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Os 90 anos do Movimento ModernistaEnviado por luisnassif, dom, 05/02/2012 - 09:01
Por Andre Araujo
NOVENTA ANOS DO MOVIMENTO MODERNISTA EM SÃO PAULO - No proximo dia 13 comemoram-se os 90 anos do inicio da Semana modernista de 1922, movimento fundamental para a renovação da cultura brasileira, na esteira das grandes mudanças sociais causadas pela Primeira Guerra na Europa. A literatura, as artes plasticas, a musica e o teatro no inicio dos anos 20 estavam ainda atrelados à Belle Epoque , com o parnasianismo na poesia, o realismo na pintura, a prosa seguindo os classicos portugueses e se expressando na grande produção literaria brasileira que vem dos anos 70 do Século anterior, ainda no Imperio e chega ao seu periodo de ouro pouco antes do grande conflito mundial. Era uma literatura de alto valor mas de estilo tradicional e carente de renovação. A Semana de Arte Moderna foi um movimento da elite cultural paulista, que contava com enraizamento na alta sociedade paulistana da época, que abria seus salões para o intelecto e a arte, algo que infelizmente desapareceu. Foi a grande dama Olivia Guedes Penteado quem organizou eventos que ocorreram em torno do Teatro Municipal, com Oswald de Andrade e Mario de Andrade como expressões literárias, Anita Malfatti, Di Cavalcanti e o que seria depois o Grupo Santa Helena na pintura, a inigualavel Tarsila do Amaral, Victor Brecheret na escultura, Heitor Villa Lobos na musica, cabeças pensantes inquietas e renovadoras que romperam canones até então muito caros à chamada "arte estabelecida". Os modernistas abriram caminho para a grande literatura regionalista que viria nos anos 30 e que mudou a dimensão social da nossa literatura, com Jose Lins do Rego, Graciliano Ramos, Jorge Amado, Gilberto Amado, Erico Verissimo, Guimarães Rosa, na poesia com Carlos Drummond de Andrade, Raul Bopp e Manuel Bandeira, na arquitetura com Oscar Niemayer e Afonso Reidy. Na pintura o modernismo abriu caminho para uma escola de pintores paulistas de origem italiana, como Volpi, Pennachi e Bonadei, Campofiorito, irmãos Bernardelli, que foram responsaveis por uma grande produção pictorica da melhor qualidade. Essa escola projetou-se nas decadas de 40 e 50 no teatro e no cinema, tornando São Paulo um centro teatral e de cinema que desagua na Bienal de São Paulo, no Museu de Arte de São Paulo e nos MUseus de Arte Moderna (MAM) e de Arte Contemporanea (MAC). A Semana de Arte Moderna foi mais que uma manifestação de artistas, foi uma vangurda que captou as grandes mudanças sociais que estavam ocorrendo em São Paulo e no Brasil, vivenciadas pelas insurgencias contra a Republica Velha no mesmo ano de 1922, pela revolução de 1924 em São Paulo, pela Coluna Prestes de 24 a 28 e fechando o ciclo insurrecional com a Revolução de 30 e a nova onda de industrialização em São Paulo, mudando a cara da economia e da sociedade paulistas, abalada pela crise de 29 e pela derrocada da predominancia do café, que arruinou boa parte da aristocracia ligada à Primeira Republica. A Semana de Arte Moderna foi um catavento, que sentiu a direção das mudanças e se expressou como vanguarda artistica. E por que razão foi em São Paulo e não no Rio? Tenho minha interpretação pessoal: São Paulo, por causa da grande imigração italiana que constituia boa parte de seu nucleo populacional, ressoava mais o que acontecia na Europa e especialmente na Italia nesses anos. O modernismo paulista tem grande inspiração italiana com Marinetti e ´DÁnnunzio, havia muito movimento de viagens entre S.Paulo e Italia, com navios semanais, havia uma ligação intima dos imigrantes enriquecidos de São Paulo com a Italia, os Matarazzo e os Crespi tinham palacetes na Italia e la passavam longas temporadas, alguns filhos dessas duas familias e dos Prada passaram a morar na Italia, desfrutando da fortuna ganha no Brasil. Esse ida e volta estimulava a transferencia de idéias, de modas, de tendencias. Já o Rio de Janeiro tinha uma sociedade tradicional mais voltada para o Brasil e quando viajavam era para a França para o desfrute, para os cabarés e para a vida social, não havia muito interesse artistico nesse fluxo de turismo rico carioca. De qualquer modo, a Semana propagou-se pelo Brasil e mudou a cultura brasileira para os novos tempos que se iniciaram com o Brasil novo da Era Vargas.
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Comentários + votados
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José Carlos Lima
05/02/2012 - 09:44
O que me chama a atenção quanto a Semana de Arte Moderna de 22 é que ali ficou evidente a presença de duas forças que marcam SP há séculos: Os regressistas x progressistas.
No palco, o...
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Weden
05/02/2012 - 10:01
André, Nassif e demais colegas,
Sugiro que se aproveite esta data importante para levantar o que acredito ser um bom debate.
É hora de desmitificar (e não negar o valor, evidentemente)...
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José Carlos Lima
05/02/2012 - 10:03
Vou repetir aqui o comentário que fiz há um ano atrás sobre o assunto:
Em 1942 Mário de Andrade publicou no Estadão este relato por ocasião do vigésimo aniversário da Semana de 22, ele diz que não...
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Andre Araujo
05/02/2012 - 11:07
"" A partir da semana"" é uma figura de linguagem. Nenhum movimento artistico começa numa certa data, como um interruptor de luz acendendo a lampada. Há eventos, exposições, manifestos, que "" marcam...
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Indigo
05/02/2012 - 11:12
Que fique bem claro. O que completa Noventa anos nao é o Modernismo, e sim a Semana de Arte Moderna de Sao Paulo. O Modernismo já existia no Rio de Janeiro - entao capital federal - e...
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Indigo
05/02/2012 - 15:02
Paulo Herkenhoff foi curador da Bienal de São Paulo e do Moma de Nova York
Trechos do link do Estadao
Mostra no CCBB questiona a Semana de 22
Paulo Herkenhoff, curador de Arte Brasileira na Coleção...
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José Carlos Lima
05/02/2012 - 16:04
Indigo, muito bom vc puxar este assunto sobre o questionamento quanto a primazia da Semana de 22 em relação ao modernismo. De fato obras já vinham sendo feitas bem antes, inclusive a exposição de...
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José Carlos Lima
05/02/2012 - 17:24
Maria UTT, concordo, o aniversário da Semana de 22 ocorre no próximo dia 13, poderíamos manter este debate por este período, claro, embora se trate de um assunto que deveria estar sempre na...
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Anarquista Lúcida
05/02/2012 - 23:05
Nao é verdade que Lobato "nao tenha embarcado na canoa modernista". Ele foi contra a pintura de Anita Malfatti, mas foi um dos que mais deu suporte a Brecheret. E ajudou tb aos outros modernistas,...
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Juliano Santos
06/02/2012 - 00:34
Li todos os comentários e achei ótimo o debate. Acrescento apenas algumas questões interessantes em relação à polêmica cronológica, se existia um modernismo consistente se desenvolvendo antes da...
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José Carlos Lima
05/02/2012 - 09:57
Neste vídeo o Nassif dá suas orientações a esta comunidade de internautas, boa lembrança a do AA, poderíamos retomar o Mutirão, outros vídeos sobre o movimento, há um atrás postamos muitos dados...
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Rodney
05/02/2012 - 10:20
E hoje, a alta sociedade paulista só se reune pra colocar o fascismo na ordem do dia. Novos tempos.
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O que me chama a atenção quanto a Semana de Arte Moderna de 22 é que ali ficou evidente a presença de duas forças que marcam SP há séculos: Os regressistas x progressistas.
