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Os fatores que tiram valor da blogosferaEnviado por luisnassif, sex, 06/01/2012 - 11:39
Por luzete
Comentário do post "O ativismo sem freio e na banguela, por Guto Carvalho" guto, como você, compartilho de muitas destas críticas que você faz a uma presumida esquerda na blogosfera. lembro que, tão logo a presidenta dilma assumiu o comando do país, houve um exagero crítico que, se fosse levado a sério, derrubaria a presidenta sem sequer dizer a que veio. um episódio foi marcante: o fato da presidenta ter dado sua primeira entrevista a um veículo da grande mídia e não aos blogueiros progressistas. nossa, este episódio foi lastimável. a impressão que tenho, em certos momentos, que certos blogueiros não querem apenas fazer a crítica, mas radicalizar a um ponto que beira à arrogância, e como se eles exercessem o papel de presidente. e, claro, sempre acompanhada daquela ladainha: ah, não foi para isto que elegi a dilma como presidenta, num atestado de incompreensão sobre os meandros de cada negociação política. neste episódio se repete a pressa e a superficialidade da análise e a radicalização da crítica. o exagero mesmo. foi assim (tem sido) assim com belo monte, por exemplo, com o código florestal, a ponto de não sabermos em quem confiar: nem vale a grande mídia nem valem os blogueiros. ficamos sem saber em quem confiar... enfim, existem blogueiros que acreditam que são eles que governam o país, a qualquer custo, mesmo que precisem mentir para ganhar a aposta de quem é mais radical ou puro.
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Comentários + votados
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foo
06/01/2012 - 11:54
O valor da blogosfera está na multiplicidade de pontos de vista, coisa que faz tempo sumiu da grande imprensa. Um exemplo recente, de um blogueiro que eu não conhecia, que joga luz sobre um tema...
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Francisco A. de Sousa
06/01/2012 - 11:57
A frieza dos numeros e a vontade de matar mais um ministro.
do blog do Sarafa
PAPAGAIO COME O MILHO, PERIQUITO LEVA A FAMA.05.01.2012Sem categoriaCOMPARTILHAR Deixe um Comentário
No ano...
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Orides
06/01/2012 - 12:03
Excessos e exageros são condenáveis, não importa de onde venham.
Façamos a autocrítica, o que jamais foi feito pelo "outro lado".
Mas cuidado para não desvalorizar a única arma que temos para...
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Jota Ricardo
06/01/2012 - 12:09
A mania de se procurar pureza , santidade na vida política é um problema. Na política lida-se com seres humanos, mais ou menos falhos. Não pode ser um exercício de hagiologia.
O avanço propiciado...
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Alexandre S Bueno
06/01/2012 - 12:13
A rede é bastante propensa a este tipo de episódio, dada sua granularidade e diferenças de visão de mundo entre seus participantes.
Mas um aspecto que me chama a atenção é como reagem alguns ditos...
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Anderson Gomes
06/01/2012 - 12:14
Não pode ser.
Essa já é a imagem da convenção tucano/dem/pps em aquecimento para ouvir seu grande irmão.
Começa na terça-feira as 21:40 horas essa convenção.
Lá é que as coisas são "liberal" (é...
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Nilva de Souza
06/01/2012 - 12:22
Concordo, Luzete.
Muitas vezes as reações são tão despropositadas e desproporcionais, que uma discussão que deveria ser séria e informativa passa a ser vista como uma tentativa de tutelar a...
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igma
06/01/2012 - 12:28
Por falar em análises sobre a mídia, a gloriosa Folha está para completar 90 anos de serviços à pátria e faz uma provocação pública no site http://www1.folha.uol.com.br/folha90anos/daquia90anos.shtml...
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Ed Döer
06/01/2012 - 12:30
Repetir aqui o comentário que fiz em cima da colocação da luzete lá no original fazendo alguns acréscimos:
O ponto é "não confiar". Devemos em cada caso, dentro do possível, avaliar as opiniões...
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JB Costa
06/01/2012 - 12:44
Isso não é mais ignorância ou má fé: é bandidagem jornalística em estado puro.
Revoltante.
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pereira da silva
06/01/2012 - 13:06
gostei do pt de vista da luzete. me identifico com ele.
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m.cubiak
06/01/2012 - 13:12
"ah, não foi para isto que elegi a dilma como presidenta, num atestado de incompreensão sobre os meandros de cada negociação política".
Quer dizer agora que o representado deve se submeter ao...
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cassio zecatti
06/01/2012 - 13:29
É a tal da reportagem porca, jogam com os números percentuais e como para muitos ler manchetes de jornais e/ou assistir a telejornais é suficiente dá-se a impressão de um absurdo. O pior de tudo isto...
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Sergio SS
06/01/2012 - 13:29
Acho que vc foi no ponto, Nilva. Além do que a Luzete coloca bem claramente, eu havia comentado no post anterior que a gritaria estava parecendo "briga pelo poder", ou seja, por espaço político. E...
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Sérgio Troncoso
06/01/2012 - 13:33
Pois é, nos blogs "sujos" todos temos opiniões sobre tudo, e eu acho isso ótimo. Discordo inclusive desta frase: "neste episódio se repete a pressa e a superficialidade da análise e a...
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Gão
06/01/2012 - 14:30
Derrubar a presidente ? e nós somos exagerados, putz é cada uma que a parece! Cada um é dono de sua opinião, é livre pra protestar contra belo-monte ,código florestal, e o que for ? o...
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Ugo
06/01/2012 - 14:43
Noticias de dias atrás, como informa o Corriere della Sera, contam de família que de carro e seguindo religiosamente as instruções do GPS, caiu em rio e por muito pouco não acontece o pior...
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m.cubiak
06/01/2012 - 15:07
É difícil, ambivalente ao máximo, ser internauta em busca de informações, notícias, conhecimento. Depois de um certo tempo na sua vida de nerd, você vai montando sua lista de leituras. Jornalões...
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André O.
06/01/2012 - 16:28
Lembro do momento em que Dilma lançava sua nova política industrial: lançou essa política sem consultar para nada as organizações sindicais. Nassif alertou e Dilma pediu desculpas aos sindicatos, nos...
