O totalitarismo singular no Brasil

Por wander

DO Congresso em Foco

O Brasil reinventa o totalitarismo – a nova máquina policial

“Estamos dentro de uma espiral de violência e repressão policial que ultrapassa a média histórica, já extremamente alta, que caracterizou sempre a história de um país elitista e discriminador.”

Bajonas Teixeira de Brito Junior*

Há muitos sintomas que hoje indicam a eclosão de uma forma peculiar de totalitarismo no Brasil. Thomas Mann, exilado durante a maior parte do tempo que durou o Terceiro Reich, definiu a Alemanha do período como o “bem que infeccionou”.  O bem, porque o alemão era tradicionalmente conhecido por seu senso de ordem, disciplina, dedicação ao trabalho e obediência às leis. O agigantamento de alguns poucos sentimentos alemães (o anti-semitismo, o nacionalismo, a necessidade de obediência e hierarquia, o revanchismo, o misticismo) levaram à catástrofe. No Brasil de hoje, ainda temos que descobrir o que está por trás dos traços totalitários que se avolumam.

Observamos esses traços se ramificarem em diversas direções: nas alterações (sempre para cima) dos contratos bilionários das empreiteiras; nas concessões inconstitucionais para as obras da Copa e outros megaeventos esportivos — que, como tem enfatizado o professor Carlos Vainer, do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano da UFRJ, assumem a forma de um efetivo Estado de Exceção, com as garantias constitucionais anuladas em benefício da especulação imobiliária e outros grandes interesses econômicos; o mesmo aparece nos projetos colossais, como o do Plano Nacional de Banda Larga, em que salta aos olhos o modo com que, como faca quente sobre a manteiga, os “parceiros” do governo federal infringem ou denunciam os acordos no mesmo dia em que os firmam e obtém os privilégios que Estado algum concederia.

Por fim, o que provoca estremecimento e pavor, temos as operações policiais destinadas aos pobres e aos movimentos sociais, cada vez mais aparatosas em que se pode admirar a pujança do aparelhamento da repressão: helicópteros blindados em sobrevôo rasante, enormes carros blindados, viaturas novinhas em folha, armaduras articuladas com proteção amortecedora e design futurista, semelhantes às dos soldados americanos no Iraque, veículos especiais para transporte rápido de grande quantidade de cavalos, utilização da cavalaria como técnica de cerco e perseguição, etc.

Uma atenção especial merece esse último aspecto, a força repressiva, em vista da escalada da violência policial que se cristalizou em diversos acontecimentos repulsivos nos últimos tempos. Para entender suas causas é preciso, primeiro, mostrar os fatos que se acumulam e, em seguida, buscar as raízes do presente surto de totalitarismo no país. Citamos alguns dos fatos marcantes:

1. 02 junho de 2011. Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Durante uma manifestação contra as altas tarifas dos ônibus e melhoria do transporte público, a tropa de choque local atua com grande violência contra estudantes universitários e secundaristas. O vídeo no You Tube pode ser visto aqui. E reproduzo parcialmente o pequeno, mas preciso, relato que acompanha o vídeo:

“Durante manifestação pacífica, o BME-ES (Batalhão de Missões Especiais do Espírito Santo [...] ) age com bombas, tiros de balas de borracha (muitos à queima-roupa), spray de pimenta e tapas/pontapés contra manifestantes desarmados (em sua maioria estudantes).
Detalhe 1: a tropa atira nos manifestantes antes de qualquer iniciativa de confronto por parte deles, apontando para dentro da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo), ferindo gente desde o pescoço (!) até o pé, inclusive acertando pessoas que não estavam na manifestação.
Detalhe 2: A tropa age sob ordem do governador Renato Casagrande, que havia baixado nota dizendo que abria mesa para diálogo com os manifestantes, mas não atenderia a nenhuma das reivindicações (no entender da autoridade facista, isso é abertura para diálogo).”

2. 21 de Outubro de 2011. Durante a greve de professores e estudantes da Universidade Federal de Rondônia (Unir) — contra a administração corrupta do reitor Januário Amaral, que se viu ao fim obrigado a renunciar e é hoje acusado pelo promotor do Ministério Público Estadual de Rondônia (MPRO) Pedro Abi-Eçad de ter liderado uma organização criminosa dentro da universidade — a Polícia Federal (PF) efetuou a prisão, não do reitor, mas de um professor presente nos protestos, o professor e doutor em história Valdir Aparecido de Souza. É interessante observar a perfeita calma e autocontrole do professor, característica da coragem sem arrogância, em contraste com a histeria dos policiais federais, que chegam a mostrar uma arma no momento da prisão arbitrária do docente. Parecem duas vertentes da humanidade, entre as quais não há ponte possível. O vídeo não deixa dúvidas.

3. 08 de novembro de 2011. A desocupação da USP. Um policial aponta a arma para o rosto de uma aluna. Cavalaria, tropa de choque, alarido de sirenes, explosões, bombas de gás lacrimogêneo, helicópteros voando próximos ao prédio. A moradia estudantil (CRUSP) fica sitiada por grande contingente policial. Enfim, cenas de horror e desespero. O saldo de 73 estudantes presos.

4. 09 de janeiro de 2012. Um estudante negro na USP foi tratado com extrema violência por um policial militar, levou tapas, foi arremessado contra os móveis que estavam no caminho, humilhado de forma assombrosa por um agente público em serviço. Isso foi feito, sem o menor escrúpulo e sem qualquer hesitação, diante de câmeras. Fica-se a imaginar o que acontece longe das câmeras.

