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Os guardiões do futebol de botãoEnviado por luisnassif, ter, 20/12/2011 - 11:00Do UOL Esporte Futebol de botão tenta sobreviver à "era do videogame" e teme ficar sem nova geração Bruno Freitas
Existe um grupo de fãs de futebol que gerem sua própria entidade, confeccionam tabelas de campeonato como bem entendem e viabilizam contratações de jogadores impensáveis no mundo real. Composto de bolinhas de feltro, jogadores em fórmula de círculo e goleiros retangulares, o jogo de botão que abrigou sonhos malucos de tantos meninos nos estrelões da vida agora luta para sobreviver na desleal batalha contra o detalhista universo dos videogames, na esperança que uma nova geração de adeptos não deixe o esporte acabar.Popular brincadeira de garotos brasileiros até a explosão dos jogos eletrônicos, o futebol de botão hoje sobrevive através da paixão de adeptos saudosistas, boa parte deles ligada a clubes grandes. Em geral, trata-se de uma turma acima da casa dos trinta (ou quarenta), que luta para transmitir o vício das palhetas para seus filhos, geralmente já seduzidos pela quase perfeição das partidas de videogame, que têm nos ídolos dos campos poderosos divulgadores espontâneos. Ver em tamanho maiorPaixão pelo futebol de mesa resiste à era do videogame
"A garotada realmente não está interessada. É uma ameaça ao esporte. Em dez ou 15 anos não sei se o futebol de mesa ainda vai existir", diz Daniel Stankevicius, jogador da equipe de futebol de mesa do Corinthians (ou "botonista", como são conhecidos os atletas da modalidade). A reportagem do UOL Esporte visita uma noite de treinamento da equipe corintiana no Parque São Jorge, em uma sala especialmente adaptada para a prática, com piso emborrachado para eventuais quedas de peças e climatização através de ar condicionado. Um dos atletas no local é Nilton Lombardi, que prepara uma de suas equipes com um produto lustra móveis, com a finalidade de fazer seus jogadores deslizarem adequadamente. O integrante da categoria máster (acima de 42 anos) conta que conseguiu a façanha de fazer o filho Yuan se interessar pela modalidade. FRASE
Tadeu Sanchis, jogador do Corinthians, quinto lugar no 1º Mundial da modalidade, disputado na Hungria "Ele tem 16 anos, é o quarto do ranking paulista sub-20. Eu sou o 24º da minha categoria. Antes eu deixava ele ganhar às vezes, mas hoje já sou 'pato' dele", celebra Nilton, com orgulho do feito de recrutar um jovem para a missão de levar adiante o futebol de mesa. Renan Roberto é outro integrante da equipe do Corinthians, praticante que tem como hobby decorar seus próprios times. Em um deles, no azul claro do Manchester City, colocou o rosto de seu filho de oito anos em um dos jogadores. Mesmo assim, afirma reconhecer que dificilmente o garoto deixará o videogame em segundo plano para abraçar o esporte da bola de feltro. À frente da Federação Paulista de futebol de mesa, Jorge Farah é um dos grandes entusiastas nacionais do esporte. Ele dirige a entidade com cerca de 2,3 mil filiados (mas apenas uns 350 ativos) e mantém um blog onde apresenta sua coleção de raridades de times antigos. No debate sobre a sobrevivência do botão como modalidade e brincadeira lúdica, o dirigente de 53 anos diz que é um erro encarar o videogame como um inimigo. "Há um equivoco que se cometeu anos atrás por quem joga o futebol de mesa. O videogame não é nosso concorrente. O jogo eletrônico e o botão são coisas muito distintas", afirma o dirigente, que ressalta a vantagem de sua modalidade como ferramenta de fantasia. O CULTO AO MODELO "BRIANEZI" "O pessoal do videogame fica tão fixado na TV, que não tem tempo de pensar. Não pode criar nada, as jogadas já estão lá todas programadas", conclui Farah. FABRICANTES FALAM EM TEMPOS DIFÍCEIS PARA O MERCADO A realidade de interesse em queda pelo esporte de mesa também chegou naturalmente aos fabricantes de times de botões. Eduardo Toscano é uma referência na produção de modelos do esporte desde 1991 e admite a dificuldade atual do mercado. "A gente conversa com outros fabricantes, alguns fornecedores, e dá para perceber que de um ano e meio para cá a coisa está bem difícil. Não sei dizer se é exatamente em razão dos jogos eletrônicos, mas o mercado está complicado", afirma o proprietário da "Edú Botões", oficina no bairro do Butantã, que já contou com sete funcionários e hoje opera com o dono e seu pai. "O pai chega aqui para comprar e fala: 'Quero mostrar o futebol de botão para o meu filho, jogar com ele. Porque quando chego em casa, ele está lá com o joystick na mão, mal olha para minha cara'", relata Toscano, que diz lucrar mais hoje em dia com trabalhos especiais para empresas como Rede Globo e agências de publicidade. Em