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Anarquista Lúcida
06/01/2012 - 16:50
Acho engraçada é essa identificaçao entre as críticas ao governo Dilma e "pretender conduzi-la". Claro que as parcelas da populaçao que mais defenderam a candidatura Dilma -- sem as quais essa...
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SIM!
O valor da blogosfera está na multiplicidade de pontos de vista, coisa que faz tempo sumiu da grande imprensa. Um exemplo recente, de um blogueiro que eu não conhecia, que joga luz sobre um tema que a mídia insiste em manter no escuro -- fornecendo apenas pedaços da informação:
PAPAGAIO COME O MILHO, PERIQUITO LEVA A FAMA. 05.01.2012SEM CATEGORIACOMPARTILHAR DEIXE UM COMENTÁRIO
Agora, o jornal O ESTADO DE SÃO PAULO pegou esse valor e comparou com os repasses federais feitos aos Estados apenas nessa rubrica concluindo que esse valor corresponde a 90% da verba gasta pelo Governo Federal em prevenção de enchentes. Virou manchete e ataques ao Ministro Fernando Bezerra sob a alegação que ele é de Pernambuco e por isso estaria privilegiando o seu Estado natal.
Hoje todos os colunistas políticos do eixo Rio, São Paulo e Minas atacam o Ministro. Falam sempre que 90% dos recursos foram para Pernambuco, mas não dizem que esses 90% representam 25 milhões de reais.
Acessei o PORTAL DA TRANSPARENCIA e verifiquei que em 2011 o Governo Federal repassou para Estados e Municípios o valor total de R$ 237.271.169.809,83. Desse total, São Paulo recebeu R$ 26.511.999.809,60, ou seja, 11,17% do todo; o Rio de Janeiro, R$ 20.542.872.058,50, ou seja, 8,66%; e Minas Gerais R$ 19.721.686.132,87, 8,32%. Esses três Estados, onde está a grande imprensa, ficaram com 28,06% do bolo total de DUZENTOS E TRINTA E SETE BILHÕES DE REAIS, e não com 90% de uma parte infinitamente menor do todo, igual a VINTE E CINCO MILHÕES DE REAIS.
Isso, no entanto, eles escondem e ficam fazendo onda com um repasse de 25 milhões quando eles receberam 67 BILHÕES DE REAIS, ou seja, quase 3.000 vezes mais e quase 1/3 de todo o monte, sobrando os outros 2/3 para dividir com as outras 24 unidades da Federação.
Não sei se isso é só ignorância, ou se é má fé. Acho que tem um pouco de cada coisa.
Acesse o Portal da Transparência http://www.portaldatransparencia.gov.br/PortalTransparenciaListaUFs.asp?Exercicio=2011 , conheça todos os dados e tire suas conclusões.
Fonte: http://www.blogdosarafa.com.br/?p=11940
Isso não é mais ignorância ou má fé: é bandidagem jornalística em estado puro.
Revoltante.
É a tal da reportagem porca, jogam com os números percentuais e como para muitos ler manchetes de jornais e/ou assistir a telejornais é suficiente dá-se a impressão de um absurdo. O pior de tudo isto é que esses mesmos meios não tem a obrigação de esclarecer e nem quem foi atingido busca o seu direito de resposta, no caso o governo federal. Agora quanto ao valor da blogosfera como tudo na vida existem valores e pessoas boas e más intencionadas. Não vejo o motivo do artigo postado aqui.
A frieza dos numeros e a vontade de matar mais um ministro.
do blog do Sarafa
PAPAGAIO COME O MILHO, PERIQUITO LEVA A FAMA.05.01.2012Sem categoriaCOMPARTILHAR Deixe um Comentário
Agora, o jornal O ESTADO DE SÃO PAULO pegou esse valor e comparou com os repasses federais feitos aos Estados apenas nessa rubrica concluindo que esse valor corresponde a 90% da verba gasta pelo Governo Federal em prevenção de enchentes. Virou manchete e ataques ao Ministro Fernando Bezerra sob a alegação que ele é de Pernambuco e por isso estaria privilegiando o seu Estado natal.
Hoje todos os colunistas políticos do eixo Rio, São Paulo e Minas atacam o Ministro. Falam sempre que 90% dos recursos foram para Pernambuco, mas não dizem que esses 90% representam 25 milhões de reais.
Acessei o PORTAL DA TRANSPARENCIA e verifiquei que em 2011 o Governo Federal repassou para Estados e Municípios o valor total de R$ 237.271.169.809,83. Desse total, São Paulo recebeu R$ 26.511.999.809,60, ou seja, 11,17% do todo; o Rio de Janeiro, R$ 20.542.872.058,50, ou seja, 8,66%; e Minas Gerais R$ 19.721.686.132,87, 8,32%. Esses três Estados, onde está a grande imprensa, ficaram com 28,06% do bolo total de DUZENTOS E TRINTA E SETE BILHÕES DE REAIS, e não com 90% de uma parte infinitamente menor do todo, igual a VINTE E CINCO MILHÕES DE REAIS.
Isso, no entanto, eles escondem e ficam fazendo onda com um repasse de 25 milhões quando eles receberam 67 BILHÕES DE REAIS, ou seja, quase 3.000 vezes mais e quase 1/3 de todo o monte, sobrando os outros 2/3 para dividir com as outras 24 unidades da Federação.
Não sei se isso é só ignorância, ou se é má fé. Acho que tem um pouco de cada coisa.
Acesse o Portal da Transparência http://www.portaldatransparencia.gov.br/PortalTransparenciaListaUFs.asp?Exercicio=2011 , conheça todos os dados e tire suas conclusões.
Apoiado.
No futuro os encontros dos blogueiros progressistas será assim.
"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." Nelson Rodrigues.
Não pode ser.
Essa já é a imagem da convenção tucano/dem/pps em aquecimento para ouvir seu grande irmão.
Começa na terça-feira as 21:40 horas essa convenção.
Lá é que as coisas são "liberal" (é assim mesmo revisor).
Excessos e exageros são condenáveis, não importa de onde venham.
Façamos a autocrítica, o que jamais foi feito pelo "outro lado".
Mas cuidado para não desvalorizar a única arma que temos para enfrentar o domínio da "velha mídia".
Sra.Luzete. o que seria " ... meandros de cada negociação política." ??
Seria entregar a alma, ao diabo?