5. 03 de janeiro de 2012. Longe das câmeras, acorrem as abordagens sempre cruéis e marcadas pela brutalidade. Um doutorando em Filosofia, em Barão Geraldo, Campinas, se atreveu a questionar a forma de tratamento dada por policiais aos jovens pobres e negros da localidade. Recebeu uma série de ameaças e teve que enfrentar vários constrangimentos, inclusive desfile de viaturas na sua porta. Não se intimidou e, num segundo questionamento das abordagens policiais, foi preso por “desacato”. Ele fez então, por temer represálias ainda mais graves, o relato dos fatos que foi publicado no site do Yahoona coluna de Walter Hupsel.

6. 05 de janeiro de 2012. Com os métodos truculentos que se tornaram a rotina da atividade policial nas ruas, se procede à “limpeza” da região da Cracolândia em São Paulo. O pretexto é o revigoramento do Centro. O motivo real, apontado por todos os movimentos sociais, é a simbiose de interesses políticos e especulação imobiliária. Na desocupação de Cracolândia, não só se desconsiderou qualquer ação para amenizar a síndrome de abstinência dos dependentes químicos, mas se explicitou o que está no íntimo do tratamento brutal oferecido pela polícia, e a política, aos miseráveis da sociedade brasileira: a Prefeitura de São Paulo declarou que sua estratégia se baseava em “dor e sofrimento” para atingir os seus objetivos. Veja-se a matéria doEstadãoSP usa ‘dor e sofrimento’ para acabar com cracolândia.

7. 22 de janeiro de 2012. Desocupação de Pinheirinho em São José dos Campos (SP). Reproduzo o texto de Raquel Rolnik que, junto com Walter Hupsel, tem sido uma das poucas vozes indignadas com a escalada policial:  “Milhares de homens, mulheres, crianças e idosos moradores da ocupação Pinheirinho são surpreendidos por um cerco formado por helicópteros, carros blindados e mais de 1.800 homens armados da Polícia Militar. Além de terem sido interditadas as saídas da ocupação, foram cortados água, luz e telefone, e a ordem era que famílias se recolhessem para dar início ao processo de retirada. Determinados a resistir — já que a reintegração de posse havia sido suspensa na sexta feira  – os moradores não aceitaram o comando, dando início a uma situação  dramaticamente violenta que se prolongou durante todo o dia e que teve como resultado famílias desabrigadas, pessoas feridas, detenções e rumores, inclusive, sobre a existência de mortos.”

Os fatos listados deixam pouca margem a dúvidas. Sua concentração em janeiro de 2012, é sintomática. Estamos dentro de uma espiral de violência e repressão policial que ultrapassa a média histórica, já extremamente alta, que caracterizou sempre a história de um país elitista e discriminador.  Um tripé repressivo, que envolve o judiciário, a polícia e a política, manipulando uma consciência pública cada vez mais debilitada, em que os próprios intelectuais praticamente se recolheram ao mais absoluto mutismo, salvo raríssimas exceções, está bem montado e, tudo indica, atuará daqui para frente sempre com maior ferocidade.  Estamos já muito além de acontecimentos episódicos e passageiros. Há por trás de tudo isso um comércio de armamento, viaturas, blindados, helicópteros, munições, armas, etc. O Rio de Janeiro já é palco de uma das maiores feiras mundiais, a Feira Internacional de Segurança, para a aquisição de armamentos destinados à repressão pública.

O que já está em prática é um projeto, que foi articulado pelo então ministro da defesa, Nelson Jobim, que evocou à época a “expertise” adquirida pelo exército em conflitos urbanos na missão do Haiti, e cujos aspectos mais perturbadores tentamos apresentar num artigo publicado aqui nesse site em 2008 — Nelson Jobim e o projeto de super polícia. Uma conclusão que se pode tirar nessa altura é a seguinte: se um ministro da defesa é quem articula um projeto policial, em que o exército, a marinha e aeronáutica são peças decisivas, então o inimigo contra o qual o país pretende se defender é um inimigo interno. Ao longo da história, nos regimes totalitários, o ponto crucial foi sempre o domínio sob o aparato policial visando a liquidação do “inimigo interno”.

O que não é fácil de compreender é como, no governo de um partido que sempre se disse comprometido com as causas populares, foi chocado o ovo da serpente. Enquanto há pouco mais de uma década discutia-se ainda o absurdo da existência de duas polícias, a militar e a civil, e se falava na extinção de uma delas para a consolidação do sistema democrático, o que acompanhamos nos últimos tempos foi o reforço de toda a maquinaria policial: o uso da Polícia Federal contra mobilizações sociais (como no caso da Unir, citado acima), a criação da Força Nacional de Segurança Pública, a mobilização das Forças Armadas para operações em favelas, o fortalecimento da divisão da polícia em Civil e Militar, a quase que autonomia dos batalhões especiais, como o Bope.