No palco, o pensamento avançado representado em Tarsila do Amaral, Vila Lobbos e outros que foram vistos como por demais excêntricos. Na platéia, um grupo de direitistas que, recentemente, deram show em Pinheirinho...,,
OOO http://www.advivo.com.br/user/13544 Juriti do Cerrado http://www.advivo.com.br/user/7757 Tatu Bola http://www.advivo.com.br/user/3084 D http://www.advivo.com.br/user/7514 Spin http://www.josecarloslima.blogspot.com
Neste vídeo o Nassif dá suas orientações a esta comunidade de internautas, boa lembrança a do AA, poderíamos retomar o Mutirão, outros vídeos sobre o movimento, há um atrás postamos muitos dados sobre o assunto, pensei em republicar tudo para facilitar a leitura uma vez que as pessoas detestam abrir link, no entanto compensa clicar e lê, há muitos vídeos, relatos, comentários nossos, etc, seria bom se as pessoas trouxessem para esta postagem coisas postadas lá, apesar de postagem antiga é tudo muito atual
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/mutirao-da-semana-de-arte-moderna
Atualização - 6/2/12
Onde está escrito "comunidade de internautas" leia-se "Coletivo SPIN Leitor Luis Nassif Online". É que o termo "comunidade de internautas" é por demais genérico ou difuso, axé.
OOO http://www.advivo.com.br/user/13544 Juriti do Cerrado http://www.advivo.com.br/user/7757 Tatu Bola http://www.advivo.com.br/user/3084 D http://www.advivo.com.br/user/7514 Spin http://www.josecarloslima.blogspot.com
André, Nassif e demais colegas,
Sugiro que se aproveite esta data importante para levantar o que acredito ser um bom debate.
É hora de desmitificar (e não negar o valor, evidentemente) da Semana de Arte Moderna.
O Modernismo deve ser visto como um momento em que a cultura brasileira, em vários centros, passa por fortes transformações.
Não é verdade que foi "a partir da Semana" (apesar da sua inestimável simbologia) que a arte brasileira começou a se libertar de formas estéticas dezenovistas.
Das crônicas de Lima Barreto (com uma antecipação promissora da "crítica da modernidade", no Rio), à obra impressionante de Qorpo Santo, no sul do país, temos vários exemplares de uma estética moderna de peso e importante que precederam a Semana e mesmo o trabalho daqueles que dela participaram.
"" A partir da semana"" é uma figura de linguagem. Nenhum movimento artistico começa numa certa data, como um interruptor de luz acendendo a lampada. Há eventos, exposições, manifestos, que "" marcam"" um movimento mas estes sempre tem prévias sinalizações que preparam o amboente e o cenario para o chamado evento ""marcador"", que fica registrado na historia da arte e dos acontecimentos sociais e politicos como um ponto de partida.
De fato os movimentos de vanguarda pipocaram em vários países. Grifei o trecho sobre a arte moderna no Brasil, na postagem seguinte sobre estes assunto postei sobre diferenças entre moderno, modernidade e arte moderna
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/os-90-anos-da-semana-de-arte-moderna
Arte Moderna
Henri Matisse.Alegria de viver,1905-1906.Óleo s/ tela. Barnes Foundation, Lincoln University, Merion, PA, USA.
Arte Moderna. Sob essa denominação podem ser considerados, de forma genérica, os variados movimentos artísticos que surgiram do início a metade do século XX, principalmente na Europa. Muitos não chegaram a se organizar enquanto escolas com manifestos e programas, mas outros apresentavam objetivos e teorias definidas previamente. Apesar da variedade de propostas plásticas e teóricas, o diálogo entre estes movimentos era inevitável seja na forma de confronto, ou enquanto influência estética. A grande proximidade com a literatura, cinema e outras manifestações artísticas aumentou a preocupação com os conceitos, as teorias e as idéias que condicionavam e predefiniam a natureza do próprio objeto de arte. O envolvimento político e social de muitos movimentos da arte moderna também refletia a necessidade de compreender as mudanças pelas quais o mundo estava vivendo, como as experiências da 1ª e da 2ª Guerra Mundial, a industrialização e urbanização das cidades, os avanços da técnica e da ciência, o progresso social e as revoluções populares. Esses temas fizeram-se presentes de forma mais direta em algumas vanguardas, enquanto em outras optou-se pela pesquisa da plasticidade e de novas formas de expressão.
A arte moderna acompanhou as mudanças inicialmente propostas pelo Impressionismo e a partir deste ponto assumiu uma posição crítica em relação às convenções artísticas acadêmicas, aos temas oficiais e à própria maneira de se representar a realidade. Entre as variadas linguagens que surgem sob a denominação de arte moderna existia um eixo comum que questionava a representação ilusionística da realidade ao tentar impor a tridimensionalidade ao plano da tela. Esta nova percepção inaugurou o espaço moderno na pintura e a pesquisa aprofundada das cores em seus tons puros, a fragmentação dos objetos e planos, a deformação das figuras e a abstração das formas. A experimentação passou a ser um método de trabalho tanto para as tendências mais "racionalistas" da arte moderna, quantos as "irracionalistas". Devido as especifidades da arte moderna e a multiplicidade de representantes, optamos por uma síntese de cada movimento com seus principais atuantes.
Fauvismo - grupo de artistas sob a liderança de Henri Matisse (1869-1954) que exploravam as possibilidades das cores em seus tons puros e fortes, sem sombreados, fazendo salientar os contrastes, com pinceladas diretas. A temática não é relevante, não tendo qualquer conotação social ou política. Teve presença marcante na França entre 1905 e 1907 e impacto nas tendências expressionistas.
Artistas: Henri Matisse (1869-1954); André Derain (1880-1954); Maurice de Vlaminck (1876-1958).
Expressionismo - tendência de arte que se desenvolveu na Alemanha, entre 1905 e 1914. Fazia oposição ao impressionismo francês e defendia a expressão que se manifestava do artista para realidade. Vários grupos apresentaram influências expressionistas, mas o mais conhecido foi o Die Brücke ('A Ponte'), criado em 1905 em Dresden. Este grupo definiu os procedimentos e fundamentos do expressionismo alemão. Após os anos 50 é nos Estados Unidos que se encontrará influência deste movimento com o expressionismo abstrato.
Artistas: Vincent van Gogh (1853-1890); Paul Gauguin (1848-1903); Edvard Munch (1863-1944); Georges Rouault (1871 – 1958); Henri de Toulouse-Lautrec (1864-1901).
Cubismo - movimento artístico que tem como marco inicial 1907 quando Pablo Picasso apresentou seu quadro Les Demoiselles d'Avignon, em Paris. O cubismo promove a recusa da arte como imitação da natureza e propõe novas formas geométricas para se visualizar a realidade tendo como objetivo fundamental capturar a estrutura dos objetos, a simplificação das formas, dissociando-as do real.
Este movimento dividiu-se em duas fases: cubismo analítico (1909-1912) com o foco na decomposição dos objetos e planos e no monocromatismo; e cubismo sintético (1912-1913) no qual elementos estranhos à pintura são incorporados às telas criando as colagens.
Artistas: Pablo Picasso (1881 - 1973); Georges Braque (1882 - 1963); Juan Gris (1887 - 1927).
Construtivismo - movimento de vanguarda com base na Rússia que trata a pintura e a escultura como construções, estabelecendo grandes conexões com a arquitetura em termos de materiais, procedimentos e objetivos. Diretamente influenciado pela revolução de 1917 na Rússia, o movimento discutiu profundamente o papel social da arte e sua produção concreta para sociedade.
Artistas: Vladimir Evgrafovic Tatlin (1885 - 1953); Alexander Rodchenko (1891 - 1956).
Surrealismo - o termo surrealismo, cunhado pelo poeta André Breton, apareceu no primeiro manifesto do grupo, em 1924, no qual defendiam a valoração do mundo dos sonhos, do irracional e do inconsciente para a produção das obras. Movimento amplo que envolveu literatos, cineastas e fotógrafos e que reforçava o imaginário, os impulsos ocultos e o caráter anti racionalista com base em leitura livre das teorias de Sigmund Freud.