A mania de se procurar pureza , santidade na vida política é um problema. Na política lida-se com seres humanos, mais ou menos falhos. Não pode ser um exercício de hagiologia.
O avanço propiciado pelos blogs progressistas foi fazer o contraponto à mídia monolítica corporativa. Natural que, para se fazer forte, haja uma compulsão à unidade em torno do apoio ao governo à esquerda.
As pessoas devem , no entanto, cuidar de exercitar o pensamento crítico, que é a melhor maneira de chegar ao aperfeiçoamento da democracia, para que esta não fique só no vão discurso politiqueiro.
Cada blogueiro deve ter sua própria opinião e exprimi-la de acordo com sua consciência, e o leitor não deve confiar cegamente em ninguém.Tampouco deve espantar eventual opinião que não conste de manual partidário ou ideológico. Cada caso é um caso. E pensar sempre com a própria cabeça tem que ser o imperativo moral.
A rede é bastante propensa a este tipo de episódio, dada sua granularidade e diferenças de visão de mundo entre seus participantes.
Mas um aspecto que me chama a atenção é como reagem alguns ditos progressistas críticos da chamada velha mídia quando estão na ribalta. O fato é que os fenômenos manada e linchamento, tão bem idenficados e problematizados pelo Nassif, são menos particulares do que parecem, ou seja, não estão restritos somente ao comportamento da imprensa, mas também impregnados na cultura de alguns blogueiros à esquerda.
Tenho observado este movimento há algum tempo, conforme a própria Luzete afirma em sue último parágrafo e não creio que exista solução para tal. A selvageria vai continuar, até porque determinados segmentos "alternativos" conquistaram interlocução junto a membros do governo, como o Ministro Padilha, por exemplo. O Ministro Paulo Bernardo, neste sentido, foi mais esperto e cortou o canal quando começou a ser frito em azeite de dendê aos 2 minutos do primeiro tempo por alguns blogueiros.
É uma pena. A credibilidade conquistada por alguns, para mim, ruiu. A blogosfera ainda não representa uma alternativa, digamos, afirmativa à mídia tradicional. Embora seu papel crítico seja eficaz ela ainda não é capaz de fazer uma "revolução cultural" e propor uma interlocução civilizada.
Caro e respeitável colega Alexandre, isto começa pela maneira pouco gentil que nós os comentaristas dos blogs ditos sujos somos recebidos nos blogs ditos limpos para uma simples conversa amiga. Somos recebidos até as vezes com palavras de baixo calão e depois fecham o canal de comunicação obstruindo todos os nosso comentários, mesmo os mais pueris. O Kotscho antes mesmo de cancelar seu portal no IG, antes das eleições de 2006 chamou estes colegas de "cachorros loucos" dada as bem "educadas" (entre aspas mesmo) formas de tratamento aos demais amigos. Mas os blogs da direita destilam raiva indomável contra os amigos que querem colocar as divergencias a bom termo. Destilam uma espécie de racismo, de um preconceito e uma forma de tratamento pouco recomendável a quem se diz culto e educado. Acho que eles tem medo que seus seguidores mudem de opinião ao ler nossos artigos e passem para o lado da esquerda, não há outra explicação.
Não tem comparação. E realmente foi lastimável a presidente Dilma não ter ainda concedido entrevista aos blogueiros. O livro A Privataria Tucana mostra que, se não fossem os blogueiros e militantes digitais não filiados, o próprio PT (e as tais "alas disso e daquilo" é capaz de derrubar seus governos e candidatos. Sorte , muita sorte da DIlma é que existem essas pessoas do lado de lá.
Tente ir la e elogiar o FHC: eles vão dizer que agora estão reconhecendo, etc.
Tente elogiar civilizadamente o Serra (que não enviou nenhuma nota do cânce do Lula): eles vão dizer que esquerda começa a esquecer Dilma e procurar Serra.
Não sei onde estou inserido na crítica, mas o outro lado não faz melhor, faz pior.
É a velha história do fusca que bateu no cadillac, Nassif. Essa foi de amargar
Assinado em baixo.
Compartilhado.
Um abraço.
Concordo, Luzete.
Muitas vezes as reações são tão despropositadas e desproporcionais, que uma discussão que deveria ser séria e informativa passa a ser vista como uma tentativa de tutelar a Presidenta.
Recentemente escrevi num blog criticando a posição machista do blogueiro pois, em nenhum momento, durante o governo Lula, houve tanta cobrança por assuntos comezinhos, como tenho visto com relação à Dilma.
Deve haver críticas, há muito a criticar, mas temos que fundamentá-las e não ficar neste jogo histérico de tutelagem, o que contraria a própria posição do Lula ao indicá-la.
Ironicamente, cunhei um apelido para alguns blogueiros(as) : cibercelebrity e outro amigo apelidou-os de BFB - Brazilian Fashioned Bloggers.
Pronto, falei !
Acho que vc foi no ponto, Nilva. Além do que a Luzete coloca bem claramente, eu havia comentado no post anterior que a gritaria estava parecendo "briga pelo poder", ou seja, por espaço político. E isto ressoa em parte da blogosfera com manchetes e artigos que me lembraram na hora do Tio Rei, Mauro Chaves, Villa, Mainardi e outros vamps.
Sinceramente não dou conta e me canso... claro que é divertido ver as brincadeiras do Paulo Henrique Amorim quando mancheteia "Bomba Bomba !!". Todos sabem que é sarro. E é desse modo que ele conquistou seu espaço "à esquerda" na crítica política. Mas outros blogs progressistas que estão ainda longe de atingiram os top ten fazem de tudo para causar polêmicas e ganhar audiência, mesmo que usando os mesmos métodos da grande mídia que tanto criticam.
Viver é afinar um instrumento...
No início da propaganda politica, lá nos idos de 2006 em que os canais de TV exibiam as fotos dos candidatos no horário politico, os canais como a Globo começaram satirizando as figuras em seus programas de humor como por exemplo "Caceta e Planeta". Fizeram caricaturas do Lula de todas as formas e isto virou uma febre nacional. Eu cansei de receber charges do Lula no meu e-mail de todas as formas, enviadas por admiradores do candidato Alckimim. Deposi que o Lula ganhou a eleição apenas me puz no agradecimento a todos pela ajuda e charges que muito ajudaram e popularizar a figura dele. E depois, quantos impraupérios recebi e até disseram que por ser cachaceiro (coisa que nunca fui), o Lula recebeu o meu voto. Coisas assim que põe à mesa o preconceito dos tucanos.
