe de homens e não poucas mulheres que alguns acreditam ou querem acreditar que foram uma ignorante e patética turba. Esses foram os liquidadores. Chamavam-lhes, e chamavam-se a si próprios, os bio-robôs, porque continuavam funcionando quando o aço cedia e as máquinas paravam. Não o fizeram pelo dinheiro, nem pela fama, que foi praticamente inexistente. O fizeram por responsabilidade, pela humanidade e porque alguém tinha que fazer o maldito trabalho. Hoje quero falar de três deles, que fizeram algo ainda mais extraordinário num lugar onde o heroísmo era coisa corrente. Por isso, só ocorre-me denominá-los: os três super-heróis de Chernobyl. O monstro da água que brilha azul O único que há de certo nessas suposições sobre a ignorância dos liquidadores é que, nas primeiras horas, não sabiam que o reator havia explodido. Mas não sabiam porque ninguém sabia. A mesma lógica equivocada dos responsáveis das instalações que provocou o acidente os fez crer que havia explodido o trocador de calor, e não o reator, e assim foi informado tanto ao pessoal que acudia como aos seus superiores. Há uma história um tanto sinistra sobre os aviões que levavam destacados membros da Academia de Ciências da URSS ao lugar. Eles deram a volta no ar por ordens da KGB quando esta descobriu, através da sua equipe de proteção da central, que o reator explodira (além das suas atribuições de espionagem, pelas quais é tão conhecida, a “KGB uniformizada", ela desempenhava na União Soviética um papel muito semelhante ao da nossa Guarda Civil, excetuando o tráfico de veículos, mas incluindo a segurança das instalações radiológicas). Na manhã seguinte ao acidente, um helicóptero militar obteve as primeiras Devido a isto, em um primeiro momento jogaram sobre o buraco milhões de litros de água e nitrogênio líquido com o propósito de manter frio e proteger o reator, que acreditavam a salvo e selado além das chamas e a densa fumaça preta. Isso contribuiu para piorar as conseqüências do sinistro, pois a água vaporizava-se instantaneamente ao tocar o núcleo fundido a mais de 2.000ºC e saía velozmente à estratosfera em grandes nuvens de vapor, que o vento arrastava em todas as direções.
De qualquer jeito havia pouco o que fazer: era preciso apagar os grandes incêndios. Quando o fogo foi finalmente extinto, a contaminação não só estava no ar, mas também na água acumulada nas piscinas de segurança sob o reator. As piscinas de segurança, conhecidas como piscinas de bolhas, achavam-se em dois níveis inferiores e sua função era conter a água no caso de ser preciso esfriar emergencialmente o reator. Elas também serviam para condensar o vapor e reduzir a pressão no caso em que estourasse algum cano do circuito primário (daí o seu nome), junto a um terceiro nível que atuava como condução, imediatamente abaixo do reator. Assim, em caso de ruptura de alguma canalização, o vapor circularia por esse nível de condução, através de um manto de água, o que reduziria sua periculosidade. Agora, depois da aniquilação, essas piscinas inferiores estavam cheias e trasbordando de água procedente dos canos arrebentados do circuito primário e da água utilizada pelos bombeiros para apagar o incêndio e pela frustrada tentativa de manter frio o reator. E sobre elas encontrava-se o reator aberto, fundindo-se lentamente em forma de lava de cúrio a 1.660 ºC. Em qualquer momento podiam começar a cair grandes gotas desta lava poderosamente radioativa, ou até o conjunto completo, provocando assim uma ou várias explosões de vapor que projetariam à atmosfera centenas de toneladas de cúrio. Isso teria multiplicado em grande escala a contaminação provocada pelo acidente, destruindo o lugar e afetando gravemente toda a Europa. Além disso, a mistura de água e cúrio radioativos escaparia e se infiltraria no subsolo, contaminando as águas subterrâneas e pondo em grave risco o abastecimento da cidade de Kiev, com dois milhões e meio de habitantes, numa espécie de síndrome da China. Foi tomada a decisão de esvaziar as piscinas de maneira controlada. Em condições normais, isto seria uma tarefa fácil: bastava abrir as eclusas mediante uma simples ordem ao computador SKALA que administrava a central, e a água fluiria com segurança a um reservatório exterior. No entanto, com os sistemas de controle destruídos, a única maneira de fazê-lo agora era atuando manualmente as válvulas. O problema é que as válvulas estavam sob a água, dentro da piscina, perto do fundo cheio de escombros altamente radioativos que a faziam brilhar suavemente com uma cor azul pela radiação de Cherenkov, logo abaixo do reator que se fundia, emitindo um sinistro brilho vermelho.
