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O voto e o preconceito de classeEnviado por luisnassif, qui, 21/10/2010 - 11:57Por Pedro Migão O voto e o preconceito de classe Um fenômeno muito interessante que venho observando nestas eleições, em especial as presidenciais, é a existência de um declarado "ódio de classe" em especial das camadas de maior renda. Acho que já contei para o leitor que moro em um bairro de classe média aqui no Rio. Embora seja um local da Zona Norte, suas características geográficas - é um lugar relativamente isolado e que possui a Baía da Guanabara perto e boas áreas verdes - trazem uma boa qualidade de vida e atraem pessoas de maior renda - além de alguns petroleiros que trabalham no Cenpes e na refinaria de Duque de Caxias, relativamente próximas. Pois é. Em meu carro tenho um adesivo no vidro traseiro da candidata Dilma Roussef - além de um da Portela e outro da Igreja Messiânica, mas isto é outra história... Com o acirramento da campanha tenho de ouvir comentários de vizinhos na linha "vai continuar a sustentar vagabundo?", "eles vão tomar o seu lugar, hein!" e coisas correlatas. AndoAndo pelo hortifruti onde faço compras às vezes e ouço uma senhorinha, bem jovem, com seu bebê no colo: "vê se pode, esta gentalha fazendo compra no mesmo lugar que a gente. Não pode!", apontando para um senhorzinho que comprava a carne provavelmente para o almoço de domingo. Onde eu quero chegar: que existe uma parcela de voto conservador que defende a extinção dos programas sociais e prega a perpetuação da miséria. Isso se dá, basicamente, por dois grandes fatores. O primeiro é social. A chamada "elite" social brasileira defende a exclusão e a idéia de que "somos os escolhidos e os demais são nossos serviçais". A ascensão social de camadas da população nos últimos anos - das Classes D e E para a Classe C e desta para a Classe B - é malvista a partir do momento que retira a "exclusividade" de pertencer à elite, ou à proto-elite - tem muita gente que mora em bairros ricos, mas passa a Guaravita com pão de forma. Estas novas parcelas de renda mais altas são consideradas "incultas", "bárbaros" e indignos de frequentarem os mesmos ambientes que estas pessoas que se consideram uma "raça superior". Com isso há o clamor pela extinção de políticas de inclusão social e de ampliação de oportunidades; na visão destas parcelas sociais o pobre tem um destino imutável em seu nascimento e não deve ter oportunidade de progredir ou de buscar progredir. Pelo mesmo motivo a criação de empregos deve ser freada. Eu comentei uma vez em tom de brincadeira, mas está se tornando algo sério: as pessoas tem ânsia de vômito somente de imaginar pobres fazendo supermercado, comprando seu carrinho a prestação, indo ao cinema ou ao shopping. A visão é que, com estas condutas, estas classes ascendentes estão ocupando um espaço que não é delas, não lhes pertencem e cuja presença macula os templos sagrados da velha elite. A percepção destas pessoas é que estas deixam de ser "superiores", "exclusivas" e passa a ocorrer o maior temor destas classes: passarem a fazer parte da denominada "gentalha". Um pseudo privilégio. A segunda razão é puramente econômica. Indo direto ao assunto: com a oferta maior de empregos, os aumentos reais de salários daí advindos e o crescimento da economia, serviços domésticos - incluindo aí os serviçoes de reparos tais como pedreiros, eletricistas e outros - passaram a ficar bem mais caros que nos gloriosos tempos do tucanato. Hoje não se encontra mais aquela empregada doméstica morta de fome que dorme no emprego, não tem carteira assinada e trabalha por meio salário mínimo mensal, nem aquela faxineira que faz a faxina e passa a roupa por uma diária de R$ 10, R$ 15. Com a acelerada expansão da construção civil dado o crescimento da economia, profissionais como pedreiros, eletricistas e encanadores cobram bem mais caro, e tem seu tempo disponível diminuído. Esses serviços tiveram elevação substancial de preço, que acabaram impactando na "inflação" destas classes. Vejo muita gente reclamar "que é um absurdo pagar um salário mínimo e meio mais os direitos para uma empregada que, olha que audácia, vai embora pra casa todo dia!" Percebe-se que é uma visão excludente, de que "o que importa é eu estar bem, o resto que se dane", e "do pobre a Polícia cuida". Mas garanto ao leitor que este mesmo indivíduo reclamaria se em seu emprego tivesse de chegar segunda feira de manhã e somente voltar para casa no final da tarde de sábado... Também alerto que apesar de reclamarem horrores do Governo Lula, esta turma ganhou muito dinheiro durante os últimos anos. Talvez setores localizados