Quantidades altas de 'page views' fazem alguns bloguieros terem momentos de deslumbramento só comparáveis ao deslumbramento de ex-BBBs...
Por falar em análises sobre a mídia, a gloriosa Folha está para completar 90 anos de serviços à pátria e faz uma provocação pública no site http://www1.folha.uol.com.br/folha90anos/daquia90anos.shtml Trata-se de um concurso intitulado "Qual a notícia que você gostaria de ver na Folha daqui a 90 anos"
Que tal a blogosfera ajudar a có-irmã?
De saída proporia
Esquerda completa 98 anos de poder no Brasil
Brasil é a segunda economia do mundo
Centenário do governo Lula se aproxima e será a festa do século
Igma
Repetir aqui o comentário que fiz em cima da colocação da luzete lá no original fazendo alguns acréscimos:
O ponto é "não confiar". Devemos em cada caso, dentro do possível, avaliar as opiniões e informações levantadas por ambos os "lados" para construir a própria opinião. Sem adesismos ou pré-julgamentos.
E creio que esses textos não serão os últimos que veremos tratando do comportamento e postura de parte do "lado de cá".
Confesso ao que ao longo da minha curta jornada na blogosfera já abandonei a leitura diária de certos blogs, seja pela postura do dono, como até mesmo por posições defendidas em certos casos.
Não necessariamente concordo com tudo o que o Nassif expressa (quando se expressa) aqui, mas certamente ele construiu aqui um espaço com (alguma) pluralidade. Pluralidade que, na minha humilde opinião, eventualmente é ameaçada por um e outro que prefere desqualificar "os do contra" chamando os mesmos de trolls ou pau-mandados. Não sei se o objetivo é "eliminar vozes contrárias", fugir do debate ou simplesmente preguiça para perceber que muitos dos "contraditórios" possuem posições ou ideias consistentes ao longo de sua presença neste espaço.
Não estou dizendo que concordo ou que esse pessoal tenha razão, mas a maioria dos que observo parecem tão críveis ou legítimos quanto o pessoal "do lado de cá" e com contribuições que vão além do tradicional debate socio-político-econômico. Além de, é claro, garantirem maior pluralidade e troca de ideias que, em teoria, contribuem para o aprendizado daqueles que participam ativamente ou passivamente deste blog.
Luzete não confie cegamente em ninguém, apenas no seu discernimento.
O Sapo e o Boi
ou
A blogosfera e a mídia
Há muito, muito tempo existiu um boi imponente. Um dia o boi estava dando o seu passeio da tarde quando um pobre sapo todo mal vestido olhou para ele e ficou maravilhado. Cheio de inveja daquele boi que parecia o dono do mundo, o sapo chamou os amigos.
- Olhem só o tamanho do sujeito! Até que ele é elegante, mas grande coisa: se eu quisesse também seria.
Dizendo isso, o sapo começou a estufar a barriga e em pouco tempo já estava com o dobro do seu tamanho normal.
- Já estou grande que nem ele? – perguntou aos outros sapos.
- Não, ainda está longe! – responderam os amigos.
O sapo se estufou mais um pouco e repetiu a pergunta.
- Ainda não! – disseram de novo os outros sapos - e é melhor parar com isso porque senão vai acabar se machucando.
Mas era tanta a vontade do sapo de imitar o boi que ele continuou se estufando, estufando – até estourar.
Moral da história
Quem nasceu pra sapo, não chega a boi
"neste episódio se repete a pressa e a superficialidade da análise e a radicalização da crítica. o exagero mesmo."
Tens certeza sobre a "superficialidade da análise" e "radicalização da crítica"? Vamos conhecer o outro lado dos blogueiros sujos feios,malvados e "chapa-branca".Conhecer e tentar entender como uma matéria bem fundamenta como a abaixo "tiram valor da blogosfera"
Fátima Oliveira: Governo Dilma submete corpo das brasileiras ao Vaticano
por Conceição Lemes
Em 28 de março de 2011, a presidenta Dilma Rousseff, acompanhada do ministro Alexandre Padilha, lançou, em Belo Horizonte (MG), a Rede Cegonha.
A farmacêutica Clair Castilhos (aqui), a cientista social e jornalista Telia Negrão (aqui) e a médica e escritora Fátima Oliveira (aqui e aqui), alertaram: a Rede Cegonha é retrocesso de 30 anos nas políticas de gênero, saúde integral da mulher e direitos reprodutivos e sexuais.
Do ponto de vista de atenção integral à saúde das mulheres – o paradigma oficial do Estado brasileiro desde a década de 1980 –, a Rede Cegonha é reducionista. Retoma a noção e a prática de saúde materno-infantil, coisa que em medicina nem existe mais.
Significa atenção à saúde da mãe e da criança como unidade indissociável, na qual as mulheres deixam de ser sujeitas principais do evento reprodutivo, o foco passa a ser o bebê. Um conceito antigo, conservador e do agrado absoluto da Santa Sé.
Meses depois, após muitos embates com os movimentos de mulheres via blogosfera principalmente, o Ministério da Saúde pareceu recuar. Ao emitir a Portaria, que formalizou a Rede Cegonha, expurgou-lhe o conceito de saúde materno-infantil. Mas só pareceu.
Em 26 de dezembro, a presidenta baixou a Medida Provisória 557, que institui o Sistema Nacional de Cadastro, Vigilância e Acompanhamento da Gestante e Puérpera para Prevenção da Mortalidade Materna. Assinam-na também os ministros Padilha, Guido Mantega (Fazenda) e Miriam Belchior (Planejamento). Publicada no Diário Oficial da União do dia seguinte, já está em vigor.
Se ainda havia alguma dúvida sobre a direção da política do governo Dilma em relação à saúde da mulher, não há mais. A MP 557 sacramenta a guinada conservadora, bem orquestrada, iniciada com a Rede Cegonha. Um rumo antidemocrático, não republicano e autoritário.
Tudo sob os aplausos dos machistas, das mentalidades conservadoras dos mais diversos naipes e as bênçãos dos fundamentalistas religiosos.