Artistas: René Magritte; Joán Miró; Salvador Dalí; Alexander Calder; Hans Arp (1886-1966).
Dadaísmo - movimento artístico que não procurou estabelecer programas de ação nem estilos específicos. Tratava-se de uma crítica cultural mais ampla aos modelos e valores culturais e sociais anteriores. Suas manifestações eram pautadas pela desordem, escolhas aleatórias, choque e escândalo. Sua criação data de 1916 quando da criação do Cabaré Voltaire, em Zurique, espaço para as manifestações artísticas variadas. Ficou mundialmente conhecido pelos ready-made de Marcel Duchamp com os quais proferiu uma forte crítica ao sistema da arte.
Artistas: Francis Picabia (1879); Marcel Duchamp (1887-1968); Man Ray (1890-1976).
Suprematismo - movimento russo de arte abstrata, surgiu por volta de 1913 tendo como principal representante o pintor Malevich e o poeta Maiakóvski. Defendiam a pesquisa profunda da estrutura da imagem com o intuito de se alcançar a “forma absoluta” através de formas geométricas básicas associadas a uma pequena variação de cores. Em 1918, Malevich declara o fim do movimento por esgotamento do projeto inicial.
Artista: Kazimir Malevich (1878-1935).
Neoplasticismo - movimento associado às novas propostas plásticas de Mondrian e Doesburg apresentadas pela revista De Stijl (O Estilo) criada pelos dois artistas holandeses em 1917. Buscavam uma nova forma de expressão baseada em elementos mínimos como a reta, o retângulo e as cores primárias, além do preto, branco e cinza. A redução da plasticidade rejeitava os princípios da tridimensionalidade no espaço pictórico, as linhas curvas e as texturas. A revista e o movimento deixa de existir oficialmente em 1928.
Artistas: Piet Mondrian (1872-1944) e Theo van Doesburg (1883-1931).
Futurismo - surgiu como movimento literário a partir do manifesto escrito em 1909 pelo poeta Marinetti, mas logo recebeu adesão de artistas e outros intelectuais. De raiz fortemente italiana o futurismo colocava-se contra o passado burguês e tradicional, glorificando o mundo moderno, a ciência, a técnica, a velocidade, a máquina e os meios de comunicação como o cinema. De forte aspecto político esteve associado também ao fascismo e ao nacionalismo. A pesquisa do movimento e o dinamismo são elementos marcantes das obras deste grupo.
Artistas: Umberto Boccioni (1882 - 1916); Luigi Russolo (1885 - 1947).
Abstracionismo - movimento liderado por Wassily Kandinsky, surgiu em 1910 e defendia o uso de uma linguagem puramente abstrata, alcançando ritmo e dinamismo através da cor e das formas. Uma expressão artística tipicamente não-figurativa, sem a busca por uma representação da realidade como é vista.
Artista: Wassily Kandinsky (1866-1944).
Arte moderna no Brasil
A arte moderna no Brasil tem como marco simbólico a Semana de 1922, realizada em São Paulo. O evento foi organizado por intelectuais e artistas por ocasião do Centenário da Independência e declarava o rompimento com o tradicionalismo cultural na literatura, na música e nas artes plásticas. As discussões sobre uma renovação artística vinha de antes deste evento com exposições isoladas de artistas brasileiros, mas convencionou-se considerar o ano de 1922 como marco principal dessa emancipação artística. Entre os participantes da Semana de Arte Moderna estavam os artistas Anita Malfatti (1889 - 1964), Di Cavalcanti (1897 - 1976), John Graz (1891 - 1980), Vicente do Rego Monteiro (1899 - 1970), Victor Brecheret (1894 - 1955) entre outros.
Entretanto, apesar do contato direto de muitos artistas brasileiros com as vanguardas européias, nesse momento, não se tratava de inovações significativas para arte brasileira. Novas expressões artísticas surgiram, principalmente a partir de 1930, associadas a um interesse pelas temáticas nacionais e por nosso passado cultural e social. Os artistas influenciados pelas vanguardas e por esse momento cultural nas principais cidades do país estabelecem estilos próprios não se enquadrando especificamente em nenhum dos movimentos da arte moderna.
Referências bibliográficas
GOMBRICH, E.H. A História da Arte. Rio de Janeiro: LTC. p. 535-536.
STANGOS, Nikos (org.). Conceitos da arte moderna. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1995.
TASSINARI, Alberto. O espaço moderno. São Paulo: Cosac e Naify, 2001. p. 34-38.
Grupo:
Bárbara Lopes
Laiz Galvão
Renata Siquieroli
Tatianny Leão Coimbra
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O ponto do Weden é válido, tem sido recente o questionamento do papel e peso da Semana de Arte Moderna.
O problema desse debate é que está contaminado com a querela de cariocas e paulistas.
Vou repetir aqui o comentário que fiz há um ano atrás sobre o assunto:
Em 1942 Mário de Andrade publicou no Estadão este relato por ocasião do vigésimo aniversário da Semana de 22, ele diz que não sabe ao certo como pode estar lá, diante das vaias, dos xingamentos, imagino só, os mauricinhos vaiando Villa Lobos e tantos outros que foram visto naquele momento como um bando de marginais, mas é assim mesmo, se incomodou é pq estavam no caminho certo, estes comportamentos, estas tensões entre o atraso e o progresso permanece mais do que nunca nos dias de hoje
Autor de Macunaíma conta a origem da da Semana e o contexto em que surgiu, neste artigo de 1942
Semana de 22, por Mário de Andrade, no Estadão:
Faz vinte anos, este mês de fevereiro, que se realizou no Teatro Municipal, a Semana de Arte Moderna. É todo um passado longínquo de que sorrio sem medo, mas que me assombra um pouco também. Foi gostoso, ficou bonito, mas como tive coragem para participar daquilo! É certo que com minhas experiências artísticas muito venho escandalizando essa minoria que é a intelectualidade do meu país, mas, na realidade, feitas em artigos e livros, minhas experiências como que não se executam in anima nobile. Não estou de corpo presente e isso desencaminha o choque da estupidez.
Mas como tive coragem para dizer versos ante uma assuada tão singular, que eu não escutava do palco o que Paulo Prado me gritava da primeira fila das poltronas?... Como pude fazer uma hórrida conferência na escadaria do teatro, cercado de anônimos que me caçoavam e ofendiam a valer?...
O meu mérito de participante é mérito alheio: fui encorajado, fui enceguecido pelo entusiasmo dos outros. Apesar da confiança, absolutamente firme que tinha na estética renovadora, eu não teria forças para arrostar aquela tempestade de achincalhes. E se agüentei o tranco foi porque estava delirando. O entusiasmo dos outros me embebedava, não o meu. Por mim teria cedido. Digo que teria cedido, mas apenas nessa parte espetacular do movimento modernista. Com ou sem a Semana, minha vida intelectual seria o que tem sido.
A Semana marca uma data, isso é inegável. É uma data que envaidece recordar.
Mas o certo é que a preconciência primeiro, e em seguida a convicção de uma arte nova, de um espírito novo, desde pelo menos seis anos viera se definindo no... sentimento de um grupinho de intelectuais, aqui. Do primeiro, foi um fenômeno estritamente sentimental, uma intuição divinatória, um... estado de poesia. Com efeito: educados na plástica "histórica", sabendo quando muito da existência dos primeiros impressionistas, ignorando Cézanne, o que nos levou a aderir incondicionalmente à exposição de Anita Malfatti, em plena guerra européia, mostrando quadros expressionistas e cubistas? Parece absurdo, mas aqueles quadros foram para mim a revelação. E delirávamos diante do Homem Amarelo, a Estudanta Russa, a Mulher dos Cabelos Verdes. E ao Homem Amarelo eu dedicava um soneto parnasianíssimo... Éramos assim.