outro ponto da cidade, na Mooca, Lennon Biscasse gerencia a fábrica "Futmesagol", com mais de 40 anos no ramo. O fabricante também admite a fase de dificuldades, mas, além dos videogames, aponta para a questão de royalties dos famosos clubes brasileiros como elemento complicador do mercado. A empresa de brinquedos Gulliver detém um antigo contrato de licenciamento e é atualmente quem abastece a demanda existente das lojas, de esporte ou para crianças, com modelos de botão mais simples. Além de algumas estantes menos nobres das lojas, o futebol de mesa sobrevive na paixão de seus adeptos, que vão buscar novos times onde eles estiverem. Em uma cena que ilustra a esperança de vida da modalidade, a reportagem do UOL Esporte encontra na oficina de Eduardo Toscano seis novas mesas de jogo encostas, à espera de seus compradores, em campos conhecidos no passado como estrelão. Um dos consumidores ajeita a miniatura de estádio acima do carro e parte, prometendo incentivar o filho a fazer gols usando palhetas, e não somente com joysticks. CHICO BUARQUE E OUTRAS CELEBRIDADES BOTONISTAS
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Comentários + votados
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Cláudio José
20/12/2011 - 11:08
Até hoje tenho os meus botões, adoro jogar com os meus sobrinhos e afilhado!!Boto a maior pilha para o jogo ficar emocionante!!
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hermogenes
20/12/2011 - 11:19
Na feira do Baixo Gavea- RJ, nas manhãs dos domingos, o futebol de botão continua firme. É interessante ver a tentativa de certos pais de cooptarem seus filhos bem com observar o ar de espanto das...
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Luiz Antonio Antunes Machado
20/12/2011 - 11:58
Tinhamos uma "liga" local aqui no bairro onde moro no Rio. Conseguíamos botões de todos os tipos, campeonatos, taças, era uma febre, aí pela década de setenta, oitenta. Hoje meus sobrinhos nem ligam.
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Luiz Horacio
20/12/2011 - 12:09
Já joguei muito com capinhas de relógio, aqueles botões tipo bolha intermediários e algumas vezes com esses mais modernos, todos iguaizinhos. Mas gostava mais dos da Estrela (?), que vinham com...
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Robson Barbosa Farias
20/12/2011 - 12:35
Ainda tenho meus botões. Muito massa jogar botão, pena que as novas gerações não queiram conhecer.
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Luiz Horacio
20/12/2011 - 12:47
E os goleiros, caixas de fósforos recheadas com chumbo e estilizadas artesanalmente, de acordo com os times.
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Até hoje tenho os meus botões, adoro jogar com os meus sobrinhos e afilhado!!Boto a maior pilha para o jogo ficar emocionante!!
Na feira do Baixo Gavea- RJ, nas manhãs dos domingos, o futebol de botão continua firme. É interessante ver a tentativa de certos pais de cooptarem seus filhos bem com observar o ar de espanto das crianças quando são apresentadas ao esporte.
Tinhamos uma "liga" local aqui no bairro onde moro no Rio. Conseguíamos botões de todos os tipos, campeonatos, taças, era uma febre, aí pela década de setenta, oitenta. Hoje meus sobrinhos nem ligam.
Já joguei muito com capinhas de relógio, aqueles botões tipo bolha intermediários e algumas vezes com esses mais modernos, todos iguaizinhos. Mas gostava mais dos da Estrela (?), que vinham com aquele goleiro com um cabinho de metal, redes de plástico e bolinhas em forma de pastilha. A gente podia raspar o botão por baixo, e havia muitas técnicas de raspagem, desde pedras até o piso áspero, ou gilete para dar acabamento. E cada um dos botões tinha a sua personalidade, tinha um comportamento diferente. Os da defesa, por exemplo, a gente raspava um pouquinho só, e isso dava mais estabilidade a eles, também ficavam um pouquinho mais altos. Os pontas, a gente tentava deixar bem lisos, para escorregarem mais e serem mais rápidos. O centro avante tinha que ser áspero, para grudar no chão e levantar a bolinha por cima do goleiro ou ir no ângulo...
E os goleiros, caixas de fósforos recheadas com chumbo e estilizadas artesanalmente, de acordo com os times.
Ainda tenho meus botões. Muito massa jogar botão, pena que as novas gerações não queiram conhecer.
"Aquele que fundamenta seu argumento no escândalo e na briga mostra que sua razão é fraca."
(Michel de Montaigne)
Também ainda tenho meu time com vários modelos inclusive de galalite extraído de postes de iluminação. O nome do meu time é Obras Sanitárias em homenagem a um clube em Buenos Aires que tinha um time de basquetebol muito bom a trocentos anos atrás!
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