Elegemos Dilma como presidenta de uma República laica, mas parece que quem dá as cartas na saúde das mulheres brasileiras é o ideário fundamentalista do tucano José Serra nas eleições de 2010, assessorado pelo bispo de Guarulhos, dom Luiz Gonzaga Bergonzini.
“O governo Dilma ajoelhou e rezou”, afirma Fátima Oliveira. “Eu não tenho dúvida de que a MP 557 é a reza final. Acho que a Santa Sé não tem mais nada a pedir ao governo Dilma, porque ela já deu tudo.”
“A MP 557 traz de contrabando o nascituro, que é um dos grandes sonhos dos fundamentalistas religiosos, desde os tempos em que o ex-deputado federal Severino Cavalcanti (PP-PE) propôs o Estatuto do Nascituro”, critica Fátima. “O nascituro não existe sem a mãe. Logo, ao se cuidar da mãe, está se cuidando dele. Não tem sentido dar-lhe personalidade civil, como tenta a MP 557. É inconstitucional.”
“Estou convencida de que essa MP tem uma finalidade ideológica, religiosa. Ela foi feita exclusivamente para tentar passar como contrabando a personalidade civil do nascituro. Ela não tem outro objetivo que não esse”, vai mais fundo Fátima. “Quem escreveu a MP tinha o objetivo de arrumar um gancho legal para os conteúdos da bolsa-estupro e do Estatuto do Nascituro.”
“Infelizmente, o governo Dilma, que é a nossa primeira presidente mulher, está jogando no lixo todos os compromissos assumidos pelo Brasil nos espaços das Nações Unidas na área de saúde da mulher”, sentencia Fátima. “Junto, 30 anos de luta das mulheres brasileiras pela saúde, direitos sexuais e reprodutivos. Um retrocesso sem precedentes.”
Fátima é estudiosa, militante da saúde da mulher e autoridade no que fala. Voz ativa, dura e respeitada, nos principais fóruns nacionais e internacionais das duas últimas décadas, foi secretária-executiva da Rede Feminista de Saúde de 2002 a 2006.
Guerreira que dá gosto, a avó de Maria Clara, Luana e Lucas e mãe de Maria, Débora, Lívia, Gabriel e Arthur, nasceu com cabelinhos nas ventas. Aos 16 anos (hoje tem 58), começou a batalhar pelos direitos das mulheres e um mundo mais solidário. Não parou mais.
Médica do pronto-socorro do Hospital de Clínicas da UFMG, onde dá duros plantões, Fátima integra os conselhos Diretor da Comissão de Cidadania e Reprodução (CCR) e Consultivo da Rede de Saúde das Mulheres Latino-americanas e do Caribe (RSMLAC).
Sentindo-se apunhalada pela MP 557, inicialmente esquivou-se dessa entrevista. Estava muito indignada. Não parava de repetir: “Não votamos em Dilma para o retrocesso. Se ela não dá conta ou não quer avançar, no mínimo, não deveria retroceder, desautorizar o nosso empenho para elegê-la numa eleição tão difícil, titanicamente ideológica”.
Mas acabei convencendo-a. Eis a íntegra da nossa conversa. A pedidos, vou tratá-la por você.
Viomundo – Nós começamos 2011, com o anúncio da Rede Cegonha. Em entrevista que nos deu, você foi taxativa: Ministério da Saúde adoça a boca do Vaticano. E agora, com a MP 557?
Fátima Oliveira – O governo ajoelhou e rezou. Eu não consigo entender por quais motivos um Estado laico se submete ao Vaticano dessa forma. O governo vem crescentemente cedendo às ideias fundamentalistas mais de extração católica. Eu não tenho dúvida de que a MP 557 é a reza final. Acho que a Santa Sé não tem mais nada a pedir ao governo Dilma, porque ela já deu tudo.
Viomundo – Como assim, doutora?
Fátima Oliveira – Desde que soube dessa malfadada Medida Provisória 557, eu me pergunto: por quê? Li e a reli várias vezes para tentar entender a sua razão. Fico chocada cada vez mais. Após ler exposição de motivos no domingo, fiquei totalmente estarrecida.
Viomundo – Por quê?
Fátima Oliveira – Primeiro, a exposição de motivos é fraca de argumentos, inconsistente, tem várias lacunas. Demonstra claramente que quem a escreveu ignora ou omite propositalmente os reais compromissos assumidos pelo Brasil nos espaços das Nações Unidas. Sobretudo os referentes à Conferência sobre População e Desenvolvimento, que aconteceu no Cairo, em 1994. Conhecida como Conferência do Cairo, ela é um marco. Consagrou globalmente conceitos de saúde e direitos reprodutivos.
Segundo, como uma MP que se propõe a reduzir a morte materna não menciona uma só vez a palavra aborto, a quarta causa de morte materna no país, e, ainda por cima, faz de conta que a Norma Técnica de Atenção Humanizada ao Abortamento (2004) não existe? Para mim, isso é um tipo de arrogância.
O aborto inseguro é um problema de saúde pública no Brasil. É como disse o embaixador do Brasil no Chile, Gelson Fonseca Júnior, chefe da delegação brasileira na Reunião da Mesa Diretora Ampliada do Comitê Especial de População e Desenvolvimento, realizada, em 2004, em Santiago: Sem cuidar do aborto inseguro, combater a mortalidade materna é uma miragem.
Terceiro, a MP 557 traz de contrabando o nascituro, que é o grande sonho dos fundamentalistas religiosos, desde os tempos em que o deputado Severino Cavalcanti propôs o Estatuto do Nascituro. O nascituro não existe sem a mãe. Logo, ao se cuidar da mãe, está se cuidando dele. Não tem sentido tratá-lo como ser autônomo, como está na MP 557. Está na contramão da Constituição Brasileira, de 1988, como mostrou brilhantemente a doutora Beatriz Galli na entrevista que deu a você.
Viomundo – O fato de a MP 557 fingir que não existe a Norma Técnica de Atenção Humanizada ao Aborto, elaborada pelo próprio Ministério da Saúde, é realmente muito estranho. Mais esquisito é incluir o nascituro, cuja personalidade civil não é reconhecida pela nossa Constituição. E só arrogância de quem fez a MP? Não haveria também ignorância, talvez até má-fé?