Surtos de totalitarismo se deram em muitas partes do mundo. Hannah Arendt e Herbert Marcuse, para citar um caso, apontaram diversos  desses sintomas nos EUA nas décadas posteriores à Segunda Guerra. Pode-se dizer que desde a chamada guerra ao terror esses traços não só retornaram como se revestiram de evidência muito maior.  No cenário da crise econômica iniciada em 2008, originada de acordo com vários economistas pelos gastos astronômicos da guerra no Iraque e no Afeganistão, o combate ao terror teve sua prioridade rebaixada. Já o Brasil, nesse mesmo período, criou sua própria versão da guerra ao terror, na forma da guerra contra o tráfico. Para compreender seu sentido, é preciso dar uma passada de olhos sobre nossa história colonial e ver, como nela, se enraíza a figura do “inimigo interno”. Só assim compreenderemos como o nosso Ministério da Defesa pode, hoje, estar envolvido no combate dentro do front interno.

O inimigo a ser erradicado, desde os primórdios da colonização, tem sido entre nós principalmente o inimigo interno. Esse inimigo foi, primeiramente, desenhado pela pena da teologia dos padres como o portador por excelência do mal. Primeiros foram os indígenas, depois os escravos, quilombolas, negros livres e mestiços, e, atualmente, esses inimigos são os que se abrigam em favelas, ocupações e invasões. O historiador inglês Charles Boxer definiu o princípio fundamental da colonização portuguesa nos termos seguintes: “Salvar suas as almas imortais associado com o anseio de escravizar os seus corpos vis”. Trata-se de uma troca metafísica, em que os padres e a Igreja Católica representam a salvação, impondo o cristianismo aonde chegavam e, como complemento inseparável, os traficantes escravistas, os bandeirantes, os capitães-do-mato e as forças policiais, garantiam a subjugação.

Ser escravo era o preço pago por ser cristianizado e adquirir uma alma imortal. O Brasil, ou aquilo que veio a ser chamado Brasil, era visto como um paraíso terreno (o que, na perspectiva portuguesa, significava um campo aberto à exploração extrativa indefinida) habitado, porém, por demônios que deviam ser redimidos ao mesmo tempo pela cruz e pela espada. Um dos melhores exemplos dessa parceria é a do major Vidigal, chefe de polícia no Rio de Janeiro na época em que a Corte esteve no Brasil. Além de reprimir barbaramente qualquer rebeldia negra na cidade, Vidigal destruía os quilombos próximos e, em troca, recebia presentes e homenagens.

Como é bem conhecido, os monges beneditinos o presentearam com uma grande área no Morro Dois Irmãos, em 1820, por serviços prestados. Que interesses teriam os beneditinos?  Um viajante, poucas décadas antes, anotou que eles possuíam 1,2 mil escravos, que usavam na exploração de quatro enormes engenhos de açúcar. Assim, o major Vidigal, na sua época, foi uma engrenagem fundamental para assegurar os bens da ordem. Isto talvez já estivesse esquecido, ou enterrado sob grossa crosta de dissimulação histórica, não fosse um detalhe irônico: o terreno doado a Vidigal foi ocupado posteriormente por Sem Tetos, e recebeu o nome de Favela do Vidigal.

O Brasil foi dominado por quatro séculos por traficantes. As maiores fortunas nesses 400 anos de escravidão eram as dos traficantes de escravos e, abaixo deles, a dos exploradores de mão de obra escrava nas monoculturas, como os beneditinos (ver o livro de João Luis Ribeiro Fragoso,Homens de grossa aventura). Mas esses traficantes, motores de uma trama genocida que trucidou mais de 10 milhões de escravos, só na América, nunca foram punidos. Ao contrário. Foram presenteados com títulos de nobreza, premiados, promovidos, honrados e festejados. Como paradoxo histórico bem característico do Brasil, deparamos hoje com uma guerra aberta contra os descendentes das vítimas da escravização. E essa guerra foi chamada de guerra contra o tráfico.

A nossa guerra contra o tráfico segue o modelo colonial da guerra ao inimigo interno. Em todas as justificativas dos atos violentos praticados pelas forças policiais, se repete o mesmo relatório: “foram encontradas tais e tais armas e munições; tantos e tantos quilos de cocaína; presos diversos evadidos do sistema prisional, etc.”. A lógica permanece, sem tirar nem pôr, a lógica da colonização sendo os lugares atacados os que abrigam os maiores contingentes de herdeiros do pesadelo escravista, isto é, o maior contingente de negros e mestiços. Por isso é engraçado ler coisas como essa:

“O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) disse nesta segunda-feira que a Policia Militar transformou em “praça de guerra” a ação de reintegração de posse da área invadida do Pinheirinho, em São José dos Campos (97 km de São Paulo), determinada pela Justiça estadual.” Folha.comMinistro chama de “praça de guerra” episódio em Pinheirinho.

Mas como é possível tanto cinismo, se os instrumentos dessa guerra foram criados por esse governo e por sua base política?

Enquanto isso os grandes interesses, os negócios gigantescos, predatórios para o Estado, mas indispensáveis para a política, têm seus contratos bilionários sempre reajustados para cima, recebem todo tipo de incentivo, e se esquivam a toda responsabilidade. Compara-se isso com a explosão dos trabalhadores dos canteiros de obras de Jirau, que forma um afresco histórico dos mais claros sobre o Brasil de hoje. Milhares de trabalhadores em condições miseráveis de trabalho aguardam providência de um Estado que não passa de um simulacro de garantidor do interesse público. Em 2009, 38 trabalhadores foram libertados de condições de trabalho análogo à escravidão; em 2010, já foram 330 os autos de infração por crimes trabalhistas e em 2011, no mês de abril, depois de compreenderem que nenhum apoio viria do governo federal, os trabalhadores cederam ao desespero e promoveram uma explosão de fúria. Só então o Estado se fez presente: a Força de Segurança Nacional, veloz como um raio, apareceu e tocou para longe os trabalhadores, demitidos e expulsos da área. Nenhuma reparação lhes foi dada ou prometida. Agora, surge o conflito entre as empreiteiras e as seguradoras para o pagamento dos prejuízos e, como era de se esperar, o BNDES já entrou na discussão. E a discussão diz respeito ao pagamento, ao consórcio construtor, de uma soma que pode chegar a US$ 1,3 bilhão. Indenização alguma cabe aos trabalhadores tratados como bestas de carga.

