Os 40 anos da Teologia da Libertação

Por raquel_

Do IHU Online

Quarenta anos da Teologia da Libertação

Há 40 anos, um pequeno livro de um sacerdote peruano estremeceu a Igreja católica ao sentar as bases daTeologia da Libertação, uma reflexão acusada de marxista por ressaltar a opção de Deus pelos pobres, mas também elogiada por renovar a mensagem dessa religião.

A reportagem está publicada no sítio espanhol Religión Digital, 17-12-2011. A tradução é do Cepat.

O livro Teologia de Libertação. Perspectivas [Vozes], de 1971, é considerado o ato teórico fundacional que deu nome ao movimento teológico mais importante nascido na América e foi escrito pelo peruano Gustavo Gutiérrez, hoje com 83 anos e sacerdote dominicano.

“A ideia era dizer que Deus acompanhava os povos do Terceiro Mundo, que estava do seu lado na busca pela Terra Prometida, mas uma Terra Prometida que significava terra, liberdade, justiça, dignidade”, explicou o professor Jeffrey Klaiber, historiador das religiões na Universidade Católica de Lima.

Em uma América Latina marcada pela desigualdade social e pelas ditaduras das décadas de 1960 e 1970, essa linha “captou a imaginação” de vastos setores, desde a Nicarágua de Somoza até as Filipinas deMarcos, encontrando ecos na África, segundo Klaiber.

Gustavo Gutiérrez afirmou que “na Teologia da Libertação (TdL) a pobreza significa insignificância social, ela não se limita à sua dimensão econômica; pobre é o insignificante e excluído por diferentes razões, dali a gravidade da desigualdade social que sofremos no Peru”.

“Essa teologia segue presente na América Latina, apesar das quatro décadas transcorridas, e sua mensagem central (a opção preferencial pelos pobres) repercute sobre a tarefa pastoral da Igreja”, disseGutiérrez.

“Bastaria tomar as conclusões da Conferência Episcopal da América Latina e do Caribe em Aparecida(Brasil, 2007) para dar-se conta disso”, evocou o sacerdote peruano sobre a reunião encabeçada pelo papa Bento XVI.

A opção pelos pobres entusiasmou em um primeiro momento Roma, sob o papa Paulo VI (1963-1978), que designou bispos progressistas para a região com o maior número de fiéis católicos. Contudo, João Paulo II(1978-2005), formado no anticomunismo, a questionou alegando que fomentava a luta de classes e poderia distanciar os fiéis dos setores médios e altos.

A ofensiva do Vaticano contra a Teologia da Libertação se traduziu na nomeação de bispos conservadores e se selou com dois documentos (“Instruções”) do então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé,Joseph RatzingerBento XVI desde 2005.

“A primeira instrução foi negativa, mas a segunda foi mais positiva porque dizia que a história do cristianismo é uma história de libertação, de liberdade, e que os cristãos deviam apoiar a liberdade”, assinalou Klaiber.

“O importante é que os mal-entendidos, quando os houve, há tempo que foram superados através de um diálogo permanente e frutuoso”, ressaltou Gutiérrez sobre suas conversas com Ratzinger entre 1984-1986.

O paradoxo na posição de Roma é que foram o Concílio Vaticano II (1962) e a Conferência Episcopal Latino-Americana de Medellín (1968) que serviram de inspiração para a TdL.

Klaiber acredita que, “como corrente intelectual, o tempo da TdL já passou, mas seu espírito continua vigente e ativo no terreno, nas paróquias pobres e amazônicas mesmo que ninguém ouse pronunciar seu nome por medo da hierarquia”.

O cardeal peruano Juan Luis Cipriani, primeiro cardeal da Opus Dei nomeado por João Paulo II no mundo, não aceitou fazer um comentário sobre a TdL quando lhe foi solicitado.

“O que se pratica, na verdade, é a mensagem cristã, o Evangelho, não uma teologia; esta contribui para a vida da Igreja na medida em que reflete sobre essa mensagem tendo em conta o momento que se vive”, matiza Gutiérrez ao responder sobre se reescreveria sem mudanças seu texto de 1971.

Gutiérrez não foi o único que impulsionou a TdL, que teve entre seus pioneiros o então sacerdote brasileiroLeonardo Boff e o colombiano Camilo Torres – que integrou as guerrilhas em seu país.