Fátima Oliveira – Pode ser um misto das três coisas: arrogância, ignorância e má-fé. Estou convencida de que essa MP tem uma finalidade ideológica, religiosa. Ela foi feita exclusivamente para tentar passar como contrabando a personalidade civil do nascituro. Ela não tem outro objetivo que não esse.
Viomundo – A presidenta Dilma e o ministro Padilha não estariam sendo enganados?
Fátima Oliveira – Não acredito. Acho que eles pensam assim. Ou os compromissos assumidos com os setores mais conservadores durante as eleições de 2010 exigem que atuem assim. Das duas uma. Como na poesia Ou Isto ou aquilo, de Cecília Meireles:
“Ou se tem chuva e não se tem sol,/ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,/ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,/quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa/estar ao mesmo tempo nos dois lugares!”
Viomundo – Na exposição de motivos da MP, está dito que o Brasil tem o compromisso com as Metas do Milênio de reduzir drasticamente a mortalidade materna até 2015 e que sem o cadastro é impossível atingí-la. Concorda?
Fátima Oliveira – A criação de um cadastro nacional de gestantes é abusiva. É invasão de privacidade. Não podemos admiti-la em hipótese alguma. Viola o sigilo médico.
Na verdade, o cadastro é mais um amém do governo aos fundamentalistas religiosos. Ter um cadastro nacional unificado com todas as mulheres que engravidam no Brasil é outro grande sonho deles. Está no projeto de lei da bolsa-estupro e no Estatuto do Nascituro. Eles querem poder acessar num só lugar quem está grávida nesse país, para verificar se aquela mulher vai levar aquela gestação até o fim. Será que o governo não sabe? Tenho dúvidas.
No Brasil, nós já temos vários sistemas de coleta de dados de saúde, inclusive do pré-natal. O governo não tem necessidade desse novo cadastro. Talvez precise ser aprimorado, coletar um ou outro dado a mais. Mas não criar um cadastro nacional com a vida sexual e reprodutiva das mulheres brasileiras, que pode acessado a qualquer hora, por qualquer pessoa.
Viomundo – E quanto ao argumento das Metas do Milênio?
Fátima Oliveira – O Brasil tem de cumprir as Metas do Milênio, sim, já que concordou com a pauta minimalista dos governos membros da ONU. Cabe ressaltar que as Metas do Milênio são uma pauta dos governos, que fracassaram no cumprimento dos Programas e Plataformas de Ação do ciclo de Conferências Sociais da ONU (Organização das Nações Unidas) da década de 1990. Nada a ver com os movimentos sociais, que fique explícito. Portanto, cumprir as Metas do Milênio não significa que não tem de cumprir também todas as outras plataformas.
Ou seja, as Metas do Milênio não anulam os compromissos assumidos anteriormente, como os das conferências do Cairo e Beijing [respectivamente, 1994 e 1995]. E as questões referentes à mortalidade materna, aos direitos sexuais e aos direitos reprodutivos estão contidas em todas essas conferências, das quais o Brasil é signatário. Portanto, no Brasil, isso é também lei.
Aliás, uma MP dessa natureza jamais poderia ter sido feita sem a presença e a orientação do Itamaraty. Além de a diplomacia brasileira ser muito considerada nos espaços das Nações Unidas, o Itamaraty, em função do ciclo de Conferências Sociais da ONU, sabe as plataformas que assinou e os compromissos que assumiu. Eu sou testemunha disso, pois fui membro da delegação brasileira em muitas delas.
Viomundo – O ministro Padilha disse que quem não quiser não precisa se cadastrar, que o cadastro não é obrigatório...
Fátima Oliveira – Eu não preciso dos R$ 50 para pagar a condução para a um serviço de saúde. Você também não precisa, assim como certamente quase todas as leitoras do Viomundo. Já milhares e milhares de mulheres de baixa renda por esse Brasil afora necessitam desse recurso. Como elas vão conseguí-lo sem se cadastrar? Não vão.
Portanto, o cadastro é obrigatório, sim. Dizer o contrário é sofisma. Só não vai se cadastrar para receber o auxílio-transporte quem não precisa de assistência do SUS, ou seja, as mulheres com melhor condição financeira, que têm plano de saúde ou médico particular.
Mas, ao bem da verdade, para ser fiel à verdade, fica feio o ministro sair pela tangente porque para quem sabe ler, basta ler a MP, ela é absolutamente inteligível: o cadastro é para as gregas e troianas rsrsrsrsr, na medida em que é obrigatório para todos os serviços de saúde, públicos e privados. Sem choro, sem vela… É assim que reza a MP!
Viomundo – O que acha do auxílio de até R$ 50 para transporte?
Fátima Oliveira – É um compromisso do governo desde o anúncio da Rede Cegonha, no início de 2011. Eu nunca vou ser contra dar subsídio à população para algo que ela precisa. Muita gente precisa. Para algumas mulheres, vai ser pouco para custear as idas às consultas e exames do pré-natal, depois ao hospital, para ter o bebê. Para outras, o valor de R$ 50 talvez seja suficiente. Agora, se o governo tem, deve dar, sim. A pátria pode e deve ser mátria para quem necessita. Assim penso.
Afora o auxílio-transporte e a reafirmação do direito de acompanhante durante o trabalho de parto, no parto e no pós-parto imediato, não tem nada que se aproveite nessa MP no sentido que ela se propõe, que é o de auxiliar a combater a mortalidade materna.
Viomundo – Será que tudo isso foi colocado realmente com todas as letras para a presidenta Dilma?
Fátima Oliveira – Se não foi, é imperdoável. Mas eu não acho que ninguém do governo seja inocente, nem que a Dilma ou o Padilha tenham sido enganados. Acho que baixaram essa famigerada MP, porque queriam fazer isso. Pensam assim. Ou são obrigados, por “forças ocultas”, a pensar assim…
Quem escreveu a MP tinha o objetivo de arrumar um gancho legal para os conteúdos da bolsa-estupro e do Estatuto do Nascituro.
