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Os combustíveis fósseis e o aquecimento global no intrincado jogo da política energéticaEnviado por luisnassif, seg, 08/08/2011 - 19:56
Autor:
Renato Queiroz
Por Ronaldo Bicalho
Por Renato Queiroz, do Blog Infopetro Ao formularem e reavaliarem as políticas energéticas, os países enfrentam uma questão: as futuras matrizes energéticas devem refletir as ações que diminuam em ritmo crescente a queima do petróleo, gás natural e carvão, na busca de frear o aumento da concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. Essa questão vem acompanhada de relatórios de organizações respeitadas, como aqueles do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), advertindo que se tais ações não se concretizarem haverá elevação dos oceanos, secas em determinadas regiões, alterações no clima, etc. Outro exemplo é o documento publicado pelo Banco Asiático de Desenvolvimento, em 2 de agosto de 2011, “A Ásia 2050”, e cujas conclusões foram divulgadas recentemente pela mídia. Essa instituição, fundada em 1966 e cujo objetivo é promover o crescimento econômico para países em desenvolvimento na Ásia, alerta, nesse documento, que o impacto das mudanças climáticas está entre os principais entraves, para que a região recupere a posição econômica dominante que tinha antes da Revolução Industrial. Mas o que parece é que tais advertências não estão encontrando ecos. Mesmo em nossas casas, verificamos que os utensílios plásticos e as fibras sintéticas (ex. poliéster, acrílico e náilon), cujas matérias-primas vêm do petróleo, convivem intimamente conosco, tendo inclusive preços acessíveis. Vale lembrar que as resinas termoplásticas originam peças para computadores, eletroeletrônicos, brinquedos de nossos filhos, embalagens para alimentos, produtos de higiene e por aí vai. Ficam as perguntas: as políticas energéticas são irracionais por não terem soluções e ações efetivas para substituir esses “combustíveis fósseis”? Ouve-se que decisões irracionais têm uma forte relação com a racionalidade do poder. E isso explicaria a questão para muitos e o assunto estaria encerrado. Mas cabe lançar algumas reflexões. Há afirmações e/ou previsões sobre a aproximação do fim da era de um dos “vilões mor” da poluição do mundo: o petróleo. Há expectativas e avaliações de que se aproxima uma era sem petróleo nos próximos 40 ou 50 anos, dependendo da velocidade do consumo. E o carvão e o gás natural desempenham também papéis negativos nessa possível “conspiração” contra o clima. Focando inicialmente no petróleo, surge a indagação se esse combustível é realmente considerado pelas sociedades como um vilão. Não custa lembrar que a origem do termo vilão vem da Idade Média, referindo-se a indivíduos que não pertenciam à nobreza. Assim, considerá-lo como um ator, fora de um mundo nobre, quando sabemos que o petróleo é um dos maiores “business” do mundo, não é um auto-engano? Afinal, o petróleo enriquece muitos países, traz desenvolvimento e conforto a muitos indivíduos e isso sem entrar nos meandros da geopolítica e nos conflitos de dominação. Não é à toa que ele é chamado de “ouro negro”. Além disso, a união “estável” entre as indústrias do petróleo e de transporte, formando um poder econômico fortíssimo, enriquece ainda mais essas considerações. Tudo isso já é suficiente para mostrar a complexidade da substituição do petróleo. (...) continua no Blog Infopetro.
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Comentários + votados
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Jose de Almeida Bispo
08/08/2011 - 22:06
"Essa questão vem acompanhada de relatórios de organizações respeitadas, (...)"
Sinceramente... quando envolve poder e mais diretamente o dinheiro, sempre fico com uma pulga atrás da orelha em...
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Caesarea
08/08/2011 - 22:51
Resumindo: 1º É muito fácil pregar o "aquecimento global", quando os países de primeiro mundo (depois de destruir seu próprio meioambiente, vem dizer que nós países em desenvolvimento não podemos "...
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"Essa questão vem acompanhada de relatórios de organizações respeitadas, (...)"
Sinceramente... quando envolve poder e mais diretamente o dinheiro, sempre fico com uma pulga atrás da orelha em acreditar nessas "respeitadas" organizações que tudo faz seletivamente. Sobre essa história de aquecimento global, quais os parâmetros? Há quantos anos estamos analizando... quantos anos temos de estatísticas mundiais sobre isso pra termos certeza de que o planeta marcha para esse "aquecimento global?"
Quem está ganhando com essa história? Sim, porque pra mim, um assunto só é notícia e não propaganda depois de dissecá-lo; depois de ver que não foi criado para que alguém ganhe algo, mesmo que acidentlmente isso venha ocorrer.
Resumindo: 1º É muito fácil pregar o "aquecimento global", quando os países de primeiro mundo (depois de destruir seu próprio meioambiente, vem dizer que nós países em desenvolvimento não podemos "crescer"; 2º quem disse que o IPCC é uma organização "respeitável???; 3º Se realmente esse papo de elevação dos oceanos fosse verdade, por que o paladino Al Gore comprou uma mansão na California em frente ao mar?????
O artigo mistura as bolas, misturando gasolina com plásticos, ambos derivados do petróleo, mas enquanto a gasolina é produzida p/ ser queimada e convertida em CO2, os plásticos imobilizan carbono e a priori são benéficos do ponto de vista do aquecimento global.