É interessante notar que, ao que parece, todas aquelas operações grandiosas da polícia federal contra os muito ricos (como a Operação Satiagraha), não deram em nada. Ou entraram no processador lento dos tribunais, na caverna obscura na qual muitos processos entram, porém, raros saem. Serviram só para proibir as “humilhações” e “exposições” a que antes eram sujeitos banqueiros ou especuladores: fim das algemas, imposição do segredo de justiça, etc. Por outro lado, na esfera dos conflitos sociais normais em toda sociedade democrática, a polícia das balas de borracha, dos gases de pimenta e lacrimogêneo, das pancadas e humilhações, das mortes que no meio do tumulto nunca são responsabilidade dos agentes públicos, avançam sobre um território novo e inexplorado: o público universitário.

Ao mesmo tempo em que se reforça sobre as periferias, favelas e ocupações, em que intimida e maltrata mais os negros e mestiços do que nunca, a polícia começa a sentir o gostinho de estender a mão também a um público mais seleto, carne nova, de classe média, que, até pouco tempo, não fazia parte do seu cardápio habitual: alunos do ensino secundário, estudantes de universidades federais, doutorandos, professores doutores.

Como foi possível ao PT criar esse aparelho repressivo? Foi possível porque para os intelectuais, políticos e setores religiosos que formam o partido, a grande referência permanece a Europa e a sua brancura mítica. Ao pensar em refazer as estruturas sociais do país, em desenvolvimento e modernização, o inconsciente do PT almeja por algo parecido com o que considera o Bem, isto é, algo semelhante a um país europeu e uma população branca. Nessa lógica, as massas de negros, mulatos, mestiços, e também índios, não esqueçamos deles — todas essas faces estranhas e inquietantes para quem só vê beleza em corpos brancos — aparecem como um estorvo estético, um desvio moral e um sinal da vocação para o crime.  As classes dominantes delinqüentes sempre fizeram assim: transferiram a sua própria carga criminosa para seus subordinados sociais.

O que fazer com eles?  O PT pôs em prática a mesma teologia e a mesma interação de público e privado da nossa história colonial. Os brancos, e quanto mais brancos melhor, os donos de empreiteiras, bancos, latifundiários, especuladores, etc., afiguram o Bem. A ‘plebe’ descendente da escravidão, surge como a raiz de todo Mal. Esse mal, o pior mal, o mais concentrado, foi fixado na figura do traficante — síntese e prova do mal que se engendra nas favelas. Os pobres, em sua grande maioria negros e mestiços, os índios,  devem ser salvos pelo Bem, mas por essa salvação têm que pagar um preço muito alto.  Esse preço é hoje, não mais a cristianização meramente cosmética, mas a submissão à ordem pela violência, como se, em sua essência, esses setores constituíssem focos de infecção social. As UPPs, em cujo projeto inicial se incluía muros e guaritas em torno das favelas (Ver o nosso artigo publicado aqui no siteA Alpha Ville das Comunidades – a Alpha Vella) mostram claramente isso.  Repetem os aldeamentos e missões, em que os índios eram totalmente extraídos de sua cultura original e submetidos a mais rígida ordem sob a vigilância cruel dos monges.

O que o PT parece perder de vista é que, como sempre acontece na história com os partidos fracos, gelatinosos, dispostos a todas as concessões e vilanias, a sua política policial se voltará, mais cedo ou mais tarde, contra ele mesmo. E isso pode acontecer logo que, despido de sua auréola e credibilidade, por força da violência que criou e tem gerido, deixe de ser um instrumento útil nas garras da fauna de bilionários que hoje se alimenta do Estado.  Nesse momento, o criador será entregue como repasto para sua criatura.

PS: Tenho muita simpatia pelos meus colegas que se dedicam aos estudos pós-coloniais, especialmente pela seriedade de seus trabalhos acadêmicos e pelo seu engajamento crítico, mas, não obstante isso, para o caso brasileiro, não posso deixar de alimentar sérias dúvidas. Em que sentido o Brasil se mostra como uma sociedade pós-colonial? O que caracteriza a nossa história são as mudanças sem rupturas, as transições transacionadas. Assim, falar em “pós” pressupõe um corte efetivo, coisa que nunca ocorreu em nossa história marcada pela ambivalência. Parece-me muito mais explicativa a idéia de neo-escravismo, sublinhando a velha continuidade da corrupção, da violência contra os cativos, dos privilégios escancarados para as elites.