da classe média tenham prosperado menos, mas as classes alta e a maioria dos pertencentes à classe média também melhoraram seu padrão. Ou seja, resumindo grosseiramente, o importante é acumular dinheiro, ainda que para tal tenha de se explorar o semelhante. A verdade é que os setores favorecidos deste país, em média, são egoístas, mesquinhos, americanófilos e, diria até, perversos. Se estão bem, o resto pode explodir. Por isso o apoio entusiasmado ao candidato conservador, que promete a volta aos tempos áureos do arrocho salarial, da senzala nas relações trabalhistas, dos juros elevados e da redução do emprego. Sem contar o fim de programas como o Bolsa Família, o ProUni e a reserva das universidades federais para uma minoria - pobre tem de fazer, no máximo, ensino técnico - assim ele ganha menos. Outro ponto que percebo é que com a introdução cada vez maior da competitividade extrema desde o berço, a juventude é cada vez mais conservadora, egoísta e consumista. Depois reclamam da decadência da sociedade e dos políticos. Resumindo, existe uma parcela forte de voto conservador calcada no puro preconceito de classe, na noção de que estes são os "escolhidos" e de que os serviços a estas mesmas classes devem custar o mínimo indispensável. Vale lembrar que parte deste argumento explica a vitória de Serra nos estados da fronteira agrícola brasileira, onde, é bom que se frise, as condições de trabalho são análogas às da escravidão. Não surpreende ver a Senadora Kátia Abreu, líder ruralista, afirmar que o "custo do trabalho está muito alto". Com outras opções de emprego é evidente que os trabalhadores não gostarão de trabalhar como escravos acorrentados em fazendas de monocultura. http://pedromigao.blogspot.com/
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Comentários + votados
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marinildac
21/10/2010 - 12:07
cada vez que um bobão diz que a luta de classes acabou o Marx morre de rir no túmulo.
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Marcia
21/10/2010 - 12:12
Excelente post.
Eu já ouvi tantos absurdos do pessoal que vai votar em Serra que agora estou evitando esse povo.
A resposta vem das urnas, a verdade sempre prevalece.
É 13.
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José Carlos Gomes
21/10/2010 - 12:13
Tenho 36 anos, nasci e cresci em Ipanema, onde morei até casar, e hoje moro Leme. Ou seja, faço parte da chamada nata da zona sul carioca e, infelizmente, sou obrigado a ratificar cada palavra do...
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Rangel
21/10/2010 - 12:21
As conversas que tenho com membros da classe média em Belo Horizonte vão mais ou menos na mesma direção. Não há razões objetivas para o voto, a não ser o ódio. Faço para todos eles o mesmo...
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Ataíde Coutinho
21/10/2010 - 12:22
puxa pensei que isso só se percebia em são paulo, sou mulato e aqui em sp dependendo do lugar aonde vou sou discriminado todos os dias.
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marcccio
21/10/2010 - 12:23
Sabe o que é mais engraçado? A imprensalona é as notícias em tom de catátrofe sobre as consequencias das melhorias tanto de renda quanto empregabilidade.
São manchetes do tipo: Caos no trânsito é...
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Julia
21/10/2010 - 12:37
Caro Pedro e Nassif,
É realmente incrível como isso acontece! Fui vítima de coisas parecidas... uma pessoa que trabalha comigo na universidade me falou que eu não poderia estar naquela laboratório só...
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Sotero Piraquara
21/10/2010 - 12:39
Bela matéria, Pedro Migão!
O pior é que há veículos, a exemplo da panfletária Veja, que só estimulam o preconceito a que você se refere.
Fomenta-se, especialmente no mencionado lixo panfletário, a...
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Chico Pedro
21/10/2010 - 12:40
Só faltou apontar as causas que nos fizeram assim tão estúpidos e insensíveis.
Os trezentos anos de escravidão e violência para uns...privilégios e favores para outros.
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Vi uma vez algo muito...
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naabuh
21/10/2010 - 12:44
Havia um comentário muito feliz no blog (sujo) do Cloaca News.
O comentário falava a respeito do topete deste apedeuta nove unhas que saiu distribuindo renda pra essas pobres, que agora ficam...
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lmstefanini
21/10/2010 - 12:47
Estive assistindo as campanhas dos candidatos na televisão e analisei como eles se referem ao povo brasileiro.