E foi assim, como as máquinas já não funcionavam, que era um trabalho para os bio-robôs. Alguém teria que caminhar, um passo após outro, até o reator exposto e ardente, ao longo de um cinzento campo de destruição onde a radioatividade era tão intensa que provocava um sabor metálico na boca, confusão na mente e uma sensação de agulhadas na pele. Eles viam como as suas mãos se bronzeavam em segundos, como depois de semanas sob o sol. E logo teriam que submergir na água oleaginosa e de suave brilho azul com o instável monstro radioativo por cima das suas testas, para abrir as válvulas a mão. Uma operação difícil e perigosa até em circunstâncias normais. Essa era uma viagem só de ida. Ao que parece, a decisão de quem o faria tomou-se de maneira muito simples, com aquela velha frase que, ao longo da história da humanidade, sempre foi suficiente para os heróis: - Eu irei.
Os três homens que foram Os dois primeiros a oferecerem-se como voluntários foram Alexei Ananenko e Valeriy Bezpalov. Alexei Ananenko era um prestigiado tecnólogo da indústria nuclear soviética, que participara extensivamente no desenvolvimento e construção do complexo eletronuclear de Chernobyl. Ele cooperou no desenho das eclusas e sabia exatamente onde estavam as válvulas. Era casado e tinha um filho. Valeriy Bezpalov era um dos engenheiros que trabalhavam na central, ocupando um posto de responsabilidade no departamento de exploração. Também era casado, e tinha uma menina e dois meninos de poucos anos. Os dois eram engenheiros nucleares. Os dois compreendiam além de qualquer dúvida que estavam se dispondo a caminhar para a morte. Enquanto vestiam suas roupas de mergulho, sentados num banco, observaram que precisariam de um ajudante para segurar a lâmpada subaquática desde a borda da piscina enquanto eles fossem trabalhar nas profundidades. E olharam aos olhos dos homens que tinham ao redor. Então um deles, um jovem rapaz trabalhador da central, sem família, chamado Boris Baranov, se levantou e disse aquela outra frase que quase sempre segue a anterior: - Eu irei com vocês. No meio da manhã, os heróis Alexei Ananenko, Valery Bezpalov e Boris Baranov tomaram um gole de vodka para se encorajar, pegaram as caixas de ferramentas e começaram a andar em direção à lava radioativa em que se convertera o reator número 4 do complexo eletro nuclear de Chernobyl. Assim, sem mais.
Perante os olhos encolhidos dos que ficaram para trás, os três camaradas caminharam os mil e duzentos metros que havia até o nível -0,5, dizem que, conversando calmamente entre si: “Como vai? Quanto tempo sem ver você! E seus filhos? Você eu não conhecia, rapaz. … É que eu não sou daqui. Bem, parece que hoje vamos trabalhar um pouco juntos… Podemos descer melhor por aí, eu vou na válvula da direita e você a da esquerda, e você nos ilumina desde lá. … Parece que vai chover, não? Está boa a secretária do engenheiro Kornilov, hem? Sim, e que rebolado! … Parece que este ano os Dínamos de Moscou não vão ganhar o campeonato”. Essas coisas, que possivelmente falam os bio-robôs, enquanto vêem como a sua pele se escurece lentamente, e somem um pouco suas idéias pela ionização dos neurônios e sentem na boca cada vez mais o sabor de urânio causando náuseas, sacudindo-se incomodamente, porque sentem como se milhares de duendes maléficos estivessem dando agulhas na sua pele. Cinco mil roentgens/hora, é como chamam a isso. E sob aquele céu cinzento e os restos fulgurantes de um reator nuclear, os heróis Alexei Ananemko e Valeriy Bezpalov submergiram-se na piscina de bolhas do nível -0,5, com uma radioatividade tão sólida que se podia sentir, enquanto o seu camarada Boris Baranov lhes segurava a lâmpada subaquática, que aliás, estava com defeito e falhou pouco depois. Do exterior, já ninguém os ouvia nem os via. De repente, as eclusas começaram a abrir-se, e um milhão de metros cúbicos de água radioativa começou a jorrar para a o reservatório seguro, preparado para tal efeito. Eles haviam conseguido! Alguém murmurou que os heróis Ananenko, Bezpalov e Baranov acabavam de salvar a Europa. É difícil determinar até que ponto isso era verdade. Há versões contraditórias sobre o que aconteceu depois. A mais tradicional diz que jamais regressaram, e que ainda estão sepultados lá. A mais provável assegura que conseguiram sair da piscina e celebrar a sua vitória rindo e abraçando-se aos mesmíssimos pés do monstro, na borda da piscina; outra diz que até recuperaram os seus corpos, embora não as suas vidas. Morreram pouco depois, de síndrome de radioatividade extrema, nos hospitais de Kiev e Moscou. Ainda outra versão, que parece quase impossível, sugere que Ananenko e Bezpalov morreram, mas que Baranov conseguiu sobreviver e anda ou andou um tempo por aí.