Os casos dos arcebispos de El Salvador, Oscar Romero, assassinado em 1980, e do brasileiro Hélder Câmara, são referências obrigatórias dos representantes da Teologia da Libertação, que teve no Brasil sua base maior.

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15 comentários
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Andre Araujo

Inteiramente a serviço do sistema revolucionario de propaganda e ação, um grande engodo que gerou mais confusão do que realização.  Com o fim da URSS a Teologia da Libertação desmoronou, era um apendice do ideal socialista internacional. Não serviu rigorosamente para nada, o Vaticano demorou para apagar esse foco de dengue ideologica. Na esteira algumas carreiras de boas cabeças se queimaram, perderam a batina e passaram a viver da agitação ideologica, muitos são bem conhecidos da galera, vivem hoje por ai como almas penadas.

 
 
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Louzada

Caro Andre

Voce não pode negar que a doutrina cristã é verdadeiramente socialista

 
 
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williankaizer

Na verdade, a primeira grande obra da Teologia da Libertação foi o Livro deo teólogo presbiteriano Rubem Alves: Teologia da Esperança Humana. Foi sua tese de doutorado defendida nos EUA, em 1970. O nome do livro deveria ser teologia da libertação mas os orientadores acharam o nome pouco reconhecível, sugeriram o título por causa da obra famosa na época de Jürgen Moltmann Teologia da Esperança.

 

Os católicos costumam achar que a TdL só foi feito por católicos. O MST, p. ex., nasceu dentro da igreja católica e da Igreja Luterana (IECLB) no sul do Brasil. Evidente, que depois Rubem Alves abandonou a TdL, se tornou pedago, escritor. Isso não diminui a importância de Gutierrez. Só é preciso constatar que a TdL não é só católica.

 

Minha dissertação de Mestrado faz um releitura da TdL ("As contribuições da agricultura familiar para discussão sobre preservação ambiental: em busca de elementos para uma ecoteologia da libertação"). Essa teologia não desapareceu, está viva.

link: http://tede.est.edu.br/tede/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=301

 

Willian Kaizer de Oliveira

 
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Louzada

Caro Williamkaiser

Desconhecia esse fato, o que sei é que essa teologia já vinha sendo proposta por teólogos alemães e americanos antes de 1970.

A única coisa evidente é que essa teologia só pode ser pertinente a quem não responde fidelidade Papal, não devota Maria e não crê na consagração eucarística. Portanto totalmente pertinente as religiões evangélicas, jamais á religião católica apostólica romana.

Infelizmente a grande maioria dos católicos se apegam apenas na promoção social  e libertadora dessa teologia (fatores extremamente positiva dela), mas não dão valor (escondem debaixo do tapete) o grande problema que ela traz consigo.

 
 
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Dulcinéa.sc

  

        Eu creio na Consagração Eucarística, sou devota de Maria e sou adepta da Teologia da Libertação.  

       Obrigada Gustavo Gutierrez, Leonardo Boff, Salvador Romero, Frei Betto, Frei Gilvander Moreira e tantos outros, teólogos e mártires desta causa na América Latina e em todo o mundo.  Também aos teólogos presbiterianos que tanto contribuíram, os quais não conheço os nomes para citá-los.

 

Dulcinéa.sc

 
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Jair Fonseca

Uma das grandes figuras da Teologia da Libertação, Dom Pedro Casaldáliga, que felizmente escapou de todas as tentativas de assassinato que sofreu em sua prelazia no Araguaia e m outras partes. Homem de ação e poeta, compôs poemas como esse que aparece ao final desse curto vídeo. Dignidade, infelizmente, é coisa de poucos.

 
 
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Paulo F.

15:12 e Andy que acordou rábido hoje, continua rábido!

O Vaticano demorou para apagar esse foco de dengue ideologica. Sentiu falta de uma ação mais com a cara de Tomás de Torquemada?

 
 
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Louzada

O maior teólogo da teologia da libertação e primeiro a ser penalizado com o silêncio (muito antes de Boff). Foi o teologo alemão Hans Kung . Autor do livro lançado aqui "Ser Cristão" Neste livro para deleite dos que adoram jogar pedra na igreja ele prega contra a infabilidade Papal, que maria era uma pessoa vulgar e principalmente que a A EUCARISTIA É UMA FARSA, Para os seguidores de tal teologia, Jesus achava que sairia vivo de Jeruszalem, a morte de Jesus foi um acidente ele deveria ser um lider revolucionário e libertador do povo judeu do opressor império romano.