*Doutor em Filosofia, autor dos livros Lógica do disparate, Método e delírio e Lógica dos fantasmas. Foi duas vezes premiado pelo Ministério da Cultura por seus ensaios sobre o pensamento social e cultura no Brasil. É coordenador da revista eletrônica, Revista Humanas , órgão de divulgação científica da Cátedra Unesco de Multilinguismo Digital (Unicamp) e professor colaborador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Ufes

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53 comentários
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antonio francisco

O que não é fácil de compreender é como, no governo de um partido que sempre se disse comprometido com as causas populares, foi chocado o ovo da serpente. Enquanto há pouco mais de uma década discutia-se ainda o absurdo da existência de duas polícias, a militar e a civil, e se falava na extinção de uma delas para a consolidação do sistema democrático, o que acompanhamos nos últimos tempos foi o reforço de toda a maquinaria policial: o uso da Polícia Federal contra mobilizações sociais (como no caso da Unir, citado acima), a criação da Força Nacional de Segurança Pública, a mobilização das Forças Armadas para operações em favelas, o fortalecimento da divisão da polícia em Civil e Militar, a quase que autonomia dos batalhões especiais, como o Bope.

Eu, por exemplo, não consigo entender.

 
 
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edisilva

Eu, por exemplo, consigo entender que a maioria dos casos citados são da esfera estadual.

 
 
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Marcia

E a PM barbarizando, como sempre.

Há décadas as PMs, fortalecidas e armadas pela Ditadura, foge das suas  funçoes e trata cidadãos como cachorros de rua.

 
 
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edisilva

As PMs precisam, no mínimo, serem reformadas, Márcia. E é assim em todos os estados, infelizmente.

 
 
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Juliano Santos

É verdade, a cultura de bater em pobre e preto primeiro e depois perguntar alguma coisa, se muito, é fortemente arraigado no Brasil.

Precisará de muito lulismo ainda para que o pobre brasileiro seja elevado à categoria de cidadão com o direito ao mesmo tratamento do que os da elite.

Isso não fica na conta só dostucanos, não

 

Juliano Santos

 
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IV AVATAR

o uso da Polícia Federal contra mobilizações sociais (como no caso da Unir, citado acima),

Antônio Francisco, a  César o que é de César. O reitor da Unir foi demitido. Já o Rodas continua na USP.

a criação da Força Nacional de Segurança Pública,

Não foi necessário? 

a mobilização das Forças Armadas para operações em favelas,

Não foi necesário?

o fortalecimento da divisão da polícia em Civil e Militar,

Com gente como Jair Bolsonaro pondo lenha na fogueira 

a quase que autonomia dos batalhões especiais, como o Bope.

Somente dias atrás a PM de SP retirou de seu site a homenagem à ditadura militar, para eles, uma "revolução" e não um golpe.

Eu, por exemplo, não consigo entender.

Sei...

 
 
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walter araujo

Ora, vejam só:


O doutor Bajonas é autor do livro


"Lógica do Disparate".


Tá explicado?

 
 
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Horridus Bendegó

Elementar, meu caro Watson.


Quando um Estado é levado a aumentar seu efetivo policial com métodos e instrumentos exagerados para enfrentamento das massas, seu tecido social está perigosamente tensionado.


Como sexta economia do mundo, tecido social nenhum resiste às diferenças entre seda e morim que há no Brasil.   

 
 
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armando botelho

Abordagem interessante ,agora seria complementar  ,a análise da criminalidade nas cidades Brasileiras ultrapassando de longe outros paises . E bom lembrar a desgraça que as drogas vem causando num, nível alarmante e a lertagia das autoridades federais que pouco fazem ou comentam da situação , é como se tudo estivesse normal .

 
 
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Djijo

Policia Militar: Exército com a artilharia voltada para dentro.

 
 
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marceloarruda

O PT de Mato Grosso do Sul se associou ao que há de pior na  política estadual. Nenhuma defesa enfática dos trabalhadores. Elogios infindáveis aos produtores rurais, que tratam os trabalhadores como esterco. Alguns petistas, inclusive, que há pouco tempo não tinham nada, se tornaram proprietários de extensas áreas rurais. A patuléia foi abandonada. Esperança aqui já não existe. Todos os partidos jogam o mesmo jogo, com as mesmas estratégias e buscando um só resultado. Triste fim.

 
 
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Assis Ribeiro

Esse tema vem sendo debatido aqui no Blog. Esse totalitarismo se vê em todo o mundo. As perseguições e agressões policiais na Inglaterra e nos EUA nesses tempos de "Ocupe" são alguns exemplos.

Tenho insistido em colocar a releitura de Orwell e Huxley:

Por Chris Hedges
 "O debate entre aqueles que assistiram nossa decadência em direção ao totalitarismo corporativo era sobre quem, afinal, estava certo.  Orwell (no livro "1984", publicado em 1949) ou Huxley no livro "Admirável Mundo Novo" publicado em 1932.

Seria como Orwell escreveu, dominado pela vigilância repressiva e pelo estado de segurança que usaria formas cruas e violentas de controle? 

Ou seria, como Huxley anteviu, um futuro em que abraçaríamos nossa opressão embalados pelo entretenimento e pelo espetáculo, cativados pela tecnologia e seduzidos pelo consumismo desenfreado?

No fim, Orwell e Huxley estavam ambos certos."...

http://assisprocura.blogspot.com/p/orwell-estava-certo-huxley-tambem.html

Aproveitando o tema faço uma crítica à vários comentários postos ontem em um Post sobre Rita Lee que me lembrou o "paredão" do BBB.
Rita Lee é reconhecida como uma defensora pelas liberdades, é totalmente contra qualquer forma de pressão ou repressão policial.
A polícia estava fazendo "cerco" no meio do público em seu show. Não havia motivação para uma interferência policial.
Os excessos  policiais em todo mundo são claros. É preciso estarmos bem atentos. Os estados totalitários mostram os seus tentáculos como mostra este Post.
Rita Lee foi execratada por uma defesa de uma ideologia que ela prega faz há pelo menos 40 anos.
Fiquemos atentos.