Esta é a história de Alexei Ananenko, Valeriy Bezpalov e Boris Baranov, os três super-herois de Chernobyl, de quem se diz que salvaram a Europa ou ao menos um ou outro milhão de pessoas a milhares de quilômetros ao redor, num frio dia de abril. Foram à morte conscientemente, deliberadamente, por responsabilidade e humanidade e sentimento da honra, para que os demais pudéssemos viver. Quando alguém pensar que nosso gênero humano não tem salvação, sempre pode lembrar de homens como estes e outras centenas ou milhares desse estilo que também estiveram lá. Não circulam fotos deles, nem fizeram superproduções de Hollywood sobre eles, e até os seus nomes são difíceis de encontrar. Porém hoje, vinte e quatro anos depois, eu brindo à sua lembrança, faço uma continência perante a sua memória e agradeço mil vezes. Por terem ido.
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Comentários + votados
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Israel Dourado
16/08/2011 - 10:10
A antiga URSS realmente foi um celeiro de grandes herois. Sem sombra de dúvidas estes homens salvaram a Europa, uma vez que havia o risco de desbamento do piso do reator nuclear fundido justamente...
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Ana Cruzzeli
16/08/2011 - 11:42
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ulderico
16/08/2011 - 13:21
Bem disse, numa situação semelhante, Spock :
"O bem de muitos pesa mais que o de um só"
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Marcos Tavares
16/08/2011 - 16:05
Athos, você fala como um físico nuclear, mas doença causada por radiação ionizante é um assunto que está além do escopo de um físico.
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Athos
16/08/2011 - 22:47
Não sou do ramo, apenas um curioso que se interessa por energia. Meu assunto é energia e não geração nuclear especificamente.
Por ter uma visão geral do assunto, decidi ser defensor desta fonte em...
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Políticos não gostam de heróis. (só quando servem os interesses deles).
A antiga URSS realmente foi um celeiro de grandes herois. Sem sombra de dúvidas estes homens salvaram a Europa, uma vez que havia o risco de desbamento do piso do reator nuclear fundido justamente sobre as piscinas de contenção, gerando assim, uma explosão radioativa muto maior do que a que destruiu o proprio reator. Foi uma prova do valor humano e uma demonstração de amor que só os abnegados podem ter. Um viva a estes homens.
A Ucrania é uma terra de heróis.
Vide as dezenas de milhões de mortos na 2a. Guerra Mundial.
Se fossem americanos.....
É de arrepiar!
Sempre me emociona essas historias de chernobyl, realmente eles foram herois, o mesmo está acontecendo hoje no Japão. Não não os donos das usinas e sim os trabalhadores que sabem sim que vão morrer.
São nesses momentos que a esperança substitui o medo da aniquilação final do homem contra o homem.
Entregar a propria vida por um bem maior, existem milhares no mundo capazes de tal gesto, os covardes ainda são minoria, os que fazem guerras pelo vil metal ainda são minorias. Graças a Deus.
A humanidade ainda tem chance ...
Ana, no caso do Japão, ninguém morreu por radiação. Nenhum dos trabalhadores recebeu doses mortais. Todos foram monitorados.
Dois deles terão que se aposentar, por terem recebido doses acima dos limites estabelecidos. Aliás, não sei se vc reparou no noticiário que a dificuldade estava em resfriar o reator a distância.
Se estes heróis soviéticos estivessem disponíveis, talvez os reatores japoneses nem teriam fundido.
Desculpe a correção, mas é que existe muita ignorância sobre o assunto e daqui a pouco vai aparecer gente falando em milhões de mortos no japão.
Exatamente como aconteceu em Chernobyl, com seus 43 mortos.
Saturday, May 14, 2011
Tepco says no signs of harmful radiation levelsWorker at Fukushima nuclear plant diesKyodo
A worker at the crippled Fukushima No. 1 nuclear plant died Saturday after collapsing while carrying equipment at a waste disposal building, Tokyo Electric Power Co. said.