Em função desse embate virtual e na imprensa escrita que temos tido com o Ministério da Saúde [Rede Cegonha, Política Atenção Integral à Saúde da Mulher, descumprimento daNorma Técnica de Atenção Humanizada ao Abortamento e MP 557] e de outras coisas, chegamos à triste constatação de que a postura de ouvido de mercador tem sido a regra. O que para a democracia é catastrófico.
Dá para imaginar um governo, que se declara popular e democrático, adota o silêncio, o desdém e a tentativa de desmoralização, quando setores respeitáveis da sociedade, com quilometragem inegável de luta, se posicionam em busca do melhor para a sociedade?
Bem, mas é o que tem acontecido. Aliás, tem sido a regra no campo da saúde. Até parece que não somos ninguém, que somos inimigos. Ao contrário. Quem está no governo, precisa saber que o governo Dilma é tão deles quanto nosso. Certamente há muita gente que não ocupa cargos que suou, sangrou em nome de uma proposta de país. Portanto, merece respeito, merece ser ouvida. E até lealdade, quando achamos que algo não é o melhor, temos de nos posicionar contra, porque queremos que o governo acerte cada vez mais. Ou essa não é uma regra da democracia?
Nem sempre quem está encastelado no governo sabe para que lado o vento sopra. Daí para ser um construtor de tempestades — por desconhecimento, para privilegiar a sua visão pessoal de mundo e eventualmente até por má-fé — é um pulo…
Viomundo – Por exemplo.
Fátima Oliveira – Causa-me irritação profunda a forma como esse governo vem tratando a questão do aborto.
Sempre que o ministro Padilha é questionado, ele se limita a dizer: Vamos cumprir a lei.
Na 3ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, um dos temas importantes foi o aborto. Pois bem, a ministra Iriny Lopes, da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República disse: Aborto, nós não vamos tratar aqui, porque aborto é com o Congresso Nacional.
Como um ministro da Saúde, que é médico e sabe o que é a carnificina do aborto clandestino no Brasil, diz apenas: Eu só vou cumprir a lei?
O ministro Padilha sabe, sim, que o combate à mortalidade materna passa não só pela atenção ao abortamento inseguro, mas passa também pela legalização do aborto no Brasil. Aí, vem com essa de “Vamos cumprir a lei” e estamos conversados!
Putz, eu não votei em Dilma para ouvir esse nível de conformismo, mas para avançar mais e mais na construção da cidadania, para remover entulhos restritivos à democracia, à laicidade. Para ouvir isso, teria sufragado o nome de José Serra. Ou não?
Ora me compre um bode, pois nem a lei tem sido cumprida! Em um ano de governo alguém ouviu falar quantos novos serviços de aborto previsto em lei foram instalados?
Alguém sabe quanto de recursos financeiros o Ministério da Saúde disponibilizou para tais serviços? Estamos ouvindo falar que o primeiro serviço previsto em lei instalado no Brasil, o do Hospital do Jabaquara na cidade de São Paulo, fechou ou vai fechar…
Como uma ministra cuja pasta tem o papel de conferir mais cidadania às mulheres diz que o aborto não tem nada a ver com o Executivo? Para mim revela inadequação ao papel que precisa desempenhar, além de querer interditar a nossa fala!
É como se eles dissessem: vocês que se lasquem. E deixam a gente se lascar bem lascada, porque nem o aborto previsto em lei está sendo cumprido.
Viomundo – Insensibilidade da parte deles? Só de pensar que por ano são realizados muitos milhares de abortamentos clandestinos, inseguros, que matam centenas e centenas de mulheres, não dá para a gente ser hipócrita e fazer de conta que essa tragédia não acontece aqui…
Fátima Oliveira – Seriam esses ministros ignorantes do seu papel? Ou estariam nos chamando de burras?
Um governo popular e democrático tem o dever de cumprir a lei. Mas tem o dever também de fazer avançar a cidadania.
Quem é que não sabe que para mudar a lei tem de passar pelo Congresso? Nós não estamos falando em legalização do aborto. A Dilma já disse que não vai mexer com isso. Então não vamos perder o nosso tempo.
Mas nós queremos o que conquistamos nessa área. A aplicação da norma técnica de atenção humanizada aos casos de aborto previstos em lei, o que não vem acontecendo. Pior. O governo esconde-a propositalmente na MP 557, que cuida de morte materna.
Não foi para isso que nós votamos na presidenta Dilma. Não foi para isso que nós suamos e sangramos, não. Nós votamos nela com a convicção de que a cidadania das mulheres brasileiras seria um ponto importante, que os direitos conquistados seriam respeitados e seria possível avançar em muitos aspectos.
Viomundo – O que achou de a MP ter sido baixada no dia 26 de dezembro?
Fátima Oliveira – Já te disse e repito: tudo que é feito na calada da noite, na calada dos intervalos de recesso de final de ano, a gente tem de desconfiar.
Achei de uma maldade tão grande baixar um documento tão sério num momento em que as pessoas estão descansando, vão tirar uns dias com as suas famílias. Isso faz parte da cultura brasileira dos feriados de final de ano…
O governo tinha certeza de que a MP iria dar problemas, por isso deixou-a para essa época do ano. A data foi escolhida a dedo e quem escreveu a MP sabia o que queria colocar ali. Tanto que colocou.
Não há justificativa dos pontos de vista médico, de saúde e político, para essa MP. Ela é injustificável, ainda mais na última semana do ano. Um governo democrático não pode se comportar dessa forma. Por que não fez uma MP de Responsabilidade Sanitária? Com certeza com ela mudaríamos para melhor muitos aspectos da atenção à saúde, inclusive mortalidade materna. Por que não encarar de vez uma MP resolutiva de certeza na área da saúde?
Viomundo – Você continua indignada, zangada, como estava na última quinta-feira, 29 de dezembro, quando começou a criticar a MP 557 no twitter?
Fátima Oliveira – Fiquei doente esses dias. Zangada, não estou. Indignada, sim. Estou me sentindo absolutamente apunhalada. Embora eu seja uma crítica feroz da Rede Cegonha, desde a primeira hora, subestimamos o viés ideológico do caminho que o Ministério da Saúde começava a tomar. Esse caminho se aprofundou nessa MP.