 

Assis Ribeiro

 
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Válber Almeida

No meu entendimento, numa vertente mais ensaísta, eu diria que vivemos um momento de deterioração civilizatória global resultante de dois processos, um político-econômico, o neoliberalismo, e outro cultural, o pós-modernismo. De fato, o neoliberalismo representou, na economia e na política, a dilapidação das conquistas civilizatórias forjadas pelo espírito da modernidade, onde a democracia representou o seu coroamento em virtude dos três pilares básicos que a compõem: as liberdades civis, as liberdades políticas e as liberdades sociais (direitos civis, políticos e sociais). A eliminação de um desses elementos compromete e descaracteriza a democracia, visto que essas liberdades fundamentais representaram a investida moderna contra a barbárie, cujas características principais residem na opressão física, na tirania do poder e na superexploração social, males básicos que sustentam todos os demais males sociais. O que se viu dos anos de 1980 em diante foi uma paulatina deterioração de todos esses pilares da democracia e, por conseguinte, daquilo que se chamou de modernidade, culminando com as diversas transgressões capitaneadas pela maior potência mundial, contra direitos civis e políticos em escala global, após 2001. A crise atual do capitalismo acentuou estes males em escala global e tende a lançar a humanidade, como vem lançando, em diversos tipos de conflitos politicamente motivados e que tendem a se tornar uma bola de neve que os tornarão politicamente difíceis de serem contidos. O pós-modernismo, por sua vez, como bem salientou David Harvey, alicerçou uma cultura da desesperança, da descrença, do caos e do comodismo necessária para estes tempos de trevas. Como compensação para estes males que se apossaram da alma do homem ocidental, ofereceu em troca uma recompensa via prazer carnal, estimulando uma cultura hedonista que fragilizou ainda mais os valores coletivos modernos, lançando as personalidades para dentro de seu próprio ego, num refúgio individualista que culminou naquilo que antropólogos e sociólogos têm chamado de atomismo social, constituído por indivíduos que vagam sem rumo e sentido, grupos e hordas urbanas sem qualquer projeto coletivo. Na leitura sociopsicanalítica e Bauman, nesses tempos liquefeitos, o princípio da realidade que orientou a cultura moderna, e que impunha limites ao princípio do prazer, foi suplantado, contemporaneamente, pelo princípio do prazer, de modo que o princípio do prazer se tornou o próprio princípio da realidade para as sociedades ocidentais atuais. Esses dois movimentos culminaram num processo de esvaziamento do poder tanto político-econômico dos trabalhadores e das parcelas menos favorecidas das sociedades ocidentais, quanto da cultura de resistência social, baseada num coletivismo que enfrentou e enfraqueceu os dogmas e as armadilhas anticivilizatórias do individualismo burguês. Onde vamos parar com tudo isso? Onde já chegamos. Mesmo os movimentos ditos de resistência na atualidade não conseguem, de fato, se orientar POR e, por isso, oferecer UM projeto coletivo de resistência social à cavalgada da barbárie; não existe uma orientação e um programa debatido e amadurecido, mesmo porque é o voluntarismo, e não a organização racional, o impulso, e não a revolta elaborada e organizada, a paixão, e não uma causa racionalmente identificada e estabelecida como meta a ser alcançada, que tem levado as multidões às ruas e praças no ocidente. Daí porque, mesmo com toda a deterioração do tecido social e dos ganhos civilizatórios que se vivencia hoje, as massas revoltadas são as mesmas que votam nos candidatos de ultra-direita, apóiam as chacinas e barbáries perpetradas pelo Estado em nome de uma suposta ordem ou segurança jurídica, não conseguem formular uma visão sistêmica que permita elaborar uma consciência efetivamente crítica da realidade que as cercam e caminham de mãos dadas, mesmo gritando seus problemas e angústias, com os cavaleiros apocalípticos que meteram a humanidade nesta lastimável situação. O Brasil não é uma caixa de ressonância, mas uma caixa de consonância desses processos globais.

 
 
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LEN

Muita cara de pau desse sujeito...em sete relatos um apenas se refere a atuação da polícia federal, e no episódio em que ocorreu menor nível de violência entre todos, os outros todos se referem a polícias estaduais e o infeliz tenta colocar a culpa do fascismo da ação tucano no PT. O nome disso é desonestidade intelectual, inversão do ônus político na base da falácia. Sinceramente, questiono a republicação aqui de artigos sem o mínimo critério de honestidade e argumentação, mas com certeza o post vai render bastante comentários de reação.

 

Visitem o Blog Ponto & Contraponto. Twitter: @len_brasil Robozinho do blog: @pontoXponto

 
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Moraes

De fato. Devo estar ficando muito 'positivsta', porque, nesse texto só vejo alusões enumeradas aleatoriamente e correlações absolutamente desencontradas. Um pouco de lógica faria bem - mas sacrificaria a conexão que parece reger o texto, isto é, a afirmação de que o ovo da serpente (o novo totalitarismo) teria se desenvolvido no governo PT (o governo federal) e, mais do que isso, seria mesmo gerado pelo PT, seria uma uma sua criatura. Com esse tipo de lógica nao se entende mesmo coisa alguma. Alem disso, seria bom questionar o que se entende por totalitarismo, um termo demasiado vago e abrangente que muitas vezes nos impede de identificar outras formas de dominação e controle social. Na maior parte das vezes, o anuncio luminoso 'totalitarismo' serve mais para desorientar e confundir alhos com bugalhos. Servia até para a ultradireita americana desqualificar o NEw Deal, para uma certa onda de 'libertários' desmoralizarem o welfare state, até mesmo para rubricar a reforma da saude proposta por Obama. Se serve para tudo isso, serve para muito pouca coisa....