The cause of death wasn't immediately known, but Tepco said no radioactive substances were detected on his body.
The worker, whose name was not released, was in his 60s and did not appear to be injured, the utility said.
The death is the third at the plant since the crisis began. The bodies of two workers who disappeared March 11 were found floating in the basement of reactor 4 later that month, having died from injuries sustained on the day of the disaster.
The man had started working at the plant Friday and was wearing protective gear, including a full face mask, at the time of his collapse, Tepco said.
http://search.japantimes.co.jp/cgi-bin/nn20110514x1.html
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Obrigado pela informação mas eu já sabia disso tudo.
Quando ocorreu o Tsunami, 2 trabalhadores desapareceram. Desapareceram no Tsunami. Semanas depois, quando foi possível entrar na usina, seus corpos foram encontrados.
Outro morreu de mal súbito. Depois fooi esclarecido o motivo da morte que não tinha relação com radiação.
Obviamente que vc sabe que estes trabalhadores estavam sob um nível absurdo de estresse.
Outro dia, durante um jogo do Flamengo, um aposentado infartou e morreu. Seguindo sua linha de raciocínio, futebol mata.
Abraço
Athos, você fala como um físico nuclear, mas doença causada por radiação ionizante é um assunto que está além do escopo de um físico.
Não sou do ramo, apenas um curioso que se interessa por energia. Meu assunto é energia e não geração nuclear especificamente.
Por ter uma visão geral do assunto, decidi ser defensor desta fonte em detrimento de outras, como o carvão, que é a principal fonte do mundo.
Agora vc esta enganado. Físicos e engenheiros nucleares sabem mais sobre os efeitos da radiação que os médicos.
O estudo da radiação, suas aplicações, efeitos, males e etc. são objeto de estudo dos profissionais do ramo. Assim, os maiores especialistas do assunto não são médicos.
O motivo disto é simples. Não há estudos suficientes por motivos óbvios. Assim, quase todo o conhecimento vem de acidentes ocorridos, observados e analisados por físicos e engenheiros nucleares.
Assim, as doses mortais de cada tipo de radiação foram estabelecidas por profissionais da área e não médicos. Quase tudo do ramo é assim.
O Brasil, por exemplo, não deve ter um médico especialista no assunto. E olha que o Brasil é um país grande.
se vc fosse médico, vc iria se especializar nisto pra tratar quem:
Vc poderia passar a vida toda sem tratar um paciente da sua especialidade. Lógico que há um procedimento escrito que todo médico pode ter acesso, um protocolo de tratamento, mas daí concluir que se tem um conhecimento maior do que os especialistas da área...
Se vc, médico, se especializar no assunto, será para pesquisa. E daí vem o seguinte problema, teria vc acesso a material radioativo, como plutônio por exemplo. Não basta ser radioativo, cada substância ativada emite uma radiação específica e portanto cada um teria que ser objeto de estudos.
Os estudos médicos são muito escassos.
Gostaria de esclarecer outro ponto. Uma coisa é envenenamento por radiação e outra são doenças desenvolvidas devido a exposição à radiação.
A maior parte das pessoas pensa que um cidadão que receba dose cavalar de radiação morre por cancer e etc quando a morte se da por envenenamento.
A exposição a radiação não causa cancer. A exposição aumenta a probabilidade de se desenvolver cancer.
Vc e eu, por exemplo, temos 20% de chance de morrer de cancer. Temos essa chance ao nascer. Os trabalhadores que foram expostos a níveis acima do limite estabelecido pela Tepco passaram de 20% para 21%. E por isso nunca mais poderão trabalhar no ramo e terão uma série de limitações no decorrer de suas vidas.
Esses trabalhadores serão objeto de estudos e serão acompanhados justamente pela dificuldade de se realizar testes em humanos. Viraram cobaias. Mas tão aposentados.
PS. A dose foi acima do estabelecido mas não foi assim nenhuma brastemp. Aparentemente eles pisaram em água ativada até os tornozelos...foi um erro.
Abraço
Bem disse, numa situação semelhante, Spock :
"O bem de muitos pesa mais que o de um só"
Ulderico
Aham, até parece que esse voluntarismo todo para a morte não era embalado pela certeza de que, caso não fossem, a KGB não iria caçá-los como responsáveis diretos pelo desastre. Ô inocência.
Mas ainda assim, os agradeço de coração por terem ido.
Vc esta enganado. Existem muitos heróis como estes.
Muitos acidentes em reatores militares não são relatados. Muitos morreram para salvar outros.
Morreram mas fizeram seu trabalho, até o fim.
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