Na campanha da candidata Dilma, o povo é chamada de povo, ou de brasileiros. Há...
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Marcos Luiz
21/10/2010 - 12:48
Análise perfeita. Sou de Curitiba e aqui esse preconceito aparece de forma escancarada, as classes A, B e, por incrível que pareça, também parte da C tem verdadeiro pavor de tudo que lembre...
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Jean
21/10/2010 - 12:57
Bom, o problema é basicamente de educação. A parcela da população historicamente favorecida, reproduz os anseios de classe dentro de casa, através de gerações. Na medida em que as gerações de...
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Vitor Ley
21/10/2010 - 13:10
Preciso. E por isso aqueles que optaram por Marina no primeiro turno e que ainda prezam certo progressivismo, não deveriam ter nenhuma dúvida do que de fato está em jogo. O governo do PT não foi e...
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Antonio Passos
21/10/2010 - 13:27
Perfeita descrição ! Isto não é novidade infelizmente, e no meu modo de ver ainda vai demorar muito a acabar, se é que acabará um dia. O pior é que as pessoas não percebem, ou não querem admitir, o...
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Cristina Lira
21/10/2010 - 13:44
O que me dá enjoo é ler esse artigo e saber que ele é verdade! Eu moro em Campinas e aqui a classe média-alta tem exatamente este comportamento. Fui criada por mãe agnóstica e pai ateu. Casei com um...
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André Argemi
21/10/2010 - 13:50
Certeiro! Poucas são as pessoas que estão preparadas a "dividir" o elevador com "um pobre". Poucas são as pessoas dispostas a agir seguindo o caminho de que o voto deve refletir o desejo de que suas...
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Fernando Curi
21/10/2010 - 14:02
Acredito que essa eleição se caracterizará pela percepção de uma luta de classes que, na verdade sempre existiu, mas à nos sempre foi muito difícil a identificação e análise, principalmente pela...
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Daniel Marchesi
21/10/2010 - 14:07
Aqui em fortaleza , a classe média alta usa com bastante frequência o termo "misturado" para caracterizar lugares onde as pessoas de classe alta dividem espaço com os da classe C e D.
Negar que não...
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Daniel Campos
21/10/2010 - 14:10
Troque "Pedro" por "Wendel" que o que você escreveu se torna correto.
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cada vez que um bobão diz que a luta de classes acabou o Marx morre de rir no túmulo.
Minha cara, a Historia tem sua dinamica muito propria, não tem mais Marx nenhum a não ser como arquivo bibliografico, não há mais no mundo o comunismo que era a conclusão pratica do marxismo. Estamos na fase do mercado globalizado, os antigos bastiões do comunismo são hoje capitalistas, só restou um comunismo residual em paises marginais e os poucos que ainda insistem na ideia estão afundando no logo da ineficiencia economica, como é o caso da venezuela, que em nome do esquerdismo conseguiu detonar para nada UM TRILHÃO DE DOLARES que Chavez recebeu de receitas de petroleo nestes 12 anos de poder.
Por prova historica passada em cartorio o socialismo provou que NÃO FUNCIONA ou será que o fim da URSS não basta? A migração da China para a economia de mercado prova o que?
`pr favor, falar em Marx, a não ser como registro historico, é prova de ....nem vou falar.
Quanto à classe, não existe mais a classe ELITE porque a mobilidade social é hoje absoluta,
a imensa maioria das empresas brasileiras são de gente que já foi pobre, se tornou empreendedor e do açougue fez uma rede de supermercados; a elite de berço é uma minoria aqui e no mundo. Atualize-se para não perder o foco, não tem luta de classes nenhuma, o pobre quer é ter carro, casa e tv de plasma.
Excelente post.
Eu já ouvi tantos absurdos do pessoal que vai votar em Serra que agora estou evitando esse povo.
A resposta vem das urnas, a verdade sempre prevalece.
É 13.
É a mais absoluta verdade.
Moro num bairro quase Zona Sul de BH, num prédio de cinco andares, dois por andar, onde todos os moradores são proprietários dos seus apartamentos (menos eu) de quatro quartos e 160 m2.
Ao me ver chegar à garagem, ontem à noite, com a minha bandeira da Dilma pra fora do carro um vizinho, senhor de uns 60 anos, médico, me disse: Cê vai ser preso com essa bandeira da Dilma! Eu respondi: Por enquanto ainda posso expressar minha opinião, mas se o seu candidato ganhar...