Pouco depois, Menotti del Picchia e Osvaldo de Andrade, descobriram Brecheret no seu exílio do Palácio das Indústrias. E fazíamos verdadeiras "rêveries" simbolistizantes em frente da simbólica exasperada e das estilizações decorativas do "gênio". Porque Brecheret era para nós no mínimo um gênio. Este era o mínimo com que podíamos nos contentar, tais os entusiasmos a que ele nos sacudia. E Brecheret ia ser em breve o gatilho que faria Paulicéia Desvairada estourar.
Eu passara esse ano de 1920 sem fazer mais poesia. Tinha cadernos e cadernos de cousas parnasianas e algumas simbolistas, mas tudo acabara por me desagradar. Na minha cultura desarvorada, já conhecia até Marinetti, mas repudiava a maioria dos princípios futuristas, como já escrevera no Jornal dos Debates, de Pinheiro da Cunha. Só então é que descobri Verhaeren, desculpem, e foi o deslumbramento. Concebi fazer um livro de poesias modernas em verso livre, sobre a minha cidade. Tentei, não veio nada que me interessasse. Tentei mais e nada. Os meses passavam numa angústia, numa insuficiência feroz. Será que a poesia tinha se acabado em mim?... E eu me acordava insofrido.
A isso se ajuntavam dificuldades morais e vitais de toda espécie, foi ano de sofrimento muito. Já ganhava para viver folgado, mas o ganho fugia em livros e eu me estrepava em arranjos financeiros temíveis. Estava criando fama de professor bom e fazia esforços para que meus alunos de Conservatório passassem com notas altas. Em casa o clima era torvo. Se mãe e irmãos não me amolavam com as minhas "loucuras", o resto da família me retalhava sem piedade. Tinha discussões brutas em que os desaforos mútuos não raro chegavam àquele ponto de arrebentação que... por que será que a arte os provoca!... A briga era brava e, se não me abatia nada, me deixava em ódio, mesmo ódio.
Foi quando Brecheret me concedeu passar em bronze um gesto dele que eu adorava, uma cabeça de Cristo. Mas "com que roupa"? eu devia os olhos da cara! Não hesitei, fiz mais conchavos financeiros e afinal pude desembrulhar em casa a minha Cabeça de Cristo. A notícia correu num átimo, e a parentada que morava pegado, invadiu a casa para ver. E brigar. Aquilo até era pecado mortal, onde se viu Cristo de trancinha! era feio, medonho!
Fiquei alucinado, palavra de honra. Minha vontade era matar. Jantei por dentro, num estado inimaginável de estraçalho. Depois subi para o quarto, era noitinha, na intenção de me arranjar, sair, espairecer um bocado, botar uma bomba no centro do mundo, nem sei. Sei que cheguei à sacada, olhando sem ver o meu Largo do Paissandu. Ruídos, luzes, falas abertas subindo dos choferes de aluguel. Estava aparentemente calmo. Não sei o que me deu...
Cheguei na secretaria, abri um caderno, escrevi o título em que jamais pensara, Paulicéia Desvairada. O estouro chegara afinal, depois de quase ano de angústias interrogativas. Entre exames, desgostos, dívidas, brigas, em poucos dias estava jogado no papel um discurso bárbaro, duas vezes maior talvez do que isso que o trabalho de arte fez um livro.
Mais tarde, eu sistematizaria este processo de separação nítida entre o estado de poesia e o estado de arte, para a composição dos meus poemas "dirigidos", as lendas, por exemplo, o abrasileiramento lingüístico de combate. Escolhido o tema, por meio das excitações psicológicas sabidas, preparar o advento do estado de poesia. Se este chega (quantas vezes não chegou...) escrever sem coação de espécie alguma, tudo o que me chega até a mão - a "sinceridade" do indivíduo. E só em seguida, na calma, o trabalho penoso e lento da arte - a "sinceridade" da obra de arte, coletiva e funcional, mil vezes mais importante que eu...
Quem teve a idéia da Semana? Por mim não sei quem foi, só posso garantir que não fui eu. O mais importante era decidir e poder realizar a idéia. E o fautor: verdadeiro da Semana de Arte Moderna foi Paulo Prado. E só mesmo uma figura como ele e uma cidade como São Paulo, poderiam fazer o movimento modernista e objetivá-lo na Semana.
Houve tempo em que alguns escritores do Rio, cuidaram de transplantar para a Capital as raízes do movimento, estribados nas manifestações simbolistas e post-simbolistas, que existiam por lá. Existiam, é inegável. Aqui, esse ambiente só fermentava em Guilherme de Almeida, e num Di Cavalcanti pastelista, "menestrel dos tons velados", como o apelidei numa dedicatória esdrúxula. Mas eu creio ser um engano esse evolucionismo a todo transe, que lembra nomes de Nestor Vítor ou Adelino Magalhães, como elos ou precursores.
Seria mais lógico evocar Manuel Bandeira com o Carnaval.
Não. O modernismo no Brasil foi uma ruptura, foi um abandono consciente de princípios e de técnicas, foi uma revolta contra a intelligensia nacional. É mais possível imaginar que o estado de guerra da Europa tivesse preparado em nós um espírito de guerra. E as modas que revestiram este espírito foram diretamente importadas da Europa. Quanto a dizer que éramos antinacionalistas, é apenas bobagem ridícula. É esquecer todo o movimento regionalista aberto anteriormente pela Revista do Brasil primeira fase, todo o movimento editorial de Monteiro Lobato, a arquitetura e até urbanismo (Dubugras) neo-colonial aqui nascidos. Isso sim eram raízes engrossadas desde o início da guerra. Mas o espírito e as modas foram diretamente importados da Europa.
Ora São Paulo estava muito mais "ao par" que o Rio de Janeiro. E, socialmente falando, o modernismo só podia ser importado por São Paulo e arrebentar aqui. Havia uma diferença profunda, já agora pouco sensível, entre Rio e São Paulo. O Rio era muito mais internacinal, como norma de vida exterior. Está claro: capital do país, porto de mar, o Rio tem um internacionalismo ingênito. São Paulo era muito mais "moderna" porém, fruto necessário da economia do café e do industrialismo conseqüente.
Ingenitamente provinciana, conservando até agora um espírito provinciano servil, bem denunciado na política. São Paulo ao mesmo tempo estava, pela sua atualidade comercial e sua industrialização, em contato, se menos social, mais espiritual (não falo "cultural") e técnico com a atualidade do mundo.
É mesmo de assombrar como o Rio mantém, dentro da sua malícia de cidade internacional, um ruralismo, um caráter tradicional muito maiores que São Paulo. O Rio é dessas cidades em que não só permanece indissolúvel o "exotismo" nacional (o que é prova de vitalidade do seu caráter), mas a interpenetração entre o rural e o urbano. Cousa impossível de achar em São Paulo, como funcionalidade permanente. Como Belém, o Recife, a Cidade do Salvador, apesar do seu urbanismo rescendante, o Rio ainda é uma cidade...
folclórica. Em São Paulo o exotismo folclórico não freqüenta a Rua Quinze.
Vive em núcleos mortos, não funcionais, abastardados na separação, Santa Isabel. Carapicuiba. Ora no Rio malicioso, uma exposição com a de Anita Malfatti, podia ter reações publicitárias, mas ninguém se deixava levar. Na São Paulo sem malícia, criou uma religião. Com seus Neros também... O artigo "contra" de Monteiro Lobato, embora fosse apenas uma baladilha zangadinha, sacudiu uma população, modificou uma vida.
Junto disso, o movimento renovador era nitidamente aristocrático. Pelo seu caráter de jogo arriscado, pelo seu espírito aventureiro, pelo seu internacionalismo modernista, pelo seu nacionalismo embrabecido, pela gratuidade antipopular, era uma aristocracia do espírito. Era natural que a alta e a pequena burguesia o temessem. Paulo Prado, ao mesmo tempo que um dos expoentes da aristocracia intelectual paulista, era uma das figuras principais da nossa aristocracia tradicional. E foi por tudo isto que ele pôde medir bem o que havia de aventureiro, de exercício do perigo no movimento, e arriscar a sua responsabilidade intelectual e tradicional na aventura.