 
 
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aliancaliberal

"questiono a republicação aqui de artigos sem o mínimo critério de honestidade e argumentação"

tradução:

 Só leio e aceito artigos pró governo, criticas não são cabiveis para o governo popular.

 

"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." Nelson Rodrigues.

 
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LEN

você deve estar me confundindo, não me conhece. Eu não só aceito críticas ao governo e ao PT quanto eu mesmo as faço e muitas vezes apanho por esses posicionamentos. Ontem mesmo critiquei ferozmente o posicionamento do governador do partido pela atuação desastrada no show da Rita Lee. E era por isso, fica claro que o partido tem que cuidar o dobro para que os generalistas não tentem colocar todo mundo no mesmo saco ou faça como esse sujeito de culpar o PT pelo fascismo do PSDB. Críticas ao governo federal sim, quando acompanhadas de um mínimo de argumentação coerente e honestidade intelectual, esse cinismo não ajuda em nada debate algum.

 

Visitem o Blog Ponto & Contraponto. Twitter: @len_brasil Robozinho do blog: @pontoXponto

 
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ruyacquaviva

LEN, parabéns pela resposta. Desmontou  a trollagem com coerência e lucidez.

Assim o trabalho dos trolls tucanos vai ficando cada vez mais difícil.

 
 
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FabioREM

Aliança, faltaram alguns episódios na lista, todos ocorridos neste ano:

- O Conflito em Teresina, Piauí, relativo à mobilização popular contra o aumento das passagens dos ônibus da cidade.

- O Conflito semelhante ocorrido em Recife.

- O episódio no Pelourinho, na Bahia, em que uma mulher ficou cega. 

Em todos houve abuso de força policial, e não importa qual o partido da prefeitura desses locais. Que eu saiba, em nenhum destes 3 a prefeitura era do PSDB. 

 
 
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João Aguiar

foi publicado no Viomundo também. um comentarista elogiou o Azenha achando que era o autor, que esclareceu o engano e agradeceu kkkkkkkkkkkkkk aproveitei pra copiar a sua acusação de desonestidade intelectual ao autor. 

 

você não pode vencer a morte, mas você pode vencer a morte em vida, às vezes. Charles Bukowski

 
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LEN

Isso parece método de redução de danos João. O sujeito vê o PSDB no meio do fogo cruzado pelas suas ações na USP, Cracolândia e Pineirnho, vai atrás de um exemplo totalmente desproporcional envolvendo a PF para dizer: TODO MUNDO FAZ. No final, esquece o partido que está por trás de todas essas ações fascistas e culpa as políticas sociais do PT sem fazer uma única crítica a forma que o PSDB trata a população carente. Com certeza foi um artigo encomendado para fazer frente ao do Kennedy Alencar.

Se espremerem mais, o PT a Dilma eo Haddad passam a ser os únicos responsáveis pela autorização dada por governos tucanos para a Polícia Militar de São Paulo agir como a PE do regime militar.

 

Visitem o Blog Ponto & Contraponto. Twitter: @len_brasil Robozinho do blog: @pontoXponto

 
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wander!

Um episódio? o texto ja começa assim: "traços se ramificam em diversas direções: nas alterações (sempre para cima) dos contratos bilionários das empreiteiras; nas concessões inconstitucionais para as obras da Copa e outros megaeventos esportivos — que, como tem enfatizado o professor Carlos Vainer, do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano da UFRJ, assumem a forma de um efetivo Estado de Exceção, com as garantias constitucionais anuladas em benefício da especulação imobiliária e outros grandes interesses econômicos; o mesmo aparece nos projetos colossais, como o do Plano Nacional de Banda Larga, em que salta aos olhos o modo com que, como faca quente sobre a manteiga, os “parceiros” do governo federal infringem ou denunciam os acordos no mesmo dia em que os firmam e obtém os privilégios que Estado algum concederia."

 
 
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Bento de Abreu

Perfeito o comentário LEN, também não entendo porque postar um texto com tanta desonestidade no blog, não acrescenta nada e ainda dá publicidade ao autor.

 
 
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Augusto Cesar

Não seja injusto. O artigo é um alerta muito bom e NÃO tenta colocar a culpa de tudo no PT, como você acusa, mas apenas estranha, como a maioria de nós estranha aqui e ali, a falta de coerência do governo do PT. Sejamos honestos. Falta ou não coragem a Dilma, como faltou a Lula, para agir com mais ousadia na política monetária e cambial, no controle social sobre os meios de comunicação, na reforma política?


Afinal, para nos atermos ao assunto em tela, a Força Nacional, pra quem sempre defendeu que as PM eram resquício autoritário, é ou não é um anacronismo? Estranhamos ou não que tenha surgido num governo do PT?

 
 
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ruyacquaviva

Essa frase abaixo:

O que não é fácil de compreender é como, no governo de um partido que sempre se disse comprometido com as causas populares, foi chocado o ovo da serpente.

É um absurdo completo.