Abraços,
Tenho 36 anos, nasci e cresci em Ipanema, onde morei até casar, e hoje moro Leme. Ou seja, faço parte da chamada nata da zona sul carioca e, infelizmente, sou obrigado a ratificar cada palavra do Pedro Migão. O que eu venho ouvindo nesses últimos anos de parentes e amigos próximos é de arrepiar.
Fico inconformado como pessoas tão ricas são tão mesquinhas e preconceituosas. Se acham tão espertas e acreditam nas idéias do século XVIII e XIX... Parece que educação também não resolve esse problema, haja visto que os americanos sofrem do mesmo mal... Como não ter descrença na humanidade?
Me pergunto quase todo dia se não seria por um viés nazista lá no fundo da alma o responsável por esse preconceito....
Ou se seria mesmo por pura parvoísse mesmo...
É assim mesmo, muita gente que ainda se pensa de elite, e há muito já deixou de sê-lo, exercita o preconceito puro, julga-se escolhido ou superior, e ainda acredita nesta bobagens. A mesma indignação que você tem, tenho-a eu também. Se o país conseguisse resolver com mais eficiência a questão da concentração de renda, a violência declinaria, pois a distribuição de renda tornaria o país mais justo e feliz!
Perfeito raciocínio. E digo que muitos pensam assim. Moro na Tijuca e não é muito diferente, não.
Rafael Wüthrich
Sempre tive a visão de que a zona sul do Rio é uma ilha da fantasia, sou nascido e criado em Jacarepaguá dos anos 60, minha família toda mora na zona sul, uma neoelite amiga de infância que hoje mora no J. Botânico, faz campanha pro Serra e reclama que o governo Lula é corrupto e que os imóveis do seu bairro estão pela hora da morte, é hilário a preocupação dela, umbigo perde. Suas fontes são Arnaldo Jabor, Joelmir Betting e por aí vai, uma tristez de obviedades manipuladas.
As conversas que tenho com membros da classe média em Belo Horizonte vão mais ou menos na mesma direção. Não há razões objetivas para o voto, a não ser o ódio. Faço para todos eles o mesmo questionamento: me dê uma razão objetiva para votar no Serra que não tenha nenhuma crítica ao PT embutida. Ou seja, pergunto para um eleitor declarado do Serra sobre um mérito puro de sua candidatura, uma bandeira que justifique o voto sem fazer menção ao adversário. Desnecessário dizer que ainda não obtive nenhuma resposta, o que não impede essas pessoas de votarem no Serra assim mesmo. É um espetáculo bufo de ódio e irracionalidade...
Isso mesmo. Também sou de BH e já comentei isso com amigos e parentes: da parte do Serra, principalmente os e-mails, é só ódio, destruição e mentiras. Um Dick Vigarista da política.
O Serra Guerra parecer o mutle, seu cachorro companheiro e sacana.
puxa pensei que isso só se percebia em são paulo, sou mulato e aqui em sp dependendo do lugar aonde vou sou discriminado todos os dias.
Sabe o que é mais engraçado? A imprensalona é as notícias em tom de catátrofe sobre as consequencias das melhorias tanto de renda quanto empregabilidade.
São manchetes do tipo: Caos no trânsito é provocado pelo aumento do número de veículos ... e aí a matéria explica que devido ao aumento do poder aquisitivo e a facilidade de crédito, todo mundo está comprando carro... nenhuma palavra sobre as péssimas condições do transporte coletivo...
Ou então: Falta mão de obra na construção civil... e aí a matéria explica que quem quer reformar sua casa não está conseguindo arrumar mão de obra porque os valores estão altos e muitos estão trabalhando em obras do programa minha casa minha vida ou em obras do PAC.
Em suma: todos esses problemas são provocados por o ireesponsável do presidente melhorou a renda da população, facilitou o crédito, estimulou a empregabilidade etc. que inconsequente!
Engraçadíssimo!!
Ou seria cinismo mesmo?
Os aeroportos estão lotados!
As faxineiras estão indo pro trabalho de scooter!
Essa gente aqui comprando TV de plasma!
Minha empregada está fazendo academia!
Onde já se viu??!!
Concordo com a maior parte, Pedro. Apenas acho que na verdade, desta vez, a candidatura conservadora (no sentido real) é a da Dilma já que ela é a continuidade. A candidatura Serra, para mim, não é conservadora e sim uma incógnita porque, na verdade, ninguém sabe o que ele fará.
Quanto essa classe média e classe média alta a que você se refere acho que acertou em tudo. É bem isso mesmo. O que eles parecem não entender, ou na verdade não sei se entendem muito bem é que eles estão muito mais próximos das classe baixas e médias ascendentes do que das classe ricas, mas muito mais próximos.