Uma cousa dessas seria impossível no Rio, onde não existe aristocracia tradicional, mas apenas sita burguesia riquíssima. E esta não podia encampar um movimento que lhe destruía o espírito conservador e conformista. A burguesia nunca soube perder e isso é que a perde. E aqui foi isso mesmo. Se Paulo Prado, com a sua autoridade intelectual e tradicional, abriu a lista das contribuições e arrastou atrás de si os seus pares e... alguns outros que a sua figura dominava, a burguesia protestou e vaiou. Tanto a burguesia de classe como a do espírito.
É delicioso lembrar que Amadeu Amaral, um dos espíritos mais aristocráticos que São Paulo já produziu, embora retraído pelo muito que o maltratavam alguns de nós, nos via compreensivamente. A ele eu devo o Estado de S. Paulo não ter estraçalhado Paulicéia. Saiu-se de suas ocupações e escreveu ele mesmo a nota sobre o livro, severa mas reconhecendo o direito da experiência.
Em compensação a burguesia semiculta (a aristocracia era inculta: e já irresponsável na sua decadência de então), essa espécie de intelectualidade réptil que abastece as cidades e acaba onde as cidades acabam, com que violência de fulgir e se defender, arremeteu contra nós! Hoje, é irônico evocar os nomes que brilharam lunarmente, iluminados pelo brilho próprio de um estado de espírito coletivo. Tanto os contra como os favoráveis. Destes, os que não desapareceram na poeira de outros caminhos, tornaram-se figuras visíveis da inteligência nacional. Dos contrários, os que tinham valor acabaram aceitando, e muitos aderindo ao movimento renovador. Os outros continuaram pura inteligência de abastecimento urbano. O nome deles acaba onde a cidade acaba.
http://www.estadao.com.br/arquivo/arteelazer/2002/not20020210p2229.htm
Publicado no post `Mutirão da Semana de Arte Moderna´
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Belissima recuperação, parabens.
AA, parabéns digo eu pelo seu texto, muito bom, abraço
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E hoje, a alta sociedade paulista só se reune pra colocar o fascismo na ordem do dia. Novos tempos.
André, o Rio tinha mesmo mais ligação com Portugal e a França, mas dai, dizer que os cariocas de então viajavam para curtirem cabarés e afins, sem serem tocados pela efervecência des années folles (Paris é uma Festa) em Paris ou Lisboa, é muita pretensão. O Rio era catalizador do que se passava em Paris, mas acho que a semana de arte moderna se deu em SP, por São paulo ser à época (olha que ironia), muito mais provinciana e conservadora que o Rio. "A semana" tinha como objetivo provocar, chocar, causar uma reflexão, mudar a forma como pensava-se e vivia-se o Brasil.
Ja sobre Matarazzos e quetais, esses pouco agragaram à arte brasileira. Podemos dizer que contribuiram para o crescimento econômico no Brasil, ainda assim, sem projeto de Nação, pois muitos dentes eles se sentiam mais italianos que brasileiros nessa época.
Micha cara, os Matarazzo tem sim muito a ver com a arte em São Paulo. Foi Ciccilo Matarazoo quem liderou a criação da Bienal de São Paulo e muito ajudou na formação do Museu de Arte Moderna. Grande parte dos recursos para a coleção inicial do Museu de Arte de São Paulo, hoje um dos melhores do mundo, veio dos Matarazzo. Ciccilo tambem bancou a vinda de Franco Zampari que foi o criador do Teatro Brasileiro de Comedia e da Cinematografica Vera Cruz, Zampari trabalhava na sua empresa como engenheiro.
Pietro Maria Bardi e Lina Bo Bardi, personas fundamentais para a evolução da arte em São Paulo vieiram para o Brasil logo após a Guerra sob o patrocinio dos Matarazzo. Nos grandes festejos do IV Centenario em São Paulo, em 1954, a unica foto de pessoa que saiu na revista TIME naquela semana, cuja capa homenageava São Paulo, foi o de Francisco matarazzo Junior.
Depois houve a derrocada, mas o Matarazzo foram e são um grande nome em São Paulo, não só para a industria mas tambem para as artes e a politica, inclusive para o PT. O Senador Eduardo Suplicy é bisneto do fundador e a Senadora Marta Suplicy é ligada à familia em toda sua carreira politica.
O Ciccilo Matarazzo, sim, além do ... do .... Acho que só tinha ele. Matarazzo, Crespi, Prada, naquela época (1922), não era nobreza com devaneios artísticos; era tudo filhinho de papai novo-rico cujo maior interesse artístico era o carro importado e a vedete que queriam comer.
Porém indiretamente, até por causa deles, havia muita grana sem uso nas classes ricas que não eram exatamente milionárias. Assim prefiro a explicação do Mário, que participou de tudo:
O Rio era muito mais internacional, como norma de vida exterior. Está claro: capital do país, porto de mar, o Rio tem um internacionalismo ingênito. São Paulo era muito mais "moderna" porém, fruto necessário da economia do café e do industrialismo conseqüente.
Foi só a força da grana que ergue e destrói coisas belas, como disse Caetano, sem os milionários de bom gosto artístico.
Realmente os Matarazoo tem uma historia complicada, tanto que tem entre seus membros
um maluco esquerdista mas é uma familia que tem muito a ver com a transformação de São Paulo de uma aldeia em uma das cinco cidades globais do planeta, reconhecimento que é
mundial. Há cinquenta anos pouca gente fora do Brasil sabia que São Paulo existia, hoje é a terceira Bolsa do planeta e uma das sedes do business e da finança internacionais.
Os Matarazzo são emblematicos porque criaram muitos alicerces para o que viria ser São Paulo após a Revolução de 30. Meu bisavô Octavio Gennari trablhou 63 anos no grupo, o Conde conseguiu para ele o titulo de Cavaliere del Lavoro, assinado por Mussolini e pelo Rei Vittorio Emanuelle III. todos seus filhos tambem trabalharam na firma, alguns dos netos, como meu pai idem, muitos empresarios dos anos 30 e 40 sairam do Matarazzo, foi uma escola para muitos jovens, é uma familia que esta definitivamente ligada a historia da metropole. Logo após a Guerra acolheram dezenas de intalianos que fugiam das pessimas condições da Europa, inclusive nome importantes das artes, da politica, do cinema, do empresariado. Vivenciei muito essa época, meu pai trabalhava diretamente com o gabinete do Conde Chiquinho , filho caçula e herdeiro do comando do Grupo, foram entre os anos 30 e 40 a primeira familia de São Paulo, pelo poder economico e politico. No casamento de Filly Matarazzo e João Lage em 1945, veio o Royal Ballet de Londres para alegrar os convidados, a festa durou 3 dias. Joel Silveira tem uma magnifica descrição dessa festa na reportagem ""1.001 noites na Avenida Paulista"". Na mansão Matarazzo quadros de Rubens adornavam as paredes, 10.000 metros quadros de terreno na Av.Paulista, era realmente um imperio.
O Banco do Brasil teve seu primeiro posto dentro de uma empresa no Predio Matarazzo no Viaduto do Chá, esse edificio que é hoje a sede da Prefeitura de São Paulo. inaugurado como sede do poder municipal por uma Prefeita da familia, a Senadora Marta Suplicy.
Hoje tudo isso parece de um passado longinquo mas é historia e merece a rememoração no contexto do tema do post.
http://pt.scribd.com/doc/7020000/Milesima-SegundaNoitenaAvepaulistajoel
A famosa reportagem de Joel Silveira sobre os Matarazzo em 1945.
Bem, os Matarazzo podem até ter financiado a vinda do Bardi, mas quem aproveitou seu potencial foi o Chateaubriand, quando o convidou para a fundação do MASP.