De todos os casos apresentados um único envolve a polícia federal. Trata-se obviamente de um caso isolado, é público e notório eu o governo federal, tanto na época do presidente Lula, quanto depois da posse da presidente Dilma, pauta-se pelo diálogo e não pelo confronto.

COmpare com o governo estadual paulista onde os casos de uso da violência policial no lugar do diálogo são constantes, agora  assim como eram no governo Serra e no governo anterior do mesmo Alckmin, permitindo afirmar-se que se trata de uma prática corrente desse partido. Fosse um caso ou outro, ocorridos isoladamente seria um absurdo fazer tal afirmação, mas é prática constante.

Não é aceitável citar um caso isolado e fazer uma afirmação como essa sobre o PT, muito menos embolando com casos de responsabilidades de governos estaduais que não são do PT.

Isso é desonestidade intelectual SIM.

 
 
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wander!

"traços se ramificam em diversas direções: nas alterações (sempre para cima) dos contratos bilionários das empreiteiras; nas concessões inconstitucionais para as obras da Copa e outros megaeventos esportivos — que, como tem enfatizado o professor Carlos Vainer, do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano da UFRJ, assumem a forma de um efetivo Estado de Exceção, com as garantias constitucionais anuladas em benefício da especulação imobiliária e outros grandes interesses econômicos; o mesmo aparece nos projetos colossais, como o do Plano Nacional de Banda Larga, em que salta aos olhos o modo com que, como faca quente sobre a manteiga, os “parceiros” do governo federal infringem ou denunciam os acordos no mesmo dia em que os firmam e obtém os privilégios que Estado algum concederia."

 
 
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Augusto Cesar

Há exageros. Podem até advir do que você chama de desonestidade intelectual, mas continuo achando um bom artigo. Mesmo com exageros e injustiças, traz alertas importantes, porque se o "ovo da serpente" não foi agora gerada, o que foi feito para que ele não vingasse? Assim, ainda que não houvesse sequer citado o caso da Unir, restaria por exemplo a questão da Força Nacional. Então, não fujamos do assunto, Ruy. Afinal, gerar a Força Nacional, pra quem sempre defendeu que as PM eram resquício autoritário, é ou não é um anacronismo? Estranhamos ou não que tenha surgido num governo do PT?

 
 
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Vera Passos


Só para ilustrar.

MULHER FICA CEGA APÓS TOMAR GOLPE DE CASSETETE DE POLICIAL Imprima esta matéria Imprima esta matéria | PostDateIcon 27/jan/2012 . 14:37 | PostAuthorIcon Autor: EditorDo CorreioAlmerinda Santos das Neves, 34 anos, perdeu a visão do olho esquerdo ao ser agredida por um policial, na noite do último dia 22, durante a 31ª edição do Festival de Música e Artes do Olodum (Femadum), no Largo do Pelourinho. Segundo matéria publicada no site Correio, enquanto dançava na festa de domingo, foi surpreendida, por volta das 19h30, pelo golpe de cassetete de um dos três policiais que, segundo ela, começaram a bater em pessoas que estavam próximas, sem nenhum motivo aparente.“Vi o policial vindo com o cassetete, senti o golpe, mas nem entendi o que estava acontecendo”, disse Almerinda ao Correio, garantindo que não havia nenhuma confusão no momento da ação policial. Achando que só machucou a testa, perdeu os sentidos. Só acordou no hospital.Os amigos e parentes que assistiram ao ato, no entanto, sabem o que aconteceu após Almerinda ir ao chão. “Abriu uma roda na multidão e ela caiu no meio. Viram o policial, quando percebeu o estado dela, botar a mão na cabeça, como quem diz: ‘Meu Deus, o que eu fiz?’”, conta a sua irmã, Rosilda das Neves, que estava a poucos metros da cena.Ela ainda viu a equipe ser rapidamente trocada por outra, que teria reagido mal às queixas dos familiares. “Nos empurraram, enquanto a gente dava o socorro, porque começamos a reclamar da agressão”, acrescenta.Mesmo com diversas testemunhas, Rosilda lembra de uma câmera, instalada próximo ao Colégio Estadual Azevedo Fernandes, que por sua localização, deve ter captado imagens do ocorrido. “Quem tiver acesso a essas imagens verá o que aconteceu”.O coordenador do setor de Comunicação da Polícia Militar, capitão Marcelo Pita, explica que não houve qualquer registro ou manifestação sobre o caso. “Precisamos que ela, através da Ouvidoria ou presencialmente, entre em contato conosco para que possamos obter informações e fazer a averiguação para identificar a patrulha, já que todos estavam com identificação. As imagens gravadas em vídeo são inclusive uma peça de informação que pode colaborar com as investigações”.

 
 
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Marcia

Muito grave esse fato, Vera.

O Comando da PM da Bahia tem que  adotar  sérias providencias  contra o policial que  espancou essa moça.

 

 
 
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João Aguiar

"Como foi possível ao PT criar esse aparelho repressivo? Foi possível porque para os intelectuais, políticos e setores religiosos que formam o partido, a grande referência permanece a Europa e a sua brancura mítica."

a descrição perfeita do PSDB paulista, FgagaCVampiro Brazileiro e geraldinho opusdélico. o problema do autor é quando sai do atacado, vai pro varejo e tenta botar meia arrôba de rapadura numa embalagem a vácuo.  

 

você não pode vencer a morte, mas você pode vencer a morte em vida, às vezes. Charles Bukowski

 

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