@DanielQuireza
Quanta bobagem e mistificação por parte deste comentarista Pedro.
De certo, que ele gostaria que a realidade fosse essa enxergada por seus embotados olhos.
Parte de seu microcosmo para tecer verdades absolutas aos que compartilham de sua mesma miopia. Transfere o preconceito que guarda escondido dentro de si para o mundo à sua volta.
Troque "Pedro" por "Wendel" que o que você escreveu se torna correto.
Não adianta vir "tergiversar". O mundo (a realidade) não é uma amostra de exemplos que alguns encontram em seu cotidiano. Só por que encontram pessoas que se encaixam em sua visão ideológica das relações, não quer dizer que isso sirva de referência para todos, de maneira ampla. Isso é reducionismo puro. Achar que essas pessoas preconceituosas que dizem ter conhecido são a maior parte da população é, no mínimo, desonestidade intelectual. Mas, alguns preferem procurar entender o mundo a partir de seus esquemas mentais.
A resposta do Wendel foi na linha: "Mamãe, trollei um tópico"!
Caro Pedro e Nassif,
É realmente incrível como isso acontece! Fui vítima de coisas parecidas... uma pessoa que trabalha comigo na universidade me falou que eu não poderia estar naquela laboratório só porque eu entrei na universidade pelo sistema de cotas de escolas públicas!! E que venho de uma classe inferior a dela!! Além disso, essa pessoa também falou que acha um "absurdo pagar R$800,00 (R$800,00!!!!) para uma empregada doméstica que nem sabe escrever o próprio nome só porque o presidente aumentou o valor do salário mínimo!"
E eu, hoje, também moro num bairro de classe média, classe média alta. E todas as vezes que estendemos uma faixa da Dilma no portão de casa, tem sempre alguém que pixa "Sapatão!", "Vagabunda" e etc. Mas não há em nenhuma casa no bairro em que se vê uma faixa do Serra ou um adesivo dele nos carros.
É incrível o que as pessoas pensam, e falam, sobre a oportunidade que muitas pessoas têm hoje de viver melhor! Parece um absurdo isso para elas! Segundo a pessoa que trabalha comigo: "Pobre devia continuar pobre!".
Tenho pena dessas pessoas...
Um abraço,
Júlia
Sou em formado graças ao sistema de cotas e digo: o preconceito ocorre de tal forma que até cotistas que estudaram comigo evitavam a exposição.
Nem esquento a cabeça. Nunca sofri preconceito, porque estudei à noite (com gente mais velha e mais madura), mas sei que no turno da manhã a história era outra, com o preconceito da classe média alta.
Rafael Wüthrich
Bela matéria, Pedro Migão!
O pior é que há veículos, a exemplo da panfletária Veja, que só estimulam o preconceito a que você se refere.
Fomenta-se, especialmente no mencionado lixo panfletário, a idéia de que os integrantes da classe média trabalham para sustentar os beneficiários da bolsa família, boa parte dos quais habitantes do norte e nordeste do Brasil. Incita-se a segregação sócio-econômica, em vez de apregoar a solidariedade social.
Pedro, parabens pelo artigo.
Só faltou apontar as causas que nos fizeram assim tão estúpidos e insensíveis.
Os trezentos anos de escravidão e violência para uns...privilégios e favores para outros.
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Vi uma vez algo muito interessante sobre desconstruir esses comportamentos do ex-prefeito de Bogotá..
De maneira bem tosca, e até onde me recordo, o indivíduo dizia de hábitos se tornarem, comportamentos. Estes virarem tradições e, finalmente, uma cultura.
Que a agressividade da população foi reduzida na base da operação de atos cívicos, de consciência cívica.
Coisas simples do tipo, no trânsito, respeitar a faixa de pedestres.
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Precisamos de algo assim, com urgência.
Um ato que tenha em seu bojo essa idéia de união, conjunto...de força coletiva, de pátria.
Uma idéia que nos faça notar o pertencimento à nação.
Havia um comentário muito feliz no blog (sujo) do Cloaca News.
O comentário falava a respeito do topete deste apedeuta nove unhas que saiu distribuindo renda pra essas pobres, que agora ficam frequentando mesmo shopping, as mesmas ruas, que "eu", classe média. E onde já se viu? : fila no estacionamento do shopping, e não no INSS. Um absurdo.
Sabe do pior? Quem toma estas atitudes, não admite seu preconceito.