Sobre os recursos para a coleção do Masp, o Bardi conta uma história diferente no Roda Viva:
Pietro Maria Bardi: A dívida externa, não como Chateaubriand, em dupla, nós combinamos assim: “Veja, doutor Assis, o senhor faça um empréstimo nos Estados Unidos”. Todo mundo corria atrás dos Estados Unidos e os Estados Unidos dava dinheiro para indústria, para uma coisa ou outra. Mas será difícil que nos dê dinheiro para um museu? De fato nós fomos a Nova Iorque, os dois, a dupla, e enfrentamos o senhor [David] Rockfeller, que era presidente do Chase Manhattan Bank, e lhe pedimos um empréstimo de quatro milhões de dólares. O Chateaubriand falando com seu inglês, eu com a papelada de fotografia, de quadro, de coisas, para demonstrar que se tratava de um empréstimo bastante justo, bastante honesto e, finalmente, conseguimos. Rockfeller nos encaminhou com um diretor, em breve, para não dar demais detalhes, nós saímos do Manhattan Bank com um empréstimo de quatro milhões de dólares com o qual liquidamos todas as dívidas feitas justamente para formar o primeiro núcleo da nossa Pinacoteca.
O MASP foi formado com recursos do empresariado brasileiro e internacional conectado ao Brasil, a coleção do MASP é de enorme valor hoje, embora adquirida em grande parte no imediato pós-guerra, quando os preços estavam em baixa. Esse pano de fundo está bem claro na biografia de Bardi e na do grande marchand que atendia Chateaubriand, Wildenstein.
Mas no inicio e na primeira fase de organização, quando o museu era na Rua 7 de Abril, no centro de São Paulo, no predio dos Associados, construido pelo método Chateaubriaand, achaque de empresarios sob ameaça de reportagens escandalosas contra eles, o Conde Francisco Matarazzo Junior, era o alvo-vitima principal do Chatô, como relata com detalhes Fernando Morais em ""Chatô - O Rei do Brasil"". É obvio que Bardi não falaria do "metodo Chatô"" para o distinto publico do Roda Viva, veja a ironia da vida, Chatô era um crapula moral como jornalista mas muitas vezes usou seu sistema de ""arrecadação"" para boas causas, como o MASP, os Centros de Puericultura, a Campanha dos Aeroclubes, a Campanha do Algodão, etc.
Que fique bem claro. O que completa Noventa anos nao é o Modernismo, e sim a Semana de Arte Moderna de Sao Paulo. O Modernismo já existia no Rio de Janeiro - entao capital federal - e outras cidades brasileiras como Belém, bem antes de 1922.
De acordo com professora Maria Ignez Machado Borges Pinto, da USP, a origem da mitomania em torno da Semana de 22 se assemelha a mitomania que existe em torno dos heróis bandeirantes. A historiografia que nega o Modernismo anterior a 1922 e exalta a Semana, foi um projeto de poder para exaltar uma vanguarda paulista, até entao reconhecida como atrasada e provinciana.
http://www.estadao.com.br/arquivo/arteelazer/2002/not20021122p7664.htm
"A vida gosta de quem gosta dela"
Indigo, achei muito interessante o texto cujo link você compartilhou. Aonde entra o pré-modernismo nessa história. Como se sabe, Monteiro Lobato foi um dos pré-modernista que não embarcou na canoa modernista, inclusive publicou um artigo polêmico na imprensa, atacando Anita que, por conta das críticas entrou em depressão e, se não abandonou totalmente a carreira artística, nunca mais foi a mesma.
A respeito do pré-modernismo, para quem aceite este termo para definir os modernistas que vieram antes da Semana de 22, segue link para para slides
http://www.slideshare.net/ivomars/pre-modernismo-7471041
OOO http://www.advivo.com.br/user/13544 Juriti do Cerrado http://www.advivo.com.br/user/7757 Tatu Bola http://www.advivo.com.br/user/3084 D http://www.advivo.com.br/user/7514 Spin http://www.josecarloslima.blogspot.com
Nao é verdade que Lobato "nao tenha embarcado na canoa modernista". Ele foi contra a pintura de Anita Malfatti, mas foi um dos que mais deu suporte a Brecheret. E ajudou tb aos outros modernistas, para quem ele abriu portas nas editoras e revistas que dirigia. Inclusive a literatura infantil de Lobato foi reconhecida por Oswald como pura realizaçao de um prosa modernista. Lobato apenas criticava o olhar excessivamente europeu do movimento. Mas o considera fruto de exageros da juventude, ria disso. É preciso nao ficar preso só aos mitos.
Amiga Anarquista Lúcida, muito boa sua observação, agora me recordo que no ano passado, por ocasião da passagem dos 89 anos da Semana de Arte Moderna, publicastes algo neste sentido, do reconhecimento de Lobato apesar das críticas a Anita Malfatti
Aliás, minto, foi na postagem ´O elogio de Monteiro Lobato a KKK`
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-elogio-de-monteiro-lobato-a-kkk
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Paulo Herkenhoff foi curador da Bienal de São Paulo e do Moma de Nova York
Trechos do link do Estadao
Mostra no CCBB questiona a Semana de 22
Paulo Herkenhoff, curador de Arte Brasileira na Coleção Fadel, defende que a arte moderna brasileira teve início bem antes da Semana, para ele um mito criado para colocar São Paulo como motor da modernidade no País
A primeira das teses defendidas pelo curador é a de que a arte moderna brasileira teve início bem antes da tão propalada Semana de 22. Basta o núcleo reunindo obras de artistas do século 19 mas desligados da academia, como Eliseu Visconti, Timóteo da Costa e Belmiro de Almeida, para mostrar como as experimentações de cunho impressionista ou expressionista já se faziam presentes por essas terras. Basta citar Maternidade em Círculos, pintado em 1908 por Almeida, na qual está retratada uma Madona com seu filho por meio de círculos superpostos, cuja radicalidade é tamanha que a obra foi escolhida para o convite da exposição. "Não há consciência de superfície na arte brasileira até os anos 40 comparável a essa", afirma Herkenhoff.
Mas esse desejo de jogar definitivamente por terra essa falsa idéia de primazia dos modernistas da Semana, que aliás já conta com ampla concordância de historiadores e críticos, é apenas uma das teses polêmicas apresentadas por Herkenhoff por meio dessa mostra.
O ponto nevrálgico de sua teoria - já esboçado na exposição Trajetória da Luz na Arte Brasileira, realizada ano passado no Itaú Cultural - é a crítica virulenta a uma articulação de poder econômico e político que deturpa a história da arte brasileira e coloca São Paulo como motor da modernidade no País. "22 é muito mais um mito do que resultado de um processo concreto e a história da arte brasileira foi muito empobrecida ao se negar esse passado", afirma ele. E cita como exemplo de que a modernidade se fez muito mais viva, intensa e precoce no Rio o fato de que enquanto São Paulo jamais reconheceu a modernidade da música popular, o Rio já gerava figuras essenciais como Pixinguinha e Ernesto de Nazaré.
Se ficarmos no campo apenas da pintura, uma arte muito mais elitista do que a música, também há exemplos de rupturas
bem radicais entre os que acabaram equivocadamente chamados de "acadêmicos", como Castagneto. "Não se pode negar que era uma pintura que rompia os cânones, mas até hoje se faz um silêncio permanente sobre esses índices."
A reação virulenta que se segue às afirmações de que a hegemonia moderna paulista é falsamente construída em decorrência de um projeto de poder - ele chegou a ser apontado como alguém que cuspiu no prato que comeu porque usou a idéia de antropofagia como tema da 24.ª Bienal de São Paulo - não parece incomodá-lo. Ao contrário: a irritação parece servir diretamente a seu interesse de desmontar ficções, não importa se elas tenham sido construídas em torno de figuras hoje inquestionáveis como Sergio Camargo, a quem chama de derivativo, e Oswald de Andrade.
Ânimos exaltados à parte, o que é extremamente importante nesse debate é a atenção que ele desperta para a necessidade de se revisitar permanentemente o passado da arte brasileira - tendo sempre em mente a importância dos laços econômicos e sociais - para que se possa compreender e construir melhor o presente.