De qualquer jeito não há força no mundo que faça com que o petróleo deixe de ser queimado no mundo atual. Do ponto de vista geológico é a mesma coisa que o petróleo seja consumido em 100 ou 200 anos, então é ilusório tratar de eliminar já a imensa frota de veículos movidos a derivados do petróleo. Devemos deixar que o natural aumento do petróleo faça com que gradualmente perca espaço para combustíveis renováveis, sobretudo eletricidade produzida de fontes solares e eólicas. O aumento de CO2 pode provocar alterações climáticas mas não vai destruir a civilização. O que sim pode destruir a civilização é a falta de energia e por isso devemos investir urgentemente em novas fontes de energia (de preferência renováveis) para saciar as necessidades do mundo e os governantes devem começar a se preocupar em investir em transporte de massas movidos a eletricidade que serão, mormente, o meio de transporte do futuro.
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Hoje o mundo tem uma reserva total de petróleo com, aproximadamente, 1,04 trilhão de barris. E de 155,78 trilhões de m³ de gás natural.
Minha pergunta é..
Quanto tudo isso representa em lançamento pontecial de Co2 na atmosfera..??
O planeta, a vida humana, vai aguentar todo esse Co2 que poderá ser produzido..?
Penso que as teses do prof. Luiz Carlos Molion sejam ainda um grande contraponto a esses argumentos, para as quais não encontrei motivos ainda para desacreditar:
1°) o paralelo entre as curvas de crescimento das temperaturas médias mundiais e os teores de CO2 atmosférico tem nesse um mero efeito e não causa, pois os oceanos, grandes reservatórios naturais do gás, ao serem aquecidos liberam-no - achei genial esse argumento dele, que enfrenta esse que é o grande chamariz para a tese do aquecimento;
2º) o gás que teria potencial efetivo de efeito estufa seria o vapor d'água e não o CO2, cujos teores atuais, ao redor de 0,035%, seriam muito pequenos para ter relevância sobre o primeiro;
3º) o aquecimento e resfriamento se dá em função da maior ou menor atividade solar que, aliás, estaria numa fase de menor atividade, pelo que estaríamos entrando em uma pequena e improdutiva (em termos disponibilidade de alimentos, por conta da diminuição das chuvas) era glacial nos próximos anos;
4º) o CO2 é insumo essencial à fotossíntese e um aumento seria benéfico à produtividade das lavouras como, segundo ele, já foi comprovado empiricamente.
Acrescento a isso uma observação minha, que nasceu da época em acreditava bastante na tese do aquecimento: com os alarmes a respeito dos níveis preocupante de CO2, os quais teriam atingido ponto irreversível, isto é, cujo aquecimento por ele causado já estaria provocando o degelo do permafrost e, por consequência, níveis altos de fermentação da matéria orgânica nele contida e, ainda por consequência, a liberação de metano, gás com potencial de efeito estufa cerca de 23 vezes superior ao CO2. Tive ainda a notícia de que muito mais da metade do carbono existente no planeta estaria contido nos frágeis cristais de hidreto de metano, armazenados nos fundos gelados dos oceanos; e que uma mudança nas condições de temperatura e pressão ali existentes poderia liberar toneladas de metano no ar, o que geraria um ciclo vicioso que elevaria a temperatura da Terra em muitos graus em pouquíssimas décadas.
Diante de tais argumentos, o que fazer? A mera interrupção do uso de combustíveis fósseis e desflorestamentos seriam já inúteis, portanto o grande mote seria a retenção do CO2 já lançado.
Mas como fazer isso? Acabei me deparando com uma tese bastante interessante: se a atividade econômica gerou o desastre, o melhor seria a mesma força ser usada combatê-lo.
Pude me informar que existem mecanismos bastante eficientes de conversão do lixo orgânico em turva, através da pirólise.
Assim, um modo bastante engenhoso de reter o CO2 já liberado seria a utilização da biomassa (isto é, CO2 recém retirado do ar pelas plantas) para a produção dos nossos descartáveis, que por sua vez, compondo os milhares de toneladas de lixo produzidos diariamente, seriam convertidos em turfa, a qual funciona como um excelente coadjuvante na adubação, por sua propriedade de reter umidade e nutrientes para os vegetais (ver, por exemplo, http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/story/2004/01/040106_terrapretaml.shtml, texto que fala sobre a terra preta amazônica, que tem na matéria orgânica nela contida o motivo de uma fertilidade excepecional).
Não fiz qualquer análise quantitativa para verificar a efetividade disso, apesar de achar plenamente viável, principalmente a partir do subsídio vindo de créditos de carbono vindo da indústria baseada em combustíveis fósseis – teríamos assim o melhor dos mundos, economicamente (numa visão bastante capitalista, diga-se) falando, de um lado uma próspera indústria despejando CO2 na atmosfera, que por sua vez viabilizaria uma outra que o reteria e, de lambuja, contribuiria para aumentar a fertilidade dos solos e, num ciclo virtuoso, promoveria mais retenção de CO2 pelo aumento da biomassa criada no ciclo de industrialização.
Acabei, por fim, achando uma balela a retenção de carbono. Penso, ainda sem muita certeza, ser providencial a nossa civilização do combustível fóssil, pois estamos interrompendo um ciclo suicida do planeta de soterrar ininterruptamente o CO2 (que supõe-se já tenha estado em teores de 30% na atmosfera primitiva), o que acarretaria numa diminuição constante na intensidade da vida planetária nos próximos milhares de anos.
Exponho minhas reflexões às críticas (não necessariamente contrárias, eu penso) dos colegas do blog.
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