Rapaz... Assino embaixo e com gosto.
Tenho a acrescentar que a nossa "elite"* tenta perpetuar o que acontecia na idade média, onde tinha-se um punhado de "nobres" e o restante eram seus "vassalos".
No início até tinha alguma explicação plausível, o "senhor" era o responsável por proteger e governar o feudo (as cidades da idade média) e em troca os vassalos faziam as coisas funcionarem (agricultura, criação de animais, artesãos, etc).
Só que não demorou muito para os "nobres" esquecerem da parte que lhes cabia nesta espécie de "contrato", em especial a parte de defender o feudo e seus habitantes dos perigos externos. Em muitos casos o o próprio nobre passou à ser a ameaça que ele deveria combater.
Dizem que o poder corrompe, e a história está aí para endossar. Os nobres se tornaram egocêntricos, autoritários, caprichosos, todas as maldades causadas por poder fazer o que quiser e não precisar dar satisfações para ninguém.
E a nossa "elite" continua nesta época, julgando que são nobres com "direitos divinos" e que a única razão da existência dos demais é lhes servir. E sem questionar.
Logo, eles não enxergam os outros em nossa sociedade dita "moderna" como outros seres humanos como eles próprios, eles enxergam os outros como escravos. Eles não conseguem entender que coisas como "direitos humanos" valem para todo mundo, diabos, eles muitas vezes não conseguem engolir sequer que os outros "nobres" tenham os mesmos direitos!
Algumas vezes penso que a cabeça de um "nobre" é defeituosa, porquê age mais como um animal mecanizado do que um ser humano. Um ser humano raciocina, pensa antes de agir. Enquanto o "nobre" automaticamente toma como "presa" qualquer um que ele supõe ser "inferior" à ele próprio e somente tolera os outros "nobres", não evitando porém ocasionais lutas para ver quem é o mais forte, exatamente como a maioria dos animais faz na natureza.
Alguém acha que estou exagerando? Observem como o ódio de muitos contra o PT é completamente irracional, é automático. Se você questionar a razão do ódio - pois para odiar é necessária uma razão - e insistir no questionamento, o "nobre" não consegue responder ou lhe agride fisicamente para não ficar sem resposta. Eu por exemplo odeio o serra, mas tenho razões para tal e posso explicar as mesmas (o episódio da bolinha de papel mortífera é só o caso mais recente).
E também concordo que os jovens estão cada vez piores, e a razão é relativamente simples: O sujeito que saiu da lama e sentiu na carne muitas vezes o que é passar necessidade pensa duas vezes antes de causar algo assim para o próximo. Mas quando este melhora de vida e gera herdeiros, os herdeiros já nascem em uma condição melhor do que a dos pais, e por isso não passam pela mesma educação "na marra" que só a vida é capaz de proporcionar. Assim se os pais não cuidarem de perto da educação dos herdeiros, cria-se uma geração que não se importa com o sofrimento dos outros, pois nunca sofreu. Como vão pagar salário para uma empregada, sem reclamar quando jamais souberam o que é sofrer para chegar ao fim do mês sem ficar no vermelho? Quem nasce em berço de ouro não consegue comprender o que é passar fome.
E a selvageria só tente a piorar mais e mais. Pois há cada vez mais gente no mundo mas o mundo continua do exato mesmo tamanho.
* entre aspas porquê a palavra "nobre" sugere algo de valor, mas a nossa elite é o que existe de pior na nossa sociedade.
O texto é bom, mas seria mais efetivo se separasse a análise - pertinente - da campanha eleitoral propriamente dita. Ocorre que penso em mandar esse texto para minhas listas de amigos e alunos, mas o tom declaradamente pró-Dilma impede, pois desqualificaria o texto como "coisa de petista", fazendo com que a análise sobre preconceito de classe perca força crítica.
Estive assistindo as campanhas dos candidatos na televisão e analisei como eles se referem ao povo brasileiro.
Na campanha da candidata Dilma, o povo é chamada de povo, ou de brasileiros. Há uma mensagem que os brasileiros irão melhorar de vida e subir de classe social.
Na campanha do candidato Serra, o povo é chamado de pobre. Reparem que em algumas propagandas há a mensagem, para que o pobre possa consumir mais. Ou seja, pobre pode até consumir, mas vai continuar pobre.
Na minha opinião, esta frase reflete de forma sutil como os tucanos visualizam o Brasil e sua população e mostra que há muitas diferenças entre os candidatos.
Caraca!! Na veia!!!
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