"A vida gosta de quem gosta dela"
Indigo, muito bom vc puxar este assunto sobre o questionamento quanto a primazia da Semana de 22 em relação ao modernismo. De fato obras já vinham sendo feitas bem antes, inclusive a exposição de Anita Malfatti ocorreu em 1917, tendo desencadeado a ira de Monteiro Lobato que, como pré-modernista, havia rompido com o academicismo e optado por inovações mas, como pode-se notar, não inovações radicais.
Interessante se notar que, Monteiro Lobato está para o modernismo assim como Ferreira Gular está para a arte contemporânea. Tanto um como ou outro começaram em movimentos de inovação para, logo mais à frente, romper com o avanço para abraçar o conservadorismo.
O Gullar de novo vindo à tona, pelas mãos de Monteiro Lobato, refiro-me à guinada no sentido do conservadorismo, dados por Lobato e Gullar. É que vi semelhança entre Monteiro Lobato e Ferreira Gullar no que diz respeito a guinada dos dois no sentido do conservadorismo, isto no campo da estética, pois no campo da política o Lobato continuou progressista até o fim, tendo se engajado na campanha O Petróleo é Nosso
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Sim, vi semelhança entre Monteiro Lobato e Ferreira Gullar no que diz respeito a guinada dos dois no sentido do conservadorismo, isto no campo da estética, pois no campo da política o Lobato continuou progressista até o fim, tendo se engajado na campanha O Petróleo é Nosso
http://blogln.ning.com/profiles/blogs/coment-rio-ao-post-os-rf-os-do-poeta-ferreira-gullar
Incrível como as palavras de Monteiro Lobato parecem ser de autoria de Ferreira Gullar, grifei os trechos onde notei tal semelhança:
Anita Catarina Malfatti
1889-1964
´(...)
A partir de então, a mãe passou a dar aulas de idiomas e de pintura, enquanto que, para complementar o orçamento doméstico, Anita começou também a trabalhar como professora.
Um socorro oportuno
O talento para a pintura, revelado pela moça, sensibilizou o tio e o padrinho. Juntos e, embora com sacrifício, conseguiram reunir uma soma em dinheiro, patrocinando a ela uma viagem de estudos à Alemanha.
Em setembro de 1910, Anita chegou a Berlim, com o período escolar em andamento, o que impossibilitava inscrever-se numa escola regular, pelo que, passou a tomar aulas particulares no ateliê de Fritz Burger. Já no início do ano seguinte, pôde matricular-se na Academia Real de Belas-Artes.
O mundo para ela era aquilo, até que, visitando uma exposição da Sounderbund (grupo de pesquisa), tomou contato com a arte dos rebeldes, desligados do academicismo ensinado nas escolas. Fascinada, aproximou-se do grupo e passou a ter aulas, primeiro com Lovis Corinth e depois com Bischoff-Culm, aprendendo pintura livre e a técnica da gravura em metal.
Nos Estados Unidos,
a liberdade
Regressou ao Brasil em 1914 para, logo em seguida, viajar para os Estados Unidos, terra natal de sua mãe. Matriculou-se na Art Students League, uma associação desvinculada das academias, e, sob a orientação de Homer Boss, teve a liberdade de pintar o que desejasse, com toda a força própria de criação, sem quaisquer limitações estéticas.
Foi esse período que marcou a fase mais brilhante de sua criação, no qual Anita pintou O homem amarelo, Mulher de Cabelos Verdes, O Japonês, e vários outros quadros.
Foi a consagração de sua arte, no meio de insignes mestres e diante de um público capaz de interpretar a beleza e as emoções contidas em suas obras.
Anita estava preparada para voltar ao Brasil. Será que o Brasil estava preparado para recebê-la?
A exposição de 1917
Em 1916, com 27 anos, a pintora estava de volta ao Brasil, adulta e madura, sentindo-se suficientemente segura para expor sua nova concepção de arte, voltada para o Expressionismo.
Fiando-se nos comentários favoráveis de amigos e, particularmente, do crítico Nestor Rangel Pestana, assim como nas palavras de incentivo de modernistas como Di Cavalcanti e outros, Anita não hesitou em alocar um espaço nas dependências do Mappin Stores, na rua Líbero Badaró, onde, em 12 de dezembro de 1917, realizou uma única apresentacão de seus trabalhos.
Ninguém, nem mesmo o mais experiente freqüentador do mercado de arte, poderia prever o tiroteio que seria disparado contra a jovem pintora, vindo, não das hostes inimigas, mas das trincheiras amigas, justamente das mãos de um renovador, o escritor Monteiro Lobato (1882-1948).
Não viu e não gostou
Lobato fora, desde o início de sua carreira, um pré-modernista. Irritado com os padrões oficiais de educação e cultura, desvinculou-se das normas padronizadas da literatura, criando um estilo livre, avançado, valorizando a cultura nacional e discutindo temas voltados internamente para os problemas brasileiros.
Ao contrário do que se imagina, Monteiro Lobato sequer foi à exposição de Anita Malfatti. Não viu nada e não gostou do que não viu.
Mas, em artigo virulento, publicado no jornal «O Estado de São Paulo», depois de criticar as extravagâncias de «Picasso & Cia.», o escritor assestou as baterias contra Anita, esperando que as balas ricocheteassem, atingindo seu alvo principal, que eram modernistas, companheiros da pintora.
Foi uma reação inesperada, que espantou até os que conheciam o destempero do escritor, e inexplicável, pois sua editora, havia pouco tempo, publicara um livro do modernista Oswald de Andrade, cuja capa fora desenhada justamente por Anita Malfatti.
Paranóia ou mistificação
Usando como título: «Paranóia ou mistificação – A propósito da exposição Malfatti,», Lobato ataca as «escolas rebeldes, surgidas cá e lá como furúnculos de cultura excessiva... produtos do cansaço e do sadismo de todos os períodos de decadência» e, depois, explica o título de sua catilinária:
«Embora se dêm como novos, como precursores de uma arte a vir, nada é mais velho do que a arte anormal ou teratológica: nasceu como paranóia e mistificação.
«De há muito que a estudam os psiquiatras, em seus tratados, documentando-se nos inúmeros desenhos que ornam as paredes internas dos manicômios. A única diferença reside em que, nos manicômios, essa arte é sincera, produto lógico dos cérebros transtornados pelas mais estranhas psicoses;
«e fora deles, nas exposições públicas zabumbadas pela imprensa partidária mas não absorvidas pelo público que compra, não há sinceridade nenhuma, nem nenhuma lógica, sendo tudo mistificação pura.»
Abalo e desorientação
Nem as palavras mas afáveis, ou menos agressivas, despejadas ao final do artigo, nem os elogios ao seu talento, colocados no início, poderiam desfazer tamanho estrago sobre a personalidade tímida e irresoluta de Anita, que caiu em forte depressão, vivendo um período de desorientação total e de descrença, um sentimento que carregou pelo resto da vida.
Sua primeira reação foi o abandono total à arte. Depois, passado um ano, dando uma guinada de 180 graus, foi tomar aulas de natureza-morta com o mestre Pedro Alexandrino Borges (1856-1942), ocasião em que conheceu Tarsila do Amaral, início de uma longa e proveitosa amizade.
Tarsila foi para a Europa e Anita passou a estudar com outro mestre conservador, Jorge Fischer Elpons (1865-1939), também especialista em naturezas-mortas.
Instada por amigos, participou da Semana de Arte Moderna de 1922 e, no ano seguinte, com uma bolsa de estudos, viajou a Paris, onde se encontrou com Tarsila, Oswald, Brecheret e Di Cavalcanti. De lá voltou, com a confiança recuperada, mas disposta a não se atirar em novas aventuras.