Infelizmente, repito, o governo Dilma, que é a nossa primeira presidente mulher, está jogando no lixo todos os compromissos assumidos pelo Brasil nos espaços das Nações Unidas na área de saúde da mulher. Junto, a luta das mulheres brasileiras pela atenção à saúde integral, direitos sexuais e direitos reprodutivos, que começou em plena ditadura militar. Um retrocesso de 30 anos, sem precedentes.
Viomundo – Na verdade, um viés ideológico-religioso, sendo os nossos corpos o objeto de negociação.
Fátima Oliveira – Exatamente. Eu tenho moral para falar o que vou dizer agora, pois na época da Constituinte, eu coletei muita assinatura para a liberdade de religião no Brasil.
Eu defendo o direito de toda autoridade tenha a religião que quiser. Só que religião é uma coisa da intimidade da pessoa, pra seu consumo interno. As religiões dos governantes não podem ser a régua do exercício do poder público. Nos cargos públicos, as questões religiosas não podem ser condutoras das políticas públicas.
Esse governo já deu demonstrações demais a quem está submetido quando o assunto são os corpos das mulheres. Está na hora de dizermos ao governo que os nossos corpos nos pertencem e não podem ser moeda de troca, com quem quer que seja.
Essa MP foi a gota d’água num oceano. Nós queremos que a saúde da mulher nesse país seja tratada como deve ser tratada numa república laica, democrática e de avanços de direitos.
Viomundo – Qual a saída?
Fátima Oliveira – Numa democracia laica, diante de tantos problemas que estamos vendo no campo da saúde e os levantados na área do direito pela doutora Beatriz Galli, manda o bom senso que essa MP não vá adiante.
No meu entender, só existe uma saída: a presidenta Dilma retirar essa MP e rediscutir a questão de como melhorar a política de combate à morte materna com setores da sociedade que têm capacidade para isso. No Brasil, há muita gente que pode contribuir para que o país possa cumprir os seus compromissos com as Metas do Milênio e com plataformas das Conferências Sociais da ONU.
Viomundo – De que forma?
Fátima Oliveira – Esse governo tem de descer do salto. E chamar uma discussão ampla com os diferentes setores da sociedade, inclusive com o Itamaraty.
O ministro Padilha é a simpatia em pessoa, ar de boa gente, mas tem se mostrado equivocado e autoritário quando o assunto é saúde da mulher. Um horror! Basta dizer que, quando do anúncio da Rede Cegonha, se pediu que ele abrisse um espaço de discussão amplo na sociedade. Ele não chamou para esse debate. Nós queremos um debate real e não virtual.
Agora, na medida provisória, ele tenta transformar retrocessos em lei. Não foi para esse tipo de comportamento e nem um governo cheirando a mofo medieval, comandado pela Capela Sistina que a gente saiu às ruas para pedir votos para Dilma.
Um pouco antes das últimas eleições presidenciais, eu escrevi o seguinte num artigo para o Viomundo:
“Em 2010 em nosso país o que está em jogo é também a luta por uma democracia que se guie pela deferência à liberdade reprodutiva e que considere a maternidade voluntária um valor moral, político e ético, logo respeita e apoia as decisões reprodutivas das mulheres, independente da fé que professam. Nada a ver com a escolha de quem vai mandar mais no território dos corpos das mulheres! Então, xô, tirem as mãos dos nossos ovários!”
Pois não é que agora, com a MP 557, o governo Dilma quer mandar nos nossos corpos? Eu estou me sentindo apunhalada, mesmo. E o que é pior: pelas costas!
PS do Viomundo: Provavelmente publicaremos nesta sexta-feira, 6 de janeiro, a entrevista que fiz sobre a MP 557 com o dr. Fausto Pereira dos Santos, assessor especial do ministro Alexandre Padilha. A postagem amanhã está dependendo de dados adicionais que solicitei ao dr. Fausto e à assessoria de imprensa do Ministério da Saúde.
PS 2 do Viomundo: O dr. Fausto, via assessoria de imprensa, nos enviou no final dessa quinta-feira as respostas complementares. Mas, como faltam melhores esclarecimentos de algumas delas e o assunto é muito importante, postaremos na segunda-feira a entrevista com o assessor do ministro Padilha.
Para ler a íntegra da MP 557, clique aqui
Maria José Rosado, das Católicas pelo Direito de Decidir sobre a MP 557 : O que é isso, Presidenta?
Fátima Oliveira: Sem cuidar do aborto inseguro, combater morte materna é miragem
Beatriz Galli: A MP 557 é um absurdo; em vez de proteger gestantes, viola direitos humanos
“Instrui-vos, porque precisamos de vossa inteligência. Agitai-vos, porque precisamos de vosso entusiasmo. Organizai-vos, porque carecemos de toda vossa força.” Revista Lórdine Nuovo
Bravos, Paulo, por tocar nisso. Apoiar um governo nao é apoiar incondicionalmente qualquer m* que ele faça!
Desculpem-nos pelo incômodo causado. Estamos aguardando ordens sobre o que a gente pode noticiar...
Então, Luzete, nos dê uma pálida idéia de como nos portarmos diante da ditadura e oligarguias que mandam e desmandam nesse país desde o seu descobrimento. Há, por certo, exageros aqui e acolá, mas não será por isso que vamos continuar nos submetendo a essa ditadura midiática, a qual, se voce ainda não percebeu, é partidarizada e co-autora de crimes perpetrados pelos seus sócios políticos contra o patromônio público, inclusive seu, meu, nosso.
Não me venha, Luzete, com seus achismos pseudo éticos. Com essa camarilha não se brinca e por eles, estaríamos ainda sob a égide do AI-5. O que eles querem é se apropriar, ainda mais, do que um dia foi do povo.
A postura e os atos da Dilma, até agora, são de uma subserviência escancarada e fomos nós que salvamos a eleição dela, até, e inclusive, do fogo amigo e fizemos contraponto às "famiglias" midiáticas que queriam retornar ao poder nos braços do patriacardo e baronato.
Suas palavras, Luzete, são mais que um desestímulo na luta contra o "status quo", é um pedido de arrego!!
gostei do pt de vista da luzete. me identifico com ele.
"ah, não foi para isto que elegi a dilma como presidenta, num atestado de incompreensão sobre os meandros de cada negociação política".
Quer dizer agora que o representado deve se submeter ao representante?
Márcio Cubiak Mestrando em Desenvolvimento Regional FURB - Blumenau
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