Sendo assim Jesus não teria se dado em sacrifício, para a reconciliação do homem com Deus, não teria sido o cordeiro de Deus e consequentemente a última ceia e a eucaristia seriam uma farça.

Esta TUDO LÁ NESTE LIVRO -SER CRISTÃO de Hans Kung a verdadeira "biblia" dos seguidores dessa teologia. O nosso Boff só pegou uma carona para a fama.

 
 
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Eugenio, OFS

Paz e bem!

Hans Kung é um grande e importnte teólogo, mas sua Teologia não é Teologia da Libertação. E isto não é nem demérito de Hans Kung, nem da Teologia da Libertação.

 
 
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Louzada

Caro Eugenio

Paz e bem pra vc tb.

Não gosto de alongar os comentários aqui , prefiro ser contundente e objetivo, mas nunca leviano.

Por favor me esclareça. Se Hans  Kung não é teologo da libertação , esta não seria ao menos derivada de sua teologia?

Estou errado a afirmar que ele no livro SER CRISTÂO ataca a infabilidade Papal, Maria e principalmente a Eucaristia?

Não faria essas afirmações sem ter lido o livro e lá esta claro.

Aproveito para divulgar que o mesmo já esta disponível gratuitamente pela internet

 
 
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Dulcinéa.sc

 

        É verdade, o Hans Kung foi muito bom.

 

Dulcinéa.sc

 
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Luiz Bernardi

A Teologia da Libertação contribuiu enormemente para a conscientização da população da América Latina. Conscientização essa que diz respeito a sua situação de pobreza e exploração (seja pelas elites locais ou pelo sistema internacional ainda colonizador). As mudanças democráticas ou políticas e as melhorias das condições econômicas e sociais atuais se deve muito a Teologia da Libertação. E, independente de opções socialistas ou capitalistas, a democracia, a liberdade, a justiça, etc. são valores universais que perpassam inclusive (ou principalmente) a questão da religião.


Caro André: você é muito atrasado ou está a serviço de alguém. Radicalismo com radicalismo dá radicalismo.

 
 
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Miryam Mager

Luiz estou contigo. Ignorar a importância que teologia da libertação teve durante a ditadura e para a retomada dos caminhos democráticos que hoje trilhamos é não saber da nossa história. Saber da história parece que não acompanhou os mais jovens. Do alto dos meus 68 anos sou grata até hoje aos homens da igreja católica que tiveram a coragem de enfrentar os ditadores. Quero destacar que não incluo aí a igreja. A grande maioria, aliás como na América Latina em geral, compactuou com esses senhores. Vale lembrar as as senhoras católicas das "marchas pela liberdade" que auxiliaram na queda da nossa tenue democracia. Foram poucos homens que com sua valentia desinteressada - já que ninguém os contratou ou pagou - ajudaram o Brasil virar uma País melhor.

 

Miryam

 
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Tânia Gerbi Veiga

Gostaria de saber a idade de Andre Araujo, pois fala da ditadura militar e dos que lutaram contra esse regime absoluto, corrupto e terrorista igual à Folha, Globo e Abril. Parece que suas leituras se limitam aos órgãos da grande imprensa, que conluiados a uma elite empresarial, lucraram enormemente com aquele sistema de governo tão pernicioso ao nosso país como um todo, pois beneficiou apenas uma minoria. Pena! Tenho muita pena! É triste ver uma pessoa repetindo frases prontas que parecem ter saído dos cartazes de propaganda do então regime militar e da Guerra Fria. Brasil, ame-o ou deixe-o! Triste, muito triste, repito.

 
 
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Ricardo Miranda

Teologia da libertação...

 

Um conceito cheio de eufemismos.

 

É ação política ou é um discurso racional sobre deus?

É social ou religioso?

É transformador ou resgata os valores cristãos?

 

É possível traçar diversos paralelos aos quais a teologia da libertação se inclui sempre em um meio termo na verdade inexistente. 

Isto é resultado de um impulso interno a religião que extrapola a instituição, pois esta sempre contou com políticas decididas em outras esferas.

 

A teologia da libertação é um eufemismo, e por isto mesmo é ingênuo, pois reagem no único lugar onde nenhuma reação pode ser concebida. No grande quadro histórico da igreja católica não passa de um pequeno cinismo no final das contas...

 
 

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