Sua arte, a partir daí, virou uma salada russa, logo notada pelos críticos: «A Sra. Malfatti faz o viajante percorrer os séculos e os gêneros. É primitiva, clássica, e moderna avançada, faz retratos e naturezas-mortas.»
Um mundo alienado
A exposição de 1917 se deu em momento errado, no local errado e com a pessoa errada. As críticas de Lobato não se dirigiam a ela mas aos modernistas, com quem o escritor tinha um ajuste de contas. Anita Malfatti se viu no meio do tiroteio e foi atingida mortalmente pelas balas perdidas.
Considerada por Pietro Maria Bardi como a maior pintora brasileira, ela jamais se recuperou do golpe sofrido. Como diria mais tarde Mário de Andrade: «Ela fraquejou, sua mão, indecisa, se perdeu.»
Já com idade madura, Anita mudou-se, com sua irmã Georgina, para uma chácara em Diadema (SP), onde morreu em 6 de novembro de 1964, alienada do mundo, cuidando do jardim e vivendo seus próprios devaneios. (Paulo Victorino).
Link para o texto completo:
http://www.pitoresco.com/brasil/anita/anita.htm
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Lobato nao voltou ao conservadorismo, pelo contrário, sua literatura foi-se tornando cada vez mais moderna, em especial na literatura infantil, que prima pelo abrasileiramento e espontaneidade da linguagem, fato reconhecido pelo próprio Oswald.
Cara Anarquista Lúcida, fiz uma busca no Google e achei o seu texto, agora sei, foi por ocasião da polêmica sobre o possível ´racismo` de Monteiro Lobato, o que você contestou, segue link
http://spinescritor.blogspot.com/2012/02/ja-que-citei-monteiro-lobato-aqui-um.html
Atualização - 08:53
Talvez esteja aí mesmo o nó da questão: O nacionalismo de Lobato x Antropofagia.
Sim, vc está correta ao sugerir que, apesar de ser contra a importação de valores estrangeiros, o que ocorria através do conceito de antropofagia, Lobato foi sim modernista.
Poderíamos ir atrás disso. Como ser modernista sem ser `antropófago´, eis a questão
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Esse é um ótimo debate, gostaria de vê-lo mais vezes aqui no blog.
Maria UTT, concordo, o aniversário da Semana de 22 ocorre no próximo dia 13, poderíamos manter este debate por este período, claro, embora se trate de um assunto que deveria estar sempre na pauta. Já foi apontado que é um erro se ignorar o que veio antes deste movimento, ou seja, que o modernismo já existia antes da Semana de 22, com o que concordo plenamente.
Vejo a Semana de 22 como o coroamento de um processo que vinha contecendo, haviam forças acumuladas e o evento aconteceu.
Quanto a ser errado se reconhecer a primazia da Semana de 22 para a introdução do modernismo, estando mais para estratégia de domínio de SP sobre o restante do país, assim como o foram os bandeirantes, é um assunto a se pensar. O próprio Paulo Herkenfoff, como se vê no texto postado pelo Indigo, questiona tal primazia. Dias atrás assiti a uma palestra de Herkenroff, quando ele deixou bem claro sua preocupação quanto esta absurda centralização da cultura nacional em SP, no máximo no eixo Rio-SP quando, diz ele, há muita coisa boa acontecendo no PA, CE, PE, RS etc, no entanto, para o artista ter visibilidade tem que se mudar para Sampa.
A partir do comentário do Indigo podemos procurar como, porque, quando e porque tal centralização ou primazia de SP aconteceu, ou seja, porque se ignorou que o modernismo foi um processo que aconteceu por vários anos e em vários lugares e não apenas em SP.
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E também porque persiste até hoje. O Brasil perde muito de sua diversidade concentrando tudo em São Paulo.
Mas cadê um Ministério da Cultura capaz de pensar isso?
Aliás, sobre a Semana, sempre esquecida Zina Aita!
Aita, Zina (1900 - 1967)
Biografia
Tereza Aita (Belo Horizonte MG 1900 - Nápoles, Itália 1967). Pintora, ceramista e desenhista. Viaja para Florença, onde permanece entre 1914 e 1918, e realiza estudos com o artista Galileo Chini (1873 - 1956) na Accademia di Belle Arti di Firenze [Academia de Belas Artes de Florença]. Retornando ao Brasil, entra em contato com os modernistas Manuel Bandeira (1886 - 1968) e Ronald de Carvalho (1893 - 1935). Torna-se amiga da pintora Anita Malfatti (1889 - 1964) e do escritor Mário de Andrade (1893 - 1945). Realiza a primeira mostra individual em Belo Horizonte, em 1920, sendo considerada precursora domodernismo em Minas Gerais. Participa da Semana de Arte Moderna, em São Paulo, em 1922. Nessa época realiza ilustrações para a revista Klaxon, publicação dos modernistas paulistas. Sua produção permanece pouco conhecida, e grande parte de suas obras não é datada. Para alguns estudiosos, sua pintura desse período aproxima-se do movimento art nouveau e do pós-impressionismo. Realiza mostra individual na livraria O Livro, em São Paulo, em março de 1922, e participa, no ano seguinte, do 1º Salão da Primavera, no Rio de Janeiro. Em 1924, muda-se para a Itália, reside em Nápoles, onde dirige uma fábrica decerâmica. Nos seis anos seguintes, realiza estudos em Roma, Florença, Milão e Veneza. Na Itália, torna-se conhecida como ceramista, participando de diversas coletivas. Em 1990, ocorre no Museu de Arte da Pampulha - MAP a mostra Jeanne Milde, Zina Aita: 90 Anos.
Comentário Crítico
Zina Aita realiza estudos em Florença, entre 1914 e 1918, com o artista Galileo Chini (1873 - 1956). Retorna ao Brasil, e participa da Semana de Arte Moderna, incentivada pelos amigos Ronald de Carvalho (1893 - 1935) e Manuel Bandeira (1886 - 1968). Como aponta a historiadora da arte Marta Rossetti Batista, por meio dos títulos das obras que constam no catálogo da Semana de 22, pode-se notar o interesse da artista pelo caráter decorativo e pela figura humana, e a ligação com o impressionismo. A tendência decorativa em sua produção revela-se nos títulos de três das oito obras expostas em 1922.
Na opinião do historiador da arte Walter Zanini, durante sua estada em Florença, Zina Aita identifica-se com o ambiente artístico italiano, onde predomina o movimento art nouveau e principalmente a tendência do retorno à ordem. Da artista, é conhecida a cena de trabalhadores calçando uma rua, feita com o uso da técnica divisionista, Homens Trabalhando [A Sombra], 1922. Também é identificada uma aquarela com um nu feminino, que revela seu talento de desenhista e a afinidade com a produção de Degas (1834 - 1917). A pintura Friso, ca.1928 reafirma o interesse da artista pelo aspecto decorativo e revela sua apreciação da obra de Klimt (1862 - 1918). A maior parte de sua produção não é identificada nem datada.
http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=obra&cd_verbete=498&cd_obra=11638&cd_idioma=28555
Falando em Monteiro Lobato, neste vídeo o casamento de Emília com o PIG, quer dizer, Marquês de Rabicó....
Deu no blog da Semolinda:
e) Marquês de Rabicó
Esse porco com cara de bonachão é na verdade um magnata frio e calculista capaz de tudo por dinheiro! ele até obrigou a emilia bonequicha a se casar com ele o motivo eu não sei esqueci heheheh mas entao, ele poderia muito bem ter epsalhado essa gripe suína so pra depois vender o antidoto caríssimo produzido somente no seu laboratório secreto.
E então? E então??? quem foi??? quem foi que começou essa gripe heiinnn??? Q q 6 achão?
http://qualquercoisadessavida.wordpress.com/2009/04/28/gripe-suina/
OOO http://www.advivo.com.br/user/13544 Juriti do Cerrado http://www.advivo.com.br/user/7757 Tatu Bola http://www.advivo.com.br/user/3084 D http://www.advivo.com.br/user/7514 Spin http://www.josecarloslima.blogspot.com
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